domingo, 27 de dezembro de 2009

Lula, O Filho do Brasil


Ator de teatro, Rui Ricardo Diaz filmou seu primeiro longa-metragem no início do ano e o resultado poderá ser conferido a partir de 1º de janeiro, quando estreia "Lula, O Filho do Brasil". Nesta entrevista exclusiva, o ator, que há apenas seis meses se mudou de Barueri (mas viveu a vida toda na cidade, embora tenha nascido em Minas Gerais dia 25 de abril de 1978), conta como começou, como foram as filmagens e o que espera de sua carreira daqui pra frente. Ele aproveitou também para falar sobre cinema, uma paixão desde criança.

Antes de começar oficialmente a entrevista, Rui Ricardo falou sobre as pré-estreias das quais está participando desde 17 de novembro e resumiu: "Estou descobrindo tudo agora, porque quando pensei em fazer o filme, não sabia quantas cópias iam ser, a dimensão, a repercussão etc."

Como foram as suas preparações para se tornar ator?
Estudei teatro na escola, depois fiz no Tuca, o teatro da PUC, e também nas Belas Artes. Durante seis anos, dei aula de teatro na Secretaria de Cultura da Prefeitura de Barueri. Antes de ser ator, a gente sempre tem uma certa magia pelo cinema, mesmo que seja via tevê. Quando fui ao cinema pela primeira vez, aquilo tudo me encantou. Eu adoro cinema como espectador! Vou de duas a três vezes por semana ao cinema, sempre nos espaços alternativos de São Paulo, como Unibanco, Belas-Artes.

Quais foram os últimos filmes a que assistiu?
Vi "É Proibido Fumar", que a Gloria (Pires) fez. Eu gosto de filmes antigos, mas não sou saudosista, gosto do que está sendo produzido hoje. Gosto muito dos filmes do (Ingmar) Bergman, "A Estrada", do (Federico) Fellini. Pode ser contraditório, mas "O Lutador" é um filme que me marcou; o novo do Tarantino, "Bastardos Inglórios", tem gente que não gosta, mas eu gosto muito. Adoro o ator que interpreta o nazista (o austríaco Christoph Waltz). Ele é carismático, mas faz um malvado. É um grande ator.

Quando você assiste a um filme, sente vontade de fazer o papel de algum ator?
Esse aí seria impossível, porque não tenho cara de alemão, mas eu gostaria. E não sei se conseguiria fazer, porque o ator é muito bom. Mas muitos papéis eu gostaria de fazer. O Lula é um presente para qualquer ator, porque é muito variado emocionalmente.

Como surgiu o convite?
Trabalho com algumas agentes e foram elas que conseguiram para eu fazer "9 mm São Paulo" (série brasileira da Fox) e me indicaram esse teste, que era para fazer um sindicalista. Mas me ligaram para falar que já estava fechado. E o Fábio (Barreto, o diretor) conta essa história que iam tentar me encaixar para ser um enfermeiro. Ele viu o meu material e mudou de ideia, graças a Deus!, porque o enfermeiro não está no filme. (risos) Uma hora de material foi cortada.

Será que estará no DVD?
Acho que sim.

Como estão as pré-estreias? Está te dando frio na barriga?
Pré-estreias estou fazendo desde 17 de novembro. Minha família é muito simples e sou muito irresponsável de pensar o que acontecerá. Minha base de ator é alicerçada no teatro e isso faz com que eu não me sinta deslumbrado. Não tenho Orkut, Facebook, Twitter, nada. Tenho MSN porque uma vez viajei para a França e precisava falar com um amigo que morava lá. Tenho oito amigos adicionados. Não tenho muita afeição com a publicidade que pode ter em cima da minha imagem, mas vou ter de aprender. Fiquei muito receoso e ansioso porque o Fábio não me deixava ver o que ele tinha filmado. Então, eu tinha que confiar no trabalho dele, e dá pra confiar. Mais do que a expectativa sobre o que vai acontecer, de me relacionarem com o Lula, com a política, era como tinha ficado. Só vi o filme pronto em Brasília e depois me tranquilizei. Algumas pessoas falaram mal, outras falaram bem. Tem de tudo.

O que você achou do resultado?
Eu gosto. Eu gosto de cinema. O Fábio disse publicamente que é um melodrama. Não adianta procurar outra coisa no filme. Assumidamente, é um drama. Isso é uma coisa. Tecnicamente, o filme é impecável, a fotografia é linda, a trilha do Antônio Pinto e do Jaques Morelenbaum é muito boa; a direção de arte é fantástica, vide a enchente que eles criaram. E o Fábio tem plena consciência do que está fazendo. Ele fez o filme com o intuito de emocionar. Então, temos que pensar o seguinte: qual é o objetivo do filme? Contar uma história emocionante. É isso o que o Fábio faz e faz com muita qualidade.

Como foi o seu teste?
Fiquei duas semanas fazendo testes e tiveram alguns discursos também. Ele viu o meu material e disse que eu poderia fazer o Lula. Fiquei estudando, lendo, assistindo a vídeos. Ensaiei com os atores, porque estávamos a duas semanas de começar a filmar, sem mesmo saber se eu ia fazer. Fiquei debruçado no material para entender como ele se movimentava, falava, mas sem exagerar, porque foi outra coisa que o Fábio propôs, que não fosse nada caricato. Quando fiz o teste, foi emocionante no estúdio. Esse tipo de personagem é de construção. Eu fiquei um mês sem saber como eu ia fazer o personagem. Eu falei para o preparador de elenco: "(Sérgio) Penna, não tenho a mínima ideia de como vou fazer". Quando você faz uma biografia, ainda mais uma como essa, que não é apenas o presidente mais popular do Brasil, mas o mais popular do mundo, as comparações são inevitáveis. O cara tem quase 80% de aprovação. Eu acredito que quando você faz uma biografia, ainda mais quando o cara está vivo, não adianta que você não será ele, você tem de se aproximar um pouco, mas ser você, se posicionar. O Lula que está impresso no filme é como eu o vejo.

Você não teve contato com ele?
Não, mas já o conheci.

E o que ele te falou?
O Lula é engraçado, bem-humorado, ficou rindo, fazendo piada, disse que não era tão bonito assim, pediu que eu o imitasse e eu disse: "Lula, não sei te imitar". E não sei mesmo.

A barba do filme é sua?
Tudo é meu, a barba, a barriga. (risos) É importante. Eu lembro que tinha dificuldade de amarrar o sapato!

Você não se preocupou em fazer a língua presa.
Não era o objetivo, tinha de ser verossímil. Mas é claro que há pessoas que vão falar sobre a língua presa. Acho que também será difícil que as pessoas vejam o filme como uma obra de arte, antes de qualquer coisa. As pessoas precisam ultrapassar a ladeira íngrime para chegarem do outro lado e assistirem ao filme tranquilamente.

Quem sabe daqui a alguns anos...
O bom do cinema é que é pra sempre. Talvez os meus netos e os seus possam ver assim.

Como foi contracenar com a Gloria Pires, que faz a mãe de Lula?

A Gloria é fantástica. Como atriz todo mundo sabe, está lá neste trabalho e em todos os que ela fez. Mas ela é uma pessoa muito generosa não apenas comigo, com todo mundo. Muito simpática, tranquila. Ela sabia que era meu primeiro filme, a dimensão, a dificuldade e ainda tinha essa carga enorme em cima. Tanto é que foram testados outros atores conhecidos que preferiram não fazer. Tinha desencanado, pois encarei como um presente. Ela, sabendo de tudo isso, me acolheu muito bem, quase como uma forma ritualística. Duas, três horas antes de começar a filmar, eu já estava meio Lula e meio Rui, e ela fez isso também, me chamando de filho. Até hoje ela me chama de filho, mas hoje como um carinho. Ela ficou ao meu lado, me acompanhou.

E com a Cleo, que faz a primeira esposa dele?
A Cleo é muito gente boa e boa atriz também, mas na mesma época das filmagens ela estava gravando a novela, então era muita correria. A gente ensaiou algumas vezes, participamos de algumas conversas com a família do Lula juntos.

Com a Juliana Baroni, que faz a Marisa, você teve mais contato?

Sim, porque ela não estava fazendo nenhuma novela na época, a gente ficou mais tempo ensaiando, construindo aquela cumplicidade entre o Lula e a Marisa que precisa para transpor na tela. Então ela ficou quase um mês aqui em São Paulo.

Quanto tempo durou a filmagem?
Dois meses, durante fevereiro e março deste ano. É um filme grande, foi necessário captar recursos etc.

Recursos para esse filme não faltaram, não é?
Ainda bem! O Lula tem uma história muito popular. O filme passa uma mensagem de superação e é dedicado ao povo brasileiro. Você, como patrocinador, quer atrelar a sua marca a uma mensagem do bem e isso ajuda bastante. Temos de levar em consideração também que estamos falando dos maiores produtores de cinema do Brasil (Luiz Carlos Barreto). Eu adoro todo tipo de cinema, e se eu for enumerar os filmes que mais gosto, tem muitos nacionais. Gosto de cinema bem feito.

Qual foi a cena que mais marcou?
Só vi o que está na tela. Não vi o material que ficou de fora. Para mim a mais difícil foi a que ele perde a primeira esposa e o filho.

Você chora fácil, seus olhos ficam vermelhos...
Não, e isso foi uma coisa importante. O Penna fala disso em uma entrevista. Fiquei um mês sem saber o que fazer, ele me levou para sindicatos, para uma série de lugares para eu encontrar o caminho para começar a fazer o personagem.

Você pensou em desistir?
Não, nunca. Isso acontece comigo no teatro também, é normal. Um dia, assistindo aos vídeos do Lula, liguei para o Penna e disse que tinha descoberto, que são os olhos do Lula, falei para ele que seria no olhar. O Lula é muito emotivo e é nisso que tinha de apostar. Não consigo chorar, chorei poucas vezes na minha vida e no teatro nunca chorei. Por isso que três horas antes eu tinha de estar pronto.


E a cena do estádio com o discurso e a multidão?

Aquela cena é linda. Eu acho que a cena vai entrar para a história do cinema. Não só pelo Lula, mas pela multiplicação da ideia. A Gloria diz que é a sequência do filme. Linda e gostei de fazer.

Quantas vezes você assistiu ao filme?
Acho que umas oito vezes.

Você gosta de política, se envolve com essas questões?
Nunca fui filiado a nenhum partido, nem pretendo. Mas como artista que sou, estudando filosofia, história da literatura russa e alemã, tenho um pouco do comunismo em mim. Tenho um certo encantamento com a história do filme.

Responda se quiser, afinal o voto é secreto: você votou no Lula para presidente?
Sabe por que não respondo, porque a política não é a minha predileção. Prefiro falar sobre o filme. O filme conta a história de um brasileiro que não tem nenhum objetivo político naquele momento, não é filiado a nenhum partido. Se eu responder neste momento sobre o que eu aprecio politicamente, vai dar margem para a discussão política e eu não quero.

Você acredita que vai surgir muita polêmica pelo fato de o filme ser lançado quando o Lula está prestes a entregar o posto de presidente?

Esse filme seria lançado no início de 2009 e acho que seria uma polêmica danada. E se ele fosse lançado em 2011, ia dar uma polêmica... Acho que de qualquer maneira, porque iam dizer que ele estaria pronto para voltar. O Lula tem quase 80% de aprovação. Não é um filme ou qualquer outra coisa que vai mudar a opinião das pessoas. Ele não depende de nenhum tipo de merchandising para ajudar. Além de ele não ser candidato.

É, e nem pode.
Mas por isso que eu digo que o filme é que pega carona na popularidade dele, e não o contrário. Em julho, as pessoas estavam especulando e falando que o filme ia falar sobre a fundação do PT.

E isso nem aparece.
Pois é, as pessoas precisam ver primeiro como uma obra de arte e criticar como uma obra de arte.

O que você espera da sua carreira daqui pra frente?
Eu espero poder trabalhar mais. Se pintasse mais filmes para eu fazer, gostaria de fazer mais. Estou aberto para trabalhar. A única coisa que tenho de concreto é um espetáculo de teatro no início do ano que vamos adaptar do Dostoiévski. Estou há um ano sem fazer teatro, nunca fiquei tanto tempo. E teatro não é só estar em cartaz, é ensaiar. Mas foi bom para mim me dedicar a essa história.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Sempre ao seu Lado

Filmes sobre a convivência com cachorros há aos montes no cinema, basta lembrar de "Lassie", "Beethoven", do recente "Marley & Eu", e assim por diante. A história real de "Sempre ao Seu Lado" ("Hachiko: A Dog's Story") aconteceu na década de 1930, no Japão. A partir do dia 25, porém, poderá ser conferida no cinema a segunda adaptação da narrativa que se passa integralmente do outro lado do mundo, nos Estados Unidos. A primeira versão do filme, "Hachiko Monogatari" (de 1987), é japonesa e foi sucesso de bilheteria. Agora, quem dirige a fita estrelada por Richard Gere é o sueco Lasse Hallström (o mesmo de "Chocolate").

Hachiko, ou Hachi, como é chamado pelo dono, significa o número 8, equilíbrio entre o céu e a terra, mas é também o nome do cachorro da raça akita que é adotado na estação de trem por Parker (Gere), um professor universitário que faz o mesmo caminho entre sua casa e a estação todo santo dia. Seu fiel cachorro o acompanha pela manhã, retorna para casa e, no horário em que ele volta, lá está ele pontualmente à sua espera, pronto para levá-lo para casa, haja chuva, sol ou neve.

Durante os dias em que Hachi vai ao encontro do dono, faz amizade com as pessoas em volta, com o bilheteiro, com o maquinista, com o vendedor de cachorro-quente. E sempre leva um pouco de comida durante sua passagem em frente a um restaurante. Nesses passeios, a câmera de Hallström mostra o ponto de vista do cachorro, que vai descobrindo coisas novas.

"Sempre ao Seu Lado"
é uma história sobre o relacionamento familiar, sobre lealdade e cuidado dos animais, sobre convivência. Trata-se de uma narrativa simples (e um pouco repetitiva em alguns momentos, mas justificável), que se passa basicamente dentro da casa onde vive o personagem de Gere e a estação de trem onde ele encontra o cão diariamente. Contudo, é minuciosamente bem elaborada, principalmente para não cair no sentimentalismo exagerado, uma vez que a história, por si só, já é emocionante o suficiente para mexer com o espectador. Um dos pontos altos da fita (que eu não vou contar) mostra que a forte ligação entre o cão e o seu dono está além de qualquer outra influência (e porque muitas coisas se justificam).

"Sempre ao Seu Lado" é uma história real, cuja repercussão no Japão rendeu a Hashiko três estátuas de bronze, sendo uma delas na "Saída Hachi", na Estação de Trem de Shibuya, em Tóquio. Richard Gere faz o papel de um personagem emotivo, que se envolve com o cão facilmente, e o adota para não deixá-lo sozinho, mesmo a contragosto da esposa, vivida por Joan Allen.

A história do cão e seu dono rendeu matérias nos jornais da época, fazendo com que Hashiko se tornasse o centro das atenções no Japão. A primeira estátua foi erguida em abril de 1934 e o cão morreu em 8 de março do ano seguinte, mas sua história não foi esquecida nem após a Segunda Guerra Mundial, já que, em 1948, a Sociedade para Recriar a Estátua de Hachiko encarregou Takeshi Ando, filho do artista original que havia então morrido, a fazer uma segunda estátua, erguida em agosto daquele ano.

Vá ao cinema (sem o seu cachorro), mas leve consigo lenço de papel. Se algumas lágrimas escorrerem, não se acanhe. É natural que isso aconteça e tenho certeza que você não será o único.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Anticristo

Um casal (Willem Dafoe e Charlotte Gainsbourg) devastado pela morte de seu único filho se muda para uma cabana isolada na floresta Éden, onde coisas estranhas e obscuras começam a acontecer. A mulher é uma intelectual escritora que não consegue se livrar do sentimento de culpa pela morte do filho, e ele, um psicanalista, tenta ajudá-la. Dirigido pelo dinamarquês Lars von Trier, não se trata de um filme fácil (nem poderia ser diferente). E ele não sabe nem quer ser subjetivo: quer exorcisar seus medos e suas angústias dividindo tudo com seu espectador, sem piedade. Von Trier quer polemizar, escancarar e provocar o espectador com cenas chocantes – e muitas vezes desnecessárias.

Inimigo Público Número 1 - Parte 2

Embora a primeira parte tenha sido lançada no cinema, a segunda sai direito em DVD e continua contando a história real do homem dos mil disfarces, que foi declarado pela polícia como inimigo público número 1. Estrelado pelo francês Vincent Cassel (que recentemente atuou no brasileiro “À Deriva”), o filme mostra como ele foi capturado e enviado para a prisão de La Santé, de onde escreveu sua biografia, suas diversas fugas, a relação com a mulher e com os outros bandidos que atuavam em conjunto. Cheio de ação, o longa é intrigante e capaz de despertar interesse no espectador que quer saber como o personagem será, finalmente, capturado pela polícia francesa.

G.I. Joe – A Origem de Cobra

Sucesso no Brasil nos anos 1980, os bonecos Comandos em Ação fizeram barulho nas telas do cinema. Com o nome original de G.I. Joe, a fita conta como surgiu o esquadrão internacional de equipes, cujo único objetivo é combater o mal. Com imagens cheias de ação e muito barulho em cena, os adolescentes vão curtir o filme. Os mais velhos, porém, podem aproveitar para matar a saudade dos tempos de criança.

O Contador de Histórias

O filme retrata a trajetória de Roberto Carlos Ramos que, depois de ser deixado pela mãe na Febem aos seis anos de idade, é adotado por uma pedagoga francesa que pretende educá-lo. Trata-se de uma história sobre um brasileiro que teve oportunidade de se formar como cidadão, receber carinho e educação. E mostra que muitos podem ter essa chance também.

Se Beber, Não Case

O DVD ainda está em pré-venda, mas conta a história de uma despedida de solteiro em Las Vegas, na qual quatro amigos, dois dias antes do casamento de um deles, vão em busca de diversão e muita bebida. Como seria o esperado, eles se envolvem em confusões e acabam “perdendo” Doug, o noivo. De forma não-linear, trata-se de uma história engraçada, com timing perfeito e muita confusão que, apesar de simples, consegue arrancar boas gargalhadas do espectador e, quem sabe, fazê-lo se identificar com a história que poderia ter acontecido com qualquer um.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Avatar

Pandora é o mundo localizado anos-luz da Terra e será o destino de pesquisadores humanos que pretendem ocupá-lo, bem como destruir os extraterrestres que lá vivem devido a um minério que só existe ali. Para tanto, porém, será necessário enviar espiões para que eles conheçam um pouco sobre seus costumes e, então, possam dar o bote. Resumindo, essa é a história de “Avatar”, longa-metragem que chega aos cinemas nesta sexta-feira, 18.

Com lançamento em formatos 35 milímetros e Imax, em versões dubladas e legendadas, 2-D e 3-D estereoscópico (que precisa de óculos especiais), a Fox Film coloca mais de 600 cópias nos cinemas brasileiros de seu maior filme neste ano. As versões 3-D também podem ser legendadas em português: as palavras ficam flutuando de um lado para o outro enquanto os atores se movimentam.

O diretor James Cameron, o mesmo de “Titanic” (1997), começou a pensar na história deste longa-metragem há 15 anos e demorou quatro para concluí-lo. Segundo ele, foi o seu maior desafio. Também autor do roteiro, Cameron idealizou uma história que se passa em 2154 e fala sobre um herói, Jake Sully (Sam Worthington), que embarca em uma aventura para salvar o mundo extraterrestre.

“Avatar” esbanja tecnologia e efeitos especiais em um espetáculo que só a tela grande pode proporcionar. Se for em 3-D e Imax, então, o sucesso está garantido. Será? Um dos pontos fracos para o longa, porém, é o roteiro convencional e extenso demais - são 160 minutos de duração. Os acontecimentos lineares não motivam o espectador a torcer pelos personagens, porque tudo é muito previsível.

A fita inicia-se com explicações de como a acontecerá a ida do ex-fuzileiro naval que se locomove com ajuda de cadeira de rodas para o mundo de Pandora. Como a atmosfera lá é tóxica, foi criado um sistema no qual os “condutores” humanos têm sua consciência ligada a um avatar, ou seja, um corpo biológico controlado à distância capaz de sobreviver nesse ar letal.

Os avatares são produzidos de DNA humano e dos nativos de Pandora, os Na’vi. Com a ajuda da cientista Grace (Sigourney Weaver), o avatar de Jake volta a andar. O problema, porém, é que ao invés de lutar contra, ele se envolve com a bela Neytiri (Zoë Saldana), e seus planos de destruir o povo vão por água abaixo, já que ele passa a viver a rotina dos Na’vi.

Após as apresentações dos dois mundos, o roteiro de Cameron parte para o clímax: a batalha final será a verdadeira luta entre o bem e o mal; os extraterrestres que dizem ter uma forte ligação com a natureza contra os humanos exploradores. Além das lutas, o diretor aproveita para inserir críticas com relação à natureza, sobre o que o homem tem feito para destruí-la durante sua existência. E agora sentimos os reflexos. “Avatar” mostra isso. Mas também conta quem foi o vencedor nesta batalha.

A tecnologia é, sem dúvida, um dos destaques positivos, que, dependendo do espectador, pode não se interessar pela história propriamente dita, mas sim pelo espetáculo visual. E esse sim foi uma grande preocupação de Cameron, que utilizou o sistema de “captura de performance facial baseada na imagem” usando uma câmera posicionada na cabeça para gravar com precisão as nuances do desempenho facial dos atores. Os avatares são criaturas azuis, gigantes, que nenhum ator poderia interpretar. Aí entra justamente a técnica inovadora. Há também cenas captadas com a câmera virtual, com imagens filmadas dentro do mundo gerado pelo computador. Ainda assim, cada folha da árvore, cada inseto parecem de verdade.

“Avatar”
traz mais uma inovação para no quesito “cinemão”, com tecnologia de ponta para mostrar cenas cada vez mais reais, com excelente qualidade e resolução, além do 3-D, que permite uma experiência incrível na sala do cinema (prepare-se para ver muita gente tentando pegar insetos no ar!).

No entanto, o principal propósito do cinema, que é contar uma história relevante, esta está longe de estar presente nesta produção. A música alta e incessante da trilha sonora também conta como ponto negativo, afinal não se valoriza nada, porque sempre há um fundo sob os diálogos. Evolução mesmo seria reunir esses dois pontos: excelente história com perfeito acabamento. A união perfeita, porém, é para poucos cineastas.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

A Princesa e o Sapo

Faz mais de 70 anos que Walt Disney mostrou ao mundo o que poderia fazer em termos de animação no cinema, quando lançou "Branca de Neve e os Sete Anões". Isso porque este foi o primeiro longa-metragem de animação. Feito do modo tradicional, ou seja, à mão (2-D), o filme conquistou espectadores e fãs que seguiram o mestre e se apaixonaram por seu trabalho.

Em 1994, porém, outro estúdio, a Pixar, fez uma revolução no quesito animação quando lançou "Toy Story", o primeiro longa de animação realizado totalmente por computador. De lá para cá, não apenas a Pixar, mas também outros estúdios se aperfeiçoaram e lançaram diversos filmes usando a mesma técnica 3-D. Já a tradicional, essa foi esquecida nas grandes produções. 


Na sexta-feira, 11, contudo, estreia a mais nova produção do Estúdio Walt Disney Animation: "A Princesa e o Sapo" ("The Princess and the Frog"), longa feito do modo tradicional, ambientado na cidade de Nova Orleans, nos Estados Unidos, considerada a meca do jazz. Daí o motivo de o filme ser um musical, tal como "A Bela e a Fera" e "Aladdin". 

Na fita, Tiana (com voz de Kacau Gomes, na versão brasileira) é filha de uma costureira que não sonha em se casar, mas sim em ter seu próprio restaurante, já que sabe cozinhar desde pequena. Quando cresce, vai trabalhar em um restaurante, e depois de beijar um sapo, que se diz príncipe, também se transforma em um anfíbio. Na cidade, o verdadeiro príncipe Naveen (com voz de Rodrigo Lombardi), do reino da Maldonia, procura uma noiva e acaba encontrando uma moça que estava apenas fantasiada de princesa e não consegue voltar a ser humano. Os dois sapos, portanto, vão procurar ajuda no pântano da Louisiana e ambos encontram muitas outras coisas, como os amigos vagalume e o crocodilo que toca sax.

O começo é convencional. O filme inicia enquanto uma moça lê contos de fadas a duas crianças, das quais uma delas, Charlotte, uma menina loira, mimada e rica, só pensa em se casar com um príncipe para se tornar princesa. A outra, porém, é a negra Tiana, batalhadora, tal como o pai, e desde criança guarda o desenho de como será o restaurante com o qual sempre sonhou.

Criado por John Musker e Ron Clements (de "A Pequena Sereia"), o musical (com canções de Randy Newman, de "Toy Story") mostra ao espectador muito jazz e passos de sapateado. Trata-se, então, de uma versão contemporânea de uma fábula clássica (com inspiração muito clara em "O Sapo Príncipe", dos irmãos Grimm). A versão é adaptada para os dias atuais, com personagens mais reais e próximos à nossa realidade, como a garota negra que vive a protagonista, que tem os pés no chão, e o príncipe que chega sem dinheiro nenhum a Nova Orleans.

O produtor executivo John Lasseter, diretor de filmes da Pixar (estúdio que foi comprado pela Disney em 2006), afirma no material de divulgação para a imprensa que se pudesse pôr em prática uma única lição aprendida com o Walt para levar o Walt Disney Animation Studios ao futuro, seria fazer uso da riqueza do seu passado. "A lendária forma de contar suas histórias, seus personagens de sucesso, sua exuberância musical – tudo isso é uma parte essencial do nosso mais novo projeto de animação feito à mão".

A fita, que tem acabamento impecável, com riqueza de detalhes e é muito bem-feita, discute dinheiro, casamento, objetivo na vida, trabalho. A luta do bem contra o mal também está presente e o lado negro é proposto pelo dr. Facilier, um mago que pede ajuda a almas do outro mundo para se dar bem. Como não podia deixar de estar lá, a lição de moral, típica dos filmes da Disney, se apresenta antes do final, principalmente com a ajuda da feiticeira Mama Odie, que mostra o valor das pequenas coisas. O filme, dedicado às crianças, mostra tudo, não deixa nada subjetivo. Bom para os pequenos, chato para os adultos.

O bom humor do roteiro, porém, é um dos destaques nos quais os adultos vão se animar em assistir à produção que está sendo feita desde 2006. Os diálogos atuais são outro ponto forte. E para finalizar, mais um clichê, afinal, todos vivem felizes para sempre.

Por ser musical, o 49º filme de animação da Disney entedia um pouco, mas não chega a ser um problema, principalmente porque combina com a história e não a torna arrastada. Pelo contrário. O bom humor e a trilha sonora fazem com que os quase 100 minutos de projeção sejam bastante rápidos e emocionantes.

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Assista ao trailer.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Abraços Partidos

Diretor espanhol Pedro Almodóvar nunca faz um filme para ficar indiferente sobre algum assunto. Basta dar uma rápida olhada em sua filmografia e estão lá as discussões sobre sexualidade, traição, viciados em drogas, as artes plásticas, o teatro, o cinema, a questão feminista, o mundo gay e por aí vai, lembrando da transgressão (oposição radical ao franquismo). E nesta lista poderiam ser vistos filmes como "Tudo Sobre Minha Mãe", "Ata-me", "Carne Trêmula", "Má Educação" e o mais recente "Volver".

Mais uma vez ele faz um filme dentro do filme. Em "Abraços Partidos" ("Los Abrazos Rotos"), estreia desta sexta-feira, 4 de novembro, o diretor reúne uma de suas atrizes favoritas, Penélope Cruz, em seu quarto trabalho em conjunto. Aqui ela é Lena, uma aspirante a atriz que começa a fazer o filme "Garotas e Malas" (em uma declarada inspiração em "Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos") encomendado por seu marido, Ernesto Martel (José Luis Gómez), ao cineasta Mateo (Lluís Homar). No entanto, os dois se apaixonam e fogem para uma cidade praiana.

Nos primeiros 15 minutos da trama, Almodóvar já mostra a que veio: há cena de sexo casual e, de forma não linear, começa a contar como o cineasta, que agora se chama Harry Caine, ficou cego e por que começa a se lembrar do passado assim que fica sabendo da morte de Martel.
No momento, porém, Caine é autor de roteiros de cinema e conta com a ajuda de Judit (Blanca Portillo) e de seu filho Diego (Tamar Novas) para vender e escrever seus textos. E mais um filho tem influência sobre a trama. Isso porque Martel pede a seu filho (Rubén Ochandiano) que fique de olho na esposa. Ao mesmo tempo das filmagens, o rapaz grava o making of. E esse vídeo é um dos momentos do clímax da película de Almodóvar.

A fita é a que mais tem metalinguagem em sua filmografia, uma vez que o tempo todo vai contando como costumava filmar com Lena e as filmagens em si, além de toda a montagem efetuada anos depois. Como seu personagem diz, "as películas precisam ser terminadas, ainda que às cegas".

Usando cores fortes, como é sua característica, Almodóvar escolhe para filmar principalmente dentro da casa de Mateo e da casa de Lena. Entre as idas e vindas do roteiro, o diretor abusa das metáforas e homenageia o cinema quando faz a cena da escada (tal como fez Henry Hathaway em "Beijo da Morte", por exemplo), quando Lena se maquia e fica parecida com as musas Marilyn Monroe e com Audrey Hepburn. Sem contar com a cena do filme "Viagem à Itália", de Rossellini, que passa na televisão do casal.

"Abraços Partidos" tem bom humor, mas é um drama familiar, cheio de traição, ganância, poder e é um típico filme noir, uma vez que reúne o trio de amantes, dos quais um deles é poderoso, violento e inescrupuloso, além da cena da escada, tragédia etc. Feito por um dos diretores mais consagrados do cinema mundial, o longa-metragem vale a pena ser visto e apreciado. E com certeza você não sairá indiferente do cinema, pois Pedro Almodóvar é perturbador o bastante para deixar qualquer espectador intacto após assistir a um filme seu.

Assista ao trailer.