segunda-feira, 30 de novembro de 2009

(500) Dias com Ela

O título original de “(500) Dias com Ela” é “(500) Days of Summer”. Summer, no caso, não significa verão. Trata-se do nome da protagonista, vivida por Zooey Deschanel (de “Ponte para Terabítia”). E embora seja uma típica comédia romântica, a fita foi rotulada de cool (típico dos orçamentos pequenos – a produção custou 7,5 milhões de dólares) e foge do convencional. Aliás, o narrador, logo no início, já conta que não se trata de uma história de amor.

Isso porque o arquiteto Tom (Joseph Gordon-Levitt, de “GI Joe”) ganha a vida escrevendo frases para serem inseridas em cartões comemorativos. Quando conhece Summer na empresa onde trabalha, mostra que é, de fato, um rapaz piegas, que acredita no amor. E ela, para contrariar o comportamento típico das mulheres, não pensa em namorar, casar etc., pois acha tudo uma bobagem.

O que os une, porém, é o gosto musical. A trilha sonora do filme, vale destacar, é um capítulo a parte, com o som de The Smiths, o principal motivo das conversas entre os dois protagonistas. Entre os hits, “There Is A Light That Never Goes Out”, “Please, Please, Please, Let Me Get What I Want”. Uma sequência que lembra a de um típico musical (com coreografia no meio da rua e tudo) pode ter boa intenção, mas quebra o ritmo e faz o espectador perceber que está assistindo a um filme.

Esta é a primeira produção de longa-metragem que Marc Webb dirige. No entanto, durante as filmagens de “Juno”, Webb colaborou de perto com Eric Steelberg, diretor de fotografia das duas produções. E muitas semelhanças não terão sido mera coincidência, portanto.

Para fugir do tradicional, o diretor conta uma história diferente de modo não-linear, pois, apesar de se prender à contagem dos 500 dias, faz idas e vindas no tempo, contrasta o humor das personagens, sempre mostrando o motivo pelo qual eles têm para ter determinada atitude, principalmente na luta entre o amor e a indiferença.

“(500) Dias com Ela” pode parecer um típico filme voltado para as meninas, que são tradicionalmente mais românticas. Porém, embora não se trate de um rapaz convencional, o público masculino pode se divertir também, curtir a trilha sonora e rir, uma vez que o bom humor está presente em boa parte da produção.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Julie & Julia

Nem pense em assistir ao longa-metragem "Julie & Julia", estreia desta sexta, 27, com o estômago vazio. Eu explico por quê. A fita é inspirada no livro de Julie Powell, uma americana que, sem saber o que fazer da vida (embora tivesse um cargo como secretária pública), resolveu escrever um blog (diário na internet) sobre culinária.

No entanto, não se trata de um blog qualquer. Com algum dote na arte de cozinhar, Julie se impôs um desafio: em 365 dias iria preparar 524 receitas que constam do livro de Julia Child, “Mastering the Art of French Cooking”, coescrito por Louise Bertholle e Simone Beck. A obra foi escrita enquanto ela vivia na Europa, mas principalmente enquanto estudou na famosa escola francesa Cordon Bleu. E agora vem a parte da fome: durante 123 minutos, as personagens vividas por Amy Adams ("Dúvida") e Meryl Streep ("O Diabo Veste Prada") cozinham delícias de dar água na boca.

Casada com um diplomata, Julia (Meryl, sempre ótima!) vai viver em Paris em 1949. Sem falar uma palavra em francês, descobre que na capital francesa sua paixão é a comida – e não os cobiçados vestidos das famosas maisons. Depois de começar a fazer um curso de chapéus, decidiu que iria se especializar na cozinha francesa. Ou melhor: iria aprender a fazer as delícias e ensiná-las aos americanos.

Para intercalar as cenas, a diretora Nora Ephron ("Sintonia de Amor"), também autora do roteiro, mostra a vida de Julie, que se passa em 2002, justamente quando ela decidiu escrever o blog. Entre as idas e vindas no tempo, as lentes de Nora contrastam os processos, como viveu Julia e como Julie dialogava com a especialista na cozinha, como foi o progresso do blog que virou livro, que virou filme.

"Julie & Julia" fala de amor, convivência com as pessoas, paixão por gastronomia, sobre ter um projeto na vida. Meryl Streep é um destaque à parte, pois, mesmo que faça uma personagem caricata, cheia de trejeitos, caras e bocas, voz aguda e esganiçada, ela mantém o bom humor e mostra que é uma atriz completa.

Do outro lado, Julie está prestes a fazer 30 anos, se encontra em um turbilhão, sem saber o que fazer da vida, ao lado do marido, editor de uma revista - aliás, é ele quem sugere o blog. E quando começa a escrever o diário, prepara receitas difíceis e diferentes e diz que nunca havia comido ovo na vida – e provou a receita de oeufs pochés de Júlia. Outro detalhe que ela aponta para a cozinha é quando diz que, quando nada dá certo durante seu dia, chega em casa e faz um delicioso bolo de chocolate! A escritora faz o tipo mimada (que chora quando a receita não dá certo), mas é persistente.

Na parte gastronômica do filme, o espectador poderá conferir como se faz um verdadeiro boeuf bourguignon, como se cozinham lagostas e como se costuram patos. As duas ambientações, ou seja, a década de 1950 e o ano 2000, são bem posicionados com objetos das duas épocas, figurinos e locais, principalmente os automóveis em Paris, os bistrôs... Aproveite o filme, delicie-se com a direção intimista de Nora e bon appétit!

Stella

Stella é uma menina de de 11 anos que vive com os pais em um bar na periferia de Paris. Na escola (não vai nada bem nos estudos), conhece Gladys. A partir de então, é apresentada a um novo mundo. Sylvie Verheyde é a diretora e a roteirista do filme autobiográfico, que de bobo não tem nada. Trata-se de uma produção tipicamente francesa, que retrata a vida das pessoas com intimidade, mostrando o que é crescer e como é difícil lidar com os problemas desta fase da vida. Destaque para a menina Léora Barbara, em excelente atuação.

Rindo à Toa

O apelido da francesa Lola, de 15 anos, é LOL - que significa Laughing Out Loud (morrendo de rir) na linguagem do MSN. Após as férias, ela volta para a escola e fica desolada com o que o namorado lhe revela. Além dos problemas típicos da adolescência, o filme de Liza Azuelos fala da relação entre mãe e filha. Com toque de humor e discussões sobre drogas, pais e filhos, sexo na adolescência, o filme é uma das surpresas (positivas) do ano que vale a pena ser conferido.

Up - Altas Aventuras

A animação da Pixar conta a história de um velhinho viúvo, Carl Fredricksen, que passou a vida sonhando em explorar o planeta. Pressionado a vender a sua casa a uma construtora, resolve fazê-la voar com balões a gás. Com senso de humor, principalmente por conta do humor ácido do protagonista, o filme conta uma história emocionante do início ao fim. Como bônus, 'A Missão Especial do Dug'. Há ainda Cenas Alternativas no DVD e disco duplo em Blu-ray.

domingo, 22 de novembro de 2009

Noite de estreia

Eu tinha feito tudo certo quando decidi ir à noite de estreia do filme "2012" naquela sexta-feira, 13. Ou pelo menos achei que tivesse feito. Comprei o ingresso antecipadamente pela internet e só fui para o cinema no horário do filme. Logo de cara, acertei uma vez e errei outra. Isso porque, ao chegar, demorei para encontrar vaga no estacionamento, de maneira que, quando cheguei na porta do cinema, as pessoas já haviam entrado na sala. Sorte que eu já estava com o ingresso nas mãos, porque não dava para saber onde era o fim da fila.

Pois bem. Peguei a minha garrafinha d'água e fui para a sala. Tentei ser rápida ao escolher o assento, mas as luzes se apagaram três minutos antes do horário marcado e, até então, todos os assentos que eu escolhia, estavam guardados por alguém que esperava a pessoa voltar da fila da pipoca.

Quando ficou tudo escuro, não titubeei e me sentei na primeira fileira do canto direito formada por poltronas duplas. As propagandas começaram, depois foi a vez dos trailers e, enquanto isso, não parava de entrar gente perdido na sala à procura daquele que estava ali para segurar o assento. Uma menina sentou-se ao meu lado e me perguntou qual era o número da sala em que estávamos. Confirmei e ela veio com outra pergunta:

- É o filme do Michael Jackson, né?

Tive pena, pois ela não sabia se saía correndo em direção a outra sala ou se comia o seu lanche que já estava na metade.

Treze minutos depois começou o filme. E o entra e sai de pessoas não parou. Aliás, durante as duas horas e tanto de duração da fita, pasme!, tinha gente entrando e saindo da sala: eram os adolescentes que só andam em bando até para ir ao banheiro, comprar pipoca, ligar para o pai; era a mãe saindo para comprar algo para o filho; era gente desistindo de saber o final do filme e deixando a sessão para trás.

Depios desta sessão de cinema, comprovei uma tese importante, pois descobri que as pessoas não vão ao cinema para assistir ao filme. Elas vão para bater papo e comer pipoca (depois de ficar na fila, claro). É impressionante como a maioria pensa que está na sala de estar de casa com os amigos e fica falando sobre o que está achando do filme, quem está ligando, o tempo que demorou para convencer o pai a deixá-la ir ao cinema e assim por diante.

Outra coisa que as pessoas vão fazer no cinema é entrar e sair da sala e falar ao celular. Enquanto o filme está na tela, claro. Elas parecem não se importar com as cenas (concordo que o filme não era lá mil maravilhas, mas já que está lá, pagou para estar lá, sente e assista, certo?). Não, errado. Bom mesmo é descer as escadas correndo e conversando com a amiga, voltar gargalhando (mesmo que o filme não tenha graça nenhuma), chamando a atenção sem parar.

Descobri que o inconveniente da primeira fileira não é apenas a (pequena) distância entre você e a tela, a dor no pescoço ao ficar olhando para cima etc. O problema da primeira fileira é que ela fica próxima à saída (pelo menos nesta sala onde eu estava). E o entra e sai das pessoas, embora elas não percebam, incomoda.

Apesar dos transtornos e do zum-zum-zum dos sem-educação, ir ao cinema continua sendo uma experiência incrível! Porém, cinema em noite de estreia é um programa que vai demorar para me pegar novamente. Mesmo que o ingresso já esteja garantido.

domingo, 15 de novembro de 2009

2012

Está marcado no calendário maia, instituído séculos atrás, que, depois de 21 de dezembro de 2012, não há mais nada. Ou talvez haja. Enfim, é baseado no fato de que o mundo vai-se acabar a partir de um grande dilúvio que desenvolve o longa-metragem 2012”.

A fita se desenrola a partir de 2009, quando a alta cúpula dos Estados Unidos e de grandes nações do mundo começam a perceber o perigo que a humanidade corre. Então, os dias vão se passando, até que 2012 chega e tudo o que eles precisam fazer é colocar em prática o que determinaram tempos antes.

Para contar essa história, o diretor Roland Emmerich (de “10.000 a.C.”) usa como mote uma família comum americana. Jackson Curtis (John Cusack) é um escritor fracassado e separado de Kate (Amanda Peet), com quem teve dois filhos. Atualmente, ele faz bicos como motorista de limusine para um empresário russo (rico e egoísta) e ela se casou com um cirurgião plástico. Porém, durante um acampamento com os pequenos, Jackson conhece um “maluco” que anuncia que, de fato, o fim do mundo está chegando.

Ao retornar para casa, em Los Angeles, Curtis descobre que um terremoto passou por ali e tudo o que eles devem fazer é fugir para a China. Paralelamente, membros do governo americano estão se organizando para tomar o mesmo rumo juntamente com alguns cidadãos previamente selecionados, mas sem avisar aos demais. Então, o presidente (negro, vivido por Danny Glover, de “Ensaio Sobre a Cegueira”) desiste de ir e a correria começa.

2012” é um típico filme-catástrofe que mistura várias tragédias que encontra pelo meio do caminho, tal como já puderam ser vistas em
Inferno na Torre”, Titanic”, Poseidon”, “O Dia Depois de Amanhã” (do mesmo diretor), Guerra dos Mundos(que também usa a família como gancho) e muitos outros.

Outro enfoque dado por Emmerich é extremamente político, pois envolve os altos escalões de vários países do mundo. Mas a liderança, como não poderia deixar de ser, é dos Estados Unidos. O local seguro escolhido para eles se salvarem não por acaso é a China, o país emergente que cresce sem parar. E a história segue sempre com foco na família, dando um caráter mais humano e de maneira a envolver o espectador e fazê-lo se enxergar naquela confusão, naquela catástrofe natural que acabará atingindo a todos.

Para reunir todas essas catástrofes, o diretor se valeu da tecnologia e dos inúmeros efeitos especiais para projetar terremotos, inundações, destruição de cidades inteiras. E essas inserções começam a ser forçadas, como o voo pilotado pelo cirurgião plástico a beira do caos total, as explosões etc.

Aos brasileiros, foi dedicada uma sequência bastante breve (que ilustra o cartaz de divulgação do filme), que é quando são transmitidas imagens da queda do Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, direto da televisão local.


2012” não é um filme composto por diálogos bem-construídos, ao contrário. O arrasa-quarteirão serve mesmo para escancarar as imagens na tela grande e fazê-las contar a história. Neste quesito entra também o fato de não se precisar de atores excepcionais. Em todo caso, Cusack consegue interpretar direitinho o papel que transita entre o pai de família fracassado e o herói que vai salvar a família da catástrofe. Assim como Danny Glover mantém a serenidade para tomar a decisão tal como um presidente que quer fazer o bem para o povo americano.


O longa-metragem é cheio de clichês previsíveis e escancara as imagens impossíveis na tela. Durante duas horas e meia o espectador vai acompanhar cenas repletas de ação e terá o sentimento de que tudo ali é irreal. Porém, quem sai de casa para assistir a um blockbuster americano sobre o fim do mundo não pode esperar outra coisa.


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Assista ao trailer.



quinta-feira, 5 de novembro de 2009

À Procura de Eric

"À Procura de Eric" ("Looking for Eric") foi o longa-metragem escolhido para abrir a 33a edição da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e estreia nesta sexta-feira, dia 6 de novembro.

A fita tem dois personagens com o nome Eric e, a princípio, o espectador pode se confundir sobre qual Eric se está à procura, já que um é um carteiro (Steve Evets), que leva uma vida sem graça em algum lugar da Inglaterra (tem-se essa certeza por conta da direção invertida, do sotaque acentuado) e o outro é seu ídolo, Eric Cantona, jogador de futebol francês, que ficou famoso por vestir a camisa do Manchester United e fazer jogadas sensacionais.

Porém, à medida que o filme avança, é possível compreender o que teremos pela frente: divorciado do primeiro casamento e ainda apaixonado pela ex-esposa Lily (Stephanie Bishop), Eric atualmente vive com dois adolescentes que dão um trabalhão danado. Além do emprego, Eric ocupa seu tempo se dividindo entre os amigos também fãs de futebol e os encontra no pub, a entidade inglesa onde as pessoas vão tomar cerveja, discutir sobre a partida de futebol, falar dos problemas, ajudar os outros a resolvê-los.

Aos poucos, outros elementos vão aparecendo (inclusive as geniais jogadas de Cantona) e mostrando que Eric tem muitos problemas e é sua filha, fruto do relacionamento com Lily (de quem se separou há 30 anos), é que vai reaproximá-lo da amada. Mas não será fácil. Para tanto, Eric terá de enfrentar as suas angústias, os seus defeitos, seus erros do passado e encará-los para voltar a ser feliz.
Aliás, é Eric Cantona, vivido pelo próprio ex-jogador, que também é produtor do longa, quem vai ajudá-lo a sair do buraco (embora isso fique claro apenas ao espectador, visto que Eric fala com o pôster de Cantona pendurado em seu quarto).

E é com a pergunta: "Qual foi a última vez que você foi feliz" que ele vai se movimentar, fazer corridas para se sentir mais disposto, ajudar o enteado. Cheio de ditados populares e pronto para pronunciá-los a qualquer momento (como "Quem tem medo de jogar o dado, nunca vai tirar um seis"), Cantona é uma espécie de guru que motiva o outro Eric (e talvez o espectador) a sair da lama, a ir, de fato, em busca do seu verdadeiro eu.

Dirigida pelo inglês Ken Loach (o mesmo de "Ventos da Liberdade", que foi exibido na Mostra em 2006), a fita apresenta o apreço pelas pessoas, é composta por diálogos bem-construídos que emocionam e com um toque essencial que mistura o bom humor e a ironia capazes de tocar a plateia. Sua câmera intimista aproxima o espectador do drama de Eric, apresenta como os amigos vão ajudá-lo nos momentos difíceis, como ele vai cuidar da netinha etc.

Embora todos esses elementos contribuam para que "À Procura de Eric" seja um grande filme, é o "happy end" que não combina com as produções autorais de Loach. Ainda assim, um dos melhores ultimamente no cinema, e reúne lições sobre amizade, autoconhecimento, solidariedade.

O Solista

Jornalistas, por função, são contadores de histórias. Procuram encontrar pessoas cujas histórias rendam matérias e que possam interessar o seu leitor. Na busca de mais um personagem, o jornalista Steve Lopez, do Los Angeles Times, conhece um sem-teto nas ruas da cidade onde vive que toca violino. A partir de então, ele vai para descobrir sua história e é ela o tema de "O Solista" ("The Soloist"), longa-metragem que estreia neta sexta-feira, dia 6 de novembro, nos cinemas.

Para viver o sem-teto Nathaniel Ayers Jr., o diretor Joe Wright (do sensível "Desejo e Reparação") escolheu Jamie Foxx, ator que é músico e atuou como protagonista de "Ray", sobre Ray Charles. Um filme realista, sobre a infância dura e a carreira de sucesso permeada por dramas do cantor cego. Nesta fita, em vez do piano de Charles, Jamie toca violino e, com ajuda do jornalista – que contou sua história e motivou os leitores a ajudá-lo –, ganha um cello e faz, da sua música, a trilha sonora do longa. E, como uma poesia, une as imagens das pombas livres voando ao som do cello de Nathaniel.

Na pele do jornalista está Robert Downey Jr., o mesmo que fez “Homem de Ferro” e “Trovão Tropical”: um homem aparentemente duro, mas de coração mole. De acordo com o material de divulgação para a imprensa, Downey Jr. estava procurando um papel como esse para fazer o equilíbrio das duas produções anteriores.

Embora o solista do título se refira ao músico, o espectador pode perceber que o jornalista também faz carreira-solo. Isso porque mora sozinho (é divorciado e tem um filho em outra cidade) e vive sozinho na profissão, já que sua coluna depende apenas de si mesmo e dos personagens que vai encontrar no meio do caminho.

Baseado em história real e inspirado no livro escrito por Steve Lopez, o longa se apoia na história de vida do sem-teto, mas aproveita para discutir sobre amizade e a transformação que o humilde cidadão e morador das ruas de Los Angeles A fez com sua vida ao conhecer o jornalista, mas também da transformação da vida desse jornalista, que viu na simplicidade do sem-teto a oportunidade de aprender como a vida pode ser bela e rica, principalmente quando se tem as pessoas certas ao lado.

São coisas distintas: um jornalista que estudou, trabalha em uma grande empresa, teve o casamento desfeito (e por isso vive só) e atualmente mora em uma casa onde tem problemas com os animais que destroem a grama. Do outro lado está um morador de rua, proveniente de uma família humilde na costa leste dos Estados Unidos, que foi viver nas ruas de Los Angeles com a justificativa de que é a cidade dos anjos, onde as pessoas podem ser livres, é o local onde Beethoven – seu ídolo – escolheu para viver, além de ter frequentado por um ano uma das escolas de música mais respeitadas do país. Mas sua esquizofrenia o fez escolher viver entre túneis, tocar a mesma canção incessantemente em seu violino de duas cordas e carregar seus pertences dentro do carrinho de compras. Quando criança, era sonhador e tocava instrumentos inclusive quando ia dormir, já deitado na cama e fazia de seus braços, os acordes do violino.

O longa também coloca em discussão a crise dos jornais norte-americanos, apresentando os números que demonstram a perda de leitores: atualmente, o Los Angeles Times contabiliza 40% menos leitores com idade até 35 anos.

O espectador vai poder também acompanhar a saga do jornalista tentando convencer o morador de rua a ir para um abrigo, o Lamp Community – grupo que oferece 200 apartamentos a moradores de rua, inclusive aquele em que Ayers reside atualmente.

Com narrações em off e diálogos bem-construídos de maneira a ter o espectador como testemunha, o diretor inglês promove uma história de superação que preza sobretudo a amizade improvável entre duas pessoas distintas, que foi capaz de transformar a vida de duas pessoas, ou melhor, a de milhares de outras envolvidas com a história comovente.

Inimigos Públicos

Na Chicago dos anos 1930, após a Grande Depressão e quando os cidadãos viviam sem dinheiro e achando que as instituições financeiras tomavam o pouco que tinham, um famoso ladrão de bancos, John Dillinger (Johnny Depp), não é detido por nenhuma prisão e vira o tormento do detetive (Christian Bale), que faz da perseguição o mote de seu trabalho. O diretor Michael Mann aponta as lentes de sua câmera na mão para a perseguição que J. Edgar Hoover (Billy Crudup) indica como missão ao detetive. Com direção de arte impecável, o longa mostra um Johnny Depp fazendo o perfeito bandido com ar de malandro. A fita fala também sobre como driblar a lei, sobre justiça, perseguição, amor, cumplicidade, fidelidade. Como outros anteriores do diretor, este longa discute também a ética. Mas é um filme tenso, com bom humor. Por ser longo demais e ter uma narrativa que não justifica o tempo perdido, o espectador pode se entediar ao acompanhar a busca dos policiais que se repete em excesso até que consiga chegar ao final do que de fato aconteceu.

Jean Charles

Dirigido por Henrique Goldman, o filme conta a história de Jean Charles de Menezes, o eletricista mineiro morto por agentes do serviço secreto britânico no metrô em 22 de julho de 2005, porque foi confundido por um terrorista. Jean Charles é interpretado por Selton Mello, o responsável por convencer sua prima a se mudar para o país, além de viver com os primos Alex (Luís Miranda) e Patrícia (vivida pela própria Patrícia Armani). De um modo linear, Goldman aponta suas lentes para os cartões postais da cidade, como London Eye, Big Ben, Tower Bridge, rio Tâmisa, e para o dia a dia não apenas desses brasileiros, mas também de outros que trocam seu país para viver muitas vezes ilegalmente em busca de um bom punhado de libras. "Jean Charles" é uma boa oportunidade de se conhecer o que aconteceu, uma vez que o roteiro foi escrito com base nos laudos policiais e nos depoimentos dos amigos.