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sexta-feira, 6 de maio de 2011

Como Arrasar um Coração

Quem disse que todo filme francês tem final estranho, aliás, muitas vezes nem final tem? “Como Arrasar um Coração” (“L’Arnacoeur”) é uma comédia romântica dirigida por Pascal Chaumeil, em sua estreia no cinema, já que ele tem mais experiência em séries de televisão. Como primeira produção, aliás, ele não faz feio, até recebeu indicação ao César, o Oscar francês, na categoria de Melhor Filme de Estreia e outras quatro: Melhor Filme, Ator, Ator Coadjuvante, Atriz Coadjuvante – mas não ganhou nenhum.


Assisti ao filme no ano passado, durante um voo entre Paris e São Paulo. Agora, estreia nos cinemas brasileiros. A narrativa, baseada em história real da roteirista e produtora Laurent Zeitoun (que escreveu ao lado de Jeremy Doner e Yohan Gromb), conta a história vivida por Romain Duris. O protagonista, aliás, é um dos atores mais disputados na França e trabalhou em produções como “Em Paris” (de Christophe Honoré, ao lado de Louis Garrel), “As Aventuras de Molière” (de Laurent Tirard), “Paris” (de Cédric Klapisch), entre outros.

Aqui, ele é Alex Lippi, um sedutor que conquistou e encantou uma tropa de mulheres. No entanto, tal como ele diz no início da fita, este é o seu trabalho, ou seja, ele é contratado para seduzir mulheres novas ou menos novas, francesas ou estrangeiras. E, geralmente, o desafio aumenta ainda mais, pois elas são comprometidas. Para executar o tal “servicinho”, ele conta com a ajuda da irmã (Julie Ferrier) e do cunhado (François Damiens que, aliás, rouba a cena em diversos momentos).

No entanto, o maior de todos os desafios e que é contado com ênfase no filme de Chaumeil, é que ele terá 10 dias para conquistar a socialite Juliette Van Der Becq (Vanessa Paradis), já que ela está de casamento marcado como inglês Jonathan Alcott (Andrew Lincoln). Para tanto, vai valer tudo. E é exatamente aí que está a graça do longa-metragem que tem 105 minutos de duração.

O filme, que fez um grande sucesso na Europa e já teve seus direitos vendidos para ser refilmado nos Estados Unidos, é ambientado em locações que incluem hotéis de luxo, escritórios, lojas etc. Destaque principalmente para o cenário estonteante quando ao fundo temos Monte Carlo, em Mônaco.

“Como Arrasar um Coração” não tem diálogos bem construídos, como é a característica principal desses filmes feitos do lado de lá do Atlântico, mas o bom humor está presente em toda a fita. De quebra, o que poderíamos chamar de um revival interessante, é a interpretação do casal da dança principal de um dos clássicos dos anos 1980: “Dirty Dancing”, estrelado por Patrick Swayze e Jennifer Grey.

Ainda assim, há algumas cenas que parecem artificiais, afinal de contas, como é possível organizar tramoias tão perfeitas e em tão pouco tempo como essa trupe consegue?
“Como Arrasar um Coração” é mais que uma sessão da tarde e um ótimo motivo para rir sem compromisso no cinema. E, de repente, suspirar ao final...

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Um Lugar Qualquer

Sophia Coppola não tem medo. Apesar do sobrenome que carrega (ela é filha de Francis Ford Coppola, diretor, por exemplo, da trilogia “O Poderoso Chefão”), ela não tem receio de dar sua cara à tapa. Depois de fazer filmes como “Encontros e Desencontros” e “Maria Antonieta”, e mostrar, neste último caso, sua visão sobre a vida da rainha francesa, agora ela chega ao cinema mostrando mais uma obra que escreveu, produziu e dirigiu: “Um Lugar Qualquer” (“Somewhere”), longa-metragem que passou pela Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, no ano passado, e estreia nesta sexta-feira, 28, nos cinemas.

Ronco do motor, câmera parada e o carro preto fica dando voltas em uma estrada vazia, em um lugar qualquer. O carro, na verdade, é um supercarro: trata-se de uma Ferrari, e está sendo dirigida por Johnny Marco (Stephen Dorff, de “Inimigos Públicos”), um ator que mora no Chateau Marmont, o lendário hotel de Hollywood.

Tal como outros atores, Marco vive à deriva: não tem mulher, só uma filha adolescente; toma pílulas para dormir, recebe mensagens anônimas e agressivas em seu BlackBerry, bebe cerveja, fuma e reveza as companhias (tem muitas mulheres, mas vive sozinho), além de apreciar shows de pole dance feitos por irmãs gêmeas vestindo trajes, digamos, sumários...

E é justamente por conta da filha Cleo (Elle Fanning, de “Babel”), principalmente após passar um tempo com ela na Itália, para onde foi participar do lançamento de seu filme, que ele começa a se dar conta da vida que leva: nada é levado como proveito para a cabeça ou para o coração, é tudo descartável, volátil.

As cenas se passam principalmente no apartamento onde Johnny Marco vive, mas também no hotel em Milão onde vai passar uns dias. Há também muitas cenas nas largas ruas de Los Angeles. Uma das cenas tocantes é quando Cleo vai fazer sua apresentação de patins no gelo e o pai vai acompanhá-la.

Com poucos diálogos e filme lento, aos poucos Sophia vai falando sobre a vida do rapaz e mostrando a sua rotina. Ou seja: a diretora insere cenas do cotidiano em sua história intimista, e inclui o espectador nela. Afinal de contas, embora se trate de um ator hollywoodiano, o personagem criado por ela poderia ser qualquer outra pessoa da plateia.

A atualização também é clara no filme: a menina usa iPhone para anotar a placa do SUV que provavelmente segue o pai, seu notebook é um iMac e, na hora da diversão, é o videogame de última geração que ela usa para brincar. Referência atual também quando ela cita o livro que está lendo e conta a história de um vampiro...

“Um Lugar Qualquer” é sobre a futilidade e a percepção que o protagonista tem ao ver o quão vã é a sua vida: nada tem de bom para a cabeça ou para o coração. Cerveja, mulheres a hora que quiser, além da Ferrari, símbolo do luxo e da ostentação. No longa-metragem, Sophia mostra a simplicidade da vida com a filha versus o jeito largado dele e a glamourização de Hollywood na vida dessas pessoas, que sai da entrevista coletiva com perguntas patéticas e cai na festa.

Com poucas palavras, 99 minutos de imagens e rock'n'roll (assim como em “Maria Antonieta”, que é o principal ritmo da trilha sonora de seu filme), Sophia Coppola dá o seu recado. Simples assim.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Baarìa – A Porta do Vento”

“Cinema Paradiso”, longa-metragem do italiano Giuseppe Tornatore de 1988, que lhe rendeu o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, é um clássico que emociona até hoje. O filme, aliás, ganhou versão estendida em DVD, com 40 minutos a mais. Desta vez, o cineasta novamente se une ao compositor Ennio Morricone para contar a história da Itália em “Baarìa – A Porta do Vento” (“Baarìa”).

Em 150 minutos (que passam sem que o espectador tenha tempo de se entediar), as imagens revelam a história de três gerações da família: o pai Ciccio (Gaetano Aronica), o filho Peppino (Francesco Scianna) e seu neto Pietro (Giuseppe Garufì), que vivem em Bagheria, uma pequena cidade no sul da Itália.

Em um arco de 1930 e 1980, mais ou me­nos, Tornatore remonta a história do seu país (e ao mesmo tempo um quê de autobiográfico), que passou pela Segunda Guerra Mundial e convocou soldados para lutar no fronte, além do pe­ríodo fascis­ta e a pai­xão de Peppi­no pela política, uma vez que se tornou comunista e tinha de se virar para conseguir esconder os livros de Carl Marx que eram alvo dos censores.

Embora em 2006, no filme "A Desconhecida", ele tenha falado de família de maneira "torta", no filme que estreia nesta sexta-feira, 17, assim como em “Cinema Paradiso”, Tornatore foca na família perfeita, envolve as crianças, aqui representadas por Pietro (e Totó, no filme anterior), que amava o cinema. Novamente, há muitas cenas em que aparecem o cinema e como eram as projeções no início do século 20, quando o cinema era mudo e as narrações e a música, ao vivo. Em uma das passagens, homenagem ao ator italiano Rodolfo Valentino, que fez muito sucesso quando se mudou para os Estados Unidos, nos anos 1920.

A história da Itália também está impressa na sobrevivência e o que as pessoas precisavam fazer para comer: a coleita das azeitonas, a ordenha do leite que era vendido de porta em porta e fresquinho.

Além de momentos tristes, como a fome, a miséria, a guerra, a fita traz momentos engraçados, que retratam como os italianos são atrapalhados. O romance também está lá, na história de amor de Peppino e Mannina (a modelo Margareth Made), uma vez que tiveram de se esconder para ficarem juntos, já que os pais dela eram contra o casamento dos dois. A crítica maior de todas é política, principalmente quando fala de corrupção.

“Baarìa – A Porta do Vento” traz um retrato também da história do próprio cineasta, pois foi em Bagheria que Tornatore nasceu e viveu até os 28 anos. Ele, aliás, afirma, no material divulgado para a imprensa, que o nome da cidade pode se derivar de Bab el gherid, que, em árabe, significa “A Porta do Vento”, mas que todos a chamam simplesmente de Baarìa (daí o nome do filme).

Para reconstruir a tal cidade, localizada no sul da Itália, as locações escolhidas ficam na Tunísia (para ficar mais barato) e os sets de filmagem demoraram um ano para serem construídos.

A licença poética do voo do menino no início do filme, a corrida para comprar o cigarro que lhe pedem, e a mistura das gerações fazem de “Baarìa” um filme sensível, que une o talento de Tornatore em contar boas histórias, com a trilha sonora de Morricone, que faz a sincronia perfeita entre som e imagem!

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Canções de Amor

Christophe Honoré é um dos diretores franceses que mais têm se destacado no cenário mundial. Autor do longa-metragem “Em Paris”, que passou pela Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, no ano passado, e depois entrou no circuito, desta vez estréia nos cinemas, sexta-feira, dia 5 de setembro, “Canções de Amor” (“Les Chansons d'Amour”). Além de escrever o roteiro e dirigir a fita, Honoré recrutou novamente Louis Garrel, que também era protagonista em seu filme anterior.

A narrativa, há de se dizer, não é fácil nem destinada a qualquer público, já que se trata de filme francês (cujas projeções geralmente se limitam aos cinemas do circuito de arte, ou seja, arredores da Avenida Paulista) e também por ser um musical. Na verdade, foi a partir das canções escritas por Alex Beaupain que Honoré chegou ao roteiro final. Então, o diretor coloca os atores para interpretar e cantar, vez ou outra, durante o enredo, principalmente quando estão falando de amor (daí o nome do filme).

Novamente, como “Em Paris”, muitos trechos são filmados em locações da capital francesa, tendo orientação totalmente urbana, assim como os apartamentos dos pais, onde eles se revezam e acabam formando, digamos, um “ménage à trois” (para ficar no idioma de origem).

No filme, Louis Garrel é Ismael, um rapaz que vive em Paris e namora Julie (Ludivine Sagnier), que mora com Alice (Clotilde Hesme), que trabalha no jornal com Ismael. E está fechado o círculo amoroso, que inclui relacionamentos homossexuais não apenas entre as meninas, mas também, como é possível conferir adiante, entre Ismael e um outro personagem.

Embora essa atração possa chocar alguns puritanos, “Canções de Amor” é intimista, cheio de detalhes e aproxima o espectador da narrativa. Há referências, inclusive, da nouvelle vague, o movimento que começou com Jean-Luc Godard e prosseguiu nas mãos de François Truffaut. No entanto, o filme vale mesmo pela direção de atores, pela interpretação do queridinho francês Louis Garrel, pelas locações clássicas que aparecem em Paris e, claro, pelas belíssimas canções que falam de amor (algo há muito esquecido por uns e outros).

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O texto também pode ser lido no CineNet

sexta-feira, 18 de julho de 2008

As Aventuras de Molière

Para contar a história do dramaturgo francês Molière, o diretor Laurent Tirard, autor do livro "Grandes Diretores de Cinema" (Nova Fronteira, 256 páginas) e do filme "A História da Minha Vida, Mentiras e Traições", se absteve de fazer os comuns documentário ou biografia romantizada que já havia sido feito anteriormente por outros autores. Em "As Aventuras de Molière" ("Molière"), que estréia nos cinemas dia 18 de julho, Tirard faz o dramaturgo de uma maneira que o aproxima do espectador.

Molière, que praticamente inventou o gênero comédia no teatro e é pseudônimo de Jean-Baptiste Poquelin, zombava da nobreza em suas peças pelo interior da França e depois as levou para Paris, onde conseguiu admiração e respeito do grande público do século 17. Quem teve a oportunidade de assistir à peça "O Avarento", cuja última montagem foi interpretada por Paulo Autran, em São Paulo, pôde perceber como a comédia é bem-feita por este autor e o riso é fácil.

O longa conta a história a partir do momento em que o dramaturgo iria desistir de tudo, mas recebe ajuda de Monsieur Jourdain (Fabrice Luchini), um comerciante bem de vida que quer auxílio do escritor para aprender uma cena e, então, representá-la para cortejar uma moça, Célimène (Ludivine Sagnier). Como é casado com Elmire (Laura Morante), ele leva o dramaturgo para casa dizendo que trata-se de um padre. Daí pra frente, a confusão está armada e o espectador poderá conferir interpretações singulares de Romain Duris, que nunca pisou um palco na vida.

Ambientado no século 17, o longa tem direção de arte que merece destaque e mostra um pouco o Palácio de Versalhes, na França, mas sem identificá-lo, e como viviam os nobres naquela época. A história contada com o típico humor francês ficou conhecida como "Le Tartuffe".

"As Aventuras de Molière" apresenta uma breve história deste nome do teatro francês, apresentando-o de maneira simples, com toques de humor, mas sem perder a chance de mostrar um escritor ágil (ele escreveu "Le Tartuffe" em duas semanas) e com amor, já que tem um romance com uma das personagens da trama.

O dicionário Michaelis da Língua Portuguesa afirma que tartufo significa: 1) indivíduo hipócrita; 2) falso devoto; 3) enganador, impostor. Há quem diga, porém, que o termo surgiu em português e em outros idiomas por conta do conto de Molière. São as influências da cultura no idioma mundial.

Anima Mundi

Terceiro maior evento de animação do mundo, o Anima Mundi exibirá este ano 441 filmes de 42 países, sendo 74 do Brasil. Criado em 1993 por Aída Queiroz, Cesar Coelho, Lea Zagury e Marcos Magalhães, o festival foi um dos principais responsáveis pelo desenvolvimento do mercado de animação nacional.

Em São Paulo, o evento acontece de 23 a 27 de julho, no Memorial da América Latina. Ao todo, serão quatro mostras competitivas (longas-metragens, curtas, Infantil e Portfólio) e quatro informativas (Animação em Curso, Futuro Animador, e as Panoramas, de curta e longa). Além das premiações dos júris oficial e popular e do Prêmio Aquisição do Canal Brasil, o evento também vai ter os seus tradicionais concursos em outras mídias: o Anima Mundi Web, com animações feitas para a Internet, e o Anima Mundi Celular, competição de filmes para celulares que este ano ganha um prêmio exclusivo da Oi para animações brasileiras.

Na mostra competitiva de curtas-metragens está, por exemplo, o veterano norte-americano Bill Plympton com “Hot Dog”, o terceiro episódio da série canina, que desta vez entra para o Corpo de Bombeiros. Para o curta, ele usou lápis sobre papel e conta uma história em seis minutos com muita irreverência.

Há também o japonês Kunio Kato, vencedor de Annecy, com o curta “La Maison em Petits Cubes”, que fala sobre memórias da vida em família. O francês Benjamin Renner realizou “La Queue de la Souris”, uma história hilária sobre um rato que faz um acordo com o leão para ele não comê-lo. “Dji Vou Véu Volti”, do belga Benoit Feroumont, é um conto de fadas 3-D que satiriza Romeu, Julieta e uma legenda que vira personagem. A canção, porém, repetida à exaustão, cansa o espectador. Da República Tcheca, Pavel Koutsky critica as pessoas que vivem a serviço da beleza, e vivem fazendo plásticas, no curta “Plastic People”, que usa lápis sobre papel.

Entre os brasileiros, “Ícarus”, de Victor-Hugo Borges, utiliza bonecos e computador 3-D, conta a história de um garoto que vive em uma cidade grande e se sente só. A fita tem narração de Gianfrancesco Guarnieri. “O Despejo – Ou Memórias de Gabiru”, de Sergio Glenes, é feito com lápis sobre papel e computador 2-D e retrata um dos problemas brasileiros, já que mostra uma favela e pobreza. Leonardo Cadaval desenvolveu “Pajerama” utilizando 3-D e conta uma história sobre o índio na cidade grande, mostrando o contrataste entre a floresta e as metrópoles. Para finalizar, o infantil “Seu Lobo”, de Humberto Avelar, que utiliza lápis sobre papel e composição digital. A música, repetida sem cessar, cansa, e deixa o espectador com aquela canção pronunciada por crianças ecoando por um bom tempo na memória.

À primeira vista, os brasileiros estão bem em técnica, me parece que dominam a ferramenta, mas ainda falta a esses diretores brasileiros, mais criatividade no momento de contar histórias. No entanto, já é um bom começo para que daqui pra frente nossos talentos desenvolvam outras histórias com mais entusiamo.

Memorial da América Latina

Av. Mauro Soares de Moura Andrade, 664 - Barra Funda

Informações: 3823-4600

Ingressos custam de R$ 3 (vídeo) a R$ 6 (cinema). As sessões Futuro Animador são gratuitas.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

O Sonho de Cassandra

Woody Allen, diretor que ficou conhecido por retratar Nova York com enredo geralmente cômico ou com pitadas de humor ácido, lança seu terceiro filme longe da metrópole norte-americana. Depois de “Ponto Final - Match Point”, de 2006, e “Scoop – O Grande Furo”, de 2007, estreou na quarta-feira, dia 30 de abril, o terceiro: “O Sonho de Cassandra” (“Cassandra’s Dream”). A produção levou cerca de seis meses para chegar ao Brasil, já que foi lançado na Europa em novembro do ano passado. As primeiras projeções, porém, foram feitas no Velho Mundo durante o Festival de Veneza, que aconteceu em julho de 2007.

Após a exibição de “Ponto Final - Match Point”, no Festival de Cannes, em 2005, Allen explicou, com toda honestidade, que não encontra mais financiadores para seus filmes nos Estados Unidos, já que não rendem muito dinheiro no seu país. Segundo ele, “os estúdios atualmente não se preocupam com filmes bons – se conseguem um filme bom, ficam duplamente felizes, mas a bilheteria e o dinheiro são seus objetivos”.

O principal problema do financiamento é porque Woody Allen não cede às pressões dos estúdios, que querem interferir na produção para render mais. Então, como forma de não abrir mão de seu jeito de filmar, de escrever aquilo o que vai para a tela e ser a última palavra em tudo (desde a escolha do figurino até a contratação do ator, passando pela seleção das locações etc.), Woody Allen preferiu trocar de país e buscar outros financiadores para não ter de mudar a sua estética.

“O Sonho de Cassandra” conta a história de dois irmãos, vividos por Ewan McGregor e Colin Farrell, que precisam consertar os percalços de suas vidas. O primeiro é ambicioso, ajuda o pai no restaurante, quer abrir um hotel na Califórnia e é apaixonado pela atriz de teatro (a estreante Hayley Atwell), enquanto Farrell faz um rapaz casado, que adora torrar tudo o que tem em apostas (de pôquer a corrida de cães), e não vive sem whisky, cigarros e pílulas para dormir.

Cassandra não é uma mulher, é o barco que os dois compram, na primeira seqüência do filme, para velejar no mar da Inglaterra. Embora o enredo se passe em Londres, a única referência visual à cidade é a Tower Bridge, um dos cartões-postais da capital inglesa. O restante das cenas se passa dentro de casa (característica de Allen), nas ruas ao redor, no mar (na cidade de Brighton). Poderia ser em qualquer outro lugar do planeta, mas a atmosfera londrina está sempre lá.

No entanto, é o drama e o suspense em nome da ascensão social (leia-se dinheiro) que move a trama, pois eles convencem seu tio Howard (Tom Wilkinson) a lhes ajudar, mas existem condições preestabelecidas por ele.

Allen, mais uma vez, consegue extrair dos atores interpretações singulares (Colin Farrell é muito convincente como um dependente), e suas lentes mostram o ambiente e a densidade necessários (assim como a trilha sonora original assinada por Philip Glass, o mesmo de “Notas sobre um Escândalo”) que convencem o espectador. Destaque para os diálogos bem-construídos, nos quais o diretor, também autor do roteiro, insere críticas pessoais, como quando fala de Hollywood.

Ao jornalista Eric Lax, autor do livro “Conversations with Woody Allen: his films, the movies, and moviemaking” (Nova York, Knopf, 2007), o diretor disse: “Sinto que posso fazer filmes dramáticos agora [depois de “Ponto Final – Match Point”] com a mesma confiança que eu tenho quando fazia comédias. Sinto que as pessoas aceitarão. Digo isso porque “Ponto Final – Match Point” fez mais dinheiro que qualquer outro filme que fiz em toda minha vida.” Mais uma vez, depois de “Crimes e Pecados” e “Ponto Final - Match Point”, Woody Allen também pode ser considerado um cineasta dramático e não apenas de piadas nova-iorquinas.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Apenas uma Vez

Produzido em 2006 e exibido no ano passado nos Estados Unidos e na Europa, o longa-metragem "Apenas uma Vez" ("Once") finalmente chega aos cinemas brasileiros no dia 18, depois de ter passado por duas semanas de pré-estréia em São Paulo.

A idéia do filme, escrito e dirigido por John Carney ("À Beira da Loucura"), era ser um musical. Mas, conforme ele escreve no material divulgado para a imprensa, que não tivesse os mesmos moldes dos clássicos musicais dos anos 1940, cheio de música e dança, ainda que utilizasse as canções para contar uma história.

Como Carney, antes de se tornar cineasta, era baixista na banda The Frames, de Dublin, na Irlanda, sua terra Natal, ele encomendou ao vocalista e líder Glen Hansard que compusesse algumas canções porque ele tinha a intenção de fazer um filme. Então, papo vai, papo vem, os dois conseguiram dez músicas e um roteiro. A partir daí era só dar um pontapé para ter a produção concluída.

Embora não fosse a intenção inicial de Carney, Hansard acabou virando o ator principal de seu filme. Seu personagem ganha a vida tocando violão nas ruas de Dublin, mas também ajuda seu pai em uma loja de aspiradores de pó. Num certo dia, uma garota tcheca (Markéta Irglová) o aborda enquanto vende rosas nas ruas e diz para o rapaz que seu hobby é tocar piano.

Eles vão desenvolver uma amizade totalmente previsível, mas a forma como tudo acontece é que vai instigar, surpreender e emocionar o espectador. Embora não seja ator, Glen Hansard consegue extrair do seu personagem a profundidade que ele precisa. Ao mesmo tempo, a pianista Markéta Irglová, musicista completa na vida real e com apenas 19 anos, dá o toque que sua personagem tímida pede.

Em certas passagens, o filme dá sinais de tristeza, mas muito menos do que aparentava no trailer. Sem dúvida, o ponto alto da fita é a sua trilha sonora. A Academia de Hollywood, aliás, reconheceu esse fator e premiou o longa com o Oscar 2008 de Melhor Canção Original, pela música "Falling Slowly".

Como também é possível perceber, os personagens principais não têm nomes, são poucos os secundários e o orçamento foi baixo. John Carney, então, utilizou o seu talento para explorar os cenários da capital irlandesa, onde filmou dentro de ônibus e nas ruas da cidade, revelando o segredo dos becos.

Os personagens, com química que funciona, cantam e tocam como se estivessem fazendo uma serenata para a platéia. Nada de ser piegas. Eles mostram que um musical ainda pode contar boas histórias.

terça-feira, 1 de abril de 2008

Chega de Saudade

Ontem fui assistir, em uma sessão só para convidados e com a presença da diretora Laís Bodanzky e do roteirista Luiz Bolognesi, ao longa-metragem “Chega de Saudade”, que estreou dia 21 de março nos cinemas. Na ocasião, ela disse que demorou quatro anos para mostrar aquela obra na tela: desde a sua concepção até aquela data.

O filme todo, que tem 95 minutos, se passa dentro de um salão de baile para a terceira idade, em São Paulo. A trama começa quando ainda estão começando os preparativos para o início da festa, quando DJ ainda está chegando ao local, depois mostra os primeiros a chegarem, todos dançando aos pares, até que ele fecha e todos vão embora.

A fita mostra a história de alguns personagens, mas de maneira superficial, sem se aprofundar demais. Revela os desejos dessas pessoas, o amor, a traição, a ansiedade, as dores da terceira idade, sempre regado à dança e claro, música, principalmente com Elza Soares nos vocais.

A diretora Laís Bodanzky, a mesma de “O Bicho de Sete Cabeças”, aponta as suas lentes para essas pessoas e revela, com total intimidade, os seus anseios e preocupações. Mostra também, sem censura, as marcas que o tempo deixou naqueles rostos, naquelas mãos. Sinal de maturidade e que o tempo foi bom pra eles.

Do samba ao bolero, passando pelo tango e pelo rock. Os ritmos musicais envolvem os atores que desfilam pelo salão de baile de um lado para o outro. As mulheres (como Betty Farias) cochicham com as amigas que esperam ser tiradas para dançar. Entre os atores conhecidos, Cássia Kiss, Tônia Carrero, Stepan Nercessian, Maria Flor, Paulo Vilhena, Marly Marley.

Como se passa o tempo todo dentro de um único ambiente, Laís, digamos, tirou leite de pedra. Extraiu o máximo de imagens que podia e depois utilizou, muito bem por sinal, tudo na montagem. Ela intercalou as cenas, misturou os casais, criou intrigas. Mas faltou se aprofundar, faltou fazer o espectador se envolver com as personagens de maneira que ele pudesse torcer por um, ou dois ou três.

Mas, pra falar a verdade, quando Elza Soares começou a cantar “Eu sei que eu sou, bonita e gostosa, eu sei você me olha e me quer”, eu já estava balançando as pernas, seguindo o ritmo. Difícil mesmo é assistir ao filme sem ficar mentalizando “dois pra lá, dois pra cá”.


PS: “Chega de Saudade”, aliás, é a música de Tom e Vinícius, mas a letra não consta da trilha:

Vai minha tristeza e diz a ela que sem ela
Não pode ser, diz-lhe numa prece
Que ela regresse, porque eu não posso Mais sofrer.

Chega de saudade a realidade
É que sem ela não há paz, não há beleza
É só tristeza e a melancolia
Que não sai de mim, não sai de mim, não sai

Mas se ela voltar, se ela voltar,
Que coisa linda, que coisa louca
Pois há menos peixinhos a nadar no mar
Do que os beijinhos que eu darei
Na sua boca, dentro dos meus braços
Os abraços hão de ser, milhões de abraços
Apertado assim, colado assim, calado assim
Abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim
Que é pra acabar com esse negócio de você viver sem mim.
Não quero mais esse negócio de você longe de mim...

sexta-feira, 14 de março de 2008

Dois Dias em Paris

Depois de passar férias em Veneza, na Itália, e antes de voltar para casa, em Nova York, o casal de namorados, a francesa Marion (Julie Delpy) e o norte-americano Jack (Adam Goldberg), passa dois dias em Paris, onde vivem os pais da moça. Este é o enredo básico do longa-metragem "Dois Dias em Paris" ("Two Days in Paris"), que estréia dia 14.

A narrativa, que inclui diálogos engraçados, comenta as dificuldades de entendimento, já que Jack não fala francês e os pais de Marion não falam inglês, e de relacionamentos em geral.

Recentemente, passou pelos cinemas "Em Paris", de Christophe Honoré, no qual um estudante narra a história da separação de seu irmão. Aqui, porém, as seqüências externas se preocupam em mostrar a cidade, ao contrário da nova fita, que não se apega aos cartões-postais de um dos lugares mais lindos do mundo, mas sim no comportamento das pessoas que vivem lá, na família e nos ex-namorados da moça.

Este é o segundo longa dirigido por Julie Delpy, que além de atuar é responsável também pelo roteiro, pela co-produção e música original. Entre os pontos baixos, os clichês utilizados na maneira francesa de interagir com o mundo, assim como o excesso de liberdade em vários sentidos, por exemplo na educação - que é extremamente rígida naquele país. Em uma das passagens, a personagem francesa explica por que eles têm fama de não tomar banho. Do lado norte-americano, há também clichês, como o cara que não fala nenhuma palavra em francês e obriga os outros a falarem seu idioma, assim como os europeus "julgam sua ignorância pela capa".

No início, Julie faz narrações em off como forma de explicar o que o espectador verá. E, como sua personagem é fotógrafa, ela apresenta como seus olhos registram as imagens. Já o personagem vivido por Goldberg é engraçado e esquizofrênico, pois é obcecado por bactérias e alergias. No fim, ela retoma esse recurso (em off) e inclui a moral da história para reforçar a mensagem, caso de alguém na platéia não a tenha entendido.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

4 meses, 3 semanas e 2 Dias

Embora tenha vencido o Festival de Cannes no ano passado, não deu para o longa-metragem “4 meses, 3 semanas e 2 Dias” (“4 Luni, 3 Saptamani si 2 Zile”), do romeno Cristian Mungiu. O longa definitivamente ficou fora da disputa ao Oscar 2008. O fato, porém, não quer dizer muita coisa, uma vez que belíssimas produções já foram ignoradas pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, como o brasileiro “O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias”, de Cao Hamburguer. O diretor nova-iorquino Woody Allen, aliás, endossa a questão quando, em 1978, não foi receber o prêmio por seu filme “Noivo Neurótico, Noiva Nervosa”. Ele simplesmente disse que o Oscar não lhe diz muita coisa.

Mas “4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias”, que estréia nos cinemas nesta sexta-feira, dia 25 de janeiro, conquistou outros prêmios, além da Palma de Ouro, e mostra, portanto, que não é unanimidade nem positiva, nem negativamente. Isso porque a fita, que se passa no final dos anos 1980, na Romênia, nos últimos dias do comunismo de Nicolai Ceaucescu, conta a história sobre as colegas de quarto da universidade, Otilia (Anamaria Marinca) e Gabita (Laura Vasiliu), que têm os problemas comuns de seu tempo. No país em que elas vivem é possível descobrir, por intermédio do enredo, que muitas coisas são proibidas e censuradas, como certas marcas de cigarro e o aborto.

Leva um certo tempo para o espectador descobrir sobre o motivo pelo qual Otilia mente para o namorado, pede dinheiro a ele e também porque ela procura auxílio do misterioso senhor Bebe (Vlad Ivanov). O que mostra, no entanto, é a sua procura por um quarto de hotel barato na cidade onde vive. O filme, então, apresenta aos poucos um dos grandes problemas que afligiam as mulheres daquele tempo.

O longa trata de um assunto sério e muitas vezes apresenta cenas chocantes, ao mesmo tempo em que é delicado, deixa muita coisa subentendida e conta com fotografia sóbria. No quesito direção, a fita abandona qualquer tipo de ensaio ou marcação que possa parecer teatral, uma vez que a idéia do diretor, como ele mesmo afirma, é deixar os atores à vontade, mesmo que isso se traduza em cenas nas quais eles apareçam de costas.

“4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias” passou pela 31ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e foi bastante concorrido entre os cinéfilos. Trata-se de um filme que não tem pretensão de agradar ninguém, apenas de contar uma boa história, com assunto tocante, pertinente e atual. O longa tem interpretação de bons atores, que conseguem transmitir o sofrimento e a dor pela qual a moça passa. Como trata-se de um assunto ilegal, pode ser que gere algum tipo de polêmica, o que é outra discussão para a saída do cinema.

sábado, 22 de dezembro de 2007

A Desconhecida

Roteirista e diretor do aplaudido "Cinema Paradiso", lançado em 1988, Giuseppe Tornatore é o responsável pelo longa-metragem "A Desconhecida" ("La Sconosciuta"), que chega às telas brasileiras nesta sexta, dia 21 de dezembro. O cineasta italiano utiliza delicadeza em seu modo de contar a história e consegue deixar o espectador interessado em conhecer o destino da personagem a quem o título se refere.

A "desconhecida", então, é Irena (a russa Xenia Rappoport), que mudou-se da Ucrânia para a Itália há muitos anos e vive se afastando do seu passado, enquanto busca pelo presente. E é justamente a esta busca que o espectador é levado a acompanhar a história.

À primeira vista, Irena parece ser uma prostituta, cujo cafetão abusa dela e de outras garotas para lucrar às suas custas. Para fugir deste passado, porém, Irena passa a sofrer pelo amor que perdeu e, então, vai trabalhar na casa da família composta por Valeria (Claudia Gerini), o marido Donato (Pierfrancesco Favino) e a pequena Tea (Clara Dossena, em sua primeira participação no cinema).

A atriz Xenia interpreta uma moça perturbada com os acontecimentos do passado, mas ao mesmo tempo mantém o ar misterioso sobre sua verdadeira busca.

Daí pra frente, só mesmo a construção de imagens de Tornatore para resolver os problemas plantados pela narrativa. A fotografia de Fabio Zamarion é outro destaque, pois, com imagens escuras, a película é capaz de transmitir a densidade dos fatos e o drama em que a personagem vive.

Com trilha sonora composta juntamente com o roteiro pelo brilhante Ennio Morricone, o mesmo de "Cinema Paradiso" e "Os Intocáveis", a fita é envolvente e leva o espectador a torcer pela protagonista e também pela família.

O longa custou 8 milhões de euros e já arrematou diversos prêmios, como o David di Donatello de 2007. "A Desconhecida" é mais uma obra-prima que merece ser apreciada por todos.

Em Paris

Sob o ponto de vista do estudante e arrasa-corações Jonathan (Louis Garrel), "Em Paris" ("Dans Paris"), longa-metragem que estréia somente no dia 28 de dezembro nos cinemas, conta a história da separação de Paul (Romain Duris), seu irmão mais velho. Isso porque o rapaz retorna à casa do pai e, portanto, a Paris. Deprimido e desolado pelo amor perdido e sem se conformar com a morte da irmã na infância, Paul passa a maior parte do tempo trancado no quarto. Então, Jonathan tem a missão de fazê-lo enxergar belezas na vida.

Com roteiro e direção de autoria de Christophe Honoré, o longa é uma produção francesa lançada em 2006, que recebeu indicação ao César, o Oscar daquele país, no início deste ano. No Brasil, o filme já passou pelas telas, quando participou da 31ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo em outubro.

O pai dos rapazes, vivido pelo ator francês Guy Marchand, cuida dos filhos e fala mal da mãe, que os abandonou para se casar novamente. Como demonstração de carinho, cozinha o jantar da família.

Os diálogos bem-construídos propõem narrações em off por parte de Louis Garrel, ao mesmo tempo em que ele olha diretamente para a câmera e diz ao espectador o que pensa, envolvendo o público na trama.

As seqüências externas, que mostram a cidade, dão conta de apresentar um pouco da capital francesa e fazer com que os saudosistas sintam faltam da cidade. Bem à moda francesa, o longa é intimista, cheio de detalhes e aproxima o espectador da narrativa. A história, que versa sobre a separação, traz cenas tocantes, capazes de emocionar.

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Lady Chatterley

Adaptação do clássico romance de D.H. Lawrence, “Lady Chatterley” estréia nos cinemas nesta sexta, dia 23 de novembro, depois de ser apresentado aos cinéfilos durante a 31ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, que aconteceu em outubro e exibiu mais de 400 longas-metragens.

A fita conta a história de Constance Reide (Marina Hands), jovem que se casa aos 23 anos com o universitário Clifford Chatterley (Hippolyte Girardot), que após lutar na guerra, no início do século 20, volta para casa e fica preso a uma cadeira de rodas. Os dois vivem no interior da França, em uma grande propriedade da família, onde a moça se sente isolada e começa a se lembrar de sua vida de solteira. Entre um passeio e outro na fazenda, Constance se envolve com o caçador de animais Parkin (Jean-Louis Coullo’ch), com quem viverá quentes tardes de amor.

Basicamente é esta a história que a cineasta francesa Pascale Ferran, após hiato de 11 anos longe do cinema, conta no longa cujo roteiro tem a sua participação, além de Roger Bohbot, D.H. Lawrence e Pierre Trividic. Trata-se de uma linda história de amor que retrata o período pós-primeira Guerra Mundial.

A atriz francesa Marina Hands constrói a sua personagem de maneira singular, de modo que ela mostra a dona-de-casa da época que comanda as criadas, serve o seu marido, costura e borda, mas não abre mão de ser uma mulher, que tem desejos e vontades, quando sai todas as tarde para um passeio no campo, onde caminha entre flores, conversa com funcionários da propriedade e se envolve emocionalmente (ou será apenas carnalmente?) com o caçador que vive em uma cabana. O ator Coullo’ch, como o caçador, tem aspecto truculento, é grande, forte, rude, mas ao mesmo tempo mostra ternura quando se relaciona com a patroa, e também não abre mão do seu casamento.


As imagens mostradas por Ferran retratam a sexualidade dos dois, mostram a liberdade com que os amantes se envolviam e sem a preocupação de serem descobertos, afinal de contas, o marido, embora fosse dono de muita coisa, não podia controlar a esposa. A direção de arte e o figurino retratam a época de maneira apropriada (o longa ganhou, entre outros prêmios, o César 2007 – o Oscar francês – de Melhor Figurino, Melhor Fotografia, Melhor Filme e Melhor Atriz), de modo que remete o espectador à época em que se conta a história.

Com quase três horas de duração, “Lady Chatterley” não tem pudores em contar uma história sobre amor paralelo, mostrando os atores nus e em cenas bizarras (como a que eles cobrem as partes pubianas com plantas enquanto deitam e rolam na floresta). Deste modo, o romance francês, em parceria com a Inglaterra e a Bélgica, é lento, bem-elaborado e fala sobre a realização sexual, mas sem ser grosseiro ou extravagante.

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Crimes de Autor

A cada semana, mais filmes franceses entram em cartaz, embora passe despercebido pelos freqüentadores de redes de cinema exclusivamente comerciais. No mês passado, por exemplo, estreou "Piaf - Um Hino ao Amor", uma produção sobre a vida da cantora francesa Edith Piaf, com direção de Olivier Dahan. Semana que vem, dia 23, estréia outro, "Lady Chatterley", dirigido por Pascale Ferran.

Quem tem a oportunidade de partir para salas de cinema que ficam ao redor da Avenida Paulista, por exemplo, pode acompanhar estréias importantes como a de "Crimes de Autor" ("Roman de Gare"), que entra em cartaz a partir do dia 16 de novembro, com certeza em um curto circuito, justamente após passar pela 31ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, que aconteceu no mês passado.

Na ocasião, o diretor do filme, Claude Lelouch, marcou presença e aproveitou para debater sobre sua nova obra com os cinéfilos de plantão.

Na fita, a famosa escritora Judith Ralitzer (Fanny Ardant) é acusada pelo assassinato de seu ghost-writer Pierre (Dominique Pinon) durante estadia em seu iate no mar de Cannes, onde os dois se refugiaram para que ele escrevesse o seu mais novo romance.

No entanto, no meio do caminho para a cidade litorânea, Pierre conhece a cabeleireira Huguette (Audrey Dana), que servirá de inspiração e personagem para a história, mas também desencadeará um novo destino.

Com produção e roteiro também de sua autoria, Lelouch conta uma história singular, intimista e consegue, por intermédio de suas lentes, inserir o espectador na trama e fazer com que ele viaje junto pelas estradas francesas, fazendo desta obra também um "road movie".

Além de a história se passar em um posto de gasolina na estrada, outra locação é uma cidade do interior onde mora a família de Huguette, bem como o iate da rica escritora.

Durante toda a projeção, Lelouch mantém o mistério sobre a personalidade do ghost-writer, uma vez que há também indícios de que um serial killer fugiu da prisão. Dominique Pinon desenvolve bem o seu papel e convence o espectador, assim como Audrey Dana, no papel da cabeleireira, que divide o seu tempo como garota de programa, embora queira mudar de vida para dar orgulho à filha (que vive com seus pais longe de Paris).

"Crimes de Autor", nome dado a uma das obras da escritora, traz uma mistura de drama, mistério e romance, que vai prender o espectador do início ao fim. A trilha sonora, com música original de Alexandre Jaffray, completa a obra de arte.

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

O Grande Chefe

O diretor dinamarquês Lars von Trier não pode ser considerado convencional. Um dos criadores do Manifesto "Dogma 95", ou voto de castidade, como ficou conhecido, ao lado de Thomas Vinterberg, que prevê regras muito claras às produções (estipulação dos locais das filmagens, iluminação, proibição de truques, entre outras restrições), não pode ser tradicional. É preciso ser ousado e, sobretudo, criativo.

Em sua nova produção, "O Grande Chefe" ("The Boss of It All"), ele novamente faz movimentações de câmera ousadas. O longa-metragem chega às telas nesta sexta-feira, dia 24, em pequeno circuito, após participar da abertura do Festival de Copenhague em setembro do ano passado. A fita inicia-se quando o diretor apresenta a história a partir de seu reflexo no vidro do prédio onde se passa a trama.

O mesmo diretor de "Dogville" inova mais uma vez, quando escolhe filmar com Automavision, um princípio de filmagem (e gravação de som) desenvolvido com a intenção de limitar a influência humana. Neste caso, o computador é programado com uma fórmula que fornecerá uma lista de possibilidades a serem aplicadas para os movimentos de câmera, não permitindo nenhum processamento adicional, nem mudança como correção de cor, manipulação da imagem ou edição de som, já que o material será diretamente transferido para a cópia final.

Assim, o longa apresenta inúmeras cenas feitas com planos e contraplanos, resultando em uma obra esteticamente cansativa. A comédia, filmada em cinco semanas, se passa dentro de um escritório, quando o dono de uma empresa de TI, Ravn (Peter Gantzler), pretende vendê-la. Porém, para não mostrar aos seus funcionários seu verdadeiro caráter, ele precisa de um chefe fictício. Então, ele contrata um ator, Kristoffer (Jens lbinus), para desempenhar o papel do big boss, quando resolve vender a companhia aos islandeses (esse povo que atualmente está comprando metade de Copenhague, a capital dinamarquesa onde se passa a história).

Como o dono da empresa não tem intenção de ficar com os funcionários antigos, nem pagar seus direitos trabalhistas, ele trata de jogar a culpa em cima do grande chefe. Entre os empregados, um enlouquecido que quer resolver tudo a tapa, a loira do RH que se insinua ao big boss (Iben Hjejle, a Laura de "Alta Fidelidade"), a mocinha que quer se casar, entre outros.

A fita joga luzes ao mundo corporativo, à concorrência entre os funcionários, sempre com bom humor refinado e crítica. "O Grande Chefe" é um filme, apesar de cansativo, essencialmente ousado e bem-feito. Uma verdadeira obra de Lars von Trier que, como de costume, também assina o roteiro.

quinta-feira, 26 de julho de 2007

Bobby

Depois de recontarem muito bem a história do jazzista Ray Charles, no filme "Ray", com Jamie Foxx no papel-título, por exemplo, agora é a vez de o ex-senador dos Estados Unidos, e candidato à presidência daquele país, Robert F. Kennedy, ter parte de sua vida exposta na tela grande. Em junho de 1968, no meio da Guerra do Vietnã, seu mote de governo era acabar com o combate em prol da paz. O longa-metragem "Bobby", que estréia sexta-feira, dia 27 de julho, conta justamente suas propostas de governo, desde a campanha até as eleições, passando pela noite em que ele foi baleado.

Com roteiro e direção sob a batuta de Emilio Estevez ("Lembranças Vivas"), a fita utiliza-se de uma experiência bastante interessante, quando se propõe a contar a história de uma personalidade no cinema por intermédio da vida de outras pessoas que fizeram parte dela, sejam esses personagens fictícios ou não. O elenco de primeira linha contribui justamente para este sucesso. Assim, as imagens vão mostrar a rotina do Hotel Ambassador e contar a história de 22 personagens que, de alguma maneira, contribuíram para a campanha de Bobby.

Entre os personagens, o porteiro aposentado do hotel (Anthony Hopkins), que joga xadrez como ninguém e conta sobre quais personalidades ele pôde servir e que se hospedaram no Ambassador. Também o atual gerente, Paul Ebbers (William H. Macy), casado com a cabeleireira Miriam (Sharon Stone), que mantém um caso extraconjugal.

O núcleo mais descontraído do hotel talvez seja o formado pelo chefe dos cozinheiros, o arrogante Timmons (Christian Slater), e o experiente chef de cozinha Edward Robinson (Laurence Fishburne), que utiliza de sua sabedoria para agradar quem trabalha com ele, como o mexicano Jose (Freddy Rodriguez), que estava louco para ir ver o jogo dos Dodgers, mas teve de fazer turno dobrado, e Miguel (Jacob Vargas).

Além dos funcionários do hotel, também participam da história alguns hóspedes, como a cantora Virginia Fallon (Demi Moore, ótima como uma alcoólatra), a jovem noiva (Lindsay Lohan), que irá se casar com um rapaz (Elijah Wood) para evitar que ele vá para o Vietnã, e um socialite deprimido (Martin Sheen) e sua esposa (Helen Hunt), que não pára de falar em sapatos. Para dar boas risadas, as trapalhadas dos jovens voluntários Jimmy e Cooper (Brian Geraghty e Shia Lebeouf), que vêem suas vidas mudarem com o uso do LSD.

Estevez, que também tem um papel na fita, intercalou sabiamente as imagens fictícias com originais da época, principalmente com cenas do ex-senador na ativa. Seus pronunciamentos também foram utilizados em forma de narrações em off, um recurso bastante utilizado no cinema, embora seja excessivamente cansativo. Nesta produção, porém, o uso se justifica, principalmente por fazer sentido no caso de agregar informações da época quase 40 anos depois. Destaque também para a reconstrução do ambiente, como figurino e mobiliário do período.

Todos os personagens, embora sejam muitos, são bem-construídos e de certo modo envolvem o espectador do início ao fim, que torce para que cada um tenha destinos positivos.Talvez a grande lição do filme seja conhecer as propostas que Robert Keneddy não tenha tido tempo de colocar em prática. Um exemplo, mesmo que utópico, para os governantes (para não se falar apenas de um) que só pensam em ganância e guerra.

quinta-feira, 5 de julho de 2007

Paris, Te Amo

Já fizeram isso com Nova York, quando, em 1989, os diretores Woody Allen, Francis Ford Coppola e Martin Scorsese se reuniram para contar três histórias distintas, de cerca de 30 minutos cada uma, com a cidade como pano de fundo. Desta vez, a homenageada é Paris. O longa-metragem “Paris, Te Amo” (“Paris, Je T’aime”) reúne 21 diretores que vão contar 18 histórias com cerca de cinco minutos cada com a cidade como personagem. Nada mais apropriado, já que Paris é considerada uma das cidades mais românticas do mundo.

Pois bem, para encarar a façanha, foram convidados os brasileiros Walter Salles e Daniela Thomaz, os Irmãos Coen, Gus Van Sant, Isabelle Coixet, Alfonso Cuaron, entre outros para contar as suas histórias.

Um dos destaques é o curta-metragem “Montmartre”, de Bruno Podalydès, que conta a história de um motorista enfezado que não consegue estacionar o seu carro no tradicional bairro da cidade. Enquanto isso, ele conhece uma moça, que está caída no chão.

Outro curta delicado é o “Quais de Seine”, de Gurinder Chadha, que apresenta os jovens rapazes à beira do rio Sena paquerando as moças que passam, como a muçulmana por quem se sente atraído.

Os irmãos Joel e Ethan Coen ficaram responsáveis por “Tuileries”, o filme que conta sobre o turista no metrô que não entende nada de francês e se envolve em uma briga com o casal de namorados por puro ciúme.

Na seqüência, é a vez de os brasileiros Walter Salles e Daniela Thomas contarem a história “Loin du 16e”, sobre uma babá que deixa a sua filha em casa e sai da periferia para cuidar de uma outra criança em um lugar chique da cidade.

Christopher Doyle, autor de “Porte de Choisy”, faz uma homenagem a uma célebre personagem francesa: Amelie Poulain, personagem de Audrey Tautou no filme “O Fabuloso Destino de Amelie Poulain”, de Jean-Pierre Jeunet. Um dos mais dramáticos é o “Bastille”, de Isabel Coixet, sobre o marido que vai contar à esposa que quer o divórcio porque já tem uma amante, mas descobre que ela tem uma doença grave.

O casal de mímicos em “Torre Eiffel”, de Sylvain Chomet, é para morrer de rir, e “Parc Monceau”, de Alfonso Cuaron, com Nick Nolte no elenco, para admirar um trabalho de direção impecável, com o filme feito em poucas tomadas. Maggie Gyllenhaal estrela o curta “Quartier des Enfants Rouges”, de Olivier Assayas, e Elijah Wood é mordido por uma vampira no “Quartier de la Madeleine”, de Vincenzo Natali. Outro destaque fica para o “Faubourg Saint-Denis”, quando a aspirante a atriz, vivida por Natalie Portman se apaixona por um rapaz cego (Melchior Beslon).

Gérard Depardieu dirige o seu filme mas também faz questão de aparecer nele: “Quartier Latin”. O curta fala sobre um casal que resolve acertar o divórcio em um encontro no restaurante, mas os dois começam a se alfinetar sem parar, dando aos espectadores lições de vida, humor negro e muita gargalhada.

“Paris, Te Amo” é uma verdadeira declaração de amor feita por cineastas franceses e estrangeiros, que apontam as suas lentes para mostrar o romantismo da cidade, mesmo que ela seja mostrada dentro de uma gráfica, de um cemitério ou de um apartamento. A parte lamentável é que pode ser um curta, não dá tempo de se envolver com o personagem, porque quando se percebe, já se está contando uma outra história na tela. Mas no geral trata-se de um bom filme, no mínimo uma bonita homenagem à Cidade Luz, que mostra não apenas os seus cartões-postais, mas também os locais onde as pessoas vivem, que pode ser tão comum, como a cidade de São Paulo.

sexta-feira, 22 de junho de 2007

O Despertar de Uma Paixão

Na Inglaterra dos anos 1920, quando tudo era rígido e cheio de protocolos, uma mulher solteira não era vista com bons olhos nem perante a própria família. E foi justamente para sair de casa e fugir do foco dos fofoqueiros que Kitty, uma mulher da alta classe, aceitou casar-se, às pressas, com Walter, um médico e bacteriologista de poucas palavras, que já estava de viagem marcada para Xangai, na China.Basicamente é este o começo da história contada no longa-metragem "O Despertar de uma Paixão" ("The Painted Veil"), baseado no romance homônimo escrito por Somerset Maugham, que estréia dia 22.

A fita começa mostrando uma viagem do casal, vivido por Naomi Watts ("King Kong" e "21 Gramas") e Edward Norton ("O Ilusionista" e "O Clube da Luta"), pelo interior da China. Mas é com cenas em flash back que o diretor John Curran explica como eles foram parar ali, em 1925. Chegando lá, os dois vivem o começo de casamento, até que Kitty se apaixona por Charles Townsend (Liev Schreiber), um homem casado, mas que está sempre cercado de casos extraconjugais.

Desconfiado do romance da esposa, Walter aceita o trabalho como voluntário em uma vila distante dali, pois os moradores daquele local estão sendo infectados por cólera. Walter se prontifica a ajudá-los a erradicar a epidemia, no entanto, não é fácil lidar com tantas diferenças culturais e com um povo supersticioso.

Daí para frente o longa se torna previsível, com o casal tentando lidar com as diferenças, já que cada um procura a qualidade que não existe no outro. Uma das belezas da fita são as diferenças culturais existentes entre o Ocidente e o Oriente, mas elas são bem retratadas, principalmente na direção de arte e na fotografia. A trilha sonora, vencedora do Globo de Ouro, em 2006, é outro ponto alto. Norton, que também produziu o filme ao lado de Naomi, consegue representar muito bem o médico sério e sisudo, mas que ao mesmo tempo é benevolente e apaixonado por sua esposa. A química com Naomi, aliás, funciona bem, e ela retrata a mulher à frente do seu tempo, que não se preocupa com rótulos e protocolos, mas que também não gosta de se sentir inútil e faz o bem à comunidade.

Com roteiro escrito por Ron Nyswaner ("Filadélfia"), o longa-metragem se mostra interessante e na medida certa, pois não explora os momentos tristes e nem força o espectador a se lamentar. Outra contribuição excelente é a presença de Toby Jones (atualmente em cartaz no filme "Confidencial") no elenco.

quinta-feira, 14 de junho de 2007

Cão Sem Dono

Há uma analogia explícita em “Cão Sem Dono”, novo longa-metragem de Beto Brant e Renato Ciasca. Baseado no livro “Até o Dia em que o Cão Morreu”, de Daniel Galera, o filme tem estréia marcada para esta sexta-feira, dia 15 de junho. O cão, neste caso, é um vira-lata, Churras, que o personagem principal encontra na rua. O outro cão sem dono (por assim dizer) é o próprio personagem, Ciro (Júlio Andrade), um recém-formado em literatura que vive as angústias de não ter planos para a vida, mas ao mesmo tempo não quer se entregar ao amor da sensual Marcela (Tainá Muller).

Enquanto ele deixa a barba por fazer, se embriaga com álcool e se entorpece com drogas, ela segue o seu caminho, mas não abre mão do seu sonho de viajar e de concretizar o sonho de ser modelo.

Com tatuagens espalhadas pelo corpo e sem rumo, Ciro vive sozinho em um apartamento bem simples, cujo quarto tem apenas um colchão no chão. A companhia para as noites de solidão, porém, não lhe falta. No entanto, ele tem um tom descompromissado, não faz questão de trocar telefone com a moça com quem passou a noite.

No prédio onde mora, o porteiro que toma conta da segurança, toma conta também de Ciro, que vez ou outra aparece cambaleando de bêbado. O porteiro, aliás, é um artista, que pinta figuras abstratas em folhas de jornal.

Embora seja formado em literatura, Ciro não consegue arrumar emprego como tradutor de russo. Até que lhe oferecem uma vaga para fazer a revisão de um livro, mas por conta do pequeno salário ele acaba recusando. Uma forma de mostrar que não está aí para nada.
A câmera de Beto Brant mostra cenas escuras e retrata o cotidiano dos personagens, como o café-da-manhã, o passeio com o cachorro, cenas de sexo calientes, encontro com os amigos, declarações de amor.

Com muitas cenas em close, Beto extrai dos seus personagens interpretações ímpares que não precisam nem de diálogos, embora eles sejam sempre bem-construídos. Trata-se de um filme denso e a trilha sonora não é contínua e entediante, de modo que não a música, mas o som do filme é bem explorado. E a maneira que Beto usa o jogo de luzes para mostrar o claro e o escuro, assim como as sombras, é brilhante. Sem dúvida, um bom motivo para o cinema nacional se destacar e mostrar que realmente é possível fazer cinema. Basta criatividade e, claro, competência para executá-la.