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segunda-feira, 9 de junho de 2008

Marcelo Tas

Entrevista de junho da revista METROPOLIS. Como ela foi sacrificada por conta do espaço, aqui está o bate-papo na íntegra.
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O irreverente Marcelo Tas

Ele já passou por diversos canais de televisão. Além de jornalista, Marcelo Tas é roteirista, apresentador e diretor de televisão e ainda mantém um blog na internet. No entanto, sua primeira formação universitária é em engenharia civil, embora ele nunca tenha exercido. “Para a felicidade das pessoas que passam embaixo de pontes”, diz ele, reforçando o clima de descontração do bate-papo que aconteceu na sede da Band, em São Paulo, pouco antes de ele ancorar, ao vivo, o programa “CQC”.

O “Custe o que custar”, aliás, estreou em março e tem atraído cada vez mais audiência e seguidores que buscam irreverência na televisão trazida por esses sete homens de preto. Tas, que tem 25 anos de experiência em TV, ficou muito conhecido como o repórter Ernesto Varela, personagem criado nos anos 1980, que também teve uma incursão na rádio 89FM no início de 2000.

Nesta entrevista, ele conta um pouco sobre como era este repórter, como está sendo o desafio de fazer um programa como ele nunca tinha feito, suas preferências, sua visão a respeito da televisão... Enfim, melhor que esta repórter ficar descrevendo como foi a conversa, é você, caro leitor, conferi-la de perto com os próprio olhos.

Muita demanda para entrevistas com você depois do CQC?
Tá uma loucura.


Mas você está feliz?
Eu estou. Engraçado, porque eu andava muito desatento com a TV aberta. Eu mesmo como telespectador, eu estava assistindo pouco. Mas eu amo televisão, então eu redescobri o prazer de fazer.


Você achava que a TV estava chata?
Achava. (risos)


Chata como?
Olha, sem muita novidade, com as mesmas coisas há muitos anos, sem grandes provocações, sabe? Tanto que o que eu assisto são os telejornais, uma forma de consumir informação. Mas na linha de show, de entretenimento, do que me deixa mais querendo ver o que eles vão fazer na semana que vem, por exemplo, eu não tinha, não estava vendo nada.


E o “CQC” veio para cobrir esse buraco?
(Risos) Então, eu atualmente estou gostando não apenas de fazer mas também de ver o “CQC”. Está me dando prazer de ver televisão, de ver os meninos, de trabalhar com essa equipe.


Li que você assiste ao CQC há mais de 10 anos. O que mais te chamou atenção no programa?
A ousadia é o que mais me chama atenção, a imaginação das perguntas, as situações, a rapidez, a elegância também, porque sempre me chama muito atenção o programa que pega pesado com autoridades, mas com elegância.


Lembra o Ernesto Varela?
Tem muita a ver. Por isso que eu conhecia eles, inclusive, eles conheciam o Varela, a gente trocou algumas figurinhas.


Como surgiu o convite para fazer parte do elenco do programa?
De sopetão, total. A Elisabetta Zenatti, nossa diretora artística, me colocou dentro da sala dela e disse: tem que ser você, acho que tem tudo a ver... Foi muito rápido mesmo, minha decisão levou menos de uma semana.


Você participou da contratação do restante da equipe, como foi? 
Quando eu cheguei, boa parte da equipe já estava fechada, mas eu participei de um fechamento, dei alguns palpites no que faltava. O Diego que é o nosso diretor, ele tem conhecimento nesse tipo de processo. Ele já fez isso em diversos países, então eles estavam muito seguros no que eles estavam fazendo. Eu botei muita casca de banana no meio do caminho para checar se era aquilo mesmo e eles responderam de um jeito muito firme. Mas eu sou muito Caxias, então eu quis fazer muitos pilotos, eu pedi para fazer. Para testar bastante, pra ver se eu ia me sentir seguro, se o programa iria funcionar comigo.

Mas você tem experiência com TV...
Este ano estou completando 25 anos de TV, mas esse tipo de trabalho eu nunca tinha feito, de ancorar, de bancada, é bem diferente, e de comentar a notícia ao vivo. Toda semana é diferente.


Está sendo uma experiência bacana?
Está sendo muito legal. Eu tinha feito o “Vitrine” que era ao vivo, a parte do ao vivo eu já tinha experiência.


Era bem descontraído também?
Era também, mas era uma coisa temática, não era um programa de notícias. O que a gente faz aqui é diferente, porque cada semana é uma coisa, é impressionante. Depende muito da semana. Quando o Lula foi para a não sei onde, a gente foi; fomos fazer a cúpula da América Latina no Peru e conseguimos um furo. Por causa daquele furo a gente teve, por incrível que pareça, muitos problemas. E a presidência da república não entendeu como a gente conseguiu aquela informação. E quem conseguiu aquele encontro foi a presidência da república brasileira. Então eles vieram saber o que a gente estava preparando. Eu repondo pelo programa, então tive que ir falar com o presidente, contar um pouco do programa, discutir. É um trabalho que exige experiência para conversar com essas pessoas e mostrar o que a gente está fazendo, que não é um programa irresponsável, embora às vezes pareça. Mas é um programa muito bem planejado. A gente tem uma equipe de apuração de notícia, uma redação.



Por enquanto, você poderia destacar momentos especiais que esteve envolvido neste programa?
É engraçado porque esse papel de âncora funciona como se fosse uma embaixada do programa junto às autoridades (risos). Desde o primeiro programa, presidente da Sabesp, presidente da República, com a prefeitura. Essa, pra mim, é uma posição nova. Minha função é mais de bombeiro que de incendiário, como era com o Varela. E rolaram cenas engraçadas de eu ter de falar com a presidência. E eu falando, eles acham que eu sou o Varela, e eu tento explicar para eles que nós não vamos desrespeitar o presidente. E como eu fico no centro da bancada, o programa fica com a minha cara e eu tenho que cumprir um ritual, que é engraçado. Com os meninos, no início eles tentaram me colocar em uma posição que eles admiravam e isso acabou. Hoje a gente é uma equipe mesmo, a gente tem troca muito boa. Mas é muito legal, porque estou fazendo um programa ao vivo que tem um roteiro, mas tem também muita improvisação e muita mudança no programa. Cerca de 60% do programa já foi alterado na hora. Tem uma tarefa que é muito arriscada, mas é muito gostosa, que é saber o que vai acontecer com esses dois caras que são de teatro e são muito bons e estão chegando na TV com essa bagagem; e eu tenho uma experiência bem menor de teatro, mas sei mais de TV. Há uma complementaridade entre nós. É muito divertido,


Você disse que não vai desrespeitar a presidência, que existe muito respeito. Qual é o principal lema do “CQC”?
O “CQC” está correndo atrás de entender a notícia e a gente acredita que é possível entendê-la com o humor. O humor é uma maneira de você fazer com que essa inundação de informação que a gente vive faça algum sentido. Uma coisa que eu acredito muito: as coisas do “CQC” gravam na cabeça das pessoas que eu fico impressionado. Até hoje tem gente comentando o que a gente falou no primeiro programa e estamos no 11º. Isso é uma loucura. É muito difícil você se lembrar o que passou no “Fantástico” de um mês atrás. Tem comunidades no Orkut de frases que a gente fala no programa. É um resultado muito revelador. Essa combinação de jornalismo com humor é muito poderosa e faz a gente atingir de um jeito mais profundo.


Agora vão estrear novos quadros, quais são?
Nós temos vários quadros novos que vão entrar o tempo todo. O Repórter Inexperiente está quase no fim. Hoje (dia 26 de maio) entra o Teste de Honestidade. E haverá outro que já gravamos, mas não posso falar ainda, mas é muito legal.


Como é o Teste de Honestidade?
É uma situação que a gente coloca as pessoas, às vezes normais ou autoridades, para testar se elas vão ser honestas até o fim. É muito legal. A gente vive falando mal dos políticos e o quadro mostra um lado complicado que todos nós temos que é não cumprimos com o que a gente fala. (risos) É um jeito legal de reverter o esteriótipo de que o Brasil não dá certo por causa dos políticos. Tem uma velhinha que não quer devolver um celular que não é dela e só devolve com a polícia e ela é obrigada a devolver. Inclusive ela reconhece o “CQC” e diz que assiste ao programa. Mas ela ia ficar com um celular que não era dela.


Você sente falta do repórter Ernesto Varela?
Eu não sou saudosista, sabe? Até porque pra mim o Varela ainda não me deixou, ele é muito próximo de mim.


Ele foi ao ar nos anos 1980?
Sim. Anos 1980.


E na rádio 89FM?
Em 2000 e 2001. E eu fiz agora duas temporadas no teatro, 2005 e 2006, que foram duas temporadas absolutamente lotadas, em São Paulo e Rio, e fiz um pouco de Curitiba, Salvador e Recife. Não consegui continuar por falta de tempo. Eu tenho esse desejo de retornar uma temporada com o Varela no teatro.


Você poderia contar um pouco sobre como era fazer este repórter?
O Varela fazia perguntas inesperadas, e nesse sentido é muito parecido com o “CQC”, e cobria os eventos que os outros jornalistas estavam cobrindo.


Como ele nasceu?
Ele nasceu da minha inabilidade de fazer televisão. A gente estava começando a fazer televisão, era um grupo chamado Olhar Eletrônico.


E tinha o diretor Fernando Meirelles?
Fernando Meirelles, Paulo Morelli, Renato Barbieri, Marcelo Machado, um grupo de figuras que hoje todos são diretores, documentaristas etc. E ninguém era especialista em TV.


Vocês se conheceram na USP?
A gente se conheceu na USP. Cada um fazia uma coisa. Eu fiz engenharia e jornalismo. O Fernando fez arquitetura, o Renato fez filosofia o Tonico Melo fez rádio e TV na Faap. Era uma coisa meio variada, mas o que nos unia era a vontade de fazer uma televisão diferente. A gente fez umas coisas muito estranhas, muito experimentais. Fiquei atraído por aquele jeito esquisitão de fazer audiovisual, vídeo. Como a gente nunca iria fazer bem o jornalismo tradicional, surgiu essa maneira um pouco canhota de fazer o Varela, um repórter meio desajeitado, ingênuo. Aos poucos fomos aperfeiçoando ele, fizemos coisas maiores, fizemos algumas séries, gravamos na Rússia, em Cuba, em Nova York, fizemos Copa do Mundo.


A política brasileira sempre foi um prato cheio para o Varela, continua sendo para o “CQC”?  
Também. Ele tem uma pegada muito forte em política e também tem uma coisa relacionada à cidadania, que é o Proteste Já, um quadro que checa o que não está funcionando no nosso direito de cidadão.

Vocês fazem as perguntas que a gente gostaria de fazer?
Isso ou investiga aquilo que você gostaria que fosse investigado.


O Varela perguntou para o Maluf se era verdade que ele era corrupto.
Exatamente.


Como foi, a pergunta surgiu na hora?
Não, o Varela também tinha muita preparação e muito improviso. Eu estava preparado, e no dia eu estava preparado para fazer muitas perguntas. Mas ele admitia apenas uma pergunta. Ele dizia (imitando a voz do Maluf) “Não tenho tempo, tenho tempo para apenas uma pergunta”. E eu fiz a única pergunta que ele não respondeu até hoje. Ele está com problemas até hoje para responder essa pergunta.


Sobre o Meirelles, você acompanha o trabalho dele?
O Fernando é um cara muito talentoso, um cara que redescobriu o cinema brasileiro, tirou o véu, revelou uma nova etapa e que ainda tem muito pra mostrar. Eu conheço muito bem o Fernando, a gente se relaciona pessoalmente até hoje, nossos filhos se conhecem, a gente se encontra muito, e o Fernando é um cara que tem uma carreira muito grande pela frente, ele está só no começo, por incrível que pareça. Ele ainda vai nos dar muito susto. Eu tenho certeza disso.


Você escreve o Blog do Tas desde agosto de 2003 e no Twitter (miniblog) há um ano. Como você se relaciona com a internet, o que ela te devolve?
Hoje ela me devolve o principal do meu trabalho, é onde eu recebo a resposta da audiência com qualidade. As pessoas na internet me criticam de uma maneira muito aberta. Eu sempre recebi qualquer tipo de crítica, até as mais agressivas, porque acho que é uma maneira legal de você permanecer sempre inovando. Se você deixa as suas conquistas ficarem cristalizadas em um quadrinho na parede e submete elas a uma saraivada de críticas, pauladas e pedradas, isso te rejuvenesce. Se você souber ouvir, acho que você consegue um constante aperfeiçoamento naquilo que você faz.


No Twitter você pediu dicas dos tuiteiros já que você passaria um dia livre em Buenos Aires. Você recebeu alguma resposta?
Eu recebo por e-mail às vezes. As pessoas ficam tímidas de colocar no Twitter. O Twitter funciona como uma espécie de radar. A pessoa sabe onde você está. O Twitter não é uma coisa de público em geral, é mais de trabalho. Uso o Twitter para acompanhar o que alguns colegas estão fazendo. E acredito que eles fazem o mesmo comigo. O fato de eu ter ido a Buenos Aires desperta a curiosidade de entender qual é o projeto que estou indo fazer lá, e de repente o que eles podem fazer comigo lá. Eu acho muito legal o Twitter.


O que mais você usa na internet?
Uso o MSN Messenger para trabalhar, mas muito pouco.





Você não é um viciado, então?
Acho que a gente vive hoje dentro da internet e procuro usar isso de uma maneira não apenas séria, de trabalho. Acho que a gente não pode ficar afogado no meio dessa confusão, ou deixar que a internet te deixe pastoso, ou bêbado, ou igual quando você fica na televisão zapeando, navegando sem rumo. A internet exige uma disciplina para você não jogar tempo no lixo.

A irreverência sempre foi utilizada em seus trabalhos. Essa característica sempre fez parte de sua personalidade ou você cultivou para o trabalho?
Eu acho que fui aprendendo a conviver com isso, mas acho que existe desde criança. Também nunca fui o palhaço da classe, mas sempre andei com eles e sempre tive uma função muito importante dentro daquele grupo que estava sempre aprontando alguma coisa.


E qual era essa função?
Eu era mais o estrategista (risos). Teve uma vez no quarto ano primário, que a gente estava naquela época de ensinar, e tinha uma farmácia dentro da nossa classe. As pessoas podiam usar aquilo com consciência, para entender para que serviam os remédios. Em um belo dia, nós tivemos um plano e eu peguei os remédios e distribuí para esse grupo e nós tomamos esses remédios da farmácia. Uma coisa muito perigosa. Foi todo mundo para a diretoria e eu fui uma espécie de pastor que distribuía esses remédios. E minha condição foi fiscalizar todo mundo vomitando, porque tinha que sair o remédio de dentro de todo mundo.


Você já trabalhou em diversas emissoras, como Globo, Cultura, Record, SBT, Play TV, MTV, agora está na Band. Você poderia fazer uma rápida avaliação da televisão brasileira?
A TV brasileira é muito criativa e o público brasileiro é exigente. A avaliação que eu faço é que hoje a TV não oferece tudo o que esse telespectador exigente quer. Acho que ele gostaria de mais ousadia, mais irreverência, mais surpresas. Acredito que o público está cansado de ver coisas muito parecidas.


Fica uma disputa de audiência e está todo mundo fazendo a mesma coisa.
Exatamente. Todo mundo se copiando. As novelas, por exemplos, eu não consigo diferenciar um cenário de uma novela para outra. Parece que foram feitos na mesma fábrica. É incrível, eu acho isso muito pobre, apesar de ter melhorado a qualidade, da luz, da maquiagem, do figurino, do cenário. Mas ta tudo muito parecido, eu acredito que o público gostaria de mais.


Você acredita que exista exploração da notícia? Caso Isabella, por exemplo.
Os programas apelativos não são privilégio da televisão do Brasil, infelizmente. É uma coisa disseminada pelo mundo. Mas tenho certeza que isso não garante futuro a nenhuma emissora de televisão. Se garantisse, o Silvio Santos não estaria nessa crise, por exemplo. Ele já usou todo o repertório de apelação, como Sergio Malandro, colocou o povo na TV. “Aqui Agora”, Ratinho. Voltou para o “Aqui Agora”, o Ratinho está lá meio desempregado. Isso não resolve nada. Causa um impacto momentâneo, pode dar um pico de audiência, mas a longo prazo você não conquista o telespectador. Para conquistá-lo, você precisa tocá-lo de uma maneira mais ampla e profunda, com humor, drama, emoção, e essa emoção do impacto sensacionalista é muito volátil. Uma menina ser atirada de um prédio, claro, é uma coisa muito grave e vai atrair a atenção de todo mundo, porque é uma coisa muito chocante. Mas a exploração contínua disso vai diluindo e chega uma hora que aquilo não tem mais importância, que você banalizou a importância daquilo. Há outras maneiras de você criar o drama. Shakespeare sabe muito bem como fazer isso e está há 500 anos dando Ibope, tem filmes, novelas que são dramas shakesperianos. Eu prefiro seguir Shakespeare que seguir o mundo cão, porque ele durou mais. Ele vai fundo no drama e na comédia humana.


Como você se mantém informado? O que lê, o que assiste?
Eu leio bastante, leio de tudo. Revistas, jornais, muitos blogs na internet, procuro ter sobre o negócio da comunicação, então leio revistas sobre o mercado publicitário, de tecnologia que é outra coisa que eu acompanho e gosto de entender para onde estamos indo nessa confusão. E leio livros também, porque acho que é o que nos dá um conhecimento a longo prazo mais sólido.


Você está lendo um agora?
Eu terminei de ler “A Árvore do Conhecimento”, um neurocientista e um biólogo. Chilenos, Humberto Maturana e Francisco Varela, parente do Ernesto Varela. Eles fazem uma metáfora do nosso cérebro com essas transformações digitais. E li o livro de um repórter que trabalhava na Vanity Fair, a revista americana. Um cara muito irreverente, inglês, Toby Ian, que foi demitido da revista. O livro é algo assim: “Como Estragar a sua Carreira”. E é um jovem repórter inglês que se meteu no mundo editorial de Nova York e saiu detonando tudo e foi demitido depois de um ano e conta os bastidores da mídia. É muito engraçado.

Você trabalha todo dia?
Todo dia, eu trabalho todo dia (risos). Acho que no mundo hoje, todos nós trabalhamos todo dia. Para mim isso não é um peso, primeiro porque eu me divirto trabalhando e depois não é uma atenção contínua. O Diego, o diretor do programa, tem um telefone como o meu e nós nos comunicamos por um comunicador interno do telefone. No fim de semana, não tem horário para a gente conversar e isso não me invade também. Às vezes ele me faz uma pergunta que eu demoro para responder porque estou em reunião, fazendo outra coisa. Mas de uma certa maneira eu estou ligado ao programa o tempo inteiro.


Quais são os seus hobbies?
Eu gosto muito de cozinhar e eu gosto muito de jardinagem.


O que você cozinha e o que você planta?
Eu não sei muita pouca coisa, mas eu sou da área das pastas e dos cogumelos. E agora estou me aventurando por uma coisa muito perigosa que é o ouriço-do-mar, com pasta, que é uma coisa absurda de gostosa. Jardinagem eu gosto muito mesmo e é uma coisa recente, dos últimos cinco anos. Estou morando casa há seis meses e tem muito a ver com isso. Comprei uma casa fora de São Paulo, em São Bento de Sapucaí, há oito anos e lá comecei a plantar. Estou fazendo uma viagem para a minha infância, porque eu nasci no campo, em Ituverava. Minha infância foi inteirinha no meio de bicho, de plantação. Depois tive um mergulho na urbanidade, morei em grandes centros o tempo inteiro e agora estou voltando e tenho gostado muito disso. Saber como plantar ervilha, mandioquinha que demora oito meses para colher. Eu adoro isso e tenho uma rede de amigos caipiras que a gente conversa sobre mandioquinha, cebola, ameixa, morango, e lá é muito alto e frio. Difícil de nascer, você precisa ser muito bom e persistente.


O que ainda você não fez, que gostaria muito de fazer para se realizar profissionalmente?
Falta eu ir até a estação espacial. Acho que é meu sonho de consumo. (risos)


E pessoalmente?
Eu tenho uma coisa muito sólida com o viver o agora. Tenho já muitas coisas acontecendo: tenho três filhos, de 19, 7 e 3 anos, tenho uma mulher, a Bel, tenho duas gatas, uma cachorra, tenho essa casa, o programa, o UOL que comecei a fazer uma série de vídeos, tenho o Blog, uma comunidade de gente que me segue onde quer que eu vá, no Orkut, no Twitter. Tenho uma vida muito intensa. Estou reformando meu site que não é reformado desde 2003, tenho muita coisa acontecendo agora que não tenho tempo de pensar no futuro.
 


Mas é bom, não é?
É bom. Acho que o único lugar onde a gente vive é no presente. Então, é legal a gente poder ficar atento mesmo ao presente. É difícil hoje em dia. Mas eu procuro ficar.

segunda-feira, 17 de março de 2008

Altos papos!


(Como a entrevista que foi publicada na edição de março teve de ser diminuída em função do espaço, aqui ela está na íntegra.)
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Bastidores: A conversa durou pouco mais de um mês até que o jornalista Serginho Groisman pudesse receber METROPOLIS para entrevista. Ele estava em férias, em janeiro, então a matéria só pôde ser realizada após o Carnaval (na verdade, dia 26 de fevereiro).

Eu já deveria saber, mas constatei que Serginho é realmente um cara de atitude, simpático, atencioso e, sobretudo, competente. Ele conversou comigo durante quase uma hora e o resultado é possível conferir na entrevista. Durante a conversa, Serginho falou de futebol, televisão, família, cinema. Ele, aliás, além de jornalista, também já atuou como professor, quando lecionou aulas na Faap, onde estudou. Nos últimos anos, tem apresentado a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, criado por Leon Cakoff há 31 anos. 

Serginho se considera cinéfilo de carteirinha. Vai ao cinema, mas também assiste à filmes em DVD. Não se liga muito no Oscar, acha que é um programa da televisão americana, mas ainda assim confere a premiação para ver as retrospectivas e as edições. Outra paixão é o futebol. Embora não tenha ido muito ao estádio ultimamente, afirma que assiste a todos os jogos pela televisão. Seu time do coração? Corra pra ler a matéria que ele conta qual é!

Altos papos!
Ele não é mais, digamos, um garoto. Aos 57 anos, Serginho Groisman acumula, como jornalista, experiência em jornal impresso, rádio e televisão. Atualmente, ele comanda três atrações na TV Globo, emissora onde trabalha desde 1999.

Para esta entrevista exclusiva, Serginho recebeu a reportagem da METROPOLIS em sua sala na Rede Globo (onde há uma infinidade de DVDs além de um display com faixa de campeão do seu time do coração). Na ocasião, ele contou sobre sua trajetória pela televisão, uma vez que já passou por várias redes, além de ter participado de filmes no cinema e também feito uma peça no teatro. Para arrematar, o apresentador aproveitou para falar dos seus projetos, preferências, o Oscar e, claro, futebol. E, como ele mesmo diria: Fala, garoto!

Conte um pouco sobre sua carreira.
Eu estudei jornalismo, comecei a fazer frilas em jornal, cobri férias na Folha de S. Paulo e trabalhei em rádio. Trabalhei oito anos na Band, depois fui para a rádio Cultura, onde eu tinha um programa chamado “Matéria Prima”, tinha quatro horas por dia. Dei aula na Faap, fui dirigir a rádio Cultura AM, depois dirigi o curso de Rádio e TV durante por dois anos na Faap e fiz algumas coisas na TV Cultura, um programa chamado “Orientação”, de meia hora, mas comecei a fazer TV mesmo com mais freqüência na Gazeta, um programa chamado “TV Mix”.

O diretor Fernando Meirelles trabalhava neste programa?
Foi ele quem me chamou. Ele e o Marcelo Machado. Daí eu comecei a dirigir e a apresentar o programa. Fiquei dois anos lá e fui pra Cultura [no “Matéria Prima”], fiquei um ano e para o SBT, fiquei oito anos lá e já estou aqui desde 1999. Hoje em dia tenho o “Altas Horas”, o “Ação” e o programa no Canal Futura chamado “Tempos de Escola”.

Olhando para trás, como você avalia a sua carreira?
Sempre procurei trabalhar naquilo que me desse prazer, nunca foi por dinheiro ou status. E sempre as decisões de sair de onde eu estava, foram muito difíceis, pois sempre estive bem nesses lugares. Uma exigência principal foi a liberdade de trabalho e isso se mantém até hoje. Quando eu estava no SBT e apareceu o convite de vir pra cá, fiquei muito balançado, porque eu tinha medo. Mas também quando eu fui para o SBT eu tive medo dessa história de o Silvio Santos entrar nos programas e aqui também, mas nada disso aconteceu. Então, foi uma oportunidade muito grande de vir pra cá e trabalhar na quarta emissora maior do mundo. Não perdi, só acrescentei coisas com o tempo. Você vai adquirindo experiência, tendo melhores condições de trabalho, mas não perdi o conceito básico que é ligado à ética, um tipo de programa no qual o espectador fala, se posiciona.

Desde o “Matéria Prima”, na década de 1990, você fala com adolescentes. Você consegue ver a diferença do jovem de hoje e daquela época?
Existem diferenças e semelhanças. Acho que as semelhanças é que o jovem ainda lê pouco desde aquela época, avançou um pouco a politização, mas não é grande coisa. Agora, tem coisas novas. A internet veio revolucionar uma geração inteira, já vai para a segunda geração. É uma revolução real. As pessoas têm mais acesso à informação e à comunicação. As pessoas ainda não sabem usar bem essa ferramenta, porque a educação no Brasil ainda é falha, principalmente a comunicação hoje em dia, o celular e a internet. Acho que revolucionou o modo de comportamento. Hoje, o jovem é mais evoluído com a consciência ecológica, do que antes, fumam menos.

Ao invés de monopolizar o entrevistado, você dá voz a outras pessoas. Você já passou algum aperto?
Já, várias perguntas (risos). A [Luíza] Erundina era prefeita de São Paulo e ela é da Paraíba. Perguntaram se ela não podia criar uma lei impedindo a vinda do nordestino para cá. Para Roberta Close, perguntam como foi cortar o bilau!

E como você lida com isso, já que o programa não é ao vivo?
Depende. Não é, mas antes era. Hoje é mais fácil, a gente usa a edição, se acontece uma barbaridade, mas se é uma pergunta interessante a gente deixa. O programa é gravado praticamente como se fosse ao vivo. Tem muita pergunta repetida, a pessoa vê na televisão, vem pra cá e repete. Mas tem muita pergunta surpreendente, isso que é bom.

E no Púlpito, quadro no qual as pessoas fazem protestos, já teve alguma coisa bizarra que vocês tiveram que cortar?
Não, tem muitas coisas engraçadas e surpreendentes. As pessoas reclamam muito dos políticos, do aquecimento global, tem uma menina que diz que é contra a sexta-feira porque é o único dia que ela faz chapinha e chove. Tem gente que reclama do pai, do trabalho, do namorado, do time, uma coisa muito ampla. É curioso e engraçado. Sempre tem uma coisa diferente, nova. Nunca tivemos que cortar.

Por falar em time, você é corintiano desde criancinha?
Desde sempre.

Qual é a sua opinião sobre o seu time atualmente?
O Corinthians está mais feliz do que estava, porque estava péssimo, agora está melhor, dá pra encarar, assistir. Se bem que eu assisto sempre, a todos os jogos.

Você vai ao estádio?
Não vou como ia, principalmente em clássicos. As pessoas esquecem que gostam de futebol e é uma loucura. Mas assisto pela TV a todos os jogos. Neste ano fui uma vez só ao estádio quando o Corinthians inaugurou o novo time. Adoro futebol.

Qual é o seu envolvimento na programação do “Altas Horas”?
Eu co-dirijo o programa, eu e o Mauricio, então é tudo. Eu venho todo dia. Meu trabalho não é apresentar. Eu cuido de tudo, da pauta, quero saber as escolas que vêm, quais são as matérias, faço matérias, como fiz no Cirque du Soleil na semana passada, me colocaram uma fantasia.

O horário de exibição do “Altas Horas” te incomoda de alguma maneira por ser muito tarde?
Não, eu que optei. Quando vim para cá, eu não sabia nem do horário nem do programa. Eu tinha possibilidade à tarde, meia hora, mas achei que não era o perfil. Daí pensei na madrugada de sábado para domingo. Então a opção é minha mesmo, acho que é uma alternativa. É claro que você gosta de ser mais visto, um pouco mais cedo seria melhor, mas de qualquer jeito a gente tem uma audiência boa, que vai de 8 a 10 pontos de média, o que é muito grande.

Neste horário você não atinge só adolescentes...
Acho que sempre foi assim. Nos outros canais também. É um programa feito com adolescentes, mas a temática é ampla, a gente fala de tudo: política, comportamento, jornalismo, futebol. O programa tem uma ligação com o público jovem, mas ele não é feito para eles.

E com o Ibope, você sofre alguma pressão?
Não, não tem nenhuma. Principalmente porque esse é um horário tranqüilo, sempre dá para experimentar e temos uma audiência grande.

Faz pouco tempo que vi uma edição inteira do caderno Variedades do Jornal da Tarde que você editou, teve até matéria sobre o Corinthians... Como foi voltar para a redação do jornal?
Ah, foi muito legal. Uma experiência legal, ficar editor de um caderno. Teve a reunião de pauta, e o editor, o Júlio Maria, foi muito bacana. Ele me deu a liberdade de fazer a pauta, diagramação, fotos, fechamento, tudo. Acho que o resultado foi bom, eles gostaram da repercussão. Eu também adorei voltar. No tempo que eu fiz a Folha era muito diferente.

Você trabalhou em qual editoria?
Cobria esportes.

Faria de novo?
Faria, mas como uma experiência, porque toma muito tempo. Recebo às vezes convites para escrever, que é uma coisa que eu quero voltar a fazer, sinto falta de escrever. Neste ano, de algum jeito, vou fazer isso.

Com o “Altas Horas”, você foi para Portugal e depois para o Japão gravar. Como foi a experiência de trabalhar fora do país? Você pretende fazer outros programas fora?
O programa não foi para lá. Eu fui para lá. Aproveitei o Brazilian Day e gravei algumas coisas para o programa, não fiz um programa inteiro fora. Já viajei para vários lugares fora do Brasil. A gente tem um projeto de fazer um aniversário fora do Brasil. Por enquanto gravei em Portugal, no Japão, em Nova York, Buenos Aires. São matérias que eu faço para cá.

Há muitas pessoas que assistem fora por conta da Globo Internacional. Você tem retorno?
Tenho pelos e-mails. No Japão e nos Estados Unidos estão as comunidades mais fortes. Em Portugal foi bem legal, muita gente na rua conhece o programa. Em Nova York, na última vez que eu fui, tem gente que vê a Globo Internacional e não é brasileiro. Vai longe.

Como surgiu o “Ação”?
O “Ação” é mais velho que o “Altas Horas”. O programa vai completar nove anos e o “Altas Horas”, oito. Quando eu cheguei aqui, a primeira coisa que me deram foi o “Ação”, em 1999. Mas era para ele durar de dezembro a abril. Ia só até o Brasil 500 anos. E está até hoje. É um programa que eu adoro fazer. Hoje, por exemplo, estamos falando do Dia Internacional da Mulher, e tem uma ONG de Recife contra a violência com relação à mulher, vai ter uma delegada da Delegacia da Mulher. É um programa que mostra as coisas positivas do Brasil. Gente que trabalha em ONGs voltadas à geração de renda ou educação. A gente trabalha com esse tripé: geração de renda, educação e voluntariado. É um programa que eu adoro fazer, eu não dirijo, apresento e participo com idéias.

Você que criou?
Não, eu participei da criação com mais gente.

O programa fala bastante sobre responsabilidade social. Você acha que está na “moda” ultimamente? O “Ação” colaborou com isso?
Não sei, acho que é um pouco difícil achar que um programa de televisão é capaz de fazer tudo isso, acho que ele é um pouco reflexo. Talvez ele ajude em algumas coisas.

A divulgar? Muitas pessoas não tomam iniciativa por desconhecimento...
É, muita gente não sabe direito o que fazer. Acho que nisso o programa pode contribuir. Pelo nosso site a gente liga as coisas que mostramos no programa com as ONGs. Eu sei, por exemplo, que nas ONGs que a gente mostra há uma repercussão muito grande quando aparece no programa. Acho que ele tem esse papel. E também o papel maior de mostrar ao espectador que existe um Brasil paralelo ao Estado, sabe? Em que as pessoas podem se servir de iniciativas que o Estado não pode. Tem gente com idéias bem bacanas que o Estado poderia copiar e não copia.

Você se emociona com as histórias que conta no “Ação”?
Eu me emociono, mas eu não sou uma pessoa que demonstra. Eu me emociono com muita coisa, com o esforço que as pessoas fazem de uma maneira despretensiosa, os casos que acontecem. Eu acho uma pena, porque o Brasil poderia ser um país mais desenvolvido.

O que você acha que falta?
Falta uma vontade política, real, é muito difícil essas coisas da política, do poder. As pessoas se envolvem muito com o poder. Daí fazem concessões, se esquecem do que realmente deve ser feito, porque lutam muito para ficar no poder. Mas democracia é ainda o melhor modo que a gente tem de levar um país.

Este ano é político, você pretende discutir o tema no programa?
O ano político é mais difícil, porque existe uma legislação que proíbe uma série de coisas. O que dá pra fazer é discutir com a platéia, incentivar a votar, tirar título de eleitor quem pode. Isso sim, a gente vai fazer. Trazer candidatos não dá, porque isso o jornalismo também já faz e a gente tem uma série de restrições, porque para trazer candidatos é preciso trazer todo mundo, é meio complicado para um programa semanal.

E no Canal Futura, como é o programa?
Chama-se “Tempos de Escola”. É um programa que eu levo uma pessoa conhecida e ela fala de um determinado momento da escola dela. Um amigo dela de época fica repórter e mostra como está a escola hoje em dia. Adoro fazer esse programa.

Como você dá conta de todos esses programas?
Às terças eu gravo o “Ação”; às quintas, o “Altas Horas”. Queria fazer ao vivo, sábado, mas o horário não permite. E o “Tempos de Escola” é por temporada, faço a direção e a produção. Em um semestre a gente trabalha em cima disso fora daqui. Eu gravo duas pessoas por dia, sexta, sábado e domingo. Em três finais de semana terminamos uma série inteira. É pesado.

Mas é bom, né?
É bom.

Faz tempo que você participa das edições da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo? Qual é o seu envolvimento com o Leon Cakoff e com o cinema?
Cinema eu adoro, quase fiz Cinema. Quando eu fazia um programa na Band chamado “90 Minutos”, nos anos 1980, a primeira matéria que eu fiz que apareci na vida foi na fila da Mostra de Cinema, de um filme proibido. Eu conheci o Leon e a partir daí a gente se conheceu melhor, ficamos amigos. E eu apresento a abertura e o encerramento e coordeno os debates.

No ano passado você intermediou o do Gael Garcia Bernal, que aconteceu na Faap...
Então, foi bacana. Eu faço isso há muitos anos, nem sei quantos.

A relação é bem estreita, né?
É, eu estou pra fazer um documentário sobre eles. Como eles fazem a seleção dos filmes da Mostra, viajar com eles pelos festivais. Ia fazer este ano, mas não deu para levantar o equipamento, mobilidade. Então estou fazendo um projeto para o ano que vem. Neste ano já foi Berlim, não dá mais...

Por falar em Berlim, você disse no programa do dia 23 que você vai entrevistar o José Padilha, diretor do “Tropa de Elite”. Qual é a sua opinião sobre o filme?
Eu gosto do filme, mas acho que ele levanta muitas polêmicas. Acho que ele demonstra a realidade, mas eu nunca sei direito que impacto o filme tem. Essa é uma discussão difícil: qual é o impacto que um filme pode ter em uma pessoa. Acho que é muito mais uma identificação do que uma transformação. Acho que dificilmente uma pessoa sai de um filme e vai matar alguém por causa do filme. Mas acho que ela pode se identificar. E eu fico um pouco assim quando torturam no filme. Soube que tem gente que aplaude, e disso eu não gosto. Isso eu vou conversar com ele. Cena de tortura sendo aplaudida eu não gosto. Mas eu gosto do filme, ele é muito bem-feito.

Você vai ao cinema freqüentemente ou vê filmes em DVD?
Vou ao cinema sempre que dá.

Qual foi o último filme a que você assistiu?
(Suspiro) O último filme acho que foi “Juno”.

Gostou?
Gostei, mas não tanto. Vi outros filmes que também estavam concorrendo ao Oscar que eu achei melhor.

O que você achou da premiação?
O Oscar é um programa de televisão americano, para o cinema americano. Eles ainda dão uma colher de chá para o Melhor Estrangeiro. Eu gosto de ver o Oscar por causa das edições, das retrospectivas. Não fico torcendo. Mas no final, se você assiste aos filmes, sempre tem um preferido, acha que o Melhor Filme pode ter uma repercussão maior, e às vezes tem mesmo.

Você tem um preferido?
Olha, o que ganhou [“Onde os Fracos Não Têm Vez”] eu gostei muito, dos irmãos Coen. É um filme muito violento, mas todos os filmes deles eu acho muito bom. Gostei do filme que o George Clooney participa, o “Conduta de Risco”. Eu vi um monte.

E “Desejo e Reparação”?
Ah, adorei. Adorei o roteiro como ele é contado.

Em 2006, você fez sua estréia em teatro, sob a direção de Gerald Thomas, no espetáculo “Brasas no Congelador”. Como foi esta experiência?
Eu espero que se repita.

Você estudou teatro?
Antes, não. Fui jantar com o ele porque ele queria que eu aparecesse em vídeo em uma peça do Marco Nanini. Daí ele se empolgou comigo, disse que eu poderia ser ator, que sou engraçado. A gente se dá muito bem, a gente ri muito. Daí ele escreveu uma peça. E quando ele escreve, ele escreve para o ator. E misturava Globo, com o horário, campo de concentração, que tem a ver com a minha família, os meus pais. Os pais da minha mãe ficaram nos campos. Então, ele escreveu o texto, eu adorei, as pessoas gostaram e se fosse para fazer uma coisa, eu queria fazer teatro. Me convidaram para uma participação de um filme, mas como apresentador.

Qual filme?
Do Alain Fresnot, mas ainda não tem título e tem uma participação minha com o Caco Ciocler. Também como apresentador de um filme chamado “Fim da Linha”, que ainda não foi lançado, com o filho do Fagundes. Tenho uma possibilidade de fazer uma peça de teatro, o “Decameron”, do Bocage, e também outra com o Gerald, estou vendo o que vou fazer, talvez este ano.

Qual é a sua descendência?
Meus pais faleceram já. Minha mãe faz dois anos e meu pai foi em 2000. Ele era romeno, e ela polonesa. Judeus. Eles vieram na Segunda Guerra, se conheceram num baile, depois casaram. Daí que meu pai faleceu, minha mãe começou a vir pra cá, ficava com o pessoal da produção. O Dan Stubach tem uma mãe polonesa e ele começou a falar polonês com a minha mãe.

Você fala polonês?
Não, porque meu pai era romeno, minha mãe polonesa. Então eles não se comunicavam na língua. Então não sei nada de nenhuma das duas.

Como é a sua rotina?
Eu venho todo dia aqui, almoço aqui e vou vendo como está principalmente o “Altas Horas”. O “Ação” eu faço os off uns dois dias antes. Quando gravo, olho o espelho do programa e demoro cerca de 40 minutos para gravar o programa que tem 25 minutos.

Para você se informar, você lê jornal, internet?
Leio jornal todos os dias, internet estou sempre lendo as notícias. Ler é a coisa mais importante. Não consigo ver um apresentador de televisão desinformado. Fico louco com isso.

E os seus projetos para este ano?
Então, é o teatro, voltar a escrever e fazer melhoras no programa. O “Altas Horas” vai ter mudança de cenário, quadros novos. Estamos ainda no estudo, fazendo experimentos. Algumas coisas a gente já está fazendo, umas brincadeiras. A gente sempre tem duas bandas, então pegamos o vocalista de uma e colocamos na outra. Estréia na primeira semana de abril.

Você também se arrisca cantando...
Cantando? Brinco, né?

O que falta na sua carreira para você se considerar um profissional realizado?
Eu não penso assim, nunca pensei nisso.

Sempre tem algo para fazer?
Eu sempre quero fazer outras coisas. Eu não penso: “oh, quando será o dia que eu vou falar que estou realizado?” Eu não sei o que é que é realizado, não me passa pela minha cabeça.

E pessoalmente?
O que falta? Falta ter filho. E casar, que vai ser logo.