quarta-feira, 30 de julho de 2008

Oslo: história nas ruas e nos museus

Quantas pessoas entre as que você conhece já foram para a Noruega? Ou melhor: você já pensou em passar suas próximas férias lá? Bom, comece a pensar... Um dos países da Escandinávia, ao lado da Suécia, Dinamarca e Finlândia (em algumas classificações), a Noruega não é um dos destinos europeus mais disputados para se passar as férias, principalmente para quem não tem disposição de se enfiar embaixo de grossos casacões para combater o frio. Frio, aliás, que existe durante a maior parte do ano, já que os termômetros registram temperaturas abaixo de zero.

Bom, depois de 12 horas no vôo até Frankfurt, cheguei em Oslo duas horas depois, e agora vou contar a experiência.

Pela estrada afora...
Antes de me aventurar pelo país, tratei de buscar informações sobre o idioma (o inteligível norueguês pode ser facilmente substituído pelo inglês em qualquer lugar da cidade) e também sobre o clima. Em maio, em plena primavera, Oslo, a capital do país, tinha a temperatura por volta de 15 graus. Em São Paulo, poderia se pensar que estava fr
io, mas debaixo do sol e com o clima seco era possível usar saias e sandálias rasteiras, tal como usavam as norueguesas que passeavam nos parques e nas praças da cidade.

Já na cidade, a primeira coisa que se nota é a organização. Quando cheguei ao aeroporto, tomei um trem para o centro e logo me avisaram: o trajeto demora 19 minutos. Preciso, assim!

Esqueça a idéia fixa de ir para lá e comer bacalhau. O peixe de águas frias é bem feito por nós, que incrementamos o prato e deixamos o almoço de domingo mais saboroso. Os noruegueses sabem pescar o peixe e exportá-lo. Para consumo, eles preferem o salmão (que, de fato, é saborosíssimo) e a carne de alce (essa, desculpe, não tive coragem de experimentar).

Além da pesca, a economia do país gira em torno da exportação de madeira e do comércio costeiro. Não raro, é comum percebermos que os contêineres que chegam ao porto de Santos são provenientes de lá. São navegantes natos de primeira categoria. Outra fonte de renda é o petróleo, cuja exportação só perde para os gigantes Arábia Saudita e a Rússia.

Outro ponto histórico que conhecemos da Noruega é o fato de os povos vikings terem saído de lá e ajudado a colocar o país no mapa por volta do século 11. A Era Viking foi um período importante para a formação da cultura norueguesa e para a mitologia nórdica como um todo.

Oslo é a maior cidade do país e a capital desde 1299. É lá, aliás, onde é entregue o Prêmio Nobel da Paz e, de acordo com o The Economist, é a segunda cidade mais cara do mundo, depois de Tóquio. Como permanece fora da União Européia, a moeda do país é o NOK, ou coroa norueguesa (em maio, a cotação era 3 NOKs para 1 Real).

Já que no hemisfério norte os dias são mais longos no verão (e mais curtos no inverno), só escurece a partir das 11 da noite (e amanhece a partir das quatro). Então, é comum as pessoas saírem para curtirem a noite na cidade, encontrarem os amigos nos pubs, nos cafés, nas praças. Enquanto eu jantava, reparei que algumas mães levavam seus bebês para passearem de carrinho por volta de 10 da noite. E ainda havia sol brilhando no céu!

Por ser plana e pacata, é fácil de se locomover em Oslo, principalmente a pé e com total segurança. No miolo da cidade onde está localizado o Parlamento (que abriga os 169 representantes que são eleitos democraticamente no país todo), é possível conferir a arquitetura neo-romanesca do Parlamento, os prédios antigos. Na rua de trás, as lojas de grifes são imponentes e, por uma fração de segundo, há de se imaginar que aquela é a Champs-Élysées parisiense...

Há também por ali uma praça em frente ao Grand Hotel (um dos mais tradicionais) na qual as pessoas costumam deitar para tomar sol tal como estivessem na praia, e ainda desfrutar dos bares e restaurantes que ficam perto. Por falar em Grand Hotel, o prédio tem estilo Luis 16 e foi inaugurado em 1874. Por dentro, porém, é um luxo só!

Ainda na rua principal há opções com vida noturna agitada. Uma dica é o Hard Rock Cafe. Na unidade de Oslo, inaugurada em dezembro de 2005, é possível conferir comida americana cercado de uma atmosfera rock 'n' roll. Entre os itens memoráveis, há peças de Madonna e No Doubt, além de Elvis Presley, Jimi Hendrix, Led Zeppelin e Rolling Stones.

Na noite em que estive no local, havia uma banda de rock tocando ao vivo do lado de fora que chamou atenção de muitas pessoas. Do lado de dentro, música do mais puro rock and roll para ninguém botar defeito. O restaurante também presta homenagem à banda A-ha e a outros noruegueses. Um pouco antes, o prédio do National Theater tem bela arquitetura e a fonte colocada em frente é linda. No mínimo, vale um click de recordação!

Na Oslo City Hall (Oslo rådhus), localizada em frente ao porto, está o corpo administrativo da cidade e onde fica o Conselho Municipal. Inaugurado em 1950 em comemoração ao 950º (!) aniversário da cidade, o ambiente é decorado pelos primeiros artistas noruegueses do período 1900-1950 com motivos da história, da cultura e da vida ativa da Noruega.

O porto de Oslo, aliás, tem muitas atrações. Localizado no fiorde, a área do porto é um dos destinos populares tanto dos turistas quanto dos moradores. É comum ver senhoras sentadas nos bancos próximos ao mar e às tulipas tricotando. Próximo ao porto, está o Nobel Peace Center, que existe desde 2005. As exibições prestam homenagem aos Prêmios Nobel e ao inventor sueco Alfred Nobel. Como ele mesmo desejava, o Nobel Peach Prize é concedido todos os anos em Oslo “para a pessoa que tenha feito o maior ou melhor trabalho para a fraternidade entre as nações, para a abolição ou a redução de exércitos e para a terra arrendada e a promoção da paz”.

Mil anos atrás
Por ser um das capitais escandinavas mais antigas, sua história remonta mil anos atrás, quando os primeiros estabelecimentos foram construídos na entrada do fiorde de Oslo. Após o grande fogo que destruiu a cidade em 1624, o rei dinamarquês Christian IV decidiu reconstruir a cidade no tijolo e na pedra, e deu à cidade o nome Christiania. Trezentos anos mais tarde, em 1925 portanto, os cidadãos decidiram rebatizar a cidade, que ganhou o nome que leva até hoje.

A população do país é pequena, somando cerca de cinco milhões de habitantes. Para se ter uma idéia, só a cidade de São Paulo tem quase 20 milhões! Como não é um destino muito procurado por estrangeiros, não é necessário visto, a não ser que o objetivo seja permanecer mais de 90 dias. Oslo tem 500 mil habitantes, e a cidade é caracterizada por uma mistura de arquitetura velha e nova, de parques, montes, museus, monumentos, lagos, florestas e do fiorde.

Como há pouca gente, apenas em Oslo os visitantes se deparam com pessoas nas ruas. Por dentro do país (andei por uma hora e meia para fora da cidade) é ainda mais pacato, não se vêem pessoas passeando nas ruas. Aliás, isso é muito comum nas cidades européias que não são as grandes metrópoles. Os moradores da cidade, principalmente no verão, aproveitam os dias de sol para ficar fora de casa, fazer piquenique nas praças e parques. Com pele, cabelos e olhos claros (mais uma herança dos vikings, já que não houve miscigenação), os noruegueses mudam completamente as suas rotinas nos meses quentes. A hora, portanto, é agora!

Dicas de passeios

Catedral de Oslo – Igreja do século 17 localizada no coração da cidade.

Royal Palace Real – O palácio é a residência oficial da monarquia desde 1849.

Akershus - A fortaleza começou a ser construída por volta de 1290. No século 17, foi modernizada para ter aparência de castelo renascentista.

Vigelandsparken – Um dos 400 parques da cidade, tem mais de 200 esculturas de Gustav Vigeland representando os vários estilos da vida humana.

Nasjonalgallerriet - Galeria de arte com obras de Munch, como “The Sick Child” e “The Scream” (“O Grito”). Há também Picasso, Monet, Cézanne...

Historisk Museum - História norueguesa da idade da pedra até o período medieval, passando pela era viking.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Space Chimps - Micos no Espaço

Uma espécie de ficção científica feita sob a ótica da sátira, em animação 3-D, focando o público infantil. Assim é "Space Chimps - Micos no Espaço" ("Space Chimps"), longa-metragem que estréia nesta sexta-feira, dia 25 de julho, nos cinemas.

Na fita, iniciada com a clássica música de "2001 - Uma Odisséia no Espaço", longa-metragem de 1968 dirigido por Stanley Kubrick, três chimpanzés da Nasa são enviados aos limites da galáxia para descobrir vida em outros planetas. Então, uma vez fora da Terra, eles vão arrumar encrencas e tentar voltar para casa, depois de resolverem alguns incidentes no planeta estranho.

Os personagens do longa possuem personalidades delimitadas, de modo que Luna é a funcionária-padrão, bastante disciplinada; Titan se preocupa mais em cumprir as ordens, mas tem o ego do tamanho dos seus músculos; e Ham é o neto do primeiro chimpanzé a ir para o espaço, que, embora fosse a principal atração do circo da cidade, foi selecionado pela equipe apenas como estratégia de marketing - para chamar a atenção da mídia e atrair o público.

Embora não tenha sido escolhido para sair dos limites da Terra por ser um dos mais jovens, Comet é outro chimpanzé e fundamental para o sucesso da missão, pois conhece tudo de tecnologia, e será essencial para a finalização do processo.

Mostrando ainda a interferência de outras produções de ficção científica neste longa, o mais sábio dos chimpanzés chama-se Houston, e os personagens logo dizem a ele: "Houston, nós temos um problema", lembrando a célebre frase de "Apolo 13". Entre as piadas, estão as previsíveis comparações entre humano e macaco, que são de entediar.

É notório que o diretor e roteirista Kirk DeMicco é marinheiro de primeira viagem, já que se trata, de fato, de seu primeiro longa-metragem. Além da falta de experiência na direção, existe também falta de técnica no desenvolvimento da animação tridimensional, ferramenta que a Pixar, por exemplo, domina há 20 anos. O estúdio, responsável por sucessos como "Procurando Nemo", "Os Incríveis" e o recente "Wall-E", consegue mostrar realismo em suas produções, de modo que o espectador não percebe que trata-se de um desenho e de personagens fictícios.

Em "Space Chimps - Micos no Espaço", as piadas do roteiro são fracas (e os dubladores brasileiros não colaboram para a melhora desse fator), não desperta o riso fácil no espectador e, acima de tudo, os aspectos da produção como forma deixam a desejar com relação ao movimento dos chimpanzés, à textura dos objetos, à iluminação da fotografia.

Com o perdão do trocadilho, caro leitor, não vale a pena pagar por este mico.

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Batman - O Cavaleiro das Trevas

Visual sombrio, diálogos bem-construídos e interpretações singulares. Basicamente, assim é "Batman - O Cavaleiro das Trevas" ("The Dark Knight"), um dos longas-metragens mais esperados do ano e que tem estréia mundial na sexta-feira, dia 18 de julho.

O filme vem em seqüência de "Batman Begins", lançado em 2005, com a missão de contar a origem do homem-morcego. O diretor Christopher Nolan, aliás, conseguiu mostrar ao público com aquela produção uma história concisa de como o bilionário Bruce Wayne (vivido por Christian Bale) tornou-se o herói de Gotham City. Desta vez, ainda sob a sua batuta, ele mostra Batman em ação e sua luta contra seu arquiinimigo: Coringa, o vilão que não segue normas.

Se no primeiro "Batman", dirigido por Tim Burton em 1989, o Coringa foi interpretado pelo irreverente ator Jack Nickolson, desta vez quem faz o vilão é Heath Ledger, que ficou conhecido como um dos caubóis no filme "O Segredo de Brokeback Mountain", de Ang Lee, lançado em 2005. Ledger, morto em janeiro deste ano (por overdose de calmantes), mostra um Coringa caricato, renovado, inteligente, sarcástico e com senso de humor impagável.

O ator aparece logo no início da fita, já que a primeira cena apresenta os criminosos (palhaços) de Gotham City realizando um roubo. Então, um deles se revela o Coringa. No entanto, é na sua segunda aparição, quando mostra uma risada forçada que é sua característica, é que o espectador poderá se prender ainda mais na interpretação do ator, que surpreende a cada cena com suas caras e bocas.

Além de mostrar as faces do vilão, as lentes de Nolan captam a essência do super-herói, mostrando suas fragilidades e, claro, qualidades, em um longa de ação surpreendente (com direito a caminhão que capota, prédio que pega fogo), ritmo afinado e ângulos com imagens sem cortes bem-feitas. Bale encarna os dois personagens e engrossa a voz quando interpreta Batman.

O longa aborda também o trabalho do promotor Harvey Dent (Aaron Eckhart), que se mostra eficaz ao combater o crime organizado ao lado da bela Rachel Dawes (Maggie Gyllenhaal, de “Confissões de Uma Mente Perigosa”). Ela, que foi namorada de Bruce, acredita que não pode viver com alguém que tem vários inimigos. Nesta história também é possível conhecer como surgiu outro personagem dos quadrinhos.

Os melhores diálogos do roteiro escrito por Christopher e seu irmão Jonathan Nolan são os pronunciados pelo Coringa, como uma teoria do caos, no qual está pendurado de cabeça para baixo. O vilão, em um tom sádico, explica, de duas maneiras diferentes, como conseguiu a cicatriz em seu rosto, aparentando estar eternamente sorrindo. Trata-se também de um filme político (à sua moda, claro) e o vilão prova ao herói por que a existência de ambos é essencial para Gotham.
Novamente, estão também os fiéis Michael Caine, no papel do mordomo Alfred com seus conselhos e seu senso de humor que equilibra o clima pesado do cavaleiro, e Morgan Freeman como Lucius Fox, responsável por desenvolver as parafernálias do herói, como seus carros e suas roupas a prova de fogo.

A produção, que custou cerca de US$ 150 milhões e teve locações em Londres, Chicago e Hong Kong, conta com efeitos especiais o tempo todo, mas sempre provando que existe necessidade. Destaque também para os carros do bilionário, que desfila em modelos feitos sob medida (como o Bat-Pod, que anda sobre duas rodas), além de uma "sutil" Lamborghini, que ele usa para sair durante o dia, que vai arrancar suspiros dos espectadores.

“Batman – O Cavaleiro das Trevas” é sem dúvida um dos melhores lançamentos do ano (haja vista que há outros filmes de super-heróis, como “Homem de Ferro”, “O Incrível Hulk”, lançados em 2008), sem hipocrisia, ainda que seja sobre um super-herói dos quadrinhos. Isso porque é a "aula de cinema" mostrada na prática por Nolan (que filmou seqüências com câmeras IMAX), juntamente com o roteiro que prevê citações inteligentes e convidam o espectador a pensar, além das boas interpretações que dão o toque final ao longa.

Portanto, prepare-se para enfrentar as longas filas dos cinemas (serão 500 cópias dubladas e legendadas): a sessão vale cada centavo pago pelo ingresso.

As Aventuras de Molière

Para contar a história do dramaturgo francês Molière, o diretor Laurent Tirard, autor do livro "Grandes Diretores de Cinema" (Nova Fronteira, 256 páginas) e do filme "A História da Minha Vida, Mentiras e Traições", se absteve de fazer os comuns documentário ou biografia romantizada que já havia sido feito anteriormente por outros autores. Em "As Aventuras de Molière" ("Molière"), que estréia nos cinemas dia 18 de julho, Tirard faz o dramaturgo de uma maneira que o aproxima do espectador.

Molière, que praticamente inventou o gênero comédia no teatro e é pseudônimo de Jean-Baptiste Poquelin, zombava da nobreza em suas peças pelo interior da França e depois as levou para Paris, onde conseguiu admiração e respeito do grande público do século 17. Quem teve a oportunidade de assistir à peça "O Avarento", cuja última montagem foi interpretada por Paulo Autran, em São Paulo, pôde perceber como a comédia é bem-feita por este autor e o riso é fácil.

O longa conta a história a partir do momento em que o dramaturgo iria desistir de tudo, mas recebe ajuda de Monsieur Jourdain (Fabrice Luchini), um comerciante bem de vida que quer auxílio do escritor para aprender uma cena e, então, representá-la para cortejar uma moça, Célimène (Ludivine Sagnier). Como é casado com Elmire (Laura Morante), ele leva o dramaturgo para casa dizendo que trata-se de um padre. Daí pra frente, a confusão está armada e o espectador poderá conferir interpretações singulares de Romain Duris, que nunca pisou um palco na vida.

Ambientado no século 17, o longa tem direção de arte que merece destaque e mostra um pouco o Palácio de Versalhes, na França, mas sem identificá-lo, e como viviam os nobres naquela época. A história contada com o típico humor francês ficou conhecida como "Le Tartuffe".

"As Aventuras de Molière" apresenta uma breve história deste nome do teatro francês, apresentando-o de maneira simples, com toques de humor, mas sem perder a chance de mostrar um escritor ágil (ele escreveu "Le Tartuffe" em duas semanas) e com amor, já que tem um romance com uma das personagens da trama.

O dicionário Michaelis da Língua Portuguesa afirma que tartufo significa: 1) indivíduo hipócrita; 2) falso devoto; 3) enganador, impostor. Há quem diga, porém, que o termo surgiu em português e em outros idiomas por conta do conto de Molière. São as influências da cultura no idioma mundial.

Anima Mundi

Terceiro maior evento de animação do mundo, o Anima Mundi exibirá este ano 441 filmes de 42 países, sendo 74 do Brasil. Criado em 1993 por Aída Queiroz, Cesar Coelho, Lea Zagury e Marcos Magalhães, o festival foi um dos principais responsáveis pelo desenvolvimento do mercado de animação nacional.

Em São Paulo, o evento acontece de 23 a 27 de julho, no Memorial da América Latina. Ao todo, serão quatro mostras competitivas (longas-metragens, curtas, Infantil e Portfólio) e quatro informativas (Animação em Curso, Futuro Animador, e as Panoramas, de curta e longa). Além das premiações dos júris oficial e popular e do Prêmio Aquisição do Canal Brasil, o evento também vai ter os seus tradicionais concursos em outras mídias: o Anima Mundi Web, com animações feitas para a Internet, e o Anima Mundi Celular, competição de filmes para celulares que este ano ganha um prêmio exclusivo da Oi para animações brasileiras.

Na mostra competitiva de curtas-metragens está, por exemplo, o veterano norte-americano Bill Plympton com “Hot Dog”, o terceiro episódio da série canina, que desta vez entra para o Corpo de Bombeiros. Para o curta, ele usou lápis sobre papel e conta uma história em seis minutos com muita irreverência.

Há também o japonês Kunio Kato, vencedor de Annecy, com o curta “La Maison em Petits Cubes”, que fala sobre memórias da vida em família. O francês Benjamin Renner realizou “La Queue de la Souris”, uma história hilária sobre um rato que faz um acordo com o leão para ele não comê-lo. “Dji Vou Véu Volti”, do belga Benoit Feroumont, é um conto de fadas 3-D que satiriza Romeu, Julieta e uma legenda que vira personagem. A canção, porém, repetida à exaustão, cansa o espectador. Da República Tcheca, Pavel Koutsky critica as pessoas que vivem a serviço da beleza, e vivem fazendo plásticas, no curta “Plastic People”, que usa lápis sobre papel.

Entre os brasileiros, “Ícarus”, de Victor-Hugo Borges, utiliza bonecos e computador 3-D, conta a história de um garoto que vive em uma cidade grande e se sente só. A fita tem narração de Gianfrancesco Guarnieri. “O Despejo – Ou Memórias de Gabiru”, de Sergio Glenes, é feito com lápis sobre papel e computador 2-D e retrata um dos problemas brasileiros, já que mostra uma favela e pobreza. Leonardo Cadaval desenvolveu “Pajerama” utilizando 3-D e conta uma história sobre o índio na cidade grande, mostrando o contrataste entre a floresta e as metrópoles. Para finalizar, o infantil “Seu Lobo”, de Humberto Avelar, que utiliza lápis sobre papel e composição digital. A música, repetida sem cessar, cansa, e deixa o espectador com aquela canção pronunciada por crianças ecoando por um bom tempo na memória.

À primeira vista, os brasileiros estão bem em técnica, me parece que dominam a ferramenta, mas ainda falta a esses diretores brasileiros, mais criatividade no momento de contar histórias. No entanto, já é um bom começo para que daqui pra frente nossos talentos desenvolvam outras histórias com mais entusiamo.

Memorial da América Latina

Av. Mauro Soares de Moura Andrade, 664 - Barra Funda

Informações: 3823-4600

Ingressos custam de R$ 3 (vídeo) a R$ 6 (cinema). As sessões Futuro Animador são gratuitas.

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Kung Fu Panda

Pelo trailer, é possível entender como começa e como termina "Kung Fu Panda", novo longa-metragem de animação produzido pela DreamWorks e que estréia no Brasil, após duas semanas em fase de pré-estréia nos cinemas, nesta sexta, dia 4.

Dirigido por John Stevenson (que trabalhou no departamento de arte dos filmes "Madagascar" e "Shrek") e por Mark Osborne (que fez alguns episódios de "Bob Esponja" para a TV, por exemplo), o longa teve participação especial no Festival de Cannes neste ano, que marcou presença com vários pandas no tapete vermelho do prestigiado evento, além de terem ido os dubladores Angelina Jolie e Jack Black, principalmente. Faz muito tempo, aliás, que o personagem principal do filme faz aparições durante a vinheta de abertura das salas do Cinemark no Brasil, tal como fazia Shrek, antes do lançamento de "Shrek Terceiro". Tudo isso é propaganda para cativar, aos poucos, o público e deixá-lo com vontade de assistir à produção.

A verdade é que a Dream Works Animation, empresa ligada à DreamWorks SKG, que pertence a Steven Spielberg, Jeffrey Katzenberg e David Geffen desde 1994 (e foi vendida para a Paramount, em 2006), tenta lançar produções de animação para concorrer diretamente com a Disney (Katzenberg é ex-executivo da empresa que criou o Mickey) e, desde o primeiro "Shrek", os produtores vêm fazendo críticas aos contos-de-fada tradicionais, que trazem ao final as mensagens de boas maneiras e finais felizes.

Desde que a Disney comprou a Pixar, produtora de filmes como "Wall-E", "Os Incríveis" e "Procurando Nemo", ficou difícil para a DreamWorks competir, principalmente porque a "fórmula" do ogro não tem dado muito certo ultimamente. Um dos apontamentos para essa confirmação é o Oscar. Quando foi criada a categoria de Melhor Longa-Metragem de Animação, em 2002, o premiado foi "Shrek". Depois, o estúdio só ganhou novamente em 2006, com o filme "Wallace e Gromit - A Batalha dos Vegetais". Neste meio tempo, venceram "A Viagem de Chihiro", "Procurando Nemo", "Os Incríveis", "Happy Feet" e "Ratatouille". Ou seja: três produções da Pixar.

Na semana passada, teve estréia mundial de "Wall-E", que liderou as bilheterias brasileiras e norte-americanas.

"Kung Fu Panda" conta a história de Po, um panda enorme que ajuda seu pai no restaurante de macarrão da família, mas sonha (literalmente) em ser um dos lutadores que pratica as artes marciais muito cultuadas na China, onde vive. Quando a tartaruga resolve escolher o Grande Guerreiro para lutar contra o leopardo da neve Tai Lung, que esteve preso e fugiu, adivinha quem será o escolhido?

Daí para frente, já dá para se ter uma noção da história e o que acontecerá com o Panda e com quem eles chamam de "The furious five" ("Os Cinco Furiosos"), ou seja, os Mestres Garça, Tigresa, Louva-Deus, Víbora e Macaco, que são liderados por Mestre Shifu. Ele, aliás, vai tentar ensinar ao Panda tudo o que sabe das artes marciais, mas Po só pensa em comer e tem dificuldades em subir as escadas, pra começar, imagine fazer um treinamento rigoroso para ser um mestre...

Além das vozes de Jack Black e Angelina Jolie, fazem parte do elenco de dubladores, na versão original, Dustin Hoffman, Ian Mcshane, Jackie Chan e Lucy Liu. Na versão brasileira, Lúcio Mauro Filho é Po e Juliana Paes é a Tigresa.

O visual da animação é um dos destaques positivos. Com o longa "Madagascar" (cuja seqüência estréia em dezembro), é bom lembrar, o estúdio conseguiu diferentes tipos de pêlos e peles na construção dos diversos personagens do zoológico e, claro, o aprendizado foi aproveitado na nova produção. Outro ponto alto é o bom humor dos personagens, que estão sempre prontos para soltar uma piada e fazer o público gargalhar (principalmente o Panda desajeitado com voz de Jack Black, ator do filme "Escola do Rock" e "Alta Fidelidade").

O Panda, que é enorme e usa essa característica em seu favor para a luta final, segue o mesmo caminho do ogro Shrek, que também é grandalhão e nada bonito. Embora tenha tendência a ser mais cativante para as crianças, não tem tanto carisma quanto tem, por exemplo, Shrek ou o recém-criado robô Wall-E.

Os movimentos desses mesmos personagens também são destaques: imagine como lutam tigre, garça ou louva-deus. Para tanto, os produtores pesquisaram entre os especialistas em kung fu e aproveitaram as técnicas para incorporá-las às criações. O colorido do filme é outro ponto alto, mostrando que a forma sobrepõe o conteúdo.

Embora os diálogos, repletos de metáforas, sejam bem-construídos, o senão do filme é o fato de os personagens falarem inglês na China, onde se passa a narrativa, e tudo o que é escrito está em chinês, ou seja, não existe definição para o idioma (se bem que, os produtores, sendo norte-americanos, não correriam o risco de escreverem os diálogos em chinês, ainda que tenham escolhido alguns atores orientais para dublar).

A narrativa não responde a questão de o Panda ser filho de um ganso! Em uma determinada seqüência, o pai diz que tem uma coisa muito importante para revelar, mas o assunto não tem nada a ver com a paternidade.

"Kung Fu Panda" pode atrair muitas pessoas ao cinema, que vão atrás de diversão, principalmente os mais ligados não apenas à animação, mas também em histórias de luta, tal como os fãs de Sylvester Stallone, Jean-Claude Van Damme ou até mesmo Bruce Lee. As crianças, público no qual as produções de animação mais apostam, podem se divertir, mas muitas piadas, novamente, passarão despercebidas por elas. Esta é a tendência mundial: cinema de entretenimento capaz de levar os pais e os filhos para a mesma sessão de cinema. O filho, aqui, será apenas um pretexto, com certeza.