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terça-feira, 28 de outubro de 2008

Chile

Já do avião, no vôo de pouco mais de três horas que separa São Paulo de Santiago, capital do Chile, já é possível avistar a majestosa Cordilheira dos Andes. E em diversos ângulos da cidade também é possível vê-la, contemplá-la e, se você resolver esticar o passeio, pode subir as suas montanhas .

Por ser uma faixa estreita e comprida, na América do Sul (4.300 quilômetros de norte a sul e 175 quilômetros de largura máxima), o Chile possui de tudo um pouco: neve, praia e deserto.Santiago, que está a 520 metros de altura, mas, por ser um vale, é plana, permite ao visitante passeios a pé. Por conta dos longos congestionamentos que costumam se formar, andar a pé é a melhor opção, mas há alternativas, como os táxis, que custam razoavelmente pouco, e o metrô.


No Centro da cidade, é possível conhecer o Palacio La Moneda, sede da presidência do Chile, onde fica Michelle Bachelet, a primeira presidente mulher do país. Lá também foi cenário do golpe liderado por Pinochet em 1973, que depôs Salvador Allende.


As ruas são históricas e lembram o centro de São Paulo, já que as fachadas estão conservadas. Entre uma ruela e outra, é possível dar uma paradinha para tomar um café no Starbucks, por exemplo, ou até mesmo aproveitar para apreciar um alfajor do argentino Havana Café.


Ainda no Centro, está a Catedral de Santiago, que possui estátua de madeira de São Francisco Xavier esculpida no período colonial. A igreja foi construída em no século 16, mas, por conta do terremoto, a estrutura de adobe veio abaixo. A fachada atual foi erguida em 1789. O Museo Historico Nacional está bem ao lado e as 18 salas estão construídas ao redor do pátio central, ao ar livre. O prédio, de 1808, sediou a primeira reunião do Congresso Nacional.


Outro passeio interessante é o Cerro San Cristóbal, com 300 metros de altura. Para chegar até o alto, de onde é possível avistar boa parte da cidade, é preciso ir de teleférico. Ao todo, são três paradas onde o visitante pode descer e continuar a “escalada” entre a vegetação. Essa parte, aliás, já que o bondinho passa pelo meio da mata nativa, é um pouco incômoda.


No último estágio está mais um desafio: escadarias levam o visitante à imensa estátua da Virgem Maria. A escadaria, aliás, lembra a basílica Sacré-Coeur, em Montmartre, em Paris, mas na capital francesa o visitante pode escolher entre ir de funicular ou pagar os pecados já no trajeto. A basílica e gruta de Lourdes também valem a visita. Ainda no Cerro há a Casa de la Cultura, com espetáculos musicais gratuitos, o Observatório Astronômico da Universidade Católica e o Zoológico municipal com centenas de espécies animais. Do alto do Cerro Santa Lucía é possível avistar a Cordilheira dos Andes e também as mansões construídas por ali.Providencia é o bairro boêmio da cidade, assim como o agitado Bellavista. Aos finais de semana, à noite, por exemplo, os chilenos saem de casa e sentam-se em mesas de bares que ficam do lado de fora. Assim, eles aproveitam para apreciar um bom vinho sob a luz das estrelas. Boa bebida também é o pisco sauer, aguardente de uva.

Aconchegante, o Cinema Paradiso, em Providencia, é um restaurante italiano onde se pode apreciar uma deliciosa massa, bem servida, e beber um vinho saboroso. Rústica, a decoração contempla tijolos à vista, poltronas de veludo, garrafas de vinho espalhadas, luz de velas e um bar de onde saem drinques preparados pelos barmen da casa. O som (rock ou algo moderno) atrai público entre 30 e 40 anos.


No mesmo bairro, o Parque de las Esculturas possui 30 obras de artistas chilenos, e é onde os moradores da cidade costumam passear.No Bellavista, a Rua Alonso de Córdova possui lojas fantásticas para quem curte moda, como Burberry London, Emporio Armani, Longchamp, L’Occitane, Ermenegildo Zegna...

Se em Buenos Aires, na Argentina, comer bem significa ir a uma boa churrascaria, Santiago oferece o Mercado Central, centro de distribuição dos frutos do mar chilenos. O local possui bastante oferta de peixes e frutos do mar por sua qualidade e variedade de ofertas, já que o mar está próximo e a corrente de água gelada que banha o litoral chileno.


Em Santiago, os museus também estão espalhados por vários locais. Mais que por seu conteúdo, o de Bellas Artes vale por sua arquitetura, e por seu prédio ser histórico, já que foi inaugurado em 1910.


O shopping Parque Arauco, onde é vendido o passe para Valle Nevado (leia mais abaixo) já é um passeio. Além de ser o maior shopping do país, há um grande centro de entretenimento, como cinema, teatro, boliche e restaurantes ao ar livre. Souvenires ideais são as peças de lápis-lazúli, pedra que só existe no Chile e no Afeganistão.


Embora os brasileiros sejam bem-recebidos em Santiago, e eles estejam aos montes na cidade, principalmente porque o dólar estava baixo, pela facilidade do idioma e pela proximidade da cidade, ainda é preciso tomar alguns cuidados com a segurança. A policia local já percebeu e espalha propaganda avisando para os moradores e visitantes ficarem atentos aos seus aparelhos celulares. Mas uma dica é importantíssima, embora pareça tola: Corrente de ouro é melhor evitar mostrar. E bom passeio.


Passeios


Por ser um grande produtor de vinho por conta do clima ideal para o plantio da uva, muitas vinícolas, como a Concha y Toro, mantêm programas de visitas com direito a degustação e acompanhamento de guias especializados.


Conhecer o litoral do lado do Oceano Pacífico é possível indo para Viña del Mar e Valparaíso. Valle Nevado e Portillo são estações de esqui e snowboard de primeira linha. Para se chegar ao Valle Nevado, há excursões pré-marcadas pelas agências de turismo, que podem ser conhecidas na recepção do hotel, geralmente. No entanto, uma boa dica é optar pelo transfer realizado pela agência Turistik Santiago, localizada próxima do shopping Parque Arauco. A passagem é mais barata (cerca de US$ 28 dólares contra US$ 65, da agência) e o aluguel dos equipamentos também sai mais em conta.


Um dos pontos baixos da viagem ao Valle Nevado é o excesso de curva, no qual muitos costumam enjoar. O trajeto lembra a serra de Taubaté, no litoral norte de São Paulo. Para subir, o motorista demora uma hora e dez e ele deve realizar 60 curvas bem fechadas. Nesta época do ano, porém, não há neve no caminho, mas a montanha fica toda coberta de gelo.


Quem não vai esquiar, não tem muito que fazer no local, principalmente porque os passeios se resumem aos hotéis locais, onde existem poucas lojas e restaurantes extremamente caros. No entanto, o fato de encontrar a neve já vale a visita e o esforço de se passar meio dia por ali, já que as descidas são feitas apenas após às 15h.


História


Santiago de la Nueva Extremadura foi fundada em 1541 pelo espanhol Pedro de Valdivia e em seguida foi saqueada e queimada pelos índios. A falta de ouro no Chile fez com que o país ficasse para segundo plano durante três séculos, até que os líderes declarassem a sua separação da Espanha em 18 de setembro de 1810, data celebrada todos os anos com fervor, o Dia da Independência.


Melhor época

Santiago é ensolarada no verão, de dezembro a março, e a temperatura varia de 21 ºC a 30 ºC. No inverno, as estações de esqui ficam cheias, mas a melhor época para esquiar é de junho a setembro. De maio a agosto, costuma chover e a temperatura dificilmente passa dos 10 ºC. Em setembro, as manhãs e as noites costumam ser frias, sendo necessário o uso de casacos, mas durante a tarde o sol esquenta, inclusive em Valle Nevado.

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Oslo: história nas ruas e nos museus

Quantas pessoas entre as que você conhece já foram para a Noruega? Ou melhor: você já pensou em passar suas próximas férias lá? Bom, comece a pensar... Um dos países da Escandinávia, ao lado da Suécia, Dinamarca e Finlândia (em algumas classificações), a Noruega não é um dos destinos europeus mais disputados para se passar as férias, principalmente para quem não tem disposição de se enfiar embaixo de grossos casacões para combater o frio. Frio, aliás, que existe durante a maior parte do ano, já que os termômetros registram temperaturas abaixo de zero.

Bom, depois de 12 horas no vôo até Frankfurt, cheguei em Oslo duas horas depois, e agora vou contar a experiência.

Pela estrada afora...
Antes de me aventurar pelo país, tratei de buscar informações sobre o idioma (o inteligível norueguês pode ser facilmente substituído pelo inglês em qualquer lugar da cidade) e também sobre o clima. Em maio, em plena primavera, Oslo, a capital do país, tinha a temperatura por volta de 15 graus. Em São Paulo, poderia se pensar que estava fr
io, mas debaixo do sol e com o clima seco era possível usar saias e sandálias rasteiras, tal como usavam as norueguesas que passeavam nos parques e nas praças da cidade.

Já na cidade, a primeira coisa que se nota é a organização. Quando cheguei ao aeroporto, tomei um trem para o centro e logo me avisaram: o trajeto demora 19 minutos. Preciso, assim!

Esqueça a idéia fixa de ir para lá e comer bacalhau. O peixe de águas frias é bem feito por nós, que incrementamos o prato e deixamos o almoço de domingo mais saboroso. Os noruegueses sabem pescar o peixe e exportá-lo. Para consumo, eles preferem o salmão (que, de fato, é saborosíssimo) e a carne de alce (essa, desculpe, não tive coragem de experimentar).

Além da pesca, a economia do país gira em torno da exportação de madeira e do comércio costeiro. Não raro, é comum percebermos que os contêineres que chegam ao porto de Santos são provenientes de lá. São navegantes natos de primeira categoria. Outra fonte de renda é o petróleo, cuja exportação só perde para os gigantes Arábia Saudita e a Rússia.

Outro ponto histórico que conhecemos da Noruega é o fato de os povos vikings terem saído de lá e ajudado a colocar o país no mapa por volta do século 11. A Era Viking foi um período importante para a formação da cultura norueguesa e para a mitologia nórdica como um todo.

Oslo é a maior cidade do país e a capital desde 1299. É lá, aliás, onde é entregue o Prêmio Nobel da Paz e, de acordo com o The Economist, é a segunda cidade mais cara do mundo, depois de Tóquio. Como permanece fora da União Européia, a moeda do país é o NOK, ou coroa norueguesa (em maio, a cotação era 3 NOKs para 1 Real).

Já que no hemisfério norte os dias são mais longos no verão (e mais curtos no inverno), só escurece a partir das 11 da noite (e amanhece a partir das quatro). Então, é comum as pessoas saírem para curtirem a noite na cidade, encontrarem os amigos nos pubs, nos cafés, nas praças. Enquanto eu jantava, reparei que algumas mães levavam seus bebês para passearem de carrinho por volta de 10 da noite. E ainda havia sol brilhando no céu!

Por ser plana e pacata, é fácil de se locomover em Oslo, principalmente a pé e com total segurança. No miolo da cidade onde está localizado o Parlamento (que abriga os 169 representantes que são eleitos democraticamente no país todo), é possível conferir a arquitetura neo-romanesca do Parlamento, os prédios antigos. Na rua de trás, as lojas de grifes são imponentes e, por uma fração de segundo, há de se imaginar que aquela é a Champs-Élysées parisiense...

Há também por ali uma praça em frente ao Grand Hotel (um dos mais tradicionais) na qual as pessoas costumam deitar para tomar sol tal como estivessem na praia, e ainda desfrutar dos bares e restaurantes que ficam perto. Por falar em Grand Hotel, o prédio tem estilo Luis 16 e foi inaugurado em 1874. Por dentro, porém, é um luxo só!

Ainda na rua principal há opções com vida noturna agitada. Uma dica é o Hard Rock Cafe. Na unidade de Oslo, inaugurada em dezembro de 2005, é possível conferir comida americana cercado de uma atmosfera rock 'n' roll. Entre os itens memoráveis, há peças de Madonna e No Doubt, além de Elvis Presley, Jimi Hendrix, Led Zeppelin e Rolling Stones.

Na noite em que estive no local, havia uma banda de rock tocando ao vivo do lado de fora que chamou atenção de muitas pessoas. Do lado de dentro, música do mais puro rock and roll para ninguém botar defeito. O restaurante também presta homenagem à banda A-ha e a outros noruegueses. Um pouco antes, o prédio do National Theater tem bela arquitetura e a fonte colocada em frente é linda. No mínimo, vale um click de recordação!

Na Oslo City Hall (Oslo rådhus), localizada em frente ao porto, está o corpo administrativo da cidade e onde fica o Conselho Municipal. Inaugurado em 1950 em comemoração ao 950º (!) aniversário da cidade, o ambiente é decorado pelos primeiros artistas noruegueses do período 1900-1950 com motivos da história, da cultura e da vida ativa da Noruega.

O porto de Oslo, aliás, tem muitas atrações. Localizado no fiorde, a área do porto é um dos destinos populares tanto dos turistas quanto dos moradores. É comum ver senhoras sentadas nos bancos próximos ao mar e às tulipas tricotando. Próximo ao porto, está o Nobel Peace Center, que existe desde 2005. As exibições prestam homenagem aos Prêmios Nobel e ao inventor sueco Alfred Nobel. Como ele mesmo desejava, o Nobel Peach Prize é concedido todos os anos em Oslo “para a pessoa que tenha feito o maior ou melhor trabalho para a fraternidade entre as nações, para a abolição ou a redução de exércitos e para a terra arrendada e a promoção da paz”.

Mil anos atrás
Por ser um das capitais escandinavas mais antigas, sua história remonta mil anos atrás, quando os primeiros estabelecimentos foram construídos na entrada do fiorde de Oslo. Após o grande fogo que destruiu a cidade em 1624, o rei dinamarquês Christian IV decidiu reconstruir a cidade no tijolo e na pedra, e deu à cidade o nome Christiania. Trezentos anos mais tarde, em 1925 portanto, os cidadãos decidiram rebatizar a cidade, que ganhou o nome que leva até hoje.

A população do país é pequena, somando cerca de cinco milhões de habitantes. Para se ter uma idéia, só a cidade de São Paulo tem quase 20 milhões! Como não é um destino muito procurado por estrangeiros, não é necessário visto, a não ser que o objetivo seja permanecer mais de 90 dias. Oslo tem 500 mil habitantes, e a cidade é caracterizada por uma mistura de arquitetura velha e nova, de parques, montes, museus, monumentos, lagos, florestas e do fiorde.

Como há pouca gente, apenas em Oslo os visitantes se deparam com pessoas nas ruas. Por dentro do país (andei por uma hora e meia para fora da cidade) é ainda mais pacato, não se vêem pessoas passeando nas ruas. Aliás, isso é muito comum nas cidades européias que não são as grandes metrópoles. Os moradores da cidade, principalmente no verão, aproveitam os dias de sol para ficar fora de casa, fazer piquenique nas praças e parques. Com pele, cabelos e olhos claros (mais uma herança dos vikings, já que não houve miscigenação), os noruegueses mudam completamente as suas rotinas nos meses quentes. A hora, portanto, é agora!

Dicas de passeios

Catedral de Oslo – Igreja do século 17 localizada no coração da cidade.

Royal Palace Real – O palácio é a residência oficial da monarquia desde 1849.

Akershus - A fortaleza começou a ser construída por volta de 1290. No século 17, foi modernizada para ter aparência de castelo renascentista.

Vigelandsparken – Um dos 400 parques da cidade, tem mais de 200 esculturas de Gustav Vigeland representando os vários estilos da vida humana.

Nasjonalgallerriet - Galeria de arte com obras de Munch, como “The Sick Child” e “The Scream” (“O Grito”). Há também Picasso, Monet, Cézanne...

Historisk Museum - História norueguesa da idade da pedra até o período medieval, passando pela era viking.