quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Os Normais 2

Caetano Veloso cantou que "de perto, ninguém é normal". Porém, em 2001, a Rede Globo começou a exibir justamente um seriado chamado "Os Normais", escrito pelo casal Alexandre Machado e Fernanda Young. Em 2003, depois do encerramento da série, foi lançado o longa-metragem nos cinemas e, nesta sexta-feira, dia 28 de agosto, estreia a segunda parte: "Os Normais 2 - A Noite Mais Maluca de Todas".

Nesta semana, os roteiristas, o diretor José Alvarenga Jr. (o mesmo do anterior e do recente "Divã"), além de Fernanda Torres e Luiz Fernando Guimarães (que fazem Vani e Rui) se encontraram com a imprensa para falar sobre o lançamento. Um dos principais assuntos abordados foi o fato da retomada dos personagens e da história após seis anos. "Para os autores, o tempo foi importante", confirma Alexandre. "Além de podermos medir a saudade do público", arremata Fernanda Young. E o diretor completa: "O projeto veio também da necessidade e vontade de reunir essa turma de novo".

O longa inicia de forma um pouco constrangedora, com os protagonistas em cena cantando e dançando "Livin' La Vida Loca", de Ricky Martin, enquanto os créditos aparecem. Então, percebemos que ambos estão em um karaokê e, na sequência, brigam. Assim, os dois dão continuidade ao enredo que se passa em uma noite (daí o subtítulo do filme), pois percebem que o noivado que já dura 13 anos está morno e ambos querem dar uma aquecida no relacionamento fazendo um "ménage à trois" (relacionamento sexual entre três pessoas).

Segundo Alexandre, a ideia do roteiro era ver como eles estavam hoje. "E depois de 13 anos, a crise era inevitável", ressalta. "E a ideia do 'ménage a trois' é uma coisa que passa na cabeça de todo casal", pontua a roteirista, ainda que sob protestos e risos dos presentes. "As pessoas pensam, mas não falam", justifica.

A partir daí, eles começam a procurar a terceira pessoa que poderia participar do grupo. A primeira é Drica Moraes, que faz o papel da prima de Vani, que talvez topasse a brincadeira. E depois há outras, como Danielle Suzuki, que virou bicampeã de kickboxing (e não bissexual); Claudia Raia, como uma perua mal-humorada, mas que os convida para conhecer sua banheira de hidromassagem; Mayana Neiva, a francesa que está procurando uma ménagère (ou seja, uma faxineira); Alinne Moraes, como uma prostituta.

Sobre as participações especiais, que incluem ainda Daniel Dantas e Danielle Winits, Alvarenga explica que foram atrás de pessoas que já tinham trabalhado no programa. "Não é fácil fazer, porque o ritmo é acelerado. Os atores chegam apavorados, embora tenham um desejo enorme de compartilhar. Esses escolhidos são importantes porque também são amigos. A Danielle começou faz pouco tempo e tinha um desejo de fazer. A Mayana chegou a partir de um teste. Não é questão de 'patota', mas de escolher atores que acompanham o ritmo da dupla", completa o cineasta.

Na fita, a narrativa é bem parecida com o que seria um capítulo estendido (tem menos de 80 minutos), a não ser a pronúncia de muitos palavrões pelos atores e cenas de mau gosto, como quando começam a bater em uma idosa no meio da confusão (ainda que seja uma cena ingênua).

Com orçamento de R$ 5 milhões divididos entre a Globo Filmes e a Imagem Filmes, a distribuição da fita será a maior já vista no cinema nacional: 400 cópias. A expectativa é que a bilheteria seja parecida com o primeiro filme, por volta de três milhões de espectadores. Porém, segundo Fernanda Young, a decepção é uma "hipótese para qualquer criador". "Já conhecíamos os personagens e fomos eliminando as possibilidades de erro", diz ela. "No cinema, você só parte se o roteiro for bom", completa Alexandre.

Caso o sucesso seja atingido, há planos de voltar com o seriado para a televisão, além da terceira sequência. Outra negociação é a Globo que está fazendo diretamente com a Sony americana, que pretende vender o formato para o prime time (o horário nobre deles).

Com o sucesso das comédias nacionais no ano, como "Se Eu Fosse Você 2", "A Mulher Invisível", "Os Normais 2" tem o seu lugar cativo. Porém, prepare-se para dar duas ou três risadas e conferir uma fórmula desgastada, embora a química e o timing para a comédia dos atores continuem ótimos.

Um comentário:

Rosa Lopes disse...

Eu vi todos os episódios da série, mas quando parte para o cinema, não sei...Esquisito é pensar nesse humor convertido para os EUA, não combina...Vão ter que rebolar muito pra isso dar certo.