segunda-feira, 20 de junho de 2011

Tropa de Elite 2

Agora separado da mulher (Maria Ribeiro) e pai de Rafael (Pedro Van Held), Nascimento vive só e em guerra com Fraga (Irandhir Santos), defensor dos direitos humanos que tenta negociação duran­te rebelião em Bangu I.  Se aproveitando da rebelião e quando ganhou noto­rieda­de, Fraga se elege depu­tado e compra a briga com o Bope. Nascimento, então, passa a trabalhar como subsecretário de Inteligência. É aí que começa a entender que o problema com os traficantes e a polícia do Rio é muito maior e mais próximo da política que podia imaginar. Usando a câmera na mão, José Padi­lha apresenta ao espectador imagens quase documentais da sujeira que é escondida embaixo do tapete quando o assunto é política. Com muitos tiros, perseguições e, vá lá, menos torturas que o filme anterior (as sequências que mostram "o saco" no primeiro são mais sufocantes que nesta produção), “Tropa de Elite 2” é violento, sim, mas nada que não seja como a nossa realidade.

domingo, 19 de junho de 2011

Cisne Negro

O filme que rendeu o Oscar de Me­lhor Atriz para Natalie Portman chega em DVD e Blu-ray. Em­bora a fita te­nha o balé como foco, não se trata de um musical, mas de um drama psicológico sobre os bastidores, as disputas e intrigas que acontecem quando as bailarinas almejam destaque na companhia. Aqui, Natalie é Nina, uma dedicada e obsessiva bailarina que quer ser a Rainha dos Cisnes, no espetáculo “O Lago dos Cisnes”. Para isso, precisa se soltar e fazer os dois papéis: a do cisne branco e a do negro. Quem vai escolher aquela que substituirá a rainha é o diretor artístico Thomas Leroy (Vincent Cassel). Ao mesmo tempo em que Nina é dedi­cada no balé, tem pudor ao falar de sexo com o professor e sofre de uma alergia que faz suas costas sangrarem de tanto coçar. A fita prende a atenção do espectador e, de alguma maneira, mexe com a plateia a partir de seus jogos psicológicos, intrigas, além de fazer mal ao estômago em algumas cenas cheias de sangue.

sábado, 18 de junho de 2011

Inverno da Alma

Aos 17 anos, Ree Dolly (Jennifer Law­rence) embarca em uma missão pa­ra encontrar seu pai depois que ele usa a casa de sua família como forma de garantir sua liberdade condicional e desaparece sem deixar vestígios. O problema maior é que existe a possibilidade de ela perder a casa onde mora com seus irmãos pequenos e precisar voltar para a floresta, onde desafia os códigos e a lei do silêncio arriscando sua vida. Com direção de Debra Granik, o longa-metragem traça um retrato do interior dos Estados Uni­dos sem a tal moldura dourada, comum em muitos filmes hollywoodia­nos. Este independente, porém, conseguiu quatro indicações ao Oscar 2011: Filme, Atriz para Jennifer Lawrence, Ator Coadjuvante para John Hawkes e Roteiro Adapa­tado. “Inverno da Alma” é corajoso quando mostra cenas desagra­dáveis de se ver, mas ao mesmo tempo que tocam o espectador.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Meia Noite em Paris

Depois de homenagear ci­dades como Londres, Bar­ce­lona e, claro, sua Nova York, Woody Allen homenageia a Ci­dade Luz em seu novo filme, “Meia Noite em Paris” (“Midnight in Paris”), longa-metragem que estreia nesta sexta-feira, dia 17 de junho.

A fita chega ao Brasil em tempo recorde do lançamento internacional, uma vez que os filmes do diretor e roteirista nova-iorquino costumam chegar ao país com quase um ano de atraso, e esse foi apresentado ao público pela primeira vez durante o Festival de Cannes, realizado em maio deste ano.

O filme conta a história da vida do escritor Gil (Owen Wilson, de “Penetras Bons de Bico”) que, cansado de escrever rotei­ros fracassados para filmes hollywoodianos, vai passar alguns dias com a noiva e os pais dela na capital francesa. Sua ideia, portanto, é escrever romances, já que tem admiração por escritores de peso, como Ernest Hemingway, autor de “Paris é uma Festa”, por exemplo.
 
A primeira imagem é da Torre Eiffel, seguida da ponte Alexander III, considerada a mais bonita da cidade. Com uma espécie de videoclipe dos principais pontos turísticos, Allen mostra a Paris dos seus sonhos: Place de la Concorde, Mont­martre, Notre Dame, Jar­din des Tuilleries, as lojas chi­ques da avenida des Champs-Élysées e da Place Vendôme, os cafés, os restaurantes, o museu do Louvre, Le Palais Garnier, além dos belos telhados de Pa­ris. E o clipe vai mostrando a vida frenética da cidade até que chega a meia noite e, voilà, a mágica está feita.

É aí que o espectador vai des­cobrir o que acontece na Paris dos sonhos do escritor que admira Fitzgerald, Pablo Picasso, Salvador Dalí, Luis Buñuel e o Man Ray, e outras tantas personalidades dos anos 1920. É uma viagem no tempo incrí­vel, com referências de diversos segmentos da arte do início do século 20, mas também, quando Gil se encanta por Adriana (Marion Cotillard) e a viagem no tempo vai para a Belle Époque, nos anos 1890.



É na Ponte Japonesa do jardim de Claude Monet, em Giverny, na região francesa da Normandia, que o casal Gil e Ine­z (Rachel McAdams) conversa e discute sobre a possibilidade de se morar em outro lugar. A participação especial fica para a primeira-dama francesa, Carla Bruni, que faz o papel da guia no Musée Rodin, cujas esculturas do artista ficam expostas no jardim do grande casarão. Além de Paris e Giverny, há cenas filmadas no castelo de Versalhes.

Se Paris é sinônimo de magia e encanto, em “Meia Noite em Paris” Woody Allen brinca com a imaginação do espectador e entrega o que promete: um longa-metragem cheio de graça, humor refinado, citações de refe­rên­cias do mundo das artes, além de diálogos bem construídos.


 
Allen sempre foi um cineasta que entrega um filme por ano, principalmente com temas relacionados à sua cidade natal, Nova York. Porém, desde 2005 ele tem feito filmes na Europa, certamente porque tem tido dificuldades de conseguir financiamento para suas obras que possuem cinéfilos fiéis, como os ingleses “Match Point” e “Scoop”, “O Sonho de Cassandra”, o espa­nhol “Vicky Cristina Barcelona”, entre outros, para agora homenagear a capital francesa. E ele mesmo diz: “Claro que eu amo Nova York, que é a cidade onde nasci e cresci, mas se eu tivesse que escolher uma cidade para viver, que não fosse a minha, seria Paris”, diz Allen. 
 
A primeira vez que o diretor teve capital francesa como locação foi em “Todos Dizem eu Te Amo” e se apaixonou por Paris durante as filmagens de “O que é que há, Gatinha?”, seu primeiro filme como ator e roteirista.
 
“Meia Noite em Paris” traz novo fôlego às obras de Woody Allen, uma vez que seu último filme, “Você Vai Conhecer o Ho­mem dos Seus Sonhos”, não agradou a todos os seus fãs, ainda que, como se diz, um filme de Woody Allen mediano ainda é muito melhor que outros filmes que estreiam nos circuitos nacio­nal e internacional.
 
“Meia Noite em Paris” é um filme encantador, com humor raro que apenas Woody Allen é capaz de escrever, exatamente para o seu público. Ah, e se ficar com vontade de ver (ou rever) Paris após sair da sessão não se preocupe, acontece!

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Kung Fu Panda 2

Muitos torceram o nariz quando houve a explosão dos longas-metragens produzidos com o uso da tecnologia, ou seja, feitos inteiramente no computador, em três dimensões, principalmente depois do sucesso da Pixar, “Toy Story”, dirigido por John Lasseter e lançado em 1995.

A questão é que outros estúdios aprenderam que poderiam deixar de fazer animação do modo tradicional, tal como Walt Disney fez “Branca de Neve e os Sete Anões”, primeiro longa do gênero, lançado em 1939. No entanto, os diretores (e obviamente os estúdios) entenderam que o público iria ao cine­ma assistir a essas produções desde que tivesse uma boa história para contar, independentemente de ter sido feita a mão ou com ajuda do computador.

O uso do 3D e da animação de um modo geral é justificável para contar uma história não necessariamente infantil, mas que não pode ser contada com personagens reais, como os brinquedos que ganham vida quando os humanos viram as costas, o peixe que se perde no oceano, o ogro que vira príncipe, os animais que lutam kung fu e assim por diante.

Agora está nos cinemas, em versões 2D e 3D, o longa-metragem de animação “Kung Fu Panda 2”. Na aventura, o panda Po (Jack Black) já foi aceito como Dragão Guerreiro, e protege o Vale da Paz ao lado dos seus amigos e mestres do kung fu, os Cinco Furiosos: Tigresa (Angelina Jolie), Macaco (Jackie Chan), Louva-Deus (Seth Rogen), Víbora (Lucy Liu), Garça (David Cross) e o mentor Shifu (Dustin Hoffman). E, além de acompa­nhá-los em suas aventuras, Po é adorado por todos e tem até bonecos com a sua cara.

A fita começa contando sobre a China e sobre a tão procurada paz interior, necessária para conseguir equilíbrio. Mas além de Po encontrar o próprio equilíbrio, já que sabe que fora adotado pelo Ganso, embora não saiba de onde veio, ele vai ajudar os nossos heróis a não deixarem o kung fu morrer. Para isso, porém, vão ter de lutar contra o vilão Lorde Shen, que planeja usar uma arma secreta para conquistar a China e des­truir o kung fu.

Ainda que o “balé” da primeira luta de Po com ajuda dos outros animais seja sensacional, ela e as demais que acontecem no decorrer na trama são o ponto fraco, pois, muitas vezes, principalmente na versão tridimensional, a que assisti, é escura e a coreografia não permite que o espectador entenda, em algumas cenas, quem está batendo e quem está apanhando.

Como o panda vai precisar de paz interior para buscar o equilíbrio a fim de continuar lutando, há algo no passado de Po que o incomoda e isso será demonstrado a partir de um desenho localizado no braço do ini­migo, cena que se repete várias vezes ao longo da fita.

Embora algumas continuações de filmes façam sucesso, em alguns momentos “Kung Fu Panda 2” entendia, as piadas não têm tanta graça, mas há mensagens para os filhos adotivos e para aqueles que querem encontrar a paz interior, já que o passado deve ficar lá trás. E isso é um ponto forte da trama. Dirigido por Jennifer Yuh Nelson, que no primeiro filme atuou como chefe de História, supervisora de Sequências de Ação e diretora da Sequência do Sonho, “Kung Fu Panda 2” merece ser visto por toda a família, em versões dubladas ou legendadas, em 2D ou 3D, como maneira de descontração e entretenimento.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

O Poder e a Lei

É sentado no banco de trás de um Lincon preto, que o advogado Mick Haller (Matthew McConaughey, de “Como Perder um Homem em 10 Dias”) vai fazer suas negociações, geralmente com traficantes, motoqueiros e prostitutas. Seu charme, porém, é um caso a parte. Embora não precise seduzir nenhuma mulher para conseguir o que quer, sua sedução é toda direcionada para a plateia. E faz bem feito.

Em “O Poder e a Lei” (“The Lincoln Lawyer”), longa-metragem que estreia nesta sexta-feira, 27, nos cinemas, McConaughey vai ter de provar que pode dobrar a lei com poder (já que negocia com os bandidos e com a polícia), quando recebe o caso do jovem playboy Louis Roulet (Ryan Phillippe, de “Crash – No Limite”), que foi detido por agressão e tentativa de estupro. Em um primeiro momento, o garoto até convence que é inocente, mas quando o advogado pede ajuda ao seu amigo investigador, percebe que o caso não será tão fácil assim.

Baseado no best-seller homônimo de Michael Connelly, a fita é repleta de reviravoltas e, ainda que o espectador não entenda sobre leis e regras, as personagens vão contando o que está acontecendo e cada passo dado dos dois lados. No jogo do vai e vem, o espectador vai com o advogado juntando as peças, embora ele vá induzindo sob o seu ponto de vista.

Para completar o eixo familiar do advogado (afinal de contas, sim, ele vai ser ameaçado a certa altura), está a ex-mulher Maggie, vivida por Marisa Tomei (“O Lutador”). Os dois foram casados e têm uma filha. Eles se respeitam e ela é uma bem sucedida advogada que também o apóia, embora não em todas as suas crenças.

Mick é conhecido por ser um verdadeiro advogado de “porta de cadeia”, mas sabe como ganhar bastante dinheiro, principalmente quando precisa defender criminosos envolvidos com o tráfico de drogas. Ele dá um jeito: livra a cara de seu cliente e, em troca, ganha milhões de dólares.

Com direção de Brad Furman e roteiro de John Romano (de “Noites de Tormenta”), “O Poder e a Lei” é um filme que prende a atenção do espectador do início ao fim, pois o instiga a tentar descobrir se, de fato, o rapaz é culpado ou inocente. Porém, mais do que isso, o espectador vai descobrir como os autores vão costurar o thriller de modo a fazer as reviravoltas necessárias.

Com tantos outros filmes que envolvem depoimentos e acusações, como “O Júri”, ou até mesmo quando Robert de Niro vive o padre que vai depor em favor dos rapazes que passaram pelo reformatório, em “Sleepers – A Vingança Adormecida”, além de tantos outros, incluindo “Filadélfia”, protagonizado por Tom Hanks, “O Poder e a Lei” se difere, pois, embora esteja sentado no banco de trás do Lincon, carro que dá nome original ao filme, o advogado não vive cercado de luxo, com um escritório que ocupa um prédio inteiro. Ao contrário. Seu escritório é o próprio carro e ele ainda conta com uma assistente que é especialista em fazer pesquisas pela internet.

“O Poder e a Lei” é um thriller inteligente e que funciona, além de prender a atenção do espectador do início ao fim com diálogos bem construídos que resumem desde o condenado erroneamente, até o típico “filhinho de papai” que apronta e depois não quer agüentar as conseqüências.

Se Beber, Não Case! Parte II

Quando foi lançado, em 2009, o longa-metragem “Se Beber, Não Case!” não tinha a pretensão de fazer o sucesso que fez. E foi exatamente esse sucesso que motivou os produtores da fita a fazerem a continuação. “Se Beber, Não Case! Parte II” (“The Hangover Part II”) estreia nesta sexta-feira, 27, nos cinemas brasileiros.

Quem não assistiu ao primeiro, seria mais interessante que o visse antes de ir ao cinema conferir a continuação. Isso porque os primeiros 15 minutos do longa fazem referência ao filme anterior e mostra como os amigos estão e que a vida de todos progrediu, com exceção da de Alan (Zach Galifianakis), que continua morando com os pais e gosta de músicas para adolescentes.

Se no primeiro o casamento era de Doug (Justin Bartha) e os amigos se juntaram para fazer sua despedida em Las Vegas, desta vez quem vai casar é o dentista Stu (Ed Helms), e os rapazes vão para a Ásia, já que a família de sua noiva, Lauren (Jamie Chung), é tailandesa e o casamento será realizado em um resort na praia.

Antes, porém, a fita, que segue a mesma estrutura da primeira, começa pelo meio. Phil (Bradley Cooper) liga para Doug de um lugar qualquer e diz que está com problemas. Corta. E daí vai para o início, contando, de modo não-linear, como foram parar ali, em um lugar estranho e não no resort onde estavam hospedados.

Ainda que os amigos insistam na despedida, principalmente Phil, Stu nem quer saber, já que a última viagem que fizeram foi um desastre completo. Afinal, o noivo é convencido a tomar uma inocente cerveja na praia e, de quebra, leva com o grupo o irmão da noiva, Teddy (Mason Lee), um adolescente que acabou de entrar na faculdade e é considerado um gênio pela família.

Desta vez não é o noivo quem some, mas o irmão da moça. Porém, Stu nem cogita na possibilidade de chegar ao casamento sem o cunhado, ou vai ficar pior perante à família dela. E, por um impulso, eles vão procurá-lo no telhado...

Novamente dirigido e escrito por Todd Phillips, que contou com a contribuição dos roteiristas Craig Mazin e Scot Armstrong, o longa-metragem segue em um perfeito déjà vu. Até Stu solta no filme: “Não acredito que isso está acontecendo de novo...”

Detalhe, porém, que ao invés do bebê que Alan carrega no primeiro, neste ele tem um macaco, Cristal, que rouba a cena em diversos momentos, assim como Ken Jeong, que faz o papel de senhor Chow, que desta vez arranca gargalhadas da plateia e mostra ser, na verdade, um bon vivant.

Outros personagens inseridos na trama é o enigmático Kingsley, vivido por Paul Giamatti (de “Sideways - Entre Umas e Outras”), um monge e, novamente, Mike Tyson, que faz uma participação especial sendo ele mesmo.

É verdade que continuações são problemáticas, porque nem sempre funcionam. E, apesar de seguir a mesma estrutura do primeiro, ou seja, começa pelo fim e volta para o início para depois ter o desfecho, as melhores risadas são mesmo as que vêm a partir das piadas e do comportamento de Alan. O ator, aliás, entre as duas produções, trabalhou com o mesmo diretor no road movie “Um Parto de Viagem” (“Due Date”), cujo personagem lembra um pouco do filme.

Ao final, não saia sem antes ver as fotos reveladores da aventura desses amigos e descubra alguns detalhes que não foram explicados no decorrer da fita.