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sexta-feira, 17 de junho de 2011

Meia Noite em Paris

Depois de homenagear ci­dades como Londres, Bar­ce­lona e, claro, sua Nova York, Woody Allen homenageia a Ci­dade Luz em seu novo filme, “Meia Noite em Paris” (“Midnight in Paris”), longa-metragem que estreia nesta sexta-feira, dia 17 de junho.

A fita chega ao Brasil em tempo recorde do lançamento internacional, uma vez que os filmes do diretor e roteirista nova-iorquino costumam chegar ao país com quase um ano de atraso, e esse foi apresentado ao público pela primeira vez durante o Festival de Cannes, realizado em maio deste ano.

O filme conta a história da vida do escritor Gil (Owen Wilson, de “Penetras Bons de Bico”) que, cansado de escrever rotei­ros fracassados para filmes hollywoodianos, vai passar alguns dias com a noiva e os pais dela na capital francesa. Sua ideia, portanto, é escrever romances, já que tem admiração por escritores de peso, como Ernest Hemingway, autor de “Paris é uma Festa”, por exemplo.
 
A primeira imagem é da Torre Eiffel, seguida da ponte Alexander III, considerada a mais bonita da cidade. Com uma espécie de videoclipe dos principais pontos turísticos, Allen mostra a Paris dos seus sonhos: Place de la Concorde, Mont­martre, Notre Dame, Jar­din des Tuilleries, as lojas chi­ques da avenida des Champs-Élysées e da Place Vendôme, os cafés, os restaurantes, o museu do Louvre, Le Palais Garnier, além dos belos telhados de Pa­ris. E o clipe vai mostrando a vida frenética da cidade até que chega a meia noite e, voilà, a mágica está feita.

É aí que o espectador vai des­cobrir o que acontece na Paris dos sonhos do escritor que admira Fitzgerald, Pablo Picasso, Salvador Dalí, Luis Buñuel e o Man Ray, e outras tantas personalidades dos anos 1920. É uma viagem no tempo incrí­vel, com referências de diversos segmentos da arte do início do século 20, mas também, quando Gil se encanta por Adriana (Marion Cotillard) e a viagem no tempo vai para a Belle Époque, nos anos 1890.



É na Ponte Japonesa do jardim de Claude Monet, em Giverny, na região francesa da Normandia, que o casal Gil e Ine­z (Rachel McAdams) conversa e discute sobre a possibilidade de se morar em outro lugar. A participação especial fica para a primeira-dama francesa, Carla Bruni, que faz o papel da guia no Musée Rodin, cujas esculturas do artista ficam expostas no jardim do grande casarão. Além de Paris e Giverny, há cenas filmadas no castelo de Versalhes.

Se Paris é sinônimo de magia e encanto, em “Meia Noite em Paris” Woody Allen brinca com a imaginação do espectador e entrega o que promete: um longa-metragem cheio de graça, humor refinado, citações de refe­rên­cias do mundo das artes, além de diálogos bem construídos.


 
Allen sempre foi um cineasta que entrega um filme por ano, principalmente com temas relacionados à sua cidade natal, Nova York. Porém, desde 2005 ele tem feito filmes na Europa, certamente porque tem tido dificuldades de conseguir financiamento para suas obras que possuem cinéfilos fiéis, como os ingleses “Match Point” e “Scoop”, “O Sonho de Cassandra”, o espa­nhol “Vicky Cristina Barcelona”, entre outros, para agora homenagear a capital francesa. E ele mesmo diz: “Claro que eu amo Nova York, que é a cidade onde nasci e cresci, mas se eu tivesse que escolher uma cidade para viver, que não fosse a minha, seria Paris”, diz Allen. 
 
A primeira vez que o diretor teve capital francesa como locação foi em “Todos Dizem eu Te Amo” e se apaixonou por Paris durante as filmagens de “O que é que há, Gatinha?”, seu primeiro filme como ator e roteirista.
 
“Meia Noite em Paris” traz novo fôlego às obras de Woody Allen, uma vez que seu último filme, “Você Vai Conhecer o Ho­mem dos Seus Sonhos”, não agradou a todos os seus fãs, ainda que, como se diz, um filme de Woody Allen mediano ainda é muito melhor que outros filmes que estreiam nos circuitos nacio­nal e internacional.
 
“Meia Noite em Paris” é um filme encantador, com humor raro que apenas Woody Allen é capaz de escrever, exatamente para o seu público. Ah, e se ficar com vontade de ver (ou rever) Paris após sair da sessão não se preocupe, acontece!

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Star Wars - Lego

Para os fãs de "Star Wars", um dica: na loja de brinquedos "Toys R Us", do shopping Les Quatre Temps, em La Defense (Paris), tem um Jango Fett todinho feito com Lego. Se quiser encarar, o brinquedinho custa 399,99 euros.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Amélie Poulain

Ainda não fui ao cinema aqui em Paris, mas há dois dias fui a Montmartre, o bairro onde fica a igreja Sacre-coeur, e lá dei de cara com uma personagem muito parisiense: Amélie Poulain.

Interpretada por Audrey Tautou, Amélie, do longa-metragem "Le Fabuleux Destin d'Amélie Poulain", foi a responsável por diversas coisas, como: a divulgação do cinema francês para um público maior e para acabar com aquela coisa blasé que na França só se faz cinema para intelectuais; para divulgar Paris (e Montmartre, bien sûr) e para, definitivamente, colocar a atriz francesa na roda.

Além disso tudo, quem é muito grato a Amélie é o dono desta banca de frutas na esquina da Rue Androuet e Rue Des Trois Frères. Isso porque algumas cenas foram filmadas aqui e vários turistas vão até lá para conhecê-la.

Na entrada, há cartazes do filme à venda (por 9,90 euros) e, do lado esquerdo, estão coladas no vidro várias reportagens que foram publicadas à época do lançamento do longa-metragem de Jean-Pierre Jeunet, em 2001. Quando eu fui, além de mim, outras turistas (japonesas, claro) tiravam fotos e queriam conhecer o lugar onde Amélie vivia.

terça-feira, 8 de abril de 2008

só pra chorar...

... e matar a saudade (e deixar aquele gosto de quero mais).

Noite Branca, do dia 6 de outubro de 2007. Adivinha onde! =)


quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Paris: é sempre uma festa!

Melhor que ir a Paris, é voltar a Paris. Explico: na primeira vez que se vai à capital francesa tem-se a obrigação de fazer alguns passeios, conhecer o trivial, a urgência de ver tudo. Mas tudo é impossível, até porque a cidade oferece diversas opções de cultura e entretenimento que quatro dias, uma semana, não são suficientes. Portanto, voltar a Paris é ter novamente a oportunidade de continuar de onde se parou, de rever os melhores momentos e de explorar tantos outros.

Embora subir a Torre Eiffel seja o passeio obrigatório, nunca é demais. Aliás, não é necessário subir os seus 276 metros, mas só o fato de ir até a estação Trocadéro do metrô, você já se sente recompensado. É de lá que a melhor vista do monumento inaugurado para a Exposição Universal de 1889 e você tem absoluta certeza de que está em Paris.

Outro passeio bacana é subir o Arco do Triunfo. Vá lá que o trabalho de escalar os seus 284 degraus não é tarefa fácil, mas a vista do alto compensa. De lá é possível observar as 12 avenidas que partem do local, mas é superorganizado para os pedestres, pois para se chegar ao Arco existe uma passagem subterrânea.

Em Paris há muitos parques, praças e locais para descansar, contemplar, ver a vida passar, se exercitar, como acontece no Bois de Vincennes, que serviu de espaço para treino militar no século 19. A Place des Vosges, localizada próxima ao metrô Bastille, é destino certo dos parisienses que querem curtir a paz, deixar as crianças brincarem nos tanques de areia, observar os estudantes desenhando a arquitetura. No local há 36 casas cujas construções estão intactas há 400 anos. É lá a casa do poeta Victor Hugo, autor de “Os Miseráveis”, onde hoje funciona um museu.

Outro local bastante movimentado é a Place de La Concorde, próxima ao Museu do Louvre, que conta com uma roda-gigante inaugurada em 2000. A praça é a mais importante da história francesa, onde o rei Luis XV foi guilhotinado durante a revolução. Ali do lado está o Jardin des Tuileries, onde é bastante comum observar as pessoas sentadas em frente aos lagos comendo uma baguete na hora do almoço, se expondo ao sol nos dias quentes de verão, contemplando a natureza, dando pão aos pássaros que vêm visitar. O mesmo também acontece no Jardin du Luxembourg, próximo ao Boulevard Saint-Michel, rodeado por esculturas e flores.

Se as catedrais que você conheceu em Paris se resumem à Sacré Coeur e à Notre- Dame, não deixe de conhecer a Capela da Medalha Milagrosa. O altar é lindo, delicado, há missas em inglês, além de se poder adquirir medalhas com explicações em português.

Museu para todo lado
Evite chegar desavisado à cidade que inventou o impressionismo, a alta-costura e (ninguém é perfeito) o mau humor. É verdade que muitos na cidade não falam inglês, mas nos lugares turísticos é muito fácil conseguir informação, caso o francês não seja o seu forte. Nos museus existe uma grande resistência de se colocar os dados da obra em inglês, o que é lamentável. No entanto, aqui vão algumas dicas: sempre que for abordar uma pessoa na rua, no caixa da loja, na bilheteria do metrô, diga “bonjour” (ou “bonsoir” se for de noite). E emende outras palavras mágicas: “s’il vous plaît”, “merci” e “au revoir”. Sendo bem-educado, ninguém vai negar em dar uma mãozinha.

Outro defeito de Paris é a sinalização, que deixa a desejar em muitos locais. No entanto, as 16 linhas do metrô mais outras tantas de trem dão conta de cobrir a cidade, de modo que se pode chegar a qualquer lugar. Os vagões da linha 14, a mais moderna (inaugurada em 1998), são automáticos, por isso não precisam de operador (sorte de quem precisou dele durante as greves ocorridas em outubro e novembro).

Embora visitar o Louvre seja passeio obrigatório, se você esteve em Paris e já passou por ali, não perca a chance de entrar, se sentar em um dos cafés debruçados no hall de entrada e experimentar um crepe doce ou salgado. Aproveite ainda para conhecer o Carrossel do Louvre, apreciar o Palais Royal, passear pelo Marais e fazer compras na Rue de Rivoli.

Do outro lado do rio Sena está o Museu d’Orsay, instalado em uma antiga estação de trem. Só por sua arquitetura já vale a visita. De quebra, a principal coleção de arte impressionista de Paris. Monet, Van Gogh, Degas, Renoir, Rodin, Manet, estão todos lá.

Outro museu que fica bem perto é o L’Orangerie, reaberto em 2006 após reforma. Um dos pontos altos são as “Ninféias”, de Monet, pintadas de parede a parede. Bem em frente ao painel há bancos para contemplar a obra do artista.

Imperdível também é o Museu Picasso, que além de telas há um espaço dedicado às esculturas. Outro que também tem jardim para as esculturas é o Museu Rodin, famoso por sua obra “O Pensador”. A obra, aliás, está lá exposta e pode ser fotografada.

Dedicada à arte moderna, o Centre Pompidou foi construído nos anos 1970 e batizado em homenagem ao presidente francês anterior Georges Pompidou (1911-1974). As escadarias do lado de fora mostram que do lado de dentro há muito o que se ver. A sua arquitetura destoa do restante da cidade, que é praticamente uniforme, e traz visitantes durante o ano todo, do mundo inteiro. Nas tardes aos finais de semana, artistas se apresentam na entrada, onde centenas de pessoas se sentam no chão para contemplar os músicos e os números circenses que são apresentados. No alto do prédio é possível sair na varanda e observar a cidade inteira, de tal maneira que se pode avistar o Sacré Coeur bem ao longe.

Para a arte contemporânea está o Palais de Tokyo, com obras que lembram aquelas que vemos nas Bienais por aqui e onde sempre fazemos a famosa pergunta: isso é arte? No mínimo, vale conhecer.

Embora eu não tenha conseguido ir (por duas vezes o museu estava fechado), o Marmotan tem uma grande coleção de Monet doada por seu filho, além de obras de Renoir e Pissarro. O museu fica em um lugar afastado da cidade e o passeio também vale a pena.

Fora de Paris
Versalhes é um programa para um dia inteiro. Primeiro é preciso pegar o trem (viagem de meia hora) para se chegar ao local. E preparar as pernas, porque a certeza que se tem é que é preciso andar muito para dar conta de conhecer todas as belezas do castelo, assim como os seus jardins. Ao todo são dois, pois existe a propriedade que foi de Maria Antonieta, localizada no final da área. Aproveite para conhecer o Petit e o Grand Trianon.

O jardim, aliás, inspirou o do Museu do Ipiranga, que foi recentemente reformulado. Além de árvores por todos os lados, o jardim conta ainda com lagos, com fontes, rodeados por labirintos, projetos geométricos. Dentro do castelo é possível conhecer como viviam os reis, imaginar Maria Antonieta, Luis XVI. No Salão dos Espelhos foi onde aconteceu a assinatura do Tratado de Versalhes, ao final da Primeira Guerra Mundial, em (1914-1918): história pura.

Outro passeio imperdível, e talvez não muito comum, é a Fundação Claude Monet, que fica em Giverny, a uma hora de Paris. Para chegar lá, compre um bilhete na estação Saint Lazare com destino a Vernon. De lá, pegue um ônibus até Giverny.

Foi ali que o pintor impressionista viveu seus últimos dias de vida e pintou os seus mais belos quadros. Além da casa, é possível passear por seu jardim rodeado de flores, contemplar as ninféas e as vitórias-régias que tanto o inspiraram, conhecer a Ponte Japonesa, tema de outros quadros. Enquanto viveu na cidade a beira do rio Sena, Monet aproveitou para pintar o que via de diversas maneiras, de acordo com a estação do ano e a luz que incidia no local: inspiração, como é possível ver, não lhe faltou.

Se tiver com criança, ou quiser voltar a ser uma, vale uma visita à Disneyland. O parque completou 15 anos em 2007 e está uma festa. Além de poder brincar (apele para o Fast Pass para não morrer na fila) e visitar o Castelo da Bela Adormecida, é possível esbarrar nos personagens da Disney: Mickey, Minnie, Pato Donald, Margarida, Pateta, Buzz Lightyear, Timão e Pumba...

Cinema para quem precisa
Não faltam cinemas em Paris. Foi ali, aliás, que aconteceu a primeira projeção cinematográfica em 28 de dezembro de 1895, pelos irmãos Lumière. A exibição foi feita no Le Grand Café, que existe até hoje no boulevard des Capucines. Uma experiência interessante é o I-MAX no Geóde, localizado na Cité des Sciences. Todos os dias há sessões alternadas de filmes que podem ser simplesmente em I-MAX ou ainda em 3D. Além de cinema, o local possui cinco andares com exposições interativas, como se fosse uma cidade da ciência.

A Cinémathèque Française, em Bercy, é outro lugar para se respirar cinema. Além de mostras (com 40 mil filmes) há uma livraria com um sem-número de livros sobre a arte cinematográfica. Bem em frente à Cinémathèque, aliás, há uma escultura do brasileiro Oscar Niemeyer.

Para os que preferem os tradicionais, o moderno UGC Cine Cité Bercy exibe programação do cinema americano e, claro, em francês. O cinema fica em um lugar pouco visitado pelos turistas e é onde os parisienses se encontram para tomar um café e assistir a um bom filme. Outra rede que também atrai os moradores da cidade por conta de sua programação é o MK2 Bibliothèque. Só uns parênteses: ao final da exibição, as portas do cinema “jogam” as pessoas para a rua, de modo que não há volta para aquele xixi depois de duas horas sentado.

E não se dê por satisfeito. Em Paris sempre é tempo de bater perna de um lado para o outro, conhecer novas coisas, novas lojas, novos bistrôs, cafés e assim por diante. O Quartier Latin é destino para quem quer jantar em restaurantes alternativos (há muitos gregos por ali com os seus churrasquinhos) ou dançar em um bar.

Não se limite aos cafés mais conhecidos (passe longe do Starbucks Coffee, esse tem aqui!), pare, entre, conheça as novidades, ex-perimente as baguetes durante um almoço rápido, coma um macaron de framboesa ou de chocolate como sobremesa, abuse do vinho nacional. Aproveite o que Paris tem de melhor, os monumentos iluminados, o perfume, os croissants e não se esqueça de usar as palavras mágicas. Você não vai se arrepender, afinal sempre será tempo de voltar!

*Matéria publicada na edição 31 (dezembro de 2007) da revista METROPOLIS.

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Parisiense por uns dias

Eu não gosto de pedir informações quando estou perdida na rua. Muito mais por medo de uma pessoa mal-intencionada que pode me mandar pra bem longe que por auto-suficiência. Em compensação, parece que há uma placa com algo tipo: “Serviço de Ajuda ao Cidadão Perdido” colada na minha testa. Só eu pisar a rua, que já vem um perguntar onde fica a avenida tal.

Isso acontece desde quando eu era criança e voltava da escola a pé segurando a mão do meu irmão caçula. A gente voltava junto pra casa, mas um dia vieram me perguntar onde ficava a avenida Moreira Guimarães. E eu fui explicar para o motorista e ele... bom, deixa pra lá, não quero lembrar dessa história.

Mas mesmo depois que eu cresci um pouco e ficava andando de casa pro shopping, para a casa dos meus amigos, para a escola, vinha sempre alguém perguntar. Era até compreensível, porque é muito fácil se confundir com tanto nome de pássaros e aldeias indígenas que dão nomes àquelas ruas.

Depois que vim morar aqui, há 11 anos, a história continua se repetindo, mas o que confundem as pessoas agora são os nomes das flores que dão nomes às calçadas. Além de ser um labirinto, os nomes são muito parecidos.

Quando estive em Paris, pasme!, vieram me pedir informação. E o pior: em francês. Danou-se, porque eu não sabia nem onde eu estava, nem sabia falar o idioma da pessoa, imagine dar informação. Enquanto a pessoa (na verdade foram duas vezes) ia me perguntando, eu ia fazendo aquela cara de interrogação que até ela entender que eu não estava compreendendo nada, demorou.

No último dia em que eu fiquei na cidade, porém, eu estava passando perto da Place de la Concorde quando duas mulheres se aproximaram e dispararam:

- Do you speak english?

- Ufa, pensei. Pelo menos não vieram falando francês sem parar.

Depois da minha resposta positiva, elas me perguntaram se eu sabia onde fica o museu L’Orangerie. A primeira resposta que me veio a cabeça era dizer:

- No, sorry.

Mas eu não podia, porque eu tinha justamente saído de lá. Respirei fundo e, como se eu vivesse ali desde criancinha, fui explicando para as duas como chegar ao museu de arte impressionista. Mais dois meses ali e eu poderia jurar que nunca tinha morado em outro lugar.

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Pardon

Me lembro que quando estive em Londres, percebi que o ingleses usavam a palavra “sorry” não apenas para pedir desculpas. O “sorry” (“sôrry” pra ficar bem britânico) era usado para pedir licença quando se queria passar e tinha alguém na frente; para abordar uma pessoa na rua ao pedir informação, por exemplo; para pedir que a pessoa repita algo que não se entendeu, e por aí vai.

Em Paris é a mesma coisa. Mas ao invés de “sorry”, eles usam e abusam do “pardon”.

Quer descer do metrô e tem alguém no seu caminho?
- Pardon

Quer pedir desculpas por ter esbarrado em alguém?
- Pardon

Não entendeu um nada do que aquele francês disse?
- Pardon?

Se quiser fazer diferente, também pode optar por "Excuse-moi". Mas aí pode ser que percebam logo de cara que você não é de lá!

Então está combinado: além de bonjour, bonsoir, s'il vous plaît, merci e au revoir, complete a listinha de boa educação com pardon. É isso.

*E é isso mesmo. Volto agora com novidades do cinema, já que as férias acabaram. :0(

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Bom dia, por favor, obrigada e até mais

Parece até ridículo tocar neste assunto, mas educação é bom, todo mundo gosta e faz bem para os dentes. Muita gente que vai a França reclama da falta de paciência daquele povo, de fazerem biquinho pra isso, biquinho praquilo, além de lá ninguém fazer questão de falar inglês. Se você é de fora, que se vire para entender o que os nativos estão dizendo.

Por um lado eles têm razão. Pense se um dia, despreocupadamente, você estiver andando na rua e chega um árabe e começa falar a língua materna dele e te obrigar a entender. Pior: e se for grego? (tem até piada pra isso). Nada disso. Claro que ninguém é obrigado a falar francês para conhecer uma das cidades mais bonitas e badaladas do mundo. No entanto, boa educação é fundamental.

Da primeira vez que estive em Paris me irritei um pouco. Os parisienses realmente não têm muita paciência com os turistas, não estão interessados em ficar dando informações, essas coisas. Mas com um pouquinho de jeito é possível conseguir o que quiser deles.

Desta vez aprendi definitivamente a lição. Sempre (eu disse sempre!) que for abordar uma pessoa na rua, no caixa da loja, na bilheteria do metrô, diga "bonjour" (ou "bonsoir" se for de noite). A pessoa que ouve já percebe que você não é dali, mas pelo menos já abre um sorriso, responde e se prontifica a ouvir. Em seguida, solte logo um "s'il vous plaît". Outra palavrinha mágica que não pode ficar de fora de qualquer pedido é "merci" (que pode ser "merci bien" se você estiver muito agradecido). E, para finalizar a conversação, "au revoir".

Quatro palavras para ser civilizado na França. E se alguém te tratar mal, reclame. Eles vão se sentir envergonhados por terem perdido a educação.

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Bolhas

Pra quem anda de casa para o trabalho (e vice e versa), em cima da esteira na academia, do trabalho até o restaurante, quando vai viajar não pode ter moleza. Não mesmo! E como perambular de um lado para o outro de táxi sai caro demais e debaixo da terra, no metrô, se perde o melhor da cidade, a pedida é mesmo ir caminhando. E foi só isso o que eu fiz durante os dias em que fiquei em Paris.

Oh céus! No final do dia, eu fazia as contas, e já tinha andado mais de três, quatro horas seguidas, entre as escadas do metrô (acredite, são muitas), os passeios por perto das estações e mais os corredores dos museus, que quando menos se espera, já foram quilômetros percorridos. Em Versalhes, por exemplo, onde fica o Castelo rodeado por um jardim imenso, sem brincadeira, andei cinco horas e só parei por cerca de quinze minutos duas vezes para comer uma baguete (!) sentada de frente para o Grande Canal (!!), debaixo de árvore para me proteger do sol (!!!).

E o que restaram além de lembranças lindas, momentos incríveis e 741 fotos? Bolhas nos pés, claro. Mesmo com os sapatos mais confortáveis do mundo, elas são inevitáveis. E nada de creminho aqui, massagenzinha acolá. Nada disso adianta. Agora é só recuperar. E sentir falta.

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Voila

Melhor que ir a Paris, eh voltar a Paris. Explico: eh que quando voce vai a capital da Franca pela primeira vez, tem a obrigacao de ver coisas que tem a cara da cidade, como ver a Mona Lisa no Louvre, passear na Champs-Elysees, subir na Torre Eiffel, essas coisas. No retorno a cidade a coisa muda um pouco de figura, porque como voce ja fez o basico, pode ter um tempo extra para tentar descobrir nao o que os turistas fazem, mas o que os parisienses costumam fazer, comer, onde eles passeiam, essas coisas.

Em uma semana que estou aqui, fiz um pouquinho de coisa de turista, mas, por exemplo, aproveitei para andar por ruas onde nao estao as pessoas falando italiano, portugues (acredite, a cidade esta enfestada de brasileiros), ingles.

Hoje mesmo acabei de ir ao cinema. A sala eh como se fosse uma das nossas grandes redes, como UCI, Cinemark, mas fica em Bercy, um bairro bastante moderno da cidade. Alias, ha um grande contraste, eh como se a arquitetura do local te mandasse para um outro lugar, que nao Paris.

Bom, voltando ao cinema. Embora seja uma dessas salas enormes (e nao a sala do Espaco Unibanco que exibe filmes de arte), tem pipoca (urgh!), as pessoas ficam abrindo o celular para ver as horas (afe!) e tem filme frances na tela (voila!).

Outra coisa boa de Paris pela segunda vez eh que nao eh necessario ficar apenas em Paris. Ontem aproveitei para viajar ate Vernon e de la ate Giverny, onde fica a Fundacao Claude Monet. Passeio de um dia, 40 minutos de trem, coisa rapida. Mas uma licao de historia da arte pra toda vida.

Domingo passado, com vontade de voltar a ser crianca, fui para a Disneyland. Cheio de gente, lotado de turistas (inclusive brasileiros), caro pra caramba, mas ok, foi divertido.

Amanha pretendo fazer outra viagem de um dia: Versalhes. Vamos ver se da certo. Depois eu conto tudo.
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PS: Desculpe a falta de acentos. Coisa de teclado internacional.
PS2: Sei que prometi atualizar o blog (e fui cobrada por isso), mas sabe cume, ferias...
PS3: Em tempo: O filme a que assisti hoje chama-se "99 Francos" que estreou aqui dia 26 de setembro, mas ainda nao tem previsao de ir para o Brasil. :-(

terça-feira, 25 de setembro de 2007

Vou até ali e já volto

Ok, eu sei, não precisa me lembrar. Quando criei este blog era para única e exclusivamente falar de uma paixão: o cinema. Daí já inventei de incluir umas crônicas, desde que tenham o cinema como tema, claro. Agora, já vão pensar que eu vou esculhambar. Pode ficar tranqüilo, não vou não. Apenas vou fazer um breve intervalo para falar de outra paixão incontrolável que eu tenho: viajar.

Finalmente consegui umas merecidas férias e vou aproveitar o espaço para escrever as impressões, mandar notícias, manter contato, matar as saudades, essas coisas. Por isso, não chore: logo mais volto a falar dos lançamentos da tela grande. Por duas semanas mandarei notícias do Velho Mundo.

Nas férias vou aproveitar para visitar a Mona Lisa, contar as novidades depois de cinco anos sem vê-la. Vou aproveitar também e seguir os passos dos Lumière (pronto, arrumei um jeito de falar de cinema!) e olhar a Cidade Luz do alto da Torre.

Bom, por enquanto é só. Vou até ali e já volto com muitas novidades =)