sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Ensaio Sobre a Cegueira

Para divulgar o lançamento do longa-metragem “Ensaio Sobre a Cegueira” (“Blindness”), que estréia no Brasil dia 12 de setembro, o cineasta Fernando Meirelles e as atrizes Alice Braga e Julianne Moore estiveram em São Paulo para coletiva de imprensa. Na ocasião, o produtor canadense Niv Fichman afirmou que possui os direitos do filme há 10 anos, e o roteiro, escrito por ele, demorou sete anos para ficar pronto.

Vale lembrar, ou melhor, Meirelles fez questão de frisar, que não se trata de uma produção hollywoodiana, já que é canadense por conta do Niv; japonesa, porque os financiadores são de lá - a produtora Sonoko Saka conseguiu 60% do dinheiro de investidores japoneses - e brasileiro. “Porque depois que eu entrei, a equipe toda de criação é do Brasil, com exceção do roteirista: fotógrafo, montador, músicos, diretor de arte, diretor”, completa ele.

Julianne Moore, que estrela pela primeira vez um filme de Meirelles, conta que ficou encantada com o Brasil (tanto é que acaba de voltar das férias com os filhos na Amazônia) e afirma estar muito feliz de ter participado do filme. “Faria qualquer coisa que o Fernando pedisse”, pontua.

Atriz brasileira, que ultimamente tem se destacado no mercado internacional, com “Cinturão Vermelho” e “Eu Sou a Lenda”, Alice Braga volta a filmar sob a batuta de Meirelles, já que sua estréia no cinema aconteceu com o filme “Cidade de Deus”. “Eu já tinha lido o livro cerca de quatro, cinco anos antes e é bom estar de volta com o meu padrinho”, derrete-se.

Na montagem do filme, conforme consta do seu blog escrito durante as filmagens, Meirelles conta que precisou cortar algumas cenas. “É um processo normal. A cena do estupro eu cortei porque era extremamente violenta e ao mostrar para o público teste (
screening tests) vi gente saindo da sala. Isso desconectava o espectador do filme, porque ficava chocado.” Ele aproveita para confirmar a pergunta e diz que essas cenas estarão no DVD “para aqueles que quiserem ver”.

As atrizes, no entanto, não se lembram de cenas que tenham filmado e que foram cortadas. “Confio plenamente na visão do diretor e cabe a ele avaliar se a cena é boa ou não”, diz Julianne.

Cidades
“Ensaio Sobre a Cegueira”, longa-metragem baseado no livro do escritor português José Saramago, se passa em três países diferentes, mas em nenhum momento é dito. Além do Canadá, há filmagem no Uruguai e no Brasil - em São Paulo, especificamente. Para as filmagens, a produtora Bel Berlink e a CET fecharam ruas e avenidas, para deixar pouca gente circulando. “Na pós-produção, apagamos algumas coisas que restaram”, revela. E Meirelles complementa: “Espalhávamos a sujeira e depois recolhíamos tudo para deixar São Paulo de novo para as pessoas. Filmávamos enquanto havia luz e duas da tarde recolhíamos tudo”.

Como trata-se de um filme denso, Julianne aproveita para falar sobre sua personagem, que é a Mulher do Médico, ou seja, a única que finge que não enxerga. “Acredito que temos um instinto de sobrevivência inato e muitas vezes a gente acaba aceitando qualquer coisa. Mas a história prova através dos crimes de guerra que muitas vezes a gente acredita no governo e crê que alguém vai cuidar da gente. Isso está no livro do Saramago. E na verdade não é bem assim. Acho que isso é uma influência que veio do cinema. Achamos que a qualquer momento o Bruce Willis vai aparecer”, brinca ela, afirmando que sua personagem não é o Batman.

Efeitos especiais
Para dar o efeito de como os personagens cegos vêem, ou seja, uma brancura feito o leite, Meirelles utilizou artifícios. “O branco foi apenas um dos truques. Utilizamos imagens saturadas, reflexo, imagem virtual, planos mal-enquadrados e fora de foco. A imagem e o som do filme se dissociam a partir de um determinado momento, de modo que é como se o olho estivesse de um lado e o som do outro, tal como os cegos agem. Tivemos a intenção de colocar o espectador no mundo da cegueira”, explica o diretor.

Depois de ter filmado o nacional “Cidade de Deus”, Meirelles filmou “O Jardineiro Fiel”, uma produção inglesa. Ele diz que pretende continuar não aceitando fazer filmes de estúdios, e permanecer independente. “Estou filmando para a TV Globo. E uma solução boa seria fazer filme internacional e filmar em português outros projetos para a tevê”, dá a dica.

Sobre a empreitada, diz que não é um cineasta engajado. “Faço filmes que me interessam.” Ele explica que “Cidade de Deus” era um filme que ninguém queria ver, com não atores e o investimento foi todo dele. Em “O Jardineiro Fiel”, foi um filme no qual “dei um passo maior do que poderia agüentar”. “Neste, não existe narrador, os personagens não têm nomes, trata-se de uma doença que não existe”, completa. “Não conseguia imaginar se as pessoas poderiam se interessar por eles. Meu próximo filme vai ter de ser mais fácil!”, brinca.

Trovão Tropical

Ben Stiller é uma das figuras que Hollywood produziu a quem basta olhar para se ter vontade de dar risada, tamanha é sua vocação para a comédia. Em "Trovão Tropical" ("Tropic Thunder"), longa-metragem que estréia nesta sexta-feira, dia 29 de agosto, ele muda de lugar no set de filmagem - atua como ator, mas também como diretor do longa. A função, aliás, não é nova, pois ele já dirigiu episódios para a televisão e outros filmes para o cinema, como "Caindo na Real".

A fita já começa fazendo graça. Antes do início do filme propriamente dito, há trailers fictícios e protagonizados pelos mesmos atores que estão no longa. Depois, quando realmente começa, o espectador se dá conta de que trata-se de uma prévia da brincadeira que ainda está por vir.

A narrativa, na verdade, é uma metalinguagem (filme dentro de filme), pois na trama os atores estão atuando em um filme de guerra no Vietnã, cheio de helicópteros sobrevoando a selva e bombas explodindo para todos os lados. Ou melhor: estão tirando sarro dos filmes de guerra. Na tela, os produtores ameaçam acabar com o filme, e o diretor se recusa a parar de filmar e leva o elenco para dentro da selva, na Ásia, em busca de realismo. No meio do caminho, os atores são confundidos com agentes do Departamento Antidrogas, e acabam caindo na maior confusão.

Para escrever o filme, já que é um dos roteiristas, ao lado de Justin Theroux e Etan Cohen, Ben Stiller se inspirou nos filmes de guerra como "Platoon". Segundo consta do material para a imprensa, Stiller tinha ganhado um pequeno papel no filme de Steven Spielberg, "O Império do Sol", e muitos atores estavam trabalhando em filmes que se passavam no Vietnã. "Durante as entrevistas, eles diziam: 'Esse treinamento militar foi a coisa mais intensa da minha vida, e a gente realmente se uniu como um grupo'", afirma Stiller. Foi aí que achou engraçado e teve a idéia de escrever uma sátira a esse tipo de filme.

A impressão que se tem, é claro, é de que se está vendo algum tipo de filme do gênero, algo como "O Resgate do Soldado Ryan", mas, como no elenco estão atores que têm tendência forte para a comédia, tal como Stiller e Jack Black, outro ator com veia especificamente cômica, sabe-se que não é nada sério. Quando o personagem vivido por Stiller cai para morrer, por exemplo, é em câmera lenta, de modo a dar mais dramaticidade à ação, sempre deixando caricato.

Também fazem parte da comitiva de atores Robert Downey Jr., com maquiagem irreconhecível e humor impagável, e Brandon T. Jackson, que também protagoniza cenas surpreendentemente hilárias. Nick Nolte faz uma ponta, mas bem marcante. Tom Cruise também faz uma ponta no final com uma maquiagem incrível.

"Trovão Tropical" é desses filmes perfeitos para ir ao cinema com um balde bem grande de pipoca, acompanhado de litros de refrigerante. Afinal de contas, não é para pensar; é para se acomodar na poltrona e deixar vir o riso que, às vezes é fácil, outras nem tanto.

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

O Procurado

A atriz Angelina Jolie tem se destacado na mídia ultimamente muito mais por seu papel de mãe e militante em prol dos refugiados da África que por seu trabalho efetivamente como atriz de cinema. Casada com o galã Brad Pitt, mãe de filhos legítimos e adotivos, a moça estrela um longa-metragem de ação, que estréia nesta sexta-feira, dia 22 de agosto, nos cinemas.

"O Procurado" ("Wanted"), baseado em história original de Mark Millar e J.G. Jones, conta a história de uma Fraternidade (liga de assassinos treinados para executar as ordens do destino), da qual Angelina, no papel de Fox, faz parte. A organização é comandada por Sloan (Morgan Freeman, ótimo como sempre), que decifra os códigos do tear e escreve qual é a próxima missão dos seus membros.

No entanto, sua missão é recrutar o filho de um membro da Fraternidade morto, afinal, "não se destrói algo que existe há mil anos". O rapaz se chama Wesley Gibson (James McAvoy) e o longa é iniciado contando a sua história. Trata-se de um gerente da contabilidade de uma empresa, que aos 25 anos de idade vive entediado e se lamentando: odeia a sua chefe (uma moça gorda que vive em seus calcanhares cobrando relatórios) e é traído por sua namorada, que sai com um colega de profissão.

De cenas sem expressão, arrastadas enquanto contam a história do rapaz, e completamente envolvidas em ação quando passa a mostrar os membros da Fraternidade, o diretor Timur Bekmambetov muda o foco e o ritmo rapidamente. Isso, ele faz muito bem. Porém, quando as cenas de ação acontecem, muitas vezes em câmera lenta, elas dão "aquele chacoalhão" no espectador e mostram que se trata de um filme, tamanha é a forçação de barra das cenas. O ritmo contempla muitos altos e baixos, tal como se o público estivesse em uma montanha-russa em um parque de diversões. Para completar, o garoto vive euforicamente as cenas de ação, embora vivesse à base de calmantes para tentar se controlar e não xingar sua chefe.

Angelina Jolie protagoniza cenas de ação com socos, lutas e tiros, provavelmente fruto de suas experiências anteriores, como no longa "Sr. & Sra. Smith", quando atuou ao lado de Pitt (provavelmente quando iniciou-se o romance entre os dois). Ela também estrela cenas sensuais, por exemplo, quando se levanta após um banho, completamente nua, e vai se enrolando na toalha. Há, também, desfile de carrões, como um Corvette branco, dirigido pela atriz.

Logo no início, quando o rapaz é levado pela agente Fox, ela o assegura de que é preciso treinamento severo para que possa ser um membro da organização, e logo reclama: "Você se desculpa demais". Ela, sempre fria, não se apega ao garoto (mas o salva, a tempo, de uma humilhação desnecessária!) e seu treinamento consiste em lutar contra outros membros, passar por provação no tear e atingir carnes como se estivesse em um grande açougue, além de correr também sobre um trem em movimento.

McAvoy, que pôde ser visto recentemente no filme "O Último Rei da Escócia", não faz feio em "O Procurado", já que protagoniza boas cenas. No entanto, é aquela pitada de uma história mais condensada que está faltando ao roteiro.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Fernando Meirelles

Ele chegou lá!

Fernando Meirelles começou no cinema em 1998, quando dirigiu, ao lado de Fabrízia Pinto, “Menino Maluquinho 2 - A Aventura”. Nesta época, o cinema brasileiro vivia o ciclo da Retomada, inaugurado, em 1995, com “Carlota Joaquina – Princesa do Brazil”, de Carla Camurati.

Meirelles não se lembra qual foi o primeiro filme a que assistiu, mas lembra-se que seu pai filmava com câmera 8mm e costumava projetar essas imagens na parede. Mas foi aos 13 anos que começou a fazer filmes em Super-8. Quando começou a Faculdade de Arquitetura, porém, Meirelles realizou trabalhos em Super-8.

Ao lado de Paulo Morelli, Marcelo Machado, Dario Vizeu e Beto Salatini fundou a produtora Olhar Eletrônico, onde produziu vídeos para a tevê. A partir desses trabalhos, foram trabalhar na tevê a convite de Gourlat de Andrade. Em outro programa, o “Antenas” e criaram o repórter Ernesto Varela, interpretado por Marcelo Tas.

Tas, aliás, disse à METROPOLIS, em maio, que “o Fernando é um cara muito talentoso, que redescobriu o cinema brasileiro, tirou o véu, revelou uma nova etapa e que ainda tem muito pra mostrar”. E completou: “Conheço muito bem o Fernando, a gente se relaciona pessoalmente até hoje, nossos filhos se conhecem, a gente se encontra muito, e o Fernando é um cara que tem uma carreira muito grande pela frente. Ele está só no começo, por incrível que pareça. Ele ainda vai nos dar muito susto. Eu tenho certeza disso”.

Segundo depoimento de Fernando à jornalista Maria do Rosário Caetano, para a sua “Biografia Prematura”, da Coleção Aplauso, “a Olhar Eletrônico foi dando certo não porque fazíamos tevê bem feita, mas porque fazíamos diferente”. Ele conta que “o trabalho não era bem acabado, mas era original”.

Antes de “Rá-Tim-Bum”, na TV Cultura, a produtora fez quadros para a Bandeirantes, Globo, Gazeta e para a extinta Manchete. Mas foi no final dos anos 1980 que a produtora começou a fazer comerciais, o que lhe rendeu dinheiro e experiência, já que a propaganda é feita em grande volume.

Em 1990, Fernando Meirelles e Paulo Morelli criaram a O2 Filmes e foi na rotina frenética da publicidade que eles aprenderam como funciona o esquema de filmagem, conheceu fotógrafos e atores. Ao lado de Nando Olival, ele dirigiu os curtas-metragens “Bom Coração”, em 1996, e “E no Meio Passa um Trem”, em 1998.

Como forma de um ensaio para “Cidade de Deus”, dirigiu com Kátia Lund o curta “Palace II”. Em 2001, com Nando Olival, dirigiu “Domésticas - O Filme”, baseado em peça teatral homônima.

Sua primeira produção internacional foi “O Jardineiro Fiel”, que se passa em Londres e em cidades do Quênia. Em 2007, o cineasta seguiu para outra empreitada internacional, quando foi dirigir “Blindness”, filme baseado em romance de José Saramago, “Ensaio Sobre a Cegueira”. O longa-metragem começou a ser rodado em julho de 2007 no Canadá. De acordo com o blog do filme, Meirelles já havia lido o livro e tentou comprar os direitos do filme antes, mas não houve interesse por parte do autor. Agora, porém, deu certo, e o filme será lançado no Brasil dia 12 de setembro depois de participar tanto da abertura quanto da competição do Festival de Cannes 2008. No elenco, trabalham Julianne Moore, Gael Garcia Bernal, Mark Ruffalo, Danny Glover e a brasileira Alice Braga.

Confira agora a entrevista exclusiva que o autor concedeu a METROPOLIS.

Depois de três filmes nacionais e dois internacionais, qual é o próximo passo?

Comecei a rodar uma minissérie para a Globo que vai ao ar em fevereiro. Chama-se “Som e Fúria” e é sobre uma companhia de teatro que monta peças de Shakespeare. Comédia romântica. Divido a direção com Gisele Barroco, Toniko Melo, Fabrizia Pinto e Rodrigo Meirelles. No elenco, Felipe Camargo, Andréa Beltrão, Daniel de Oliveira, Débora Fallabela.

É coincidência você ter filmado quatro longas baseados em livros ou você procura histórias que já existem para contar na tela

Não é tanta coincidência assim, pois eu leio bastante e aí as histórias que leio me interessam. Mas nada impede que eu faça uma história original numa hora destas.

PorCidade de Deus” ter recebido quatro indicações ao Oscar, assim comoO Jardineiro Fiel” (que venceu em uma categoria), existe mais cobrança para o prêmio?

Eu não me sinto pressionado não. E nem sou muito ligado em prêmios para falar a verdade. Nem fui na entrega do Oscar quando a Rachel [Weisz] ganhou pelo “Jardineiro”. Preferi ficar em casa quieto e liguei assim que ela saiu do palco. O “Ensaio Sobre a Cegueira”, por ser mais pessoal, acho quase impossível haver alguma indicação, mas ele não me agrada menos por isso.

Muitos acreditam que depois deCidade de Deus” o cinema brasileiro teve uma nova identidade. O que você acha sobre isso?

Mesmo antes, o público brasileiro já havia começado a voltar a assistir a filmes nacionais. “Cidade de Deus” foi um degrau a mais, mas foi logo superado em público por “Carandiru”, depois “2 Filhos de Francisco” e assim vamos. Ainda bem.

Ter de bancar Cidade de Deus” até o seu lançamento fez você ter mais carinho por ele?

Não, mas fez eu me sentir mais burro por ter corrido tamanho risco, mas no fim, ainda bem, deu certo.

Ensaio Sobre a Cegueira” teve uma grande apresentação em Cannes, mas não levou a Palma de Ouro. Qual é a sua expectativa para o lançamento no Brasil?

Não achava que fosse um filme para Palma de Ouro. “Ensaio Sobre a Cegueira” divide opiniões. Nem todo mundo consegue vê-lo, eu poderia dizer. Honestamente, não sei qual será a reação ao filme no Brasil. Estou um pouco ansioso por isso, confesso.

Na ocasião, José Saramago chorou ao final da exibição e você lhe deu um beijo na testa. Ficou por isso mesmo ou vocês conversaram mais sobre o resultado da obra?

Depois da sessão fomos jantar e no dia seguinte passei a manhã com ele. Falamos de detalhes do filme, do livro e, depois, como um fã, fiquei fazendo perguntas sobre sua vida numa exposição sobre seu trabalho que fomos ver juntos em Lisboa.

No longa, você filmou muitas imagens no Brasil mas não contou que se tratava de São Paulo, maquiou as placas das ruas e dos carros. Você acha que isso pode ser criticado pelos paulistanos, por exemplo, que facilmente reconhecem a Paulista?

Acho que não. A idéia é que a cidade onde se passa a história fosse genérica, em lugar nenhum. Acho que os paulistanos vão entender isso.

Você escreveu um blog enquanto filmavaO Jardineiro Fiel” e depois enquanto filmavaBlindness”. Você pretende retomar o blog ou fazer outros?

Gostei muito da experiência de ficar escrevendo enquanto filmava e se tiver tempo repito a dose, sim. Esse blog parei no meio e acho que não vou retomar. Agora já passou o bonde. Esta é a vantagem de não se ter compromisso com ninguém numa empreitada destas.

O que o motivou a escrever o blog? Me parece que a audiência foi positiva e grande, é isso?

Escrever me ajuda a pensar no que estou fazendo. Lia bastante os comentários de quem acompanhou e sentia também as expectativas. Era como dialogar com o público durante o processo.

Você começou na tevê e depois fez publicidade no cinema. Então, começou a fazer curtas e longas. Em que sentido ter iniciado com publicidade te ajudou a produzir os longas?

Na verdade, comecei mesmo fazendo vídeo experimentais, depois tevê independente e depois comerciais. Acho que fazer comerciais me deu a experiência com a linguagem do cinema. Quilômetros (de negativo) rodado. Aprendi a contar histórias com imagens nestes filminhos de 30 segundos. Uma boa escola. Acho.

Quais as diferenças e as semelhanças entre fazer filmes nacionais e internacionais?

Dirigir atores que falam português é melhor, pois entendo a língua e cada tom das falas mais a fundo, por outro lado nas produções internacionais há mais verba e, portanto, mais liberdade para se ter idéias caras. Fora isso os processos são bem parecidos.

Qual é o momento de um filme que mais te deixa inspirado? O que você mais gosta de fazer? A decupagem é a parte mais chata? (No blog, dia 29/10/2007, você escreveu: “Também me livra do chato, e às vezes inútil, trabalho de decupar o filme”.)

Poxa vida! Acho que me expressei mal. Adoro montagem. É a hora em que o filme acontece. O trabalho com os atores também é bem gostoso, descobrir os personagens, inventar pequenos gestos, cacos no texto, mudanças de clima. Roteiro é interessante também. Quer saber: Gosto deste trabalho de cabo a rabo. Menos lançamento. Essa é a fase mais difícil pois sua cabeça já está em outro lugar e você tem que ficar falando do passado.

Qual você acha que será o futuro do cinema brasileiro? Você ainda pretende filmar aqui?

Pretendo filmar aqui sim. Claro. O que está melhorando em nosso cinema são os roteiros. Esse era um buraco na produção brasileira. Está entrando no mercado uma nova safra de roteiristas e isso deve mudar a cara dos nossos filmes. Os roteiristas jovens não têm preconceito de fazer filmes para o público, que é uma espécie de ranço que nossos diretores carregaram por causa dos colegas do Cinema Novo. Ali ou se fazia arte ou se se vendia para o sistema. Hoje sabemos que a vida não é bem assim, é mais complexa que isso.

Seu filho já está trabalhando como cineasta. O que você acha de ele seguir os seus passos?

Na verdade, o Quico está apenas estudando cinema e quando pode me acompanha no set. Maior prazer para um pai. Eu não dou conselhos não, deixo ele descobrir o seu caminho. Mas conversamos muito sobre o trabalho no qual estamos envolvidos. No set ele costuma dar muito palpite no que estou fazendo e são sempre idéias muito boas. (desculpe a corujice). Mas são. Fora isso minha filha Carolina está começando a trabalhar como fotógrafa e anda fazendo still de cinema também. Não é nada fraca.

Não ter estudado cinema fez você aprender tudo fazendo. Quais as vantagens e as desvantagens desse processo?

No meu caso só vi vantagens. É fato que minha formação teórica é meio limitada, mas não ter sido ensinado como se faz, me deu o espaço interno para inventar a minha maneira de fazer. Isso foi muito bom.

Entrevistei o Marcelo Tas e ele me disse que vocês mantêm amizade, seus filhos se conhecem e ele continua acompanhando a sua carreira. E você com relação a ele, você assiste aoCQC”, por exemplo?

Assisto ao “CQC” quando estou em casa no horário que vai ao ar. Gosto do programa e gosto muito do Marcelo. Vai ser um amigo para a vida toda. Às vezes ficamos meses sem nos ver mas quando nos encontramos é sempre o mesmo prazer. Acho que no mundo emocional o tempo não passa.

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Entrevista originalmente publicada na edição 38 de Metropolis (agosto de 2008)

sábado, 16 de agosto de 2008

falta de atualização

Sei que faz tempo que eu não atualizo o blog - principalmente para falar daquilo que mais gosto, cinema - mas é que as coisas andam tão complicadas que eu preciso organizar tudo primeiro para depois voltar a escrever.

Para segunda-feira, prometo subir a entrevista que fiz com Fernando Meirelles, sobre o seu novo filme, "Ensaio Sobre a Cegueira", que estréia dia 12 de setembro no Brasil. E no final da semana já tenho outro filme.

Estou muito entretida com o projeto da pós-graduação. Escreve sobre animação e depois garanto que muitos irão se divertir com as histórias =)

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Dodge Journey

* O que eu realmente fui fazer na Noruega em maio...

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Para conhecer o Dodge Journey fui até, digamos, o topo do planeta. Exageros à parte, Oslo, capital da Noruega, foi o ponto de partida para a avaliação do carro que chega às lojas no fim de agosto e hoje circula apenas pelas ruas dos Estados Unidos e do México, onde é fabricado. Tranqüila na cidade norueguesa, soube do responsável pelo marketing internacional da montadora, John Millar, que o Journey foi concebido para ser versátil, pode levar até sete ocupantes e que o preço no Brasil deve ficar em torno de R$ 100.000.

A parte mais importante de todo esse preâmbulo, afinal, é o motivo que me fez seguir até a pacata cidade escandinava: o tão esperado test-drive, que nos permitiria experimentar, de fato, a tecnologia e o conforto impressos na novidade. Fizemos um percurso que saía de Oslo e seguia pelo interior da Noruega durante três horas no total por estradas pouco movimentadas, mas que não permitiam desenvolver tanta velocidade (os radares fotográficos estavam espalhados por todo o trajeto).

O modelo que teremos nas lojas por aqui virá equipado com motor V6 de 2,7 litros e câmbio automático seqüencial de seis marchas, justamente o que eu escolhi para guiar. No percurso recheado de curvas deu para perceber que o carro tem boa estabilidade e transmite segurança ao motorista. O prazer de dirigir é acompanhado também por mimos, como o estofamento revestido por um tecido resistente a manchas e odores, além de ser anti-estático e de fácil limpeza. Ou seja: caso a criançada resolva fazer aquela bagunça, a conservação está garantida. O modelo, aliás, foi feito pensando nelas, pois os pequenos podem se entreter com as telas no teto da segunda fileira, onde podem assistir a filmes em DVD, ou até mesmo instalar o videogame.

Encontrar a posição ideal de dirigir também é moleza. É possível mexer facilmente na altura do volante e na distância do assento, assim como controlar o encosto. Nos outros bancos, o conforto também está assegurado, apesar do pouco espaço na terceira fileira. Em compensação, os assentos do meio podem ser movidos para frente e para trás, ajudando a regular o espaço para as pernas de acordo com as necessidades dos ocupantes (esses bancos podem ser dobrados, transformando-se numa mesinha de apoio). Também não faltam porta-objetos. Há como armazenar 12 latas de 330 ml em um deles; no porta-luvas, existe outro recipiente para guardar outras duas, que são mantidas refrigeradas, graças ao sistema de ar-condicionado.

No porta-malas, mesmo que se utilize todos os assentos, ainda é possível carregar um pouco de bagagem. O porta-óculos com espelho está disponível não apenas para o motorista e o passageiro que seguem na frente, mas também para os que estão sentados atrás. Outra facilidade que o carro oferece é a porta com abertura de 90 graus, facilitando a entrada dos passageiros e acomodação da bagagem.

Durante o teste, o sistema de navegação por satélite foi muito útil, mas, infelizmente, não virá para o Brasil. Porém, o som de alta-fidelidade está garantido. O aparelho permite a troca de seis CDs e ainda dispõe de um HD que consegue armazenar músicas sem que seja necessário ficar carregando os discos. Para trocar arquivos, há uma entrada USB, que permite a conexão de pen drive, e oferece tecnologia Bluetooth, que geralmente se comunica com computadores portáteis e telefones celulares.

Ainda no painel, na tela que mostra o mapa do GPS e as informações do aparelho de som estão imagens geradas pela câmera que revelam a traseira do veículo. Ou seja, assim que engatada a marcha à ré, é possível visualizar o espaço que se tem para fazer pequenas manobras.

O item que eu mais testei no carro, além do fato de dirigi-lo e do porta-copos que carregou minha garrafinha de água Evian, foi o freio. Isso porque, durante o percurso, quando eu estava a cerca de 100 km/h, na estrada, um alce atravessou a pista na minha frente. No entanto, ele parou no meio da ilha e, em vez de atravessar para o sentido oposto da rodovia, o animal resolveu retornar. Freei o máximo que pude para não atingi-lo. E deu certo. Além de o carro ter respondido ao meu desespero, graças aos freios a disco nas quatro rodas e ao sistema ABS, o alce, que é muito comum naquele país, voltou ileso para a floresta. Assim, verifiquei que meu cinto de segurança e dos outros dois passageiros que estavam no carro funcionaram plenamente bem. Já os seis air bags instalados na frente e nas laterais não tiveram de mostrar a sua utilidade...

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*Matéria originalmente publicada na edição 6 (agosto de 2008) da CAR Magazine Brasil