Quinta-feira, 16 de Julho de 2009

Entre os Muros da Escola

Baseado no livro homônimo escrito por François Bégaudeau, o diretor e roteirista Laurent Cantet sele-cionou o próprio François para fazer o papel do professor e para corroteirizar a fita que se passa dentro de uma escola na periferia de Paris. O filme conta a história sobre professores e alunos que passarão juntos um ano letivo. O foco, porém, é nos personagens que mais dão trabalho aos mestres, como Souleymane (Franck Keïta), garoto que é levado para a diretoria por muitas vezes, Khoumba (Rachel Régulier), a insolente que se recusa a ler quando o professor lhe pede e Esmeralda (Esméralda Ouertani), um pouco arredia quando o professor lhe solicita algo. Com a câmera nervosa, muitas vezes na mão, Cantet mostra como eles se comportam, como vivem dentro da escola, sobre o que discutem etc. Como o filme mistura ficção com toques de documentário, tem-se a impressão de que aquela sala de aula pode estar em qualquer lugar do mundo.

Harry Potter e o Enigma do Príncipe

Desde o primeiro minuto do dia 15 de julho, a sala Imax do Shopping Bourbon Pompeia começou com o grande movimento por conta da estreia do longa-metragem "Harry Potter e o Enigma do Príncipe" ("Harry Potter and the Half-Blood Prince"), o sexto da franquia em uma versão inédita: Imax 3-D. Ou seja, além das exibições tradicionais (com cópias dubladas e legendadas), o único cinema Imax do país exibe uma cópia especial.

Para se ter uma ideia, mais de 270 mil ingressos foram vendidos em pré-estreia para sessões do filme a partir de 0h01, recordes para os grupos Cinemark, Grupo Severiano Ribeiro e Moviecom. Nos Estados Unidos, cuja estreia aconteceu no mesmo dia, o filme teve a melhor abertura para sessões neste horário, arrecadando cerca de US$ 22,2 milhões, segundo estimativas iniciais da Warner Bros., superando os US$ 18 milhões de "Batman - O Cavaleiro das Trevas".

Trata-se da primeira vez que um filme live action (ao vivo) traz essa tecnologia ao cinema brasileiro. Embora no início do ano "Batman - O Cavaleiro das Trevas" tenha sido exibido em Imax (inclusive com cenas filmadas com equipamento especial para essas imagens), elas não eram em três dimensões. O longa dirigido por David Yates, porém, foi remasterizado digitalmente e a sequência de abertura (somente ela, ou seja, menos de 30 minutos do filme) foi convertida para 3-D com a tecnologia The IMAX Experience.

Da poltrona do cinema, o espectador poderá conferir, com o uso dos óculos especiais, na tela de 21 metros de comprimento por 14 metros de altura, a história do livro escrito por J.K. Rowling. No início, aliás, as imagens começam mostrando Londres e, com uma câmera rápida, Yates coloca o espectador dentro do filme e o leva para viajar junto com ele sobrevoando o rio Tâmisa e os principais pontos que o rodeiam, com os Comensais da Morte derrubando gente e virando a Ponte do Milênio, por exemplo. Neste momento, a diversão é garantida e a experiência do cinema com aquela qualidade é perfeita.

No entanto, antes da primeira meia hora do filme (que tem um total de 150 minutos de projeção), um sinal mostra que já se pode retirar os óculos e acompanhar normalmente a volta às aulas de Harry Potter (Daniel Radcliffe) e seus amigos Rony Weasley (Rupert Grint) e Hermione Granger (Emma Watson) na escola de magia Hogwarts. A aventura desta edição envolve principalmente o professor e diretor Alvo Dumbledore (Michel Gambon), que precisa preparar Harry para os próximos episódios, já que ele é o escolhido. Então, o bruxo terá de se aproximar do professor Horácio Slughorn (Jim Broadbent) para descobrir como foram as conversas que ele teve com o aluno Tom Riddle, aquele que mais tarde mudou o nome para Lord Voldemort, enquanto ele ainda era uma criança (neste filme interpretado por duas: Hero Fiennes Tiffin e Frank Dillane).

Outra situação a ser resolvida é o mistério que envolve Draco Malfoy (Tom Felton) e o professor Severo Snape (Alan Rickman), além dos Comensais da Morte Belatriz Lestrange (Helena Bonham Carter, ótima!) e Fenrir Greyback (Dave Legeno).

Ter a experiência de assistir ao filme na tela gigante e ainda em três dimensões é excelente. Porém, não compensa o fato de ter de ver os atores que conhecemos desde o primeiro filme, lançado em 2001, terem as suas vozes substituídas por dubladores cariocas. A diferença na edição perde um pouco em dramaticidade e em verdade na interpretação. Aos que não se incomodam em não ouvir as vozes originais, essa pode ser uma boa opção.

Quem não leu o livro vai descobrir que o filme termina da pior maneira possível, contudo deixa um gancho para a sequência. O sétimo e último livro da série, "Harry Potter e a Relíquia da Morte", já foi lançado e a história sobre ele será contada no cinema em duas partes, cujas estreias foram marcadas para 2010 e 2011. Aguarde, se for capaz de esperar.

Um Conto de Natal

O drama familiar dirigido e escrito por Arnaud Desplechin conta a história da família cujos pais, Abel (Jean-Paul Roussillon) e Junon (Catherine Deneuve), tentam não se deixar abalar pela perda de um dos filhos. Enquanto isso, os outros dois, a dramaturga Elizabeth (Anne Consigny) e Henry (Mathieu Amalric), vivem em pé de guerra. Porém, Junon descobre que tem uma doença grave e precisa de um transplante de medula. A partir de então, eles se encontram perto do Natal para fazer exames e descobrir quem tem compatibilidade. O longa é capaz de fazer o espectador se sentir acuado por conta das brigas entre irmãos, e até mesmo pelo fato de a mãe se colocar contra um dos filhos. Mas é uma belíssima história sobre a família atual.

O Equilibrista

Documentário vencedor do Oscar neste ano conta a história – com imagens de arquivo (inclusive fotos de vários ângulos), entrevistas atuais e simulações dramáticas - da tentativa de o equilibrista francês Philippe Petit atravessar, com ajuda de um cabo de aço, o espaço existente entre as Torres Gêmeas do World Trade Center, em Nova York. Dirigido por James Marsh, o longa-metragem cria o suspense sobre como a equipe formada por norte-americanos, um australiano e franceses vai fazer para concretizar o sonho de Petit, que começou quando estava em um consultório e leu no jornal sobre a construção dos edifícios que seriam os mais altos do mundo. Antes, porém, o espectador pode conferir a travessia entre as torres de Notre-Dame e em Sidney, na Austrália, além dos treinos em um cabo colocado num terreno. Como disse Petit, a emoção de ver, em 1974, a multidão do alto foi tanta e de um ângulo que jamais ele veria novamente, principalmente após 11 de setembro de 2001.

Quinta-feira, 9 de Julho de 2009

Harry Potter e o Enigma do Príncipe

Pronto, a espera acabou. Depois de a Warner Bros. adiar de novembro passado para julho deste ano a estreia de "Harry Potter e o Enigma do Príncipe" ("Harry Potter and the Half-Blood Prince"), o sexto filme da franquia mais rentável estreia na quarta, dia 15 de julho, em versões dubladas, legendadas e no inédito Imax 3-D.

Não vale a pena perder tempo (e espaço) comparando o livro escrito por J.K. Rowling e lançado, no Brasil, em novembro de 2005, e o filme novamente dirigido pelo inglês David Yates, responsável pela série desde o anterior, "Harry Potter e a Ordem da Fênix", e pelos próximos dois que serão lançados respectivamente em 2010 e 2011.

Novamente com imagens escuras e mostrando que ainda há perigo a enfrentar neste ano na escola de magia de Howgarts (a começar das nuvens negras), o longa-metragem mostra Londres e, com uma câmera rápida, Yates coloca o espectador dentro do filme e o leva para viajar com ele sobrevoando o rio Tâmisa e os principais pontos que o rodeiam, com os Comensais da Morte derrubando gente e virando a Ponte do Milênio, por exemplo.

Então, quando as aulas começam, Harry Potter (Daniel Radcliffe) e seus amigos Rony Weasley (Rupert Grint) e Hermione Granger (Emma Watson) vão para a escola, ele conversa com o diretor Alvo Dumbledore (Michel Gambon), que se mostra interessado em prepará-lo para o amadurecimento para os próximos acontecimentos. E, com ajuda de memórias guardadas em frascos, Harry mergulha em uma penseira e assiste aos episódios que se passaram quando Tom Riddle, aquele que mais tarde mudou o nome para Lord Voldemort, ainda era uma criança (neste filme interpretado por duas: Hero Fiennes Tiffin e Frank Dillane). Quem vai ajudar Harry na missão de descobrir a verdade, porém, é o professor de poções mágicas Horácio Slughorn (Jim Broadbent), que volta a dar aulas este ano.

Além desse clima de descobertas, o espectador poderá acompanhar na tela o suspense, como a relação entre Draco Malfoy (Tom Felton) e o professor Severo Snape (Alan Rickman), e as atitudes de ambos se ajudarem, depois de terem feito o Voto Perpétuo com a ajuda da esquisita Belatriz Lestrange (Helena Bonham Carter, ótima!), autora do assassinato de Sirius Black no filme anterior.

Mas nem só de luta entre o bem e o mal foi feito "Harry Potter e o Enigma do Príncipe". Isso porque como os alunos cresceram (e o espectador acompanhou isso) e agora que são adolescentes, eles vivem as dores e as delícias da idade, como a paixão entre Harry e Gina Weasley (Bonnie Wright), irmã do seu melhor amigo, e o amor que pode surgir entre um outro casal e que vai despertar ciúme e lágrimas. Afinal, nada é fácil nesta vida, principalmente na adolescência.

Com duas horas e meia de duração, o longa não chega a ser arrastado, porque as imagens são capazes de entreter o espectador e fazê-lo prestar atenção em cada detalhe, sendo ele tenso ou engraçado. Nesta aventura, aliás, Harry Potter continua a admirar as maravilhas que a magia é capaz de fazer, como quando Dumbledore vai com Harry à casa do professor Slughorn e a arruma, já que parece não ser limpa e organizada desde a era mesozóica.

Como não poderia ser diferente, os efeitos especiais são o destaque e estão presentes em toda a produção, mas com o propósito óbvio de contar a história sobre bruxos que voam em vassouras, desaparecem, jogam quadribol, destroem pontes etc.

Para acompanhar, a trilha sonora composta por Nicholas Hooper sublinha o suspense e ele parece repetir pelo menos uma canção do filme anterior, a "Dumbledore's Army" enquanto os meninos treinam.

"Harry Potter e o Enigma do Príncipe" não é o melhor filme, até porque, quem leu o livro, sabe que o final da história não é o melhor, embora seja bem-feito. No entanto, quem quiser saber o que vai acontecer depois terá de ler "Harry Potter e a Relíquia da Morte" ou esperar 2011, quando será lançada a segunda parte do último livro.

Sexta-feira, 3 de Julho de 2009

A Era do Gelo 3

Pode ser que longas-metragens de animação sejam mais valorizados por sua técnica, já que o filme é todo feito em computador, que por seu conteúdo, de maneira que se pode pensar que a narrativa fica em segundo plano, após o (bom) uso da tecnologia. Bobagem. Filme bom, seja ele live action (ao vivo) ou animação, é aquele que consegue contar uma boa história e cativar o espectador, independentemente do modo como ela é contada.

Usando ainda mais a tecnologia para fazer o filme em terceira dimensão (com uso dos óculos especiais), "A Era do Gelo 3" ("Ice Age: Dawn of the Dinossaurs") estreou na sexta, 26, apenas nas salas equipadas para essa projeção. A partir do dia 1o de julho, porém, outras centenas de salas começaram a exibir a terceira parte do filme dirigido pelo brasileiro Carlos Saldanha na versão normal. Ele, aliás, começou como codiretor no primeiro filme, lançado em 2002. No segundo, em 2006, passou a dirigi-lo e, por consequência, dar mais destaque à sua criação, o esquilo Scrat, que continua tentando agarrar a noz, mas não apenas ela, uma vez que parece ter encontrado sua cara-metade.

Aos que preferem a surpresa, porém, é melhor passar longe dos vídeos divulgados na internet, uma vez que uma sequência inteira é mostrada sem cortes. É realmente engraçada e acompanha trilha sonora perfeita. O comportamento dos esquilos, aliás, é divertido por remeter o espectador ao típico comportamento humano, ao conferir que as mulheres são superiores (ou ao menos pretendem ser ou são vistas como), mandonas, sarcásticas quando querem tirar proveito de alguma situação, em detrimento dos homens que são submissos (ao menos quando se mostram apaixonados), tolos a ponto de acreditar em um charme típico para fazer chantagem, entre outras situações patéticas e caricatas do comportamento humano, mas representado por dois esquilos.

Os outros personagens dos longas anteriores continuam, além de terem a companhia de novos, como os mamutes Manny (com voz de Diogo Vilela, na versão dublada) e Ellie (Cláudia Jimenez) esperam o nascimento de seu bebê; a preguiça Sid (Tadeu Mello) continua atrapalhada e engraçada, mas dessa vez ultrapassa os limites quando se apossa de ovos gigantes que vão dar origem a dinossauros; os gambás loucos por confusão Crash e Eddie; e o tigre dentes-de-sabre Diego (Marcio Garcia) começa a se questionar sobre sua capacidade de lutar, correr e de continuar convivendo com os amigos que agora estão vivendo em família.

Outra novidade é a doninha Buck (Alexandre Moreno), caçadora de dinossauros, que vive no mundo subterrâneo (onde moram os dinossauros), e acabam ajudando os personagens em sua missão.

Destaque para o bom humor do roteiro, uma vez que a história é capaz de arrancar boas (ou serão ótimas?) gargalhadas dos adultos também, além de uma trilha sonora impecável, com direito ao clássico de Lou Rawls "You'll Never Find Another Love Like Mine", "Alone Again (Naturally)", de Gilbert O' Sullivan, além de canções compostas por John Powell, como o tango "You'll Never Tango".

Sem dúvida, "A Era do Gelo 3" é imperdível, principalmente pela história, pela técnica, pelas risadas, pela diversão do uso dos óculos 3-D.

Quinta-feira, 2 de Julho de 2009

Paris

Com o nome "Paris" ("Paris"), o filme não poderia ter outro cenário, senão a própria capital francesa, nem outro idioma senão o francês. Mas a cidade mais conhecida do mundo como pano de fundo não é o único atrativo do longa-metragem dirigido por Cédric Klapisch ("Bonecas Russas") e que tem estreia marcada para sexta-feira, dia 3, após participar, no mês passado, da 2ª Edição do Panorama do Cinema Francês no Brasil.

O filme conta a história de Pierre (Romain Duris, de "As Aventuras de Molière") que, segundo seu médico, está em estado terminal, pois precisa de um transplante de coração. A primeira pessoa para quem ele conta a triste novidade é sua irmã Élise (Juliette Binoche, de "Chocolate"), mas a primeira mudança que faz em sua vida é observar o mundo ao seu redor e os diferentes personagens que vivem na cidade.

Assim, a história se constrói na medida em que Klapisch aponta suas lentes para os feirantes que disputam a freguesia, para a moça que começa a trabalhar na padaria cuja dona é uma insuportável racista e mandona (Karin Viard), o arquiteto Philippe (François Cluzet), seu irmão, o professor de história Roland (Fabrice Luchini), que se apaixona pela aluna Laetitia (Mélanie Laurent) e fica lhe enviando poemas anônimos por mensagens do celular. O filme também mostra personagens que tratam de problemas com a imigração.

E é a partir desse mosaico que Cédric Klapisch mostra o cotidiano de Pierre que, como professor de dança, junta seu grupo e mostra coreografias intensas, bem-construídas, embora não tenha fôlego para executar todos os saltos que são propostos. Romain Duris, aliás, é capaz de transmitir ao espectador a dor que sente e mostra que é possível superar esse momento de tensão e esperar, curtindo a vida, brincando com as sobrinhas, sendo feliz.

"Paris" teve três indicações ao César (o Oscar francês), nas categorias Edição, Filme e Atriz Coadjuvante (Karin Viard). Trata-se de um filme belo, capaz de fazer com que o espectador contemple o cenário em que a história se passa e, por que não?, olhe para si e veja que ao seu redor a vida pode ser mais bonita do que lhe parece. Sim, o cinema tem essa capacidade e não se pode perder a chance.