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quarta-feira, 16 de março de 2011

Esposa de Mentirinha

No fim de semana que se seguiu ao carnaval, a comédia romântica "Esposa de Mentirinha" ("Just Go With It") se manteve na liderança do ranking, e marcou um milhão de ingressos vendidos desde a sua estreia, dia 4 de março. Em segundo lugar, de acordo com o Filme B, ficou a animação "Rango", seguido pelo nacional "Bruna Surfistinha".

E por que tem um monte de gente querendo ver o filme estrelado por
Adam Sandler e  Jennifer Aniston? Ora, porque "Esposa de Mentirinha" é aquela bobagem como toda comédia romântica, ou seja, um filme previsível mas que sempre tem um final feliz. E, vamos combinar, com tantas tragédias acontecendo no mundo real, nada melhor que nos refugiarmos no cinema e apreciarmos um pouco de coisa boa...

Na trama, Sandler é Danny, um cirurgião plástico que desfila com uma aliança na mão esquerda porque acredita que, assim, vai conquistar mais mulheres do que se fosse solteiro. Porém, em um belo dia, seu tiro saiu pela culatra quando se apaixona por uma garota bem mais nova, mas ela se recusa a sair novamente quando descobre que ele é casado.


Para não dizer que a aliança é pura encenação, ele pede para que sua secretária, Katherine (Jennifer), se faça passar por sua esposa, mas que os dois estão se separando... Então, o trio acaba se envolvendo, assim como os filhos da secretária, que vão se passar pelos filhos do casal. E será na paisagem deslumbrante do Havaí que vai acontecer a maior parte das cenas.


Previsível, mas com algumas piadas interessantes, o longa-metragem se desenrola bem, a não ser pela participação de Nicole Kidman, que faz o papel patético de uma amiga da escola de Kat, que disputa atenção e tenta mostrar aquilo que ela não é.

De qualquer modo, “Esposa de Mentirinha” entrega aquilo o que promete: um filme leve, cheio de graça, com pessoas bonitas na tela e, claro, um final feliz e previsível. O que mais você estava esperando?

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Amor à Distância

Ontem vi "Amor à Distância", que a WarnerBros. lançou em DVD em janeiro, no Brasil. O longa-metragem é uma comédia romântica, mas não tão convencional como tantas outras por aí, embora remeta a fitas como "Mensagem Para Você", o clássico do namoro pela internet, de 1998, com Tom Hanks e Meg Ryan no elenco. O filme de Nanette Burstein (em sua estreia em longas de ficção) também não é um cult, como o "(500) Dias com Ela".

Para ser bastante honesta com você, caro leitor, "Amor à Distância" me lembrou bastante "Ele Não Está Tão a Fim de Você". Principalmente, é claro, pelo elenco, que traz Drew Barrymore e Justin Long, tal como no outro filme (embora eles não tenham contracenado juntos), mas também pelo senso de humor e pelo timing de comédia alavancado por Drew (Lá pelas tantas, me veio à mente "Como se Fosse a Primeira Vez", no qual ela perde a memória).

A narrativa conta a história dos dois personagens separadamente: ele, que trabalha em uma gravadora, está comemorando o aniversário da namorada. Ambos, porém, acabam brigando no fim da noite pois, adivinhe: apesar do jantar e de toda mise en scene que ele fez para agradá-la, não tinha um presente para a gata...

Já Drew, que aqui é Erin, está em Nova York por conta do estágio em um jornal na cidade e que deve acabar em seis semanas, caso não consiga o emprego permanente. Assim, terá de voltar para São Francisco, continuar o curso de jornalismo e manter o emprego no cassino onde ganha a vida.

Muitas cenas no filme são previsíveis, e o espectador já poderá se dar conta que os dois, mais cedo ou mais tarde, vão se conhecer, viver alguns dias juntos na cidade, até que ela terá de ir embora. A partir de então, começa a história que dá nome ao filme: o tal amor à distância.

Entre cenas que mostram claramente que homens e mulheres não se entendem, uma vez que eles querem encher a cara com os amigos, jogar conversa fora, sem compromisso, e elas preferem amar, ser felizes e ter um amor pra toda vida, "Amor à Distância" mostra tudo isso. Mostra também uma mulher madura, que sabe o que quer, e que não vai morrer de ciúme do namorado por ele ter amigas, e compartilha da sua vontade de ir a um show, tomar cerveja, brincar, jogar em fliperamas, sem compromisso, vivendo um dia de cada vez.

Uma cena hilária é quando Erin está no bar com um amigo "chorando as pitangas" e jogando dardo depois de litros de álcool. Então, ela engata uma discussão com um cara como se fosse um deles. Impagável!

Apesar do gênero, o longa não chega a ser tão previsível quanto parece, uma vez que, até o final, não se sabe exatamente como estarão os dois pombinhos: juntos ou separados, em NY ou em São Francisco. Isso, porém, não é o mais importante.

Prefira se apegar aos diálogos hilários, à trilha sonora que inclui The Cure, The Pretenders, The Boxer Rebellion. Preste também atenção às referências, como o grito da moça enquanto está no chuveiro (cena do clássico "Psicose", de Hitchcock), ou ao filme "Top Gun - Ases Indomáveis", que fez muito sucesso nos anos 1980.

"Amor à Distância" é bastante honesto e não quer ser mais do que é. Essa, talvez, seja uma das suas maiores virtudes.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

O Amor e Outras Drogas

Sabe quando você está no consultório médico à espera do atendimento e sai da sala do especialista um homem ou uma mulher com uma malinha? Trata-se de um representante de alguma indústria farmacêutica, que vai apresentar ao profissional seu lançamento para que ele conheça e, claro, receite o tal medicamento.

“O Amor e Outras Drogas” (“Love and Other Drugs”) fala um pouco sobre esse universo (indústria farmacêutica), mas também do relacionamento que acontece entre um desses representantes e uma artista, que, aos vinte e poucos anos, sofre de Parkinson.

Na trama, quem vive os personagens é Jake Gyllenhaal (de “O Segredo de Brokeback Mountain”) e Anne Hathaway (de “O Diabo Veste Prada”). Os dois, aliás, já estiveram juntos no primeiro filme, mas não eram o centro das atenções, tal como são aqui.

Para contar a história, baseada no livro “Hard Sell: The Evolution of a Viagra Salesman”, o diretor Edward Zwick (de “Diamante de Sangue”) começa apresentando o protagonista, Jamie (Gyllenhaal), que nos anos 1990 trabalha em uma loja de eletrônicos e, com seu charme e beleza, tenta convencer as pessoas dos benefícios da câmera filmadora, do microsystem, entre outros lançamentos da época. Até que perde o emprego e busca uma recolocação como representante de medicamentos, já que é ali, segundo ele, que está o dinheiro.

A partir de então, ele vai ter de convencer os médicos a lhe atenderem para dar a oportunidade de mostrar os benefícios do medicamento da Pfizer, empresa para qual trabalha (e cujo merchandising é enorme, assim como da Novartis e outras gigantes do setor), e parar de receitar Prozac.

É aí, caro leitor, que a plateia do cinema vai conhecer o que é feito para o médico indicar determinado medicamento (em detrimento do concorrente ou de remédios manipulados). E vale tudo: conquistar a secretária, jogar as amostras do outro fora, pagar para o médico... Uma lista de “sujeiras” sem fim.

Mas tudo começa a mudar de rumo quando Jamie conhece Maggie (Anne), mais de 15 minutos depois do início do filme. É quando o longa-metragem muda o foco, de maneira que agora passa a ser o relacionamento dos dois, embora ambos prefiram não tratar como tal, mas como sexo casual, sem compromisso. Outra mudança radical é quando Jamie passa a vender o Viagra, medicamento que representa o que poderíamos chamar de “segunda revolução sexual” -- depois da pílula anticoncepcional.

Do título do filme, aí está o amor. E as outras drogas, como o espectador poderá ver, são os remédios, mas também a maconha que Maggie fuma (provavelmente por conta da dor que sente), a bebida das festas, e o que mais pode-se chamar de droga, como as brigas com o concorrente, a patifaria...

Com uma química que funciona, os dois jovens atores (que concorreram ao Globo de Ouro, mas não ganharam) dão ritmo ao filme e prendem a atenção do espectador, em cenas quentes, mas sem ser vulgar. Junte-se a isso a trilha sonora, que tem Regina Spektor, Spin Doctors, Bob Dylan.

A sensibilidade do longa é reforçada pela doença da moça, mas o que só dá um ânimo a mais para ver qual será a atitude do rapaz. Sem ser piegas, mas com final de deixar os olhos cheios de lágrimas, “O Amor e Outras Drogas” cumpre o que promete: ser uma comédia romântica com humor inteligente, jovem, além de escancarar críticas à indústria farmacêutica que, cá entre nós, continua faturando alto -- sabe-se lá em quais condições.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Comer Rezar Amar

Li o best-seller "Comer Rezar Amar", de Liz Gilbert, em maio, pouco antes de viajar para Paris, onde eu passaria um mês estudando francês. Não que eu tivesse a ideia de tirar um ano sabático, tal como fez a jornalista norte-americana, que ficou viajando por três países durante 12 meses. Na verdade, peguei o livro emprestado de uma amiga que tinha acabado de lê-lo e, como eu sabia que estava sendo filmado, aproveitei para dar uma olhada...

Confesso que fiquei muito mais encantada com a primeira parte do livro, na qual Liz vai para a Itália, do que por qualquer outro trecho. Ter aquela sensação de liberdade que ela teve após um duro divórcio, e poder conhecer o país, aprender a língua e provar da deliciosa culinária italiana me fez desejar ir conhecer aquelas cidades e provar daquela comida. Ou seja, ela me convenceu.

No entanto, quando ela foi para a Índia com a intenção de rezar, o livro não me prendeu e demorei dias para passar aqueles capítulos. Não sou muito chegada em religião e sou cética quando o assunto é espiritualidade, é verdade. As meditações que ela é obrigada a fazer só me fazem ficar entediada e, ao invés de esvaziar a mente, só me passa pela cabeça as coisas que tenho para fazer assim que sair dali...

No final, hora de ir amar em Bali. Nesta parte do livro, Liz conhece um brasileiro, Felipe, com quem tem um romance e acaba se casando. Ora, se ela conseguiu encontrar, digamos, a "tampa da sua panela", faz as moças românticas acreditarem que, sim, é possível encontrar a sua também. E essa é uma das grandes mensagens do livro, haja vista que, na sequência, ela publicou "Comprometida", justamente sobre essa fase na qual se casou com o tal brasileiro.

Do início ao fim, o livro tem altos e baixos, reflexões fundamentadas e outras nem tanto, de maneira que não se pode esperar muito do longa-metragem, ainda que não seja classificado como autoajuda, mas uma biografia.

O longa-metragem estreou em 1º de outubro e faz apenas uma semana que resolvi conferir a tal Liz Gilbert que, na tela grande, é vivida por Julia Roberts, a atriz-símbolo da comédia romântica e sempre muito criticada por não ter expressões convincentes, ou seja, por sorrir e chorar fazendo a mesma cara.

Já sabendo disso, o que esperar de "Comer Rezar Amar" ("Eat Pray Love")? Assim como em outros filmes, fui assistir a este com o coração aberto, sem criar expectativas boas ou ruins antes que ele tenha terminado.

Não foi fácil, é fato. A história, contada pelo diretor Ryan Murphy (que até então só tinha dirigido séries de televisão, como "Glee"), é exatamente igual a do livro, uma vez que o roteiro, escrito por ele e por Jennifer Salt, utiliza a mesma sequência, sem criar qualquer surpresa, a não ser cortando um ou outro detalhe irrelevante. 

Durante o percurso, Liz conhece pessoas para apimentar um pouco mais a convivência e rechear os aprendizados que teve durante o ano. Na Itália, por exemplo, uma família a acolhe e seu professor de italiano aceita lhe ensinar o idioma, desde que praticassem o inglês também. Na Índia, destaque para Richard do Texas (Richard Jenkins), responsável por muitas de suas reflexões sobre o perdão. Mas é em Bali que ela reencontra o guru que havia previsto o seu retorno, além de conhecer uma curandeira e sua filha. As duas, aliás, são responsáveis pelos momentos mais emocionantes do longa (e do livro também).

É também em Bali que ela conhece Felipe que, na fita, é inerpretado pelo espanhol Javier Bardem. Ora, quando destacam um espanhol para viver um brasileiro, achando que os idiomas são parecidos, até parece que estão chamando todos de tolos. Não convence. E, ainda que o ator tente falar português, seu sotaque desmente. O mesmo acontece quando os italianos são tratados de maneira caricata e generalizada, mostrando que todos adoram a tal siesta, só pensam em sexo e em não fazer nada.

"Comer Rezar Amar" não é um filme que vai mudar a cinematografia mundial. E, embora não seja tratado como autoajuda, tal como o livro, traz reflexões pertinentes para quem passa por situações semelhantes a da personagem, frases feitas e, sobretudo, indica que é possível reverter situações quando se tem força de vontade e perseverança.

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quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Simplesmente Complicado

É um verdadeiro clichê falar que Meryl Streep é a atriz que segura o filme, seja ele qual for. Mas uma coisa também é certa: é tudo verdade.
Recentemente, ela fez o papel de Julia, uma norte-americana que se mudou para Paris por conta do trabalho do marido, e aprendeu as delícias da culinária francesa no filme "Julia & Julie". "Mamma Mia!", musical baseado na obra da banda ABBA, só vale a pena por sua atuação. Agora, ela estrela a comédia romântica "Simplesmente Complicado" ("It's Complicated"), que chega aos cinemas nesta sexta-feira, dia 26.
Na fita, ela é Jane Adler, dona de um restaurante que, após 10 anos de seu divórcio, tem uma boa relação com o ex-marido, Jake (Alec Baldwin), pai de seus três filhos. Um deles, aliás, se forma e é por conta desta celebração que a família se une.

Há também o namorado (John Krasinski) de uma das filhas que tem um desempenho bastante interessante na trama, pois adotou a família da namorada como sua, e é capaz de guardar segredo sobre uma descoberta, ainda que seja sem querer.

Na primeira meia hora do filme já dá para saber como será a história contada pela diretora e também roteirista Nancy Meyers (de "O Amor Não Tira Férias"). Isso porque os elementos que ela une neste trecho da fita vão mostrando ao espectador o que será o desenrolar da história nada simples, porém bastante comum no cinema e, vá lá, na vida real. O "complicado" que dá título ao filme é justamente esta situação-clichê "quando eu te amava, você me traía e agora você me quer".

Como está fazendo uma reforma em sua casa, entra em cena o arquiteto de Jane, Adam (Steve Martin), um divorciado que ainda não se recuperou totalmente da desilusão com a ex-esposa, mas já se mostra pronto o suficiente para iniciar mais um romance.

É nítido que Meryl Streep faz um bom trabalho, por exemplo, quando se relaciona com os filhos, com o ex-marido, e até mesmo quando está em seu restaurante preparando um croissant au chocolat. Alec Baldwin tem um jeito canastrão que cai como uma luva para seu personagem, afinal trocou a esposa por outra bem mais nova e agora sente que, da altura de seus quase 50 anos, criar um filho pequeno não é lá muito confortável.

Ainda que Steve Martin seja um bom ator, tem o estigma dos filmes de comédia, uma vez que sempre temos a sensação, nesta produção, que uma hora ou outra ele vai soltar alguma piada, fazer uma gracinha e assim por diante. Seu timing neste momento, entretanto, é perfeito, e as pitadas de humor são bem pontuadas.

"Simplesmente Complicado" discute a vida por volta dos 50 anos, o relacionamento entre pais e filhos, o divórcio, o direito de recomeçar. Mas o ponto negativo é o fato de ser previsível e cansar o espectador, haja vista os momentos de bom humor serem bastante raros.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Amor Sem Escalas

Se o livro "Up in the Air", de Walter Kirn, não tivesse sido lançado em 2001, poderíamos pensar que o roteiro para o filme homônimo (mas que no Brasil está sendo chamado de "Amor Sem Escalas") foi escrito especialmente para um ator: George Clooney.

Ora, quem acompanha a carreira e um pouco que seja de sua vida pessoal sabe que se trata de um bon vivant de 48 anos, solteiro, que talvez nem pense em se casar. Assim é Ryan Bingham, personagem vivido por Clooney no longa-metragem que estreia dia 22 de janeiro no país. Ao invés de ser ator e viajar por conta das filmagens, Ryan é executivo de uma empresa e sua função é viajar por todas as cidades dos Estados Unidos para demitir pessoas. Ou seja, ele é pago por empresas que terceirizam seu "trabalho sujo", que é encarar um funcionário de alguma instituição para demiti-lo, sem comentar os motivos.

Embora a fita não situe o espectador da época em que se passa, é fácil perceber que enfoca um período de crise econômica e, claro, pós-11 de setembro. E para escolher os personagens que vão interpretar os que foram demitidos, foi realizada pesquisa com diversas pessoas que passaram pelo drama. De fato, parece real. A maneira como esses depoimentos são mostrados na tela pelo diretor Jason Reitman (de "Juno") parece um documentário.

Um trabalho como esse (o de demitir pessoas), portanto, não poderia ser feito por alguém senão por uma pessoa que não se apega a nada: seja família, casa ou amor. Como diz o personagem, sua casa é no ar, pois ele se sente bem voando entre um destino e outro carregando apenas uma mala de mão, que é capaz de arrumar em minutos.

Além de demitir pessoas, seu trabalho consiste em fazer palestras motivacionais. E uma das coisas interessantes, já que faz analogia da vida de cada um como se fosse uma mochila, é que o espectador pode começar, sem prestar atenção, a fazer os exercícios que o personagem ensina na tela, colocando na mochila o que é essencial em sua vida e sentindo o peso dela nas costas. Ou que é preciso esvaziar a mochila antes de enchê-la novamente. Simples.

Em uma das viagens, Ryan conhece o que seria, aparentemente, sua versão feminina (ao decorrer da fita, porém, veremos outra coisa). Isso porque Alex (Vera Farmiga) é uma executiva que vive em Chicago e passa boa parte de seus dias viajando. Depois do primeiro dia, os dois começam a trocar o itinerário de suas agendas para se encontrarem casualmente em algum hotel. Uma das cenas mais bizarras que protagonizam juntos é quando ambos começam a disputar quem tem mais cartões fidelidade que o outro, além de trocarem experiências sobre o assunto. Ryan, aliás, tem a meta de chegar a 10 milhões de milhas voadas e ser o sétimo passageiro a conseguir o feito.

Seu destino começa a querer mudar, porém, quando seu chefe contrata uma funcionária, Natalie (Anna Kendrick), que criou uma maneira de demitir os funcionários via internet, em vez de gastar dinheiro com passagens aéreas, hotéis, aluguel de carros etc. A partir de então, ele vai carregá-la a tiracolo e mostrar como faz para não ter apego a nada.

Sobre demissões, o diretor Lars von Trier mostrou no filme "O Grande Chefe", quando o dono de uma empresa pretende vendê-la, mas para não mostrar aos seus funcionários seu caráter, precisa de um chefe fictício e, então, contrata um ator para desempenhar o papel do big boss para levar a culpa de mau caráter.

Clooney, que vem se tornando melhor ator a cada produção, mergulha de cabeça neste filme e mostra que está bem à vontade no papel. A cada cena, convence o espectador sobre sua opção, além de mostrar confiança ao funcionário que está demitindo. Afinal de contas, ele vai lá, se apresenta, dispensa a pessoa e lhe entrega um manual sobre os procedimentos a serem seguidos. Daí pra frente, nunca mais verá o demitido e segue para demitir outros, e outros.

A química com Vera funciona e ambos têm o timing perfeito para o roteiro que, além de ser um leve drama, tem um pouco de humor. Sem citar o nome, a fita faz uma referência à produção francesa "O Fabuloso Destino de Amélie Poulain", quando a protagonista pede a uma amiga para fotografar seu duende em diversos locais.

Além de discutir sobre o desapego, "Amor Sem Escalas", escrito a quatro mãos por Jason Reitman e Sheldon Turner, coloca em questão relacionamentos, principalmente quando Natalie pergunta por que Ryan não pensa em se casar e pede para ela convencê-lo do contrário. Então, ele afirma que o matrimônio é dispensável para o estilo de vida que escolheu. A fita retrata também de maneira sensível o momento em que vivemos, os avanços tecnológicos e as falhas de comunicação. "Amor Sem Escalas" é para ver e depois refletir, é para desfrutar das belas cenas, dos ensinamentos do protagonista, de se identificar com a história. E depois tocar a vida e sempre se questionar sobre o porquê das coisas.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

A Verdade Nua e Crua

Comédia romântica com uma pitada de autoajuda. Assim é "A Verdade Nua e Crua" ("The Ugly Truth"), longa-metragem que estreou dia 18 de setembro, após dois finais de semana em pré-estreia nos cinemas. 

Na fita, Abby Richter (Katherine Heigl) é produtora de um programa de televisão que consegue resolver tudo, menos os problemas com o próprio coração. No entanto, sua vida muda quando começa a trabalhar com Mike Chadway (Gerard Butler), um conselheiro sentimental que vai à televisão falar para as mulheres que os homens só pensam em uma coisa quando conhecem uma gata, ainda que se trate de uma mulher bonita e bem-sucedida. Eles só querem levá-las para cama e se satisfazerem sexualmente e por isso há uma lista do que se deve ou não fazer no primeiro encontro.

No entanto, tal como as mulheres, de um modo geral, Abby não acredita nele; crê que o homem ideal vai aparecer e segue para ver se encontra o cara que preenche a lista de suas "exigências". Ela só pensa em pedir a sua cabeça ao chefe, mas aceita-o desde que ele a ajude a conquistar seu vizinho, Colin (Eric Winter), como deve agir etc. 

Daí pra frente, o longa se torna previsível e repleto de clichês, com sugestões de atitudes que devem ser tomadas para se conquistar o amor de sua vida.

O tema, vale lembrar, não é novo e já foi abordado várias vezes, inclusive recentemente, por exemplo, no longa "Como Perder um Homem em 10 Dias", no qual uma jornalista vivida por Kate Hudson precisa conquistar um rapaz e faz tudo errado, induzindo-o a se mandar, para escrever na revista para qual trabalha; em "Eu Odeio o Dia dos Namorados", de Nia Vardalos, há conselhos de como agir nos primeiros encontros e resumi-los em apenas cinco. Isso porque, segundo sua teoria, é uma maneira de não sofrer e sempre estar no controle da situação.

Dirigido pelo australiano Robert Luketic (de "A Sogra"), "A Verdade Nua e Crua" tem excelente senso de humor e, ainda que seja repleto de estereótipos, o roteiro não chega a ficar arrastado e a obra tem 90 minutos de duração. Os diálogos aproveitam para discutir a relação dos homens com as mulheres e, quando vindo do homem, são comentários ácidos, cínicos e desconfiados sobre a relação a dois.

Para o elenco, Luketic se vale da beleza de Katherine Heigl, ainda que talvez ela não seja a atriz ideal para o papel, pois não se mostra à vontade para fazer uma moça que não se preocupa com a aparência e, para conquistar o namorado, recorre ao amigo que vai às compras com ela, por exemplo, para escolher o vestido ideal, a lingerie perfeita, a faz alongar os cabelos, tudo para agradar o sexo oposto. Mas faz bem quando interpreta uma mulher rígida, controladora, organizada e competente em tudo o que faz.

Por outro lado, porém, o escocês Gerard Butler foi uma escolha acertada, embora ele tenha sido visto no cinema como Leônidas, em "300", sobre a história “Os 300 de Esparta”, se comportando como um homem viril, arcaico, e nesta comédia romântica se vale de experiências machistas (por que não?) para ajudar as mulheres a conquistar o par ideal. Também protagonista de "P.S. Eu Te Amo", Butler reúne o timing perfeito para o romance com doses convincentes de humor, além de ser atraente, para contentamento da plateia feminina.

"A Verdade Nua e Crua" é um filme com final manjado e previsível, convencional, possui cenas constrangedoras (como a do vibrador estrelada pela protagonista durante um jantar de negócios), mas consegue divertir o público com piadas de efeito, acrescentar conselhos para a vida e, assim, cumprir a sua função de ser entretenimento para as pessoas que querem rir da própria vida, uma vez que é possível se identificar com algumas situações expostas na tela grande. Só não vale deixar a intuição de lado e seguir os conselhos do personagem ao pé da letra, tendo em vista o retorno certo da conquista!