Mostrando postagens com marcador Imax. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Imax. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Piratas do Caribe: Navegando em Águas Misteriosas

Era para ter terminado a série dos filmes em uma trilogia, em 2007, quando foi lançado “Piratas do Caribe: No Fim do Mundo”. O longa-metragem, aliás, havia sido filmado juntamente com o segundo, o “Piratas do Caribe: O Baú da Morte”, de 2006. Mas o início da saga do pirata Jack Sparrow começou em 2003, com “Piratas do Caribe - A Maldição do Pérola Negra”, e mostrou ao mundo que filmes de piratas podem ser bons (ou ao menos podiam...).

Tanto se falou no fim da franquia, mas ela não terminou. Isso porque chega aos cinemas brasileiros nesta sexta-feira, dia 20 de maio, o quarto da série: “Piratas do Caribe: Navegando em Águas Misteriosas” (“Pirates of the Caribbean: On Stranger Tides”). Novamente, tal como nas produções anteriores, o filme é todo de Johnny Depp, embora conte ainda com um elenco que inclui a bela Penelope Cruz no papel de uma pirata, Angelica.

Sob a batuta de Rob Marshall, cujo último filme que dirigiu foi o musical “Nine”, baseado no longa-metragem “8 ½”, de Federico Fellini, a fita está sendo apresentada em 2D, 3D, incluindo a versão Imax, experiência que eu tive, no único cinema deste tipo que existe em São Paulo.

Desta vez, o capitão Jack Sparrow (Depp) terá de ir à Fonte da Juventude, quando uma mulher de seu passado (Penelope) o força a entrar no Vingança da Rainha Ana, barco do pirata Barba Negra (Ian McShane).

O início é em algum lugar da Espanha, quando a corte está tentando pegar o mapa que leva à tal Fonte. Depois, em Londres, Jack se disfarça de juiz (seu olhar, no entanto, é inegável!), mas acaba sendo aprisionado pelo duque, pois querem que ele preste serviços ao rei e consiga chegar antes dos católicos espanhóis, para ter a tão sonhada vida eterna.

Mas quando saem de Londres, Jack Sparrow, a tripulação do rei, Angelica, Barba Negra com sua tripulação de zumbis, seguem em direção a Whitecap. Para chegar à Fonte da Juventude, terão de passar por obstáculos, que inclui belas e encantadoras sereias (do mal) com dentes de vampiro... E a confusão, mais uma vez, está armada.

O toque de humor, os trejeitos e os cacoetes caricatos de Depp estão todos lá. E é exatamente por isso, e por a sua participação no filme, que este vale a pena. Porque não fosse Johnny Depp, nem sairia de casa para ir ao cinema ver um filme escuro, com poucos e rasos diálogos, além de uma música de Hans Zimmer que não cessa um segundo. As lutas de espada também estão lá, e tanto Jack quanto Angelica empunham a arma e saem para lutar. O clima de romance presente nos outros filmes, porém, desapareceu, culpa de Orlando Bloom e Keira Knightley, nos respectivos papéis de Will e Elizabeth, que não estão nesta fita.

Embora a química de Penelope e Johhny funcione, prefiro ela fazendo filmes do diretor espanhol Pedro Almodóvar, como “Abraços Partidos”, ao invés de uma aventura como essa que lá pelas tantas me fez lembrar “Indiana Jones”, principalmente quando vão atrás de um cálice. Só faltou a musiquinha...

Quando mistura religião, um dos tripulantes prega e “Piratas do Caribe” acaba se tornando um filme com aspectos religiosos, por exemplo quando menciona sobre o comportamento de um da tripulação que vive rezando e pregando o bem, além dos espanhóis católicos – ao contrário dos ingleses, que são protestantes. Eles, aliás, tentam destruir o local da Fonte, porque só Deus pode conceder a vida eterna e por isso é preciso acabar com o lugar profano e pagão.

A fita extrapola nos efeitos especiais, o 3D coloca o espectador no filme, o som excelente permite ouvir o canto dos passarinhos, sem falar na maquiagem, no figurino de época, mas se atrapalha nas lutas de espadas. 

Mais uma vez, o filme é todo de Johnny Depp que, a exemplo dos anteriores, tem uma brilhante atuação, e ele está bem à vontade na trama, com seus trejeitos e, claro, bom humor. No entanto, o filme cansa, os 128 minutos parecem não terminar, o que é um mau sinal quando se trata de uma superprodução. De qualquer maneira, é esperada uma legião de fãs tomando conta das 141 salas de cinema na capital e na Grande São Paulo: faz parte dessa turma que homenageia um ídolo. Johnny Depp é a única atração em “Piratas do Caribe: Navegando em Águas Misteriosas”, o mais fraco das quatro produções da franquia.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

O Besouro Verde

Era um seriado radiofônico, nos anos 1930, e depois virou HQ e, na televisão, lançou Bruce Lee ao estrelato, nos anos 1960. “O Besouro Verde” (“The Green Hornet”) ganhou repaginação e chega aos cinemas com tudo o que tem direito no que diz respeito a tecnologia. Pelas mãos do diretor francês Michel Gondry (“Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças”), o longa-metragem é lançado em 3D e Imax, inclusive com legendas.

Na trama, Britt Reid (Seth Rogen) é o filho do magnata da mídia de Los Angeles e leva uma vida como muitos gostariam: sem compromisso, recheada de festas e, claro, mulheres, dinheiro e luxo. No entanto, quando seu pai (Tom Wilkinson) morre, precisa tomar conta de todo o império. Britt, então, conhece Kato (Jay Chou), um funcionário que constrói engenhocas. Os dois começam a sair juntos para combater o crime: o playboy que pertence à nata, quer dar uma de “salvador da pátria”, disfarçado como Besouro Verde. O chinês vai mascarado, e os dois a bordo do Be­leza Negra, um Chrysler Imperial dos anos 1960, carro indestrutível com alta potência. Com ajuda da secretária Lenore Case (Cameron Diaz), eles saem em busca de Chudnofsky (Christoph Waltz) e, então, começam as perseguições.

Ao mesmo tempo que o longa utiliza recursos modernos, o protagonista pede um fax, ouve músicas em LP, resgatando e atualizando o original.

A trama, é verdade, não é tão empolgante. E, em muitas cenas, é possível ver a assinatura de Gondry, já que ele empregou o “tempo Matrix” em um comercial de bebida que fez antes do próprio filme. Em história de super-herói não se pode esperar outra coisa senão efeitos especiais, de modo que as cenas de ação e as intervenções do computador se tornam um prazer aos olhos. E ver tudo em Imax, é uma diversão garantida que vale o ingresso.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Proibida a entrada após o início da sessão

Faz tempo que não falo sobre o comportamento das pessoas no cinema. Não sei se é porque eu tenho ido pouco às sessões que não sejam as reservadas aos jornalistas, ou se as pessoas têm se comportado como se deve. Mas ontem fui ao Imax, no Shopping Bourbon Pompéia, rever “A Origem” e achei que eu tinha de falar sobre esse assunto, digamos, delicado. Afinal, educação a gente aprende em casa. Mas vou quebrar o galho e ensinar duas coisas importantes: não troque de lugar nem chegue atrasado.

Vamos aos fatos: fiz tudo certo. Comprei, na sexta-feira, o ingresso (com lugar marcado) para domingo a noite. Cheguei com antecedência, mas, como o meu lugar estava reservado, não precisei ficar me acotovelando na fila com ninguém. Uns 10 minutos antes do horário, entrei na sala, procurei a minha poltrona (nem foi difícil, afinal eu havia olhado no mapa onde era), sentei e esperei a sessão começar.

Bom, a contar da situação do mapa na sexta, a sessão deveria estar cheia. Duas pessoas atrás de mim no café confessaram que haviam adquirido os ingressos no mesmo dia que eu. Imagino, portanto, que até domingo a noite a sessão não poderia estar de outro jeito senão lotada.

Pois bem. Até aqui, nenhum problema, como o leitor pode perceber. No entanto, é depois que as luzes se apagaram, que a tortura começou.

A sessão do cinema Imax não tem trailer. Apagam-se as luzes, entra a vinheta e, voilà, o filme começa.

Comparando com uma viagem, se você estivesse dentro de um avião, quando as luzes se apagam no cinema, é o momento quando o comandante avisa: “Tripulação, portas em automático”. No avião, isso quer dizer que ninguém mais vai chegar. Nenhum atrasado vai ocupar o lugar que até agora estava vazio na janela da fileira 23. Portanto, se você quiser, pode trocar de poltrona.

Infelizmente, isso não acontece no cinema. Ainda que o filme tenha começado, sempre tem o atrasadinho que chega para a sessão. E o pior: chega atrapalhando quem chegou antes, fica na frente da tela, entra falando. E, no caso de salas com locais marcados, era óbvio que o cidadão que trocou de lugar (da ponta para o meio) quando o filme começou, teria de sair, pois o dono iria aparecer (nem que o filme já tivesse começado).

E, particularmente na sessão de ontem a noite, um cara se tocou e voltou para a sua devida poltrona. Mas duas meninas da ponta não, e o dono teve de chamar o lanterninha para encontrar o seu lugar e tirar as folgadas de lá.

Por falar em folgada, e a moça que estava ao meu lado e resolveu tirar as botas, em um público manifesto de “estou na sala de visitas da minha casa e aqui eu faço o que eu quiser”? Sem contar a outra atrás de mim que resolveu chutar as minhas costas e só parou depois que eu me virei três vezes. Essas coisas, aliás, aconteceram perto de mim. Imagina na sala inteira!

Assim como no teatro não se pode entrar depois do início do espetáculo, faço aqui o meu manifesto de os cinemas adotarem a mesma postura. E você que chegou atrasado no filme do Christopher Nolan, tenho certeza que vai ter de revê-lo, pois não entendeu. Então, por que já não deu meia-volta no estacionamento do shopping?

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

A Origem

Jogos psicológicos, quebra-cabeças, ação. Dez anos após “Amnésia” (título em português para “Memento”, de 2000), Christopher Nolan vem com mais um filme que obriga o espectador a prestar atenção a cada detalhe para ir juntando as peças. Se no filme anterior o tema é uma investigação, em “A Origem” (“Inception”) há uma discussão sobre o mundo dos so­nhos.

Na tela, Leonardo DiCaprio é Dom Cobb, um especialista em roubar segredos do subconsciente durante o sono. No entanto, com a investigação corporativa, seu desafio é fazer o inverso: inserir uma ideia na cabeça da pessoa.

Rapidamente (e para não fazer o leitor se perder no labirinto de ideias de Nolan), esta é a narrativa do longa escrito e dirigido por ele, também autor de “Batman – O Ca­valeiro das Trevas”, uma obra-prima, ainda que se trate de uma his­tória baseada em super-herói, mas que ele conseguiu fazer de maneira audaciosa e agradar tanto o público como a crítica.

Embora a história pareça básica, é o modo de filmar que ganha destaque, bem como a montagem de como o filme é apresentado. Ou seja: o modo não-linear novamente entra em ação fazendo as idas e vindas no tempo, além de mesclar o imaginário com o real. Durante duas horas e meia, Nolan brinca com o sonho e com a realidade, insere so­nho dentro de sonho. E, para cola­borar com a loucura do especialista e de seu contratante, o empresário japonês (Ken Watanabe), entram em ação uma arquiteta (Ellen Page), res­ponsável por desenhar os sonhos e deixá-los, de certo modo, arrumados demais; a ex-mulher de Cobb (Ma­rion Cotillard, ótima!); o professor e sogro do protagonista (Michael Caine); seu parceiro (Joseph Gordon-Levitt, de “(500) Dias Com Ela”), responsável pelos detalhes técnicos, juntamente com o falsário (Tom Hardy); o alvo, ou seja, o rapaz que terá sua mente vasculhada (Cillan Murphy).

E com a premissa de que é possível fabricar sonhos (e para isso o protagonista prova que já fez antes), as cenas vão se misturando. No meio do thriller ainda há um melodrama, que mistura o romance do protagonista com a esposa, mas até que se justifica no contexto.

O filme não para. O thriller finaliza um acontecimento e, depois do clímax, já tem outro desenvolvimento para instigar ainda mais o espectador. Além das cenas de ação, a fita explora o lado psicológico das personagens, fazendo-as bem cons­truídas, de modo que o espectador se importe e torça por elas.

Assim como em “Batman”, em “A Origem” tudo é superlativo. Além de filmagens em estúdio, a fita se passa em locações no Marrocos, no Canadá, no Japão, na França, nos Estados Unidos. A cena dos prédios concebidos por Georges-Eugène Haussmann, em Paris, sendo virados ao contrário, é incrível.

Para completar, a trilha sonora tem a assinatura de Hans Zimmer (“Sherlock Holmes”), que escalou a guitarra tocada por Johnny Marr, do The Smiths, e Edith Piaf, que entra toda vez que alguém vai sonhar.

Da junção de roteiro inte­li­gente com direção precisa, mon­tagem ágil, efeitos especiais no ponto, elenco perfeito, tri­lha envolvente não pode restar dúvida de que se trata, sim, de um dos melhores filmes de todos os tempos.

As bilheterias norte-americanas confirmam: “A Origem” fechou o terceiro final de semana seguido em pri­meiro lugar desde a sua estreia e já soma US$ 193,4 milhões de arre­cadação. Aos mais detalhistas, a fita, que será lançada nesta sexta-feira, 6 de agosto, poderá ser vista também na versão Imax, que é, inclusive, o modo como eu vi (não confunda com 3D). Vale a pena disputar um ingresso na única sala com tela gigante, cristalina e som de primeira que temos em São Paulo, no Shopping Bourbon Pompéia.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Alice no País das Maravilhas

É comum diretores e atores trabalharem juntos em várias produções, principalmente quando o resultado é positivo. Basta lembrar de Woody Allen e Diane Keaton e Scarlett Johansson; Paul Greengrass e Matt Damon. E vários outros. Pela sétima vez, o diretor Tim Burton escala o ator Johnny Depp para protagonizar o seu filme. Depois de “Edward, Mãos de Tesoura” (1990), “Ed Wood” (1994), “A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça” (1999), "A Fantástica Fábrica de Chocolate" (2005), “Sweeney Todd – O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet” (2007), além da animação em stop-motion “A Noiva Cadáver” (2005), no qual um dos perso­nagens tem a voz dublada pelo ator, os dois estão juntos em mais uma produção com personagem estranho e nada convencional no longa-metragem “Alice no País das Ma­ravilhas” (“Alice in Wonderland”), que chega aos cinemas nesta sexta-feira, 23.

No épico de aventura e fantasia, Depp é o Chapeleiro Maluco que vive no mundo subterrâneo onde Alice (Mia Wasikowska) vai parar, já adulta, quando foge do pedido de casamento, uma vez que não concorda com a aristocracia inglesa onde vive. Como já esteve no local na infância, ela reencontra os amigos Coelho Branco (com voz de Michael Sheen), os irmãos Tweedledee e Tweedledum (Matt Lucas), Domindongo (voz de Barbara Windsor), a Lagarta (voz de Alan Rickman), o Gato Risonho (voz de Stephen Fry). Durante o passeio naquele mundo, Alice terá de encontrar seu destino e acabar com o reino de terror da Rainha Vermelha (Helena Bonham Carter), que sempre ordena que a cabeça de quem quer que seja e que atrapa­lhe o seu caminho seja cortada, e recuperar a espada da Rainha Branca (Anne Hathaway).

Embora a história já seja conhecida, uma vez que é baseada nos livros de Lewis Carroll, o longa criado por Tim Burton apre­senta um show de imagens coloridas (que poderão ser vistas nas versões 35 mm, 3D e Imax 3D, em um total de 400 cópias, sendo 80% dubladas e 20% legendadas), mas sem deixar que o visual sobreponha a história ou a interpretação competente dos atores ao vivo e das animações que se misturam com os reais.

Mesmo que a história tenha sido escrita por Carroll no final do século 19, permanece interessante até hoje, uma vez que tanto as personagens como toda a mise-en-scène mexe com a imaginação das pessoas e discute sobre amadurecimento e escolhas. Este, portanto, é um dos motivos de o conto de fadas permanecer vivo. E com a opção em três dimensões, ou seja, com o uso dos óculos especiais, o show de imagens fica ainda mais incrível.

Como não podia ser diferente, há a luta do bem contra o mal, mas mesmo as personagens boas são caricatas. Esse tipo, vale lembrar, é a especialidade da dupla Burton-Depp. O que se vê na tela, portanto, é uma reunião de esquisitices, um colorido sem fim, mas sobretudo uma história bem contada com um visual incrível.

Se Johnny Depp incorpora com des­treza seu personagem, assim como Helena Bonham Carter está impagável, o mesmo não acontece com a atriz responsável pela protagonista – lhe falta carisma. E não convence o espectador, é artificial demais.

Apesar dos problemas da fita, “Alice no País das Maravilhas” tem agradado, pois já conquistou, nos Estados Unidos, a maior bilheteria de abertura (de um filme que não é sequência) de todos os tempos, arrecadando US$ 116,3 milhões. Os investimentos de marketing, obviamente, contribuem para esse buchicho (até mais que a qualidade do filme, vale di­zer), e a história não vive apenas dentro da tela, mas também fora dela.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Avatar

Pandora é o mundo localizado anos-luz da Terra e será o destino de pesquisadores humanos que pretendem ocupá-lo, bem como destruir os extraterrestres que lá vivem devido a um minério que só existe ali. Para tanto, porém, será necessário enviar espiões para que eles conheçam um pouco sobre seus costumes e, então, possam dar o bote. Resumindo, essa é a história de “Avatar”, longa-metragem que chega aos cinemas nesta sexta-feira, 18.

Com lançamento em formatos 35 milímetros e Imax, em versões dubladas e legendadas, 2-D e 3-D estereoscópico (que precisa de óculos especiais), a Fox Film coloca mais de 600 cópias nos cinemas brasileiros de seu maior filme neste ano. As versões 3-D também podem ser legendadas em português: as palavras ficam flutuando de um lado para o outro enquanto os atores se movimentam.

O diretor James Cameron, o mesmo de “Titanic” (1997), começou a pensar na história deste longa-metragem há 15 anos e demorou quatro para concluí-lo. Segundo ele, foi o seu maior desafio. Também autor do roteiro, Cameron idealizou uma história que se passa em 2154 e fala sobre um herói, Jake Sully (Sam Worthington), que embarca em uma aventura para salvar o mundo extraterrestre.

“Avatar” esbanja tecnologia e efeitos especiais em um espetáculo que só a tela grande pode proporcionar. Se for em 3-D e Imax, então, o sucesso está garantido. Será? Um dos pontos fracos para o longa, porém, é o roteiro convencional e extenso demais - são 160 minutos de duração. Os acontecimentos lineares não motivam o espectador a torcer pelos personagens, porque tudo é muito previsível.

A fita inicia-se com explicações de como a acontecerá a ida do ex-fuzileiro naval que se locomove com ajuda de cadeira de rodas para o mundo de Pandora. Como a atmosfera lá é tóxica, foi criado um sistema no qual os “condutores” humanos têm sua consciência ligada a um avatar, ou seja, um corpo biológico controlado à distância capaz de sobreviver nesse ar letal.

Os avatares são produzidos de DNA humano e dos nativos de Pandora, os Na’vi. Com a ajuda da cientista Grace (Sigourney Weaver), o avatar de Jake volta a andar. O problema, porém, é que ao invés de lutar contra, ele se envolve com a bela Neytiri (Zoë Saldana), e seus planos de destruir o povo vão por água abaixo, já que ele passa a viver a rotina dos Na’vi.

Após as apresentações dos dois mundos, o roteiro de Cameron parte para o clímax: a batalha final será a verdadeira luta entre o bem e o mal; os extraterrestres que dizem ter uma forte ligação com a natureza contra os humanos exploradores. Além das lutas, o diretor aproveita para inserir críticas com relação à natureza, sobre o que o homem tem feito para destruí-la durante sua existência. E agora sentimos os reflexos. “Avatar” mostra isso. Mas também conta quem foi o vencedor nesta batalha.

A tecnologia é, sem dúvida, um dos destaques positivos, que, dependendo do espectador, pode não se interessar pela história propriamente dita, mas sim pelo espetáculo visual. E esse sim foi uma grande preocupação de Cameron, que utilizou o sistema de “captura de performance facial baseada na imagem” usando uma câmera posicionada na cabeça para gravar com precisão as nuances do desempenho facial dos atores. Os avatares são criaturas azuis, gigantes, que nenhum ator poderia interpretar. Aí entra justamente a técnica inovadora. Há também cenas captadas com a câmera virtual, com imagens filmadas dentro do mundo gerado pelo computador. Ainda assim, cada folha da árvore, cada inseto parecem de verdade.

“Avatar”
traz mais uma inovação para no quesito “cinemão”, com tecnologia de ponta para mostrar cenas cada vez mais reais, com excelente qualidade e resolução, além do 3-D, que permite uma experiência incrível na sala do cinema (prepare-se para ver muita gente tentando pegar insetos no ar!).

No entanto, o principal propósito do cinema, que é contar uma história relevante, esta está longe de estar presente nesta produção. A música alta e incessante da trilha sonora também conta como ponto negativo, afinal não se valoriza nada, porque sempre há um fundo sob os diálogos. Evolução mesmo seria reunir esses dois pontos: excelente história com perfeito acabamento. A união perfeita, porém, é para poucos cineastas.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Harry Potter e o Enigma do Príncipe

Desde o primeiro minuto do dia 15 de julho, a sala Imax do Shopping Bourbon Pompeia começou com o grande movimento por conta da estreia do longa-metragem "Harry Potter e o Enigma do Príncipe" ("Harry Potter and the Half-Blood Prince"), o sexto da franquia em uma versão inédita: Imax 3-D. Ou seja, além das exibições tradicionais (com cópias dubladas e legendadas), o único cinema Imax do país exibe uma cópia especial.

Para se ter uma ideia, mais de 270 mil ingressos foram vendidos em pré-estreia para sessões do filme a partir de 0h01, recordes para os grupos Cinemark, Grupo Severiano Ribeiro e Moviecom. Nos Estados Unidos, cuja estreia aconteceu no mesmo dia, o filme teve a melhor abertura para sessões neste horário, arrecadando cerca de US$ 22,2 milhões, segundo estimativas iniciais da Warner Bros., superando os US$ 18 milhões de "Batman - O Cavaleiro das Trevas".

Trata-se da primeira vez que um filme live action (ao vivo) traz essa tecnologia ao cinema brasileiro. Embora no início do ano "Batman - O Cavaleiro das Trevas" tenha sido exibido em Imax (inclusive com cenas filmadas com equipamento especial para essas imagens), elas não eram em três dimensões. O longa dirigido por David Yates, porém, foi remasterizado digitalmente e a sequência de abertura (somente ela, ou seja, menos de 30 minutos do filme) foi convertida para 3-D com a tecnologia The IMAX Experience.

Da poltrona do cinema, o espectador poderá conferir, com o uso dos óculos especiais, na tela de 21 metros de comprimento por 14 metros de altura, a história do livro escrito por J.K. Rowling. No início, aliás, as imagens começam mostrando Londres e, com uma câmera rápida, Yates coloca o espectador dentro do filme e o leva para viajar junto com ele sobrevoando o rio Tâmisa e os principais pontos que o rodeiam, com os Comensais da Morte derrubando gente e virando a Ponte do Milênio, por exemplo. Neste momento, a diversão é garantida e a experiência do cinema com aquela qualidade é perfeita.

No entanto, antes da primeira meia hora do filme (que tem um total de 150 minutos de projeção), um sinal mostra que já se pode retirar os óculos e acompanhar normalmente a volta às aulas de Harry Potter (Daniel Radcliffe) e seus amigos Rony Weasley (Rupert Grint) e Hermione Granger (Emma Watson) na escola de magia Hogwarts. A aventura desta edição envolve principalmente o professor e diretor Alvo Dumbledore (Michel Gambon), que precisa preparar Harry para os próximos episódios, já que ele é o escolhido. Então, o bruxo terá de se aproximar do professor Horácio Slughorn (Jim Broadbent) para descobrir como foram as conversas que ele teve com o aluno Tom Riddle, aquele que mais tarde mudou o nome para Lord Voldemort, enquanto ele ainda era uma criança (neste filme interpretado por duas: Hero Fiennes Tiffin e Frank Dillane).

Outra situação a ser resolvida é o mistério que envolve Draco Malfoy (Tom Felton) e o professor Severo Snape (Alan Rickman), além dos Comensais da Morte Belatriz Lestrange (Helena Bonham Carter, ótima!) e Fenrir Greyback (Dave Legeno).

Ter a experiência de assistir ao filme na tela gigante e ainda em três dimensões é excelente. Porém, não compensa o fato de ter de ver os atores que conhecemos desde o primeiro filme, lançado em 2001, terem as suas vozes substituídas por dubladores cariocas. A diferença na edição perde um pouco em dramaticidade e em verdade na interpretação. Aos que não se incomodam em não ouvir as vozes originais, essa pode ser uma boa opção.

Quem não leu o livro vai descobrir que o filme termina da pior maneira possível, contudo deixa um gancho para a sequência. O sétimo e último livro da série, "Harry Potter e a Relíquia da Morte", já foi lançado e a história sobre ele será contada no cinema em duas partes, cujas estreias foram marcadas para 2010 e 2011. Aguarde, se for capaz de esperar.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

A primeira experiência Imax a gente nunca esquece

Inaugurado em 16 de janeiro, o primeiro cinema Imax do Brasil já está em funcionamento no Unibanco Arteplex do Shopping Bourbon, em São Paulo. Imax, aliás, é a mais moderna experiência cinematográfica do mundo. A tela tem maior resolução que as convencionais e possui 14 m de altura e 21 m de comprimento - o mesmo que um edifício de cinco andares. Para se ter uma ideia de comparação, os outros cinemas possuem, no máximo, 8 m de largura por 18 m de comprimento.

O primeiro filme exibido em 3-D foi "Fundo do Mar", documentário do diretor e mergulhador Howard Hall. Mas a sala não será aproveitada para filmes em três dimensões. Isso porque alguns blockbusters também poderão ser conferidos lá, como é o caso de "Batman - O Cavaleiro das Trevas", sucesso de bilheteria em 2008.

Por conta das oito indicações ao Oscar (Ator Coadjuvante, Fotografia, Edição, Direção de Arte, Maquiagem, Mixagem de Som, Edição de Som e Efeitos Especiais), o filme será o primeiro em 2-D a ser exibido em Imax a partir do dia 6 de fevereiro. Nos demais cinemas do país, o filme será relançado dia 13.

Para preencher a tela gigante sem perder a qualidade com distorções, por exemplo, o filme dirigido por Christopher Nolan teve seis cenas filmadas especialmente em Imax (o que é possível conferir durante a exibição). Na verdade, o filme utilizado é de 70 mm, e não o tradicional de 35 mm.

No cinema, a experiência é ainda mais interessante. Em algumas cenas, parece que se está dentro do filme e o som é contagiante, além de fazer com que o chão da sala trema. Na cena na qual Batman se joga do alto do prédio em Hong Kong, o espectador tem a impressão de estar junto. Outra cena que merece destaque é quando o caminhão explode e o homem-morcego sai pilotando a moto: adrenalina pura.

Ainda que o filme já tenha sido assistido nos cinemas convencionais e em DVD, a experiência em Imax é inigualável: vale e deve ser conferida.

Anote também os preços dos ingressos: R$ 30; quinta, R$ 20. Estudantes, idosos, correntistas dos bancos Itaú e Unibanco pagam meia-entrada.