sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Avatar

Pandora é o mundo localizado anos-luz da Terra e será o destino de pesquisadores humanos que pretendem ocupá-lo, bem como destruir os extraterrestres que lá vivem devido a um minério que só existe ali. Para tanto, porém, será necessário enviar espiões para que eles conheçam um pouco sobre seus costumes e, então, possam dar o bote. Resumindo, essa é a história de “Avatar”, longa-metragem que chega aos cinemas nesta sexta-feira, 18.

Com lançamento em formatos 35 milímetros e Imax, em versões dubladas e legendadas, 2-D e 3-D estereoscópico (que precisa de óculos especiais), a Fox Film coloca mais de 600 cópias nos cinemas brasileiros de seu maior filme neste ano. As versões 3-D também podem ser legendadas em português: as palavras ficam flutuando de um lado para o outro enquanto os atores se movimentam.

O diretor James Cameron, o mesmo de “Titanic” (1997), começou a pensar na história deste longa-metragem há 15 anos e demorou quatro para concluí-lo. Segundo ele, foi o seu maior desafio. Também autor do roteiro, Cameron idealizou uma história que se passa em 2154 e fala sobre um herói, Jake Sully (Sam Worthington), que embarca em uma aventura para salvar o mundo extraterrestre.

“Avatar” esbanja tecnologia e efeitos especiais em um espetáculo que só a tela grande pode proporcionar. Se for em 3-D e Imax, então, o sucesso está garantido. Será? Um dos pontos fracos para o longa, porém, é o roteiro convencional e extenso demais - são 160 minutos de duração. Os acontecimentos lineares não motivam o espectador a torcer pelos personagens, porque tudo é muito previsível.

A fita inicia-se com explicações de como a acontecerá a ida do ex-fuzileiro naval que se locomove com ajuda de cadeira de rodas para o mundo de Pandora. Como a atmosfera lá é tóxica, foi criado um sistema no qual os “condutores” humanos têm sua consciência ligada a um avatar, ou seja, um corpo biológico controlado à distância capaz de sobreviver nesse ar letal.

Os avatares são produzidos de DNA humano e dos nativos de Pandora, os Na’vi. Com a ajuda da cientista Grace (Sigourney Weaver), o avatar de Jake volta a andar. O problema, porém, é que ao invés de lutar contra, ele se envolve com a bela Neytiri (Zoë Saldana), e seus planos de destruir o povo vão por água abaixo, já que ele passa a viver a rotina dos Na’vi.

Após as apresentações dos dois mundos, o roteiro de Cameron parte para o clímax: a batalha final será a verdadeira luta entre o bem e o mal; os extraterrestres que dizem ter uma forte ligação com a natureza contra os humanos exploradores. Além das lutas, o diretor aproveita para inserir críticas com relação à natureza, sobre o que o homem tem feito para destruí-la durante sua existência. E agora sentimos os reflexos. “Avatar” mostra isso. Mas também conta quem foi o vencedor nesta batalha.

A tecnologia é, sem dúvida, um dos destaques positivos, que, dependendo do espectador, pode não se interessar pela história propriamente dita, mas sim pelo espetáculo visual. E esse sim foi uma grande preocupação de Cameron, que utilizou o sistema de “captura de performance facial baseada na imagem” usando uma câmera posicionada na cabeça para gravar com precisão as nuances do desempenho facial dos atores. Os avatares são criaturas azuis, gigantes, que nenhum ator poderia interpretar. Aí entra justamente a técnica inovadora. Há também cenas captadas com a câmera virtual, com imagens filmadas dentro do mundo gerado pelo computador. Ainda assim, cada folha da árvore, cada inseto parecem de verdade.

“Avatar”
traz mais uma inovação para no quesito “cinemão”, com tecnologia de ponta para mostrar cenas cada vez mais reais, com excelente qualidade e resolução, além do 3-D, que permite uma experiência incrível na sala do cinema (prepare-se para ver muita gente tentando pegar insetos no ar!).

No entanto, o principal propósito do cinema, que é contar uma história relevante, esta está longe de estar presente nesta produção. A música alta e incessante da trilha sonora também conta como ponto negativo, afinal não se valoriza nada, porque sempre há um fundo sob os diálogos. Evolução mesmo seria reunir esses dois pontos: excelente história com perfeito acabamento. A união perfeita, porém, é para poucos cineastas.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

A Princesa e o Sapo

Faz mais de 70 anos que Walt Disney mostrou ao mundo o que poderia fazer em termos de animação no cinema, quando lançou "Branca de Neve e os Sete Anões". Isso porque este foi o primeiro longa-metragem de animação. Feito do modo tradicional, ou seja, à mão (2-D), o filme conquistou espectadores e fãs que seguiram o mestre e se apaixonaram por seu trabalho.

Em 1994, porém, outro estúdio, a Pixar, fez uma revolução no quesito animação quando lançou "Toy Story", o primeiro longa de animação realizado totalmente por computador. De lá para cá, não apenas a Pixar, mas também outros estúdios se aperfeiçoaram e lançaram diversos filmes usando a mesma técnica 3-D. Já a tradicional, essa foi esquecida nas grandes produções.

Na sexta-feira, 11, contudo, estreia a mais nova produção do Estúdio Walt Disney Animation: "A Princesa e o Sapo" ("The Princess and the Frog"), longa feito do modo tradicional, ambientado na cidade de Nova Orleans, nos Estados Unidos, considerada a meca do jazz. Daí o motivo de o filme ser um musical, tal como "A Bela e a Fera" e "Aladdin".

Na fita, Tiana (com voz de Kacau Gomes, na versão brasileira) é filha de uma costureira que não sonha em se casar, mas sim em ter seu próprio restaurante, já que sabe cozinhar desde pequena. Quando cresce, vai trabalhar em um restaurante, e depois de beijar um sapo, que se diz príncipe, também se transforma em um anfíbio. Na cidade, o verdadeiro príncipe Naveen (com voz de Rodrigo Lombardi), do reino da Maldonia, procura uma noiva e acaba encontrando uma moça que estava apenas fantasiada de princesa e não consegue voltar a ser hu-mano.

Os dois sapos, portanto, vão procurar ajuda no pântano da Louisiana e ambos encontram muitas outras coisas, como os amigos vaga-lume e o crocodilo que toca sax.

O começo é convencional. O filme inicia enquanto uma moça lê contos de fadas a duas crianças, das quais uma delas, Charlotte, uma menina loira, mimada e rica, só pensa em se casar com um príncipe para se tornar princesa. A outra, porém, é a negra Tiana, batalhadora, tal como o pai, e desde criança guarda o desenho de como será o restaurante com o qual sempre sonhou.

Criado por John Musker e Ron Clements (de "A Pequena Sereia"), o musical (com canções de Randy Newman, de "Toy Story") mostra ao espectador muito jazz e passos de sapateado. Trata-se, então, de uma versão contemporânea de uma fábula clássica (com inspiração muito clara em "O Sapo Príncipe", dos irmãos Grimm). A versão é adaptada para os dias atuais, com personagens mais reais e próximos à nossa realidade, como a garota negra que vive a protagonista, que tem os pés no chão, e o príncipe que chega sem dinheiro nenhum a Nova Orleans.

O produtor executivo John Lasseter, diretor de filmes da Pixar (estúdio que foi comprado pela Disney em 2006), afirma no material de divulgação para a imprensa que se pudesse pôr em prática uma única lição aprendida com o Walt para levar o Walt Disney Animation Studios ao futuro, seria fazer uso da riqueza do seu passado. "A lendária forma de contar suas histórias, seus personagens de sucesso, sua exuberância musical – tudo isso é uma parte essencial do nosso mais novo projeto de animação feito à mão".

A fita, que tem acabamento impecável, com riqueza de detalhes e é muito bem-feita, discute dinheiro, casamento, objetivo na vida, trabalho. A luta do bem contra o mal também está presente e o lado negro é proposto pelo dr. Facilier, um mago que pede ajuda a almas do outro mundo para se dar bem. Como não podia deixar de estar lá, a lição de moral, típica dos filmes da Disney, se apresenta antes do final, principalmente com a ajuda da feiticeira Mama Odie, que mostra o valor das pequenas coisas. O filme, dedicado às crianças, mostra tudo, não deixa nada subjetivo. Bom para os pequenos, chato para os adultos.

O bom humor do roteiro, porém, é um dos destaques nos quais os adultos vão se animar em assistir à produção que está sendo feita desde 2006. Os diálogos atuais são outro ponto forte. E para finalizar, mais um clichê, afinal, todos vivem felizes para sempre.

Por ser musical, o 49o filme de animação da Disney entedia um pouco, mas não chega a ser um problema, principalmente porque combina com a história e não a torna arrastada. Pelo contrário. O bom humor e a trilha sonora fazem com que os quase 100 minutos de projeção sejam bastante rápidos e emocionantes.

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Assista ao trailer.


quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Abraços Perdidos

Diretor espanhol Pedro Almodóvar nunca faz um filme para ficar indiferente sobre algum assunto. Basta dar uma rápida olhada em sua filmografia e estão lá as discussões sobre sexualidade, traição, viciados em drogas, as artes plásticas, o teatro, o cinema, a questão feminista, o mundo gay e por aí vai, lembrando da transgressão (oposição radical ao franquismo). E nesta lista poderiam ser vistos filmes como "Tudo Sobre Minha Mãe", "Ata-me", "Carne Trêmula", "Má Educação" e o mais recente "Volver".

Mais uma vez ele faz um filme dentro do filme. Em "Abraços Partidos" ("Los Abrazos Rotos"), estreia desta sexta-feira, 4 de novembro, o diretor reúne uma de suas atrizes favoritas, Penélope Cruz, em seu quarto trabalho em conjunto. Aqui ela é Lena, uma aspirante a atriz que começa a fazer o filme "Garotas e Malas" (em uma declarada inspiração em "Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos") encomendado por seu marido, Ernesto Martel (José Luis Gómez), ao cineasta Mateo (Lluís Homar). No entanto, os dois se apaixonam e fogem para uma cidade praiana.

Nos primeiros 15 minutos da trama, Almodóvar já mostra a que veio: há cena de sexo casual e, de forma não linear, começa a contar como o cineasta, que agora se chama Harry Caine, ficou cego e por que começa a se lembrar do passado assim que fica sabendo da morte de Martel.
No momento, porém, Caine é autor de roteiros de cinema e conta com a ajuda de Judit (Blanca Portillo) e de seu filho Diego (Tamar Novas) para vender e escrever seus textos. E mais um filho tem influência sobre a trama. Isso porque Martel pede a seu filho (Rubén Ochandiano) que fique de olho na esposa. Ao mesmo tempo das filmagens, o rapaz grava o making of. E esse vídeo é um dos momentos do clímax da película de Almodóvar.

A fita é a que mais tem metalinguagem em sua filmografia, uma vez que o tempo todo vai contando como costumava filmar com Lena e as filmagens em si, além de toda a montagem efetuada anos depois. Como seu personagem diz, "as películas precisam ser terminadas, ainda que às cegas".

Usando cores fortes, como é sua característica, Almodóvar escolhe para filmar principalmente dentro da casa de Mateo e da casa de Lena. Entre as idas e vindas do roteiro, o diretor abusa das metáforas e homenageia o cinema quando faz a cena da escada (tal como fez Henry Hathaway em "Beijo da Morte", por exemplo), quando Lena se maquia e fica parecida com as musas Marilyn Monroe e com Audrey Hepburn. Sem contar com a cena do filme "Viagem à Itália", de Rossellini, que passa na televisão do casal.

"Abraços Partidos" tem bom humor, mas é um drama familiar, cheio de traição, ganância, poder e é um típico filme noir, uma vez que reúne o trio de amantes, dos quais um deles é poderoso, violento e inescrupuloso, além da cena da escada, tragédia etc. Feito por um dos diretores mais consagrados do cinema mundial, o longa-metragem vale a pena ser visto e apreciado. E com certeza você não sairá indiferente do cinema, pois Pedro Almodóvar é perturbador o bastante para deixar qualquer espectador intacto após assistir a um filme seu.

Assista ao trailer.


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segunda-feira, 30 de novembro de 2009

500 Dias com Ela

O título original de “500 Dias com Ela” é “(500) Days of Summer”. Summer, no caso, não significa verão. Trata-se do nome da protagonista, vivida por Zooey Deschanel (de “Ponte para Terabítia”). E embora seja uma típica comédia romântica, a fita foi rotulada de cool (típico dos orçamentos pequenos – a produção custou 7,5 milhões de dólares) e foge do convencional. Aliás, o narrador, logo no início, já conta que não se trata de uma história de amor.


Isso porque o arquiteto Tom (Joseph Gordon-Levitt, de “GI Joe”) ganha a vida escrevendo frases para serem inseridas em cartões comemorativos. Quando conhece Summer na empresa onde trabalha, mostra que é, de fato, um rapaz piegas, que acredita no amor. E ela, para contrariar o comportamento típico das mulheres, não pensa em namorar, casar etc., pois acha tudo uma bobagem.


O que os une, porém, é o gosto musical. A trilha sonora do filme, vale destacar, é um capítulo a parte, com o som de The Smiths, o principal motivo das conversas entre os dois protagonistas. Entre os hits, “There Is A Light That Never Goes Out”, “Please, Please, Please, Let Me Get What I Want”. Uma sequência que lembra a de um típico musical (com coreografia no meio da rua e tudo) pode ter boa intenção, mas quebra o ritmo e faz o espectador perceber que está assistindo a um filme.


Esta é a primeira produção de longa-metragem que Marc Webb dirige. No entanto, durante as filmagens de “Juno”, Webb colaborou de perto com Eric Steelberg, diretor de fotografia das duas produções. E muitas semelhanças não terão sido mera coincidência, portanto.


Para fugir do tradicional, o diretor conta uma história diferente de modo não-linear, pois, apesar de se prender à contagem dos 500 dias, faz idas e vindas no tempo, contrasta o humor das personagens, sempre mostrando o motivo pelo qual eles têm para ter determinada atitude, principalmente na luta entre o amor e a indiferença.


“500 Dias com Ela” pode parecer um típico filme voltado para as meninas, que são tradicionalmente mais românticas. Porém, embora não se trate de um rapaz convencional, o público masculino pode se divertir também, curtir a trilha sonora e rir, uma vez que o bom humor está presente em boa parte da produção.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Julie & Julia

Nem pense em assistir ao longa-metragem "Julie & Julia", estreia desta sexta, 27, com o estômago vazio. Eu explico por quê. A fita é inspirada no livro de Julie Powell, uma americana que, sem saber o que fazer da vida (embora tivesse um cargo como secretária pública), resolveu escrever um blog (diário na internet) sobre culinária.

No entanto, não se trata de um blog qualquer. Com algum dote na arte de cozinhar, Julie se impôs um desafio: em 365 dias iria preparar 524 receitas que constam do livro de Julia Child, “Mastering the Art of French Cooking”, coescrito por Louise Bertholle e Simone Beck. A obra foi escrita enquanto ela vivia na Europa, mas principalmente enquanto estudou na famosa escola francesa Cordon Bleu. E agora vem a parte da fome: durante 123 minutos, as personagens vividas por Amy Adams ("Dúvida") e Meryl Streep ("O Diabo Veste Prada") cozinham delícias de dar água na boca.

Casada com um diplomata, Julia (Meryl, sempre ótima!) vai viver em Paris em 1949. Sem falar uma palavra em francês, descobre que na capital francesa sua paixão é a comida – e não os cobiçados vestidos das famosas maisons. Depois de começar a fazer um curso de chapéus, decidiu que iria se especializar na cozinha francesa. Ou melhor: iria aprender a fazer as delícias e ensiná-las aos americanos.

Para intercalar as cenas, a diretora Nora Ephron ("Sintonia de Amor"), também autora do roteiro, mostra a vida de Julie, que se passa em 2002, justamente quando ela decidiu escrever o blog. Entre as idas e vindas no tempo, as lentes de Nora contrastam os processos, como viveu Julia e como Julie dialogava com a especialista na cozinha, como foi o progresso do blog que virou livro, que virou filme.

"Julie & Julia" fala de amor, convivência com as pessoas, paixão por gastronomia, sobre ter um projeto na vida. Meryl Streep é um destaque à parte, pois, mesmo que faça uma personagem caricata, cheia de trejeitos, caras e bocas, voz aguda e esganiçada, ela mantém o bom humor e mostra que é uma atriz completa.

Do outro lado, Julie está prestes a fazer 30 anos, se encontra em um turbilhão, sem saber o que fazer da vida, ao lado do marido, editor de uma revista - aliás, é ele quem sugere o blog. E quando começa a escrever o diário, prepara receitas difíceis e diferentes e diz que nunca havia comido ovo na vida – e provou a receita de oeufs pochés de Júlia. Outro detalhe que ela aponta para a cozinha é quando diz que, quando nada dá certo durante seu dia, chega em casa e faz um delicioso bolo de chocolate! A escritora faz o tipo mimada (que chora quando a receita não dá certo), mas é persistente.

Na parte gastronômica do filme, o espectador poderá conferir como se faz um verdadeiro boeuf bourguignon, como se cozinham lagostas e como se costuram patos. As duas ambientações, ou seja, a década de 1950 e o ano 2000, são bem posicionados com objetos das duas épocas, figurinos e locais, principalmente os automóveis em Paris, os bistrôs... Aproveite o filme, delicie-se com a direção intimista de Nora e bon appétit!

Stella

Stella é uma menina de de 11 anos que vive com os pais em um bar na periferia de Paris. Na escola (não vai nada bem nos estudos), conhece Gladys. A partir de então, é apresentada a um novo mundo. Sylvie Verheyde é a diretora e a roteirista do filme autobiográfico, que de bobo não tem nada. Trata-se de uma produção tipicamente francesa, que retrata a vida das pessoas com intimidade, mostrando o que é crescer e como é difícil lidar com os problemas desta fase da vida. Destaque para a menina Léora Barbara, em excelente atuação.

Rindo à Toa

O apelido da francesa Lola, de 15 anos, é LOL - que significa Laughing Out Loud (morrendo de rir) na linguagem do MSN. Após as férias, ela volta para a escola e fica desolada com o que o namorado lhe revela. Além dos problemas típicos da adolescência, o filme de Liza Azuelos fala da relação entre mãe e filha. Com toque de humor e discussões sobre drogas, pais e filhos, sexo na adolescência, o filme é uma das surpresas (positivas) do ano que vale a pena ser conferido.