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Ainda que os outros X-Men tenham sido criados por Stan Lee e Jack Kirby mais de 40 anos atrás, Wolverine só fez a sua primeira aparição em 1974. No entanto, o personagem é o primeiro a ganhar um filme só seu. Segundo a distribuidora Fox, é apenas o primeiro capítulo da série "X-Men Origens: Wolverine" ("X-Men Origins: Wolverine"). Desde 2000 e a cada três anos, os mutantes saíram dos quadrinhos para contar sua história nos cinemas. O último, lançado em 2006, foi "X-Men: O Confronto Final", que deu mais destaque ao personagem Wolverine, vivido por Hugh Jackman.
Para contar como suas garras retráteis são feitas de adamantium, foi escalado o diretor Gavin Hood (vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro por "Tsotsi" e diretor de "O Suspeito", com Reese Witherspoon, Meryl Streep e Jake Gyllenhaal). Ainda que a estreia mundial esteja marcada para o dia 1º de maio, no Brasil o filme chega nesta quinta-feira, 30. Segundo a distribuidora, serão mais de 500 cópias dubladas e legendadas. No entanto, o DVD pirata já está à venda e o filme pode ser baixado da internet. A versão que se vê, porém, é inacabada, de modo que os efeitos especiais não estão incluídos. E isso, pasme!, é praticamente o filme inteiro!
A fita reúne a Equipe X liderada por William Stryker (Danny Huston) e é composta pelos mutantes: Wolverine, seu irmão Victor Creed, o selvagem Dentes-de-Sabre (Liev Schreiber); Wade Wilson, especialista na esgrima Deadpool (Ryan Reynolds); o atirador Agente Zero (Daniel Henney), o teleportador Wraith (Will.I.Am), Fred J. Dukes, o obeso Blob (Kevin Durand); e o manipulador de eletricidade Bradley (Dominic Monaghan). Mas é principalmente a relação de Stryker com Wolverine que o filme enfoca. Isso porque é essa "amizade" que definirá o passado e o futuro de Logan.
O começo do filme vai bem, conta-se a história a partir do Canadá, quando Logan era criança e assiste ao pai morrer, e tenta se controlar com suas garras, que insistem em aparecer quando está em perigo. Mas, depois de adulto, ele segue para guerras, como a Guerra Civil Americana, I e II Guerras Mundiais e a do Vietnã, de modo a enfrentar o inimigo e seus problemas, já que passa a conhecer o lado trágico de seu romance com Kayla Silverfox (Lynn Collins), principalmente porque ele e outros mutantes passam por uma experiência secreta que custa milhões.
Um dos destaques, porém, é o lado psicológico do protagonista, uma vez que se trata de uma pessoa perturbada por seu passado e que vê, a cada dia, uma nova tragédia e sonha com ela durante a noite. Quando perde a namorada, Logan tem a intenção de se vingar daquele que lhe fez sofrer. No entanto, o final vai explicar o que acontece.
Há vários problemas em "X-Men Origens: Wolverine". Entre eles o ritmo, que começa bem, mas cai do meio para o final. É verdade que não se trata de nenhuma obra-prima digna de Woody Allen, quando se fala em diálogos bem construídos. É a força física (pancadaria), a música e o som barulhentos que falam mais alto e não dão lugar para aprofundamento nos personagens.
"X-Men Origens: Wolverine" é um filme repleto de ação e efeitos especiais, o tipo de filme feito para "desligar o cérebro" e se divertir com um saco de pipoca no cinema. Ah, sim, e não saia da sala de exibição antes de terminarem todos os créditos para assistir a mais uma cena.
Mesmo a contragosto da família, os personagens vividos por Nia Vardalos e John Corbett, em "Casamento Grego", lançado em 2002, enfrentam todos os preconceitos (já que ela é grega ortodoxa e ele norte-americano e protestante) e ficam juntos no final (basta entender o nome do filme). Atriz e autora do roteiro, Nia não participou de várias outras produções cinematográficas de lá pra cá. Neste meio tempo, aliás, ela escreveu e estrelou o longa "Connie and Carla", de 2004 – que não passou pelas telas brasileiras –, e participou de séries de televisão.
Nesta semana, porém, ela volta aos cinemas ao lado de John Corbett a partir do dia 24 de abril, com o filme em que ela não apenas escreve e atua, mas também o dirige. "Eu Odeio o Dia dos Namorados" ("I Hate Valentine's Day") é uma comédia romântica capaz de fazer o espectador se divertir à custa dos seus dramas que acontecem quando conhece um novo rapaz.
No filme, Nia Vardalos é Genevieve, dona de uma floricultura em uma cidade movimentada e faz contagem regressiva para chegar o Dia dos Namorados e, então, vender buquês de flores a rodo. Em um desses dias ela conhece, dentro de sua loja, um rapaz que está abrindo um restaurante no bairro. Greg (John Corbett), então, a convida para a inauguração e, daí pra frente, está dada a largada para os acontecimentos comuns em comédias românticas.
Um dos pontos altos do longa é o senso de humor. Nia Vardalos é boa no assunto e ela incrementa ainda mais neste filme quando tira sarro de encontros amorosos, como quando informa aos amigos sobre sua técnica, que consiste em resumir encontros em apenas cinco vezes, até que dá o fim neles e não se envolve mais com a mesma pessoa. Isso porque, segundo sua teoria, é uma maneira de não sofrer e sempre estar no controle da situação.
A graça tem ainda mais graça com a contribuição da amiga (Zoe Kazan), uma vez que ela é craque em se apaixonar pela pessoa errada. Ou melhor: ela mal conhece o cara e já faz a busca por seu nome no Google para conhecer onde está pisando.
Se não temos visto Nia Vardalos com frequência, o mesmo não acontece com John Corbett, que fez participações na série "Sex and the City" e em filmes, como "Os Reis da Rua", entre outros. Ambos em cena, há a química que funciona e preenche a lacuna que o longa pede. Na direção, Nia destaca cenas convencionais e outras nem tanto, de modo que não traz nenhuma inovação ao cinema, mas cumpre o papel de mostrar as boas cenas ao espectador.
Embora o filme seja previsível, os 90 minutos em que ele está na tela são aproveitáveis e prazerosos. Em "Eu Odeio o Dia dos Namorados", é fácil de se identificar, rir dos próprios erros que são projetados na tela e se divertir com as cenas interpretadas por Nia Vardalos. O tempo no cinema é curto. Porém, com "gordurinhas" a mais, a fita viraria um tédio, no qual não se consegue pensar em outra coisa senão dar o fora dali.
Alex Proyas é um diretor especialista em filmes para a televisão e videoclipes. Para o cinema, fez a ficção científica "Eu, Robô" e, há duas semanas, estreou no Brasil com seu longa-metragem “Presságio” (“Knowing”). Na fita, Nicolas Cage é um professor cujo filho recebeu uma carta na escola, que estava dentro da cápsula do tempo enterrada 50 anos atrás.
O filme começa justamente mostrando a escola no ano 1959, quando a professora pede aos alunos que façam desenhos para serem depositados na cápsula do tempo que só seria aberta cinco décadas depois. A ideia era que os desenhos fossem feitos a partir do tema “Como você acha que será o mundo no futuro?”. Apenas uma das crianças, uma menina (com cara de perturbada), não faz desenhos, mas escreve números sem parar. Na frente e no verso da folha.
Como não poderia ser diferente em um filme previsível, esse envelope com a folha cheia de números é a que cai para o filho do professor. De olho nas coisas do filho, ele pega a tal folha e começa a refletir sobre que tipo de código poderia ser aqueles números.
É a partir de então que o espectador pode começar a olhar com desconfiança para o filme. Isso porque, com um monte de número juntos, o personagem começa a descobrir que eles, na verdade, são datas que determinam desastres e se comprovam que muitos aconteceram nos últimos 50 anos. A primeira data que ele confirma, aliás, não poderia ser outra senão 11 de setembro de 2001 (!). Daí pra frente, com a ajuda da internet, ele vai assinalando os desastres.
Três deles, porém, ainda não aconteceram, e é com esse dado em mãos que Cage parte para a loucura do filme, que é dar uma de salvador ou super-herói, como quiser, para que a profecia (ou será o presságio?) não se confirme.
Assisti a este filme sem pretensão nenhuma, sem conhecer a história e saí de lá arrependida. Na verdade, não é bem um arrependimento, mas esse sentimento estranho só veio minutos antes do final, porque o filme, apesar da história forçada, vai bem, envolve o público (que talvez se interesse por saber quais serão esses desastres), mas há uma determinada cena (que eu prefiro não contar, porque você, caro leitor, ainda pode querer vê-la) em que Nicolas Cage se ajoelha em um campo. Neste momento, eu digo, nem ele acreditou no que estava por vir e caiu de tristeza. (Desculpa, não resisti.)
Embora ainda tenha cenas bem-filmadas, como a do metrô, há outras que não descem, como as sequências de incêndio que tomam conta da narrativa e serão responsáveis pelo apocalipse (ou será o inferno?). E algumas coisas sem repostas, como as pedrinhas pretas que são dadas por seres sussurrantes que só são ouvidos por duas crianças.
“Presságio” peca por não ter um foco, por misturar religião, física e adivinhação. Peca por ter um final que beira o risível, principalmente quando ensaia um recomeço após o apocalipse.
Nos Estados Unidos, o filme ainda está entre os 10 primeiros mais vistos do final de semana. No Brasil, ocupa a quarta colocação. Na sessão em que eu estava, no domingo, dia 19, a sala três do Cinemark Eldorado, que tem 265 lugares, estava praticamente lotada. Nada mal no meio do feriadão para um filme ruim.
Demorei a escrever este post, mas vale a pena. Primeiro porque eu não acreditei no que estava acontecendo; segundo, porque pode acontecer de novo; terceiro, porque pode ser com você. Vamos aos fatos.
Saí de casa no feriado, dia10 de abril, para assistir à pré-estreia de “Eu Odeio o Dia dos Namorados”, filme que chega ao circuito nesta sexta, dia 24 de abril. A sessão, segundo o Guia do Estadão, estava marcada para às 20h45, no Bristol (lê-se PlayArte).
Pois bem. Cheguei à bilheteria uma hora antes de o filme começar e fiquei esperando a minha amiga. Olhei na tevê as sessões seguintes que haveria por ali e não estava indicando que a sala 7 exibiria a tal pré-estreia.
Sem pensar, entrei na fila e pedi uma entrada para a sessão. Peguei, paguei e continuei esperando a minha amiga chegar. Até que ela me ligou para dizer que estava presa no trânsito e pediu que eu comprasse a entrada dela. É agora, pois, que começa a verdadeira história que eu quero contar.
Entrei novamente na fila e, com o cartão de débito em punho, pedi à bilheteira:
- Uma inteira para “Eu Odeio o Dia dos Namorados”, por favor.
- Não estamos aceitando Visa – pelo menos foi o que eu entendi.
- Mas o meu não é Visa, é Redeshop.
- Então, só aceitamos Visa.
Ok. Peguei uma nota de 20 reais e pedi novamente.
- Este filme não está mais em cartaz – ela disse.
- Como não? – nem estreou, pensei.
- Não, não está.
- Moça, acabei de comprar outro tíquete, olha (mostrei o meu pra ela, olha ele lá em cima amassadinho). Está na sala 7.
- Ah, é verdade. Mas é em 3-D.
- Como 3-D, moça? Não é “Dia dos Namorados Macabro”.
- Ah, sim, custa 19 reais a entrada.
Entreguei a nota e disparei:
- Moça, você trabalha aqui?
Sem olhar pra mim e sem responder a pergunta, ela empurrou o tíquete com uma moeda de um real de troco e chamou o próximo da fila. Minha amiga chegou e fomos rir com a Nia Vardalos em um filme em que ela escreve, atua e dirige (não necessariamente nessa ordem).
Para completar, durante a sessão inteirinha, na minúscula sala 7, um casal gay ficou de ti-ti-ti. Só um deles falava. Comentava a cena com o companheiro e ficava repetindo as frases em inglês, como se estive no curso de línguas. Cada vez mais as pessoas acham que estão na sala de casa assistindo ao DVD e pensam que podem ficar falando o tempo todo. Tá certo que a sala é pequena, mas... Minutos antes do final, dei uma olhada para trás com cara de brava e ele sossegou. Antes eu tivesse olhado antes...
Na bilheteria, “Um Louco Apaixonado” (“How to Lose Friends & Alienate People”) não foi nada bem. Estreou em 27 de março e, menos de um mês depois, saiu de cartaz. O problema, em minha opinião, não é porque o filme é ruim. Ao contrário. Gosto do humor inglês interpretado pelo protagonista Sidney Young (Simon Pegg). No filme, ele faz um jornalista da revista Post Modern Reviews, cujo esporte favorito é ironizar e flagrar gente famosa em atos obscenos. A redação funciona em uma sala bagunçada. No entanto, sua sorte começa a mudar quando o editor de uma revista de grande circulação em Nova York o convida para trabalhar e levar o seu humor ácido junto.
Daí pra frente já dá para imaginar o que vai acontecer, mas o mais interessante são os diálogos engraçados, o bom humor presente quando está em cena, as confusões que causa com sua musa Sophie Maes (Megan Fox). Mas é com a jornalista Alison Olsen (Kirsten Dunst) que ele aprende a lidar com as celebridades norte-americanas e a correr atrás do seu verdadeiro sonho.
Dirigido por Robert B. Weide, que praticamente está estreando no cinema, uma vez que ele havia feito séries de televisão e apenas um filme, que na verdade foi um documentário em preto e branco, um dos problemas de “Um Louco Apaixonado”, em primeiro lugar, foi a troca do título.
Não me canso de perguntar por que a distribuidora brasileira não optou pelo título literal, uma vez que a fita é baseada em um livro que também foi publicado no Brasil sob o título “Como Fazer Inimigos e Alienar Pessoas”, de Toby Young (Editora Record, 384 páginas, R$ 41)?
Não li o livro ainda (ele está na mesa de cabeceira), mas o filme tem um final piegas. Durante o tempo todo ele vai bem, mas no final escancara a pieguice na tela. Ainda assim, é um filme divertido, bom para rir das trapalhadas do personagem que tira sarro das celebridades, usa o humor sarcástico para debochar de Hollywood e das revistas de fofoca. Pena que o público não entendeu e, portanto, não prestigiou a produção.
Adaptação do livro de Martha Medeiros, que já foi adaptado no teatro, "Divã" agora estreia nos cinemas com Lília Cabral no papel principal. Dirigido por José Alvarenga Jr., o mesmo responsável por "Os Normais - O Filme", o longa-metragem chega a partir de sexta-feira, dia 17, à tela grande. Além dela, completam o elenco José Mayer, Reynaldo Gianecchini e Cauã Reymond.
"Divã" trata da história Mercedes, uma carioca de 40 anos (ou talvez mais), que está passando pela crise da idade, e resolve procurar um analista para ver se algo está errado em sua vida.
O filme começa exatamente neste ponto. Quando ela entra no consultório do dr. Lopes (que não aparece, está sempre de costas, apenas fazendo gestos com a cabeça). Os diálogos, que na verdade são monólogos, são feitos pela protagonista que adivinha e informa ao espectador o que o especialista está dizendo/pensando.
Intercalando imagens do consultório com a própria vida, o filme vai mostrando aos poucos quem é Mercedes, o que ela faz, com o que trabalha, como vive e o que a perturba. No decorrer da fita, o espectador vai descobrir que ela é casada com o personagem interpretado por José Mayer, que geralmente não lhe dá atenção, uma vez que suas "crises acontecem sempre nas finais do futebol". O casal está junto há mais de vinte anos e tem dois filhos. Professora de matemática, Mercedes dá aulas particulares e, nas horas vagas, se dedica às artes plásticas, sua atual vocação. Filosofando a respeito dos desejos que tem, informa que pinta aquilo que lhe falta. Na terapia, ela também trata da morte da mãe que aconteceu quando tinha apenas oito anos. E depois ela parte para o ataque, para acabar com aquilo que lhe traz infelicidade.
Nem tudo é drama, porém. Embora o longa trate das dores de se ter 40 anos, de ter tantos anos de casado, a personagem aproveita esses percalços para fazer graça, para se livrar de alguns preconceitos e de coisas convencionais. Ao contrário. Mercedes é fora do comum. Ao lado da amiga Mônica (Alexandra Richter), as duas comentam sobre como lidar com os respectivos maridos, por exemplo, quando eles arrumam uma amante. E é a partir dessas conversas que ocorre o desenrolar da história, que vai acompanhar a vida das duas que possuem personalidades opostas.
Um dos momentos que tenta ser engraçado (mas não consegue ser o tanto quanto deveriam) é a passagem que acontece no salão de cabeleireiros e o profissional praticamente defende uma tese do motivo pelo qual a cliente lhe pediu para repicar o cabelo. A tentativa da explicação é boa, mas faltava um pouco mais.
Outra cena que chega a dar um pouco daquela "vergonha alheia" é quando vemos a cena da boate, quando a moça vai para a balada com o garotão e começa a dançar, falar gírias sem parar, de modo que ambos pareçam ter a mesma idade. Mas um pouco mais adiante há uma cena dantesca que se passa no banheiro e chega a ser risível.
Alvarenga peca em alguns momentos, mas principalmente porque ele pincela demais, e não se aprofunda em nenhuma situação. O mesmo acontece quando Mercedes conhece Theo (Gianecchini) e Murilo (Reymond). E esse é um dos problemas do filme, que não prende a atenção do espectador.
"Divã" é uma história caricata, feita de maneira convencional, com personagens previsíveis. Lília Cabral consegue segurar a trama quando está em cena, empresta sua personalidade e sua experiência a Mercedes, mais ainda assim lhe falta algo que não foi inserido no contexto para dar a liga perfeita.
Quando um filme é baseado em um livro, as pessoas que já leram a obra frequentemente se perguntam se o filme é igual, se é apenas parecido etc. O problema, porém, acontece quando o livro tem fãs incondicionais, de modo que eles se sentem "pessoalmente" ultrajados quando um filme é baseado em um livro, mas deixa a desejar. Os últimos exemplos foram "Ensaio Sobre a Cegueira", "O Código da Vinci", "O Senhor dos Anéis", a série "Harry Potter" e muitos outros.
Desta vez, porém, chega ao Brasil, na quinta, dia 9 de abril, a comédia "Os Delírios de Consumo de Becky Bloom" ("Confessions of a Shopaholic"). O filme é baseado nos dois primeiros livros da série escrita por Sophie Kinsella, "Os Delírios de Consumo de Becky Bloom" e "Becky Bloom - Delírios de Consumo na 5a Avenida". O primeiro livro foi lançado no Brasil em 2002, o segundo na sequencia e, desde então, outros três vieram: "As Listas de Casamento de Becky Bloom", "A Irmã de Becky Bloom" e "O Chá-de-Bebê de Becky Bloom". À época de seu lançamento, se falava que a protagonista "a nova Bridget Jones".
Embora Bridget tenha tido mais sucesso que Rebecca (ao menos em popularidade, uma vez que no total, a série Becky Bloom vendeu no país mais de 90 mil exemplares), ambas são engraçadas, mas a diferença é que Bridget está sempre de dieta e esperando o homem ideal, enquanto Becky só pensa em ser feliz com as novas aquisições das lojas de grife e quer ficar em paz com o seu cartão de crédito.
É fato que as fãs, principalmente, tenham se decepcionado com o segundo filme, "Bridget Jones - No Limite da Razão", principalmente porque há divergências entre a história do livro e aquela levada para a tela grande. É chato ter de alertar, entretanto o mesmo acontece com "Os Delírios de Consumo de Becky Bloom". Quem não leu o livro vai "cair de paraquedas" na história, uma vez que não se explica de onde Rebecca Bloomwood (Isla Fisher, de "Três Vezes Amor") veio, no entanto ela já aparece no meio de lojas em Nova York e, em um belo dia, conhece aquele que será o grande amor de sua vida, Luke Brandon (Hugh Dancy), que tem um forte sotaque britânico mas vive na Big Apple. Ele é do tipo cara perfeito, embora tenha a barba por fazer e não saiba combinar o terno com a gravata muito bem. Porém, quando quer, sabe "falar Prada" como ninguém.
Essa confusão ocorre por causa da mistura dos dois primeiros livros, já que o primeiro se passa em Londres (sim, Becky é inglesa, apesar de não ter sotaque no filme) e, no segundo, ela segue para os Estados Unidos.
Comparações entre literatura e cinema à parte, o que se vê na tela é uma garota divertida e ótima nas compras, jornalista que sonha em trabalhar na revista de moda que lê desde a adolescência, mas tudo o que consegue é uma vaga na publicação de economia graças ao texto que escreveu sobre compras, mas usando metáforas, justamente o que agradou ao editor, pois ela fez da economia (um assunto chato e maçante), uma história simples para o leigo. O problema é que ela dá conselhos, mas não sabe segui-los. Da noite para o dia, Becky se torna uma das colunistas mais lidas e respeitadas não apenas naquele país, mas também no exterior. No entanto, os percalços ainda estão por vir, e é com a sua desgraça (com o perdão da palavra), que o espectador vai acompanhar a sua saga e se divertir a valer com as suas trapalhadas, desculpas esfarrapadas e seu jeito meigo de conquistar o seu amor, manter a amizade com a melhor amiga Suze (Krysten Ritter) e, talvez, conquistar o emprego dos sonhos na revista de Alette Naylor (Kristin Scott Thomas).
O diretor australiano P.J. Hogan, de "O Casamento do Meu Melhor Amigo", aponta suas lentes para uma Nova York das grifes e mostra o timing cômico perfeito de Isla Fisher, que utiliza trejeitos a seu favor sem ficar afetada, caricata ou cansativa. O ritmo do filme é outro ponto alto, pois ele não cai: depois de uma tensão vem um clímax, e outro e depois outro, até chegar ao final esperado. Sim, é previsível, e este é um dos pontos baixos.
Entre as cenas engraçadas, destaque para a que as mulheres correm para a liquidação; quando está em Miami e ensaia uma dança com um leque; e quando é confundida pela garçonete da festa. Becky Bloom tenta entrar para um grupo de "Consumidores Anônimos" e em uma dessas reuniões a cantora Amy Winehouse entra na trilha sonora com o clássico "Rehab": perfeito!
"Os Delírios de Consumo de Becky Bloom" é perfeito para as mulheres, pois mostra a moda ditada pela premiada figurinista Patricia Field (a mesma da série "Sex and the City" e do filme "O Diabo Veste Prada"), detalha a compulsão por compras, a busca pelo namorado perfeito. Mas para os fãs do livro ainda pode faltar algo que deixou a desejar, como as ruas londrinas, as típicas lojas da capital inglesa e aquele humor ácido.
O longa-metragem é daqueles para as mulheres irem às salas de cinema com as amigas (deixem os namorados e maridos em casa; eles não vão entender o assunto), rirem e aprenderem como usar o cartão de crédito, aperfeiçoarem o bom gosto das roupas e dos sapatos, se deslumbrarem com as grandes grifes e sonharem que o namorado perfeito pode estar mais perto do que se imagina!
No dia 20 de março, meu amigo Cri-crítico, do Guia do Estadão, escreveu sobre sua preferência musical, que tem a ver com filmes a que tem assistido ultimamente e que gosta muito. Em sua seleção estavam:
“Barcelona”, de Giulia y los Tellarini, do filme “Vicky Cristina Barcelona”;
“Down in Mexico", The Coasters, de “Á Prova de Morte”;
“New Slang”, The Shins, de “Hora de Voltar”;
“Je T’Aime Tant”, Julie Delpy, de “Antes do Pôr-do-Sol”;
“There Is an End”, Holly Golightly & The Greenhornes, de “Flores Partidas”;
“Superstar”, Sonic Youth, de “Juno”;
“This Time Tomorrow”, The Kinks, de “Viagem a Darjeeling”.
Depois que li sua coluna me dei conta que eu também carrego no iPod trilhas sonoras dos filmes que gosto ou que acabei de ver ou que simplesmente me apaixono pela música. Penando nisso, escolhi aqui as melhores canções de trilhas sonoras. Há muitos outros filmes no aparelho e tenho espaço aqui, mas escolhi 13, sendo duas do mesmo filme, uma vez que trata-se de um musical. Ah, sim, e como “Barcelona”, de Giulia y los Tellarini, do filme “Vicky Cristina Barcelona”, também estaria na minha lista, eu tirei. Vamos a elas:
“Anyone Else but You”, The Moldy Peaches, de “Juno”;
“As-tu Déjà Aime”, Grégoire Leprince-Ringuet & Louis Garrel, e “Au Parc”, Chiara Mastrioanni, de “Canções de Amor”;
“Baby did a Bad Bad Thing”, Chris Isaak, de “De Olhos Bem Fechados”;
“Dumbledore’s Army”, Nicholas Hooper, de “Harry Potter e a Ordem da Fênix”;
“First Youth”, Ennio Morricone, de “Cinema Paradiso”;
“Hold You in my Arms”, Ray Lamontagne, de “The Last Kiss”;
“La Vie em Rose”, Louis Armstrong, de “Wall-E”;
“My Little Tenderness”, Otis Redding, de “My Blueberry Nights”;
“Pretty Woman”, Stephen Sondheim, interpretado por Johnny Depp, de “Sweeney Todd – O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet”;
“Rock the Boat”, Huis Corporation, de “Milk”;
“Tous les Garçons et les Filles”, Françoise Hardy e Roger Samyn, de “Os Sonhadores”;
“Trying to Pull Myself Away”, Glen Hansard, de “Apenas uma Vez”.
Desde 1995, quando “Toy Story” foi lançado nos cinemas (o primeiro longa-metragem de animação feito totalmente por computador), notou-se uma mudança clara nas produções do gênero, principalmente porque até então só eram vistos filmes produzidos do modo tradicional, tal como fazia Walt Disney desde os anos 1930. Pois bem, quando o estúdio independente Pixar lançou seu primeiro filme em três dimensões, o público fiel dessas produções voltou para as salas de cinemas e continuou consumindo os produtos licenciados, além dos filmes em home vídeo.
Depois do longa sobre os brinquedos que ganham vida, muitos outros foram lançados, inclusive por outros estúdios, como DreamWorks, Blue Sky e pela própria Disney, a pioneira. Nesta sexta-feira, dia 3 de abril, chega aos cinemas mais uma produção da DreamWorks, o mesmo estúdio responsável pelo sucesso “Shrek”, que foi o primeiro longa-metragem de animação a ganhar um Oscar em sua categoria.
“Monstros vs Alienígenas” (“Monsters vs Aliens”) é o lançamento dirigido por Rob Letterman e Conrad Vernon, responsáveis, respectivamente, por “O Espanta Tubarões” e “Shrek 2”, ambos de 2004. Mais divertido que o próprio filme tridimensional, é o fato de algumas salas de cinemas disponibilizar a versão em 3-D e IMAX, ou seja, com o uso daqueles olhos engraçados que dão a impressão que as imagens saem da tela. A primeira cena, aliás, já mostra o que vem pela frente e anima o espectador, quando um personagem entediado está jogando pingue-pongue e a imagem da bolinha parece que vai bater no público. Muito bom!
Outra observação importante a respeito do lançamento é que, à primeira vista, sabendo das provocações do estúdio à Pixar e aos estúdios Disney, é que se trata de uma revanche ao grande sucesso da Pixar, “Montros S.A.”, filme de 2001 dirigido por Pete Docter, sobre os monstros que são contratados para assustar as crianças, mas na verdade quem tem medo delas são eles.
“Monstros vs Alienígenas”, porém, é mais do que isso. Além de falar sobre esses seres bizarros, há a inclusão de personagens humanos na história, mostrando que a utilização da técnica está mais apurada, mais sensível e cada vez mais parecendo com o real.
Na trama, após ser atingida por um meteorito no dia de seu casamento, Susan Murphy (com voz da atriz Reese Witherspoon, na versão original) cresce até virar um gigante de quinze metros e meter medo em todo mundo, inclusive nos militares que a levam para uma instituição secreta do governo americano. Lá, ela recebe o nome de Ginórmica e é mantida presa com um grupo de monstros: Dr. Barata, Ph.D. (hugh laurie); o machão metade macaco, metade peixe Elo Perdido (Will Arnett); o gelatinoso e indestrutível de um olho só B.O.B. (Seth Rogen); e a larva de 106 metros Insetossauro, que se transforma em uma bela borboleta.
Mas é com a chegada do robô alienígena na Terra que ataca os Estados Unidos, que o presidente (Stephen Colbert) é convencido a recrutar a gangue de monstros para salvar o mundo. Um dos pontos altos da produção são as piadas e o bom humor do roteiro de autoria de Maya Forbes, Wally Wolodarsky, Rob Letterman, Jonathan Aibel e Glenn Berger, principalmente aquelas que serão compreendidas pelo público adulto ao entender a ligação da trilha sonora (como a música que o presidente toca), a alusão ao filme “ET – O Extraterrestre”, quando aparece a frase “ET GO Home”, entre outras sacadas. Neste caso, aliás, vale lembrar que um dos sócios da DreamWorks é Steven Spielberg, diretor do filme sobre o alienígena.
O longa ainda tira sarro da tecnologia, da impressão digital, além de mostrar que fazer uma bobagem, como explodir uma bomba nuclear, é tão simples quanto tirar o café espresso de uma máquina.
“Monstros vs Alienígenas” não é a melhor das produções em animação por computador, mas apresenta inovações tecnológicas, como o aprimoramento da técnica no desenvolvimento de pelos e cabelos dos bichos e dos humanos, piadas bem-humoradas e toda a diversão que só o 3-D pode garantir.