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sexta-feira, 24 de junho de 2011

Carros 2

É verdade que um dos lançamentos da Pixar que não fizeram tanto sucesso foi “Carros”, longa-metragem lançado em 2006 e dirigido por John Lesseter, criador de “Toy Story”, o primeiro grande sucesso do estúdio. Um dos motivos para a “falta de sucesso” é o tema, claro, que é apreciado principalmente pelos meninos. Porém, com exceção do mercado interno, ou seja, os Estados Unidos, são poucos os países que se interessam por corridas de automóveis.

Mas quando se fala em pouco sucesso de um filme da Pixar, é quando comparado aos outros lançamentos do mesmo estúdio, já que foi a menor desde “Toy Story 2”. Porém, se comparado com outras produções, bem, é um sucesso total. Isso porque “Carros” rendeu, no final de semana de estreia nos Estados Unidos, mais de US$ 60 milhões. De acordo com David Price, no seu livro “The Pixar Touch: The Making of a Company”, a comparação de pouca arrecadação é relativa, porque “Carros” ainda era a segunda maior bilheteria do ano, depois do lançamento da Disney, “Piratas do Caribe: o Baú da Morte”.

Sobre as críticas, Lasseter disse: “Muita gente acha que 'Carros' é um filme sobre carros ou que 'Procurando Nemo' fala sobre peixes – 'Bolt' sobre cachorro. Ok, mas esses são os personagens e parte de seu ambiente. Mas suas personalidades e histórias precisam transcender o que são, seja humano, cachorro, carro, peixe, o que for. Você precisa tocar as pessoas e eu sempre digo que é preciso fazer uma conexão com o público, mostrando a eles algo que lhes é familiar em algum nível, mas se ver diante de uma situação que nunca imaginou antes. Embora façamos pesquisa sobre todos os assuntos (carros, trailers, no caso de Bolt, ou peixes), a essência tem que atingir quem gosta, ou não, do assunto. Essa é minha filosofia.”


A continuação
Cinco anos depois do lançamento do primeiro filme, eis que Lasseter volta a dirigir o longa de continuação, ao lado do codiretor Brad Lewis. Trata-se de “Carros 2” (“Cars 2”), que desta vez está sendo lançado em cópias 2D, 3D e Imax 3D, em versões dubladas e legendadas. A que eu vi é dublada por personalidades como Emerson Fittipaldi, Luciano do Valle, José Trajano e a cantora Claudia Leitte.

Desta vez, o campeão das corridas que começou em Radiator Springs, Relâmpago McQueen, é desafiado pelo carro de corridas italiano, Francesco, cujas rodas pra fora encantam a Porsche que namora McQueen. O primeiro desafio do Grand Prix Mundial está marcado para acontecer no Japão. Mas o destaque maior da trama acaba sendo para o seu melhor amigo, o carro-guincho Mate, que se aventura como espião internacional.

A trama começa um pouco sinistra, é verdade, com espionagens, um barco no mar e de repente vários carros contra Brent Mustanburger. O excesso de personagens (ao todo, foram criados 145 novos) acaba confundindo o espectador. E o próprio enredo se torna chato, quando a referência é o combustível utilizado pelos carros de corrida...

O assunto não é nada infantil, ainda que há abordagens sobre amizade que podem cativar as crianças. Mas o que realmente chama a atenção em “Carros 2” é, sobretudo, a arte, o desenho, os detalhes que foram criados para construir a obra. Neste caso, “Carros” conquistou por conta do inusitado, o que já não ocorre desta vez. O que talvez possa chamar atenção é que a fita não se passa apenas nos Estados Unidos, além de não serem apenas carros, mas também barcos e aviões!

 
Há, por exemplo, referências aos locais por onde passam, ou seja, o Monte Fuji, no Japão. Em Paris, há passagens que remetem ao “Ratatouille”, que se passa na capital francesa. Mas aqui, Paris é visitada por Mate como parte de sua missão na espionagem internacional. 
Então, ele passa pela Pont des Arts, onde dois carros se beijam, e pela Catedral de Notre Dame. Na Itália, onde há corrida de rua (pelo menos neste filme), foi criado um visual fictício cidade costeira italiana de Porto Corsa, mas é uma combinação da pista feita nas ruas de Mônaco com a Costa Amalfitana e lá é feita homenagem aos seis irmãos Maserati (Enzo, Bindo, Carlo, Alfieri, Ettore e Ernesto). Para finalizar, a última corrida é realizada em Londres, com destaque para alguns cartões postais, como o Big Ben, que aqui chama-se Big Bentley, além da própria rainha que aparece condecorando Mate como Sir por sua atuação.

O atrapalhado Mate, aliás, acrescenta o bom humor ao filme, principalmente quando está no Japão e se atrapalha com as letras e até mesmo confunde raiz forte com sorvete de pistache... Mesmo assim, lá pelas tantas o espectador pode se sentir entediado durante “Carros 2”, principalmente se não for um amante de carros...

Além dos dois primeiros “Toy Story”, Lasseter foi diretor de “Vida de Inseto” e produtor executivo de todos os outros filmes da Pixar. Foi dele, aliás, a ideia do filme e, para construir os personagens, passeou pela famosa Rota 66. Ele sempre conta que é orgulhoso do filme e que adora os carros, além, é claro, da animação.

Este é o 12º longa-metragem da Pixar, que está comemorando 25 anos. Em 2006, o estúdio foi comprado pela The Walt Disney Company, de modo que faz da Pixar uma subsidiária integral da empresa.

Em tempo: desde 1986, quando a Pixar Animation lançou seu primeiro curta-metragem, “Luxo Jr.”, lançou um por ano e vem apresentando um novo antes de cada longa. Ou seja, antes de “Carros 2”, o público pode conferir “Férias no Havaí”, apresentado por personagens de “Toy Story”. Provavelmente, como também já virou tradição, um novo curta deve ser acrescentado ao DVD.



Curiosidades
O nome do protagonista, Relâmpago McQueen, foi dado em homenagem a Glenn McQueen, ex-animador da Pixar que trabalhou no primeiro “Carros” e veio a falecer pouco antes de o filme ser lançado. Os pneus Lightyear de McQueen são uma referência a Buzz Lightyear, de “Toy Story”, assim como o seu número, 95, referência ao ano 1995, em que o mesmo filme foi lançado. Há ainda homenagem ao próprio Lasseter, no meio do filme, quando uma das propagandas aparecem em close, com o nome LassetAir.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Kung Fu Panda 2

Muitos torceram o nariz quando houve a explosão dos longas-metragens produzidos com o uso da tecnologia, ou seja, feitos inteiramente no computador, em três dimensões, principalmente depois do sucesso da Pixar, “Toy Story”, dirigido por John Lasseter e lançado em 1995.

A questão é que outros estúdios aprenderam que poderiam deixar de fazer animação do modo tradicional, tal como Walt Disney fez “Branca de Neve e os Sete Anões”, primeiro longa do gênero, lançado em 1939. No entanto, os diretores (e obviamente os estúdios) entenderam que o público iria ao cine­ma assistir a essas produções desde que tivesse uma boa história para contar, independentemente de ter sido feita a mão ou com ajuda do computador.

O uso do 3D e da animação de um modo geral é justificável para contar uma história não necessariamente infantil, mas que não pode ser contada com personagens reais, como os brinquedos que ganham vida quando os humanos viram as costas, o peixe que se perde no oceano, o ogro que vira príncipe, os animais que lutam kung fu e assim por diante.

Agora está nos cinemas, em versões 2D e 3D, o longa-metragem de animação “Kung Fu Panda 2”. Na aventura, o panda Po (Jack Black) já foi aceito como Dragão Guerreiro, e protege o Vale da Paz ao lado dos seus amigos e mestres do kung fu, os Cinco Furiosos: Tigresa (Angelina Jolie), Macaco (Jackie Chan), Louva-Deus (Seth Rogen), Víbora (Lucy Liu), Garça (David Cross) e o mentor Shifu (Dustin Hoffman). E, além de acompa­nhá-los em suas aventuras, Po é adorado por todos e tem até bonecos com a sua cara.

A fita começa contando sobre a China e sobre a tão procurada paz interior, necessária para conseguir equilíbrio. Mas além de Po encontrar o próprio equilíbrio, já que sabe que fora adotado pelo Ganso, embora não saiba de onde veio, ele vai ajudar os nossos heróis a não deixarem o kung fu morrer. Para isso, porém, vão ter de lutar contra o vilão Lorde Shen, que planeja usar uma arma secreta para conquistar a China e des­truir o kung fu.

Ainda que o “balé” da primeira luta de Po com ajuda dos outros animais seja sensacional, ela e as demais que acontecem no decorrer na trama são o ponto fraco, pois, muitas vezes, principalmente na versão tridimensional, a que assisti, é escura e a coreografia não permite que o espectador entenda, em algumas cenas, quem está batendo e quem está apanhando.

Como o panda vai precisar de paz interior para buscar o equilíbrio a fim de continuar lutando, há algo no passado de Po que o incomoda e isso será demonstrado a partir de um desenho localizado no braço do ini­migo, cena que se repete várias vezes ao longo da fita.

Embora algumas continuações de filmes façam sucesso, em alguns momentos “Kung Fu Panda 2” entendia, as piadas não têm tanta graça, mas há mensagens para os filhos adotivos e para aqueles que querem encontrar a paz interior, já que o passado deve ficar lá trás. E isso é um ponto forte da trama. Dirigido por Jennifer Yuh Nelson, que no primeiro filme atuou como chefe de História, supervisora de Sequências de Ação e diretora da Sequência do Sonho, “Kung Fu Panda 2” merece ser visto por toda a família, em versões dubladas ou legendadas, em 2D ou 3D, como maneira de descontração e entretenimento.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Rio - Bilheteria

De acordo com a Fox Film do Brasil, distribuidora do longa-metragem de animação "Rio", 4,2 milhões de pessoas assistiram ao filme dirigido pelo brasileiro Carlos Saldanha, desde sua estreia, dia 8 de abril, até o último final de semana. Ao todo, a venda de ingressos no país soma cerca de R$ 49 milhões. 

Ainda segundo a Fox, o filme ocupa a primeira posição no ranking dos filmes mais vistos, pelo terceiro final de semana consecutivo. Durante o feriado de Páscoa, a história da arara azul foi vista por 832 mil espectadores, o que gerou renda de R$ 10,4 milhões.  

Nos Estados Unidos, a história não muda. Isso porque o boletim do FilmeB afirma que o longa continua na liderança e, no final de semana, rendeu US$ 26,3 milhões, entre sexta e domingo, e o total de US$ 80 milhões desde a estreia.

O Brasil, aliás, é o melhor mercado do filme fora dos Estados Unidos. Em dólar, a arrecadação foi de US$ 6,7 milhões – US$ 3 milhões a mais que o segundo colocado, a França (onde o filme entrou em sua segunda semana, com US$ 9,5 milhões acumulados). Na sequência, estão o México (US$ 2,9 milhões) e a Espanha (US$ 2,5 milhões). O faturamento total de "Rio" fora do mercado norte-americano chega a US$ 285 milhões.


O FilmeB afirma que a animação já se tornou a maior bilheteria do ano no Brasil, com quase R$ 49 milhões, ultrapassando "Enrolados", da Disney. 

Na sequência do ranking, estão "Pânico 4" (Imagem), a ficção científica "Eu Sou o Número 4" (Disney), "Hop – Rebeldes sem Páscoa" (Universal), "A Garota da Capa Vermelha" (Warner), "Sobrenatural" (PlayArte).

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Rio

O Brasil está na moda. Não é de hoje, é verdade, mas basta perguntar para qualquer estrangeiro sobre o Brasil que ele vai dizer que gostaria de conhecer o país, principalmente o Rio de Janeiro. Daqui a pouco virão a Copa do Mundo, em 2014, e a Olimpíada, em 2016, para confirmar a quantidade de estrangeiros por aqui.

Deixando de lado as questões políticas e se os prazos para a conclusão das obras para receber os eventos esportivos serão cumpridos, a discussão agora é uma só: a homenagem à Cidade Maravilhosa feita pelo diretor Carlos Saldanha (de “A Era do Gelo 3”), em forma de animação. Saldanha, aliás, foi o res­ponsável pela criação do esquilo Scrat, que ganhou destaque ao longo da trilogia por conta de seu carisma.

Na abertura de “Rio”, longa-metragem que poderá ser visto no Brasil em versões du­bladas e legendadas, em 2D e 3D (em um total inédito de mil cópias!), está o Pão de Açúcar, cartão-postal do Rio, além de pássaros que sambam – o que mais eles poderiam fazer na terra do Carnaval? Corta. Agora estamos na neve, bem longe dali, onde vive Blu.


Blu (com voz de Jesse Eisenberg, de “A Rede Social”, na versão original) é uma arara azul domesticada que não aprendeu a voar e vive em Minnesota, nos Estados Unidos, com sua dona, Linda (Leslie Mann). Tudo parecia estar sob controle até bater em sua porta Túlio Monteiro (o brasileiro Rodrigo Santoro), um amante dos ani­mais que descobre o paradeiro da arara. Ele alega que trata-se do único macho da espécie e que precisa ir para o Rio de Janeiro conhecer a fêmea, Jade (Anne Hathaway, de “O Diabo Veste Prada”), a fim de garantir a perpetuação da espécie.

A partir de então, dona e arara vão desfrutar das belezas naturais, se meter em aventuras e confusões. Do lado de cá da tela, o espectador vai se maravilhando com o show de imagens coloridas e extremamente bem feitas, além de uma história tocante, acompanhada de trilha musical, di­gamos, bem brasileira.

Como nem tudo são flores, vem o drama: a caça ilegal dos animais na ci­dade ensolarada. Juntas, as araras também terão de enfrentar Nigel (Jemaine Clement), uma cacatua mal-humorada que trabalha para os contrabandistas de aves e que vai pedir ajuda aos micos (do mal) para encontrar as duas ararinhas.

Em diversos momentos, Carlos Salda­nha, carioca que há muito vive nos Estados Unidos, homenageia sua terra Natal, a partir do cachecol verde e amarelo de Túlio, da camisa do Brasil, da bandeira pendurada na parede de uma casa na favela, da locali­zação exata do Brasil no globo. E, aqui, Brazil está escrito assim, com Z, ainda que Rita Lee e Roberto de Carvalho já haviam cantado “que o meu Brasil é com S”. Há também partidas de futebol. Isso porque a narrativa é situada entre a Copa do Mundo, ilustrada pelo clássico sul-americano Brasil e Argentina, na televisão, e o Carnaval, com desfile em plena Sapucaí. 




Quando a fita mostra a cidade vista do alto e a Baía de Guanabara, a paisagem é deslumbrante, sem retoques. Lembra o ra­tinho Rémy saindo do esgoto e se deparando com Paris, na animação da Pixar, “Ratatouille”. Destaque também para a trilha sonora empolgante, que mistura inglês com português, samba, bossa nova, sob os cuidados de Sérgio Mendes. Na dublagem, as gírias cariocas que sublinham o jeito malandro caem muito bem.

“Rio” é uma animação que mistura técnica (repare na qualidade das penas e plumagens, tudo parece ser real), com uma história tocante e emocionante, principalmente quando fala sobre assuntos delicados, como contrabando de animais silves­tres, maus tratos, família, fazendo jus à afirmação de John Lasseter, criador de “Toy Story”, que não adianta dominar a tecnologia, se não tiver uma boa história para contar e encantar a plateia.

O filme faz uma grande homenagem ao Brasil e ao Rio de Janeiro, além de ser uma propaganda posi­tiva para o país que, se tudo der certo, receberá a próxima Copa e os próximos Jogos Olímpicos.

Em tempo: não saia no “The End”, pois há a continuação com o destino dos personagens.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Rango

A partir do ponto de vista de um camaleão criado como animal de estimação dentro de um aquário, é contada a história de “Rango”, longa-metragem de animação que estreia na quarta-feira, dia 9 de março.


Tudo começa quando Rango (com voz de Johnny Depp, de "O Turista", na versão original), o tal camaleão, literalmente cai do carro no qual viajava em uma cidade em um lugar inóspito. Enquanto vivia no aquário, Rango tinha a pretensão de ser ator e inventava histórias com os personagens que tinha à disposição, como o peixinho e uma boneca sem cabeça.

O local onde foi parar lembra o deserto mexicano, ou algum lugar do Velho Oeste, principalmente por conta da parte arenosa e das corujas que cantam música com sotaque. Mas lá existe um grande problema: a falta d'água. E ele terá de se adaptar e lidar com figuras estranhas, corruptas e ardilosas para conseguir trazer de volta a água, e, consequentemente, a vida dos que moram ali.

Além de enfrentar o calor, Rango precisa também encarar os inimigos, como o prefeito tartaruga, a cascavel, capivaras que roubam bancos, répteis venenosos. Porém, é com a ajuda de Feijão (Isla Fisher, de "Delírios de Consumo de Becky Bloom"), uma lagarta, que consegue sair do meio do nada.

O respeito dos outros ele começa a ganhar a partir do momento que liquida (com uma bala) a águia que ronda a cidade e da qual todos, sem exceção, têm medo. Mas daí gera outro problema...

Rango, que era um animal de estimação e vivia em um aquário, começa a sofrer crise de identidade, inventa situações inusitadas, fazendo cenas engraçadas, principalmente quando temos a voz de Johnny Depp dando vida ao personagem. Destaque também para o Tatu, com voz de Alfred Molina, e cheio de lições de sabedoria para dar.

Dirigido por Gore Verbinski (de “Piratas do Caribe”), o longa-metragem apresenta uma inovação incrível no que diz respeito à criação dos personagens, sua pelagem e todo o desenho desenvolvido com a ajuda do computador.

A fita lembra bastante os filmes de faroeste, como os produzidos por John Ford, além dos protagonizados por John Wayne, como “Bravura Indômita”, que foi refilmado pelos irmãos Coen recentemente.

Para fazer a animação, o diretor contou com a ajuda de especialistas em filmes live-action (ao vivo). Sendo assim, a equipe montou um verdadeiro saloon com um bar de madeira e portas de vai-e-vem para que os atores interpretassem as vozes enquanto estivessem gravando as vozes. Assim, a chance de parecer real é muito maior. Para compor a trilha sonora, Hans Zimmer ficou encarregado de modo a passar uma sensação de live-action à animação. Ou seja: tudo para parecer de verdade. E deu certo!

“Rango” não é uma típica animação produzida pela Disney-Pixar, ou pela DreamWorks, estúdios responsáveis por histórias como “Toy Story” e “Shrek”, respectivamente; “Rango” tem humor irreverente e trata de temas profundos, como corrupção, falta d'água, escassez, coisas que, infelizmente, nos são tão caras. Talvez por isso os adultos se divirtam mais que as crianças. No limite, existe chance extra de os pequenos aprenderem como é difícil ser adulto por conta dos problemas que enfrentamos, e consigam, desde já, dar um jeito nisso.

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O texto também foi publicado no Pipoca Moderna

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

O Mágico

Em tempos nos quais reinam as animações feitas por computador e os efeitos especiais de ponta, também há espaço para a animação tradicional. Essa, aliás, foi a utilizada por Walt Disney, quando lançou “Branca de Neve e os Sete Anões”, em 1939. Mas, a partir de 1994, quando a Pixar mostrou ao mundo “Toy Story”, pouco se fez com lápis e papel. 

Nem “Tron: O Legado” nem “Enrolados”, ambos da Disney. Assisti à animação francesa “O Mágico” (“L'illusionniste”) assim que ela estreou naquele país, enquanto eu estava em férias por lá, em junho do ano passado. No Brasil, a fita estreia nesta sexta, 14, e é dirigida por Sylvain Chomet, o mesmo de “As Bicicletas de Belleville”. 

Um dos seus diferenciais, além da arte tradicional, é claro, é o roteiro, escrito pelo francês Jacques Tati no final dos anos 1950. Na época, ele escreveu para sua filha Sophie Tatischeff, e a história  foi encontrada nos arquivos do CNC (Centro Nacional da Cinematografia) sob o apelido de “Film Tati N° 4”. Tati morreu em 1982 e deixou um legado de filmes cômicos, como “Meu Tio”, de 1958, no qual atuou e dirigiu, além de outras obras, como “As Férias do Sr. Hulot”, “Tempo de Diversão”, “As Aventuras do Sr. Hulot no Trânsito Louco”.

Após meio século, a história sensível e delicada criada por Tati chega aos cinemas trazendo magia e emoção. Na trama, o mágico é um artista já velho e é forçado a andar em diversos lugares à procura de um palco para apresentar seus números a fim de ganhar dinheiro. Até que conhece Alice, uma garota simples, que mal conhece a energia elétrica, mas que se faz de mulher.

Entre mentiras de ambos os lados, os dois vão se encontrar em Edimburgo, na Escócia, on­de ele fará uma apresentação e ela o segue a partir de Londres. Então, passam a dividir a sopa e o apartamento. Ele se encanta pela jovialidade dela, e ela, pela sabedoria e pelos truques de mágica dele. Mas também pelos presentes caros que ele lhe dá, e que acredita serem truques mágicos.

Praticamente sem utilizar diálogos (e, quando há, são em francês), o longa apresenta a mudança de comportamento dos personagens de maneira delicada e sensível, principalmente porque o relacionamento dos dois vai entusiasmando, e o amor vai crescendo com o tempo, ainda que vivam muitas vezes em meio à mentira.  


Os traços dos desenhos comprovam que o diretor é o mesmo de “As Bicicletas de Belleville”, já que ambos são muito parecidos. E foi enquanto fazia o filme, em 2003, que Sylvain Chomet entrou em contato com a filha de Tati para pedir autorização de exibição de um trecho de sua obra “Há Festa na Aldeia”, para uma cena na qual as trigêmeas estão assistindo televisão na cama. “Achei que seria divertido as personagens visualizarem um clipe de filme parecido em sentimento à história ciclística do Tour de France.”

Na ocasião, segundo o material de divulgação à imprensa, ela mencionou ao produtor Didier Brunner um roteiro não filmado de seu pai e deu a entender que o desenho se adequaria a ele. Infelizmente, Sophie morreu quatro meses após o primeiro contato, mas os parentes que assumiram o espólio concordaram com a decisão dela.

No roteiro há lamentações melancólicas, sentimento que quase não se vê em filmes de Tati, uma vez que ele sempre preferiu os pastelões. “O Mágico”, com sua história, aproveita para fazer o espectador refletir sobre sua própria vida, sobre o que tem feito de seu trabalho, suas ambições e conquistas, sempre envolvido em imagens lindas, bem feitas e com um senso de humor sofisticado, como só Tati e Chomet poderiam fazer.

A fita já ganhou alguns prêmios em 2010, paricipou da Seleção Oficial do Festival de Berlim e foi nomeado ao Globo de Ouro 2011, na categoria Melhor Longa-Metragem de Animação, quando concorre com “Meu Malvado Favorito”, “Como Treinar o Seu Dragão”, “Enrolados” e “Toy Story 3”.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Enrolados

Em 2003, quando foi lançado nos cinemas "Procurando Nemo" (um dos melhores filmes de animação já produzidos pela Pixar), tratei de levar a minha afilhada, então com 10 anos, ao cinema. Sim, ela foi uma desculpa. Levar criança ao cinema para ver filme de animação é sempre uma desculpa para nós, adultos, assistirmos ao filme também.

Embora já trabalhasse com jornalismo, ainda não era especializada em cinema, daí a necessidade de uma desculpa plausível para ir àquela sessão de sábado à tarde juntamente com um monte de outras crianças e seus pais. Naquela ocasião eu tampouco sonhava que, pouco tempo depois, escreveria uma monografia (trabalho da pós-graduação) sobre a Pixar: o mais importante estúdio de animação 3-D.

Depois de comer a pipoca e tomar litros de refrigerante, chegou o que temia: a vontade de ela querer ir ao banheiro. E eu, então, tive de levá-la, no meio do filme... Saco. Mas são coisas que acontecem quando se leva criança ao cinema.

No último sábado, 8, me deu um verdadeiro déjà vu... Sabendo que havia estreado "Enrolados", novo longa-metragem de animação da Disney, não pensei que pudesse ser criticada por ir ao cinema ver o desenho. Mas tratei de chamar a Milena para ver o filme. Hoje, com 17 anos, acredite: ela aceitou na hora. E a gente se divertiu bastante, mesmo em meio aos pais e filhos barulhentos naquela sessão de sábado a tarde. (Ah, e ela não quis sair no meio do filme para fazer xixi... Mas saiu correndo assim que acenderam as luzes!)

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Sobre o filme


"Enrolados" ("Tangled") é o que poderíamos chamar de uma releitura da clássica história de Rapunzel, escrita pelos Irmãos Grimm, sobre a menina de longos cabelos loiros que vive isolada pela "mãe" em uma torre.

Depois de contar uma breve história (narrada pelo apresentador Luciano Huck) sobre a menina que fora tirada do berço da casa de seus pais por uma velha, já que ela tinha os cabelos mágicos, é a vez de o ladrão Flynn Rider (voz de Huck) roubar a coroa da rainha e sair fugindo. Até que encontra a tal torre e conhece Rapunzel.

Entre celtas e vikings no meio do bar imundo, os dois vão partir por vários locais antes de chegarem ao reino, local de onde são lançadas as lanternas todos os anos em comemoração ao aniversário da princesa perdida.


Assim como em todo o filme produzido pela Disney, neste também não houve trégua para aquelas pausas nas quais a personagem de repente começa a cantar e dançar... E, ainda que duble o vilão, quando começa a cantar, não é a voz de Huck. Ótimo por um lado, pois sabemos que desafinaria facilmente, mas não há como negar o quão bizarro isso fica.

A exibição é em 3D e, como manda o figurino no final "todos felizes para sempre", Flynn acaba se tornando o príncipe que chegou para salvar a princesa montado em seu cavalo branco, o engraçado Máximos!

Outro recurso para divertir a história é o camaleão Pascal, um bichinho que conversa com Rapunzel a seu modo, fazendo caras e bocas e mudando de cor. Um destaque que faz as crianças caírem na gargalhada!


Não dá para negar que após a direção criativa da Disney passar às mãos de John Lasseter, diretor de "Toy Story", os filmes melhoraram, e muito, em qualidade. Já começou com "Bolt - O Sulpercão" e foi confirmado em "A Princesa e o Sapo".

E a magia da princesa da Disney renasce quando reconta, de maneira atual e engraçada, a história da menina que joga as tranças para a mãe subir na torre e todo o encantamento do conto de fadas em cores e em três dimensões!

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

A Lenda dos Guardiões

O diretor Zack Snyder tem se especializado em adaptações. Seus últimos três filmes provam isso. Em 2007, do graphic novel de Frank Muller, ele filmou “300”, sobre os 300 de Esparta; dois anos depois, lançou “Watchmen – O Fil­me” (história escrita por Alan Moore e ilustrada por Dave Gibbons). Nesta sexta-feira, 8, chega aos cinemas “A Lenda dos Guardiões: As Corujas de Ga’Hoole” (“Legend of the Guar­dians: The Owls of Ga’Hoole”), sua primeira experiência em ani­mação e com base na obra de Kathryn Lasky.

O longa-metragem conta a his­tória de Soren, jovem coruja que, antes de aprender a voar, escuta as histórias contadas por seu pai sobre os lendários Guardiões de Ga’Hoole, os guerreiros que enfrentam uma batalha para salvar a ordem das corujas dos malvados Puros. Por outro lado, seu irmão mais velho, Kludd, acha que as histórias são bobagens e vive com ciúmes de Soren por ele saber voar melhor.

O primeiro clímax da história acontece quando os dois são raptados e levados para os tais Puros e precisam arrumar um jeito de voltar para casa. É a partir de então que entram as cenas previ­síveis, como a luta do bem contra o mal e a conquista por ter encontrado os lendários Guardiões.

Além de o filme ter sido feito totalmente no computador (e ter uma qualidade incrível, principalmente no que se refere a efeitos especiais, criação dos animais, pe­lagem etc.), a projeção ganha efeitos em três dimensões e coloca o espectador para voar juntamente com as corujas. Um exemplo nítido do “voo livre” é quando duas corujinhas estão aprendendo a voar e uma diz a outra: “Você imaginava que era tão bom voar?” E, na sequencia, a câmera de Snyder sai planando... Entre as lições de moral, a busca do autoconhe­cimento, a importância da persis­tência, do sonho e, claro, do bem que prevalece sobre o mal.

Por ser sua primeira experiência em animação, Snyder, esse cineasta entusiasmado e cheio de energia para fazer movimentar as páginas de desenho na tela grande, não sabia filmar, se não fosse com uma câmera. Assim, criou uma nova estética para sua obra, uma vez que os próprios especialistas dese­nharam a fita imaginando a cena, a partir da descrição de Snyder, ou seja, se a câmera estivesse na mão, em travelling etc.

Outro artifício que ele utilizou para aprender é a coreografia com “dublês de corujas”, justamente para que a equipe entendesse como funciona uma luta no cinema. Luta, aliás, é um dos itens que mais constam do filme e tipo de ação que Snyder mais está acostumado a fazer. Portanto, não se impressione com as cenas de batalha e nem se surpreenda caso perceba qualquer semelhança com as cenas de combate dos 300 de Esparta, em “300”. Isso não terá sido mera coin­cidência.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Toy Story 3

É inevitável: um dia as crianças crescem e os seus brinquedos precisam de um destino. Eles podem ficar de herança para o irmão ou irmã mais novo, podem ser dados a alguém da família ou doados a um orfanato. Há ainda os adultos que crescem, mas ainda conservam alguns de seus melhores brinquedos como recordação de uma época incrível ou até mesmo para, quem sabe, dar ao herdeiro que um dia pode chegar.

E é exatamente este o enredo de “Toy Story 3”, longa-metragem de animação que estreia nesta sexta-feira, 18. Os brinquedos que ganham vida quando os donos viram as costas, criados por John Lasseter em 1995 (e que marcou a história do cinema de animação, uma vez que foi o primeiro longa feito totalmente por computador, ou seja, em três dimensões), ganha agora a terceira sequência, sendo desta vez também em 3D (que necessita de uso dos óculos especiais).

Na trama, dirigida por Lee Unkrich (codiretor de “Toy Story 2” e “Procurando Nemo”) e com roteiro de Michael Arndt (a partir de argumento de Lasseter, Unkrich e Andrew Stanton), o cowboy Woody (dublado por Tom Hanks, na versão original), convoca os amigos Buzz Lightyear (dublado por Tim Allen), Senhor e Senhora Cabeça de Batata e toda a turma para ver como chamar a atenção de Andy, o garoto que os ganhou na infância mas agora se prepara para ir para a faculdade. Sua mãe, então, sugere que ele e sua irmã, uma adolescente que fica ouvindo música em seu iPod, separem os brinquedos que não querem mais para levar para outras crianças, ou seja, para uma creche.

A partir de então, começa a diversão e a correria, pois os brinquedos (que atualmente vivem dentro de um baú) vão tentar achar um jeito de continuar com os donos que tanto amam.

Há, claro, os mesmos personagens das dus histórias anteriores, mas há os novos, que são apresentados ao decorrer da trama, como Barbie e o Ken, que protagonizam cenas hilárias. Ken, aliás, faz o tipo metrossexual exagerado, ou seja, fica naquela linha tênue que separa o homem que gosta de se cuidar do homessexual. Há também ursos de pelúcia.

Mais uma vez, a Pixar (que foi comprada pela Disney em 2006) acerta a mão e apresenta um longa-metragem embasado na verossimilhança. Ainda que seja um absurdo os brinquedos saírem andando e conversando, as cenas convencem, basta ter imaginação. O humor vem em pitadas generosas e é capaz de agradar crianças e adultos, já que esses também um dia tiveram seu brinquedo favorito e com certeza vão se lembrar daquele boneco que não quiseram dar.

Uma vez, John Lasseter contou que a ideia de fazer um filme com os brinquedos que ganham vida partiu do momento em que viu o que as crianças faziam com seus bonecos: colocavam na boca, jogavam no chão etc. E, se no primeiro filme, havia um menino que maltratava os bonecos, tirava suas cabeças etc., aqui podem ser vistas cenas parecidas.

“Toy Story 3”
é um filme sensível, que mistura uma boa história, alta tecnologia, mas também mexe com o emocional das pessoas. Há pelo menos duas sequências fortes, nas quais pode-se dizer que foram feitas para que o espectador chore. A música tensa ajuda a criar o clima e o resultado é bem-sucedido.

Ainda que o longa tenha versões em 3D (como a que eu assisti, em Paris), é só uma questão de profundidade que se altera, pois não há cenas que ultrapassam os limites entre a tela e a plateia. A não ser para o bolso, uma vez que o ingresso para a versão 3D é mais caro que a tradicional, acredito que o espectador que assistir à versão 2D não deve ter prejuízo em qualidade de imagem. Prepare o lenço, pegue as crianças e boa diversão!

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A versão em francês publicada pelo Cineblogywood

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Toy Story 3D

Quinze anos após o lançamento do filme que revolucionou a animação no cinema, ele é relançado no formato tridimensional (aquele em que são necessários óculos especiais). Isso porque "Toy Story 3D" chega aos cinemas nesta sexta-feira, 26. Na semana seguinte, 5 de março, é a vez de estrear "Toy Story 2 3D". E tudo porque, em 18 de junho, será lançado o "Toy Story 3 3D".

Primeiro longa-metragem de animação 3-D produzido pela Pixar (e lançado antes de todos os demais estúdios), "Toy Story", de John Lasseter, conta a história do caubói Woody, que se sente ameaçado por seu dono, Andy, quando ganha de aniversário o boneco Buzz Lightyear, um patrulheiro espacial. Buzz, porém, não acredita ser um brinquedo, mas um patrulheiro de verdade, que caiu por acaso na Terra. Até que Andy resolve sair, mas só pode levar um brinquedo – e como Woody imagina que pode ser Buzz, e não ele, trata de jogá-lo pela janela.

A partir de então começa uma nova história, quando os dois iniciam uma disputa pela atenção do garoto, mas são esquecidos em um posto de gasolina e capturados pelo vizinho do menino, que adora destruir brinquedos. Além do caubói e do patrulheiro do espaço, há o Senhor Batata, os soldadinhos, o cachorro com mola, e muitos outros que, com certeza, já estiveram presentes na infância de muita gente.

Na época em que os estúdios começaram a falar em fazer um longa-metragem de animação, muitos tinham a intenção, mas a Pixar estava uma volta à frente de todos, acredita Chris Wedge, conforme depoimento dado à Karen Paik, autora do livro "To Infinity and Beyond!: The Story of Pixar Animation Studios".

Lançado em 1995, o diretor John Lasseter queria mostrar ao público algo que lhes era familiar, mas de uma maneira como as pessoas nunca tinham visto. Então, o diretor fez objetos inanimados fazerem o impossível – viver, se mover e sentir – de um modo que não apenas ficavam de verdade em sua natureza literal, mas sentiam a correta intuição.

Woody era para ser um boneco ventríloquo. Contudo, o diretor Bud Luckey perguntou a Lasseter se ele não tinha pensado em fazer o Woody um caubói. Na hora, Lasseter adorou a ideia e percebeu que seria o ideal, pois se tratava do contraste entre duas eras de brinquedos bacanas: o caubói e o homem do espaço. E também representava dois heróis americanos clássicos. Já Buzz foi criado a partir dos brinquedos do filho de Lasseter, mas também por conta de seu interesse pela Nasa nos anos 1960.

"Toy Story" traz à vida os bonecos de brinquedo das crianças, dando a eles sentimentos como ciúme, disputa, amor e mostra que os bonecos são criados com o único objetivo: fazer as crianças felizes e ser amados por elas.

Segundo filme
Na sequência, em "Toy Story 2", Andy segue para o acampamento de verão, enquanto seus brinquedos o esperam em casa. No entanto, Woody é roubado por um colecionador de bonecos. Quando os demais brinquedos descobrem, são liderados por Buzz Lightyear para planejar a estratégia de resgate.

Nesta aventura, além dos personagens do longa anterior, entram em cena a vaqueira Jessie, o cavalo Bala no Alvo e o Mineiro, que estão juntos para serem levados ao Museu do Brinquedo, no Japão. Enquanto está lá, Woody descobre que é um raríssimo boneco de uma série de televisão dos anos 1950. Ele também descobre que Jessie possuía uma dona, que a doou depois que cresceu.

Um dos destaques do filme é que John Lasseter conseguiu contar uma boa história utilizando os mesmos personagens e acrescentando outros. Como não precisou "perder tempo" fazendo apresentações tal como foi preciso no primeiro, o diretor aproveitou para explorar a ainda mais a narrativa.

A Disney preza pelas canções em seus filmes, pois elas são capazes de emocionar o público rapidamente. O diretor, entretanto, optou por não fazer tal como a Disney fez em "A Bela e a Fera", quando os personagens param de interpretar para cantar. Caso fizesse isso, o filme perderia o senso de realidade. Então, ele inicia uma música enquanto Jessie explica a Woody o seu relacionamento com sua ex-dona, e a canção emociona.

Novamente a técnica tem muito que dizer nesta produção, mas, como em outros filmes do estúdio, não é o suficiente: é a história que manda e mostra porque aquela técnica é utilizada – para contar uma história cativante, capaz de atrair o público de todas as idades.

Ainda que sejam dois ótimos filmes de animação, a Disney não realizou as sessões no formato 3D destinadas à imprensa antes da estreia no circuito comercial. Portanto, aqui não é possível descrever a sensação e a experiência em assistir ao longa-metragem em novo formato, ainda que com a mesma história e com os mesmos dubladores. No Brasil, as cópias serão todas em português, de maneira que não será possível conferir a performance de Tom Hanks no papel de Woody. Pena.

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A experiência (atualizado em 06/03)
Assisti ao "Toy Story 3D" e tenho que dizer que foi uma experiência incrível ver todos aqueles brinquedos em três dimensões e como o primeiro filme da Pixar de longa-metragem continua atual e divertido. Só ficou ainda mais a vontade de ver a terceira parte da criação de John Lasseter,.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

A Princesa e o Sapo

Faz mais de 70 anos que Walt Disney mostrou ao mundo o que poderia fazer em termos de animação no cinema, quando lançou "Branca de Neve e os Sete Anões". Isso porque este foi o primeiro longa-metragem de animação. Feito do modo tradicional, ou seja, à mão (2-D), o filme conquistou espectadores e fãs que seguiram o mestre e se apaixonaram por seu trabalho.

Em 1994, porém, outro estúdio, a Pixar, fez uma revolução no quesito animação quando lançou "Toy Story", o primeiro longa de animação realizado totalmente por computador. De lá para cá, não apenas a Pixar, mas também outros estúdios se aperfeiçoaram e lançaram diversos filmes usando a mesma técnica 3-D. Já a tradicional, essa foi esquecida nas grandes produções. 


Na sexta-feira, 11, contudo, estreia a mais nova produção do Estúdio Walt Disney Animation: "A Princesa e o Sapo" ("The Princess and the Frog"), longa feito do modo tradicional, ambientado na cidade de Nova Orleans, nos Estados Unidos, considerada a meca do jazz. Daí o motivo de o filme ser um musical, tal como "A Bela e a Fera" e "Aladdin". 

Na fita, Tiana (com voz de Kacau Gomes, na versão brasileira) é filha de uma costureira que não sonha em se casar, mas sim em ter seu próprio restaurante, já que sabe cozinhar desde pequena. Quando cresce, vai trabalhar em um restaurante, e depois de beijar um sapo, que se diz príncipe, também se transforma em um anfíbio. Na cidade, o verdadeiro príncipe Naveen (com voz de Rodrigo Lombardi), do reino da Maldonia, procura uma noiva e acaba encontrando uma moça que estava apenas fantasiada de princesa e não consegue voltar a ser humano. Os dois sapos, portanto, vão procurar ajuda no pântano da Louisiana e ambos encontram muitas outras coisas, como os amigos vagalume e o crocodilo que toca sax.

O começo é convencional. O filme inicia enquanto uma moça lê contos de fadas a duas crianças, das quais uma delas, Charlotte, uma menina loira, mimada e rica, só pensa em se casar com um príncipe para se tornar princesa. A outra, porém, é a negra Tiana, batalhadora, tal como o pai, e desde criança guarda o desenho de como será o restaurante com o qual sempre sonhou.

Criado por John Musker e Ron Clements (de "A Pequena Sereia"), o musical (com canções de Randy Newman, de "Toy Story") mostra ao espectador muito jazz e passos de sapateado. Trata-se, então, de uma versão contemporânea de uma fábula clássica (com inspiração muito clara em "O Sapo Príncipe", dos irmãos Grimm). A versão é adaptada para os dias atuais, com personagens mais reais e próximos à nossa realidade, como a garota negra que vive a protagonista, que tem os pés no chão, e o príncipe que chega sem dinheiro nenhum a Nova Orleans.

O produtor executivo John Lasseter, diretor de filmes da Pixar (estúdio que foi comprado pela Disney em 2006), afirma no material de divulgação para a imprensa que se pudesse pôr em prática uma única lição aprendida com o Walt para levar o Walt Disney Animation Studios ao futuro, seria fazer uso da riqueza do seu passado. "A lendária forma de contar suas histórias, seus personagens de sucesso, sua exuberância musical – tudo isso é uma parte essencial do nosso mais novo projeto de animação feito à mão".

A fita, que tem acabamento impecável, com riqueza de detalhes e é muito bem-feita, discute dinheiro, casamento, objetivo na vida, trabalho. A luta do bem contra o mal também está presente e o lado negro é proposto pelo dr. Facilier, um mago que pede ajuda a almas do outro mundo para se dar bem. Como não podia deixar de estar lá, a lição de moral, típica dos filmes da Disney, se apresenta antes do final, principalmente com a ajuda da feiticeira Mama Odie, que mostra o valor das pequenas coisas. O filme, dedicado às crianças, mostra tudo, não deixa nada subjetivo. Bom para os pequenos, chato para os adultos.

O bom humor do roteiro, porém, é um dos destaques nos quais os adultos vão se animar em assistir à produção que está sendo feita desde 2006. Os diálogos atuais são outro ponto forte. E para finalizar, mais um clichê, afinal, todos vivem felizes para sempre.

Por ser musical, o 49º filme de animação da Disney entedia um pouco, mas não chega a ser um problema, principalmente porque combina com a história e não a torna arrastada. Pelo contrário. O bom humor e a trilha sonora fazem com que os quase 100 minutos de projeção sejam bastante rápidos e emocionantes.

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Assista ao trailer.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Up - Altas Aventuras

A animação da Pixar conta a história de um velhinho viúvo, Carl Fredricksen, que passou a vida sonhando em explorar o planeta. Pressionado a vender a sua casa a uma construtora, resolve fazê-la voar com balões a gás. Com senso de humor, principalmente por conta do humor ácido do protagonista, o filme conta uma história emocionante do início ao fim. Como bônus, 'A Missão Especial do Dug'. Há ainda Cenas Alternativas no DVD e disco duplo em Blu-ray.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Branca de Neve e os Sete Anões

Da Coleção Diamante, o lançamento traz conteúdo exclusivo em imagens remasterizadas e sistema de som Digital Theater System com 7.1 canais de áudio de alta definição. O Blu-ray traz recursos inovadores, como o "Jogos em Família", que oferece jogos e atividades interativas. Há outros extras, como o passeio virtual pelas salas onde o filme foi concebido por Walt Disney. Primeiro longa-metragem de animação lançado em 1939, conta a história da princesa cuja beleza perturba sua madrasta, até que ela decide matar a garota para ser sempre a mais bela de todas. Para escapar da rainha má, Branca de Neve foge para a floresta e conhece sete anões, que vão cuidá-la, inclusive quando ela, aparentemente, morre à espera do Príncipe Encantado para que ambos possam viver felizes para sempre. O Blu-ray custa R$ 99,90 e o DVD, R$ 44,90, ambos com discos duplos.

Monstros Vs. Alienígenas

A animação conta a históra de Susan que, após ser atingida por um meteorito no dia de seu casamento, cresce até virar um gigante de 15 metros e é levada para uma instituição secreta do governo americano onde será mantida presa com um grupo de monstros: Dr. Barata, Ph.D., o machão metade macaco, metade peixe Elo Perdido, o gelatinoso e indestrutível de um olho só B.O.B. e a larva de 106 metros Insetossauro, que se transforma em uma bela borboleta. Além de falar sobre esses seres bizarros, há a inclusão de personagens humanos na história, mostrando que a utilização da técnica está mais apurada, mais sensível e cada vez mais parecendo com o real. O longa-metragem tira sarro da tecnologia, da impressão digital, mostra que fazer uma bobagem, como explodir uma bomba é tão simples quanto tirar o café de uma máquina.

A Era do Gelo 3

Os mamutes Manny e Ellie esperam o nascimento de seu bebê; a preguiça Sid continua atrapalhada e engraçada, mas dessa vez ultrapassa os limites quando se apossa de ovos gigantes; os gambás loucos por confusão Crash e Eddie; e o tigre dentes-de-sabre Diego começa a se questionar sobre sua capacidade de lutar, sem falar no esquilo Scrat, que ganha mais destaque. Outra novidade é a doninha Buck, que vive no mundo subterrâneo. Destaque para o bom humor do roteiro, uma vez que a história é capaz de arrancar boas gargalhadas inclusive dos adultos, além de uma trilha sonora impecável. O lançamento pode ser encontrado em DVD (R$ 29,90) e em Blu-ray (R$ 99,90).

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Up - Altas Aventuras

Primeiro longa-metragem da Pixar (estúdio responsável por "Procurando Nemo", por exemplo) a ser lançando em 3-D, ou seja, cuja exibição exige que a plateia utilize óculos especiais, "Up - Altas Aventuras" ("Up") foi apresentado pela primeira vez na abertura do Festival de Cannes, em maio deste ano.

A animação em longa-metragem que estreia nesta sexta, 4, conta a história de Carl Fredricksen (dublado em português por Chico Anysio), um vendedor de balões de 78 anos que começa a lutar contra os investidores por conta da casa onde sempre morou. Isso porque eles querem comprá-la para construir mais um edifício no local.

Contudo, Carl é sentimental demais para ceder à pressão do capitalismo. A casa que conserva foi cenário do ninho de amor que construiu ao lado de Ellie, sua paixão desde a adolescência, pessoa com quem compartilhava os sonhos de aventura de um dia, enfim, conhecer as Cachoeiras do Paraíso, na América do Sul.

Tal como a animação "Wall-E" (lançada em 2008), que pode ser classificada também como ficção científica e comédia romântica, a trama de "Up - Altas Aventuras" começa como romance, mas logo após a primeira parte vira drama. É quando Ellie adoece e morre, deixando Carl desolado, mas ao mesmo tempo com forças para colocar em prática o seu sonho de voar.

A partir de então, o longa-metragem de animação criado por Pete Docter (o mesmo de "Monstros S.A.") passa a ser uma aventura liderada pelo velho, que resolve o problema de tirar a sua casa do terreno cobiçado pelos investidores ao amarrar milhares de bexigas nela e fazê-la flutuar, tal como se estivesse, de fato, dentro de um balão.

Pouco antes de ele ter essa brilhante ideia, porém, bate à sua porta um menino de oito anos, Russell, que se diz explorador da natureza e, portanto, quer ajudar o idoso a atravessar a rua, cortar a grama do seu jardim, o que for, a fim de ganhar mais um distintivo em seu colete. A maior descoberta de Carl é que, assim que a casa parte para os ares, alguém bate novamente à sua porta e pede para entrar.

Embora ele seja ranzinza e reclamão (os trejeitos e os sons que emite em protesto, aliás, lembram os mesmos resmungos de Clint Eastwood, em "Gran Torino"), e prossiga vivendo de lembranças, já que Ellie continua presente – nas fotos colocadas nas paredes e nas estantes da casa, no caderno onde escreve desde criança as suas aventuras, na poltrona onde costumava se sentar –, inclusive em termos musicais, já que a trilha sonora que se repete quando ela aparece subliminarmente como personagem do filme, sua vida dá uma guinada e, no caminho da aventura, enfrenta o mal e seus próprios defeitos, conhece gente nova, convive com o garoto que poderia ser o neto que nunca teve, faz amigos bichos, como o cachorro falante Dug e o pássaro gigante Kevin.

De acordo com o material de divulgação para a imprensa, uma das tarefas mais difíceis no filme foi criar o conjunto de balões que leva a casa de Carl. "Era importante para o filme ter uma simulação realista dos balões. Os balões se comportam de forma realista, embora a noção de ser capaz de erguer uma casa com balões seja bastante absurda. Nós não somos físicos, mas um de nossos diretores técnicos calculou que seriam necessários de vinte a trinta milhões de balões para conseguir erguer a casa de Carl. Nós acabamos usando 10.297 para a maior parte das cenas em que a casa flutua e 20.622 quando ela decola. O número varia de tomada para tomada, dependendo do ângulo, da distância e do tamanho, de forma que fique interessante, convincente e visualmente simples", diz Steve May, supervisor e diretor técnico do filme.

Com a utilização da técnica tridimensional para construir a animação, é possível observar os avanços do estúdio na construção dos personagens, da riqueza de detalhes dos pelos, das peles, das roupas etc. E também do 3-D, que com a utilização dos óculos especiais é possível perceber alguns elementos saltarem da tela, mas o espectador tem principalmente a ilusão de profundidade nas cenas aéreas, que são deslumbrantes e contam com cenários incríveis.

"Up - Altas Aventuras" não é o melhor filme da Pixar, no entanto, há de se dizer que se trata de uma produção bem-feita, que utiliza alta tecnologia para o desenvolvimento dos personagens animados por computador, com senso de humor peculiar, principalmente por conta do humor ácido do protagonista que se contrapõe à inocência da criança, e conta uma história emocionante do início ao fim.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Força-G

Seguindo a tendência de Walt Disney (o criador) em propor um cinema de entretenimento para a família toda, o novo lançamento do seu estúdio é "Força-G" ("G-Force"), longa-metragem que estreia no Brasil nesta sexta-feira, dia 14 de agosto, e que, em sua estreia nos Estados Unidos, dia 24 de julho, rendeu US$ 32,1 milhões (segundo o Filme B), tirando "Harry Potter e o Enigma do Príncipe" do topo da lista.

Dirigido por Hoyt Yeatman, especialista em efeitos visuais, "Força-G", que teve como ponto de partida uma sugestão de seu filho de seis anos, enfoca as aventuras de agentes do governo nada convencionais. Isso porque o grupo é formado por porquinhos-da-índia supostamente modificados geneticamente. E, além de haver a inclusão de efeitos especiais capazes de fazer esses bichinhos manipularem os mais avançados equipamentos de espionagem (como radiocomunicadores, binóculos, computadores etc.) fabricados com tecnologia de ponta, há personagens humanos que atuam como cientistas (do lado do bem) e empresários (do lado do mal).

Mais uma vez, o cinema aposta na mistura de live-action (ao vivo) com animação (tal como "Uma Cilada para Roger Rabbit"), além de incluir a tecnologia 3-D, que permite ao espectador ver as imagens como se elas estivessem saindo da tela. Vale lembrar que apenas as cenas de animação foram convertidas para esse formato, enquanto que as imagens dos atores reais continuam intactas. E há também cópias sem esse efeito.

A equipe de agentes é formada por Darwin (o líder), Blaster (especialista em armas), Juarez (profissional em artes marciais), Mooch (especialista em reconhecimento) e a topeira Speckles que possui um defeito na visão, mas é especialista em informação.

Embora os personagens sejam dublados por atores como Penelope Cruz, Nicolas Cage, Jon Favreau, entre outros, as cópias que teremos no Brasil são dubladas em português. No entanto, os atores que completam as cenas live-action são: Zach Galifianakis, Kelli Garner, Bill Nighy, Chris Ellis, Travis Davis.

Além de ter sido dublado, o longa foi também adaptado de modo que os diálogos são engraçados, formados por gírias familiares, principalmente quando a piada é acompanhada da imagem, como quando a agente Juarez aparece como se estivesse participando de um comercial de shampoo e, em câmera lenta, sacode os pelos! Ou quando eles se paqueram, tiram sarro do modo como vivem etc. Há também o momento em que os eletrodomésticos ganham vida, cena que rapidamente remete a "Transformers 2 - A Vingança dos Derrotados".

Enquanto tentam descobrir o que a empresa do mal está tramando para dominar o mundo, os porquinhos-da-índia se camuflam e vão para território inimigo. Então, são capturados e levados para um pet shop, onde vão conviver com outros animais.

"Força-G" não pode ser tratado como uma obra-prima, mas como uma experiência de ir ao cinema com a família toda e se divertir, tal como uma boa sessão da tarde.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Up - Altas Aventuras

Depois de ser apresentado na abertura do Festival de Cannes deste ano, "Up – Altas Aventuras" estreou nos Estados Unidos e em alguns países da América Latina, onde, aliás, assisti, uma vez que, no Brasil, o lançamento da Pixar chega apenas em 4 de setembro.

Primeiro longa-metragem do estúdio a ser lançando em 3-D (embora outros estúdios já o tenham feito, como a DreamWorks, com "Monstros vs Alienígenas" e a Blue Sky, com "A Era do Gelo 3"), ou seja, cuja exibição exige que a plateia utilize óculos especiais, "Up – Altas Aventuras" conta a história de Carl Fredricksen, um vendedor de balões de 78 anos que, depois de lutar contra os investidores por conta da casa onde sempre morou desde que se casou com Ellie, resolve o problema quando amarra milhares de balões em sua casa e a faz flutuar, tal como se estivesse, de fato, dentro de um balão viajando para as florestas da América do Sul.

Pouco antes de ele ter essa brilhante ideia, porém, bate a sua porta um menino de oito anos, Russell, que se diz explorador da natureza e, portanto, quer ajudar o idoso a atravessar a rua, cortar a grama do seu jardim, o que for. A maior descoberta de Carl é que, assim que a casa parte para os ares, alguém bate novamente a sua porta e pede para entrar.

Tal como "Wall-E" (filme lançado em 2008), que pode ser classificado (além de cinema de animação, cinema de gênero) como ficção científica e comédia romântica, "Up – Altas Aventuras" é uma animação que se divide entre o drama e a comédia. O drama fica explícito no início quando o protagonista, que está apaixonado por sua esposa que nunca conseguiu ter filhos, adoece e morre. Sozinho na casa em que os dois moraram desde que se casaram, ele vive a rotina desgastante lutando contra os investidores que insistem em comprar a sua casa para derrubá-la e dar lugar a mais um empreendimento imobiliário, ouvindo o barulho da vizinhança, dizendo não ao insistente menino que quer ajudá-lo seja no que for preciso.

Embora ele seja ranzinza e reclamão, e prossiga vivendo de lembranças, uma vez que Ellie continua presente – nas fotos colocadas nas paredes e nas estantes da casa, no caderno onde escreve desde criança as suas aventuras, na poltrona onde costumava se sentar –, inclusive em termos musicais, já que a trilha sonora que se repete quando ela aparece subliminarmente como personagem do filme, sua vida dá uma guinada quando vai viajar para a América do Sul a bordo de sua casa e, no caminho, enfrenta o mal e seus próprios defeitos, conhece gente nova, convive com o garoto que poderia ser o neto que nunca teve, faz amigos bichos, como o cachorro falante Dug e o pássaro gigante Kevin, ajuda a natureza e, então, o drama vira comédia, vira aventura, ação. Como se diz um explorador da natureza e por ter freqüentado curso de escoteiro, Russell mostra a Carl o que é um GPS, ajuda-o a manobrar a casa, a literalmente carregá-la nas costas, a ver a vida por outro ângulo que não conhecia.

De acordo com o material de divulgação para a imprensa, uma das tarefas mais difíceis no filme foi criar o conjunto de balões que leva a casa de Carl. “Era importante para o filme ter uma simulação realista dos balões. Os balões se comportam de forma realista, embora a noção de ser capaz de erguer uma casa com balões seja bastante absurda. Nós não somos físicos, mas um de nossos diretores técnicos calculou que seriam necessários de vinte a trinta milhões de balões para conseguir erguer a casa de Carl. Nós acabamos usando 10.297 para a maior parte das cenas em que a casa flutua e 20.622 quando ela decola. O número varia de tomada para tomada, dependendo do ângulo, da distância e do tamanho de forma a que fique interessante, convincente e visualmente simples”, diz Steve May, supervisor e diretor técnico do filme.

Ainda no material de divulgação, John Lasseter, que novamente é produtor executivo deste décimo lançamento do estúdio, diz que, “junto com o humor, é preciso ter emoção”. “Walt Disney sempre disse: ‘Para cada riso, deve haver uma lágrima.’ Eu creio nisso.” Para o público que está se divertindo na platéia com os óculos especiais e vendo a animação por computador mais perfeita do que nunca e, em alguns momentos, com imagens bem próximas de si, fica a lição para levar para a casa e pensar que a felicidade pode estar nas coisas mais simples, ainda que não tenhamos a vida que sonhamos.

"Up – Altas Aventuras" não é o melhor filme da Pixar (em minha opinião, "Wall-E" continua sendo o primeiro), mas há de se dizer que trata-se de uma produção bem-feita, que utiliza alta tecnologia para o desenvolvimento dos personagens animados por computador, com pele, cabelos e roupas perfeitos, com senso de humor peculiar, principalmente por conta do humor ácido do protagonista que se contrapõe com a inocência da criança, e conta uma história emocionante do início ao fim.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

A Era do Gelo 3

Pode ser que longas-metragens de animação sejam mais valorizados por sua técnica, já que o filme é todo feito em computador, que por seu conteúdo, de maneira que se pode pensar que a narrativa fica em segundo plano, após o (bom) uso da tecnologia. Bobagem. Filme bom, seja ele live action (ao vivo) ou animação, é aquele que consegue contar uma boa história e cativar o espectador, independentemente do modo como ela é contada.

Usando ainda mais a tecnologia para fazer o filme em terceira dimensão (com uso dos óculos especiais), "A Era do Gelo 3" ("Ice Age: Dawn of the Dinossaurs") estreou na sexta, 26, apenas nas salas equipadas para essa projeção. A partir do dia 1o de julho, porém, outras centenas de salas começaram a exibir a terceira parte do filme dirigido pelo brasileiro Carlos Saldanha na versão normal. Ele, aliás, começou como codiretor no primeiro filme, lançado em 2002. No segundo, em 2006, passou a dirigi-lo e, por consequência, dar mais destaque à sua criação, o esquilo Scrat, que continua tentando agarrar a noz, mas não apenas ela, uma vez que parece ter encontrado sua cara-metade.

Aos que preferem a surpresa, porém, é melhor passar longe dos vídeos divulgados na internet, uma vez que uma sequência inteira é mostrada sem cortes. É realmente engraçada e acompanha trilha sonora perfeita. O comportamento dos esquilos, aliás, é divertido por remeter o espectador ao típico comportamento humano, ao conferir que as mulheres são superiores (ou ao menos pretendem ser ou são vistas como), mandonas, sarcásticas quando querem tirar proveito de alguma situação, em detrimento dos homens que são submissos (ao menos quando se mostram apaixonados), tolos a ponto de acreditar em um charme típico para fazer chantagem, entre outras situações patéticas e caricatas do comportamento humano, mas representado por dois esquilos.

Os outros personagens dos longas anteriores continuam, além de terem a companhia de novos, como os mamutes Manny (com voz de Diogo Vilela, na versão dublada) e Ellie (Cláudia Jimenez) esperam o nascimento de seu bebê; a preguiça Sid (Tadeu Mello) continua atrapalhada e engraçada, mas dessa vez ultrapassa os limites quando se apossa de ovos gigantes que vão dar origem a dinossauros; os gambás loucos por confusão Crash e Eddie; e o tigre dentes-de-sabre Diego (Marcio Garcia) começa a se questionar sobre sua capacidade de lutar, correr e de continuar convivendo com os amigos que agora estão vivendo em família.

Outra novidade é a doninha Buck (Alexandre Moreno), caçadora de dinossauros, que vive no mundo subterrâneo (onde moram os dinossauros), e acabam ajudando os personagens em sua missão.

Destaque para o bom humor do roteiro, uma vez que a história é capaz de arrancar boas (ou serão ótimas?) gargalhadas dos adultos também, além de uma trilha sonora impecável, com direito ao clássico de Lou Rawls "You'll Never Find Another Love Like Mine", "Alone Again (Naturally)", de Gilbert O' Sullivan, além de canções compostas por John Powell, como o tango "You'll Never Tango".

Sem dúvida, "A Era do Gelo 3" é imperdível, principalmente pela história, pela técnica, pelas risadas, pela diversão do uso dos óculos 3-D.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Monstros vs Alienígenas

Desde 1995, quando “Toy Story” foi lançado nos cinemas (o primeiro longa-metragem de animação feito totalmente por computador), notou-se uma mudança clara nas produções do gênero, principalmente porque até então só eram vistos filmes produzidos do modo tradicional, tal como fazia Walt Disney desde os anos 1930. Pois bem, quando o estúdio independente Pixar lançou seu primeiro filme em três dimensões, o público fiel dessas produções voltou para as salas de cinemas e continuou consumindo os produtos licenciados, além dos filmes em home vídeo.

Depois do longa sobre os brinquedos que ganham vida, muitos outros foram lançados, inclusive por outros estúdios, como DreamWorks, Blue Sky e pela própria Disney, a pioneira. Nesta sexta-feira, dia 3 de abril, chega aos cinemas mais uma produção da DreamWorks, o mesmo estúdio responsável pelo sucesso “Shrek”, que foi o primeiro longa-metragem de animação a ganhar um Oscar em sua categoria.

“Monstros vs Alienígenas” (“Monsters vs Aliens”) é o lançamento dirigido por Rob Letterman e Conrad Vernon, responsáveis, respectivamente, por “O Espanta Tubarões” e “Shrek 2”, ambos de 2004. Mais divertido que o próprio filme tridimensional, é o fato de algumas salas de cinemas disponibilizar a versão em 3-D e IMAX, ou seja, com o uso daqueles olhos engraçados que dão a impressão que as imagens saem da tela. A primeira cena, aliás, já mostra o que vem pela frente e anima o espectador, quando um personagem entediado está jogando pingue-pongue e a imagem da bolinha parece que vai bater no público. Muito bom!

Outra observação importante a respeito do lançamento é que, à primeira vista, sabendo das provocações do estúdio à Pixar e aos estúdios Disney, é que se trata de uma revanche ao grande sucesso da Pixar, “Montros S.A.”, filme de 2001 dirigido por Pete Docter, sobre os monstros que são contratados para assustar as crianças, mas na verdade quem tem medo delas são eles.

“Monstros vs Alienígenas”, porém, é mais do que isso. Além de falar sobre esses seres bizarros, há a inclusão de personagens humanos na história, mostrando que a utilização da técnica está mais apurada, mais sensível e cada vez mais parecendo com o real.

Na trama, após ser atingida por um meteorito no dia de seu casamento, Susan Murphy (com voz da atriz Reese Witherspoon, na versão original) cresce até virar um gigante de quinze metros e meter medo em todo mundo, inclusive nos militares que a levam para uma instituição secreta do governo americano. Lá, ela recebe o nome de Ginórmica e é mantida presa com um grupo de monstros: Dr. Barata, Ph.D. (hugh laurie); o machão metade macaco, metade peixe Elo Perdido (Will Arnett); o gelatinoso e indestrutível de um olho só B.O.B. (Seth Rogen); e a larva de 106 metros Insetossauro, que se transforma em uma bela borboleta.

Mas é com a chegada do robô alienígena na Terra que ataca os Estados Unidos, que o presidente (Stephen Colbert) é convencido a recrutar a gangue de monstros para salvar o mundo. Um dos pontos altos da produção são as piadas e o bom humor do roteiro de autoria de Maya Forbes, Wally Wolodarsky, Rob Letterman, Jonathan Aibel e Glenn Berger, principalmente aquelas que serão compreendidas pelo público adulto ao entender a ligação da trilha sonora (como a música que o presidente toca), a alusão ao filme “ET – O Extraterrestre”, quando aparece a frase “ET GO Home”, entre outras sacadas. Neste caso, aliás, vale lembrar que um dos sócios da DreamWorks é Steven Spielberg, diretor do filme sobre o alienígena.

O longa ainda tira sarro da tecnologia, da impressão digital, além de mostrar que fazer uma bobagem, como explodir uma bomba nuclear, é tão simples quanto tirar o café espresso de uma máquina.

“Monstros vs Alienígenas” não é a melhor das produções em animação por computador, mas apresenta inovações tecnológicas, como o aprimoramento da técnica no desenvolvimento de pelos e cabelos dos bichos e dos humanos, piadas bem-humoradas e toda a diversão que só o 3-D pode garantir.

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Publicado também no CineNET