Em DVD e BD, a narrativa conta a história de três pessoas que são tocadas pela morte de maneiras distintas: George (Matt Damon) que, desde criança, tem a capacidade de manter contato com o além; uma jornalista francesa (Cecile De France) e Marcus (Frankie McLaren), um garoto inglês que perdeu seu irmão gêmeo e está em busca de respostas. Um dos pontos altos da fita dirigida por Clint Eastwood é que, apesar de falar sobre o desconhecido, não explora demais o lado espírita, tal como filmes do gênero. Como disse o diretor no material de divulgação para a imprensa, “não sabemos o que acontece do lado de lá, mas, do lado de cá, tudo acaba”. Este é daqueles filmes para continuar pensando sobre a mensagem transmitida, mesmo depois dos créditos finais. O DVD custa R$ 39,90 e o BD, R$ 59,90. Ambos trazem como extra “Tsunami - Recriando um desastre”, “Locações de Além da Vida” e “A experiência Eastwood”.
Tudo sobre cinema, com críticas de filmes, lançamentos nos cinemas e em home vídeo, trailers. O marcador Coisas da Vida são crônicas do que acontece, podendo ser real ou imaginário!
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sexta-feira, 13 de maio de 2011
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
Além da Vida
Clint Eastwood é daqueles diretores esperados pelo seu público cativo, assim como Woody Allen, Pedro Almodóvar, Martin Scorsese. Quando vai lançar um longa-metragem, não importa o assunto ou o elenco; o cinéfilo estará lá para conferir se ele continua em boa forma ou se seria melhor fazer outra coisa da vida. A partir de sexta, dia 7 de janeiro chega aos cinemas “Além da Vida” (“Hereafter”). Sim, mais um longa sobre vida após a morte, se o leitor quer saber logo de cara. E já na primeira sequência, Eastwood provoca o espectador a ponto de lhe tirar o fôlego. Sem dizer onde está a francesa Marie Lelay (a atriz belga Cécile de France), uma grande onda, que ficou conhecida como tsunami, arrasa a praia onde ela se encontra. E, a partir de então, a jornalista muda um pouco o rumo da sua vida profissional e afetiva.
A vida de muitas pessoas acaba mudando e é exatamente o que mostra o longa que tem roteiro escrito por Peter Morgan (o mesmo de “Frost/Nixon”, “A Rainha”).
A fita se passa na França, na Inglaterra e nos Estados Unidos, onde mora o protagonista vivido por Matt Damon. O ator faz o papel de George, um vidente que deixou de fazer previsões por achar que não se trata de um dom, mas uma maldição.
Nos primeiros 15 minutos de exibição, Eastwood faz as apresentações dos personagens de cada lugar, ou seja, Marie que está em férias na Tailândia e depois retorna para a emissora onde trabalha, em Paris; dos gêmeos ingleses Marcus e Jacob (George e Frankie McLaren), que tentam fazer com que a mãe não perca a guarda deles, já que vive drogada, e os assistentes sociais estão atrás dela. Além, é claro, do médium.
Embora os três personagens sejam bastante diferentes entre si (um garoto, uma jornalista e um vidente), o que faz sentido na história toda é um denominador comum: o fato de todos terem tido recente ligação com a morte e, por algum motivo, precisam aprender a viver o agora. E, para não fugir do final clichê e previsível, os três, de alguma maneira e em algum lugar, vão se encontrar.
Embora não atue no filme, tal como fez em longas anteriores, como “Gran Torino”, “Menina de Ouro”, entre outros, Clint Eastwood é também produtor (juntamente com Steven Spielberg) e responsável por duas canções que compõem a trilha sonora, que, aliás, é belíssima.
Depois de fazerem “Invictus”, filme que contou a história da equipe de rúgbi da África do Sul de Nelson Mandela, Matt Damon e o diretor retornam a parceria de sucesso. Os dois mostram a cumplicidade de ator e diretor e quem aproveita é a plateia.
Se a sequência mais marcante é a do início, principalmente pela grande produção, ou seja, a do tsunami (que na verdade fora filmada no Havaí e não na Tailândia, como sugere a história), a mais cativante é uma próxima ao final, que envolve o espectador e mostra a ele que é hora de se emocionar...
Um dos pontos altos de “Além da Vida” é que, apesar de falar sobre aquilo que desconhecemos, ainda que o personagem de Damon diga o que está ouvindo dos mortos, o filme não explora demais o lado espírita, tal como os filmes “Chico Xavier” ou “Nosso Lar”, duas produções brasileiras. Como disse Clint Eastwood no material de divulgação para a imprensa, “não sabemos o que acontece do lado de lá, mas, do lado de cá, tudo acaba”.
“Além da Vida” é desses filmes para sair do cinema e continuar pensando sobre a mensagem transmitida, principalmente se o espectador já teve, em algum momento, contato com a morte. E que destino, apesar de parecer surreal, pode ser mais convencional do que imaginamos.
A propósito: sim, Eastwood continua em plena forma!
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Assista aqui ao trailer.
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
Invictus
Quantos leitores desta coluna ligam para um jogo de rúgbi? Quantos conhecem as regras deste jogo? Embora “Invictus”, novo filme de Clint Eastwood (de “Menina de Ouro”), fale sobre o rúgbi, não se trata desta modalidade pouco conhecida no Brasil. Portanto, pouco importa se você domina suas regras para escolher assistir ao filme ou não. Em um momento, ele até explica que a regra número um é passar a bola ou para os lados ou para trás, mas não é esta é a questão. “Invictus”, que chega ao país nesta sexta, 29, não discute as regras, não comenta se um time é melhor que o outro, mas sim como o presidente recém-eleito da África do Sul, Nelson Mandela (no filme representado por Morgan Freeman), conseguiu melhorar a autoestima da população no fim do apartheid e como conseguiu a confiança também dos brancos.“Invictus”, que é um poema do inglês William Ernest Henley (cuja tradução é “invicto”, “insubjugável”), discute liderança, companheirismo e mostra como Mandela fez para todos acreditarem em sua proposta. Através de um jogo de rúgbi, o presidente faz o marketing de sua política, mostra que é possível o branco conviver com o negro em perfeita harmonia, sem preconceito de um lado ou de outro.
As primeiras mudanças são feitas dentro de seu governo. Sua segurança, formada por profissionais negros, recebe uma equipe composta por brancos. Segundo ele, foi a maneira de mostrar que seu governo seria daquela maneira, ou seja, negros convivendo com brancos e vice-versa. Outra lição que mostrou é que só o perdão liberta a alma. Mesmo que tenha passado 27 anos na prisão por lutar contra o apartheid, sai de lá com a concepção de que pode perdoar aqueles que lhe fizeram mal.
Na Copa Mundial de Rúgbi de 1995, portanto, une as torcidas, uma vez que a população tinha vergonha de torcer para os Springboks, que vestiam o uniforme verde e ouro e cujo brasão lembrava o apartheid. Literalmente, Mandela veste a camisa do time e convoca o capitão François Pienaar (Matt Damon) para vencer, lhe escreve declarações que se tornam inspirações que vão, de uma maneira ou de outra, alimentar a atitude de virada.
A África do Sul entrou na Copa como “loser”, como equipe perdedora que não ia conseguir chegar às Quartas de Final. Entretanto, tudo o que precisava fazer para avançar no campeonato era ganhar da Austrália, o primeiro jogo. A vitória, então, significou a melhora na autoestima do time, dos torcedores, de Nelson Mandela, de modo que todos conseguissem se unir para enfrentar os All Blacks, time neozelandês que era dado como favorito.
Um exemplo da segregação está representado na casa do capitão, onde os patrões são loiros, brancos e a empregada, negra, que votou no Mandela, que preza por um futuro melhor a seu país, que canta no dialeto deles. No jogo contra os All Blacks ela é convidada a se sentar na arquibancada ao lado da patroa. É o começo da mudança, uma mudança de dentro para fora, da África do Sul para o mundo.
Um jogo de rúgbi no qual brutamontes são obrigados a se bater, saem com hematomas nas coxas, no peito, no rosto, vão mostrar que a parte física conta muito, mas que é preciso mudar principalmente na cabeça de cada jogador, é acreditar que é possível vencer. E esta é a diferença entre os outros times.
“Invictus”, baseado no livro de “Playing the Enemy”, de John Carlin, tem roteiro escrito por Anthony Peckham (que também colaborou com “Sherlock Holmes”, de Guy Ritchie). Com filmagens realizadas em Johanesburgo e na Cidade do Cabo, na África do Sul, trata-se de um filme emocionante que vai mostrar o espírito de união.
Falar sobre mais um filme do diretor Clint Eastwood, que retratou em “Menina de Ouro” a superação durante o treino de boxe, ou da falta de tolerância e do preconceito do bairro americano tomado por imigrantes, em “Gran Torino”, ou até mesmo a Segunda Guerra Mundial vista por americanos e japoneses em, respectivamente, “A Conquista da Honra” e “Cartas de Iwo Jima”, é confirmar que ele, mais uma vez, acertou a mão. O consagrado diretor mostra com sua câmera de maneira eficiente tanto a catimba de um violento jogo de rúgbi como também tem sensibilidade de apresentar momentos emocionantes desta luta contra o apartheid.
Em ano de Copa do Mundo, com sede na mesma África do Sul, é um bom convite para se assistir à produção. De repente, nosso presidente Luiz Inácio Lula da Silva poderia convidar o capitão do time brasileiro para assistir a este filme e, quem sabe, ambos possam se inspirar. Pois, com humildade, de repente, chegaremos à conquista de mais um título mundial.
quinta-feira, 19 de março de 2009
Gran Torino
O valente Clint Eastwood pode ter sido injustiçado pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood quando não o indicou tampouco indicou o seu filme ao melhor prêmio. No entanto, o Festival de Cannes, o mais importante dos prêmios de cinema, corrigiu o "erro" da academia e fez a ele uma homenagem, quando lhe entregou Palma de Ouro Honorária por toda a sua obra no cinema, pela "paixão que ele desperta nos cinéfilos, admiração e respeito em resposta natural à sua elegância". Nada mau.Seu novo filme, "Gran Torino", é o primeiro em que aparece como ator depois de "Menina de Ouro", uma vez que entre essas produções ele fez outras três: "A Conquista da Honra", "Cartas de Iwo Jima" e "A Troca", esta última lançada recentemente, que indicou Angelina Jolie ao papel de Melhor Atriz na festa do Oscar.
Na produção, que estreia nos cinemas dia 20 de março, Eastwood é Walt Kowalski, um veterano da Guerra da Coreia que mora em um bairro tipicamente americano, no Michigan, mas que, dia após dia, assiste aos seus vizinhos mudando de casa e novos moradores se aproximando. A nova vizinhança, porém, é formada por imigrantes, principalmente orientais, os hmong.
No início da fita, Walt aparece no funeral de sua esposa. Ao mesmo tempo, os personagens são apresentados e sua personalidade é acentuada, já que é rabugento, reclamão, não aguenta a convivência com filhos e noras, além, é claro, de sua implicância com os vizinhos, chamando-os de "china". O bairrismo é representado principalmente pelo exagero ao mostrar a bandeira americana hasteada na casa e impressa nos copos, por exemplo.
Ao lado da cachorra Daisy, da raça Labrador, Walt passa horas na varanda de sua casa, e sua maior paixão, como não poderia deixar de ser, uma vez que trabalhou na indústria automobilística por mais de 50 anos, é lustrar seu Ford Gran Torino, ano 1972, que é preservado embaixo de uma capa na garagem. A paixão é alternada entre consertos domésticos (ele tem uma grande gama de ferramentas), cerveja e visitas ao barbeiro, com quem tem uma relação amistosa, embora muito estranha. O ápice da história, porém, acontece quando alguém tenta roubar seu automóvel.
Com roteiro do estreante Nick Schenk, a partir da história que criou com Dave Johannson, o filme trata de relações com a família, com os vizinhos que, como sabemos, muitas vezes são mais importantes que a própria família, uma vez que eles estão sempre por perto, e da relação com a igreja. Entre as cenas, Walt troca conversas nada amistosas com o padre (Christopher Carley), e coloca em dúvida o papel da igreja na sociedade, além de considerar o reverendo "um virgem de 27 anos de idade que estudou demais".
As coisas começam a se acalmar quando Walt cria ligação com o vizinho hmong Thao (Bee Vang) e sua irmã Sue (Ahney Her). E é justamente a partir dessa convivência que Walt começa a conhecer um pouco sobre as diferenças de cultura, a ser tolerante quanto à convivência e a conhecer um pouco sobre sua personalidade, uma vez que ainda não esqueceu as maldades que teve de praticar durante a guerra, quando esteve a serviço dos Estados Unidos.
Como Walt, Eastwood é um senhor caricato, que faz trejeitos para parecer ranzinza, fazendo um barulho com a boca. Ao mesmo tempo, sua atuação ímpar convence o espectador com a macheza que lhe é peculiar, além de mostrar sua cara carrancuda quando enfrenta as gangues que vão lhe perturbar o sono.
Destaque também para a trilha sonora, que mistura rap hmong e latino, além de uma surpresa no final, juntamente com os créditos. Um filme emocionante, capaz de tocar o espectador e fazê-lo refletir sobre sua vida.
quinta-feira, 8 de janeiro de 2009
A Troca

Baseado em fatos reais que aconteceram nos anos 1920, em Los Angeles , nos Estados Unidos, o novo filme de Clint Eastwood, "A Troca" ("Changeling"), conta a história de uma mulher (Angelina Jolie) cujo filho desaparece, e ela espera, dia após dia, o seu retorno. No entanto, quando a polícia informa que encontrou o garoto, ela descobre que o menino não é o que ela perdeu. A partir de então, ela encabeça um movimento, levanta bandeira, organiza passeatas, sempre com a ajuda do reverendo (John Malkovich), de modo a ter os seus direitos garantidos.
Na época, havia uma polícia corrupta, que não resolve o problema, a faz se passar por louca – até que ela vai para o manicômio.
Eastwood, que em 2007 contou duas versões sobre a Segunda Guerra Mundial em "Cartas de Iwo Jima", sobre o Japão, e "A Conquista da Honra", sobre os Estados Unidos, apresenta um longa-metragem denso e consegue extrair performances bem-sucedidas dos atores quando fala sobre perda, mas sobretudo sobre coragem.
Angelina, por sua vez, pode não ser uma grande atriz, mas me parece que nesta produção ela não precisa se esforçar demais para fazer o papel de uma mãe: ela simplesmente é. (Vale lembrar que a atriz possui filhos adotivos e biológicos com Brad Pitt.)
Neste longa, ela atua como mãe, mas, para a época em que se passa a trama, trata-se de uma mulher moderna, solteira, que trabalha na companhia telefônica de Los Angeles e exerce o cargo de chefia. E foi justamente por ter ido trabalhar em um final de semana que ela perdeu o filho.
Como este é um roteiro que se passa no início do século 20, a direção de arte é competente e capaz de representar os móveis e o figurino de época. Nas ruas, o garoto toma o bonde para ir à escola e o transporte divide espaço com os fordinhos.
Eastwood aproveita para homenagear o cinema, na terra dele, quando mostra o Oscar e a United Artists. Jolie, aliás, vai assistir na telona ao filme de Charles Chaplin, que fez muito sucesso, principalmente porque o cinema ainda era silencioso (o primeiro filme sonoro foi lançado em 1929 – "O Cantor de Jazz").
"A Troca", que estreia nos cinemas nesta sexta, 9, é emocionante e capaz de despertar no espectador vontade de participar da luta dos personagens, já que o menino não é o único a desaparecer na redondeza. É por esse motivo, aliás, que ela consegue chamar a atenção das pessoas, que participaram, ao seu lado, de passeatas para que a polícia continuasse a busca.
No decorrer do filme, o espectador vai vivenciar momentos de apreensão e compartilhar com os personagens raiva, desprezo pelas autoridades, euforia. Ao final, o autor mostra como ficou a situação desta mãe.
"A Troca" não é o melhor filme de Eastwood. É possível que muitos achem a fita dramática demais, explorando a fragilidade do espectador, já que envolve um assunto comovente; que ele privilegia Angelina e se esquece de fazer uma direção surpreendente. É tudo verdade, mas apreciar uma obra de Eastwood, ainda que mediana, é melhor que muita coisa que estreia por aí.
Por sua atuação, Angelina Jolie recebeu indicação ao Globo de Ouro, prêmio considerado uma prévia do Oscar, que será entregue dia 11 de janeiro. Clint Eastwood, que não atua neste longa, vai concorrer ao prêmio de Melhor Trilha Sonora.
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