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quinta-feira, 7 de julho de 2011

Cilada.com

Para o lançamento de seu novo filme, “Cilada.com”, o ator e roteirista Bruno Mazzeo esteve em São Paulo, juntamente com parte do elenco e o diretor José Alvarenga Jr. Em entrevista coletiva, eles comentaram sobre o longa-metragem, que teve origem no seriado “Cilada”, lançado em 2005 pelo canal a cabo Multishow.

José Alvarenga Jr, que não trabalhou como diretor no seriado, tem bastante experiência com o cinema nacional, já que dirigiu “Divã”, “Os Normais 2”, entre outros. Ele conta que, para levar o seriado da televisão para o cinema, foi necessário pegar “o que tinha de bacana no seriado e ampliar para o cinema”. “Achava que o seriado tinha uma carga emocional que não era explorada no cinema”, completa. Outra questão é que, segundo Alvarenga, no cinema é possível dizer mais coisas que na TV. “O cinema permite o que não é possível explorar na televisão. O cinema é uma escolha, a pessoa está lá para ver o filme; a televisão chega na casa da pessoa.”

Isso porque, além das piadas, já que a história se desenvolve a partir de uma traição de Bruno (Bruno Mazzeo) com a namorada Fernanda (Fernanda Paes Leme) em frente de todos os seus amigos e familiares, há o romance. Porém, como vingança, a moça resolve colocar um vídeo dele na internet em uma situação constrangedora. E na ânsia de tentar consertar a sua reputação, Bruno só aumenta o problema.

Mesmo quem nunca assistiu a um episódio na televisão, pode entender a história. E, assim com em outro seriado escrito por Bruno Mazzeo, “Junto e Misturado”, que foi ao ar no ano passado na Rede Globo, os personagens têm os mesmos nomes dos atores. O fato não cria confusão com o público? “No 'Cilada', tínhamos a ideia de fazer parecer uma coisa cotidiana, aproximar o seriado, misturar ficção e reality show, mas isso não rolou. Porém, o nome se manteve. No 'Junto e Misturado', a ideia foi parecer um bate-papo entre amigos e aproximar o público daquelas situações corriqueiras”, explica Mazzeo.

Bruno Mazzeo conta quealgumas histórias são autobiográficas

A confusão pode ser ainda maior, já que muitas de suas histórias, como ele mesmo diz, são autobiográficas ou biográfica dos amigos. “A gente vai juntando as histórias.” Segundo ele, no caso do filme, apenas uma história foi verdadeira: a da mulher bonita com bafo, protagonizada por Carol Castro. E ela garante: “Não tenho bafo!”

Fernanda Paes Leme também comentou o assunto, já que viveu recentemente uma vilã na novela “Insensato Coração”. “No Brasil, existe muito isso de a pessoa confundir a personagem com a atriz. Me chamam de Irene na rua e vêm tirar satisfação!” Já para Fabiula Nascimento, atriz que faz uma ponta no filme e que participou do seriado, afirma que gosta de ter o mesmo nome da personagem. “Pra mim foi bom, porque as pessoas me viam na rua e não sabiam quem eu era; agora me chamam de Fabiula. Obrigada, Bruno”, agradece.

Se no seriado o personagem vivido por Bruno parece ser sacana, aqui ele é humanizado. “O desafio do filme foi mostrar como um cara sacana desse jeito chega ao final com o espectador torcendo por ele?” E o próprio Bruno completa: “A questão do desafio me interessa muito. Decidi parar de fazer o seriado para fazer outras coisas”, completa ele, lembrando que atualmente o “Cilada” é reprise. “O programa está há dois anos em reprise, é o 'Chaves' brasileiro”, compara com bastante bom humor.

Quanto ao seriado, ele é taxativo: “O programa não volta para a TV pelo mesmo motivo pelo qual parou: necessidade de fazer outras coisas e daí a gente parte para outro”. Em breve devem ser lançados os DVDs que faltam para fechar o pacote.

Embora o filme não tenha nem estreado, a produção é otimista. Já tem a sequência do filme confirmada. “Só falta a história”, arremata Bruno. Ainda segundo ele, a segunda temporada do seriado “Junto e Misturado” ainda não está confirmada.

No local de trabalho, Bruno descobriu o tal vídeo

O filme
Depois de terminar o namoro por conta de uma traição pública, Bruno (Bruno Mazzeo) é alvo da vingança da namorada, Fernanda (Fernanda Paes Leme). E é justamente essa vingança que vai resultar o verdadeiro enredo do longa-metragem “Cilada.com”.

O problema da vingança de Fernanda é que mexe com a virilidade masculina, com a sua vaidade, já que sofre de ejaculação precoce. Porém, o vídeo se espalha com uma velocidade incrível, como é comum quando se fala da rede mundial de computadores, e Bruno pensa em um jeito de como reverter essa situação, já que caiu em uma cilada.

E é justamente a partir da ideia que recebe do amigo Sandro (Augusto Madeira), que o filme se alimenta. É a partir desse plano que surgem algumas piadas. Trata-se de uma comédia, mas também com um toque de  romance. O problema é que muitas vezes a piada não funciona, é forçada, sem graça e chega ao ponto da grosseria, principalmente por conta da escatologia, de algumas serem até preconceituosas. Outro ponto negativo são as cenas previsíveis: é chato para o espectador adivinhar o que será mostrado na sequência.

Há problemas também com a direção de arte, como o banheiro diferente em duas ocasiões, e até de referências, como as moças que tomam cerveja direto da garrafa em uma festa de casamento.


Fernanda Paes Leme e Bruno Mazzeo

Também participam do filme Carol Castro, em uma das sequências engraçadas da fita, Fabiula Nascimento, Fúlvio Stefanini, Marcos Caruso, Serjão Loroza, Dani Calabresa e Thelmo Fernandes. Além de Bruno Mazzeo, Rosana Ferrão é autora do roteiro, com colaboração de Marcelo Saback e José Alvarenga Jr.


“Cilada.com” mostra o poder da internet e o limite cada vez menor entre o privado e o público. Em muitas cenas, o filme não funciona, diferentemente do seriado, principalmente por falta de timing de comédia e por estender demais determinados assuntos, que talvez funcionasse se fosse mais rápido. Uma pena.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Carros 2

É verdade que um dos lançamentos da Pixar que não fizeram tanto sucesso foi “Carros”, longa-metragem lançado em 2006 e dirigido por John Lesseter, criador de “Toy Story”, o primeiro grande sucesso do estúdio. Um dos motivos para a “falta de sucesso” é o tema, claro, que é apreciado principalmente pelos meninos. Porém, com exceção do mercado interno, ou seja, os Estados Unidos, são poucos os países que se interessam por corridas de automóveis.

Mas quando se fala em pouco sucesso de um filme da Pixar, é quando comparado aos outros lançamentos do mesmo estúdio, já que foi a menor desde “Toy Story 2”. Porém, se comparado com outras produções, bem, é um sucesso total. Isso porque “Carros” rendeu, no final de semana de estreia nos Estados Unidos, mais de US$ 60 milhões. De acordo com David Price, no seu livro “The Pixar Touch: The Making of a Company”, a comparação de pouca arrecadação é relativa, porque “Carros” ainda era a segunda maior bilheteria do ano, depois do lançamento da Disney, “Piratas do Caribe: o Baú da Morte”.

Sobre as críticas, Lasseter disse: “Muita gente acha que 'Carros' é um filme sobre carros ou que 'Procurando Nemo' fala sobre peixes – 'Bolt' sobre cachorro. Ok, mas esses são os personagens e parte de seu ambiente. Mas suas personalidades e histórias precisam transcender o que são, seja humano, cachorro, carro, peixe, o que for. Você precisa tocar as pessoas e eu sempre digo que é preciso fazer uma conexão com o público, mostrando a eles algo que lhes é familiar em algum nível, mas se ver diante de uma situação que nunca imaginou antes. Embora façamos pesquisa sobre todos os assuntos (carros, trailers, no caso de Bolt, ou peixes), a essência tem que atingir quem gosta, ou não, do assunto. Essa é minha filosofia.”


A continuação
Cinco anos depois do lançamento do primeiro filme, eis que Lasseter volta a dirigir o longa de continuação, ao lado do codiretor Brad Lewis. Trata-se de “Carros 2” (“Cars 2”), que desta vez está sendo lançado em cópias 2D, 3D e Imax 3D, em versões dubladas e legendadas. A que eu vi é dublada por personalidades como Emerson Fittipaldi, Luciano do Valle, José Trajano e a cantora Claudia Leitte.

Desta vez, o campeão das corridas que começou em Radiator Springs, Relâmpago McQueen, é desafiado pelo carro de corridas italiano, Francesco, cujas rodas pra fora encantam a Porsche que namora McQueen. O primeiro desafio do Grand Prix Mundial está marcado para acontecer no Japão. Mas o destaque maior da trama acaba sendo para o seu melhor amigo, o carro-guincho Mate, que se aventura como espião internacional.

A trama começa um pouco sinistra, é verdade, com espionagens, um barco no mar e de repente vários carros contra Brent Mustanburger. O excesso de personagens (ao todo, foram criados 145 novos) acaba confundindo o espectador. E o próprio enredo se torna chato, quando a referência é o combustível utilizado pelos carros de corrida...

O assunto não é nada infantil, ainda que há abordagens sobre amizade que podem cativar as crianças. Mas o que realmente chama a atenção em “Carros 2” é, sobretudo, a arte, o desenho, os detalhes que foram criados para construir a obra. Neste caso, “Carros” conquistou por conta do inusitado, o que já não ocorre desta vez. O que talvez possa chamar atenção é que a fita não se passa apenas nos Estados Unidos, além de não serem apenas carros, mas também barcos e aviões!

 
Há, por exemplo, referências aos locais por onde passam, ou seja, o Monte Fuji, no Japão. Em Paris, há passagens que remetem ao “Ratatouille”, que se passa na capital francesa. Mas aqui, Paris é visitada por Mate como parte de sua missão na espionagem internacional. 
Então, ele passa pela Pont des Arts, onde dois carros se beijam, e pela Catedral de Notre Dame. Na Itália, onde há corrida de rua (pelo menos neste filme), foi criado um visual fictício cidade costeira italiana de Porto Corsa, mas é uma combinação da pista feita nas ruas de Mônaco com a Costa Amalfitana e lá é feita homenagem aos seis irmãos Maserati (Enzo, Bindo, Carlo, Alfieri, Ettore e Ernesto). Para finalizar, a última corrida é realizada em Londres, com destaque para alguns cartões postais, como o Big Ben, que aqui chama-se Big Bentley, além da própria rainha que aparece condecorando Mate como Sir por sua atuação.

O atrapalhado Mate, aliás, acrescenta o bom humor ao filme, principalmente quando está no Japão e se atrapalha com as letras e até mesmo confunde raiz forte com sorvete de pistache... Mesmo assim, lá pelas tantas o espectador pode se sentir entediado durante “Carros 2”, principalmente se não for um amante de carros...

Além dos dois primeiros “Toy Story”, Lasseter foi diretor de “Vida de Inseto” e produtor executivo de todos os outros filmes da Pixar. Foi dele, aliás, a ideia do filme e, para construir os personagens, passeou pela famosa Rota 66. Ele sempre conta que é orgulhoso do filme e que adora os carros, além, é claro, da animação.

Este é o 12º longa-metragem da Pixar, que está comemorando 25 anos. Em 2006, o estúdio foi comprado pela The Walt Disney Company, de modo que faz da Pixar uma subsidiária integral da empresa.

Em tempo: desde 1986, quando a Pixar Animation lançou seu primeiro curta-metragem, “Luxo Jr.”, lançou um por ano e vem apresentando um novo antes de cada longa. Ou seja, antes de “Carros 2”, o público pode conferir “Férias no Havaí”, apresentado por personagens de “Toy Story”. Provavelmente, como também já virou tradição, um novo curta deve ser acrescentado ao DVD.



Curiosidades
O nome do protagonista, Relâmpago McQueen, foi dado em homenagem a Glenn McQueen, ex-animador da Pixar que trabalhou no primeiro “Carros” e veio a falecer pouco antes de o filme ser lançado. Os pneus Lightyear de McQueen são uma referência a Buzz Lightyear, de “Toy Story”, assim como o seu número, 95, referência ao ano 1995, em que o mesmo filme foi lançado. Há ainda homenagem ao próprio Lasseter, no meio do filme, quando uma das propagandas aparecem em close, com o nome LassetAir.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Meia Noite em Paris

Depois de homenagear ci­dades como Londres, Bar­ce­lona e, claro, sua Nova York, Woody Allen homenageia a Ci­dade Luz em seu novo filme, “Meia Noite em Paris” (“Midnight in Paris”), longa-metragem que estreia nesta sexta-feira, dia 17 de junho.

A fita chega ao Brasil em tempo recorde do lançamento internacional, uma vez que os filmes do diretor e roteirista nova-iorquino costumam chegar ao país com quase um ano de atraso, e esse foi apresentado ao público pela primeira vez durante o Festival de Cannes, realizado em maio deste ano.

O filme conta a história da vida do escritor Gil (Owen Wilson, de “Penetras Bons de Bico”) que, cansado de escrever rotei­ros fracassados para filmes hollywoodianos, vai passar alguns dias com a noiva e os pais dela na capital francesa. Sua ideia, portanto, é escrever romances, já que tem admiração por escritores de peso, como Ernest Hemingway, autor de “Paris é uma Festa”, por exemplo.
 
A primeira imagem é da Torre Eiffel, seguida da ponte Alexander III, considerada a mais bonita da cidade. Com uma espécie de videoclipe dos principais pontos turísticos, Allen mostra a Paris dos seus sonhos: Place de la Concorde, Mont­martre, Notre Dame, Jar­din des Tuilleries, as lojas chi­ques da avenida des Champs-Élysées e da Place Vendôme, os cafés, os restaurantes, o museu do Louvre, Le Palais Garnier, além dos belos telhados de Pa­ris. E o clipe vai mostrando a vida frenética da cidade até que chega a meia noite e, voilà, a mágica está feita.

É aí que o espectador vai des­cobrir o que acontece na Paris dos sonhos do escritor que admira Fitzgerald, Pablo Picasso, Salvador Dalí, Luis Buñuel e o Man Ray, e outras tantas personalidades dos anos 1920. É uma viagem no tempo incrí­vel, com referências de diversos segmentos da arte do início do século 20, mas também, quando Gil se encanta por Adriana (Marion Cotillard) e a viagem no tempo vai para a Belle Époque, nos anos 1890.



É na Ponte Japonesa do jardim de Claude Monet, em Giverny, na região francesa da Normandia, que o casal Gil e Ine­z (Rachel McAdams) conversa e discute sobre a possibilidade de se morar em outro lugar. A participação especial fica para a primeira-dama francesa, Carla Bruni, que faz o papel da guia no Musée Rodin, cujas esculturas do artista ficam expostas no jardim do grande casarão. Além de Paris e Giverny, há cenas filmadas no castelo de Versalhes.

Se Paris é sinônimo de magia e encanto, em “Meia Noite em Paris” Woody Allen brinca com a imaginação do espectador e entrega o que promete: um longa-metragem cheio de graça, humor refinado, citações de refe­rên­cias do mundo das artes, além de diálogos bem construídos.


 
Allen sempre foi um cineasta que entrega um filme por ano, principalmente com temas relacionados à sua cidade natal, Nova York. Porém, desde 2005 ele tem feito filmes na Europa, certamente porque tem tido dificuldades de conseguir financiamento para suas obras que possuem cinéfilos fiéis, como os ingleses “Match Point” e “Scoop”, “O Sonho de Cassandra”, o espa­nhol “Vicky Cristina Barcelona”, entre outros, para agora homenagear a capital francesa. E ele mesmo diz: “Claro que eu amo Nova York, que é a cidade onde nasci e cresci, mas se eu tivesse que escolher uma cidade para viver, que não fosse a minha, seria Paris”, diz Allen. 
 
A primeira vez que o diretor teve capital francesa como locação foi em “Todos Dizem eu Te Amo” e se apaixonou por Paris durante as filmagens de “O que é que há, Gatinha?”, seu primeiro filme como ator e roteirista.
 
“Meia Noite em Paris” traz novo fôlego às obras de Woody Allen, uma vez que seu último filme, “Você Vai Conhecer o Ho­mem dos Seus Sonhos”, não agradou a todos os seus fãs, ainda que, como se diz, um filme de Woody Allen mediano ainda é muito melhor que outros filmes que estreiam nos circuitos nacio­nal e internacional.
 
“Meia Noite em Paris” é um filme encantador, com humor raro que apenas Woody Allen é capaz de escrever, exatamente para o seu público. Ah, e se ficar com vontade de ver (ou rever) Paris após sair da sessão não se preocupe, acontece!

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Kung Fu Panda 2

Muitos torceram o nariz quando houve a explosão dos longas-metragens produzidos com o uso da tecnologia, ou seja, feitos inteiramente no computador, em três dimensões, principalmente depois do sucesso da Pixar, “Toy Story”, dirigido por John Lasseter e lançado em 1995.

A questão é que outros estúdios aprenderam que poderiam deixar de fazer animação do modo tradicional, tal como Walt Disney fez “Branca de Neve e os Sete Anões”, primeiro longa do gênero, lançado em 1939. No entanto, os diretores (e obviamente os estúdios) entenderam que o público iria ao cine­ma assistir a essas produções desde que tivesse uma boa história para contar, independentemente de ter sido feita a mão ou com ajuda do computador.

O uso do 3D e da animação de um modo geral é justificável para contar uma história não necessariamente infantil, mas que não pode ser contada com personagens reais, como os brinquedos que ganham vida quando os humanos viram as costas, o peixe que se perde no oceano, o ogro que vira príncipe, os animais que lutam kung fu e assim por diante.

Agora está nos cinemas, em versões 2D e 3D, o longa-metragem de animação “Kung Fu Panda 2”. Na aventura, o panda Po (Jack Black) já foi aceito como Dragão Guerreiro, e protege o Vale da Paz ao lado dos seus amigos e mestres do kung fu, os Cinco Furiosos: Tigresa (Angelina Jolie), Macaco (Jackie Chan), Louva-Deus (Seth Rogen), Víbora (Lucy Liu), Garça (David Cross) e o mentor Shifu (Dustin Hoffman). E, além de acompa­nhá-los em suas aventuras, Po é adorado por todos e tem até bonecos com a sua cara.

A fita começa contando sobre a China e sobre a tão procurada paz interior, necessária para conseguir equilíbrio. Mas além de Po encontrar o próprio equilíbrio, já que sabe que fora adotado pelo Ganso, embora não saiba de onde veio, ele vai ajudar os nossos heróis a não deixarem o kung fu morrer. Para isso, porém, vão ter de lutar contra o vilão Lorde Shen, que planeja usar uma arma secreta para conquistar a China e des­truir o kung fu.

Ainda que o “balé” da primeira luta de Po com ajuda dos outros animais seja sensacional, ela e as demais que acontecem no decorrer na trama são o ponto fraco, pois, muitas vezes, principalmente na versão tridimensional, a que assisti, é escura e a coreografia não permite que o espectador entenda, em algumas cenas, quem está batendo e quem está apanhando.

Como o panda vai precisar de paz interior para buscar o equilíbrio a fim de continuar lutando, há algo no passado de Po que o incomoda e isso será demonstrado a partir de um desenho localizado no braço do ini­migo, cena que se repete várias vezes ao longo da fita.

Embora algumas continuações de filmes façam sucesso, em alguns momentos “Kung Fu Panda 2” entendia, as piadas não têm tanta graça, mas há mensagens para os filhos adotivos e para aqueles que querem encontrar a paz interior, já que o passado deve ficar lá trás. E isso é um ponto forte da trama. Dirigido por Jennifer Yuh Nelson, que no primeiro filme atuou como chefe de História, supervisora de Sequências de Ação e diretora da Sequência do Sonho, “Kung Fu Panda 2” merece ser visto por toda a família, em versões dubladas ou legendadas, em 2D ou 3D, como maneira de descontração e entretenimento.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

O Poder e a Lei

É sentado no banco de trás de um Lincon preto, que o advogado Mick Haller (Matthew McConaughey, de “Como Perder um Homem em 10 Dias”) vai fazer suas negociações, geralmente com traficantes, motoqueiros e prostitutas. Seu charme, porém, é um caso a parte. Embora não precise seduzir nenhuma mulher para conseguir o que quer, sua sedução é toda direcionada para a plateia. E faz bem feito.

Em “O Poder e a Lei” (“The Lincoln Lawyer”), longa-metragem que estreia nesta sexta-feira, 27, nos cinemas, McConaughey vai ter de provar que pode dobrar a lei com poder (já que negocia com os bandidos e com a polícia), quando recebe o caso do jovem playboy Louis Roulet (Ryan Phillippe, de “Crash – No Limite”), que foi detido por agressão e tentativa de estupro. Em um primeiro momento, o garoto até convence que é inocente, mas quando o advogado pede ajuda ao seu amigo investigador, percebe que o caso não será tão fácil assim.

Baseado no best-seller homônimo de Michael Connelly, a fita é repleta de reviravoltas e, ainda que o espectador não entenda sobre leis e regras, as personagens vão contando o que está acontecendo e cada passo dado dos dois lados. No jogo do vai e vem, o espectador vai com o advogado juntando as peças, embora ele vá induzindo sob o seu ponto de vista.

Para completar o eixo familiar do advogado (afinal de contas, sim, ele vai ser ameaçado a certa altura), está a ex-mulher Maggie, vivida por Marisa Tomei (“O Lutador”). Os dois foram casados e têm uma filha. Eles se respeitam e ela é uma bem sucedida advogada que também o apóia, embora não em todas as suas crenças.

Mick é conhecido por ser um verdadeiro advogado de “porta de cadeia”, mas sabe como ganhar bastante dinheiro, principalmente quando precisa defender criminosos envolvidos com o tráfico de drogas. Ele dá um jeito: livra a cara de seu cliente e, em troca, ganha milhões de dólares.

Com direção de Brad Furman e roteiro de John Romano (de “Noites de Tormenta”), “O Poder e a Lei” é um filme que prende a atenção do espectador do início ao fim, pois o instiga a tentar descobrir se, de fato, o rapaz é culpado ou inocente. Porém, mais do que isso, o espectador vai descobrir como os autores vão costurar o thriller de modo a fazer as reviravoltas necessárias.

Com tantos outros filmes que envolvem depoimentos e acusações, como “O Júri”, ou até mesmo quando Robert de Niro vive o padre que vai depor em favor dos rapazes que passaram pelo reformatório, em “Sleepers – A Vingança Adormecida”, além de tantos outros, incluindo “Filadélfia”, protagonizado por Tom Hanks, “O Poder e a Lei” se difere, pois, embora esteja sentado no banco de trás do Lincon, carro que dá nome original ao filme, o advogado não vive cercado de luxo, com um escritório que ocupa um prédio inteiro. Ao contrário. Seu escritório é o próprio carro e ele ainda conta com uma assistente que é especialista em fazer pesquisas pela internet.

“O Poder e a Lei” é um thriller inteligente e que funciona, além de prender a atenção do espectador do início ao fim com diálogos bem construídos que resumem desde o condenado erroneamente, até o típico “filhinho de papai” que apronta e depois não quer agüentar as conseqüências.

Se Beber, Não Case! Parte II

Quando foi lançado, em 2009, o longa-metragem “Se Beber, Não Case!” não tinha a pretensão de fazer o sucesso que fez. E foi exatamente esse sucesso que motivou os produtores da fita a fazerem a continuação. “Se Beber, Não Case! Parte II” (“The Hangover Part II”) estreia nesta sexta-feira, 27, nos cinemas brasileiros.

Quem não assistiu ao primeiro, seria mais interessante que o visse antes de ir ao cinema conferir a continuação. Isso porque os primeiros 15 minutos do longa fazem referência ao filme anterior e mostra como os amigos estão e que a vida de todos progrediu, com exceção da de Alan (Zach Galifianakis), que continua morando com os pais e gosta de músicas para adolescentes.

Se no primeiro o casamento era de Doug (Justin Bartha) e os amigos se juntaram para fazer sua despedida em Las Vegas, desta vez quem vai casar é o dentista Stu (Ed Helms), e os rapazes vão para a Ásia, já que a família de sua noiva, Lauren (Jamie Chung), é tailandesa e o casamento será realizado em um resort na praia.

Antes, porém, a fita, que segue a mesma estrutura da primeira, começa pelo meio. Phil (Bradley Cooper) liga para Doug de um lugar qualquer e diz que está com problemas. Corta. E daí vai para o início, contando, de modo não-linear, como foram parar ali, em um lugar estranho e não no resort onde estavam hospedados.

Ainda que os amigos insistam na despedida, principalmente Phil, Stu nem quer saber, já que a última viagem que fizeram foi um desastre completo. Afinal, o noivo é convencido a tomar uma inocente cerveja na praia e, de quebra, leva com o grupo o irmão da noiva, Teddy (Mason Lee), um adolescente que acabou de entrar na faculdade e é considerado um gênio pela família.

Desta vez não é o noivo quem some, mas o irmão da moça. Porém, Stu nem cogita na possibilidade de chegar ao casamento sem o cunhado, ou vai ficar pior perante à família dela. E, por um impulso, eles vão procurá-lo no telhado...

Novamente dirigido e escrito por Todd Phillips, que contou com a contribuição dos roteiristas Craig Mazin e Scot Armstrong, o longa-metragem segue em um perfeito déjà vu. Até Stu solta no filme: “Não acredito que isso está acontecendo de novo...”

Detalhe, porém, que ao invés do bebê que Alan carrega no primeiro, neste ele tem um macaco, Cristal, que rouba a cena em diversos momentos, assim como Ken Jeong, que faz o papel de senhor Chow, que desta vez arranca gargalhadas da plateia e mostra ser, na verdade, um bon vivant.

Outros personagens inseridos na trama é o enigmático Kingsley, vivido por Paul Giamatti (de “Sideways - Entre Umas e Outras”), um monge e, novamente, Mike Tyson, que faz uma participação especial sendo ele mesmo.

É verdade que continuações são problemáticas, porque nem sempre funcionam. E, apesar de seguir a mesma estrutura do primeiro, ou seja, começa pelo fim e volta para o início para depois ter o desfecho, as melhores risadas são mesmo as que vêm a partir das piadas e do comportamento de Alan. O ator, aliás, entre as duas produções, trabalhou com o mesmo diretor no road movie “Um Parto de Viagem” (“Due Date”), cujo personagem lembra um pouco do filme.

Ao final, não saia sem antes ver as fotos reveladores da aventura desses amigos e descubra alguns detalhes que não foram explicados no decorrer da fita.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Piratas do Caribe: Navegando em Águas Misteriosas

Era para ter terminado a série dos filmes em uma trilogia, em 2007, quando foi lançado “Piratas do Caribe: No Fim do Mundo”. O longa-metragem, aliás, havia sido filmado juntamente com o segundo, o “Piratas do Caribe: O Baú da Morte”, de 2006. Mas o início da saga do pirata Jack Sparrow começou em 2003, com “Piratas do Caribe - A Maldição do Pérola Negra”, e mostrou ao mundo que filmes de piratas podem ser bons (ou ao menos podiam...).

Tanto se falou no fim da franquia, mas ela não terminou. Isso porque chega aos cinemas brasileiros nesta sexta-feira, dia 20 de maio, o quarto da série: “Piratas do Caribe: Navegando em Águas Misteriosas” (“Pirates of the Caribbean: On Stranger Tides”). Novamente, tal como nas produções anteriores, o filme é todo de Johnny Depp, embora conte ainda com um elenco que inclui a bela Penelope Cruz no papel de uma pirata, Angelica.

Sob a batuta de Rob Marshall, cujo último filme que dirigiu foi o musical “Nine”, baseado no longa-metragem “8 ½”, de Federico Fellini, a fita está sendo apresentada em 2D, 3D, incluindo a versão Imax, experiência que eu tive, no único cinema deste tipo que existe em São Paulo.

Desta vez, o capitão Jack Sparrow (Depp) terá de ir à Fonte da Juventude, quando uma mulher de seu passado (Penelope) o força a entrar no Vingança da Rainha Ana, barco do pirata Barba Negra (Ian McShane).

O início é em algum lugar da Espanha, quando a corte está tentando pegar o mapa que leva à tal Fonte. Depois, em Londres, Jack se disfarça de juiz (seu olhar, no entanto, é inegável!), mas acaba sendo aprisionado pelo duque, pois querem que ele preste serviços ao rei e consiga chegar antes dos católicos espanhóis, para ter a tão sonhada vida eterna.

Mas quando saem de Londres, Jack Sparrow, a tripulação do rei, Angelica, Barba Negra com sua tripulação de zumbis, seguem em direção a Whitecap. Para chegar à Fonte da Juventude, terão de passar por obstáculos, que inclui belas e encantadoras sereias (do mal) com dentes de vampiro... E a confusão, mais uma vez, está armada.

O toque de humor, os trejeitos e os cacoetes caricatos de Depp estão todos lá. E é exatamente por isso, e por a sua participação no filme, que este vale a pena. Porque não fosse Johnny Depp, nem sairia de casa para ir ao cinema ver um filme escuro, com poucos e rasos diálogos, além de uma música de Hans Zimmer que não cessa um segundo. As lutas de espada também estão lá, e tanto Jack quanto Angelica empunham a arma e saem para lutar. O clima de romance presente nos outros filmes, porém, desapareceu, culpa de Orlando Bloom e Keira Knightley, nos respectivos papéis de Will e Elizabeth, que não estão nesta fita.

Embora a química de Penelope e Johhny funcione, prefiro ela fazendo filmes do diretor espanhol Pedro Almodóvar, como “Abraços Partidos”, ao invés de uma aventura como essa que lá pelas tantas me fez lembrar “Indiana Jones”, principalmente quando vão atrás de um cálice. Só faltou a musiquinha...

Quando mistura religião, um dos tripulantes prega e “Piratas do Caribe” acaba se tornando um filme com aspectos religiosos, por exemplo quando menciona sobre o comportamento de um da tripulação que vive rezando e pregando o bem, além dos espanhóis católicos – ao contrário dos ingleses, que são protestantes. Eles, aliás, tentam destruir o local da Fonte, porque só Deus pode conceder a vida eterna e por isso é preciso acabar com o lugar profano e pagão.

A fita extrapola nos efeitos especiais, o 3D coloca o espectador no filme, o som excelente permite ouvir o canto dos passarinhos, sem falar na maquiagem, no figurino de época, mas se atrapalha nas lutas de espadas. 

Mais uma vez, o filme é todo de Johnny Depp que, a exemplo dos anteriores, tem uma brilhante atuação, e ele está bem à vontade na trama, com seus trejeitos e, claro, bom humor. No entanto, o filme cansa, os 128 minutos parecem não terminar, o que é um mau sinal quando se trata de uma superprodução. De qualquer maneira, é esperada uma legião de fãs tomando conta das 141 salas de cinema na capital e na Grande São Paulo: faz parte dessa turma que homenageia um ídolo. Johnny Depp é a única atração em “Piratas do Caribe: Navegando em Águas Misteriosas”, o mais fraco das quatro produções da franquia.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Os Agentes do Destino

Você acredita em destino? E naquela história de que nada é por acaso? O longa-metragem “Os Agentes do Destino” (“The Adjustment Bureau”) fala exatamente sobre isso.

A princípio, estranhei quando, na primeira cena, me deparei com Matt Damon, astro de filmes como “Invictus”, trilogia Bourne, “Além da Vida”, de Clint Eastwood, entre outros, fazendo o papel de um candidato ao senado. Mas a fita é mais do que isso. Além de ser um político, Damon participa de um suspense na história que envolve também a bela Emily Blunt, no papel de Elise, uma bailarina que ele conhece, veja bem, no banheiro masculino. Coisa do destino?
 
No mesmo dia, os dois se beijam e, pouco tempo depois, se encontram, olha só, no ônibus que ele toma em plena Nova York, já que perdeu a eleição e está em busca de um novo emprego. Trocam telefones, mas não se encontram. Destino?
 
David começa a ser perseguido, mas até então ele não sabe o motivo, tampouco o espectador. É aí que entram os tais agentes do destino, um grupo formado por homens de chapéus e são responsáveis por fazerem as coisas acontecerem na vida de cada um, conforme o plano do chairman – ou presidente. Com um mapa em mãos que lembra o usado nos filmes de “Harry Potter”, cujo desenho vai se mexendo conforme as personagens se movem, os agentes vão fazer de tudo para que os dois não se encontrem mais.
 
E há uma explicação para isso, mas sem ser explícito. Um deles, aliás, diz o que acontece desde o Império Romano, passando pelas duas Grandes Guerras, para falar sobre o livre arbítrio e que hoje em dia isso não existe, apenas “uma aparência de livre arbítrio”. Ou seja, a pessoa acha que está fazendo escolhas, mas elas estão sendo induzidas. Na trama, é como se a pessoa não pudesse ter tudo, como família perfeita e carreira brilhante. A partir do ultimato que recebe, David tem de escolher por ele e por ela. Embora os dois formem um belo casal, um dos agentes é enfático: “Não interessa como você se sente. O que importa é o que está escrito (preto no branco)”.
 
Mas David faz o tipo persistente. Não só pessoal, mas politicamente também. Quando perde a eleição e é o mais jovem candidato ao posto, acha que perdeu porque querem pessoas mais adultas. E daí tenta de novo, mesmo tendo perdido no Brooklin, bairro onde cresceu. De repente, o destino lhe prega uma peça novamente e, três anos depois do último encontro no ônibus, continua procurando Elise todos os dias até que a encontra.

Matt Damon não faz feio, ao contrário. O casal funciona e convence o espectador. Ao fazer o discurso, a empolgação remete ao seu papel em “Invictus”.

Escrito e dirigido por George Nolfi (roteirista de “Doze Homens e Outro Segredo”), baseado em conto de Philip K. Dick (“Minority Report – A Nova Lei”), o filme está sendo lançado como suspense, mas não dá para concordar tendo como referência o mestre do gênero, Alfred Hitch­cock, autor de filmes como “Psicose”. “Os Agentes do Destino” tem um mistério, uma busca incessante pelo que se quer, além de ser uma comédia romântica que lembra as protagonizadas por Tom Hanks, por exemplo. O toque de humor acontece sempre com a garota, mas principalmente quando ambos se encontram no ônibus.

Para driblarem o destino, os dois entram e saem de portas, de maneira que aparecem em outros lugares. Talvez uma grande referência ao longa-metragem de animação “Monstros S.A.”? Até que entram em uma porta na Estátua da Liberdade e mudam o destino que havia sido traçado. Simbólico, não?

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Reencontrando a Felicidade

Não se trata de uma comédia romântica, como o nome talvez possa sugerir. “Reencontrando a Felicidade” (“Rabbit Hole”) é um drama que discute perda, morte, mas de maneira diferente daquela vista por espíritas, tal como tem sido moda ultimamente nos filmes nacionais, principalmente.

Antes de falar sobre o filme, a expressão Rabbit Hole, nome original do filme, é uma metáfora criada por Lewis Carroll, autor de “Alice no País das Maravilhas”. Ao pé da letra, Rabbit Hole seria traduzida como toca do coelho; mas, na me­táfora, é o momento no qual passa-se a viver em um mundo diferente, paralelo, no qual não se conhece nada e não se reconhece. Como um universo paralelo.

Voltando ao filme... Becca (Nicole Kidman) é uma mulher amargurada e casada com Howie (Aaron Eckhart, de “Batman – O Cavaleiro das Trevas”). Mesmo que implicitamente, o espectador sabe que os dois tentam retomar a vida depois de uma grande perda. No entanto, ele só vai descobrindo qual é o problema aos poucos e sempre de maneira indireta.

O diretor John Cameron Mitchell (“Hedwig - Rock, Amor e Traição”) não escancara a morte na tela grande, mas valoriza o sentimento de perda em sua protagonista, fazendo com que ela se torne cansativa e chata, muitas vezes malcriada e insuportável (haja vista a forma como trata as grávidas que passam por seu caminho).

A perda não é fácil de lidar, principalmente quando ela é próxima. Na verdade, nunca se esquece dos entes queridos que já se foram mas, como lembra uma das personagens, com o passar dos anos, apenas aprende-se a conviver com aquela ausência dia após dia.

Embora o casal formado por Nicole e Eckhart funcione, já que os dois tentam se ajudar a superar o problema, há algo estranho. Ao mesmo tempo que ambos frequentam um grupo de autoajuda, juntamente com Gabby (Sandra Oh), entre eles há um certo pudor ao falar sobre a dor que sentem. Desconversam, não decidem o que querem fazer dali em diante: ela foge do problema e ele vai fumar maconha.

Por falar nas reuniões de auto­aju­da, é durante um desses encontros em que o rapaz conversa com Gabby, que está uma sequência cômica. O restante é denso, triste, recheado de amargura. A não ser a pitada de sarcasmo do momento quando Becca fala sobre Deus poder escolher o anjo que quer. “Afinal, ele é Deus”. E, sim, chega a dar um aperto no coração, principalmente quando as cenas envolvem o garoto Jason (Miles Teller), autor do comic book que, voilà, dá nome original ao filme.

Com roteiro escrito por David Lindsay-Abaire, “Reencontrando a Felicidade” é um belo filme, momento principalmente de introspecção do espectador que, de alguma maneira, é capaz de refletir sobre o que está sendo contado na tela e fazer um paralelo com a vida real. E também mostra que é possível recomeçar e reencontrar a felicidade, mas, sobretudo, é preciso querer. Sozinho ou em grupo.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Como Arrasar um Coração

Quem disse que todo filme francês tem final estranho, aliás, muitas vezes nem final tem? “Como Arrasar um Coração” (“L’Arnacoeur”) é uma comédia romântica dirigida por Pascal Chaumeil, em sua estreia no cinema, já que ele tem mais experiência em séries de televisão. Como primeira produção, aliás, ele não faz feio, até recebeu indicação ao César, o Oscar francês, na categoria de Melhor Filme de Estreia e outras quatro: Melhor Filme, Ator, Ator Coadjuvante, Atriz Coadjuvante – mas não ganhou nenhum.


Assisti ao filme no ano passado, durante um voo entre Paris e São Paulo. Agora, estreia nos cinemas brasileiros. A narrativa, baseada em história real da roteirista e produtora Laurent Zeitoun (que escreveu ao lado de Jeremy Doner e Yohan Gromb), conta a história vivida por Romain Duris. O protagonista, aliás, é um dos atores mais disputados na França e trabalhou em produções como “Em Paris” (de Christophe Honoré, ao lado de Louis Garrel), “As Aventuras de Molière” (de Laurent Tirard), “Paris” (de Cédric Klapisch), entre outros.

Aqui, ele é Alex Lippi, um sedutor que conquistou e encantou uma tropa de mulheres. No entanto, tal como ele diz no início da fita, este é o seu trabalho, ou seja, ele é contratado para seduzir mulheres novas ou menos novas, francesas ou estrangeiras. E, geralmente, o desafio aumenta ainda mais, pois elas são comprometidas. Para executar o tal “servicinho”, ele conta com a ajuda da irmã (Julie Ferrier) e do cunhado (François Damiens que, aliás, rouba a cena em diversos momentos).

No entanto, o maior de todos os desafios e que é contado com ênfase no filme de Chaumeil, é que ele terá 10 dias para conquistar a socialite Juliette Van Der Becq (Vanessa Paradis), já que ela está de casamento marcado como inglês Jonathan Alcott (Andrew Lincoln). Para tanto, vai valer tudo. E é exatamente aí que está a graça do longa-metragem que tem 105 minutos de duração.

O filme, que fez um grande sucesso na Europa e já teve seus direitos vendidos para ser refilmado nos Estados Unidos, é ambientado em locações que incluem hotéis de luxo, escritórios, lojas etc. Destaque principalmente para o cenário estonteante quando ao fundo temos Monte Carlo, em Mônaco.

“Como Arrasar um Coração” não tem diálogos bem construídos, como é a característica principal desses filmes feitos do lado de lá do Atlântico, mas o bom humor está presente em toda a fita. De quebra, o que poderíamos chamar de um revival interessante, é a interpretação do casal da dança principal de um dos clássicos dos anos 1980: “Dirty Dancing”, estrelado por Patrick Swayze e Jennifer Grey.

Ainda assim, há algumas cenas que parecem artificiais, afinal de contas, como é possível organizar tramoias tão perfeitas e em tão pouco tempo como essa trupe consegue?
“Como Arrasar um Coração” é mais que uma sessão da tarde e um ótimo motivo para rir sem compromisso no cinema. E, de repente, suspirar ao final...

domingo, 1 de maio de 2011

Como Você Sabe

Em "Como Você Sabe" ("How do you Know"), a pequena Lisa (mais tarde vivida por Reese Witherspoon, de "Johnny & June") joga beisebol e, quando cresce, vira jogadora profissional do esporte. Porém, devido a algumas mudanças no time, ela é cortada.

Mas sua vida não se resume ao esporte. Ela também quer conhecer alguém que possa lhe fazer feliz. A princípio, porém, quer algo sem compromisso, e isso é garantido quando conhece Matty (Owen Wilson, de "Passe Livre"), que também é jogador de beisebol, mas daqueles bem sucedidos, que vive em um grande apartamento em Nova York, tem muitas mulheres no seu pé e sensibilidade zero.

Para completar o trio amoroso, entra em cena George (Paul Rudd, de "Ligeiramente Grávidos"). O modo como os dois se conhecem é, no mínimo, estranho. Mas a fita vai se desenvolvendo aos poucos e cativando o espectador, que tenta descobrir, afinal de contas, com quem a mocinha vai ficar...

Mas este não é o único "suspense" da comédia, por assim dizer. Isso porque esta típica sessão da tarde tem o toque refinado, principalmente por conta do papel interpretado por Jack Nicholson, que, aqui, é um empresário envolvido em falcatruas financeiras, que tenta convencer o filho, George, em ir para a prisão no seu lugar.

Nicholson é coadjuvante, mas, claro, rouba a cena. Novamente trabalhando com James L. Brooks ("Melhor é Impossível"), diretor e autor do roteiro, mostra que está bastante à vontade no papel de um malvado... 

Entre os altos e baixos da carreira, as personagens vão dividindo essas aflições com o público, já que Lisa está em busca de um novo emprego, enquanto Matty está em plena forma e fazendo sucesso, e George, bem, ele tem de decidir se manda o pai ou vai em seu lugar para a prisão. 

Para finalizar o núcleo cômico, está Annie (Kathryn Hahn, de "Foi Apenas um Sonho"), a secretária de George, que está grávida e o apoia dizendo que sabe de coisas que poderiam ajudá-lo. E é justamente quando tenta contar esses segredos, mas de alguma maneira que não seja diretamente (já que assinou um termo que a proibe de contar), que ela protagoniza cenas engraçadas.

"Como Você Sabe" é daquelas comédias cheias de piadas prontas, mas que não faz mal nenhum ao espectador. É razoável, na medida que faz rir, ainda que não tenha sacadas geniais e seja bastante previsível.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Thor

Deus do trovão, “Thor” é a nova aposta da Marvel, responsável pelas HQs de personagens até mesmo mais conhecidas, como “Homem-Aranha”, “X-Men”, “Hulk”, “Homem de Ferro”, entre outros. O mais esperado talvez seja “Capitão América – O Primeiro Vingador”, cujo lançamento nos cinemas está prometido para dia 22 de julho, nos Estados Unidos.

A aventura épica, ambientada na mitologia escandinava, começa contando sobre os tempos de paz entre os reinos Asgard e Jotunheim. Thor, guerreiro viking, se apressa em assumir o trono. Porém, assim que Asgard é atacada por Laufay, Thor (Chris Hemsworth, de “Jornada nas Estrelas”), declara guerra ao Gigante de Gelo, atitude que é reprovada por seu pai (Anthony Hopkins).

Neste momento, há discussões que levam em conta a psicologia, quando o monstro diz que ele “não passa de um menino querendo se autoafirmar”. Ele retruca: “Esse menino cansou de sua zombaria”. Thor não aceita as provocações , mas o Gigante afirma: “Ele vai ter o que procura: guerra e morte”. Pronto, está armada uma das batalhas.

Com a reprovação da atitude do rapaz, o rei decide exilar seu filho, mandando-o para Midgard, onde poderá aprender a sabedoria e a humildade. Momento da jornada do herói, e depois vem a catarse, pois lá, terá de conviver com o fato de seu irmão (Tom Hiddleston), malévolo e ciumento, dizer que ele não deve voltar nunca mais.

A fita tem direção do inglês Kenneth Branagh, que pôde ser visto como ator no filme “Harry Potter e a Câmara Secreta”, por exemplo, e, atrás das câmaras, em “Hamlet”, de 1996, com Judi Dench no elenco. Aqui, porém, Branagh explora demais a técnica tridimensional, em detrimento da interpretação dos atores.

Pode-se dizer que o personagem título também deixa a desejar. Não se pode exigir muito, é claro, do ator que vai bancar o super-herói. Os atributos de Chris são bastante, digamos, convincentes, principalmente no que diz respeito ao físico, à força (Thor tem uma força incrível nos desenhos animados e nos quadrinhos) etc. Mas, ao mesmo tempo, quando para a produção é escalada atriz do porte de Natalie Portman, vencedora do último Oscar na categoria de Melhor Atriz, por “Cisne Negro”, espera-se mais e aqui ela praticamente passa despercebida como a pesquisadora. Em versão dublada, então, nem se fala... Simplesmente não dá!

Além de Natalie Portman e An­thony Hopkins, no papel do rei, a produção conta ainda com atores como a doce rainha, vivida por René Russo.

Thor é mais corpo que mente, se movimenta mais rápido do que pensa, e o filme mostra muito isso, ou seja, mais batalhas que expressões verbais. Embora o diretor sempre tenha apreciado as histórias épicas, as batalhas sangrentas e os heróis, “Thor” é também um drama de conflitos familiares, como as personagens criadas por Shakespeare, em “Henrique V” e “Hamlet”. Thor é humanizado e, lá pelas tantas, terá o amor entre ele e uma humana... Essa é a parte do longa-metragem que funciona, prende o espectador, tem uma história que interessa, com algumas pitadas de humor. Quando fala sobre o reino, porém, não instiga.

Apesar da história confusa, o universo criado por Branagh é fascinante. Com exceção de umas duas sequências artificiais, como a péssima multiplicação das pessoas por computador, e de problemas de proporção com o tamanho das pessoas, a fita até convence. Quando Thor chega à Terra, o local escolhido para se passarem as cenas é o Novo México, nos Estados Unidos. 

Aqui, embora tudo seja atualizado, como a troca de e-mails entre os pesquisadores, o laptop, iPod que a assistente de Jane  adora ouvir e baixar músicas, e até mesmo a foto que ela tira a partir de seu celular para postar no Facebook, tudo é atual. A não ser, é claro, que ninguém parece se surpreender com a presença de extraterrestres na Terra...

A produção de “Thor” é grandiosa, inclusive com exibições em três dimensões. O problema, porém, é justamente a banalização do 3D, de modo que exista uma desculpa para público ir ao cinema: a eterna discussão entre forma versus conteúdo. Sobre o 3D, há explicações, haja vista que a pirataria tem sido responsável pelo êxodo das pessoas nos cinemas, já que a aventura pode ser tranquilamente baixada pela internet. A experiência da tela grande com as imagens em três dimensões, porém, têm exclusividade nas salas de cinema.

Não resta dúvida que, tal como os outros filmes da Marvel, “Thor” terá uma incrível renda na bilheteria. E nem precisa ter lido a HQ para entender a história, ainda que esta personagem criada por Stan Lee seja menos conhecida que as demais. Por falar em Lee, preste atenção no motorista do carro que tenta guinchar o martelo de Thor...

Comprada pela Disney em 2009, a Marvel vai continuar lançando os filmes que saíram dos quadrinhos. Portanto, vá assistir ao “Thor” sabendo o que está vendo, de preferência acompanhado com um grande balde de pipocas. E nada mais.
Em tempo: como nos outros filmes da Marvel, não saia antes de ver as cenas após os créditos!

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Quem é quem?
Thor - Deus do trovão, filho de Odin
Odin - Rei de Asgard
Laufey - Rei de Jotunheim, inimigo de Odin
Loki - irmão de Thor
Jane - Jovem mortal, vive na Terra
Midgard - Terra
Bifrost - Ponte que permite a passagem de um reino a outro ou ser mandado para a Terra
Heimdall - Gardião de Bifrost
Mjolnir - martelo mágico de Thor que lhe atribui uma força sobrenatural

terça-feira, 19 de abril de 2011

A Garota da Capa Vermelha

Tempos difíceis esses para o cinema mundial. Recentemente, foi recontada a história dos vampiros a partir de um romance adolescente. E fez sucesso, a começar pela venda dos livros de Stephenie Meyer. Agora, é a vez de uma nova Chapeuzinho Vermelho (aquela que canta: "pela estrada afora, eu vou bem sozinha, levar esses doces para a vovozinha...) chegar às telas a partir de quinta, 21.

“A Garota da Capa Vermelha” (“Red Riding Hood”) mistura o medo do lobisomem que faz estragos na cidade e a garota que vai tentar descobrir por que membros da sua família estão morrendo.

Embora o lobo tivesse dado uma trégua aos moradores do vilarejo, já que era saciado a partir do sacrifício de algum animal, a cordia­lidade acaba quando ataca a menina.

O papel-título ficou a cargo de Amanda Seyfried (de “Cartas para Julieta” e “Mamma Mia!”). A princípio, ela descobre que sua irmã fora atacada pelo lobisomem na noite de lua cheia. E, daí pra frente, percebe sinais que poderiam levar ao assassino.

A fita é uma mistura de fantasia dos contos de fada da infância com o suspense da juventude, principalmente quando os mora­dores do vilarejo desconfiam uns dos outros, já que o padre Solomon (Gary Oldman) levantou a bola que a tal criatura não teria sido morta por um valente homem, uma vez que o lobo assume a forma humana durante o dia e poderia ser qualquer um deles.

O longa-metragem discute também relacionamentos arranjados, já que Valerie (a garota) descobre que deverá se casar com Henry (Max Irons) e não com o rapaz que ama, Peter (Shiloh Fer­nan­dez).

Com figurino épico e lugarejo sombrio – confirmando o clima de insegurança e suspense que rondam o local –, a fita conta ainda com o lobo que fala, mas apenas algumas pessoas são capazes de ouvi-lo. Isso lembra alguma coisa? A capacidade de ouvir as cobras na série “Harry Potter”, talvez?

A direção da fita, veja bem, está sob a batuta de Catherine Hardwicke, a mesma responsável por “Crepúsculo”. Portanto, qualquer semelhança entre os filmes, digamos, não terá sido mera coincidência. Além de dirigir, Catherine é produtora, ao lado de Jennifer Davisson Killoran, Leonardo DiCaprio e Julie Yorn. E roteiro tem autoria de David Leslie Johnson, o mesmo do terror “A Órfã”.

“A Garota da Capa Vermelha” traz referências também à história da qual é baseada, como a capa vermelha que a vovó (Julie Christie) lhe faz, as constantes idas à casa dela, a cesta na qual leva “alimento”. E, a parte engraçada, quando ela diz aquelas frases que eternizaram a personagem: “Vovó, que olhos grandes a se­nhora tem!” E as gargalhadas são soltas!

No entanto, é só aí que temos a parte cômica, pois o restante do longa é recheado de momentos desconcertantes e efeitos especiais que deixam a desejar. O suspense é ou­tro aspecto que começa a instigar o espectador, quando ele tenta descobrir quem pode ser o tal lobo, mas a velha tática usada de jogar os indícios para uma personagem e depois re­velar outra é sem graça (e manjada) demais.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Homens e Deuses

Em primeiro lugar na bilheteria mundial, a animação “Rio”, que estreou na semana passada, tomou conta das salas de cinema do país. Ao todo, foram mil cópias. Já sabendo do efeito que o longa-metragem do brasileiro Carlos Saldanha teria (mais de 1,1 milhão de pessoas assistiram ao filme no cinema nos três primeiros dias), foram apenas quatro estreias no dia 8.

Nesta sexta-feira, 15, o quadro não muda muito. Serão cinco estreias ao todo: o nacional “Amor?”, o documentário francês “Bebês”, a ficção científica “Eu Sou o Número Quatro”, o terror “Pânico 4” e o aguardado “Ho­mens e Deuses”, produção francesa, vencedora do Grand Prix do Festival de Cannes, no ano passado. O mesmo festival, aliás, que premiou “O Profeta”, em 2009, e “Gomorra”, em 2008.


A trama de “Homens e Deu­ses” (“Des Hommes et des Dieux”), que tem direção de Xavier Beauvois e roteiro escrito a quatro mãos juntamente Etienne Comar, é baseada na história real dos monges franceses que faziam trabalho missionário na Argélia, país árabe e ex-colônia da França.

Em uma época na qual a igre­ja pouca influência tem sobre as pessoas, principalmente longe dos domínios do cristia­nismo, o longa-metragem discute problema político que se passa no final dos anos 1990 e usa os diálogos para mostrar o que acontece por ali. Nas imagens, as matanças são momentos bastante duros.

Mesmo que tenham poucas influências no mundo atual, os monges fazem visitas em toda a comunidade onde atuam e também prestam serviços médicos. E, para combater o mal, rezam e cantam. A música dos monges, aliás, é a única que compõe a trilha sonora da fita que tem duração de 122 minutos. Talvez isso possa ser um pouco can­sativo para quem está acostumado com os filmes barulhentos exibidos no cinema, principalmente de produção norte-americana.



 “Homens e Deuses” é intimista a partir do olhar do diretor e na medida que insere o espectador na trama, mas também mostra os sequestros e os assassinatos, além do confronto entre o go­verno e os extre­mistas que queriam tomar o poder.

Liderados por Christian (Lambert Wilson), os monges Luc (Michael Lonsdale), Chris­tophe (Olivier Rabourdin), Celéstin (Philippe Laudenbach), Amédée (Jacques Herlin), Jean-Pierre (Loïc Pichon), Paul (Jean-Marie Frin ), Bruno (Olivier Perrier) e Michel (Xavier Maly) decidem, em meio ao conflito, se voltam para a França ou conti­nuam prestando o serviço ao qual se propuseram, mesmo sabendo que são alvo dos terro­ristas, principalmente por aqueles que invadem o mosteiro a fim de roubar remédio.

“Homens e Deuses” mostra a mistura de fatos e atos praticados pelos homens que são contra as leis de Deus mas, ao mesmo tempo, o que poderiam os monges fazer senão cuidar da comunidade onde viviam e enfrentar o mal?

Ao final, o destino de cada um deles é revelado. Triste demais, mas um belíssimo filme, capaz de fazer o espectador refletir e situá-lo nos dias atuais. Que dias!

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Rio

O Brasil está na moda. Não é de hoje, é verdade, mas basta perguntar para qualquer estrangeiro sobre o Brasil que ele vai dizer que gostaria de conhecer o país, principalmente o Rio de Janeiro. Daqui a pouco virão a Copa do Mundo, em 2014, e a Olimpíada, em 2016, para confirmar a quantidade de estrangeiros por aqui.

Deixando de lado as questões políticas e se os prazos para a conclusão das obras para receber os eventos esportivos serão cumpridos, a discussão agora é uma só: a homenagem à Cidade Maravilhosa feita pelo diretor Carlos Saldanha (de “A Era do Gelo 3”), em forma de animação. Saldanha, aliás, foi o res­ponsável pela criação do esquilo Scrat, que ganhou destaque ao longo da trilogia por conta de seu carisma.

Na abertura de “Rio”, longa-metragem que poderá ser visto no Brasil em versões du­bladas e legendadas, em 2D e 3D (em um total inédito de mil cópias!), está o Pão de Açúcar, cartão-postal do Rio, além de pássaros que sambam – o que mais eles poderiam fazer na terra do Carnaval? Corta. Agora estamos na neve, bem longe dali, onde vive Blu.


Blu (com voz de Jesse Eisenberg, de “A Rede Social”, na versão original) é uma arara azul domesticada que não aprendeu a voar e vive em Minnesota, nos Estados Unidos, com sua dona, Linda (Leslie Mann). Tudo parecia estar sob controle até bater em sua porta Túlio Monteiro (o brasileiro Rodrigo Santoro), um amante dos ani­mais que descobre o paradeiro da arara. Ele alega que trata-se do único macho da espécie e que precisa ir para o Rio de Janeiro conhecer a fêmea, Jade (Anne Hathaway, de “O Diabo Veste Prada”), a fim de garantir a perpetuação da espécie.

A partir de então, dona e arara vão desfrutar das belezas naturais, se meter em aventuras e confusões. Do lado de cá da tela, o espectador vai se maravilhando com o show de imagens coloridas e extremamente bem feitas, além de uma história tocante, acompanhada de trilha musical, di­gamos, bem brasileira.

Como nem tudo são flores, vem o drama: a caça ilegal dos animais na ci­dade ensolarada. Juntas, as araras também terão de enfrentar Nigel (Jemaine Clement), uma cacatua mal-humorada que trabalha para os contrabandistas de aves e que vai pedir ajuda aos micos (do mal) para encontrar as duas ararinhas.

Em diversos momentos, Carlos Salda­nha, carioca que há muito vive nos Estados Unidos, homenageia sua terra Natal, a partir do cachecol verde e amarelo de Túlio, da camisa do Brasil, da bandeira pendurada na parede de uma casa na favela, da locali­zação exata do Brasil no globo. E, aqui, Brazil está escrito assim, com Z, ainda que Rita Lee e Roberto de Carvalho já haviam cantado “que o meu Brasil é com S”. Há também partidas de futebol. Isso porque a narrativa é situada entre a Copa do Mundo, ilustrada pelo clássico sul-americano Brasil e Argentina, na televisão, e o Carnaval, com desfile em plena Sapucaí. 




Quando a fita mostra a cidade vista do alto e a Baía de Guanabara, a paisagem é deslumbrante, sem retoques. Lembra o ra­tinho Rémy saindo do esgoto e se deparando com Paris, na animação da Pixar, “Ratatouille”. Destaque também para a trilha sonora empolgante, que mistura inglês com português, samba, bossa nova, sob os cuidados de Sérgio Mendes. Na dublagem, as gírias cariocas que sublinham o jeito malandro caem muito bem.

“Rio” é uma animação que mistura técnica (repare na qualidade das penas e plumagens, tudo parece ser real), com uma história tocante e emocionante, principalmente quando fala sobre assuntos delicados, como contrabando de animais silves­tres, maus tratos, família, fazendo jus à afirmação de John Lasseter, criador de “Toy Story”, que não adianta dominar a tecnologia, se não tiver uma boa história para contar e encantar a plateia.

O filme faz uma grande homenagem ao Brasil e ao Rio de Janeiro, além de ser uma propaganda posi­tiva para o país que, se tudo der certo, receberá a próxima Copa e os próximos Jogos Olímpicos.

Em tempo: não saia no “The End”, pois há a continuação com o destino dos personagens.

sexta-feira, 25 de março de 2011

VIPs

Além de contar a história de Marcelo da Rocha, “VIPs” trata do relacionamento de pais e filhos, além da busca do garoto, já que quer ser alguém na vida. Para mostrar as diferentes fases do personagem, sempre vividas por Wagner Moura, a maquiagem é a responsável, principalmente pelo cabelo, que vai mudando com o passar dos anos.

O fato de a mãe do rapaz ser cabeleireira mostra o quanto ela valoriza a aparência e as celebridades das revistas, que cola no espelho do salão onde trabalha. Assim, aparecer ao vivo no programa de Amaury Jr., e se fazer passar por quem não é, significa que o rapaz quer aparecer para ela. O caso, porém, pode ser analisado por especialistas da área. O cinema trata de contar uma história. E que história!

Além do objetivo que ele tem na vida, o longa dá conta de mostrar como as pessoas são interesseiras, que buscam pessoas conhecidas para se enturmar, e querem estar onde está o dinheiro, o luxo, a mordomia. E também mostra como as coisas acontecem nos camarotes do Carnaval pernambucano com música eletrônica.

Com um orçamento de R$ 8 milhões, bem abaixo das últimas produções nacionais que beiram os R$ 20 milhões, Toniko Melo, em sua estreia em longas-metragens, consegue contar uma história real, mas com elementos ficcionais, sem perder a mão ou entediar o espectador. E Wagner Moura prova, mais uma vez, o grande ator que é, principalmente por conta dos seus 34 anos.


“VIPs” é uma história sobre o golpista, mas nada tem a ver com o “Prenda-me se for Capaz” ou “O Golpista do Ano”, pois, nessas duas, os golpes envolvem falsificações para arrecadar passagens aéreas ou dinheiro de seguro. Em “VIPs” os golpes são com pessoas da high society.

A fita venceu os prêmios de Melhor Filme, Ator, Ator Coadjuvante e Atriz Coadjuvante no Festival do Rio, entre outros.