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terça-feira, 21 de junho de 2011

Meia Noite em Paris - Bilheteria

No final de semana, assisti novamente ao filme "Meia Noite em Paris", de Woody Allen e, mesmo sem saber, contribuí para incrementar a bilheteria da fita. Isso porque, segundo a Paris Filmes, distribuidora do longa-metragem, este foi o maior lançamento de um filme do diretor, que teve 98 cópias em 24 cidades. Ao todo, foram mais de 126 mil ingressos vendidos no final de semana de estreia, o que dá uma média de 1,3 mil ingressos por sala.

Os recordes anteriores do diretor eram de "Vicky Cristina Barcelona", que em 2008 levou cerca de 96,3 mil pessoas aos cinemas no final de semana de estreia e "Ponto Final - Match Point", que em 2006 levou cerca de 81,9 mil pagantes no mesmo período. 
Como a primeira cópia a que eu assisti poderia ter correções, uma coisa não foi arrumada, talvez intencionalmente, mas muitos diálogos em francês não possuem legendas. Para quem está acostumado com o idioma, vai entender sem problemas. Mas o mesmo não acontece para quem não tem noções de francês.

De qualquer modo, a falta das legendas não compromete o entendimento do filme, mas a verdade é que o espectador acaba perdendo umas três piadas.

Mesmo assistindo ao filme pela segunda vez, muitas cenas continuaram sendo mágicas. E foi a oportunidade de observar detalhes que passaram despercebidos da primeira vez, como os passeios em Montmartre, ou na Rue de Rivoli, as mesinhas nas calçadas e assim por diante. Aliás, "Meia Noite em Paris" será um ótimo filme para assistir em casa e pausando: momento para comentar os cartões postais escolhidos por Woody Allen!

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Como Arrasar um Coração

Quem disse que todo filme francês tem final estranho, aliás, muitas vezes nem final tem? “Como Arrasar um Coração” (“L’Arnacoeur”) é uma comédia romântica dirigida por Pascal Chaumeil, em sua estreia no cinema, já que ele tem mais experiência em séries de televisão. Como primeira produção, aliás, ele não faz feio, até recebeu indicação ao César, o Oscar francês, na categoria de Melhor Filme de Estreia e outras quatro: Melhor Filme, Ator, Ator Coadjuvante, Atriz Coadjuvante – mas não ganhou nenhum.


Assisti ao filme no ano passado, durante um voo entre Paris e São Paulo. Agora, estreia nos cinemas brasileiros. A narrativa, baseada em história real da roteirista e produtora Laurent Zeitoun (que escreveu ao lado de Jeremy Doner e Yohan Gromb), conta a história vivida por Romain Duris. O protagonista, aliás, é um dos atores mais disputados na França e trabalhou em produções como “Em Paris” (de Christophe Honoré, ao lado de Louis Garrel), “As Aventuras de Molière” (de Laurent Tirard), “Paris” (de Cédric Klapisch), entre outros.

Aqui, ele é Alex Lippi, um sedutor que conquistou e encantou uma tropa de mulheres. No entanto, tal como ele diz no início da fita, este é o seu trabalho, ou seja, ele é contratado para seduzir mulheres novas ou menos novas, francesas ou estrangeiras. E, geralmente, o desafio aumenta ainda mais, pois elas são comprometidas. Para executar o tal “servicinho”, ele conta com a ajuda da irmã (Julie Ferrier) e do cunhado (François Damiens que, aliás, rouba a cena em diversos momentos).

No entanto, o maior de todos os desafios e que é contado com ênfase no filme de Chaumeil, é que ele terá 10 dias para conquistar a socialite Juliette Van Der Becq (Vanessa Paradis), já que ela está de casamento marcado como inglês Jonathan Alcott (Andrew Lincoln). Para tanto, vai valer tudo. E é exatamente aí que está a graça do longa-metragem que tem 105 minutos de duração.

O filme, que fez um grande sucesso na Europa e já teve seus direitos vendidos para ser refilmado nos Estados Unidos, é ambientado em locações que incluem hotéis de luxo, escritórios, lojas etc. Destaque principalmente para o cenário estonteante quando ao fundo temos Monte Carlo, em Mônaco.

“Como Arrasar um Coração” não tem diálogos bem construídos, como é a característica principal desses filmes feitos do lado de lá do Atlântico, mas o bom humor está presente em toda a fita. De quebra, o que poderíamos chamar de um revival interessante, é a interpretação do casal da dança principal de um dos clássicos dos anos 1980: “Dirty Dancing”, estrelado por Patrick Swayze e Jennifer Grey.

Ainda assim, há algumas cenas que parecem artificiais, afinal de contas, como é possível organizar tramoias tão perfeitas e em tão pouco tempo como essa trupe consegue?
“Como Arrasar um Coração” é mais que uma sessão da tarde e um ótimo motivo para rir sem compromisso no cinema. E, de repente, suspirar ao final...

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Homens e Deuses

Em primeiro lugar na bilheteria mundial, a animação “Rio”, que estreou na semana passada, tomou conta das salas de cinema do país. Ao todo, foram mil cópias. Já sabendo do efeito que o longa-metragem do brasileiro Carlos Saldanha teria (mais de 1,1 milhão de pessoas assistiram ao filme no cinema nos três primeiros dias), foram apenas quatro estreias no dia 8.

Nesta sexta-feira, 15, o quadro não muda muito. Serão cinco estreias ao todo: o nacional “Amor?”, o documentário francês “Bebês”, a ficção científica “Eu Sou o Número Quatro”, o terror “Pânico 4” e o aguardado “Ho­mens e Deuses”, produção francesa, vencedora do Grand Prix do Festival de Cannes, no ano passado. O mesmo festival, aliás, que premiou “O Profeta”, em 2009, e “Gomorra”, em 2008.


A trama de “Homens e Deu­ses” (“Des Hommes et des Dieux”), que tem direção de Xavier Beauvois e roteiro escrito a quatro mãos juntamente Etienne Comar, é baseada na história real dos monges franceses que faziam trabalho missionário na Argélia, país árabe e ex-colônia da França.

Em uma época na qual a igre­ja pouca influência tem sobre as pessoas, principalmente longe dos domínios do cristia­nismo, o longa-metragem discute problema político que se passa no final dos anos 1990 e usa os diálogos para mostrar o que acontece por ali. Nas imagens, as matanças são momentos bastante duros.

Mesmo que tenham poucas influências no mundo atual, os monges fazem visitas em toda a comunidade onde atuam e também prestam serviços médicos. E, para combater o mal, rezam e cantam. A música dos monges, aliás, é a única que compõe a trilha sonora da fita que tem duração de 122 minutos. Talvez isso possa ser um pouco can­sativo para quem está acostumado com os filmes barulhentos exibidos no cinema, principalmente de produção norte-americana.



 “Homens e Deuses” é intimista a partir do olhar do diretor e na medida que insere o espectador na trama, mas também mostra os sequestros e os assassinatos, além do confronto entre o go­verno e os extre­mistas que queriam tomar o poder.

Liderados por Christian (Lambert Wilson), os monges Luc (Michael Lonsdale), Chris­tophe (Olivier Rabourdin), Celéstin (Philippe Laudenbach), Amédée (Jacques Herlin), Jean-Pierre (Loïc Pichon), Paul (Jean-Marie Frin ), Bruno (Olivier Perrier) e Michel (Xavier Maly) decidem, em meio ao conflito, se voltam para a França ou conti­nuam prestando o serviço ao qual se propuseram, mesmo sabendo que são alvo dos terro­ristas, principalmente por aqueles que invadem o mosteiro a fim de roubar remédio.

“Homens e Deuses” mostra a mistura de fatos e atos praticados pelos homens que são contra as leis de Deus mas, ao mesmo tempo, o que poderiam os monges fazer senão cuidar da comunidade onde viviam e enfrentar o mal?

Ao final, o destino de cada um deles é revelado. Triste demais, mas um belíssimo filme, capaz de fazer o espectador refletir e situá-lo nos dias atuais. Que dias!

quinta-feira, 17 de março de 2011

Cópia Fiel

Com direção e roteiro do iraniano Abbas Kiarostami, vencedor da Palma de Ouro em 1997 pelo filme “Gosto de Cereja”, estreia nesta sexta-feira, 18, em um circuito reduzido, “Cópia Fiel” (“Copie Conforme”). Na trama, o ponto central é o encontro entre o escritor britânico (William Shimell) e uma mulher (Juliette Binoche), na região da Toscana, na Itália. Ela, francesa e dona de uma galeria de arte, se interessa pelo lançamento de seu livro sobre o mercado de cópias das obras de arte.

Com mistura de inglês, italiano e francês (inclusive com ele falando inglês e ela respondendo em francês), a trama vai se desenrolando com a bela região italiana servindo como pano de fundo, tal como o filme “Romance na Itália”, de Roberto Rossellini. Aqui, porém, o cenário não é o foco, haja vista que a câmera do diretor aponta para as pessoas e não para fora do carro, por exemplo, nas cenas nas quais a mulher vai conduzindo o homem até um pequeno vilarejo. E, então, a trama vai instigando o espectador a conhecer mais sobre os personagens que estão sendo apresentados na tela.

As passagens no tempo e o vai e vem mostram que, embora os dois parecessem desconhecidos, talvez sejam casados há 15 anos. Uma confusão que, ao final, não será esclarecida.

Assisti ao filme quando estava em Paris, em junho de 2010, logo depois que a fita havia sido indicada à Palma de Ouro e venceu na categoria Melhor Interpretação Feminina (para Juliette Binoche), no Festival de Cannes 2010.

Na ocasião, entrevista com o diretor foi publicada pela revista “Trois Couleurs” (número 81, by MK2), na qual ele diz que “teria usado os meios habituais [para voltar 15 anos no tempo]: maquiagem, intertítulo, flashback”. “Mas não é este cinema que me interessa”, pontua. E completa: “A ideia era injetar um sangue novo no filme”. Em “Cópia Fiel”, Kiarostami introduz, em uma mise en scéne clássica, uma modernidade real.

O cineasta iraniano é aplaudido pelo cinéfilo internacional, mas profundamente ancorado em um país onde ele escolheu ficar após a revolução islâmica, apesar das restrições ditadas pelo novo regime. “Cópia Fiel”, portanto, marca uma evolução do cineasta, pois este é o primeiro longa-metragem de ficção que ele filma fora do Irã.

“Cópia Fiel” é daqueles filmes que nunca acabam, quando terminam... Fazem o espectador sair da sala de projeção pensando como aquilo que acabou de ser contado é possível. E o final é particular: cada um escolhe o seu.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

O Mágico

Em tempos nos quais reinam as animações feitas por computador e os efeitos especiais de ponta, também há espaço para a animação tradicional. Essa, aliás, foi a utilizada por Walt Disney, quando lançou “Branca de Neve e os Sete Anões”, em 1939. Mas, a partir de 1994, quando a Pixar mostrou ao mundo “Toy Story”, pouco se fez com lápis e papel. 

Nem “Tron: O Legado” nem “Enrolados”, ambos da Disney. Assisti à animação francesa “O Mágico” (“L'illusionniste”) assim que ela estreou naquele país, enquanto eu estava em férias por lá, em junho do ano passado. No Brasil, a fita estreia nesta sexta, 14, e é dirigida por Sylvain Chomet, o mesmo de “As Bicicletas de Belleville”. 

Um dos seus diferenciais, além da arte tradicional, é claro, é o roteiro, escrito pelo francês Jacques Tati no final dos anos 1950. Na época, ele escreveu para sua filha Sophie Tatischeff, e a história  foi encontrada nos arquivos do CNC (Centro Nacional da Cinematografia) sob o apelido de “Film Tati N° 4”. Tati morreu em 1982 e deixou um legado de filmes cômicos, como “Meu Tio”, de 1958, no qual atuou e dirigiu, além de outras obras, como “As Férias do Sr. Hulot”, “Tempo de Diversão”, “As Aventuras do Sr. Hulot no Trânsito Louco”.

Após meio século, a história sensível e delicada criada por Tati chega aos cinemas trazendo magia e emoção. Na trama, o mágico é um artista já velho e é forçado a andar em diversos lugares à procura de um palco para apresentar seus números a fim de ganhar dinheiro. Até que conhece Alice, uma garota simples, que mal conhece a energia elétrica, mas que se faz de mulher.

Entre mentiras de ambos os lados, os dois vão se encontrar em Edimburgo, na Escócia, on­de ele fará uma apresentação e ela o segue a partir de Londres. Então, passam a dividir a sopa e o apartamento. Ele se encanta pela jovialidade dela, e ela, pela sabedoria e pelos truques de mágica dele. Mas também pelos presentes caros que ele lhe dá, e que acredita serem truques mágicos.

Praticamente sem utilizar diálogos (e, quando há, são em francês), o longa apresenta a mudança de comportamento dos personagens de maneira delicada e sensível, principalmente porque o relacionamento dos dois vai entusiasmando, e o amor vai crescendo com o tempo, ainda que vivam muitas vezes em meio à mentira.  


Os traços dos desenhos comprovam que o diretor é o mesmo de “As Bicicletas de Belleville”, já que ambos são muito parecidos. E foi enquanto fazia o filme, em 2003, que Sylvain Chomet entrou em contato com a filha de Tati para pedir autorização de exibição de um trecho de sua obra “Há Festa na Aldeia”, para uma cena na qual as trigêmeas estão assistindo televisão na cama. “Achei que seria divertido as personagens visualizarem um clipe de filme parecido em sentimento à história ciclística do Tour de France.”

Na ocasião, segundo o material de divulgação à imprensa, ela mencionou ao produtor Didier Brunner um roteiro não filmado de seu pai e deu a entender que o desenho se adequaria a ele. Infelizmente, Sophie morreu quatro meses após o primeiro contato, mas os parentes que assumiram o espólio concordaram com a decisão dela.

No roteiro há lamentações melancólicas, sentimento que quase não se vê em filmes de Tati, uma vez que ele sempre preferiu os pastelões. “O Mágico”, com sua história, aproveita para fazer o espectador refletir sobre sua própria vida, sobre o que tem feito de seu trabalho, suas ambições e conquistas, sempre envolvido em imagens lindas, bem feitas e com um senso de humor sofisticado, como só Tati e Chomet poderiam fazer.

A fita já ganhou alguns prêmios em 2010, paricipou da Seleção Oficial do Festival de Berlim e foi nomeado ao Globo de Ouro 2011, na categoria Melhor Longa-Metragem de Animação, quando concorre com “Meu Malvado Favorito”, “Como Treinar o Seu Dragão”, “Enrolados” e “Toy Story 3”.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

As Múmias do Faraó

Ambientado na Paris de 1912, o longa-metragem “As Múmias do Faraó” (“Les Aventures Extraordinaries D'Adèle Blanc-Sec”) conta a história de uma repórter, Adèle (Louise Bourgoin), que resolve ir ao Egito, pois acre­dita que a cura da doença de sua irmã está na tumba de um faraó. Quem aponta a solução, porém, é um professor (quase) centenário que tem a capacidade de  controlar animais pré-históricos do Museu de História Natural, uma vez que ele conseguiu trazer à vida um dinossauro que estava apenas no ovo! De Paris ao Egito, ela vai aprontar confusões, envol­ver a polícia local, enfim, vi­ver uma grande aventura e fazer a plateia rir.

Grosso modo, é assim o fil­me dirigido pelo francês Luc Besson (também responsável por longas  como “Arthur e os Minimoys”, “Joana d'Arc”, “O Profissional”, “Imensidão Azul”), cuja estreia é nesta sexta-feira, 29 de outubro.

Na Belle Époque, o espectador vai conferir que pouca coisa mudou na rue de Rivoli, uma das principais ruas de co­mércio da capital francesa e on­de também estão os espe­tá­culos de can-can. O rio Sena também faz parte do cenário, assim como os museus da cidade.

Uma das referências mais geniais da fita, aliás, é quando cita as pirâmides do Egito e aparece o Museu do Louvre, local onde, atualmente, existem pirâmides de vidro na frente e, quando foram ali colocadas, se tornaram motivo de críticas por ser uma obra de mal gosto.

Usando de bastante ironia, o jornal local aproveita para falar do tal réptil que saiu do Museu, mas o governo acredita que isso tenha sido feito para desestabilizá-lo. E o policial, ao invés de tomar as providências necessárias, atua como um verdadeiro funcionário público e só pensa em comer. Com narrações em off, há cenas engraçadas e personagens que tiram sarro da história, como quando se vestem de car­neiros...

Ainda que a busca incessante da protagonista sejam as tais múmias do faraó, o título do filme bem que poderia ter sido apenas traduzido do ori­ginal, ou seja, “As Extraor­dinárias Aventuras de Adèle Blanc-Sec”, que é justamente o que ele trata. Com efeitos especiais para trazer vida às mú­mias, o longa abusa dos diálogos, como um bom filme fran­cês. No entanto, ao espectador, uma dica: relaxe e aproveite. O longa de aventura é divertido, uma verdadeira sessão da tarde. Portanto, não espere um filme francês do “tipo cabeça”, mas pura diversão cheia de ironias.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Não Minha Filha, Você Não Irá Dançar

Mais uma vez, o diretor francês Christophe Honoré reúne no elenco Louis Garrel e Chiara Mastroianni, tal como em “Canções de Amor” e “A Bela Junie”. Aqui, ela é Lena e, após se separar, tenta seguir a vida com seus dois filhos. Ao deixar Paris e ir para a cidade no interior da França, onde cresceu, reencontra os pais e um amigo (Garrel), cinco anos mais novo. 

O drama discute, com diálogos bem construídos, problemas familiares (muito comum no cinema francês) e Honoré também mostra que homens e mulheres não nasceram para levar vidas solitárias.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Coco Chanel & Igor Stravinsky

Os fashionistas estão cansados de saber quem foi Coco Chanel. Ain­da que suas contribuições não tenham sido apenas na moda, mas também no comportamento das mulheres, muitos ignoram o papel importante que ela teve. Nascida Ga­brielle Chanel, ela passou poucas e boas na infância até alcançar o to­po do sucesso na França e depois no mundo todo.

Após “Coco Antes de Cha­nel”, filme protagonizado por Audrey Tautou e que contou a história da esti­lista desde o seu nascimento até os primeiros desfiles, agora estreia “Coco Chanel & Igor Stravinsky”, longa-metragem baseado no romance “Coco & Igor”, de Chris Greenhalgh, que também é roteirista da fita, ao lado de Carlo De Boutiny e do diretor Jan Kounen (de “99 Francs”).

Ao contrário do primeiro filme, este não tem a preocupação de contar de forma linear os passos da estilista (e do seu sofrimento após per­der Arthur ‘Boy’ Capel), mas sim de mostrar o seu envolvimento com o maestro russo Igor Stravinsky (aqui vivido pelo dinamarquês Mads Mikkelsen, de “007 - Cassino Royale”).

A atriz responsável por dar a voz e (principalmente) a forma a Chanel é a francesa Anna Mouglalis, que também é modelo da grife.

Na Paris de 1913, a bela vai ao Théâtre des Champs-Élysées acompanhar a apresentação de Stravinsky. Embora ela tenha amado, o público vaia. Tal como ela e sua moda, a mú­sica é moderna, a frente de seu tempo. Os dois, no entanto, só vão se reen­contrar em 1920, quando ela já se consolidou, se tor­nou rica e fa­mosa e está desolada após a morte de ‘Boy’. Já o russo está vivendo em exílio na França após a revolução russa. É a partir deste encontro que ela se oferece a ajudá-lo para que ele e a família possam ter uma vida tranquila enquanto cria.

Paralelamente ao caso extra-conjugal, o espectador pode acompanhar o desenvolvimento nas cria­ções das músicas e das coleções de Chanel. E também como foi desenvolvida a fragrância do perfume que conquistou Marilyn Monroe e é o mais vendido do mundo todo.

Com figurino impecável, elegante, simples mas muito chique (produzido pela própria grife), “Coco Chanel & Igor Stravinsky” mos­tra também a preferência da estilista pelas cores preta, branca e cinza, os chapéus, os tailleurs. Falado em inglês, francês e russo, o longa emociona com a história de sucesso dos dois artistas.

Diferentemente de “Piaf – Hino ao Amor”, biografia da cantora francesa Edith Piaf que mostra sua vida repleta de dificuldades no início e até chegar o sucesso, assim como “Coco Antes de Chanel” e “Ray”, o filme Jan Kounen se preo­cupa em mostrar bom humor, fra­ses prontas (“Você não me conhece; podemos aprimorar isso”; “Eu sou mais poderosa que você, Igor, mas faço mais sucesso”) e emocionar o espectador.

Julgamentos de conduta e fide­li­dade à parte, a his­tória de amor e paixão é arrebatadora e mostra a influência de cada um no trabalho de ambos. No mínimo, mais paixão na música do maestro e mais sensualidade nas criações de Chanel. Ao espectador, o resultado positivo de um roteiro envolvente com direção bem feita. É só aproveitar.

sábado, 5 de junho de 2010

Algo Que Você Precisa Saber

Uma das características principais do cinema francês é o fato de o diretor não entregar tudo de mão beijada ao espectador: ele deixa um espaço, geralmente no final, para que cada um faça a sua versão. No entanto, neste filme de Cécile Telerman, não há muito o que ser pensado, uma vez que o final feliz faz o desfecho. A característica francesa está no ambiente familiar, uma vez que a fita conta a história da família Cellier, formada pela matriarca, Mady, que passa a maior parte do tempo contando histórias horrorosas sobre suas duas filhas (uma é enfermeira que também lê tarô e a outra é artista plástica que se sente triste e por isso usa drogas e se mete em encrencas). O marido Henri é ex-chefe de uma empresa e tenta voltar a trabalhar na empresa que ajudou o filho Antoine a abrir, mas que esconde o fracasso do pai. Em meio a esse caos, todos vão tentar se entender e encontrar os verdadeiros amores de suas vidas, resolver suas pendências, e a diretora sempre mostra com um jeito intimista os hábitos, as conquistas e os problemas.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Mademoiselle Chambon

“Mademoiselle Cham­­bon”, dirigido e escrito por Stéphane Brizé, ao lado de Florence Vignon, é um drama francês que mistura romance e o desejo contido. O longa-metragem, que estreia sexta, 14, começa com a apresentação dos personagens no núcleo familiar: pai e mãe no jardim ensinam a lição para o filho pequeno, que pergunta sobre verbos transitivos, complementos do objeto...

Jean (Vincent Lindon, o trei­nador de “Bem-Vindo”) é pedreiro, casado com Anne-Marie (Aure Atika) e pai do pequeno Jérémy (Ar­thur Le Houérou). Ele vive tranqui­la­mente com a família em algum lugar da França e sempre visita o pai (Jean-Marc Thibault). No entanto, depois que sua esposa sofre um acidente no local de trabalho e fica de “molho” em casa, começa a ir buscar o filho na escola e conhece sua professora, Véronique Chambon (Sandrine Kiberlain).

A partir de então, o drama, com base no livro homônimo de Eric Holder, começa a virar romance e o longa se torna previsível. Isso porque se torna óbvio que os dois vão se envolver: ela pede que ele faça uma explanação aos alunos sobre sua profissão e depois para que ele vá olhar a janela de sua casa, que está quebrada. Então, os dois se aproximam, ela toca violino para ele e passam a se ver com regula­ridade.

A cena do início sobre a lição de casa mostra também o des­pre­paro dos pais, que não sabem di­zer, de prontidão, a resposta correta ao filho, mostrando que a educação pode não ser apenas um problema que existe nos países de terceiro mundo, mas também nos de pri­meiro.

Ainda que “Mademoiselle Chambon” seja belo e intimista, não consegue emocionar o espectador (pois ele fica dividido, sem saber para qual dos personagens torcer) e há um quê de artificial: o pedreiro que vai de carro para o trabalho (ok, estamos na França); que não se suja enquanto trabalha (embora o ator mostre que esteja colocando tijolos, janela etc.); a mulher que se envolve fácil demais com um homem casado (e espera algo mais dele).

“Mademoiselle Chambon” ven­ceu o César 2010 (o Oscar fra­ncês), de Melhor Adaptação para Stéphane Brizé e Florence Vignon.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

A Riviera Não É Aqui

Demorou um pouco para che­­­gar aqui. Filmada em 2007 e exibido na França (e na Europa, de maneira geral) em 2008 e 2009, estreia nesta sexta-feira, 12 de abril, a comédia “A Ri­viera Não É Aqui” (“Bienvenue Chez les Ch'tis”). A estreia, no entanto, é tímida, pois serão quatro praças e, em São Paulo, as exi­bições serão ape­nas no circuito digital, ou se­ja, nos cinemas Arteplex Frei Ca­ne­ca, Es­pa­ço Unibanco Pom­péia (Shop­ping Bourbon), Cinema da Vila (rua Fradique Cou­tinho) e Cine Bombril (Cojunto Nacio­nal).

Se o Brasil não trata esta produção com entusiasmo, saiba que os franceses (por motivos óbvios, é claro) prestigiaram o filme so­bre um gerente dos Correios que é transferido para o norte do país. Isso porque a fita, que teve o or­ça­mento de 11 mi­lhões de euros, arrecadou, no fi­nal de semana de abertura, mais de 20 milhões de euros (segundo o IMDB – In­ter­net Movie Data­base). De acordo com o material de divulgação pa­ra a imprensa, o filme já rendeu na bi­lheteria mais de 180 milhões de euros naquele país e continua contabilizando. Esse foi, portanto, o filme francês de maior su­cesso de bilheteria. Talvez seja o equivalente ao nosso “Se Eu Fosse Você 2” que, embora não seja lá um gran­de filme, agradou ao pú­blico e rendeu na bilheteria.

O que mais se deve a este su­cesso é que o longa-metragem aborda as diferenças existentes den­tro do mesmo país (França), as questões culturais e, sobretudo, linguística. E em um território imenso como é a França, não po­deria ser diferente. Vide o caso do Brasil e as diferenças existentes entre as regiões Norte, Sul, Su­­deste, Centro-Oeste, Nordes­te.

Morador de Salon-de-Pro­ven­­­ce, uma cidade localizada no sul da França, Philippe Abrams (Kad Merad) é gerente dos Correios (va­le lembrar que “La Poste” também faz as ve­zes de banco), mas luta para ser transferido para a Riviera Fran­cesa, local banhado pelo mar Medi­terrâneo e considerado um dos mais belos do mundo. No entanto, sua esposa, Julie (Zoé Félix), vive em de­pressão e ele acredita que a mudança fará bem a ela e ao seu casamento. No entanto, ele mente em sua carta de transferência e coloca tudo a perder. Co­mo punição, é enviado para Ber­gues, cidade localizada ao norte da Fran­ça, em Nord-Pas-de-Ca­lais. Por conta do clima (e da fa­ma), ninguém que mora ao sul quer viver lá. A partir de então, sua vida começa a virar um inferno, pois sua esposa não pensa em ir junto.

Além do clima, existe o dialeto, o “picardo”, difícil de se en­tender e que será um dos motivos da graça. O nome original do fil­me, “Bienvenue Chez les Ch'tis”, tem a ver com a maneira como esse dialeto é conhecido lá (ch'tis).

A comédia “A Riviera Não É Aqui” é dirigida e escrita por Danny Boon, que também atua no longa-metragem. Ele é An­toine Bailleul, o carteiro que vai recepcionar o novo gerente, e in­cluí-lo no ambiente familiar. O roteiro, aliás, é bastante pessoal, uma vez que Boon é nativo da­quela região e sempre achou que as pessoas olham o local com preconceito e desdém por, principalmente, não conhecer o am­biente. O filme, então, é dedicado a sua mãe.

A câmera de Danny Boon faz um travelling, no início, pelas pelas paisagens do mediterrâneo e a abertura faz uma brincadeira pelo mapa: bem divertido.

Não bastassem as boas atuações dos atores (Kad Merad está impagável!), o público ri principalmente por conta dos trocadilhos do idioma, pelo trabalho que fazem e “enchem a cara” a convite dos moradores (principalmente para se aquecer do frio).

“A Riviera Não É Aqui” é um longa que apresenta uma evolução bem pontuada dos personagens, é humano, faz rir, mas sem ser uma comédia pastelão. Além de le­ve, sua maior virtude, po­rém, é não ser pretensioso, nem arrogante. E por isso o fil­me se torna belo e imperdível.

Em tempo: não saia do cinema antes dos créditos finais. Os erros de gravação são bem divertidos!

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Stella

Stella é uma menina de de 11 anos que vive com os pais em um bar na periferia de Paris. Na escola (não vai nada bem nos estudos), conhece Gladys. A partir de então, é apresentada a um novo mundo. Sylvie Verheyde é a diretora e a roteirista do filme autobiográfico, que de bobo não tem nada. Trata-se de uma produção tipicamente francesa, que retrata a vida das pessoas com intimidade, mostrando o que é crescer e como é difícil lidar com os problemas desta fase da vida. Destaque para a menina Léora Barbara, em excelente atuação.

Rindo à Toa

O apelido da francesa Lola, de 15 anos, é LOL - que significa Laughing Out Loud (morrendo de rir) na linguagem do MSN. Após as férias, ela volta para a escola e fica desolada com o que o namorado lhe revela. Além dos problemas típicos da adolescência, o filme de Liza Azuelos fala da relação entre mãe e filha. Com toque de humor e discussões sobre drogas, pais e filhos, sexo na adolescência, o filme é uma das surpresas (positivas) do ano que vale a pena ser conferido.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Coco Antes de Chanel

Demorou, mas dia 30 de outubro estreia no país. "Coco Antes de Chanel" ("Coco Avant Chanel"), filme sobre a estilista Gabrielle Chanel, chegou às telas francesas em abril e, no final de semana de estreia, arrecadou o equivalente a R$ 7,56 milhões, alcançando o topo da bilheteria.

O longa-metragem conta (em francês) a história (de forma linear) da vida da estilista do início do século passado (embora não seja datado), desde quando ela era uma garotinha e foi deixada com a irmã em um orfanato, até se tornar artista de cabaré e, com a ajuda de homens ricos, se transformar no fenômeno que mudou o jeito de as mulheres se vestirem, acabando com os espartilhos, além de ter construído uma moda e estilo únicos que permanecem até hoje.

Vivida pela atriz francesa Audrey Tautou (que ficou conhecida por sua atuação em "O Fabuloso Destino de Amélie Poulain"), Chanel leva uma vida sem graça e tenta sobreviver com os trocados que ganha como artista de cabaré frequentado basicamente por soldados bêbados e velhos ricos que vão atrás de mocinhas. É em uma dessas apresentações, ao lado da irmã, que Gabrielle conhece seu protetor, Etienne Balsan (Benoît Poelvoorde), que se interessa pela garota que, mesmo sendo sem graça, com voz fraca e magricela, se destaca entre as outras que cantam e dançam no local. Quando vai viver em seu castelo (e chega sem avisar), começa a perceber o que é ter boa vida, como é frequentar a alta sociedade.

Ela começa a montar a cavalo e conhece o inglês Boy Capel (Alessandro Nivola), o treinador de cavalos que retribui o seu amor e a ajuda a dar o primeiro passo para comercializar os chapéus que confecciona para as damas da sociedade e, com o boca a boca, vem o sucesso. Como as mulheres montavam a cavalo com vestidos (o que deveria ser extremamente desconfortável), ela inova e passa a utilizar peças do vestuário masculino para se sentir mais à vontade e protegida. E a partir daí começa a mostrar personalidade na maneira de se vestir, e a se destacar.

A câmera da diretora Anne Fontaine ("A Garota de Mônaco") mostra ao espectador o olhar de Chanel, principalmente com as imagens na altura dos ombros, mostrando que ela via o que as damas carregavam nas orelhas, nos pescoços, os detalhes, as pérolas (falsas) que ficaram famosas em suas mãos. É quando Chanel transforma as roupas e impõe sua moda, como o chapéu da amiga, os tailleurs, tornando a sua moda autêntica e inconfundível.

O longa também enfoca passagens interessantes, como frases prontas de Balsan e de Coco, como: "Homens são exaustivos, mas indispensáveis", "Só o preto realça os olhos", "O problema dos apelidos é que você nunca se livra deles", "Dizem que a mulher que corta o cabelo está prestes a mudar de vida", já que Coco tinha os cabelos compridos e, embora os usasse presos, quando foi para Paris, cortou-os. Além de passagens irônicas, como quando diz à irmã: "A única coisa boa do amor é fazer amor. É uma pena que seja necessário um homem para isso!"

Embora a fita de Anne dê conta de mostrar boa parte da vida de Coco Chanel (e por que, aliás, Gabrielle se tornou Coco), a linearidade dos fatos cansa o espectador. E ficaram de fora cenas importantes da carreira da estilista, como o motivo pelo qual seu perfume, o Chanel Nº 5, ficou eternizado (e a mãozinha que Marilyn Monroe deu neste assunto), além das bolsas com correntes que fez com que as mulheres desocupassem as mãos, uma vez que só carregavam as do tipo carteira, e como ela deixou a França e depois retornou ao país. Enfim, quando ela, de fato, se tornou um sucesso não apenas em Paris, mas no mundo todo, a fita, inspirada na "L'Irrégulière", biografia de Coco escrita por Edmonde Charles-Roux, não conta. O problema maior pode até ser sido o roteiro escrito por Anne e Camille Fontaine, com colaboração de Christopher Hampton, mas há uma quebra do ritmo a um determinado momento do longa que fadiga a plateia e o filme se torna arrastado.

"Piaf – Hino ao Amor" é a biografia da cantora francesa Edith Piaf e também mostra sua vida repleta de dificuldades no início, o orfanato, as cantorias que fazia em bares e nas esquinas parisienses a fim de conseguir um trocado e sobreviver, mas que não cansa. É emocionante, faz o espectador perceber os obstáculos enfrentados, como o álcool acabou com sua vida, além da doença, do amor que tinha por um rapaz e assim por diante.

Ainda que tenha problemas e não seja tão cativante quando a história de Piaf, "Coco Antes de Chanel" tem algumas coisas boas, como a lição de vida, que mostra uma jovem de origem humilde e que nunca se casou, estudou sozinha até se tornar um símbolo de sucesso e liberdade, além se ser uma mulher à frente de seu tempo e ajudar a criar o perfil da mulher moderna. Sem contar os modelos das roupas, os vestidos, principalmente nas últimas cenas, quando há um desfile na mesma maison onde começou e a clássica cena mostrando Chanel assistindo às suas criações desfilarem do alto da sua escada.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Inimigo Público Número 1


Vincent Cassel, que recentemente estrelou o brasileiro “À Deriva”, é o gângster Mesrine. Baseado em personagem real, o longa-metragem, que passou pelos cinemas brasileiros, conta as suas façanhas e tudo o que ele passou para se tornar o bandido procurado. Ele morreu em 1979, mas antes disse que passou por diversos países para atuar em seus golpes. O filme conta com cenas cheias de movimento, além de Cassel dividir as cenas com o ator francês Gerard Depardieu. 

Entre os Muros da Prisão



O longa francês sai direto em home vídeo e conta a triste história que se passa dentro de um reformatório na França. O órfão Treguier tem apenas 14 anos e é capturado no meio da praia enquanto tentava fugir para Nova York em um navio. Mas é dentro dos altos muros que o espectador vai acompanhar como vivem os jovens nos anos 1930 (tempo marcado principalmente pelos automóveis da época), como são maltratados pela instituição e por eles mesmos. A câmera de Christian Faure é criativa, já que o cenário é praticamente o mesmo, e consegue mostrar o sufoco que é viver dentro de um local como aquele. 

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

A Bela Junie

Chega no dia 9 de setembro o filme de Christophe Honoré (de "Canções de Amor") que passou pelos cinemas brasileiros no início do ano. A fita conta a história de Junie (Léa Seydoux), uma garota de 16 anos que muda de escola após a morte de sua mãe. Além de chamar a atenção de um dos garotos (Grégoire Leprince-Ringuet), o professor de italiano (Louis Garrel) é atraído por sua foto que é deixada sobre a mesa na classe. O roteiro é livremente inspirado no romance "La Princesse de Clèves", de Madame de La Fayette, escrito no século 17. Novamente, a parceria entre Louis Garrel e o diretor funciona, ainda que o papel de professor não lhe caia tão bem, haja vista parecer ter a mesma idade dos alunos. No entanto, trata-se de uma obra intimista, que mostra o comportamento dos adolescentes e como eles lidam com o amor. Dramático, Honoré prefere mesmo os desfechos trágicos.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

A Fronteira da Alvorada

Não é um filme fácil, já que é francês, lento e em preto-e-branco e muito, muito denso. Porém, trata-se de um filme imperdível. Dirigido por Philippe Garrel, o longa conta a história do fotógrafo François (Louis Garrel, filho de Philippe) e da atriz Carole (Laura Smet). O relacionamento de ambos não é nada comum, já que ela é casada, embora seu marido viva fora do país. Então, há uma reviravolta e outros personagens são envolvidos na trama. Do início ao fim, o espectador se entretém com a história e torce para o final feliz. Louis Garrel, um dos queridinhos do atual cinema francês, tem carisma e química com as atrizes com quem contracena (um dos pontos altos do filme). Com fotografia impecável, o jogo de luz e sombra vai mostrar um pouco do relacionamento doentio que existe entre os amantes.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Entre os Muros da Escola

Baseado no livro homônimo escrito por François Bégaudeau, o diretor e roteirista Laurent Cantet sele-cionou o próprio François para fazer o papel do professor e para corroteirizar a fita que se passa dentro de uma escola na periferia de Paris. O filme conta a história sobre professores e alunos que passarão juntos um ano letivo. O foco, porém, é nos personagens que mais dão trabalho aos mestres, como Souleymane (Franck Keïta), garoto que é levado para a diretoria por muitas vezes, Khoumba (Rachel Régulier), a insolente que se recusa a ler quando o professor lhe pede e Esmeralda (Esméralda Ouertani), um pouco arredia quando o professor lhe solicita algo. Com a câmera nervosa, muitas vezes na mão, Cantet mostra como eles se comportam, como vivem dentro da escola, sobre o que discutem etc. Como o filme mistura ficção com toques de documentário, tem-se a impressão de que aquela sala de aula pode estar em qualquer lugar do mundo.

Um Conto de Natal

O drama familiar dirigido e escrito por Arnaud Desplechin conta a história da família cujos pais, Abel (Jean-Paul Roussillon) e Junon (Catherine Deneuve), tentam não se deixar abalar pela perda de um dos filhos. Enquanto isso, os outros dois, a dramaturga Elizabeth (Anne Consigny) e Henry (Mathieu Amalric), vivem em pé de guerra. Porém, Junon descobre que tem uma doença grave e precisa de um transplante de medula. A partir de então, eles se encontram perto do Natal para fazer exames e descobrir quem tem compatibilidade. O longa é capaz de fazer o espectador se sentir acuado por conta das brigas entre irmãos, e até mesmo pelo fato de a mãe se colocar contra um dos filhos. Mas é uma belíssima história sobre a família atual.