quinta-feira, 26 de março de 2009

Simplesmente Feliz

Parece, digamos, uma boba alegre. Mesmo nos momentos de maior tensão ela procura rir e fazer graça, ainda que esteja morrendo de raiva. E de tanta bobeira, ela faz o espectador rir também e valorizar a vida. Estou falando da personagem Poppy, vivida pela atriz Sally Hawkins, em "Simplesmente Feliz" ("Happy-Go-Lucky"), longa-metragem que estreia nesta sexta-feira, dia 27 de março, nos cinemas. Por sua atuação, aliás, ela já ganhou prêmios, como o do Festival de Berlim e o Globo de Ouro.

Na fita, que começa com ela andando de bicicleta pelas ruas de Londres, Poppy tem 30 anos, é solteira, professora do jardim da infância e mora com uma colega de quarto, Zoe (Alexis Zegerman), com quem divide as dores e as delícias de seu dia-a-dia. Aos finais de semana as duas saem para se divertir em Camden Town (bairro alternativo da capital inglesa), vão a pubs, vestem roupas chamativas e extravagantes e dão risada, principalmente.

Ao mesmo tempo que Poppy é responsável, é também desgovernada e, no início do filme, começa a frequentar a autoescola para aprender a dirigir. E é dentro do carro com o instrutor Scott (Eddie Marsan) que acontecem cenas divertidas, mas ao mesmo tempo mostram o contraponto entre os dois personagens: a divertida e alegre, e o estressado, mal-humorado e intransigente. Outra cena ao mesmo tempo engraçada e irritante é a que ela entra na livraria e tenta chamar a atenção do carrancudo vendedor. Chega a dar nos nervos!

Para aliviar o estresse do cotidiano, faz aulas de cama elástica (o que mostra como é descontraída e alegre, alto-astral, pra cima!) e dança flamenco (com toda a sensualidade e profundidade que mostra a professora espanhola). Ela, aliás, faz comparações entre a Espanha e a Inglaterra que são de tirar o espectador do sério.

Ainda que se mostre feliz com a vida que leva e tente mudar o que não gosta (como aprender a dirigir, já que lhe roubaram a bicicleta na primeira sequência do longa), é o namorado perfeito que ela procura. Neste quesito, a fita é previsível, contudo mostra aquilo que, principalmente as moças da sessão, procuram ver. E a cena final é fácil de adivinhar, ainda que seja uma grande metáfora.

Dirigido pelo inglês Mike Leigh (de "O Segredo de Vera Drake"), "Simplesmente Feliz" é o tipo de filme que pode facilmente frequentar as sessões da tarde da televisão. No entanto, possui um incremento que consiste nos diálogos bem-construídos, na direção impecável de Leigh, na interpretação ímpar de Sally e no espírito jovem e divertido que o conjunto transmite. É certo, pois, que o lançamento vai agradar mais às moças, tal como "Watchmen" é para o paladar dos rapazes. O inverso, porém, também pode funcionar em ambos os casos.

quinta-feira, 19 de março de 2009

Gran Torino

O valente Clint Eastwood pode ter sido injustiçado pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood quando não o indicou tampouco indicou o seu filme ao melhor prêmio. No entanto, o Festival de Cannes, o mais importante dos prêmios de cinema, corrigiu o "erro" da academia e fez a ele uma homenagem, quando lhe entregou Palma de Ouro Honorária por toda a sua obra no cinema, pela "paixão que ele desperta nos cinéfilos, admiração e respeito em resposta natural à sua elegância". Nada mau.

Seu novo filme, "Gran Torino", é o primeiro em que aparece como ator depois de "Menina de Ouro", uma vez que entre essas produções ele fez outras três: "A Conquista da Honra", "Cartas de Iwo Jima" e "A Troca", esta última lançada recentemente, que indicou Angelina Jolie ao papel de Melhor Atriz na festa do Oscar.

Na produção, que estreia nos cinemas dia 20 de março, Eastwood é Walt Kowalski, um veterano da Guerra da Coreia que mora em um bairro tipicamente americano, no Michigan, mas que, dia após dia, assiste aos seus vizinhos mudando de casa e novos moradores se aproximando. A nova vizinhança, porém, é formada por imigrantes, principalmente orientais, os hmong.

No início da fita, Walt aparece no funeral de sua esposa. Ao mesmo tempo, os personagens são apresentados e sua personalidade é acentuada, já que é rabugento, reclamão, não aguenta a convivência com filhos e noras, além, é claro, de sua implicância com os vizinhos, chamando-os de "china". O bairrismo é representado principalmente pelo exagero ao mostrar a bandeira americana hasteada na casa e impressa nos copos, por exemplo.

Ao lado da cachorra Daisy, da raça Labrador, Walt passa horas na varanda de sua casa, e sua maior paixão, como não poderia deixar de ser, uma vez que trabalhou na indústria automobilística por mais de 50 anos, é lustrar seu Ford Gran Torino, ano 1972, que é preservado embaixo de uma capa na garagem. A paixão é alternada entre consertos domésticos (ele tem uma grande gama de ferramentas), cerveja e visitas ao barbeiro, com quem tem uma relação amistosa, embora muito estranha. O ápice da história, porém, acontece quando alguém tenta roubar seu automóvel.

Com roteiro do estreante Nick Schenk, a partir da história que criou com Dave Johannson, o filme trata de relações com a família, com os vizinhos que, como sabemos, muitas vezes são mais importantes que a própria família, uma vez que eles estão sempre por perto, e da relação com a igreja. Entre as cenas, Walt troca conversas nada amistosas com o padre (Christopher Carley), e coloca em dúvida o papel da igreja na sociedade, além de considerar o reverendo "um virgem de 27 anos de idade que estudou demais".

As coisas começam a se acalmar quando Walt cria ligação com o vizinho hmong Thao (Bee Vang) e sua irmã Sue (Ahney Her). E é justamente a partir dessa convivência que Walt começa a conhecer um pouco sobre as diferenças de cultura, a ser tolerante quanto à convivência e a conhecer um pouco sobre sua personalidade, uma vez que ainda não esqueceu as maldades que teve de praticar durante a guerra, quando esteve a serviço dos Estados Unidos.

Como Walt, Eastwood é um senhor caricato, que faz trejeitos para parecer ranzinza, fazendo um barulho com a boca. Ao mesmo tempo, sua atuação ímpar convence o espectador com a macheza que lhe é peculiar, além de mostrar sua cara carrancuda quando enfrenta as gangues que vão lhe perturbar o sono.

Destaque também para a trilha sonora, que mistura rap hmong e latino, além de uma surpresa no final, juntamente com os créditos. Um filme emocionante, capaz de tocar o espectador e fazê-lo refletir sobre sua vida.

quinta-feira, 12 de março de 2009

Entre os Muros da Escola

Pode ser uma forma de entender como se comportam os adolescentes das escolas, assim como os professores dentro da sala de aula e nas salas deles, além de ser uma forma divertida de se recordar dos tempos de colégio (e talvez ter saudade). Mas, mais do que isso, "Entre os Muros da Escola" ("Entre les Murs") é o filme francês que ganhou a Palma de Ouro no Festival de Cannes no ano passado e que foi indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, mas perdeu para "Departures", representante do Japão. Ou seja: um filme prestigiado, premiado e muito, muito bom.

Embora o longa-metragem chegue aos cinemas nesta sexta-feira, 13 de março, na quarta, 11, o diretor Laurent Cantet participou de debate mediado pelo crítico de cinema Sérgio Rizzo, com a presença de Laís Bodanzky, diretora de "Chega de Saudade"; Julio Groppa Aquino, da Faculdade de Educação da USP; e José Ernesto Bologna, do Colégio Bandeirantes. Na ocasião, além de discussões sobre a produção, os presentes aproveitaram para falar sobre educação.

Para o longa baseado no livro homônimo escrito por François Bégaudeau (Martins Fontes, 260 páginas, R$ 29,90), o diretor selecionou o próprio François para fazer o papel do professor e para co-roteirizar a fita que se passa o tempo todo dentro de uma típica escola localizada no "20ème arrondissement", bairro de Paris onde há miscigenação de habitantes e muitos imigrantes, brancos e negros.

No começo do filme, as imagens mostram a apresentação dos professores no início do ano letivo. Eles se apresentam, dizem seus nomes e há quanto tempo estão na escola. Em seguida, François vai para a sala de aula e pede aos alunos de sétima série, entre 13 e 15 anos, para fazerem o mesmo. A partir de então, está travada a relação que existirá ao longo do ano entre os alunos e o professor que leciona francês, justamente fazendo com que o idioma seja motivo de conflito cultural, principalmente porque entre os alunos, assim como no bairro onde estão, alguns são provenientes de diferentes países, colônias francesas ou não. Outro detalhe são as gírias usadas, vindas do gueto. Um típico exemplo de colonizadores e colonizados, mas também de conflito entre adultos e adolescentes; um querendo mostrar respeito, e o outro desafiando sempre.

Nos diálogos, sempre intensos e extensos, há também improviso, uma vez que os alunos do filme são também alunos da escola, ou seja, não são atores preparados nem receberam um roteiro para decorar. E, com a câmera nervosa, muitas vezes na mão, Laurent Cantet mostra como eles se comportam, como vivem dentro da escola, sobre o que discutem etc. "A linguagem tem a própria riqueza, com humor e sarcasmo, e é preciso reconhecer esta beleza", diz Cantet. Como o filme mistura ficção com toques de documentário, tem-se a nítida impressão de que aquela sala de aula pode estar em qualquer lugar do mundo. "O limite entre ficção e documentário é uma linha muito fina e isso me agrada", confessa.

Sobre a escolha de atores não-profissionais, Cantet afirma que apenas algumas pessoas sabem o que acontece entre os muros da escola. Para selecionar os alunos que comporiam o elenco, o diretor organizou workshops de improvisações e cerca de 50 se inscreveram. Durante o período, alguns desistiram. "Foi como fazer um casting, sem fazê-lo. E os 24 que ficaram até o final são os que estão no filme", completa ele.

Como o filme todo se passa dentro da escola, sendo a maior parte na sala de aula, o diretor diz que filmar sempre com o mesmo cenário lhe deu medo no início. "Medo de as pessoas ficarem entediadas, e no final fiquei contente. Parei de ter medo de aborrecer o espectador porque, como fui o primeiro, não me senti entediado", diz.

O filme retrata também um raio-x de como está a escola hoje em dia. "O filme talvez dê uma pista sobre como é possível melhorar as escolas", diz Cantet. Na verdade, seu filme não dá respostas, não mostra o que aconteceu com os bons e com os maus alunos. Como se trata de um filme francês, mais uma vez ele dá a chance de o espectador escolher o final ou ao menos refletir a partir dos ingredientes fornecidos durante a projeção. Ele coloca muitas perguntas e não dá as respostas (ao contrário de produções hollywoodianas, por exemplo). Tenta mostrar o exemplo de uma escola democrática, onde as representantes de classe, aliás, participam da reunião do conselho.

"Na classe, há uma mistura étnica, cultural. Lugar onde a democracia pode ser testada." Ou seja: trata-se de um microcosmo da França, onde há choques entre as diferentes culturas.
Os personagens que mais se destacam, ou seja, aqueles que mais dão trabalho para os professores, no conselho de classe, inclusive, são Souleymane (Franck Keïta), garoto que é levado para a diretoria por muitas vezes, não faz as lições de casa nem leva o material para a sala de aula, Khoumba (Rachel Régulier), que é logo chamada de insolente porque se recusa a ler quando o professor lhe pede e Esmeralda (Esméralda Ouertani), um pouco arredia quando o professor lhe pede para escrever seu nome e colocar à mesa, que provoca conflitos entre alunos e o professor e no final diz que leu "A República", de Platão.

"No dia dessa cena, François conversou com ela sobre o livro. Antes de rodá-la, eu pedi que ela falasse sobre Sócrates como se o conhecesse pessoalmente. Na primeira tomada, ela deu uma interpretação do livro que foi ao mesmo tempo precisa e incompleta. Aquilo me emocionou muito; imagino que seja isso o que os professores sentem em momentos assim", disse no material distribuído para a imprensa.

Imagino que os professores se emocionam, assim como os espectadores poderão se emocionar. No entanto, há espaço também para se pensar em como a profissão é desvalorizada, como os professores ganham pouco para, muitas vezes, aguentar desaforos, desrespeito e até alunos que os enfrentam para que eles sejam punidos. Momento de refletir, pensar sobre o assunto e tentar, cada um, procurar a solução conveniente a cada situação.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Watchmen - O Filme

Na ocasião do lançamento do longa-metragem "300", em 2007, o diretor Zack Snyder esteve no Brasil e comentou em entrevista que, depois de filmar a adaptação do graphic novel "Os 300 de Esparta", já tinha em mente que seu próximo filme seria a adaptação de "Watchmen". No entanto, naquele tempo ele ainda não tinha o elenco definido. Promessa feita, promessa cumprida. Dia 6, chega aos cinemas "Watchmen - O Filme" ("Watchmen").

Snyder é um cineasta entusiasmado, cheio de energia para fazer movimentar as páginas dos quadrinhos na tela grande do cinema (fato que contribuiu para aceitação do estúdio em financiar o filme). Um de seus problemas, porém, é que ele leva o graphic novel a sério demais, como ele levou "300" e leva novamente esta produção, que é sombria, mas tem estética bem elaborada e, literalmente, copia o desenho para a tela com suas cores secundárias - e não preto-e-branco como foi "Sin City", por exemplo, e tons de marrom e vermelho como "300".

Se no filme anterior ele abusou dos efeitos especiais para fazer o cenário, neste ele utiliza cenários reais para contar a história. Sets foram construídos para o filme, como uma réplica da cidade de Nova York, que possui suas Torres Gêmeas intactas, entre outras coisas. Os efeitos especiais estão ali, mas sempre com algum propósito, a serviço da história, e não para só impressionar. Os efeitos de câmera lenta também são bastante explorados.

Baseado na obra escrita por Alan Moore e ilustrada por Dave Gibbons, o filme fala sobre uma América paralela em 1985 na qual super-heróis fazem parte da sociedade, e o "Relógio do Juízo Final" traça o gráfico da tensão entre os Estados Unidos e a União Soviética.

O desenrolar da trama começa quando o Comediante (Jeffrey Dean Morgan) é assassinado e os outros vigilantes mascarados, como Dr. Manhattan (Billy Crudup como o sujeito azul que vive indo para Marte), Rorschach (Jackie Earle Haley com a máscara que se movimenta), Coruja II (Patrick Wilson), Espectral II (Malin Akerman) e Ozymandias (Matthew Goode) querem descobrir quem foi o autor do crime. Então, se eles haviam deixado de vigiar a cidade, logo retomam.

O longa se preocupa de, em flashback, fazer as apresentações dos personagens, mostrar a personalidade de cada um, até chegar à conclusão do motivo que levou o assassino a cometer o . Para isso, porém, Snyder precisou de tempo. Muito tempo, aliás, já que o filme tem 160 minutos de duração.

Com cenas bem-humoradas (mas não muitas), diálogos que abordam o tema político em uma Nova York conturbada em um país cujo presidente é Richard Nixon, o longa vai bem até certo ponto, quando começam inúmeras lutas, revanches, vinganças sem-fim, deixando o espectador entediado e perdido. Snyder leva a adaptação tão a "ferro e fogo", que não poupa a plateia ao mostrar cenas violentas repletas de sangue, torturas e sexo. Dentro da prisão, há um momento em que se pensa que a cena será cortada, mas ele vai até o fim, deixando muita gente desconfortável.

"Watchmen" é um "arrasa-quarteirão" que vai arrastar batalhões para as salas de cinema, mas não chega a ser o novo "Batman - Cavaleiro das Trevas" por ser menos popular, não ter o apelo do Coringa cômico e com diálogos cheio de filosofia.

Prepare a pipoca, acomode-se na poltrona e aproveite: deixe o universo criado por Zack Snyder invadir a tela. De lá, tire proveito se quiser, senão relaxe, divirta-se e prepare-se para o próximo filme-cabeça.

O Menino da Porteira

Refilmagem da produção de 1976, "O Menino da Porteira" volta aos cinemas a partir de 6 de março sob as batutas do mesmo diretor Jeremias Moreira e do produtor Moracy do Val. Em vez Sergio Reis no papel do boiadeiro Diogo, é a vez de o cantor Daniel encarar o papel e soltar a voz.

O longa-metragem é baseado na letra da música sertaneja de mesmo nome composta por Teddy Vieira e Luizinho, e conta a história de Diogo (Daniel), um peão de boiadeiro que, ao tocar a boiada do vilão Major Batista (José de Abreu, muito bom), passa pelo Sítio Remanso, onde conhece o menino Rodrigo (João Pedro Carvalho), que toma conta da porteira, pede ao moço para tocar o berrante e recebe uma moeda. No meio do caminho, ele se apaixona por Juliana (Vanessa Giácomo), filha do major.

Ambientada no interior do sudeste do Brasil, nos anos 1950, a fita foi rodada em Brotas e arredores, e no Pólo Cinematográfico de Paulínia. Do ar livre, eles aproveitaram o canto dos pássaros que fazem parte da trilha sonora. Há momentos em que a fita remete ao recém-lançado "Austrália", e também quando o personagem diz que "boiadeiro não tem dono".

Embora o filme seja previsível por conta do conhecimento da música, "O Menino da Porteira" surpreende positivamente o espectador, uma vez que há boas interpretações e diálogos engraçados, principalmente vindos de Rosi Campos, como Filoca, e de Antonio Edson, como Zé Coqueiro, ainda que utilize frases feitas, ditados populares. Personagens da roça, com sotaque interiorano pra ninguém botar defeito. E a Daniel, que já teve participações em filmes da Xuxa e de Didi, lhe coube a maior parte das cenas envolvida em música, não lhe dando espaço para muitas interpretações, o que não seria o seu forte. O fato de ele cantar muito, porém, é um tanto cansativo, porque ele para o que estava fazendo para cantar, enquanto as imagens em forma de videoclipe se avançam.

Já é sabido o final da história, principalmente por conta da música, mas a forma como ela é contada na tela dá ainda mais tristeza, uma vez que que a música é lenta, a câmera se aproxima dos personagens e dá o toque emoção.

Com imagens que privilegiam cenas externas, como quando aparece a boiada inteira, o longa é uma forma de prestigiar o cinema nacional e uma boa chance de conferir o que se faz bem-feito por aqui.

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Entrevista

Jeremias Moreira e Daniel comentam em entrevista sobre o lançamento do filme

Você se inspirou em filmes de western para filmar?
Jeremias - Cresci em uma cidade do interior onde as pessoas usavam roupas que viam nos westerns americanos, por isso remete a esses filmes.

Como você se preparou para atuar?
Daniel - Foi uma honra quando recebi o convite e antes de filmar fiz mais de 20 dias de laboratório de interpretação. Aceitei o convite porque o personagem tem ligação com a terra, com o gado com o qual eu convivi na infância.

Já aprendeu a tocar o berrante?
Daniel - O boi e o gado não estão familiarizados com o berrante. Eles saem correndo. E eu estou aprendendo a tocar.

Foi difícil filmar as cenas com a boiada?
Jeremias - No
filme anterior foi mais fácil, porque as pessoas estavam acostumadas a sair com a boiada. Hoje foi mais difícil no começo, porque quem estava na lida, estava na lida de fazenda. No final, a boiada já tinha se acostumado com a equipe.

Quando surgiu a ideia de refilmar o longa?
Jeremias -
Em 2005, o sucesso de "Dois Filhos de Francisco" apontou positivamente para o gênero. Aconteceu tudo muito rápido. Em dezembro de 2006 saiu a liberação da Ancine (incentivo à cultura) e dois anos depois estamos com o filme pronto.

Como foi a escalação do elenco?
Jeremias -
Acho que fomos muito felizes na escolha. O menino João Pedro Carvalho foi indicação de uma produtora de casting. O Daniel foi o primeiro nome que surgiu. O filme deveria ter um atrativo, porque deu certo com Sérgio Reis. O Daniel felizmente aceitou.