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quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Videolocadora


Outro dia eu estava pensando quando foi a última vez que entrei em uma videolocadora com prazer para pegar um filme. Comecei a fazer um retrocesso e cheguei, na verdade, na primeira locadora que entrei para alugar um filme. Ok, faz tempo. Ok, era VHS. Ok, era algum desenho e eu nem ia sozinha.

Mas depois dessas vezes na infância, me recordei que era a locadora do bairro onde meus avós moravam (e onde eu passava as tardes, já que a minha mãe saía para trabalhar), o meu passeio preferido. Primeiro porque eu nem precisava atravessar a rua; segundo, por que a minha avó me dava dinheiro para o aluguel; e terceiro, porque a menina que trabalhava era vizinha e me indicava os filmes que ela tinha visto (ou até me esprestava os que ela tirava para assistir).

Era locadora de bairro, que tinha umas cinco prateleiras divididas por assunto. Eu ficava entre a aventura, drama e o romance, passava os olhos na comédia, e nem chegava perto do terror (aliás, não chego até hoje).

Na época do VHS, quem entregava a fita rebobinada, ganhava desconto na próxima locação. O fato foi até tema de filme, o "Rebobine, Por Favor" ("Be Kind, Rewind"), do diretor francês Michel Gondry.

Lembrei também de uma época na qual a minha tia, que foi professora de história, tinha mania de gravar documentários da televisão e de comprar coleções inteiras (em VHS, claro). E foi assim que assisti aos clássicos do Charles Chaplin. Ela costumava me dizer: "Esse filme, todo jornalista é obrigado a ver". E lá ia eu para frente da televisão ver os filmes mudos. 

Depois vieram as Blockbusters da vida, e as videolocadoras de bairro foram embora. Mas foi a internet que acabou com as Blockbusters da vida e hoje não há nada que preste... ao menos no meu bairro. Aliás, aqui há três unidades que um dia foram Blockbuster e hoje atendem pelo nome de Americanas Express. O que menos se tem nas prateleiras, como era de se imaginar, são filmes para locação. É tanta bugiganga no meio do caminho, fraldas, panelas, chocolates, que fica difícil escolher o que se quer assistir. Isso, sem contar na falta de opção dos títulos.

Enquanto cursava a pós-graduação, a videoteca da escola era o melhor que se podia querer de uma locadora. Nas prateleiras, organizadas por ordem alfabética, havia VHS, DVD, clássico e lançamento. durante os dois anos, aproveitei para tirar o atraso. Quando não tinha, me dirigia até a 2001 mais próxima para escolher o título que precisava estudar. Mas o curso acabou e parei de locar – até porque não existe 2001 no meu bairro!

O saudosismo todo é porque, na semana passada, entrei em uma locadora. Essas de bairro, que são pequenas, mas têm desde os clássicos até os lançamentos, incluindo Blu-ray. Fiquei minutos lá olhando as unidades separadas por gênero e diversas opções de filmes a que eu já assisti e outros que ainda não.

Como escrevo no jornal para o qual trabalho sobre cinema e home vídeo, muitas distribuidoras me mandam os lançamentos para eu assistir. Sendo assim, tenho pouca chance de ir até uma locadora – menos ainda porque me sobra pouco tempo livre para dar conta de tudo.

O assunto todo, aliás, veio à baila porque o meu chefe começou a falar sobre seu home theater, os últimos filmes em Blu-ray que comprou e a qualidade do som que consegue extrair das caixas acústicas, além da imagem em alta definição. Com tanto conforto em casa, ele não quer saber de ir ao cinema, mas também sofre com a falta da videolocadora e nem se lembra quando foi a última vez que entrou em uma, já que ultimamente só tem comprado os filmes que quer ver.

E fiquei pensando: não alugo mais filmes nem compro Blu-ray. Uma forma de eu aproveitar  cada vez mais a experiência de ir ao cinema. Sempre.

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Em tempo: Blockbuster entra com pedido de concordata.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Proibida a entrada após o início da sessão

Faz tempo que não falo sobre o comportamento das pessoas no cinema. Não sei se é porque eu tenho ido pouco às sessões que não sejam as reservadas aos jornalistas, ou se as pessoas têm se comportado como se deve. Mas ontem fui ao Imax, no Shopping Bourbon Pompéia, rever “A Origem” e achei que eu tinha de falar sobre esse assunto, digamos, delicado. Afinal, educação a gente aprende em casa. Mas vou quebrar o galho e ensinar duas coisas importantes: não troque de lugar nem chegue atrasado.

Vamos aos fatos: fiz tudo certo. Comprei, na sexta-feira, o ingresso (com lugar marcado) para domingo a noite. Cheguei com antecedência, mas, como o meu lugar estava reservado, não precisei ficar me acotovelando na fila com ninguém. Uns 10 minutos antes do horário, entrei na sala, procurei a minha poltrona (nem foi difícil, afinal eu havia olhado no mapa onde era), sentei e esperei a sessão começar.

Bom, a contar da situação do mapa na sexta, a sessão deveria estar cheia. Duas pessoas atrás de mim no café confessaram que haviam adquirido os ingressos no mesmo dia que eu. Imagino, portanto, que até domingo a noite a sessão não poderia estar de outro jeito senão lotada.

Pois bem. Até aqui, nenhum problema, como o leitor pode perceber. No entanto, é depois que as luzes se apagaram, que a tortura começou.

A sessão do cinema Imax não tem trailer. Apagam-se as luzes, entra a vinheta e, voilà, o filme começa.

Comparando com uma viagem, se você estivesse dentro de um avião, quando as luzes se apagam no cinema, é o momento quando o comandante avisa: “Tripulação, portas em automático”. No avião, isso quer dizer que ninguém mais vai chegar. Nenhum atrasado vai ocupar o lugar que até agora estava vazio na janela da fileira 23. Portanto, se você quiser, pode trocar de poltrona.

Infelizmente, isso não acontece no cinema. Ainda que o filme tenha começado, sempre tem o atrasadinho que chega para a sessão. E o pior: chega atrapalhando quem chegou antes, fica na frente da tela, entra falando. E, no caso de salas com locais marcados, era óbvio que o cidadão que trocou de lugar (da ponta para o meio) quando o filme começou, teria de sair, pois o dono iria aparecer (nem que o filme já tivesse começado).

E, particularmente na sessão de ontem a noite, um cara se tocou e voltou para a sua devida poltrona. Mas duas meninas da ponta não, e o dono teve de chamar o lanterninha para encontrar o seu lugar e tirar as folgadas de lá.

Por falar em folgada, e a moça que estava ao meu lado e resolveu tirar as botas, em um público manifesto de “estou na sala de visitas da minha casa e aqui eu faço o que eu quiser”? Sem contar a outra atrás de mim que resolveu chutar as minhas costas e só parou depois que eu me virei três vezes. Essas coisas, aliás, aconteceram perto de mim. Imagina na sala inteira!

Assim como no teatro não se pode entrar depois do início do espetáculo, faço aqui o meu manifesto de os cinemas adotarem a mesma postura. E você que chegou atrasado no filme do Christopher Nolan, tenho certeza que vai ter de revê-lo, pois não entendeu. Então, por que já não deu meia-volta no estacionamento do shopping?

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Os chatos do cinema

Cada vez que vou ao cinema faço uma constatação diferente. O problema, porém, é que nem sempre ela é positiva. Acredito que as pessoas estão cada vez mais mal-educadas e pensam que estão no sofá de casa, ainda que a poltrona não seja sempre tão confortável tal como é a da sala Premier do Shopping Cidade Jardim.

Não é que eu não goste e não tenha o hábito de comer enquanto assisto a um filme. Adoro beliscar amendoim, comer chocolate, barrinha de cereal e até pipoca (principalmente quando vou a uma sessão levar a minha priminha para ver um filme infantil e há dezenas de crianças saboreando o salgado). O problema é que a coisa está ficando cada vez mais ofensiva.

Outra coisa: não é que eu também não fale (baixo) quando estou vendo um filme. Se estou com alguém ao lado e cabe algum comentário, até cochicho ou faço aquele "ssssshiu" para ver se o barulhento se toca. Mas, como tudo na vida, há um limite.

Escrevi aqui que, na sessão de "Chico Xavier", havia uns chatos. Agora vou dizer por que eu falei isso.

Fiz tudo diretinho: cheguei ao cinema com antecedência, comprei o ingresso, fiquei mais de 20 minutos em pé na fila esperando a sala abrir. Como era uma das primeiras da fila, consegui pegar um bom lugar (na ponta, claro, e sem ninguém atrás que pudesse me chutar). Mas alegria de cinéfilo em cinema de shopping no domingo a noite dura pouco. A sala lotou, o entra e sai das pessoas durou bastante tempo e, obviamente, sentarem-se pessoas atrás de mim (e me chutaram).

Do meu lado direito havia um casal que não parava de circular até o filme começar. E mais: os dois resolveram discutir a relação enquanto passavam os trailers. Quando penso que só a pipoca incomoda com seu barulho e cheiro de manteiga, eis que os espectadores estão cada vez mais ousados, levando, para dentro da sala de exibição, Doritos (ou sei lá o que era aquilo) e sanduíches (como o que a menina ao meu lado tirou de dentro da bolsa).

Uma vez, estava com um amigo no Espaço Unibanco para ver "Ervas Daninhas", de Alain Resnais. Não lembro agora qual foi a situação, mas disse a ele que era preciso respeitar o cinema, pois trata-se de um templo sagrado.

E é verdade. Para quem ama cinema, nada melhor do que estar em um lugar tranquilo para apreciar a obra que está sendo projetada na tela grande. Porém, as pessoas cada vez falam mais, fazem mais barulho, falam ao celular ou simplesmente ficam abrindo e fechando o aparelho de modo que a luz atrapalha e distrai quem está querendo prestar atenção.

É muito chato chamar atenção de marmanjos que não respeitam o próximo ou até mesmo ficar de mau humor porque tem alguém estragando o seu prazer. No entanto, eu ainda acredito que este desabafo possa surtir alguns resultados. Ou, pelo menos, ao compartilhar minha irritação com outras pessoas, consigo aliviar e não pensar mais sobre o assunto. Pelo menos até o próximo chato atrapalhar alguma outra sessão.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Por que eu tuito?

Outro dia eu estava pensando no motivo pelo qual eu sou simplesmente viciada em internet. O problema é que eu não sou viciada em internet. Não sou aquela pessoa que fica fuçando para descobrir vídeos interessantes, ler blogs bacanas e assim por diante. O meu vício é na comunicação instantânea que só a internet pode proporcionar. Vá lá que o telefone também, mas com telefone é apenas uma ligação por vez, e também não pega bem trabalhar pendurado no fone, certo?

Pouco mais de dez anos atrás nem se falava em celular, internet, e-mail, SMS, e hoje ninguém mais pode viver sem isso.

Para dar conta de contar essa história, preciso voltar para 1997. Eu não sei explicar em termos técnicos, principalmente porque meu irmão deixou tudo pronto para o uso. O negócio se chamava BBS e era uma espécie de comunidade, na qual as pessoas podiam conversar. Depois veio a atual rede mundial de computadores, o WWW (World Wide Web), quando eu já abastecia com informações um site via FTP. Então vieram os e-mails (minha conta do Hotmail data de 1998) e, voilà, os comunicadores instantâneos.

Primeiro era o ICQ (I Seek You). Se eu não me engano, foi no ano 2000, depois do temido Bug do Milênio, e eu trabalhava em uma revista de informática e tive de aprender a mexer em vários desses programas para escrever (tudo pelo trabalho!) e não consegui mais largar.

Fiz amigos no ICQ que depois migraram para o MSN Messenger e com quem falo até hoje e nunca vi na vida. No MSN, aliás, a lista é grande. E lá estão amigos reais, virtuais, parentes (inclusive a minha mãe, que aprendeu outro dia a mexer!), colegas de trabalho. Quando ligo o notebook nem preciso procurá-lo, ele já vem sozinho.

Além do MSN tenho o Google Talk, o comunicador que vem acoplado com o GMail e o único que não é bloqueado no trabalho! E, para chamadas a longa distância, nada melhor que o Skype.

Bom, não uso mais o ICQ (nem sei bem por que deixei a florzinha – lembra do ícone? – de lado), mas foi automático. No entanto, os outros só vieram e foram se agregando, somando e, quando me dei conta, tenho vários comunicadores e o pior: várias contas de e-mail também: Hotmail, que foi o primeiro; GMail, para o GTalk; Yahoo, sei lá por quê; UOL, pelo provedor; mais as contas do trabalho. Ufa! Administrar não é fácil, haja vista a quantidade de senhas e logins necessários. Talvez por isso eu perca tanto tempo para colocar a correspondência em dia. Porém, não consigo me livrar.

E ainda teve o primeiro blog, que deve estar perdido em algum lugar do espaço cibernético; o segundo, que encheu e, portanto, tive que abrir outro, ou seja, este. E, sem mais nem menos, quando me dei conta, já estava me cadastrando no Twitter e o pior: alimentando o microblog frequentemente não apenas via web, mas também via TwitterFox e web mobile.

Aliás, esta é outra pergunta: por que eu tuito? Fiquei pensando sobre isso outro dia. Comecei por acaso, depois de ler sobre o assunto em algum lugar que não me lembro. Depois comecei a seguir o Marcelo Tas, pouco antes de entrevistá-lo, quando começou a apresentar o CQC. Então, conversamos sobre o assunto, eu disse que o seguia e ele começou a me seguir. Daí pra frente, não parei mais.

Tuito para compartilhar informações, tuito para manter contato, tuito para me atualizar, me manter informada. Tuito porque na minha rede há amigos que eu conheço pessoalmente, outros que nunca vi mas que já são amigos; tuito porque eles estão espalhados pelo Brasil, outros foram para a Argentina, para os Estados Unidos, há os que vivem na França; e por isso tuito em português, inglês e, poucas vezes, em francês. Tuito porque no Twitter estão professores, mestres, pessoas que eu admiro. Tuito porque eu posso ler o que eu quero, onde eu quiser; tuito porque posso construir uma rede com pessoas que também tuitam e têm o mesmo interesse que eu; tuito porque posso desabafar; tuito porque quando eu desabafo, encontro consolo; tuito porque não sei mais viver sem o Twitter, nem sozinha neste mundo. Esta é a grande verdade! E você, por que você tuita?

domingo, 7 de setembro de 2008

Balzac e a crise dos 30

Quando tinha 29 anos, as pessoas começaram a falar que, em breve, me tornaria Balzaquiana. Aliás, antes que você se pergunte: “Quantos anos será que ela tem?”, já respondo logo: tenho 30. Ou melhor (ou será pior?), completo 31 antes de 2008 terminar.

Voltando aos 29. Quer dizer, a Balzac. Para descobrir o motivo do adjetivo, resolvi comprar o livro “A Mulher de Trinta Anos”, escrito por Honoré de Balzac no início do século 19, e começar a ler. Ainda com 29, passei duas semanas em Paris e, entre uma viagem de metrô e outra, sacava da bolsa o livreto e lia um pouco sobre a história de Julie. No entanto, como aquele romance é arrastaaaaaado, ainda não o terminei de ler, até porque a urgência dos livros acadêmicos que fazem parte da bibliografia do curso de pós-graduação é muito maior.

Em um dos trechos, Balzac escreve: “Uma mulher de trinta anos tem atrativos irresistíveis. A mulher jovem tem muitas ilusões, muita inexperiência. Uma nos instrui, a outra quer tudo aprender e acredita ter dito tudo despindo o vestido.

Pois bem, cá estou sobrevivendo aos 30, com um pé nos 31, e pouca coisa mudou na minha vida. É claro que sempre assusta quando penso no tempo que já passou, mas me anima muito mais quando olho adiante. Afinal, 30 não é 80.

Mario Prata escreveu na revista “Época” uma crônica justamente sobre a mulher de 30, “aquela que podemos encontrar na frente das escolas pegando os filhos ou num balcão de bar bebendo um chope sozinha”. Ele faz comparações entre duas mulheres, aquela que já se casou e teve filhos, e aquela que ainda não pensou nisso. E faz muitos elogios: “Elas talvez não saibam, mas são as mais bonitas das mulheres. (...) Mas o que mais me encanta nas mulheres de 30 é a independência. (...)São fortes as mulheres de 30. E não têm pressa pra nada. Sabem aonde vão chegar. E sempre chegam.”

O assunto, aliás, é recorrente tanto na vida real como na ficção. Bridget Jones viveu isso na literatura e, mais tarde, no cinema. Discutiu com moças de 30 anos como era a sua vida de solteira e as dificuldades de encontrar o par ideal, principalmente depois que já se é independente, tem-se o próprio dinheiro e sabe que pode ficar (bem) sozinha. No mínimo, sabe que o ditado “antes só que mal acompanhada” é verdade.

Carrey, personagem vivida por Sarah Jessica Parker no seriado “Sex and the City”, é outro exemplo de mulher com 30 anos que sabe muito bem o seu limite, pode viver sem um namorado, mas não abre mão de buscar um companheiro para dividir a sobremesa, o travesseiro e ter um ombro para apoiar a cabeça enquanto assiste a uma sessão no cinema.

Motivada por uma reportagem, outro dia provoquei uma discussão entre moças de 30 anos que ainda não se casaram. Na ocasião, falei para elas que não será fácil encontrar o príncipe encantado com a lista de exigências que priorizamos. Na verdade, acho que os rapazes se assustam quando percebem que se trata de moça independente, que batalha para ter seu dinheiro, tem sucesso na carreira e não aceita que ele seja diferente.

Ao mesmo tempo, com toda essa independência, ela quer que ele seja “démodé” ao ponto de abrir a porta do carro para ela entrar, dar preferência para ela entrar em uma sala ou subir a escada rolante, e que seja, sobretudo, atencioso. Um homem bem-sucedido, mas que não fique pendurado ao celular enquanto estiver em um jantar romântico; que se prontifique a carregar as suas sacolas, que seja gentil.

Comecei a ler, recentemente, “As 10 Mulheres que Você Vai Ser Antes dos 35”, de Alison James. O primeiro capítulo, “A Recém-Formada”, me irritou um pouco, principalmente porque parece que faz muuuito tempo que passei por isso. E na verdade faz mesmo, mais de 10 anos. Para não perder tempo (e não desistir de chegar até o final), pulei também o capítulo 2, “A Diva Sem Um Centavo”. Li e me concentrei em “A Abelhinha Trabalhadeira”, mas acabei pulando “A Rainha da Balada” e “A Gata Ligada no Corpinho”. Tem coisas que é melhor a gente ignorar. Enfim, cheguei no sexto capítulo, “A Camaleoa” e prossegui para o “A Garota em Crise”, “Dona do Própria Nariz”, até chegar no nono capítulo: “A Marota – Metade Mulher/Metade Garota”. O livro, há de se dizer, não é lá grande coisa, mas em alguns trechos me fez pensar, refletir e rir. Cheguei a chorar a determinada altura, principalmente quando me fez ponderar sobre o fato de o tempo estar passando, definitivamente, rápido demais.

Espero conseguir terminar de ler o livro de Balzac, mas a Alison James me deu mais uma chance. Ela escreveu, no capítulo sobre a crise, que 33 é o novo 30. “Homens e Mulheres de todo o mundo não precisam mais se tornar trintões. As pessoas se formam mais tarde, se casam mais tarde e tudo mais na vida parece acontecer um pouco mais tarde para essa geração (ou seja, a minha!). Assim, 33 é o novo 30 e 30, bem, está mais parecido com 27.” Ufa! Tenho mais três anos para ter (outra) crise.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Federico Fellini x Diablo Cody

Tem coisas que acontecem e eu simplesmente ignoro. Há outras, porém, que é impossível. Dia desses eu estava twittando e li um post da Diablo Cody, que é viciada neste Twitter, dizendo que ela estava no Canadá e tinha em sua mala um filme recomendado por Steven Spielberg. Então, para surpresa de todos (minha pelo menos), ela joga a pergunta: “Who is this Fellini dude, anyhow?”

Quando li isso, confesso que pensei que ela estava brincando e que em seguida iria soltar uma piada ou qualquer coisa do tipo. Mas não. Ela ignorou e não tocou mais no assunto durante três dias.

Fiquei indignada. Tentei ignorar a moça que, pra quem não sabe, é autora do roteiro do delicado “Juno”, filme que impressionou muita gente por sua simplicidade, mas que cumpre a proposta que teve, já que se trata de uma produção independente de baixo orçamento e muito bem-feito. Embora o Oscar não seja, vá lá, parâmetro para muita coisa, a atriz principal, Ellen Page, foi indicada ao prêmio e a roteirista, sim Diablo Cody, ganhou o Oscar de Melhor Roteiro Original.

Vendo pela criatividade dela, que construiu diálogos pertinentes para o seu público e conseguiu passar a mensagem do filme, parece que ela está no cinema há muito tempo. No entanto, “Juno” é o seu primeiro trabalho.

No IMDB, sua mini biografia diz que Diablo é de Chicago e mudou-se para Minnesota para viver com seu namorado internauta (!), Jonny, que se tornou seu marido. Para ganhar a vida, Diablo era stripper e depois trabalhou como uma espécie de operadora de telemarketing de sexo, ou telesexo, seja lá o que for que ela fazia lá.

Com todo respeito pela profissional, principalmente por sua contribuição ao cinema, não acho que ela poderia debochar de Fellini assim como fez, a não ser que realmente ignore quem seja este cineasta italiano (o que, sinceramente, deveria se informar). Veja bem: foi Spielberg, esse cineasta de “Tubarão”, “ET”, “Munique”, “Indiana Jones”, quem recomendou o filme. Em todo caso, vou acabar com essa crise revendo “Noites de Cabíria” e sonhando junto com a personagem de Giulietta Masina. Vou aproveitar também e pegar o DVD de “8 ½” que ganhei de uma amiga.

Falando de filmes de Fellini, nem me dei conta por que comecei a escrever este texto. Afinal, quem é Diablo Cody?

quinta-feira, 13 de março de 2008

E o guarda-chuva vai para...

O mundo se divide em dois grupos: os que andam a pé e os que andam de carro, trem e caminhão. Entre os que andam a pé, há dois outros grupos: os que têm guarda-chuva e os que precisam correr embaixo de toldos no meio da tempestade.

Há duas semanas, quando chovia sempre no final da tarde (ou melhor, sempre no horário em que eu estava na rua), eu era pega desprevenida, tinha que correr pra escapar. Afinal, carregar guarda-chuva é a coisa mais chata do mundo. Primeiro porque se ele é pequeno, não dá conta da tempestade; se é grande, vira um elefante branco; onde você vai, acaba esquecendo na porta, pra não entrar pingando.

Mas um dia eu resolvi carregar o guarda-chuva na bolsa e, quando isso aconteceu, bingo, não choveu mais. Cheguei até a pensar que a chuva só viria se eu não estivesse com o guarda-chuva na bolsa, tamanha era a coincidência.

Acabo de me lembrar de outra história – abre parênteses:

Quando cheguei em Paris, no ano passado, no meu primeiro dia de passeio pela cidade, adivinha? Estava chovendo. Meu namorado me emprestou o guarda-chuva dele quando foi para o trabalho e ok. Até que não foi tão difícil equilibrar a bolsa, a máquina fotográfica (turista é fogo!), o guarda-chuva e a baguete no meio da rua. No início da semana seguinte, saí com uma amiga e, quando deixávamos Notre Dame, choveu de novo. Então, resolvi entrar em uma daquelas lojinhas e comprar um guarda-chuva. Adivinha? Não choveu mais enquanto estive na cidade. Não choveu nenhuma gota, de modo que nem estreei a peça nova (só vim usá-la outro dia aqui).

Ponto. Fecha parênteses.

Como ando muito a pé, cansei de me molhar e correr. Então, me habituei a carregar o trambolho pra cima e pra baixo. Ontem, eu voltava para o jornal caminhando despretensiosamente na rua, após o almoço, quando vi várias pessoas correndo para se proteger da chuva que veio sem avisar, imagine, no início da tarde! Era gente tentando se esconder embaixo de toldo, telhado, o que fosse. As moças com chapinha no cabelo (desculpe, não resisti) enrolavam a blusa, a toalha (juro!) na cabeça, um horror.

Eu, como não sou boba nem nada, estava ali, andando devagar, carregando o trambolho na mão, sequinha da silva. Algo como se fosse um troféu!

Aliás, acho que é isso: o guarda-chuva é para os pedestres o mesmo que o Oscar é para os atores, diretores, produtores... (Hmm, não deu, deixa pra lá!)

terça-feira, 11 de março de 2008

Congestionamento sem fim

Na semana passada, foi divulgado que o congestionamento em São Paulo bateu recorde. Bom, cá entre nós, não precisava nenhum engenheiro da CET perder tempo para falar isso, porque todo mundo que trafega para lá e para cá pela cidade é capaz de ver os longos trechos parados. Ontem, para se ter uma idéia, a fila da Marginal Tietê às 18 horas começava no km 19 da Castello Branco e ia até a Ponte da Vila Guilherme!

Boris Casoy disse, na rádio BandNews FM, na semana passada, que o trânsito de São Paulo não tem jeito e daqui a 10 anos teremos saudades do congestionamento de hoje. Espero que essa profecia não vingue, mas, em todo caso, vamos tentar amenizar os problemas.

Eu não preciso pegar o carro para ir ao trabalho; vou a pé (!). Mas duas vezes por semana tenho de percorrer 30 quilômetros em horário de pico e isso não tem sido tarefa fácil. Então, aqui vai o apelo de uma pessoa desesperada e que vê coisas erradas no caminho e que, se não existissem, poderiam minimizar os transtornos.

1 - Por favor, quem vai pegar o Rodoanel, a partir da Marginal Pedagiada da Castello Branco, sentido Capital, que fique nas duas últimas pistas da direita. O lance de ocupar todas as pistas e querer dar uma de espertinho perto da entrada, além de deselegante (pra não falar outra coisa), atrapalha, e muito, quem vai pegar o pedágio;

2 - Quando avistar um problema no meio do caminho, como acidente de moto, batida de carro, CET tentando arrumar a bagunça etc., por favor, não pare para xeretar. Ao diminuir a velocidade para prestar atenção no que aconteceu, o motorista faz com que todo o resto da fila seja obrigado a diminuir a sua velocidade também (e a contar que são mais de três acidentes envolvendo motos por dia na cidade, haja observação!);

3 - Caso não tenha jeito, aproveite os momentos de trânsito para ouvir a programação da rádio, se atualizar das notícias, ouvir boa música. E, quem ainda não se arrumou, preste atenção ao movimento: de repente o príncipe encantado está no carro ao lado!;

4 - Não lembro de nenhum filme que aborde esses problemas, mas um documentário até que ia bem, não? No mínimo, documento para as gerações futuras entenderem sobre o que estamos falando hoje (e sofrendo).

terça-feira, 4 de março de 2008

Revendo filmes

Eu não ligo de assistir ao mesmo filme mais de uma vez, principalmente se ele me interessa. Às vezes, claro, prefiro ver novidade, acrescentar filmes ao meu repertório e conhecer os lançamentos da semana que não tive tempo de ver em cabines (as sessões reservadas aos jornalistas). Ultimamente, porém, tenho assistido a muitos filmes duas vezes, seja no cinema ou em DVD.

Nesta semana revi, quase dez anos depois, o último filme que Stanley Kubrick fez antes de falecer: "De Olhos Bem Fechados". Confesso que quando vi no cinema me atentei muito ao casal Tom Cruise e Nicole Kidman -- e achei um horror ter de ver a Nicole nua logo na primeira cena. Hoje, quando vi, achei um filmaço, obra-prima do Kubrick.

No cinema, também revi alguns filmes recentes. Isso porque vi primeiro em cabine e depois acompanhei meu namorado no circuito comercial. O último a que assistimos juntos foi "Juno". Vi o filme no início de janeiro, se não me engano, e no último final de semana lá fomos nós pro cinema. Eu continuo gostando da Ellen Page como a adolescente que engravida do namorado; e a Diablo mereceu o Oscar de Roteiro Adaptado.

Antes desse, revi "Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet". Na primeira vez, gostei do papel do Johnny Depp; mas da segunda, eu gostei mais ainda, porque não fiquei aflita com aquele sangue todo. Achei mais estilizado -- e me conformei, porque meu namorado também se contorceu em algumas cenas e vi que não sou a única nojenta...

Mas a primeira vez que revi um filme por "culpa" dele foi "Meu Nome Não É Johnny". Eu já tinha visto o filme e entrevistado o elenco um mês antes da estréia oficial e logo ele disse que queria ver. Como não sou boba nem nada, fiz o "sacrifício" de ver a obra do Mauro Lima de novo. A experiência de rever me faz ver outras coisas que não tinha visto da primeira, que a emoção não me permitiu. Na segunda vez, por curtição, é mais fácil ver certos detalhes.

Quando estivemos em Paris, assistimos a dois filmes juntos: um em inglês, com legendas em francês ("The Brave One"), e outro em francês ("99 Francs"). Nem preciso dizer que para a segunda sessão eu fui pra ver figuras, né? Se bem que em alguns momentos ele fez a tradução simultânea...

Não pense você, porém, que sou a única que vê filme repetido. Ele também revê para me acompanhar. O último foi o "O Gângster". Neste dia, aliás, ele falou assim:

- Eu sei que você não gosta, mas hoje vou comer pipoca vendo o filme.

Acho que ele falou isso porque eu vivo reclamando de quem está comendo pipoca durante o filme e atrapalhando o som com o barulho do papel e da guloseima. Mas neste dia, como era sessão blockbuster no circuito, não hesitei:

- Calma, eu nunca disse que não gosto de pipoca. Eu gosto de pipoca. Não gosto de comer pipoca no cinema quando o filme é lento e silencioso. Mas esse deve ser tão barulhento, que ninguém perceberá o barulho da pipoca e do saquinho...

E lá fomos nós comer pipoca, tomar dois litros d'água e ver o filme barulhento do Ridley Scott.

Eu não conto o filme, quando estou revendo, mas às vezes chamo a atenção para ele prestar atenção em alguma cena, ou conto como ela foi filmada etc. Até que ele se comportou, só adiantou uma piadinha. Aquela do... ah, deixa pra lá!

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Oh fila, oh céus, oh azar

No sábado, dia 9, fui ao Cinemark do Shopping Tamboré assistir “Cloverfield – Monstro”.

Fila, que eu saiba, é para organizar, certo? Mas não é todo mundo que entende o óbvio, porque para a sessão das 22 horas, a fila era a coisa mais desorganizada que eu já vi na vida. Ninguém entendia nada, não havia funcionário em frente à entrada da fila para especificar o que aquelas pessoas uma atrás da outra iam assistir etc.

Bom, depois de esperar, esperar e esperar, a sala foi liberada. Como se não bastassem os 15 minutos de comerciais e trailers antes do início do filme, os atrasadinhos entraram depois de o filme ter iniciado e ainda fizeram questão de ficar papeando e comentando a cada cena. Haja, hein?

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Parisiense por uns dias

Eu não gosto de pedir informações quando estou perdida na rua. Muito mais por medo de uma pessoa mal-intencionada que pode me mandar pra bem longe que por auto-suficiência. Em compensação, parece que há uma placa com algo tipo: “Serviço de Ajuda ao Cidadão Perdido” colada na minha testa. Só eu pisar a rua, que já vem um perguntar onde fica a avenida tal.

Isso acontece desde quando eu era criança e voltava da escola a pé segurando a mão do meu irmão caçula. A gente voltava junto pra casa, mas um dia vieram me perguntar onde ficava a avenida Moreira Guimarães. E eu fui explicar para o motorista e ele... bom, deixa pra lá, não quero lembrar dessa história.

Mas mesmo depois que eu cresci um pouco e ficava andando de casa pro shopping, para a casa dos meus amigos, para a escola, vinha sempre alguém perguntar. Era até compreensível, porque é muito fácil se confundir com tanto nome de pássaros e aldeias indígenas que dão nomes àquelas ruas.

Depois que vim morar aqui, há 11 anos, a história continua se repetindo, mas o que confundem as pessoas agora são os nomes das flores que dão nomes às calçadas. Além de ser um labirinto, os nomes são muito parecidos.

Quando estive em Paris, pasme!, vieram me pedir informação. E o pior: em francês. Danou-se, porque eu não sabia nem onde eu estava, nem sabia falar o idioma da pessoa, imagine dar informação. Enquanto a pessoa (na verdade foram duas vezes) ia me perguntando, eu ia fazendo aquela cara de interrogação que até ela entender que eu não estava compreendendo nada, demorou.

No último dia em que eu fiquei na cidade, porém, eu estava passando perto da Place de la Concorde quando duas mulheres se aproximaram e dispararam:

- Do you speak english?

- Ufa, pensei. Pelo menos não vieram falando francês sem parar.

Depois da minha resposta positiva, elas me perguntaram se eu sabia onde fica o museu L’Orangerie. A primeira resposta que me veio a cabeça era dizer:

- No, sorry.

Mas eu não podia, porque eu tinha justamente saído de lá. Respirei fundo e, como se eu vivesse ali desde criancinha, fui explicando para as duas como chegar ao museu de arte impressionista. Mais dois meses ali e eu poderia jurar que nunca tinha morado em outro lugar.

terça-feira, 30 de outubro de 2007

Mau humor

É chato às vezes acordar de mau humor de ter de enfrentar coisas inconvenientes por onde você passa. Domingo fui à Mostra de novo, mais precisamente ao Unibanco Arteplex. Minha intenção era assistir a dois filmes. Então, para conciliar os horários, comprei ingresso para ver “Londres Proibida” (“London to Brighton”), que me interessou principalmente por conta do local onde se passa a história. Logo em seguida, já iniciaria a sessão de “Tropa de Elite”, filme que, oficialmente, eu ainda não tinha assistido.

Pois bem, como fiquei fazendo graça no lounge da Mostra, cheguei à sala de projeção após dois minutos do início do primeiro filme. Como a sala um do cinema estava praticamente lotada, optei por me sentar na segunda fila. O único inconveniente era um corrimão bem em frente às legendas eletrônicas.

Ok, filme em inglês britânico, dá pra segurar. Não deu. Mudei de lugar – fui para o lado direito – e melhorou um pouco.

Segunda sessão: corri para a sala nove, no andar de cima. Tive de fazer um pit stop antes de ir pra sala, mas a fila do xixi estava grande demais e cheguei quando estava passando propaganda. Ufa! Mas a sala pequena já estava cheia e, novamente, fui para a segunda fileira. Até aí tudo bem. O problema é que, quando o filme começou, o cidadão que estava ao meu lado começou a se manifestar.

Quem viu “Tropa de Elite” sabe que ele começa com um baile funk. E não é que o carioca ao meu lado resolveu cantar... Eu mereço!

Ontem foi a vez de ir à cabine ver “Leões e Cordeiros”. Confesso que não acordei muito bem (sono demais!), e logo que eu cheguei já veio um me perguntar:

- Tá de mau humor?

- Tô...

Dei um sorriso amarelo e continuei com o papo...

Quando foi o momento de entrar para a sala, sentei logo no meu cantinho favorito: o lado direito da sala do Espaço Unibanco (nunca sei se aquela logo em frente é a um ou a dois), fileira do meio, na poltrona da ponta. A preferência tem suas justificativas: 1- como esta sala do cinema não é do tipo stadium, ou seja, é todo mundo no mesmo andar, sentando na ponta tenho poucas chances de ter uma cabeça chata me atrapalhando; 2- Existe uma grande chance de não se sentar ninguém bem na minha frente (com um cabeção) e também atrás de mim (com o pé chutando); 3- Não fica ninguém me espremendo; 4- Tenho passagem livre para sair logo que acaba, se o filme demorar demais.

O que eu não contava, porém, é que, mesmo tomando todas as precauções para ter uma sessão tranqüila, tivesse um mala, do lado de lá do corredor, mas em uma fileira na mesma direção que a minha, com uma merda de uma lanterna (ou será a luz do celular) ligada durante o tempo todo, fazendo com que a sua iluminação tirasse todo o escurinho do filme.

Bom, como diz o ditado: os incomodados que se retirem. Para não correr o risco de ser rude, aproveitei e mudei de lugar. Fui lá pra frente, onde não havia cabeças ou luzes atrapalhando.

Conversando com outras pessoas, sei que não sou a única a me irritar com esse tipo de coisa. E o pior: houve um alerta.

- No cinema, não existem apenas os nossos amigos. É um lugar público.

Pois é, verdade.

- Numa sessão, tem chato que fala, que chuta, que come pipoca – continuou.

Ai ai ai, depois de pirata e de chatos que falam ao celular, que ligam a lanterna, só faltava a distribuição de pipoca nas cabines pra completar o quadro.

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

A Mostra e suas enormes filas

Saindo de uma cabine nesta semana no Unibanco Arteplex, por volta do meio-dia e meia, dei de cara com uma enorme fila do lado de for a da sala de projeção. Uma fila, não: duas enormes filas. Minha primeira reação foi levar um susto e comentar com dois colegas que estavam saindo ao meu lado:

- O que é isso?
- Fila para a Mostra - retrucou um deles.
- Tá, isso eu sei, mas quem não faz nada da vida e pode ficar plantado em filas de cinema a esta hora do dia?

Eu podia ficar ali parada, observando quem eram os tipos que ocupavam as filas de entrada da sala e da bilheteria, mas tinha muito que fazer da vida naquele momento.

A cena me fez refletir e pensar que, ok adoro cinema, no último domingo assisti a duas sessões duplas (ou seja, quatro filmes), mas não fico plantada em fila. Ir à Mostra é uma questão de prestigiar o evento, que já está em sua 31ª edição; ficar por dentro das produções do mundo que dificilmente chegariam até nós; assistir aos grandes lançamentos antes de todo mundo, mas, peraí, não é pra tanto.

E, a contar de um conselho daquele mesmo colega, “o que é bom, estréia depois”. E pronto: vai ter papo pra discutir no bar durante muito tempo!

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Pardon

Me lembro que quando estive em Londres, percebi que o ingleses usavam a palavra “sorry” não apenas para pedir desculpas. O “sorry” (“sôrry” pra ficar bem britânico) era usado para pedir licença quando se queria passar e tinha alguém na frente; para abordar uma pessoa na rua ao pedir informação, por exemplo; para pedir que a pessoa repita algo que não se entendeu, e por aí vai.

Em Paris é a mesma coisa. Mas ao invés de “sorry”, eles usam e abusam do “pardon”.

Quer descer do metrô e tem alguém no seu caminho?
- Pardon

Quer pedir desculpas por ter esbarrado em alguém?
- Pardon

Não entendeu um nada do que aquele francês disse?
- Pardon?

Se quiser fazer diferente, também pode optar por "Excuse-moi". Mas aí pode ser que percebam logo de cara que você não é de lá!

Então está combinado: além de bonjour, bonsoir, s'il vous plaît, merci e au revoir, complete a listinha de boa educação com pardon. É isso.

*E é isso mesmo. Volto agora com novidades do cinema, já que as férias acabaram. :0(

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Bom dia, por favor, obrigada e até mais

Parece até ridículo tocar neste assunto, mas educação é bom, todo mundo gosta e faz bem para os dentes. Muita gente que vai a França reclama da falta de paciência daquele povo, de fazerem biquinho pra isso, biquinho praquilo, além de lá ninguém fazer questão de falar inglês. Se você é de fora, que se vire para entender o que os nativos estão dizendo.

Por um lado eles têm razão. Pense se um dia, despreocupadamente, você estiver andando na rua e chega um árabe e começa falar a língua materna dele e te obrigar a entender. Pior: e se for grego? (tem até piada pra isso). Nada disso. Claro que ninguém é obrigado a falar francês para conhecer uma das cidades mais bonitas e badaladas do mundo. No entanto, boa educação é fundamental.

Da primeira vez que estive em Paris me irritei um pouco. Os parisienses realmente não têm muita paciência com os turistas, não estão interessados em ficar dando informações, essas coisas. Mas com um pouquinho de jeito é possível conseguir o que quiser deles.

Desta vez aprendi definitivamente a lição. Sempre (eu disse sempre!) que for abordar uma pessoa na rua, no caixa da loja, na bilheteria do metrô, diga "bonjour" (ou "bonsoir" se for de noite). A pessoa que ouve já percebe que você não é dali, mas pelo menos já abre um sorriso, responde e se prontifica a ouvir. Em seguida, solte logo um "s'il vous plaît". Outra palavrinha mágica que não pode ficar de fora de qualquer pedido é "merci" (que pode ser "merci bien" se você estiver muito agradecido). E, para finalizar a conversação, "au revoir".

Quatro palavras para ser civilizado na França. E se alguém te tratar mal, reclame. Eles vão se sentir envergonhados por terem perdido a educação.

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Bolhas

Pra quem anda de casa para o trabalho (e vice e versa), em cima da esteira na academia, do trabalho até o restaurante, quando vai viajar não pode ter moleza. Não mesmo! E como perambular de um lado para o outro de táxi sai caro demais e debaixo da terra, no metrô, se perde o melhor da cidade, a pedida é mesmo ir caminhando. E foi só isso o que eu fiz durante os dias em que fiquei em Paris.

Oh céus! No final do dia, eu fazia as contas, e já tinha andado mais de três, quatro horas seguidas, entre as escadas do metrô (acredite, são muitas), os passeios por perto das estações e mais os corredores dos museus, que quando menos se espera, já foram quilômetros percorridos. Em Versalhes, por exemplo, onde fica o Castelo rodeado por um jardim imenso, sem brincadeira, andei cinco horas e só parei por cerca de quinze minutos duas vezes para comer uma baguete (!) sentada de frente para o Grande Canal (!!), debaixo de árvore para me proteger do sol (!!!).

E o que restaram além de lembranças lindas, momentos incríveis e 741 fotos? Bolhas nos pés, claro. Mesmo com os sapatos mais confortáveis do mundo, elas são inevitáveis. E nada de creminho aqui, massagenzinha acolá. Nada disso adianta. Agora é só recuperar. E sentir falta.

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Voila

Melhor que ir a Paris, eh voltar a Paris. Explico: eh que quando voce vai a capital da Franca pela primeira vez, tem a obrigacao de ver coisas que tem a cara da cidade, como ver a Mona Lisa no Louvre, passear na Champs-Elysees, subir na Torre Eiffel, essas coisas. No retorno a cidade a coisa muda um pouco de figura, porque como voce ja fez o basico, pode ter um tempo extra para tentar descobrir nao o que os turistas fazem, mas o que os parisienses costumam fazer, comer, onde eles passeiam, essas coisas.

Em uma semana que estou aqui, fiz um pouquinho de coisa de turista, mas, por exemplo, aproveitei para andar por ruas onde nao estao as pessoas falando italiano, portugues (acredite, a cidade esta enfestada de brasileiros), ingles.

Hoje mesmo acabei de ir ao cinema. A sala eh como se fosse uma das nossas grandes redes, como UCI, Cinemark, mas fica em Bercy, um bairro bastante moderno da cidade. Alias, ha um grande contraste, eh como se a arquitetura do local te mandasse para um outro lugar, que nao Paris.

Bom, voltando ao cinema. Embora seja uma dessas salas enormes (e nao a sala do Espaco Unibanco que exibe filmes de arte), tem pipoca (urgh!), as pessoas ficam abrindo o celular para ver as horas (afe!) e tem filme frances na tela (voila!).

Outra coisa boa de Paris pela segunda vez eh que nao eh necessario ficar apenas em Paris. Ontem aproveitei para viajar ate Vernon e de la ate Giverny, onde fica a Fundacao Claude Monet. Passeio de um dia, 40 minutos de trem, coisa rapida. Mas uma licao de historia da arte pra toda vida.

Domingo passado, com vontade de voltar a ser crianca, fui para a Disneyland. Cheio de gente, lotado de turistas (inclusive brasileiros), caro pra caramba, mas ok, foi divertido.

Amanha pretendo fazer outra viagem de um dia: Versalhes. Vamos ver se da certo. Depois eu conto tudo.
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PS: Desculpe a falta de acentos. Coisa de teclado internacional.
PS2: Sei que prometi atualizar o blog (e fui cobrada por isso), mas sabe cume, ferias...
PS3: Em tempo: O filme a que assisti hoje chama-se "99 Francos" que estreou aqui dia 26 de setembro, mas ainda nao tem previsao de ir para o Brasil. :-(

terça-feira, 18 de setembro de 2007

Várias lágrimas para Piaf

Fazia tempo que eu não me emocionava no cinema. Quem me conhece pode até rir desta frase, porque sabe que eu sou “presa fácil” para a emoção: choro e rio com muita facilidade. Não sei se eu não via algo tão bom fazia tempo, mas, desde que eu me lembre, não choro no cinema desde o italiano “Vermelho como o Céu”, que vi em maio. Lembro-me também que me acabei quando assisti à “Ponte para Terabítia”, em março. E foi só. Nem em “Homem-Aranha 3” eu chorei (para desapontamento geral, já que em “Homem-Aranha 2” eu chorei pra caramba).

Tudo isso para contar que fui assistir “Piaf – Um Hino ao Amor” na última sexta-feira e, mesmo sendo avisada de que seriam necessários os lenços, não botei fé de que iria precisar deles.

Bom, para chegar a esta sessão, enfrentei um trânsito do inferno (quase uma hora e meia) e cheguei em cima da hora. A sorte é que o início da exibição também atrasou e consegui tomar um suco de uva, conversar com uns amigos antes de me acomodar na poltrona do centro do cinema. Detalhe: dificilmente eu me sento no centro. Prefiro aquelas do canto, que são menos concorridas e, portanto, mais espaçosas. No canto não tem ninguém chutando, nenhuma cabeça atrapalhando, essas coisas.

Começaram as primeiras cenas e, mesmo tendo a recomendação, fui resistente. Pensei que eu estava meio anestesiada, que não me emocionaria com um filme francês, biografia de uma cantora que fez sucesso nos anos 1940, 1950. Claro que não desmereço o cinema francês, ao contrário. A delicadeza das cenas geralmente não aponta o momento da emoção, como é na novela. Ela vem naturalmente.

Conforme a história ia passando na tela, que aquele desfile de boa interpretação acompanhada de direção delicada e intimista, além de excelentes canções que compunham as cenas, não resisti. Sabe cumé, vem aquela história emocionante, acompanhada de uma trajetória de sucesso... Buááááá!

Não chorei apenas porque se trata de uma história triste, mas também porque a cantora batalhou muito pra chegar lá. Coisa de gente talentosa. E sim, para a minha sorte, os lenços estavam a postos, prontos para me salvar assim que comecei a me encharcar!

O assessor de imprensa do distribuidor estava coberto de razão: sim, é preciso preparar os lenços. Na saída, olhei pra ele com aquela cara de choro e, antes que ele me falasse qualquer coisa, disparei:

- Ok, você avisou!

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Feriadão: o horror do estresse

Quem viu “Não por Acaso”, longa-metragem de Philippe Barcinski que tem Rodrigo Santoro no elenco, sabe como funcionam os semáforos da cidade de São Paulo. Na sala de cinema durante a projeção é possível se irritar com a manipulação que o personagem é capaz de fazer em benefício próprio, trocando a ordem, fechando ou abrindo passagem da avenida que quer percorrer.

Em “Os 12 Trabalhos”, de Ricardo Elias, são contadas as aventuras dos motoboys pela capital paulistana, quando precisam realizar as entregas dentro do prazo estabelecido pelo cliente. Então é aquela correria, gente morrendo nas ruas, falta de respeito dos motoristas de carros, ônibus e, claro, das motos.

Não quero discutir aqui a qualidade cinematográfica dessas fitas, mas sim o conteúdo que elas se propõem discutir, que é o trânsito em São Paulo.

Deve haver outros, claro, mas não me lembro agora, até porque estou me atentando às recentes obras. Nenhum dos dois filmes, porém, falam sobre o êxodo dos paulistanos da cidade para a praia nos feriados prolongados. Talvez porque o horror toma conta das estradas, quando, desesperados, os moradores da cidade grande e também do interior não vêem a hora de descer a serra, assim que um par de dias de folga se aproxima: sai mais cedo do trabalho, coloca a bagagem no carro, põe a família junto, assim como cachorro, gato, papagaio, e todos seguem prontos para enfrentar a jornada que pode durar seis horas – num dia comum seriam necessárias apenas duas.

Família animada, ouvindo boa música, começa a murchar quando, logo no início da rodovia, o trânsito pára. Não há qualquer semáforo de modo a justificar o engarrafamento ou para copiar o que o personagem vivido por Leonardo Medeiros faz para alcançar o seu objetivo. Existe, na verdade, um excesso de veículos com o mesmo destino.

Talvez nunca ninguém tenha feito um filme sobre isso (ao menos do meu conhecimento), porque com certeza deveria pertencer, no mínimo, ao Cinema Marginal, aquele bem mal-feito, com a câmera trêmula, sem preocupação com estética, continuidade ou mesmo narrativa, ou ser classificado como o gênero horror. Porque quem pensa que vai pra praia no feriado prolongado pra descansar, está redondamente enganado.

*Afe, acho que passei tempo demais parada no engarrafamento!

terça-feira, 28 de agosto de 2007

O cinema e a criança

Raras vezes revejo um filme no cinema. Como assisto a algumas produções antes que elas entrem em cartaz, vez ou outra acabo indo novamente para acompanhar alguém durante um filme ou porque gostei muito e quero revê-lo antes mesmo que saia em DVD.

Ultimamente não tenho feito isso. Aproveito para ir ao circuito ver alguma coisa que eu tenha perdido. No entanto, quando entram em cartaz as animações, sou “intimada” a levar minha priminha de seis para ver o filme. Até que gosto, porque acabo vendo dublado, o filme que vi pela primeira vez na versão original. E, acredite, ir ao cinema com criança ver um filme infantil é sempre uma nova experiência. No mês passado fomos ver “Shrek Terceiro”. Eu já tinha visto, mas acredite, ela também.

- Eu já vi na escola, mas quero ver de novo com você – ela alegou.

Fiquei intrigada.

- Como você viu na escola? Você foi ao cinema com os amiguinhos da escola?
- Não. A tia levou o filme.
- Mas era o filme novo?
- Era, aquele que o Shrek tem trigêmeos.

Oh céus. Era a mais pura manifestação de pirataria. Minha priminha estava me contando que foi para a escola, como ela faz todos os dias, e foi “convidada” por sua professora a assistir a um filme pirata. Um filme que ainda estava em cartaz no cinema, mas ela adquiriu o DVD provavelmente em algum camelô.

Oh céus! Já estão ensinando isso na escola.

Ok, como ela queria rever o filme comigo, lá fomos nós ao Cinemark ver “Shrek Terceiro” dublado. Sessão durante a tarde, em pleno sábado, nas férias de julho. Já imaginou? A experiência é divertida: chega ao shopping, procura lugar para estacionar o carro, enfrenta a fila da bilheteria.

- Tomara que ainda tenha lugar, né Tati?

Essa foi porque quando fomos ver “Dogão”, demos de cara com a porta.

Continua a maratona: escolhe o tamanho da pipoca com o refrigerante (“Prepare o bolso!” – advertiu minha tia previamente), corre pra fila, entra na sala, escolhe o lugar. Ufa!

Começam as primeiras cenas e ela gargalha em cada uma. Realmente ela já havia visto o filme, e se divertiu novamente.

No último final de semana, fomos novamente ao cinema. Desta vez o filme escolhido foi “Ratatouille”, que eu tinha visto fazia exatamente dois meses. Como ela já tinha me pedido há muito tempo, resolvi finalmente cumprir a minha promessa. A maratona continuou a mesma (estacionamento-fila-pipoca-assento), mas este ela ainda não havia assistido.

No elevador, saindo do estacionamento, ela viu a propaganda de “Os Simpsons – O Filme” e mandou:

- Queria ver o filme dos Simpsons.
- Ah, mas só quando você tiver 12 anos.
- Por quê?
- Bom, porque menor de 12 anos não entra na sessão. Deixo você tirar uma foto com a família, tá?

Ela não respondeu.

Com a sessão iniciada, hora de rever as aventuras de Remy em Paris.

- O ratinho é cozinheiro, né? Eu gosto deste ratinho.

Revi o filme, desta vez dublado, com outros olhos. Me diverti em cada cena, me emocionei em alguns momentos e fiquei feliz por estar ali, compartilhando com as descobertas dela.

- Da outra vez que a gente for no cinema, quero ver “A Volta do Todo Poderoso”. É comédia!

Sim, é comédia. E não posso reclamar: a sessão é livre. Hoje tem ela, logo mais vêm os sobrinhos. E vou ser a titia que leva a criançada pro cinema.