quinta-feira, 28 de maio de 2009

A Mulher Invisível

A estreia oficial é apenas no dia 5 de junho, mas "A Mulher Invisível" terá pré-estreias em alguns cinemas neste final de semana. O longa-metragem é dirigido por Cláudio Torres ("Redentor"), também responsável pelo roteiro e pela produção. Sendo assim, ele escreveu a personagem que dá nome ao filme, a tal mulher invisível, pensando na atriz Luana Piovani. Na trama ela é Amanda, vizinha de Pedro (Selton Mello), que começa a fazer parte de sua vida, assim que sua esposa (Maria Luiza Mendonça) o deixa e viaja com um alemão.

A partir de então, ele passa a viver a vida de solteiro indo a festas raves, alternando a companhia na cama, de modo que a cada noite uma mulher nova ocupa o espaço deixado. Até que, depois de se isolar (dar "um tempo do mundo", como ele diz em uma passagem), bate a sua porta a mulher próxima ao ideal (ou seja, faz parte de sua ideia): bela, dedicada, adora futebol e não tem crise de ciúme. No entanto, como não é mistério, já que é o mote do filme, ela simplesmente não existe, é fruto da imaginação do rapaz que está desolado por conta da perda da esposa, uma vez que ele tinha o sonho de passar a vida toda com ela, ter filhos etc. Amanda passa a cuidar dele, os dois se apaixonam e vivem a vida de casal.

Então, seu amigo e colega no trabalho (ambos trabalham como controladores de trânsito), Carlos (Vladimir Brichita), começa a desconfiar da paixão, pois ainda não a viu. Cético com relação ao amor, Carlos conhece a vizinha de Pedro, Vitória (Maria Manoella), que acabara de ficar viúva, mas é apaixonada pelo vizinho. Os personagens estão no Rio de Janeiro, mas a história poderia acontecer em qualquer lugar do mundo, uma vez que a maior parte das cenas acontece no apartamento de Pedro, em restaurantes, cinemas etc.

Selton Mello, como já é conhecido do público, vive o personagem de maneira intensa, com senso de humor que lhe é peculiar, timing perfeito para comédia e sempre se destaca quando em cena. Aqui, assim como em "Meu Nome não é Johnny", quando Selton vive o protagonista que se envolve com drogas se tornando um traficante internacional, cortam a luz do seu apartamento (e ele passa a usar luz de velas), assim como cortam o telefone por falta de pagamento. É como se o ator conseguisse lidar muito bem com esses episódios.

Luana utiliza mais os seus atributos físicos para viver esta personagem, uma vez que na maior parte das cenas ela aparece vestindo lingeries (a maioria das peças é dela mesma): um perfeito desfile de calcinha e sutiã, ora comportado, ora ousado, incluindo cinta-liga e corpete. Um dos momentos de destaque do filme é com a participação de Fernanda Torres, que vai à casa de sua irmã, Vitória, para também ouvir a conversa do vizinho através da parede com ajuda de um copo. E Maria Manoella, aliás, é a tal mulher real, de carne e osso, com defeitos, como uma gordurinha aqui, outra ali, com ataque de ciúme.

No longa-metragem "A Garota Ideal", que atualmente está em cartaz nos cinemas brasileiros, o protagonista se apaixona por uma boneca que encomendou pela internet, e de fato acredita que ela é real, fazendo com que o espectador se sinta um pouco constrangido com as cenas em que os dois dialogam. No filme de Cláudio Torres, porém, o protagonista também dialoga com algo irreal, mas o espectador, ao contrário do outro filme, fica mais confortável, uma vez que a personagem, vez ou outra aparece, conversa com o rapaz e faz parecer que é real.

Destaque também para a trilha sonora, que acompanha o estado de espírito dos personagens: música incidental fúnebre quando ele está triste tentando retomar as atividades cotidianas, e rock and roll quando vai dançar, se divertir etc., principalmente músicas de Ramones, Janes Joplin, Lobão.


"A Mulher Invisível" chega aos cinemas com cerca de 200 cópias, conforme adianta o presidente da distribuidora Warner, José Carlos Oliveira, e em um momento em que o cinema brasileiro está em alta, haja vista o recorde de público que "Se Eu Fosse Você 2" atingiu neste ano (mais de seis milhões de espectadores conferiram o filme estrelado por Tony Ramos e Gloria Pires). Segundo o Filme B, aliás, a fita conquistou o primeiro lugar em renda no país (até 25 de maio), e "Divã", com Lília Cabral, está em sétimo local.

Com base nesses dados, embora "A Mulher Invisível" seja um filme previsível e sem grandes aprofundamentos, é possível que conquiste o espectador que vai correr às salas de cinema para acompanhar o novo trabalho de Selton Mello que, de fato, está bem, embora não seja a sua melhor interpretação; as belas curvas de Luana Piovani e a certeza que a tal mulher ideal não existe.

Seja como for, "A Mulher Invisível" é um filme de qualidade, que vale a pena ser conferido, ainda que seja para homenagear o cinema brasileiro ou apenas dar duas ou três gargalhadas com as poucas piadas que de fato são engraçadas e fazem pensar.

Ele Não Está Tão a Fim de Você

Do episódio "He's Just Not That Into You", de "Sex and the City", nasceu o livro homônimo de Greg Behrendt e Liz Tuccillo, que, depois, virou filme com um elenco estelar: Ben Affleck, Jennifer Connelly, Jennifer Aniston, Drew Barrymore, Scarlett Johansson. O filme conta histórias sob o ponto de vista de mulheres que se apaixonam por aqueles que não estão interessados nelas. Tem a garota apaixonada pelo amigo, que não dá bola para ela porque é casado; o casal que mora junto há um tempão mas quando ela fala em casamento a relação vai por água abaixo; a menina que se apaixona pelo bonitão mas entra em crise porque ele não quer nada com ela... Com situações engraçadas e outras ótimas para fazer pensar, o que se viu nos cinemas foi uma louca vontade de os casais realizarem terapia de casal na saída da projeção. Agora chegou a vez de fazer a sessão na sala de casa.

Operação Valquíria

O que aconteceu quando Hitler era chanceler da Alemanha, o holocausto, a 2a Guerra Mundial, as aulas de história já nos contaram. No entanto, é o ponto de vista dos alemães que eram contra as atitudes do nazista que se baseia a narrativa deste filme que chega em DVD e Blu-Ray em 17 de junho. O longa é baseado na história real de conspiração para eliminar Hitler (David Bamber), cujo plano engenhoso é manipulado por Stauffenberg (Tom Cruise). Contrariado com as ordens do Führer, o militar não quis assistir impassível à guerra destruir a Alemanha e boa parte da Europa. O filme é confuso e com excesso de personagens, de modo que o espectador não chega a torcer por um nem se envolver com a narrativa. No entanto, é uma experiência interessante por se tratar da guerra e de um ponto de vista que não nos é tão caro.

Bolt - Supercão

A fita conta a história de quem é o cachorro, que é escolhido na pet shop pela garotinha Penny. Corta e vamos para cinco anos mais tarde. A partir de então, recomeça a história da menina com o cachorro, correndo de um lado para o outro. Então, o espectador se dá conta de que Penny é atriz e o cachorro não tem superpoderes: é tudo trucagem e efeitos especiais para a televisão. Quando pensa que ela está sendo raptada, Bolt foge para salvá-la juntamente com a gata e do hamster. Com aspecto de road movie, a animação é sustentada por um roteiro bem-escrito e personagens engraçados. Outro destaque positivo é a verossimilhança. Agora será possível adquirir três opções de packs: simples, com CD e com camiseta, além de Blu-Ray. Nos extras, o curta inédito "Super Rhino", "Cenas inéditas", "Por trás das Câmeras". O Blu-Ray traz um jogo interativo.

O Leitor

Na Alemanha pós-Segunda Guerra Mundial, Michael (David Kross) começa a passar mal na rua e é ajudado por uma moça mais velha (Kate Winslet). Como forma de retribuir o socorro, ele lhe leva flores e os dois começam a se encontrar regularmente. Durante os encontros, ele lê romances em voz alta, mas ela, tempos depois, desaparece sem dizer para onde foi. O longa é quase um "acerto de contas" da sociedade com as pessoas que fizeram parte do holocausto. Trata-se de um filme sensível, bem-feito, com personagens consistentes, que apresenta uma trama romantizada sobre um dos períodos mais negros da história mundial, cujos reflexos ainda são sentidos.

Dúvida

O longa é a versão para o cinema da peça de John Patrick Shanley, também diretor do filme. Em uma Igreja Católica, o padre (Philip Seymour Hoffman) dá um sermão sobre a dúvida constatando que, como a fé, ela pode ser uma força unificadora entre as pessoas. Então, a irmã Aloysius (Meryl Streep), diretora rigorosa da escola católica, discute o sermão com as suas colegas freiras e desconfia do comportamento anormal do padre. Com jogo força, no qual a freira e o padre disputam quem pode mais, os dois atores disputam também a atenção do espectador, que fica na expectativa de descobrir quem tem razão, principalmente porque as dúvidas são sobre um possível caso de abuso sexual.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

O Amante

Peter (Lian Neeson) dirige uma companhia e Lisa (Laura Linney) é designer de sapatos. No entanto, em um de seus desfiles, ela se mostra distante e pergunta ao marido se nunca desejou ficar com outra pessoa. A partir de então, ele começa a procurar pistas sobre uma possível traição e vai até a Itália encontrar Ralph (Antonio Banderas), o homem que aparece em fotos ao lado da mulher. No meio da busca, porém, Peter descobre não apenas a verdade sobre os dois, mas também os segredos do italiano. Um thriller envolvente que instiga o espectador a querer conhecer o final da história e os mistérios que envolvem a designer e o seu casamento. Neeson segura a trama do início ao fim com sua obsessão de descobrir a verdade.

Budapeste

Com a difícil missão de filmar o livro “Budapeste”, de autoria de Chico Buarque, o diretor Walter Carvalho dividiu os trabalhos entre o Brasil e a Hungria, países onde a narrativa se passa. O filme, que estreia nos cinemas nesta sexta-feira, 22, conta a história do ghost-writer Costa (Leonardo Medeiros) que se apaixona pelo idioma húngaro. De volta ao Rio de Janeiro, ele encontra a mulher Vanda (Giovanna Antonelli) e seu filho, mas o casamento se deteriora. Depois de ler “O Ginógrafo”, que narra as aventuras amorosas do alemão (Antonie Kamerling), Vanda se apaixona pelo autor, pensando ser o alemão. Então, Costa se sente traído e foge para Budapeste, onde conhece Kriska (Gabriella Hármoni). Por achar o húngaro uma língua poética, ele começa a carreira como ghost-writer de suas poesias.

O roteiro é escrito pela também produtora Rita Buzzar, a mesma responsável pelo roteiro “Olga”, baseado no livro de Fernando Morais. Embora Carvalho tenha pouca experiência como diretor (ele fez “Cazuza – O Tempo não Para”, por exemplo), seus trabalhos anteriores como diretor de fotografia são inúmeros, como “Carandiru”, “Central do Brasil”, entre outros. Neste filme, porém, a fotografia é seu filho, Lula Carvalho, que filmou, por exemplo, “Tropa de Elite”. Ele conta no material divulgado para a imprensa que precisou usar diferentes negativos no Rio e em Budapeste, por conta do modo como o sol incide na América do Sul e na Europa.

As cenas que a equipe fazem questão de destacar são aquelas que emitem o frescor do momento, como é possível comprovar quando o personagem de Leonardo Medeiros está em Budapeste e começa a desvendar os mistérios do idioma. Detalhe quando ele estuda as palavras a partir de programas de televisão. Mas é em uma livraria onde vai procurar um livro que ensina o húngaro, “único idioma que o diabo respeita”, que conhece a professora (Gabriella). E é no meio da livraria, com ela andando sobre patins, que os dois se conhecem e desenvolvem uma amizade pouco provável, uma vez que ela não o deixa falar inglês e, até então, ele não sabia nenhuma palavra em húngaro. Embora se tem a impressão que ele aprende o idioma, ele conta que percebeu, depois de começar a estudar antes das filmagens, “que nunca ia aprender húngaro na vida”. Foi aí que ele apenas decorou as palavras e tinha um alfabeto fonético.

Como o personagem do filme, Leonardo Medeiros está bem, mas o ator, em quase todos os filmes que faz, parece estar fazendo o papel de si mesmo, já que parece ter sempre a mesma aparência, os mesmos trejeitos, ao contrário do ator que se transforma para viver determinado personagem.

Giovanna, como esposa do protagonista e apresentadora de telejornal, também não cativa o público por sua atuação, mas as cenas em que ela aparece, consegue interpretar de maneira natural, fazer cenas de ciúmes para provocar o marido, ser sensual para o amante e mostrar que tinha, de fato, vontade de engravidar quando se casou com Costa.

Além de ser autor do livro, a contribuição de Chico Buarque no filme foi ler o roteiro e fazer uma participação especial, que foi apenas uma homenagem, já que sua atuação não acrescenta nada à narrativa. “Eu tenho o papel de mim mesmo, sou eu mesmo pedindo autógrafo ao protagonista do meu livro. A única dificuldade é que eu tenho que falar uma pequena frase em húngaro”, diz Chico, brincando que repetiu a frase por 24 horas. O convite partiu do diretor, dizendo que queria que ele “desse uma de Hitchcock”, o diretor inglês que sempre aparecia em seus próprios filmes. Chico conta também que escreveu o livro antes de conhecer a cidade. “Tinha uma ideia dela. E quando eu fui, fiquei com medo de encontrar na realidade uma coisa que imaginei tanto, e foi engraçado porque muita coisa que eu tinha sonhado, realmente, correspondia à realidade, embora o livro nunca tenha tido essa intenção porque não é um livro realista. Mas tem muitas coisas que foi me surpreendendo nesse sentido. Parece que eu tinha adivinhado mais do que sonhado com a cidade.”

A trilha sonora não tem músicas de Chico Buarque, a não ser a versão em húngaro de “Feijoada Completa”, cantada por Ary Byspo e pelo cantor húngaro András Domján. Os versos foram traduzidos pelo tradutor do livro e do roteiro, o professor Pál Ferenc.

“Budapeste” não é um filme primoroso, no qual é possível sair da poltrona do cinema e pensar sobre o assunto ou ter vontade de assisti-lo novamente, inúmeras vezes porque é imperdível. Mas há cenas cativantes, momentos em que é possível prender a atenção do espectador, além de ter paisagens lindas e passagens poéticas, como quando o protagonista fala que “a verdadeira poesia desaba por dentro”.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Maratona blockbuster

A cada semana que passa, ir à estreia de blockbuster no final de semana está cada vez mais difícil. É uma verdadeira maratona chegar com antecedência ao cinema, estacionar o carro, comprar o ingresso se ainda tiver lugar - como já aconteceu recentemente, aliás, mais de uma vez, de eu chegar na bilheteria e ter de voltar pra trás.

Enfim, para não ser pega de surpresa na estreia de "Anjos de Demônios", tratei de comprar o ingresso pela internet. A taxa de conveniência até que vale a pena (R$ 2,40). No entanto, ninguém me avisou que a entrega via celular poderia ser "a inconveniência". Isso porque fiquei esperando o tal código chegar via SMS e nada. Antes de sair de casa, imprimi o comprovante e fui para o cinema. Quando cheguei à sala, a fila já estava sendo formada. E como o meu tíquete era eletrônico, a pessoa na porta da fila me disse que era só apresentar o código ali e já seria liberada. Mentira. Com o código, preciso ir para a bilheteria e trocar o ingresso - para isso o gerente resolveu me ajudar e não peguei fila. Caso eu tivesse pedido para imprimir em casa, o ingresso já sairia com o código de barras e todo o trabalho seria desnecessário. O mesmo aconteceria se eu tivesse pedido o código via cartão Visa, pois o funcionário da ponta da fila passa o Visa na máquina e, voilà, a entrada é liberada. Entre tantas opções, como se vê, escolhi a pior.

Mas a maratona não para por aí. Como era o final de semana de estreia do filme, o cinema estava lotado. Fiquei na terceira ou quarta fila do caracol. Eu estava mais ou menos em 200º lugar para entrar em uma sala que tem quase 400 lugares. Assim que a sala foi liberada, corri para pegar a poltrona em um bom lugar. Fiquei do lado esquerdo de quem olha para a tela, do meio para o final. Nada mal.

E o filme começou, assim como o suspense. Todos se comportaram desta vez, ainda que a sala estivesse lotada, incluindo as poltronas da frente que, sinceramente, deveriam ser excluídas. Ninguém ficou consultando as horas no celular nem chutando a minha poltrona. Ao final, mais uma maratona: a de sair da sala, dar uma baita volta por trás, enfrentar a fila do caixa do estacionamento, a fila do próprio estacionamento e assim por diante.

No final das contas deu tudo certo e me diverti. Ufa.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Diretor e elenco falam sobre "Budapeste"

Em São Paulo para divulgar o lançamento do longa-metragem "Budapeste", elenco, produção e direção falaram à imprensa sobre como nasceu o filme e como foram as filmagens que aconteceram no Brasil e na Hungria, sendo lá durante quatro semanas. Depois de ler o livro no qual o filme é baseado e escrito por Chico Buarque, a roteirista e produtora Rita Buzzar ficou com vontade de adaptá-lo ao cinema. Como já tinha experiência anterior, já que fez o mesmo com "Olga", de Fernando Morais, ela procurou o autor. "Demorou, porque Chico tinha dúvidas [sobre a adaptação]."

"Budapeste" conta a história do ghost-writer Costa (Leonardo Medeiros) que se apaixona pelo idioma húngaro. De volta ao Rio, ele encontra sua mulher Vanda (Giovanna Antonelli) e seu filho, mas o casamento se deteriora. Depois de ler um livro que narra as aventuras amorosas de um alemão, Kaspar Krabbe (Antonie Kamerling), no Brasil, Vanda se apaixona pelo autor, mas pensa ser o alemão. Então, Costa se sente traído e foge para Budapeste, onde conhece Kriska (Gabriella Hármoni). Por achar o húngaro uma língua poética, ele começa a carreira como ghost-writer de suas poesias.

Segundo Rita, há elementos no filme que não existem no livro, como a estátua do escritor anônimo, o barman que sobreviveu aos russos, os sonhos do protagonista. "Chico leu duas vezes o roteiro integralmente antes de filmarmos", completa.

Para a direção, foi convidado Walter Carvalho, que tinha experiência como diretor de fotografia em filmes como "Central do Brasil", "Carandiru", além de ter dirigido "Cazuza - O Tempo não Para". "Foi uma epifania [filmar em dois países]. Lá só se fala húngaro e poucos falam inglês ou francês. O assistente de direção Rafa Salgado dava ordens, mas logo conquistou as pessoas ao seu redor. Nos falaram que mudamos ou o jeito de filmar, pois aprendemos húngaro e eles, português", completa Walter. "Isso é interessante, porque o livro trata dessa mistura do idioma", acrescenta Rita.

Se no filme temos a impressão que o protagonista domina o idioma, durante entrevista ele confessa que não aprendeu nada. "Quando comecei a estudar, três meses antes de começar a filmar, percebi que nunca ia aprender húngaro na vida. Me propus a fazer um mergulho nas falas dos personagens e por isso eu tinha um alfabeto fonético", completa, brincando que também nunca aprendeu "carioquês".

Também na entrevista coletiva, a atriz húngara Gabriella Hármoni diz que conhecia um pouco do cinema brasileiro (ela assistiu ao "Cidade de Deus", de Fernando Meirelles). Atualmente, o que mais chega do Brasil em seu país são os programas de televisão e as novelas. Ela conta também que havia lido o livro um ano antes. "Eu li e gostei, mas não fez sucesso porque há muitos clichês sobre a Hungria." Se ao mesmo tempo em que ela diz ter orgulho de ser húngara porque, entre outras coisas, é um povo cauteloso e que dificilmente aceita algo de imediato, ela conta que não sabe o que a fez aceitar o convite para o filme. "Mas não estou preocupada no momento com a carreira internacional", conclui. Ela afirma que trabalhar com o Walter foi fácil, mas como recebia as ordens traduzidas, procurava entender a partir de seu olhar e pela musicalidade das palavras.

Frescor da cena
Ao chegar em Budapeste, foi pedido que Leonardo Medeiros não saísse muito do hotel antes de começar a filmar. Isso porque o diretor queria que seu primeiro contato com a cidade fosse o mais real possível. Assim, ele só conheceu a atriz no momento em que se viram dentro de uma livraria. "Parece que existe uma mística em relação a este encontro, mas como o Waltinho queria fazer, me propus. Vi o filme hoje e não sei se as pessoas sentem o mesmo, mas é uma sensação de liberdade." E o diretor reintera: "Fizemos a cena três vezes e a que está no filme é a primeira." Gabriela diz não se importar com o filmar de improviso ou não. "Tentei levar a sério a história do frescor e não procurei a foto do Leonardo na internet", diz ela.

No Brasil, serão 80 cópias e a estreia está marcada para o dia 22 de maio. Na Hungria e em Portugal, países que contribuíram com o orçamento de R$ 6 milhões, sendo que R$ 3,8 milhões saíram do Brasil, a previsão é que estreie no segundo semestre.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Star Trek

O diretor e principalmente produtor J.J. Abrams é o responsável por fazer fanáticos do mundo todo esperar, há cinco temporadas, cada episódio do seriado "Lost". É bem verdade que seus trabalhos tenham sido focados mais em televisão que em cinema. No entanto, ele teve sucesso quando filmou "Missão Impossível 3", lançado em 2006. Desta vez, ele chega aos cinemas brasileiros com o novo lançamento que promete conquistar fãs que já existem e fazer novos adeptos. Isso porque ele foi o responsável por dirigir e produzir "Star Trek", longa-metragem baseado na série de televisão ("Jornada nas Estrelas") que fez muito sucesso nos anos 1960.

O filme, que estreia nesta sexta-feira, dia 8 de maio, terá 275 cópias legendadas e dubladas. O número, para se ter uma ideia, não é muito, já que o filme "X-Men Origens: Wolverine", que estreou na semana passada e ficou em primeiro lugar no final de semana, tinha mais de 500. A diferença do número de cópias (sem se ater ao investimento das distribuidoras) é que "X-Men" é personagem de quadrinhos, cujos fãs são os jovens, justamente os que vão frequentem os cinemas.

"Star Trek", filme baseado em série que existe há mais de 40 anos, tem fãs mais velhos e talvez não frequentem os cinemas com regularidade - principalmente em estreias, quando as salas ficam abarrotadas de gente.

Para quebrar o primeiro questionamento sobre o sucesso ou não de "Star Trek", aqui vai a minha percepção, que nunca assisti a uma temporada completa ou a qualquer filme: o filme não é só bom porque é bem-feito, bem produzido, repleto de efeitos especiais (justificáveis, é bom dizer), mas principalmente porque o roteiro é conciso, bem construído e, o mais importante, para formar novos fãs: conta a história criada por Gene Roddenberry desde o seu início, ou seja, desde quando Spock e Kirk se odiavam.

Na trama, que começa movimentada com uma cena de ação dentro da nave, uma mulher vai dar à luz em pleno espaço. É quando nasce James Tiberius Kirk (Chris Pine). Alguns anos se passam e ele se torna um adolescente rebelde de Iowa. Em outro lugar está Spock (Zachary Quinto), um vulcano de orelhas pontudas que é excluído por ser filho de uma mulher humana. A explicação de seu pai, no entanto, é incisiva: "Sou embaixador na Terra e por isso preciso conhecer o comportamento dos humanos. Casar com sua mãe foi lógico." E é com diálogos como esse, irônicos e cheios de bom humor, que o filme se desenvolve. Além das orelhas pontudas, os vulcanos são parecidos, pois têm o mesmo tipo de corte de cabelos (franjinha reta) e sobrancelhas para cima. O figurino como um todo chama a atenção, pois as mulheres (como a sexy Zoë Saldana, no papel de Uhura) usam vestidos curtos com botas de cano longo (super na moda!) e, como estão em uma escola, o uniforme é vermelho. Do lado do mal, o novo personagem da trama, capitão Nero (Eric Bana, irreconhecível).

Embora Spock seja excluído por ser metade humano, ele é um aluno aplicado e o primeiro de sua raça a ser aceito na Frota Estelar. Por ser determinado, é de sua autoria as questões do teste que pode aprovar ou não os próximos alunos. É aí que Kirk o conhece e é mandando embora. No entanto, com a ajuda do médico, ele segue para a missão dentro da nave Enterprise e... Bom, melhor ver o filme.

Uma das coisas que se pode dizer sobre o filme é o fato de terem humanizado os personagens (ainda que muitos sejam extraterrestres!), de maneira que foca o problema na morte da mãe de Kirk, no fato de a mãe de Spock ser humana, de modo que eles têm sentimentos e sofrem com as perdas, e com os ganhos, uma vez que se apaixonam também. Outra chance para fazer humor é dada ao engenheiro da nave, Scotty (Simon Pegg), que pôde ser visto recentemente em "Um Louco Apaixonado". E também pelo oficial Pavel Andreievich Chekov, cujo sotaque russo é engraçadíssimo.

Se "Star Wars" não arrastou o sucesso que poderia, haja vista serem seis filmes, "Star Trek" tem tudo para agradar todos os públicos, seja um trekker ou não. Caso saia do cinema com vontade de (re)ver os episódios da série e de tentar fazer aquele sinal com a mão não se preocupe, acontece. Agora, é torcer para que o novo "Star Trek" tenha vida longa e próspera!