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sexta-feira, 24 de junho de 2011

Carros 2

É verdade que um dos lançamentos da Pixar que não fizeram tanto sucesso foi “Carros”, longa-metragem lançado em 2006 e dirigido por John Lesseter, criador de “Toy Story”, o primeiro grande sucesso do estúdio. Um dos motivos para a “falta de sucesso” é o tema, claro, que é apreciado principalmente pelos meninos. Porém, com exceção do mercado interno, ou seja, os Estados Unidos, são poucos os países que se interessam por corridas de automóveis.

Mas quando se fala em pouco sucesso de um filme da Pixar, é quando comparado aos outros lançamentos do mesmo estúdio, já que foi a menor desde “Toy Story 2”. Porém, se comparado com outras produções, bem, é um sucesso total. Isso porque “Carros” rendeu, no final de semana de estreia nos Estados Unidos, mais de US$ 60 milhões. De acordo com David Price, no seu livro “The Pixar Touch: The Making of a Company”, a comparação de pouca arrecadação é relativa, porque “Carros” ainda era a segunda maior bilheteria do ano, depois do lançamento da Disney, “Piratas do Caribe: o Baú da Morte”.

Sobre as críticas, Lasseter disse: “Muita gente acha que 'Carros' é um filme sobre carros ou que 'Procurando Nemo' fala sobre peixes – 'Bolt' sobre cachorro. Ok, mas esses são os personagens e parte de seu ambiente. Mas suas personalidades e histórias precisam transcender o que são, seja humano, cachorro, carro, peixe, o que for. Você precisa tocar as pessoas e eu sempre digo que é preciso fazer uma conexão com o público, mostrando a eles algo que lhes é familiar em algum nível, mas se ver diante de uma situação que nunca imaginou antes. Embora façamos pesquisa sobre todos os assuntos (carros, trailers, no caso de Bolt, ou peixes), a essência tem que atingir quem gosta, ou não, do assunto. Essa é minha filosofia.”


A continuação
Cinco anos depois do lançamento do primeiro filme, eis que Lasseter volta a dirigir o longa de continuação, ao lado do codiretor Brad Lewis. Trata-se de “Carros 2” (“Cars 2”), que desta vez está sendo lançado em cópias 2D, 3D e Imax 3D, em versões dubladas e legendadas. A que eu vi é dublada por personalidades como Emerson Fittipaldi, Luciano do Valle, José Trajano e a cantora Claudia Leitte.

Desta vez, o campeão das corridas que começou em Radiator Springs, Relâmpago McQueen, é desafiado pelo carro de corridas italiano, Francesco, cujas rodas pra fora encantam a Porsche que namora McQueen. O primeiro desafio do Grand Prix Mundial está marcado para acontecer no Japão. Mas o destaque maior da trama acaba sendo para o seu melhor amigo, o carro-guincho Mate, que se aventura como espião internacional.

A trama começa um pouco sinistra, é verdade, com espionagens, um barco no mar e de repente vários carros contra Brent Mustanburger. O excesso de personagens (ao todo, foram criados 145 novos) acaba confundindo o espectador. E o próprio enredo se torna chato, quando a referência é o combustível utilizado pelos carros de corrida...

O assunto não é nada infantil, ainda que há abordagens sobre amizade que podem cativar as crianças. Mas o que realmente chama a atenção em “Carros 2” é, sobretudo, a arte, o desenho, os detalhes que foram criados para construir a obra. Neste caso, “Carros” conquistou por conta do inusitado, o que já não ocorre desta vez. O que talvez possa chamar atenção é que a fita não se passa apenas nos Estados Unidos, além de não serem apenas carros, mas também barcos e aviões!

 
Há, por exemplo, referências aos locais por onde passam, ou seja, o Monte Fuji, no Japão. Em Paris, há passagens que remetem ao “Ratatouille”, que se passa na capital francesa. Mas aqui, Paris é visitada por Mate como parte de sua missão na espionagem internacional. 
Então, ele passa pela Pont des Arts, onde dois carros se beijam, e pela Catedral de Notre Dame. Na Itália, onde há corrida de rua (pelo menos neste filme), foi criado um visual fictício cidade costeira italiana de Porto Corsa, mas é uma combinação da pista feita nas ruas de Mônaco com a Costa Amalfitana e lá é feita homenagem aos seis irmãos Maserati (Enzo, Bindo, Carlo, Alfieri, Ettore e Ernesto). Para finalizar, a última corrida é realizada em Londres, com destaque para alguns cartões postais, como o Big Ben, que aqui chama-se Big Bentley, além da própria rainha que aparece condecorando Mate como Sir por sua atuação.

O atrapalhado Mate, aliás, acrescenta o bom humor ao filme, principalmente quando está no Japão e se atrapalha com as letras e até mesmo confunde raiz forte com sorvete de pistache... Mesmo assim, lá pelas tantas o espectador pode se sentir entediado durante “Carros 2”, principalmente se não for um amante de carros...

Além dos dois primeiros “Toy Story”, Lasseter foi diretor de “Vida de Inseto” e produtor executivo de todos os outros filmes da Pixar. Foi dele, aliás, a ideia do filme e, para construir os personagens, passeou pela famosa Rota 66. Ele sempre conta que é orgulhoso do filme e que adora os carros, além, é claro, da animação.

Este é o 12º longa-metragem da Pixar, que está comemorando 25 anos. Em 2006, o estúdio foi comprado pela The Walt Disney Company, de modo que faz da Pixar uma subsidiária integral da empresa.

Em tempo: desde 1986, quando a Pixar Animation lançou seu primeiro curta-metragem, “Luxo Jr.”, lançou um por ano e vem apresentando um novo antes de cada longa. Ou seja, antes de “Carros 2”, o público pode conferir “Férias no Havaí”, apresentado por personagens de “Toy Story”. Provavelmente, como também já virou tradição, um novo curta deve ser acrescentado ao DVD.



Curiosidades
O nome do protagonista, Relâmpago McQueen, foi dado em homenagem a Glenn McQueen, ex-animador da Pixar que trabalhou no primeiro “Carros” e veio a falecer pouco antes de o filme ser lançado. Os pneus Lightyear de McQueen são uma referência a Buzz Lightyear, de “Toy Story”, assim como o seu número, 95, referência ao ano 1995, em que o mesmo filme foi lançado. Há ainda homenagem ao próprio Lasseter, no meio do filme, quando uma das propagandas aparecem em close, com o nome LassetAir.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Kung Fu Panda 2

Muitos torceram o nariz quando houve a explosão dos longas-metragens produzidos com o uso da tecnologia, ou seja, feitos inteiramente no computador, em três dimensões, principalmente depois do sucesso da Pixar, “Toy Story”, dirigido por John Lasseter e lançado em 1995.

A questão é que outros estúdios aprenderam que poderiam deixar de fazer animação do modo tradicional, tal como Walt Disney fez “Branca de Neve e os Sete Anões”, primeiro longa do gênero, lançado em 1939. No entanto, os diretores (e obviamente os estúdios) entenderam que o público iria ao cine­ma assistir a essas produções desde que tivesse uma boa história para contar, independentemente de ter sido feita a mão ou com ajuda do computador.

O uso do 3D e da animação de um modo geral é justificável para contar uma história não necessariamente infantil, mas que não pode ser contada com personagens reais, como os brinquedos que ganham vida quando os humanos viram as costas, o peixe que se perde no oceano, o ogro que vira príncipe, os animais que lutam kung fu e assim por diante.

Agora está nos cinemas, em versões 2D e 3D, o longa-metragem de animação “Kung Fu Panda 2”. Na aventura, o panda Po (Jack Black) já foi aceito como Dragão Guerreiro, e protege o Vale da Paz ao lado dos seus amigos e mestres do kung fu, os Cinco Furiosos: Tigresa (Angelina Jolie), Macaco (Jackie Chan), Louva-Deus (Seth Rogen), Víbora (Lucy Liu), Garça (David Cross) e o mentor Shifu (Dustin Hoffman). E, além de acompa­nhá-los em suas aventuras, Po é adorado por todos e tem até bonecos com a sua cara.

A fita começa contando sobre a China e sobre a tão procurada paz interior, necessária para conseguir equilíbrio. Mas além de Po encontrar o próprio equilíbrio, já que sabe que fora adotado pelo Ganso, embora não saiba de onde veio, ele vai ajudar os nossos heróis a não deixarem o kung fu morrer. Para isso, porém, vão ter de lutar contra o vilão Lorde Shen, que planeja usar uma arma secreta para conquistar a China e des­truir o kung fu.

Ainda que o “balé” da primeira luta de Po com ajuda dos outros animais seja sensacional, ela e as demais que acontecem no decorrer na trama são o ponto fraco, pois, muitas vezes, principalmente na versão tridimensional, a que assisti, é escura e a coreografia não permite que o espectador entenda, em algumas cenas, quem está batendo e quem está apanhando.

Como o panda vai precisar de paz interior para buscar o equilíbrio a fim de continuar lutando, há algo no passado de Po que o incomoda e isso será demonstrado a partir de um desenho localizado no braço do ini­migo, cena que se repete várias vezes ao longo da fita.

Embora algumas continuações de filmes façam sucesso, em alguns momentos “Kung Fu Panda 2” entendia, as piadas não têm tanta graça, mas há mensagens para os filhos adotivos e para aqueles que querem encontrar a paz interior, já que o passado deve ficar lá trás. E isso é um ponto forte da trama. Dirigido por Jennifer Yuh Nelson, que no primeiro filme atuou como chefe de História, supervisora de Sequências de Ação e diretora da Sequência do Sonho, “Kung Fu Panda 2” merece ser visto por toda a família, em versões dubladas ou legendadas, em 2D ou 3D, como maneira de descontração e entretenimento.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Piratas do Caribe: Navegando em Águas Misteriosas

Era para ter terminado a série dos filmes em uma trilogia, em 2007, quando foi lançado “Piratas do Caribe: No Fim do Mundo”. O longa-metragem, aliás, havia sido filmado juntamente com o segundo, o “Piratas do Caribe: O Baú da Morte”, de 2006. Mas o início da saga do pirata Jack Sparrow começou em 2003, com “Piratas do Caribe - A Maldição do Pérola Negra”, e mostrou ao mundo que filmes de piratas podem ser bons (ou ao menos podiam...).

Tanto se falou no fim da franquia, mas ela não terminou. Isso porque chega aos cinemas brasileiros nesta sexta-feira, dia 20 de maio, o quarto da série: “Piratas do Caribe: Navegando em Águas Misteriosas” (“Pirates of the Caribbean: On Stranger Tides”). Novamente, tal como nas produções anteriores, o filme é todo de Johnny Depp, embora conte ainda com um elenco que inclui a bela Penelope Cruz no papel de uma pirata, Angelica.

Sob a batuta de Rob Marshall, cujo último filme que dirigiu foi o musical “Nine”, baseado no longa-metragem “8 ½”, de Federico Fellini, a fita está sendo apresentada em 2D, 3D, incluindo a versão Imax, experiência que eu tive, no único cinema deste tipo que existe em São Paulo.

Desta vez, o capitão Jack Sparrow (Depp) terá de ir à Fonte da Juventude, quando uma mulher de seu passado (Penelope) o força a entrar no Vingança da Rainha Ana, barco do pirata Barba Negra (Ian McShane).

O início é em algum lugar da Espanha, quando a corte está tentando pegar o mapa que leva à tal Fonte. Depois, em Londres, Jack se disfarça de juiz (seu olhar, no entanto, é inegável!), mas acaba sendo aprisionado pelo duque, pois querem que ele preste serviços ao rei e consiga chegar antes dos católicos espanhóis, para ter a tão sonhada vida eterna.

Mas quando saem de Londres, Jack Sparrow, a tripulação do rei, Angelica, Barba Negra com sua tripulação de zumbis, seguem em direção a Whitecap. Para chegar à Fonte da Juventude, terão de passar por obstáculos, que inclui belas e encantadoras sereias (do mal) com dentes de vampiro... E a confusão, mais uma vez, está armada.

O toque de humor, os trejeitos e os cacoetes caricatos de Depp estão todos lá. E é exatamente por isso, e por a sua participação no filme, que este vale a pena. Porque não fosse Johnny Depp, nem sairia de casa para ir ao cinema ver um filme escuro, com poucos e rasos diálogos, além de uma música de Hans Zimmer que não cessa um segundo. As lutas de espada também estão lá, e tanto Jack quanto Angelica empunham a arma e saem para lutar. O clima de romance presente nos outros filmes, porém, desapareceu, culpa de Orlando Bloom e Keira Knightley, nos respectivos papéis de Will e Elizabeth, que não estão nesta fita.

Embora a química de Penelope e Johhny funcione, prefiro ela fazendo filmes do diretor espanhol Pedro Almodóvar, como “Abraços Partidos”, ao invés de uma aventura como essa que lá pelas tantas me fez lembrar “Indiana Jones”, principalmente quando vão atrás de um cálice. Só faltou a musiquinha...

Quando mistura religião, um dos tripulantes prega e “Piratas do Caribe” acaba se tornando um filme com aspectos religiosos, por exemplo quando menciona sobre o comportamento de um da tripulação que vive rezando e pregando o bem, além dos espanhóis católicos – ao contrário dos ingleses, que são protestantes. Eles, aliás, tentam destruir o local da Fonte, porque só Deus pode conceder a vida eterna e por isso é preciso acabar com o lugar profano e pagão.

A fita extrapola nos efeitos especiais, o 3D coloca o espectador no filme, o som excelente permite ouvir o canto dos passarinhos, sem falar na maquiagem, no figurino de época, mas se atrapalha nas lutas de espadas. 

Mais uma vez, o filme é todo de Johnny Depp que, a exemplo dos anteriores, tem uma brilhante atuação, e ele está bem à vontade na trama, com seus trejeitos e, claro, bom humor. No entanto, o filme cansa, os 128 minutos parecem não terminar, o que é um mau sinal quando se trata de uma superprodução. De qualquer maneira, é esperada uma legião de fãs tomando conta das 141 salas de cinema na capital e na Grande São Paulo: faz parte dessa turma que homenageia um ídolo. Johnny Depp é a única atração em “Piratas do Caribe: Navegando em Águas Misteriosas”, o mais fraco das quatro produções da franquia.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Thor

Deus do trovão, “Thor” é a nova aposta da Marvel, responsável pelas HQs de personagens até mesmo mais conhecidas, como “Homem-Aranha”, “X-Men”, “Hulk”, “Homem de Ferro”, entre outros. O mais esperado talvez seja “Capitão América – O Primeiro Vingador”, cujo lançamento nos cinemas está prometido para dia 22 de julho, nos Estados Unidos.

A aventura épica, ambientada na mitologia escandinava, começa contando sobre os tempos de paz entre os reinos Asgard e Jotunheim. Thor, guerreiro viking, se apressa em assumir o trono. Porém, assim que Asgard é atacada por Laufay, Thor (Chris Hemsworth, de “Jornada nas Estrelas”), declara guerra ao Gigante de Gelo, atitude que é reprovada por seu pai (Anthony Hopkins).

Neste momento, há discussões que levam em conta a psicologia, quando o monstro diz que ele “não passa de um menino querendo se autoafirmar”. Ele retruca: “Esse menino cansou de sua zombaria”. Thor não aceita as provocações , mas o Gigante afirma: “Ele vai ter o que procura: guerra e morte”. Pronto, está armada uma das batalhas.

Com a reprovação da atitude do rapaz, o rei decide exilar seu filho, mandando-o para Midgard, onde poderá aprender a sabedoria e a humildade. Momento da jornada do herói, e depois vem a catarse, pois lá, terá de conviver com o fato de seu irmão (Tom Hiddleston), malévolo e ciumento, dizer que ele não deve voltar nunca mais.

A fita tem direção do inglês Kenneth Branagh, que pôde ser visto como ator no filme “Harry Potter e a Câmara Secreta”, por exemplo, e, atrás das câmaras, em “Hamlet”, de 1996, com Judi Dench no elenco. Aqui, porém, Branagh explora demais a técnica tridimensional, em detrimento da interpretação dos atores.

Pode-se dizer que o personagem título também deixa a desejar. Não se pode exigir muito, é claro, do ator que vai bancar o super-herói. Os atributos de Chris são bastante, digamos, convincentes, principalmente no que diz respeito ao físico, à força (Thor tem uma força incrível nos desenhos animados e nos quadrinhos) etc. Mas, ao mesmo tempo, quando para a produção é escalada atriz do porte de Natalie Portman, vencedora do último Oscar na categoria de Melhor Atriz, por “Cisne Negro”, espera-se mais e aqui ela praticamente passa despercebida como a pesquisadora. Em versão dublada, então, nem se fala... Simplesmente não dá!

Além de Natalie Portman e An­thony Hopkins, no papel do rei, a produção conta ainda com atores como a doce rainha, vivida por René Russo.

Thor é mais corpo que mente, se movimenta mais rápido do que pensa, e o filme mostra muito isso, ou seja, mais batalhas que expressões verbais. Embora o diretor sempre tenha apreciado as histórias épicas, as batalhas sangrentas e os heróis, “Thor” é também um drama de conflitos familiares, como as personagens criadas por Shakespeare, em “Henrique V” e “Hamlet”. Thor é humanizado e, lá pelas tantas, terá o amor entre ele e uma humana... Essa é a parte do longa-metragem que funciona, prende o espectador, tem uma história que interessa, com algumas pitadas de humor. Quando fala sobre o reino, porém, não instiga.

Apesar da história confusa, o universo criado por Branagh é fascinante. Com exceção de umas duas sequências artificiais, como a péssima multiplicação das pessoas por computador, e de problemas de proporção com o tamanho das pessoas, a fita até convence. Quando Thor chega à Terra, o local escolhido para se passarem as cenas é o Novo México, nos Estados Unidos. 

Aqui, embora tudo seja atualizado, como a troca de e-mails entre os pesquisadores, o laptop, iPod que a assistente de Jane  adora ouvir e baixar músicas, e até mesmo a foto que ela tira a partir de seu celular para postar no Facebook, tudo é atual. A não ser, é claro, que ninguém parece se surpreender com a presença de extraterrestres na Terra...

A produção de “Thor” é grandiosa, inclusive com exibições em três dimensões. O problema, porém, é justamente a banalização do 3D, de modo que exista uma desculpa para público ir ao cinema: a eterna discussão entre forma versus conteúdo. Sobre o 3D, há explicações, haja vista que a pirataria tem sido responsável pelo êxodo das pessoas nos cinemas, já que a aventura pode ser tranquilamente baixada pela internet. A experiência da tela grande com as imagens em três dimensões, porém, têm exclusividade nas salas de cinema.

Não resta dúvida que, tal como os outros filmes da Marvel, “Thor” terá uma incrível renda na bilheteria. E nem precisa ter lido a HQ para entender a história, ainda que esta personagem criada por Stan Lee seja menos conhecida que as demais. Por falar em Lee, preste atenção no motorista do carro que tenta guinchar o martelo de Thor...

Comprada pela Disney em 2009, a Marvel vai continuar lançando os filmes que saíram dos quadrinhos. Portanto, vá assistir ao “Thor” sabendo o que está vendo, de preferência acompanhado com um grande balde de pipocas. E nada mais.
Em tempo: como nos outros filmes da Marvel, não saia antes de ver as cenas após os créditos!

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Quem é quem?
Thor - Deus do trovão, filho de Odin
Odin - Rei de Asgard
Laufey - Rei de Jotunheim, inimigo de Odin
Loki - irmão de Thor
Jane - Jovem mortal, vive na Terra
Midgard - Terra
Bifrost - Ponte que permite a passagem de um reino a outro ou ser mandado para a Terra
Heimdall - Gardião de Bifrost
Mjolnir - martelo mágico de Thor que lhe atribui uma força sobrenatural

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Rio

O Brasil está na moda. Não é de hoje, é verdade, mas basta perguntar para qualquer estrangeiro sobre o Brasil que ele vai dizer que gostaria de conhecer o país, principalmente o Rio de Janeiro. Daqui a pouco virão a Copa do Mundo, em 2014, e a Olimpíada, em 2016, para confirmar a quantidade de estrangeiros por aqui.

Deixando de lado as questões políticas e se os prazos para a conclusão das obras para receber os eventos esportivos serão cumpridos, a discussão agora é uma só: a homenagem à Cidade Maravilhosa feita pelo diretor Carlos Saldanha (de “A Era do Gelo 3”), em forma de animação. Saldanha, aliás, foi o res­ponsável pela criação do esquilo Scrat, que ganhou destaque ao longo da trilogia por conta de seu carisma.

Na abertura de “Rio”, longa-metragem que poderá ser visto no Brasil em versões du­bladas e legendadas, em 2D e 3D (em um total inédito de mil cópias!), está o Pão de Açúcar, cartão-postal do Rio, além de pássaros que sambam – o que mais eles poderiam fazer na terra do Carnaval? Corta. Agora estamos na neve, bem longe dali, onde vive Blu.


Blu (com voz de Jesse Eisenberg, de “A Rede Social”, na versão original) é uma arara azul domesticada que não aprendeu a voar e vive em Minnesota, nos Estados Unidos, com sua dona, Linda (Leslie Mann). Tudo parecia estar sob controle até bater em sua porta Túlio Monteiro (o brasileiro Rodrigo Santoro), um amante dos ani­mais que descobre o paradeiro da arara. Ele alega que trata-se do único macho da espécie e que precisa ir para o Rio de Janeiro conhecer a fêmea, Jade (Anne Hathaway, de “O Diabo Veste Prada”), a fim de garantir a perpetuação da espécie.

A partir de então, dona e arara vão desfrutar das belezas naturais, se meter em aventuras e confusões. Do lado de cá da tela, o espectador vai se maravilhando com o show de imagens coloridas e extremamente bem feitas, além de uma história tocante, acompanhada de trilha musical, di­gamos, bem brasileira.

Como nem tudo são flores, vem o drama: a caça ilegal dos animais na ci­dade ensolarada. Juntas, as araras também terão de enfrentar Nigel (Jemaine Clement), uma cacatua mal-humorada que trabalha para os contrabandistas de aves e que vai pedir ajuda aos micos (do mal) para encontrar as duas ararinhas.

Em diversos momentos, Carlos Salda­nha, carioca que há muito vive nos Estados Unidos, homenageia sua terra Natal, a partir do cachecol verde e amarelo de Túlio, da camisa do Brasil, da bandeira pendurada na parede de uma casa na favela, da locali­zação exata do Brasil no globo. E, aqui, Brazil está escrito assim, com Z, ainda que Rita Lee e Roberto de Carvalho já haviam cantado “que o meu Brasil é com S”. Há também partidas de futebol. Isso porque a narrativa é situada entre a Copa do Mundo, ilustrada pelo clássico sul-americano Brasil e Argentina, na televisão, e o Carnaval, com desfile em plena Sapucaí. 




Quando a fita mostra a cidade vista do alto e a Baía de Guanabara, a paisagem é deslumbrante, sem retoques. Lembra o ra­tinho Rémy saindo do esgoto e se deparando com Paris, na animação da Pixar, “Ratatouille”. Destaque também para a trilha sonora empolgante, que mistura inglês com português, samba, bossa nova, sob os cuidados de Sérgio Mendes. Na dublagem, as gírias cariocas que sublinham o jeito malandro caem muito bem.

“Rio” é uma animação que mistura técnica (repare na qualidade das penas e plumagens, tudo parece ser real), com uma história tocante e emocionante, principalmente quando fala sobre assuntos delicados, como contrabando de animais silves­tres, maus tratos, família, fazendo jus à afirmação de John Lasseter, criador de “Toy Story”, que não adianta dominar a tecnologia, se não tiver uma boa história para contar e encantar a plateia.

O filme faz uma grande homenagem ao Brasil e ao Rio de Janeiro, além de ser uma propaganda posi­tiva para o país que, se tudo der certo, receberá a próxima Copa e os próximos Jogos Olímpicos.

Em tempo: não saia no “The End”, pois há a continuação com o destino dos personagens.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

O Besouro Verde

Era um seriado radiofônico, nos anos 1930, e depois virou HQ e, na televisão, lançou Bruce Lee ao estrelato, nos anos 1960. “O Besouro Verde” (“The Green Hornet”) ganhou repaginação e chega aos cinemas com tudo o que tem direito no que diz respeito a tecnologia. Pelas mãos do diretor francês Michel Gondry (“Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças”), o longa-metragem é lançado em 3D e Imax, inclusive com legendas.

Na trama, Britt Reid (Seth Rogen) é o filho do magnata da mídia de Los Angeles e leva uma vida como muitos gostariam: sem compromisso, recheada de festas e, claro, mulheres, dinheiro e luxo. No entanto, quando seu pai (Tom Wilkinson) morre, precisa tomar conta de todo o império. Britt, então, conhece Kato (Jay Chou), um funcionário que constrói engenhocas. Os dois começam a sair juntos para combater o crime: o playboy que pertence à nata, quer dar uma de “salvador da pátria”, disfarçado como Besouro Verde. O chinês vai mascarado, e os dois a bordo do Be­leza Negra, um Chrysler Imperial dos anos 1960, carro indestrutível com alta potência. Com ajuda da secretária Lenore Case (Cameron Diaz), eles saem em busca de Chudnofsky (Christoph Waltz) e, então, começam as perseguições.

Ao mesmo tempo que o longa utiliza recursos modernos, o protagonista pede um fax, ouve músicas em LP, resgatando e atualizando o original.

A trama, é verdade, não é tão empolgante. E, em muitas cenas, é possível ver a assinatura de Gondry, já que ele empregou o “tempo Matrix” em um comercial de bebida que fez antes do próprio filme. Em história de super-herói não se pode esperar outra coisa senão efeitos especiais, de modo que as cenas de ação e as intervenções do computador se tornam um prazer aos olhos. E ver tudo em Imax, é uma diversão garantida que vale o ingresso.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Enrolados

Em 2003, quando foi lançado nos cinemas "Procurando Nemo" (um dos melhores filmes de animação já produzidos pela Pixar), tratei de levar a minha afilhada, então com 10 anos, ao cinema. Sim, ela foi uma desculpa. Levar criança ao cinema para ver filme de animação é sempre uma desculpa para nós, adultos, assistirmos ao filme também.

Embora já trabalhasse com jornalismo, ainda não era especializada em cinema, daí a necessidade de uma desculpa plausível para ir àquela sessão de sábado à tarde juntamente com um monte de outras crianças e seus pais. Naquela ocasião eu tampouco sonhava que, pouco tempo depois, escreveria uma monografia (trabalho da pós-graduação) sobre a Pixar: o mais importante estúdio de animação 3-D.

Depois de comer a pipoca e tomar litros de refrigerante, chegou o que temia: a vontade de ela querer ir ao banheiro. E eu, então, tive de levá-la, no meio do filme... Saco. Mas são coisas que acontecem quando se leva criança ao cinema.

No último sábado, 8, me deu um verdadeiro déjà vu... Sabendo que havia estreado "Enrolados", novo longa-metragem de animação da Disney, não pensei que pudesse ser criticada por ir ao cinema ver o desenho. Mas tratei de chamar a Milena para ver o filme. Hoje, com 17 anos, acredite: ela aceitou na hora. E a gente se divertiu bastante, mesmo em meio aos pais e filhos barulhentos naquela sessão de sábado a tarde. (Ah, e ela não quis sair no meio do filme para fazer xixi... Mas saiu correndo assim que acenderam as luzes!)

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Sobre o filme


"Enrolados" ("Tangled") é o que poderíamos chamar de uma releitura da clássica história de Rapunzel, escrita pelos Irmãos Grimm, sobre a menina de longos cabelos loiros que vive isolada pela "mãe" em uma torre.

Depois de contar uma breve história (narrada pelo apresentador Luciano Huck) sobre a menina que fora tirada do berço da casa de seus pais por uma velha, já que ela tinha os cabelos mágicos, é a vez de o ladrão Flynn Rider (voz de Huck) roubar a coroa da rainha e sair fugindo. Até que encontra a tal torre e conhece Rapunzel.

Entre celtas e vikings no meio do bar imundo, os dois vão partir por vários locais antes de chegarem ao reino, local de onde são lançadas as lanternas todos os anos em comemoração ao aniversário da princesa perdida.


Assim como em todo o filme produzido pela Disney, neste também não houve trégua para aquelas pausas nas quais a personagem de repente começa a cantar e dançar... E, ainda que duble o vilão, quando começa a cantar, não é a voz de Huck. Ótimo por um lado, pois sabemos que desafinaria facilmente, mas não há como negar o quão bizarro isso fica.

A exibição é em 3D e, como manda o figurino no final "todos felizes para sempre", Flynn acaba se tornando o príncipe que chegou para salvar a princesa montado em seu cavalo branco, o engraçado Máximos!

Outro recurso para divertir a história é o camaleão Pascal, um bichinho que conversa com Rapunzel a seu modo, fazendo caras e bocas e mudando de cor. Um destaque que faz as crianças caírem na gargalhada!


Não dá para negar que após a direção criativa da Disney passar às mãos de John Lasseter, diretor de "Toy Story", os filmes melhoraram, e muito, em qualidade. Já começou com "Bolt - O Sulpercão" e foi confirmado em "A Princesa e o Sapo".

E a magia da princesa da Disney renasce quando reconta, de maneira atual e engraçada, a história da menina que joga as tranças para a mãe subir na torre e todo o encantamento do conto de fadas em cores e em três dimensões!

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

A Lenda dos Guardiões

O diretor Zack Snyder tem se especializado em adaptações. Seus últimos três filmes provam isso. Em 2007, do graphic novel de Frank Muller, ele filmou “300”, sobre os 300 de Esparta; dois anos depois, lançou “Watchmen – O Fil­me” (história escrita por Alan Moore e ilustrada por Dave Gibbons). Nesta sexta-feira, 8, chega aos cinemas “A Lenda dos Guardiões: As Corujas de Ga’Hoole” (“Legend of the Guar­dians: The Owls of Ga’Hoole”), sua primeira experiência em ani­mação e com base na obra de Kathryn Lasky.

O longa-metragem conta a his­tória de Soren, jovem coruja que, antes de aprender a voar, escuta as histórias contadas por seu pai sobre os lendários Guardiões de Ga’Hoole, os guerreiros que enfrentam uma batalha para salvar a ordem das corujas dos malvados Puros. Por outro lado, seu irmão mais velho, Kludd, acha que as histórias são bobagens e vive com ciúmes de Soren por ele saber voar melhor.

O primeiro clímax da história acontece quando os dois são raptados e levados para os tais Puros e precisam arrumar um jeito de voltar para casa. É a partir de então que entram as cenas previ­síveis, como a luta do bem contra o mal e a conquista por ter encontrado os lendários Guardiões.

Além de o filme ter sido feito totalmente no computador (e ter uma qualidade incrível, principalmente no que se refere a efeitos especiais, criação dos animais, pe­lagem etc.), a projeção ganha efeitos em três dimensões e coloca o espectador para voar juntamente com as corujas. Um exemplo nítido do “voo livre” é quando duas corujinhas estão aprendendo a voar e uma diz a outra: “Você imaginava que era tão bom voar?” E, na sequencia, a câmera de Snyder sai planando... Entre as lições de moral, a busca do autoconhe­cimento, a importância da persis­tência, do sonho e, claro, do bem que prevalece sobre o mal.

Por ser sua primeira experiência em animação, Snyder, esse cineasta entusiasmado e cheio de energia para fazer movimentar as páginas de desenho na tela grande, não sabia filmar, se não fosse com uma câmera. Assim, criou uma nova estética para sua obra, uma vez que os próprios especialistas dese­nharam a fita imaginando a cena, a partir da descrição de Snyder, ou seja, se a câmera estivesse na mão, em travelling etc.

Outro artifício que ele utilizou para aprender é a coreografia com “dublês de corujas”, justamente para que a equipe entendesse como funciona uma luta no cinema. Luta, aliás, é um dos itens que mais constam do filme e tipo de ação que Snyder mais está acostumado a fazer. Portanto, não se impressione com as cenas de batalha e nem se surpreenda caso perceba qualquer semelhança com as cenas de combate dos 300 de Esparta, em “300”. Isso não terá sido mera coin­cidência.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Toy Story 3

É inevitável: um dia as crianças crescem e os seus brinquedos precisam de um destino. Eles podem ficar de herança para o irmão ou irmã mais novo, podem ser dados a alguém da família ou doados a um orfanato. Há ainda os adultos que crescem, mas ainda conservam alguns de seus melhores brinquedos como recordação de uma época incrível ou até mesmo para, quem sabe, dar ao herdeiro que um dia pode chegar.

E é exatamente este o enredo de “Toy Story 3”, longa-metragem de animação que estreia nesta sexta-feira, 18. Os brinquedos que ganham vida quando os donos viram as costas, criados por John Lasseter em 1995 (e que marcou a história do cinema de animação, uma vez que foi o primeiro longa feito totalmente por computador, ou seja, em três dimensões), ganha agora a terceira sequência, sendo desta vez também em 3D (que necessita de uso dos óculos especiais).

Na trama, dirigida por Lee Unkrich (codiretor de “Toy Story 2” e “Procurando Nemo”) e com roteiro de Michael Arndt (a partir de argumento de Lasseter, Unkrich e Andrew Stanton), o cowboy Woody (dublado por Tom Hanks, na versão original), convoca os amigos Buzz Lightyear (dublado por Tim Allen), Senhor e Senhora Cabeça de Batata e toda a turma para ver como chamar a atenção de Andy, o garoto que os ganhou na infância mas agora se prepara para ir para a faculdade. Sua mãe, então, sugere que ele e sua irmã, uma adolescente que fica ouvindo música em seu iPod, separem os brinquedos que não querem mais para levar para outras crianças, ou seja, para uma creche.

A partir de então, começa a diversão e a correria, pois os brinquedos (que atualmente vivem dentro de um baú) vão tentar achar um jeito de continuar com os donos que tanto amam.

Há, claro, os mesmos personagens das dus histórias anteriores, mas há os novos, que são apresentados ao decorrer da trama, como Barbie e o Ken, que protagonizam cenas hilárias. Ken, aliás, faz o tipo metrossexual exagerado, ou seja, fica naquela linha tênue que separa o homem que gosta de se cuidar do homessexual. Há também ursos de pelúcia.

Mais uma vez, a Pixar (que foi comprada pela Disney em 2006) acerta a mão e apresenta um longa-metragem embasado na verossimilhança. Ainda que seja um absurdo os brinquedos saírem andando e conversando, as cenas convencem, basta ter imaginação. O humor vem em pitadas generosas e é capaz de agradar crianças e adultos, já que esses também um dia tiveram seu brinquedo favorito e com certeza vão se lembrar daquele boneco que não quiseram dar.

Uma vez, John Lasseter contou que a ideia de fazer um filme com os brinquedos que ganham vida partiu do momento em que viu o que as crianças faziam com seus bonecos: colocavam na boca, jogavam no chão etc. E, se no primeiro filme, havia um menino que maltratava os bonecos, tirava suas cabeças etc., aqui podem ser vistas cenas parecidas.

“Toy Story 3”
é um filme sensível, que mistura uma boa história, alta tecnologia, mas também mexe com o emocional das pessoas. Há pelo menos duas sequências fortes, nas quais pode-se dizer que foram feitas para que o espectador chore. A música tensa ajuda a criar o clima e o resultado é bem-sucedido.

Ainda que o longa tenha versões em 3D (como a que eu assisti, em Paris), é só uma questão de profundidade que se altera, pois não há cenas que ultrapassam os limites entre a tela e a plateia. A não ser para o bolso, uma vez que o ingresso para a versão 3D é mais caro que a tradicional, acredito que o espectador que assistir à versão 2D não deve ter prejuízo em qualidade de imagem. Prepare o lenço, pegue as crianças e boa diversão!

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A versão em francês publicada pelo Cineblogywood

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Fúria de Titãs

Refilmagem de longa-metra­gem lançado em 1981 e dirigido por Desmond Davis, “Fúria de Titãs” (“Clash of the Titans”) estreia nos ci­nemas nesta sexta-feira, 21 de maio, e fala sobre a mitologia grega, a luta entre os homens e os deu­ses do Olimpo.

O diretor francês Louis Leterrier (de “O Incrível Hulk”) aponta as suas lentes para o começo de tudo, quando conta um pouco (em inglês) sobre a mitologia grega, mostra os homens derrubando a es­tátua em homenagem a Zeus, o deus dos deu­ses. Enquanto isso, no Olimpo, onde eles vivem, o pró­prio Zeus (Liam Neeson) reúne-se com os outros deuses para saber o que podem fazer para acabar com a revolta dos homens contra eles. E, em suas palavras, “os homens que desafiam os deuses serão punidos”.

Mas a história escrita pelos ro­teiristas Travis Beacham, Phil Hay e Matt Manfredi é contada a partir da visão e da vida de Perseu (Sam Worthington, o herói de “Avatar”), um semideus (uma vez que é filho de um deus, Zeus, e de uma mortal), que vê o seu suposto pai morrer pela mão de um dos deuses gre­gos e agora quer se vingar, ainda que não saiba que é filho do deus (e se recusa a aceitar).

A luta maior de todas, porém, se­rá contra o vilão Hades (Ralph Fiennes), irmão de Zeus, e que precisa do ódio dos ho­mens para ganhar força (ao contrário de Ze­us, que precisa do seu amor). A partir de então, Perseu, o nosso herói, sairá em busca da aventura que vai salvar a humanidade.

E está dado o início ao épico cheio de figuras mitológicas, como a mortal Medusa; o alado Pégaso; a guia Io (Gemma Arterton); Acrisius (Jason Flemyng) rei que se transforma em uma terrível criatura; Poseidon (Danny Huston), deus dos mares e irmão de Zeus e Hades; a princesa Andrômeda (Alexa Davalos), além de reis e rainhas que vi­vem na Grécia antiga (o longa, ali­ás, foi filmado em Tenerife, nas Ihas Canárias, e no País de Gales, e não na Grécia). E o espectador po­de­rá acompanhar, em três dimensões, toda a sua luta contra a fera Kra­ken, o gigantesco mons­tro com apa­rência de escorpião.

No papel de Zeus, Nee­son é ativo, nada de ficar sentado em um trono, com barba e cabelos bran­­cos. Do mesmo modo é Hades. Fiennes, que já fez o vilão Valdemort, na sé­rie “Harry Potter”, personifica bem o personagem, ao contrário do protagonista, pois lhe falta carisma, empatia e garra para encarar um personagem tão forte como o seu pede.

O mito do herói, sobre aquele que vive no seu mundo mas precisa trilhar outro, geralmente hostil e estranho, enfrentar desafios até receber um prêmio, uma vitória, está presente na obra, obviamente, mos­trando que Hollywood está repleta de roteiros como esses.

Além de a fita discutir poder (entre os deuses do Olimpo e na Terra, entre os mortais), “Fúria de Titãs” fala também sobre família, a falta que o pai faz para o garoto.

Depois de quase 30 anos após lançamento da primeira versão, a tecnologia ajudou nos efeitos especiais desta produção, mas a filma­gem não foi feita em 3D, tal como em “Avatar”, que utilizou câmera es­pecífica. O efeito final, ainda que a plateia precise utilizar os óculos especiais para assistir à obra, não é lá grande coisa. Isso porque a terceira dimensão, neste caso, não acrescenta nada ao filme – talvez só uma ma­neira de cobrar o ingresso mais caro.

“Fúria de Titãs” atualiza o filme feito nos anos 1980 e convida o pú­blico de hoje a conhecer a mitologia. Aqui, porém, não vou discutir sobre o que está certo e o que está errado na mitologia, uma vez que há alguns equí­vocos, mas quem estará falando a verdade, quando o assunto é algo de milhares de anos atrás? Por isso e por outros motivos, como falta de um roteiro consistente, persona­gens melhores desenvolvidos etc., não é preciso sair correndo para vê-lo no cinema. O filme pode esperar – ou ser esquecido, pois nem fará falta ao repertório.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Alice no País das Maravilhas

É comum diretores e atores trabalharem juntos em várias produções, principalmente quando o resultado é positivo. Basta lembrar de Woody Allen e Diane Keaton e Scarlett Johansson; Paul Greengrass e Matt Damon. E vários outros. Pela sétima vez, o diretor Tim Burton escala o ator Johnny Depp para protagonizar o seu filme. Depois de “Edward, Mãos de Tesoura” (1990), “Ed Wood” (1994), “A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça” (1999), "A Fantástica Fábrica de Chocolate" (2005), “Sweeney Todd – O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet” (2007), além da animação em stop-motion “A Noiva Cadáver” (2005), no qual um dos perso­nagens tem a voz dublada pelo ator, os dois estão juntos em mais uma produção com personagem estranho e nada convencional no longa-metragem “Alice no País das Ma­ravilhas” (“Alice in Wonderland”), que chega aos cinemas nesta sexta-feira, 23.

No épico de aventura e fantasia, Depp é o Chapeleiro Maluco que vive no mundo subterrâneo onde Alice (Mia Wasikowska) vai parar, já adulta, quando foge do pedido de casamento, uma vez que não concorda com a aristocracia inglesa onde vive. Como já esteve no local na infância, ela reencontra os amigos Coelho Branco (com voz de Michael Sheen), os irmãos Tweedledee e Tweedledum (Matt Lucas), Domindongo (voz de Barbara Windsor), a Lagarta (voz de Alan Rickman), o Gato Risonho (voz de Stephen Fry). Durante o passeio naquele mundo, Alice terá de encontrar seu destino e acabar com o reino de terror da Rainha Vermelha (Helena Bonham Carter), que sempre ordena que a cabeça de quem quer que seja e que atrapa­lhe o seu caminho seja cortada, e recuperar a espada da Rainha Branca (Anne Hathaway).

Embora a história já seja conhecida, uma vez que é baseada nos livros de Lewis Carroll, o longa criado por Tim Burton apre­senta um show de imagens coloridas (que poderão ser vistas nas versões 35 mm, 3D e Imax 3D, em um total de 400 cópias, sendo 80% dubladas e 20% legendadas), mas sem deixar que o visual sobreponha a história ou a interpretação competente dos atores ao vivo e das animações que se misturam com os reais.

Mesmo que a história tenha sido escrita por Carroll no final do século 19, permanece interessante até hoje, uma vez que tanto as personagens como toda a mise-en-scène mexe com a imaginação das pessoas e discute sobre amadurecimento e escolhas. Este, portanto, é um dos motivos de o conto de fadas permanecer vivo. E com a opção em três dimensões, ou seja, com o uso dos óculos especiais, o show de imagens fica ainda mais incrível.

Como não podia ser diferente, há a luta do bem contra o mal, mas mesmo as personagens boas são caricatas. Esse tipo, vale lembrar, é a especialidade da dupla Burton-Depp. O que se vê na tela, portanto, é uma reunião de esquisitices, um colorido sem fim, mas sobretudo uma história bem contada com um visual incrível.

Se Johnny Depp incorpora com des­treza seu personagem, assim como Helena Bonham Carter está impagável, o mesmo não acontece com a atriz responsável pela protagonista – lhe falta carisma. E não convence o espectador, é artificial demais.

Apesar dos problemas da fita, “Alice no País das Maravilhas” tem agradado, pois já conquistou, nos Estados Unidos, a maior bilheteria de abertura (de um filme que não é sequência) de todos os tempos, arrecadando US$ 116,3 milhões. Os investimentos de marketing, obviamente, contribuem para esse buchicho (até mais que a qualidade do filme, vale di­zer), e a história não vive apenas dentro da tela, mas também fora dela.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Toy Story 3D

Quinze anos após o lançamento do filme que revolucionou a animação no cinema, ele é relançado no formato tridimensional (aquele em que são necessários óculos especiais). Isso porque "Toy Story 3D" chega aos cinemas nesta sexta-feira, 26. Na semana seguinte, 5 de março, é a vez de estrear "Toy Story 2 3D". E tudo porque, em 18 de junho, será lançado o "Toy Story 3 3D".

Primeiro longa-metragem de animação 3-D produzido pela Pixar (e lançado antes de todos os demais estúdios), "Toy Story", de John Lasseter, conta a história do caubói Woody, que se sente ameaçado por seu dono, Andy, quando ganha de aniversário o boneco Buzz Lightyear, um patrulheiro espacial. Buzz, porém, não acredita ser um brinquedo, mas um patrulheiro de verdade, que caiu por acaso na Terra. Até que Andy resolve sair, mas só pode levar um brinquedo – e como Woody imagina que pode ser Buzz, e não ele, trata de jogá-lo pela janela.

A partir de então começa uma nova história, quando os dois iniciam uma disputa pela atenção do garoto, mas são esquecidos em um posto de gasolina e capturados pelo vizinho do menino, que adora destruir brinquedos. Além do caubói e do patrulheiro do espaço, há o Senhor Batata, os soldadinhos, o cachorro com mola, e muitos outros que, com certeza, já estiveram presentes na infância de muita gente.

Na época em que os estúdios começaram a falar em fazer um longa-metragem de animação, muitos tinham a intenção, mas a Pixar estava uma volta à frente de todos, acredita Chris Wedge, conforme depoimento dado à Karen Paik, autora do livro "To Infinity and Beyond!: The Story of Pixar Animation Studios".

Lançado em 1995, o diretor John Lasseter queria mostrar ao público algo que lhes era familiar, mas de uma maneira como as pessoas nunca tinham visto. Então, o diretor fez objetos inanimados fazerem o impossível – viver, se mover e sentir – de um modo que não apenas ficavam de verdade em sua natureza literal, mas sentiam a correta intuição.

Woody era para ser um boneco ventríloquo. Contudo, o diretor Bud Luckey perguntou a Lasseter se ele não tinha pensado em fazer o Woody um caubói. Na hora, Lasseter adorou a ideia e percebeu que seria o ideal, pois se tratava do contraste entre duas eras de brinquedos bacanas: o caubói e o homem do espaço. E também representava dois heróis americanos clássicos. Já Buzz foi criado a partir dos brinquedos do filho de Lasseter, mas também por conta de seu interesse pela Nasa nos anos 1960.

"Toy Story" traz à vida os bonecos de brinquedo das crianças, dando a eles sentimentos como ciúme, disputa, amor e mostra que os bonecos são criados com o único objetivo: fazer as crianças felizes e ser amados por elas.

Segundo filme
Na sequência, em "Toy Story 2", Andy segue para o acampamento de verão, enquanto seus brinquedos o esperam em casa. No entanto, Woody é roubado por um colecionador de bonecos. Quando os demais brinquedos descobrem, são liderados por Buzz Lightyear para planejar a estratégia de resgate.

Nesta aventura, além dos personagens do longa anterior, entram em cena a vaqueira Jessie, o cavalo Bala no Alvo e o Mineiro, que estão juntos para serem levados ao Museu do Brinquedo, no Japão. Enquanto está lá, Woody descobre que é um raríssimo boneco de uma série de televisão dos anos 1950. Ele também descobre que Jessie possuía uma dona, que a doou depois que cresceu.

Um dos destaques do filme é que John Lasseter conseguiu contar uma boa história utilizando os mesmos personagens e acrescentando outros. Como não precisou "perder tempo" fazendo apresentações tal como foi preciso no primeiro, o diretor aproveitou para explorar a ainda mais a narrativa.

A Disney preza pelas canções em seus filmes, pois elas são capazes de emocionar o público rapidamente. O diretor, entretanto, optou por não fazer tal como a Disney fez em "A Bela e a Fera", quando os personagens param de interpretar para cantar. Caso fizesse isso, o filme perderia o senso de realidade. Então, ele inicia uma música enquanto Jessie explica a Woody o seu relacionamento com sua ex-dona, e a canção emociona.

Novamente a técnica tem muito que dizer nesta produção, mas, como em outros filmes do estúdio, não é o suficiente: é a história que manda e mostra porque aquela técnica é utilizada – para contar uma história cativante, capaz de atrair o público de todas as idades.

Ainda que sejam dois ótimos filmes de animação, a Disney não realizou as sessões no formato 3D destinadas à imprensa antes da estreia no circuito comercial. Portanto, aqui não é possível descrever a sensação e a experiência em assistir ao longa-metragem em novo formato, ainda que com a mesma história e com os mesmos dubladores. No Brasil, as cópias serão todas em português, de maneira que não será possível conferir a performance de Tom Hanks no papel de Woody. Pena.

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A experiência (atualizado em 06/03)
Assisti ao "Toy Story 3D" e tenho que dizer que foi uma experiência incrível ver todos aqueles brinquedos em três dimensões e como o primeiro filme da Pixar de longa-metragem continua atual e divertido. Só ficou ainda mais a vontade de ver a terceira parte da criação de John Lasseter,.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Avatar

Pandora é o mundo localizado anos-luz da Terra e será o destino de pesquisadores humanos que pretendem ocupá-lo, bem como destruir os extraterrestres que lá vivem devido a um minério que só existe ali. Para tanto, porém, será necessário enviar espiões para que eles conheçam um pouco sobre seus costumes e, então, possam dar o bote. Resumindo, essa é a história de “Avatar”, longa-metragem que chega aos cinemas nesta sexta-feira, 18.

Com lançamento em formatos 35 milímetros e Imax, em versões dubladas e legendadas, 2-D e 3-D estereoscópico (que precisa de óculos especiais), a Fox Film coloca mais de 600 cópias nos cinemas brasileiros de seu maior filme neste ano. As versões 3-D também podem ser legendadas em português: as palavras ficam flutuando de um lado para o outro enquanto os atores se movimentam.

O diretor James Cameron, o mesmo de “Titanic” (1997), começou a pensar na história deste longa-metragem há 15 anos e demorou quatro para concluí-lo. Segundo ele, foi o seu maior desafio. Também autor do roteiro, Cameron idealizou uma história que se passa em 2154 e fala sobre um herói, Jake Sully (Sam Worthington), que embarca em uma aventura para salvar o mundo extraterrestre.

“Avatar” esbanja tecnologia e efeitos especiais em um espetáculo que só a tela grande pode proporcionar. Se for em 3-D e Imax, então, o sucesso está garantido. Será? Um dos pontos fracos para o longa, porém, é o roteiro convencional e extenso demais - são 160 minutos de duração. Os acontecimentos lineares não motivam o espectador a torcer pelos personagens, porque tudo é muito previsível.

A fita inicia-se com explicações de como a acontecerá a ida do ex-fuzileiro naval que se locomove com ajuda de cadeira de rodas para o mundo de Pandora. Como a atmosfera lá é tóxica, foi criado um sistema no qual os “condutores” humanos têm sua consciência ligada a um avatar, ou seja, um corpo biológico controlado à distância capaz de sobreviver nesse ar letal.

Os avatares são produzidos de DNA humano e dos nativos de Pandora, os Na’vi. Com a ajuda da cientista Grace (Sigourney Weaver), o avatar de Jake volta a andar. O problema, porém, é que ao invés de lutar contra, ele se envolve com a bela Neytiri (Zoë Saldana), e seus planos de destruir o povo vão por água abaixo, já que ele passa a viver a rotina dos Na’vi.

Após as apresentações dos dois mundos, o roteiro de Cameron parte para o clímax: a batalha final será a verdadeira luta entre o bem e o mal; os extraterrestres que dizem ter uma forte ligação com a natureza contra os humanos exploradores. Além das lutas, o diretor aproveita para inserir críticas com relação à natureza, sobre o que o homem tem feito para destruí-la durante sua existência. E agora sentimos os reflexos. “Avatar” mostra isso. Mas também conta quem foi o vencedor nesta batalha.

A tecnologia é, sem dúvida, um dos destaques positivos, que, dependendo do espectador, pode não se interessar pela história propriamente dita, mas sim pelo espetáculo visual. E esse sim foi uma grande preocupação de Cameron, que utilizou o sistema de “captura de performance facial baseada na imagem” usando uma câmera posicionada na cabeça para gravar com precisão as nuances do desempenho facial dos atores. Os avatares são criaturas azuis, gigantes, que nenhum ator poderia interpretar. Aí entra justamente a técnica inovadora. Há também cenas captadas com a câmera virtual, com imagens filmadas dentro do mundo gerado pelo computador. Ainda assim, cada folha da árvore, cada inseto parecem de verdade.

“Avatar”
traz mais uma inovação para no quesito “cinemão”, com tecnologia de ponta para mostrar cenas cada vez mais reais, com excelente qualidade e resolução, além do 3-D, que permite uma experiência incrível na sala do cinema (prepare-se para ver muita gente tentando pegar insetos no ar!).

No entanto, o principal propósito do cinema, que é contar uma história relevante, esta está longe de estar presente nesta produção. A música alta e incessante da trilha sonora também conta como ponto negativo, afinal não se valoriza nada, porque sempre há um fundo sob os diálogos. Evolução mesmo seria reunir esses dois pontos: excelente história com perfeito acabamento. A união perfeita, porém, é para poucos cineastas.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Up - Altas Aventuras

Primeiro longa-metragem da Pixar (estúdio responsável por "Procurando Nemo", por exemplo) a ser lançando em 3-D, ou seja, cuja exibição exige que a plateia utilize óculos especiais, "Up - Altas Aventuras" ("Up") foi apresentado pela primeira vez na abertura do Festival de Cannes, em maio deste ano.

A animação em longa-metragem que estreia nesta sexta, 4, conta a história de Carl Fredricksen (dublado em português por Chico Anysio), um vendedor de balões de 78 anos que começa a lutar contra os investidores por conta da casa onde sempre morou. Isso porque eles querem comprá-la para construir mais um edifício no local.

Contudo, Carl é sentimental demais para ceder à pressão do capitalismo. A casa que conserva foi cenário do ninho de amor que construiu ao lado de Ellie, sua paixão desde a adolescência, pessoa com quem compartilhava os sonhos de aventura de um dia, enfim, conhecer as Cachoeiras do Paraíso, na América do Sul.

Tal como a animação "Wall-E" (lançada em 2008), que pode ser classificada também como ficção científica e comédia romântica, a trama de "Up - Altas Aventuras" começa como romance, mas logo após a primeira parte vira drama. É quando Ellie adoece e morre, deixando Carl desolado, mas ao mesmo tempo com forças para colocar em prática o seu sonho de voar.

A partir de então, o longa-metragem de animação criado por Pete Docter (o mesmo de "Monstros S.A.") passa a ser uma aventura liderada pelo velho, que resolve o problema de tirar a sua casa do terreno cobiçado pelos investidores ao amarrar milhares de bexigas nela e fazê-la flutuar, tal como se estivesse, de fato, dentro de um balão.

Pouco antes de ele ter essa brilhante ideia, porém, bate à sua porta um menino de oito anos, Russell, que se diz explorador da natureza e, portanto, quer ajudar o idoso a atravessar a rua, cortar a grama do seu jardim, o que for, a fim de ganhar mais um distintivo em seu colete. A maior descoberta de Carl é que, assim que a casa parte para os ares, alguém bate novamente à sua porta e pede para entrar.

Embora ele seja ranzinza e reclamão (os trejeitos e os sons que emite em protesto, aliás, lembram os mesmos resmungos de Clint Eastwood, em "Gran Torino"), e prossiga vivendo de lembranças, já que Ellie continua presente – nas fotos colocadas nas paredes e nas estantes da casa, no caderno onde escreve desde criança as suas aventuras, na poltrona onde costumava se sentar –, inclusive em termos musicais, já que a trilha sonora que se repete quando ela aparece subliminarmente como personagem do filme, sua vida dá uma guinada e, no caminho da aventura, enfrenta o mal e seus próprios defeitos, conhece gente nova, convive com o garoto que poderia ser o neto que nunca teve, faz amigos bichos, como o cachorro falante Dug e o pássaro gigante Kevin.

De acordo com o material de divulgação para a imprensa, uma das tarefas mais difíceis no filme foi criar o conjunto de balões que leva a casa de Carl. "Era importante para o filme ter uma simulação realista dos balões. Os balões se comportam de forma realista, embora a noção de ser capaz de erguer uma casa com balões seja bastante absurda. Nós não somos físicos, mas um de nossos diretores técnicos calculou que seriam necessários de vinte a trinta milhões de balões para conseguir erguer a casa de Carl. Nós acabamos usando 10.297 para a maior parte das cenas em que a casa flutua e 20.622 quando ela decola. O número varia de tomada para tomada, dependendo do ângulo, da distância e do tamanho, de forma que fique interessante, convincente e visualmente simples", diz Steve May, supervisor e diretor técnico do filme.

Com a utilização da técnica tridimensional para construir a animação, é possível observar os avanços do estúdio na construção dos personagens, da riqueza de detalhes dos pelos, das peles, das roupas etc. E também do 3-D, que com a utilização dos óculos especiais é possível perceber alguns elementos saltarem da tela, mas o espectador tem principalmente a ilusão de profundidade nas cenas aéreas, que são deslumbrantes e contam com cenários incríveis.

"Up - Altas Aventuras" não é o melhor filme da Pixar, no entanto, há de se dizer que se trata de uma produção bem-feita, que utiliza alta tecnologia para o desenvolvimento dos personagens animados por computador, com senso de humor peculiar, principalmente por conta do humor ácido do protagonista que se contrapõe à inocência da criança, e conta uma história emocionante do início ao fim.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Força-G

Seguindo a tendência de Walt Disney (o criador) em propor um cinema de entretenimento para a família toda, o novo lançamento do seu estúdio é "Força-G" ("G-Force"), longa-metragem que estreia no Brasil nesta sexta-feira, dia 14 de agosto, e que, em sua estreia nos Estados Unidos, dia 24 de julho, rendeu US$ 32,1 milhões (segundo o Filme B), tirando "Harry Potter e o Enigma do Príncipe" do topo da lista.

Dirigido por Hoyt Yeatman, especialista em efeitos visuais, "Força-G", que teve como ponto de partida uma sugestão de seu filho de seis anos, enfoca as aventuras de agentes do governo nada convencionais. Isso porque o grupo é formado por porquinhos-da-índia supostamente modificados geneticamente. E, além de haver a inclusão de efeitos especiais capazes de fazer esses bichinhos manipularem os mais avançados equipamentos de espionagem (como radiocomunicadores, binóculos, computadores etc.) fabricados com tecnologia de ponta, há personagens humanos que atuam como cientistas (do lado do bem) e empresários (do lado do mal).

Mais uma vez, o cinema aposta na mistura de live-action (ao vivo) com animação (tal como "Uma Cilada para Roger Rabbit"), além de incluir a tecnologia 3-D, que permite ao espectador ver as imagens como se elas estivessem saindo da tela. Vale lembrar que apenas as cenas de animação foram convertidas para esse formato, enquanto que as imagens dos atores reais continuam intactas. E há também cópias sem esse efeito.

A equipe de agentes é formada por Darwin (o líder), Blaster (especialista em armas), Juarez (profissional em artes marciais), Mooch (especialista em reconhecimento) e a topeira Speckles que possui um defeito na visão, mas é especialista em informação.

Embora os personagens sejam dublados por atores como Penelope Cruz, Nicolas Cage, Jon Favreau, entre outros, as cópias que teremos no Brasil são dubladas em português. No entanto, os atores que completam as cenas live-action são: Zach Galifianakis, Kelli Garner, Bill Nighy, Chris Ellis, Travis Davis.

Além de ter sido dublado, o longa foi também adaptado de modo que os diálogos são engraçados, formados por gírias familiares, principalmente quando a piada é acompanhada da imagem, como quando a agente Juarez aparece como se estivesse participando de um comercial de shampoo e, em câmera lenta, sacode os pelos! Ou quando eles se paqueram, tiram sarro do modo como vivem etc. Há também o momento em que os eletrodomésticos ganham vida, cena que rapidamente remete a "Transformers 2 - A Vingança dos Derrotados".

Enquanto tentam descobrir o que a empresa do mal está tramando para dominar o mundo, os porquinhos-da-índia se camuflam e vão para território inimigo. Então, são capturados e levados para um pet shop, onde vão conviver com outros animais.

"Força-G" não pode ser tratado como uma obra-prima, mas como uma experiência de ir ao cinema com a família toda e se divertir, tal como uma boa sessão da tarde.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Up - Altas Aventuras

Depois de ser apresentado na abertura do Festival de Cannes deste ano, "Up – Altas Aventuras" estreou nos Estados Unidos e em alguns países da América Latina, onde, aliás, assisti, uma vez que, no Brasil, o lançamento da Pixar chega apenas em 4 de setembro.

Primeiro longa-metragem do estúdio a ser lançando em 3-D (embora outros estúdios já o tenham feito, como a DreamWorks, com "Monstros vs Alienígenas" e a Blue Sky, com "A Era do Gelo 3"), ou seja, cuja exibição exige que a plateia utilize óculos especiais, "Up – Altas Aventuras" conta a história de Carl Fredricksen, um vendedor de balões de 78 anos que, depois de lutar contra os investidores por conta da casa onde sempre morou desde que se casou com Ellie, resolve o problema quando amarra milhares de balões em sua casa e a faz flutuar, tal como se estivesse, de fato, dentro de um balão viajando para as florestas da América do Sul.

Pouco antes de ele ter essa brilhante ideia, porém, bate a sua porta um menino de oito anos, Russell, que se diz explorador da natureza e, portanto, quer ajudar o idoso a atravessar a rua, cortar a grama do seu jardim, o que for. A maior descoberta de Carl é que, assim que a casa parte para os ares, alguém bate novamente a sua porta e pede para entrar.

Tal como "Wall-E" (filme lançado em 2008), que pode ser classificado (além de cinema de animação, cinema de gênero) como ficção científica e comédia romântica, "Up – Altas Aventuras" é uma animação que se divide entre o drama e a comédia. O drama fica explícito no início quando o protagonista, que está apaixonado por sua esposa que nunca conseguiu ter filhos, adoece e morre. Sozinho na casa em que os dois moraram desde que se casaram, ele vive a rotina desgastante lutando contra os investidores que insistem em comprar a sua casa para derrubá-la e dar lugar a mais um empreendimento imobiliário, ouvindo o barulho da vizinhança, dizendo não ao insistente menino que quer ajudá-lo seja no que for preciso.

Embora ele seja ranzinza e reclamão, e prossiga vivendo de lembranças, uma vez que Ellie continua presente – nas fotos colocadas nas paredes e nas estantes da casa, no caderno onde escreve desde criança as suas aventuras, na poltrona onde costumava se sentar –, inclusive em termos musicais, já que a trilha sonora que se repete quando ela aparece subliminarmente como personagem do filme, sua vida dá uma guinada quando vai viajar para a América do Sul a bordo de sua casa e, no caminho, enfrenta o mal e seus próprios defeitos, conhece gente nova, convive com o garoto que poderia ser o neto que nunca teve, faz amigos bichos, como o cachorro falante Dug e o pássaro gigante Kevin, ajuda a natureza e, então, o drama vira comédia, vira aventura, ação. Como se diz um explorador da natureza e por ter freqüentado curso de escoteiro, Russell mostra a Carl o que é um GPS, ajuda-o a manobrar a casa, a literalmente carregá-la nas costas, a ver a vida por outro ângulo que não conhecia.

De acordo com o material de divulgação para a imprensa, uma das tarefas mais difíceis no filme foi criar o conjunto de balões que leva a casa de Carl. “Era importante para o filme ter uma simulação realista dos balões. Os balões se comportam de forma realista, embora a noção de ser capaz de erguer uma casa com balões seja bastante absurda. Nós não somos físicos, mas um de nossos diretores técnicos calculou que seriam necessários de vinte a trinta milhões de balões para conseguir erguer a casa de Carl. Nós acabamos usando 10.297 para a maior parte das cenas em que a casa flutua e 20.622 quando ela decola. O número varia de tomada para tomada, dependendo do ângulo, da distância e do tamanho de forma a que fique interessante, convincente e visualmente simples”, diz Steve May, supervisor e diretor técnico do filme.

Ainda no material de divulgação, John Lasseter, que novamente é produtor executivo deste décimo lançamento do estúdio, diz que, “junto com o humor, é preciso ter emoção”. “Walt Disney sempre disse: ‘Para cada riso, deve haver uma lágrima.’ Eu creio nisso.” Para o público que está se divertindo na platéia com os óculos especiais e vendo a animação por computador mais perfeita do que nunca e, em alguns momentos, com imagens bem próximas de si, fica a lição para levar para a casa e pensar que a felicidade pode estar nas coisas mais simples, ainda que não tenhamos a vida que sonhamos.

"Up – Altas Aventuras" não é o melhor filme da Pixar (em minha opinião, "Wall-E" continua sendo o primeiro), mas há de se dizer que trata-se de uma produção bem-feita, que utiliza alta tecnologia para o desenvolvimento dos personagens animados por computador, com pele, cabelos e roupas perfeitos, com senso de humor peculiar, principalmente por conta do humor ácido do protagonista que se contrapõe com a inocência da criança, e conta uma história emocionante do início ao fim.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Harry Potter e o Enigma do Príncipe

Desde o primeiro minuto do dia 15 de julho, a sala Imax do Shopping Bourbon Pompeia começou com o grande movimento por conta da estreia do longa-metragem "Harry Potter e o Enigma do Príncipe" ("Harry Potter and the Half-Blood Prince"), o sexto da franquia em uma versão inédita: Imax 3-D. Ou seja, além das exibições tradicionais (com cópias dubladas e legendadas), o único cinema Imax do país exibe uma cópia especial.

Para se ter uma ideia, mais de 270 mil ingressos foram vendidos em pré-estreia para sessões do filme a partir de 0h01, recordes para os grupos Cinemark, Grupo Severiano Ribeiro e Moviecom. Nos Estados Unidos, cuja estreia aconteceu no mesmo dia, o filme teve a melhor abertura para sessões neste horário, arrecadando cerca de US$ 22,2 milhões, segundo estimativas iniciais da Warner Bros., superando os US$ 18 milhões de "Batman - O Cavaleiro das Trevas".

Trata-se da primeira vez que um filme live action (ao vivo) traz essa tecnologia ao cinema brasileiro. Embora no início do ano "Batman - O Cavaleiro das Trevas" tenha sido exibido em Imax (inclusive com cenas filmadas com equipamento especial para essas imagens), elas não eram em três dimensões. O longa dirigido por David Yates, porém, foi remasterizado digitalmente e a sequência de abertura (somente ela, ou seja, menos de 30 minutos do filme) foi convertida para 3-D com a tecnologia The IMAX Experience.

Da poltrona do cinema, o espectador poderá conferir, com o uso dos óculos especiais, na tela de 21 metros de comprimento por 14 metros de altura, a história do livro escrito por J.K. Rowling. No início, aliás, as imagens começam mostrando Londres e, com uma câmera rápida, Yates coloca o espectador dentro do filme e o leva para viajar junto com ele sobrevoando o rio Tâmisa e os principais pontos que o rodeiam, com os Comensais da Morte derrubando gente e virando a Ponte do Milênio, por exemplo. Neste momento, a diversão é garantida e a experiência do cinema com aquela qualidade é perfeita.

No entanto, antes da primeira meia hora do filme (que tem um total de 150 minutos de projeção), um sinal mostra que já se pode retirar os óculos e acompanhar normalmente a volta às aulas de Harry Potter (Daniel Radcliffe) e seus amigos Rony Weasley (Rupert Grint) e Hermione Granger (Emma Watson) na escola de magia Hogwarts. A aventura desta edição envolve principalmente o professor e diretor Alvo Dumbledore (Michel Gambon), que precisa preparar Harry para os próximos episódios, já que ele é o escolhido. Então, o bruxo terá de se aproximar do professor Horácio Slughorn (Jim Broadbent) para descobrir como foram as conversas que ele teve com o aluno Tom Riddle, aquele que mais tarde mudou o nome para Lord Voldemort, enquanto ele ainda era uma criança (neste filme interpretado por duas: Hero Fiennes Tiffin e Frank Dillane).

Outra situação a ser resolvida é o mistério que envolve Draco Malfoy (Tom Felton) e o professor Severo Snape (Alan Rickman), além dos Comensais da Morte Belatriz Lestrange (Helena Bonham Carter, ótima!) e Fenrir Greyback (Dave Legeno).

Ter a experiência de assistir ao filme na tela gigante e ainda em três dimensões é excelente. Porém, não compensa o fato de ter de ver os atores que conhecemos desde o primeiro filme, lançado em 2001, terem as suas vozes substituídas por dubladores cariocas. A diferença na edição perde um pouco em dramaticidade e em verdade na interpretação. Aos que não se incomodam em não ouvir as vozes originais, essa pode ser uma boa opção.

Quem não leu o livro vai descobrir que o filme termina da pior maneira possível, contudo deixa um gancho para a sequência. O sétimo e último livro da série, "Harry Potter e a Relíquia da Morte", já foi lançado e a história sobre ele será contada no cinema em duas partes, cujas estreias foram marcadas para 2010 e 2011. Aguarde, se for capaz de esperar.