
Em sua nova produção, "O Grande Chefe" ("The Boss of It All"), ele novamente faz movimentações de câmera ousadas. O longa-metragem chega às telas nesta sexta-feira, dia 24, em pequeno circuito, após participar da abertura do Festival de Copenhague em setembro do ano passado. A fita inicia-se quando o diretor apresenta a história a partir de seu reflexo no vidro do prédio onde se passa a trama.
O mesmo diretor de "Dogville" inova mais uma vez, quando escolhe filmar com Automavision, um princípio de filmagem (e gravação de som) desenvolvido com a intenção de limitar a influência humana. Neste caso, o computador é programado com uma fórmula que fornecerá uma lista de possibilidades a serem aplicadas para os movimentos de câmera, não permitindo nenhum processamento adicional, nem mudança como correção de cor, manipulação da imagem ou edição de som, já que o material será diretamente transferido para a cópia final.
Assim, o longa apresenta inúmeras cenas feitas com planos e contraplanos, resultando em uma obra esteticamente cansativa. A comédia, filmada em cinco semanas, se passa dentro de um escritório, quando o dono de uma empresa de TI, Ravn (Peter Gantzler), pretende vendê-la. Porém, para não mostrar aos seus funcionários seu verdadeiro caráter, ele precisa de um chefe fictício. Então, ele contrata um ator, Kristoffer (Jens lbinus), para desempenhar o papel do big boss, quando resolve vender a companhia aos islandeses (esse povo que atualmente está comprando metade de Copenhague, a capital dinamarquesa onde se passa a história).
Como o dono da empresa não tem intenção de ficar com os funcionários antigos, nem pagar seus direitos trabalhistas, ele trata de jogar a culpa em cima do grande chefe. Entre os empregados, um enlouquecido que quer resolver tudo a tapa, a loira do RH que se insinua ao big boss (Iben Hjejle, a Laura de "Alta Fidelidade"), a mocinha que quer se casar, entre outros.
A fita joga luzes ao mundo corporativo, à concorrência entre os funcionários, sempre com bom humor refinado e crítica. "O Grande Chefe" é um filme, apesar de cansativo, essencialmente ousado e bem-feito. Uma verdadeira obra de Lars von Trier que, como de costume, também assina o roteiro.
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