segunda-feira, 30 de junho de 2008

Amar... Não Tem Preço

Entre tantos blockbusters em cartaz, não é fácil, mas ainda há boas opções no "circuito alternativo". Pensando em assistir a um bom filme, fui ver “Amar... Não Tem Preço” (“Hors de Prix”), do diretor tunisiano Pierre Salvadori.

Na trama, Jean (Gad Elmaleh) é um rapaz que trabalha como barman, garçom, enfim, um “faz-tudo” em um hotel da Riviera Francesa, mas, a certa altura, é confundido com um milionário por uma das hóspedes, Irene (a francesa Audrey Tautou, de “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain”). Na verdade, ela namorada (ou apenas acompanha) um homem velho e cheio da grana.

Logo no começo já dá para perceber que ela está com o tal senhor devido a sua conta bancária e aos presentes que ele lhe dá. E, pensando que Jean também é dono de uma polpuda poupança, acaba trocando, acidentalmente, tudo.

Até aqui, que vai até mais ou menos os 15 primeiros minutos do longa-metragem, é fácil se irritar com a personagem de Audrey Tautou. Ela interpreta com naturalidade a interesseira, embora a pose de “gostosona” não lhe sirva como uma luva. Isso porque, mesmo que tente se mostrar sensual com os decotes dos vestidos justíssimos e de grife que veste, ainda lhe falta uma pitada de sensualidade. Já a outra face de sua personagem é extremamente convincente e capaz de deixar o espectador com raiva das suas atitudes, principalmente quando ela descobre que o moço não passa de um “duro” e que um golpe do baú não funcionará. Então, sentindo-se culpado pela perda de Irene, Jean tenta reverter a situação e coloca-se em risco.

A história se passa basicamente em locações, como hotéis localizados em Cannes. Porém, quem conhece o local, pode identificar que, além de Cannes, na França, o longa se passa também em Monte Carlo, localizado no Principado de Mônaco. Aqui, portanto, estão belos panos de fundos que favorecem a ambientação não apenas por serem extremamente “fotogênicos”, mas também por abrigarem restaurantes chiques, gente bem-arrumada, lojas de grifes, ou seja, cenário que tem tudo a ver com o enredo.

Contando com uma narrativa bem-humorada e com críticas acirradas ao consumismo, no qual vale o quanto se paga e não o real gosto do caviar, a fita envolve o espectador, mas a certa altura é possível se perguntar o que diretor fará para desenrolar a trama que ele mesmo criou. Ele demora, o filme se arrasta, mas, enfim, Salvadori consegue dar um final ao enredo, mas não foge dos tradicionais desfechos das comédias românticas.

“Amar... Não Tem Preço” não é o melhor filme francês e demorou cerca de dois anos para ser exibido nos cinemas brasileiros, já que o lançamento na França e em muitos países da Europa foi realizado em dezembro de 2006 (!). Entretanto, a fita tem aspectos que contribuem para a produção ficar simpática na tela e vale a pena ser visto.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Wall-E

A contar das primeiras imagens do longa-metragem "Wall-E", não dá para imaginar que se trata de um filme de animação. Ao contrário. Primeiro porque as cenas do espaço remetem às obras de ficção científica. Aliás, há referências ao clássico "2001 - Uma Odisséia no Espaço", de Stanley Kubrick, em diversos momentos e não apenas quando os personagens estão em outro planeta. As citações aparecem quando os personagens estão dentro da nave. Há também referências ao computador que domina o comandante (lembra do HAL?) e, claro, a trilha sonora.

Com lançamento mundial nesta sexta-feira, 27, "Wall-E", abreviação de "Waste Allocation Load Lifter Earth-Class", que em português é algo como "Elevador de Detritos Classe Terra", é um robô que foi projetado para limpar a Terra e se passa no ano de 2800 mais ou menos. Então, ele tem a missão de separar o lixo e compactá-lo. No entanto, ele conhece a robô EVA, que está na Terra para cumprir a sua diretriz e dá novo propósito à sua vida. Os dois, então, têm o mesmo objetivo e seguem para o espaço. EVA significa não apenas a primeira mulher da humanidade, mas também "Extra-terrestrial Vegetation Evaluator", ou "Exterminadora de Vegetação Alienígena".

O filme, dirigido e roteirizado por Andrew Stanton, o mesmo responsável pelo sucesso "Procurando Nemo" (2003), vencedor do Oscar de Melhor Longa-metragem de Animação, consegue, do início ao fim, entreter o espectador com um roteiro conciso, bem-escrito e com arte gráfica (3-D) impecável. Os traços do desenho são perfeitos, assim como a ambientação criada para desenvolver a trama.

Além de remeter ao "2001", o protagonista faz o espectador se lembrar de "ET - O Extraterrestre", não apenas por suas características físicas, como a cabeça que encolhe e o corpo achatado, mas também por suas funções psicológicas, já que ele reage às descobertas tal como fazia o alienígena dos anos 1980. Além disso, Wall-E é ingênuo, sujo, vira e mexe os seus olhos quebram e a placa do seu computador interno é trocada. Já EVA, que vive em outra galáxia, tem design futurista, é pura, , seus olhos são luzes e é toda programável.

Como separa o lixo (sua diretiz), Wall-E guarda alguns artigos que encontra no caminho e que achou interessante. Estão em sua prateleira: Cubo Mágico, lâmpada, talheres (a cena de ele separando os garfos e as colheres é hilária), teclados, televisor, VHS, filme musical ("Hello, Dolly", de 1969, dirigido por Gene Kelly), CDs, iPod Classic, torradeira, caixinha de anel de diamante...

Wall-E conhece EVA e faz amizade com uma barata (elas sempre sobrevivem). Artistas da Pixar chamam-na carinhosamente de Hal (em homenagem ao produtor da década de 1920, Hal Roach, e também a HAL, de “2001”).

Além de animação, o filme pode ser classificado como ficção científica, comédia, comédia romântica e drama. Ao contrário do que as pessoas possam pensar, não é um filme para crianças. Os pequenos podem achar bonitinho, como acharam "Shrek". Mas, assim como "Shrek Terceiro", "Wall-E" se comunica melhor com o público adulto, pois esse captará com mais facilidade as piadas do texto, as cutucadas cínicas quando debocha da tecnologia (o computador démodé que cuida da sucata reinicia e emite o som do Windows; já a robô do futuro lembra o Macintosh - Steve Jobs, fundador da Apple, é um dos donos da Pixar), faz uma crítica acirrada ao sedentarismo, à era moderna (quando as pessoas não fazem nada e só apertam botões e comem) e, ao final, transmite a mensagem da importância de se cuidar da plantinha porque a natureza é o único bem que temos de verdade.

Outra mensagem é com relação ao amor, ao espírito de solidariedade e ao companheirismo. Preste atenção na sutileza das mãos dadas e o significado que esse simples gesto tem para os robôs e para os humanos. Outro detalhe é o balé dos dois no espaço: para Gene Kelly nenhum botar defeito!

Humanos, por sinal, estão presentes na fita, mas só aparecem do meio para o final porque tiveram de sair da Terra para que ela fosse limpa. Com formas arredondadas e de olho na tecnologia, as pessoas vivem à mercê dos robôs que os levaram para o espaço, andam em carros flutuantes e se comunicam virtualmente.

Um dos destaques da narrativa - que fazem parte do histórico do estúdio -, é o fato de os personagens terem bom humor. A trilha sonora colabora com o tema (há uma versão de "La Vie En Rose", de Edith Piaf, muito sentimentalista, além de "Don't Worry, Be Happy" e a valsa "Assim Falou Zarathustra"), há fantasia, mas sempre lembrando da verossimilhança, porque tudo pode não ser real, mas os produtores sempre levam em conta este fator da naturalidade. E, claro, a história que tem começo, meio e fim, como é o lema da Pixar desde quando John Lasseter criou o curta-metragem "Luxo Jr.", que conta a história de uma luminária que até hoje é o mascote da empresa.

Depois de criar brinquedos ciumentos ("Toy Story"), insetos desajustados ("Vida de Inseto"), pequenos monstros ("Monstros S.A."), carros com vida social ("Carros"), peixe que se perde da família ("Procurando Nemo"), humanos comuns com poderes de super-heróis ("Os Incríveis"), ratinho cozinheiro ("Ratatouille"), entre outros personagens, a Pixar/Disney consagra-se como um dos melhores estúdios de animação de todos os tempos (com produções que evoluem e melhoram a cada lançamento) não apenas em qualidade, mas também em dinheiro: a arrecadação mundial nos oito primeiro lançamentos é de US$ 4,3 bilhões.

Embora existam poucos diálogos no filme, os produtores criaram vozes para os robôs que lembram o R2-D2 da série "Star Wars", filme de George Lucas. Talvez porque muitos funcionários da Pixar, como os pioneiros Ed Catmull e John Lasseter, começaram a carreira na Lucasfilm. Ou seja, "Wall-E" não tem muitos diálogos e possui produção impecável: coisas que só o cinema pode proporcionar.

Em tempo
Um dos destaques da Pixar são os seus curtas-metragens e, antes do início da exibição do longa, os espectadores podem conferir a história de "Presto", sobre um coelho e o seu mágico. É divertidíssimo e vai arrancar risadas da platéia o tempo todo. Apenas um aquecimento para o que vem adiante.

Portanto, relaxe na poltrona e aproveite a sessão, porque até os créditos finais é possível degustar o que os profissionais estão fazendo no mercado de animação. Enquanto aparecem os inúmeros nomes de pessoas que participaram do filme, há desenhos que lembram videogame e pinturas que remontam aos grandes mestres, como os impressionistas Claude Monet e Van Gogh. Imperdível.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Cinturão Vermelho - entrevista

Por conta do lançamento do longa-metragem “Cinturão Vermelho”, dirigido pelo norte-americano David Mamet, os atores Alice Braga e Rodrigo Santoro estiveram em São Paulo para divulgar a produção estrangeira. Em entrevista coletiva, os dois conversaram com os jornalistas sobre a participação no longa, no qual ela faz a esposa de um treinador de jiu-jítsu, e ele, seu irmão, é um apostador (leia a crítica abaixo). Simpáticos, os dois chegaram correndo porque tiveram problemas de atraso no vôo que saiu do aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, na terça-feira, dia 17 de junho.

Alice, que pôde ser vista no início do ano no filme “Eu Sou a Lenda”, ao lado de Will Smith, disse que recebeu o convite justamente enquanto filmava a fita. Já Rodrigo, que no ano passado participou da terceira temporada do seriado “Lost” e também do longa “300”, disse que seu agente recebeu o convite a partir do treinador de jiu-jítsu e consultor técnico do filme Renato Magno, que forneceu alguns nomes de atores brasileiros para integrar a produção. “Conversamos e deu certo. Sou fã do David Mamet há muito tempo e tinha curiosidade em conhecê-lo. Quando fui fazer o teste, não estava definido qual personagem eu faria nem que seria brasileiro, porque o roteiro estava escrito para um estrangeiro. Fiz uma leitura com o diretor e com a diretora de elenco”, conta. E como havia brasileiros no set, Alice explica que o clima era muito bom. “David Mamet tinha fama de ser durão e severo no set, mas foi 100% ao contrário, porque ele foi doce, generoso, assim como o protagonista, que parece ser mais velho, mas tem 29 anos, está sempre relaxado, foi um clima muito bacana. Até porque os atores brasileiros trouxeram o calor para o set”, explica a moça, sempre sorridente. E Rodrigo reintera: “O clima era muito descontraído. O diretor é simples, pé no chão.”

Embora Rodrigo Santoro faça o papel de um apostador de lutas e não lute, ele diz que conhece o esporte. “Jiu-jítsu é completo, tem a combinação de uma série de virtudes, é preciso exercitar a paciência, a convicção e o controle emocional. Jiu-jítsu é um jogo de xadrez. É fascinante”, conta ele que, antes das filmagens, fez laboratório em Las Vegas para entender o mundo das apostas. Já Alice Braga diz que participou de duas aulas para entender um pouco mais. “E depois saí correndo”, diverte-se.

Trabalho no exterior

Como não é a primeira vez que os dois atores trabalham no exterior, já possuem bagagem neste tipo de produção. A questão, agora, talvez seja o fato de sempre trabalharem como personagens latinos. “Cinco anos atrás, na primeira vez que tive contato com o mercado externo, era diferente. Hoje mudou, o mercado está aberto. No começo do ano, fiz uma comédia que o personagem deveria ser inglês, seria para alguém como o Hugh Grant fazer, ou seja, fiz uma coisa que estava escrita para outro. Os produtores estão procurando pessoas interessantes, que faça um bom papel. ‘Estrangeiros’ é uma categoria, e como temos sotaque, isso influencia. Não precisa ser latino”, comenta Rodrigo.

Por falar em trabalhos, Rodrigo terminou de filmar “The Post Grad Survival Guide”, de Vicky Jenson, e atualmente está filmando “I Love You Phillip Morris”, de Glenn Ficarra e John Requa. “Estou fazendo esses filmes, mas não posso falar muito deles nem dos projetos que tenho para o final do ano. Mas tem também um filme do José Henrique Fonseca, que vai falar do jogador de futebol Heleno, que fez sucesso em 1940”, comenta o ator. Entre os filmes que devem estrear neste ano, estão “Che”, de Steven Soderbergh, o filme argentino “Leonera”, de Pablo Trapero. Os dois, aliás, participaram do Festival de Cannes recentemente. “E claro, ‘Os Desafinados’, com muito orgulho, que vem em agosto”, sublinha Santoro sobre o filme de Walter Lima Jr.

Alice, que também esteve em Cannes com o “Ensaio Sobre a Cegueira”, produção internacional de Fernando Meirelles que estréia em setembro no Brasil, terminou de filmar “Crossing Over”, de Wayne Kramer. “Começo a filmar com o Marco Ricca em setembro, em Mato Grosso do Sul. O futuro a Deus pertence e eu quero trabalhar”, aponta. “O festival foi muito especial. O filme, assim com o livro, é muito particular, vai bater diferente para cada um. E o Fernando é muito visual, ele deixou aberto para o imaginário de cada um”, comenta sobre a produção e a participação no festival francês.

Ainda por conta das produções internacionais, Rodrigo não acredita que cairá no esquecimento (talvez tal como Sonia Braga, que se tivesse ficado no Brasil teria tido mais oportunidades). “Vou pelas experiências, não pelo efeito. Tive oportunidade de trabalhar lá fora, mas continuo trabalhando aqui. No ano passado filmei ‘Não Por Acaso’, este ano tem ‘Os Desafinados’, vou filmar o ‘Heleno’, e tem outras coisas que eu não posso falar”, comenta. Sobre participação em TV, ele diz que gostaria de fazer novela, mas se fosse uma participação pequena, porque ela é muito longa.

Ela também tem vontade de fazer TV. “TV é forte no nosso país e ensina o ator, porque ele grava muitas cenas por dia, cerca de 26, e no cinema são no máximo duas ou três, se estiver na correria. Além de ter uma conexão maior com o público. Teatro eu também gostaria, porque só fiz teatro amador na escola.” Rodrigo concorda: “Só fiz teatro uma vez e me incomoda o fato de fazer teatro correndo. Tenho até um projeto sem data com o Luis Fernando Carvalho, e vai sair na hora certa com certeza”.

Antes de finalizar, Rodrigo aproveitou para comentar a respeito de “Lost”. “Não tenho acompanhado, porque tenho feito uma coisa grudada na outra. Mas vou ver com certeza em DVD tudo, como fiz quando me chamaram para participar, porque me mandaram os DVDs das duas primeiras temporadas e eu fiz uma final de semana ‘Lost’.” Sobre a possibilidade de voltar para a série, ele deixou na dúvida. “Quem sabe? Talvez em flash-back, ou o homem-de-areia (risos), lá tudo pode acontecer...” A gente torce para que faça sucesso.

Cinturão Vermelho

Depois de passar cinco anos treinando com o mestre do jiu-jítsu, o brasileiro Renato Magno, e na companhia de seus colegas e primos, os Machado e os Gracie, o diretor norte-americano David Mamet (de "O Assalto", 1999) resolveu escrever um filme sobre este mundo. "Cinturão Vermelho" ("Redbelt") estréia nesta sexta-feira, dia 20 de junho.

A fita se passa em Los Angeles e inicia com o treinamento da arte marcial em uma pequena academia. Mike Terry (Chiwetel Ejiofor, de "O Gângster") é o protagonista e costuma treinar em seus tatames gente de todo tipo, incluindo um policial (Max Martini). Na verdade, ele prega, durante o tempo todo, que não luta para competir, mas para treinar as pessoas para a vida, como defesa pessoal, combater os bandidos etc.

No entanto, alguns incidentes levam ele e sua esposa Sondra (a brasileira Alice Braga, que aparece nas primeiras seqüências do filme) passarem por dificuldades financeiras.

Como forma de continuar com a academia aberta, ela mantém um negócio paralelo, mas o casal ainda precisa optar por algumas outras coisas que vão surgindo no meio do caminho. A certa altura, entram em cena uma advogada (Emily Moritimer) e o cínico astro de cinema Chet Frank (Tim Allen ótimo!), que está filmando cenas de lutas e pede ajuda ao treinador para coreografá-las.

Alice Braga, aliás, faz o papel de uma brasileira que compra tecidos no Brasil. É aquela mulher que cuida do marido, paga as contas, se desdobra. Quem a viu em "Cidade de Deus", em "Cidade Baixa" ou até mesmo em "Eu Sou a Lenda", por exemplo, pode conferir que trata-se de uma atriz promissora. Nesta fita, porém, ela exagera nas caras e bocas e dá impressão ao espectador que ela está, de fato, interpretando.

O irmão de sua personagem, Bruno (Rodrigo Santoro), é um apostador das lutas de vale-tudo e sempre dá um jeito de ganhar dinheiro com elas, pois assume que essas competições são arranjadas. Principalmente por conta dos brasileiros em cena, o longa-metragem tem diálogos em inglês e em português. Santoro, que já fez inúmeras participações em longas internacionais, como em "300", "Simplesmente Amor", "As Panteras - Detonando", além de outros que ainda não estrearam, tem desenvoltura, os diálogos são bem-interpretados e mais ainda quando fala, naturalmente, o português bem carioca que lhe é caro. Embora sua participação na fita seja pequena e só aconteça depois dos primeiros 15 minutos, ela é marcante. O fato, aliás, é apontado por ele durante entrevista coletiva, já que o cartaz do filme exibe as fotos de Alice e dele bem grandes, enquanto o protagonista aparece bem pequeno. “Lá fora, o cartaz não tem a minha foto, só meu nome. É o tal do marketing, né?”, ironiza.

O filme, assim como "Menina de Ouro" , de Clint Eastwood, por exemplo, não trata exclusivamente de artes marciais, pois discute também a ética dessas lutas, além de gratidão, reconhecimento, direitos autorais, falta de escrúpulos, honra, ganância, lealdade. Embora no início ele seja um pouco violento, as cenas de combate cedem espaço para outras interpretações. No entanto, em determinado momento a narrativa perde o foco e, na ânsia de terminar com a história transmitindo a melhor das mensagens, David Mamet perde a linha e, infelizmente, deixa a desejar com o seu final bizarro, totalmente previsível e desnecessário. Uma pena.

*Post também pode ser lido em: http://www.cinenet.com.br/estreias_critica.asp?id=594

Juno

Juno (Ellen Page), de 16 anos, tem personalidade forte, mas toma um susto quando descobre que está grávida do boboca e sem expressão Bleeker (Michael Cera). Como sabe que não tem condições de criar um filho, ela pede ajuda para sua amiga Leah (Olivia Thirlby). O filme de baixo orçamento, que recebeu quatro indicações ao Oscar 2008, traz boa atuação de Ellen , que é esperta, não titubeia e vai direto ao assunto. Os diálogos são bem-construídos e mostram o universo dos adolescentes e os problemas que os afligem, mas sem ser piegas ou moralista. Mesmo com assunto delicado, a fita não levanta bandeira nem faz apologias, diz o que precisa ser dito.

Sweeney Todd - O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet

O musical de terror dirigido por Tim Burton e estrelado por Johnny Depp chega agora em DVD. Sempre entoando canções de Stephen Sondheim (autor da história original), Depp comanda o barbeiro Benjamin Barker, que tem sede de vingança por ter sido preso injustamente. A seu lado, ele conta com a ajuda de Nellie Lovett (Helena Bonham Carter). Mais uma vez, Depp toma conta da cena como o barbeiro excêntrico. Não é um filme fácil, mas vale a pena ser visto.

sexta-feira, 13 de junho de 2008

A Outra

Na onda de contar a história da monarquia inglesa, como foi o caso dos recentes "Elizabeth - A Era do Ouro" (com Cate Blanchett no papel de Elizabeth I, que se passa no século 16), e "A Rainha" (que estreou no ano passado e contou com a interpretação de Helen Mirren como a Rainha Elizabeth II, sobre os bastidores do palácio de Buckingham após a morte da princesa Diana, em 1997), desta vez estréia "A Outra" ("The Other Boleyn Girl"), filme que chega dia 13 de junho nos cinemas.

A fita é baseada no best-seller "A Irmã de Ana Bolena", escrito pela queniana (que vive na Inglaterra) Philippa Gregory e lançado em 26 países. O roteiro, aliás, é de Peter Morgan, o mesmo que recebeu indicação ao Oscar por "A Rainha". A autora assume, em seu site, que não muda os fatos históricos para escrever seus romances. No entanto, ela incrementa para cobrir os vãos entre as cenas para dar consistência ao relato.

A história do longa-metragem trata do momento no qual o rei da Inglaterra, Henrique VIII (Eric Bana), vive uma crise no seu casamento (já que a rainha Catarina não conseguiu ter um filho e, portanto, o herdeiro de seu trono) e, quando chega ao campo, se envolve com uma das irmãs Bolena. Na verdade, a mais nova delas, Maria (Scarlett Johansson), é oferecida ao rei por seu pai (Mark Rylance) e tio, o Duque de Norfolk (David Morrissey), mesmo sendo casada, porque é importante para a família (por motivos financeiros). Já a outra irmã, Ana (Natalie Portman, ótima!), se apaixona por ele, mas é exilada na França para deixar a irmã caçula em paz.

As duas e a família vão morar na corte, sob a vigilância da rainha, para ser amante do rei. Então, vêem a diferença que é a vida pacata do campo com o agito do castelo, com suas festas e jantares.

A fita mostra que as moças têm um duro caminho pela frente, são tratadas como "mercadoria", mas seus pais alegam que não é demérito para elas serem amantes do rei. E neste "jogo de empurra" acabam sobrando lágrimas, traição, inveja, ambição, competição, vingança, principalmente por que Ana, a mais articulada, consegue contornar os percalços (especialmente após ter passado uma temporada na França e aprendido alguns truques), mas ainda terá de enfrentar a dura realidade de não ser, por alguns momentos, a rainha.

O dinheiro e o poder, já naquela época (início do século 16), e Ana, totalmente manipuladora, consegue, aos poucos, o que quer. No entanto, assim como hoje em dia, dinheiro e poder não garantem felicidade, nem trazem os herdeiros que o rei esperava.

As atrizes têm química entre si, assim como quando atuam ao lado de Bana. No entanto, é perceptível que Natalie Portman está mais à vontade no papel, enquanto Scarlett Johansson, que protagonizou muito bem "Ponto Final - Match Point", de Woody Allen, em 2005, nesta fita ela está pouco confortável, não tem o sotaque britânico que sua personagem exige.

Sob a batuta do diretor Justin Chadwick (que até então só tinha tido experiências em televisão), as imagens em alta definição (HD) dão conta de mostrar como vivia a monarquia naquele tempo, a pressão das moças, o caminho a ser percorrido por elas entre o noivado e o altar. O figurino de época desenvolvido por Sandy Powell, assim como a direção de arte, inserem o espectador no ambiente em que as cenas ocorrem. Embora seja um filme triste (mas com conseqüências positivas a certa altura), é, no mínimo, uma grande aula de história.

Em Paris

Sob o ponto de vista do estudante e arrasa-corações Jonathan (Louis Garrel), o filme conta sobre a separação de Paul (Romain Duris), seu irmão mais velho. Isso porque o rapaz retorna à casa do pai e, portanto, a Paris. Deprimido e desolado pelo amor perdido e sem se conformar com a morte da irmã na infância, Paul passa a maior parte do tempo trancado no quarto. Então, Jonathan tem a missão de fazê-lo enxergar belezas na vida. Com roteiro e direção de Christophe Honoré, o longa é intimista, cheio de detalhes e aproxima o espectador da narrativa. A história, que versa sobre a separação, traz cenas tocantes, capazes de emocionar.

Eu Sou a Lenda

Filme estrelado por Will Smith no início do ano nos cinemas, chega em DVD dia 15 de junho. O longa-metragem conta a história de um cientista militar que pesquisa um anticorpo para um vírus anunciado como a cura do câncer. O vírus, que parecia ser a solução da doença, deu origem a uma peste. Daí pra frente, o herói terá de lutar ao lado do cachorro para sobreviver em um mundo sem ninguém. Ficção científica com monstros estranhos, mas com ótimo timing de Will Smith.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Marcelo Tas

Entrevista de junho da revista METROPOLIS. Como ela foi sacrificada por conta do espaço, aqui está o bate-papo na íntegra.
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O irreverente Marcelo Tas

Ele já passou por diversos canais de televisão. Além de jornalista, Marcelo Tas é roteirista, apresentador e diretor de televisão e ainda mantém um blog na internet. No entanto, sua primeira formação universitária é em engenharia civil, embora ele nunca tenha exercido. “Para a felicidade das pessoas que passam embaixo de pontes”, diz ele, reforçando o clima de descontração do bate-papo que aconteceu na sede da Band, em São Paulo, pouco antes de ele ancorar, ao vivo, o programa “CQC”.

O “Custe o que custar”, aliás, estreou em março e tem atraído cada vez mais audiência e seguidores que buscam irreverência na televisão trazida por esses sete homens de preto. Tas, que tem 25 anos de experiência em TV, ficou muito conhecido como o repórter Ernesto Varela, personagem criado nos anos 1980, que também teve uma incursão na rádio 89FM no início de 2000.

Nesta entrevista, ele conta um pouco sobre como era este repórter, como está sendo o desafio de fazer um programa como ele nunca tinha feito, suas preferências, sua visão a respeito da televisão... Enfim, melhor que esta repórter ficar descrevendo como foi a conversa, é você, caro leitor, conferi-la de perto com os próprio olhos.

Muita demanda para entrevistas com você depois do CQC?
Tá uma loucura.


Mas você está feliz?
Eu estou. Engraçado, porque eu andava muito desatento com a TV aberta. Eu mesmo como telespectador, eu estava assistindo pouco. Mas eu amo televisão, então eu redescobri o prazer de fazer.


Você achava que a TV estava chata?
Achava. (risos)


Chata como?
Olha, sem muita novidade, com as mesmas coisas há muitos anos, sem grandes provocações, sabe? Tanto que o que eu assisto são os telejornais, uma forma de consumir informação. Mas na linha de show, de entretenimento, do que me deixa mais querendo ver o que eles vão fazer na semana que vem, por exemplo, eu não tinha, não estava vendo nada.


E o “CQC” veio para cobrir esse buraco?
(Risos) Então, eu atualmente estou gostando não apenas de fazer mas também de ver o “CQC”. Está me dando prazer de ver televisão, de ver os meninos, de trabalhar com essa equipe.


Li que você assiste ao CQC há mais de 10 anos. O que mais te chamou atenção no programa?
A ousadia é o que mais me chama atenção, a imaginação das perguntas, as situações, a rapidez, a elegância também, porque sempre me chama muito atenção o programa que pega pesado com autoridades, mas com elegância.


Lembra o Ernesto Varela?
Tem muita a ver. Por isso que eu conhecia eles, inclusive, eles conheciam o Varela, a gente trocou algumas figurinhas.


Como surgiu o convite para fazer parte do elenco do programa?
De sopetão, total. A Elisabetta Zenatti, nossa diretora artística, me colocou dentro da sala dela e disse: tem que ser você, acho que tem tudo a ver... Foi muito rápido mesmo, minha decisão levou menos de uma semana.


Você participou da contratação do restante da equipe, como foi? 
Quando eu cheguei, boa parte da equipe já estava fechada, mas eu participei de um fechamento, dei alguns palpites no que faltava. O Diego que é o nosso diretor, ele tem conhecimento nesse tipo de processo. Ele já fez isso em diversos países, então eles estavam muito seguros no que eles estavam fazendo. Eu botei muita casca de banana no meio do caminho para checar se era aquilo mesmo e eles responderam de um jeito muito firme. Mas eu sou muito Caxias, então eu quis fazer muitos pilotos, eu pedi para fazer. Para testar bastante, pra ver se eu ia me sentir seguro, se o programa iria funcionar comigo.

Mas você tem experiência com TV...
Este ano estou completando 25 anos de TV, mas esse tipo de trabalho eu nunca tinha feito, de ancorar, de bancada, é bem diferente, e de comentar a notícia ao vivo. Toda semana é diferente.


Está sendo uma experiência bacana?
Está sendo muito legal. Eu tinha feito o “Vitrine” que era ao vivo, a parte do ao vivo eu já tinha experiência.


Era bem descontraído também?
Era também, mas era uma coisa temática, não era um programa de notícias. O que a gente faz aqui é diferente, porque cada semana é uma coisa, é impressionante. Depende muito da semana. Quando o Lula foi para a não sei onde, a gente foi; fomos fazer a cúpula da América Latina no Peru e conseguimos um furo. Por causa daquele furo a gente teve, por incrível que pareça, muitos problemas. E a presidência da república não entendeu como a gente conseguiu aquela informação. E quem conseguiu aquele encontro foi a presidência da república brasileira. Então eles vieram saber o que a gente estava preparando. Eu repondo pelo programa, então tive que ir falar com o presidente, contar um pouco do programa, discutir. É um trabalho que exige experiência para conversar com essas pessoas e mostrar o que a gente está fazendo, que não é um programa irresponsável, embora às vezes pareça. Mas é um programa muito bem planejado. A gente tem uma equipe de apuração de notícia, uma redação.



Por enquanto, você poderia destacar momentos especiais que esteve envolvido neste programa?
É engraçado porque esse papel de âncora funciona como se fosse uma embaixada do programa junto às autoridades (risos). Desde o primeiro programa, presidente da Sabesp, presidente da República, com a prefeitura. Essa, pra mim, é uma posição nova. Minha função é mais de bombeiro que de incendiário, como era com o Varela. E rolaram cenas engraçadas de eu ter de falar com a presidência. E eu falando, eles acham que eu sou o Varela, e eu tento explicar para eles que nós não vamos desrespeitar o presidente. E como eu fico no centro da bancada, o programa fica com a minha cara e eu tenho que cumprir um ritual, que é engraçado. Com os meninos, no início eles tentaram me colocar em uma posição que eles admiravam e isso acabou. Hoje a gente é uma equipe mesmo, a gente tem troca muito boa. Mas é muito legal, porque estou fazendo um programa ao vivo que tem um roteiro, mas tem também muita improvisação e muita mudança no programa. Cerca de 60% do programa já foi alterado na hora. Tem uma tarefa que é muito arriscada, mas é muito gostosa, que é saber o que vai acontecer com esses dois caras que são de teatro e são muito bons e estão chegando na TV com essa bagagem; e eu tenho uma experiência bem menor de teatro, mas sei mais de TV. Há uma complementaridade entre nós. É muito divertido,


Você disse que não vai desrespeitar a presidência, que existe muito respeito. Qual é o principal lema do “CQC”?
O “CQC” está correndo atrás de entender a notícia e a gente acredita que é possível entendê-la com o humor. O humor é uma maneira de você fazer com que essa inundação de informação que a gente vive faça algum sentido. Uma coisa que eu acredito muito: as coisas do “CQC” gravam na cabeça das pessoas que eu fico impressionado. Até hoje tem gente comentando o que a gente falou no primeiro programa e estamos no 11º. Isso é uma loucura. É muito difícil você se lembrar o que passou no “Fantástico” de um mês atrás. Tem comunidades no Orkut de frases que a gente fala no programa. É um resultado muito revelador. Essa combinação de jornalismo com humor é muito poderosa e faz a gente atingir de um jeito mais profundo.


Agora vão estrear novos quadros, quais são?
Nós temos vários quadros novos que vão entrar o tempo todo. O Repórter Inexperiente está quase no fim. Hoje (dia 26 de maio) entra o Teste de Honestidade. E haverá outro que já gravamos, mas não posso falar ainda, mas é muito legal.


Como é o Teste de Honestidade?
É uma situação que a gente coloca as pessoas, às vezes normais ou autoridades, para testar se elas vão ser honestas até o fim. É muito legal. A gente vive falando mal dos políticos e o quadro mostra um lado complicado que todos nós temos que é não cumprimos com o que a gente fala. (risos) É um jeito legal de reverter o esteriótipo de que o Brasil não dá certo por causa dos políticos. Tem uma velhinha que não quer devolver um celular que não é dela e só devolve com a polícia e ela é obrigada a devolver. Inclusive ela reconhece o “CQC” e diz que assiste ao programa. Mas ela ia ficar com um celular que não era dela.


Você sente falta do repórter Ernesto Varela?
Eu não sou saudosista, sabe? Até porque pra mim o Varela ainda não me deixou, ele é muito próximo de mim.


Ele foi ao ar nos anos 1980?
Sim. Anos 1980.


E na rádio 89FM?
Em 2000 e 2001. E eu fiz agora duas temporadas no teatro, 2005 e 2006, que foram duas temporadas absolutamente lotadas, em São Paulo e Rio, e fiz um pouco de Curitiba, Salvador e Recife. Não consegui continuar por falta de tempo. Eu tenho esse desejo de retornar uma temporada com o Varela no teatro.


Você poderia contar um pouco sobre como era fazer este repórter?
O Varela fazia perguntas inesperadas, e nesse sentido é muito parecido com o “CQC”, e cobria os eventos que os outros jornalistas estavam cobrindo.


Como ele nasceu?
Ele nasceu da minha inabilidade de fazer televisão. A gente estava começando a fazer televisão, era um grupo chamado Olhar Eletrônico.


E tinha o diretor Fernando Meirelles?
Fernando Meirelles, Paulo Morelli, Renato Barbieri, Marcelo Machado, um grupo de figuras que hoje todos são diretores, documentaristas etc. E ninguém era especialista em TV.


Vocês se conheceram na USP?
A gente se conheceu na USP. Cada um fazia uma coisa. Eu fiz engenharia e jornalismo. O Fernando fez arquitetura, o Renato fez filosofia o Tonico Melo fez rádio e TV na Faap. Era uma coisa meio variada, mas o que nos unia era a vontade de fazer uma televisão diferente. A gente fez umas coisas muito estranhas, muito experimentais. Fiquei atraído por aquele jeito esquisitão de fazer audiovisual, vídeo. Como a gente nunca iria fazer bem o jornalismo tradicional, surgiu essa maneira um pouco canhota de fazer o Varela, um repórter meio desajeitado, ingênuo. Aos poucos fomos aperfeiçoando ele, fizemos coisas maiores, fizemos algumas séries, gravamos na Rússia, em Cuba, em Nova York, fizemos Copa do Mundo.


A política brasileira sempre foi um prato cheio para o Varela, continua sendo para o “CQC”?  
Também. Ele tem uma pegada muito forte em política e também tem uma coisa relacionada à cidadania, que é o Proteste Já, um quadro que checa o que não está funcionando no nosso direito de cidadão.

Vocês fazem as perguntas que a gente gostaria de fazer?
Isso ou investiga aquilo que você gostaria que fosse investigado.


O Varela perguntou para o Maluf se era verdade que ele era corrupto.
Exatamente.


Como foi, a pergunta surgiu na hora?
Não, o Varela também tinha muita preparação e muito improviso. Eu estava preparado, e no dia eu estava preparado para fazer muitas perguntas. Mas ele admitia apenas uma pergunta. Ele dizia (imitando a voz do Maluf) “Não tenho tempo, tenho tempo para apenas uma pergunta”. E eu fiz a única pergunta que ele não respondeu até hoje. Ele está com problemas até hoje para responder essa pergunta.


Sobre o Meirelles, você acompanha o trabalho dele?
O Fernando é um cara muito talentoso, um cara que redescobriu o cinema brasileiro, tirou o véu, revelou uma nova etapa e que ainda tem muito pra mostrar. Eu conheço muito bem o Fernando, a gente se relaciona pessoalmente até hoje, nossos filhos se conhecem, a gente se encontra muito, e o Fernando é um cara que tem uma carreira muito grande pela frente, ele está só no começo, por incrível que pareça. Ele ainda vai nos dar muito susto. Eu tenho certeza disso.


Você escreve o Blog do Tas desde agosto de 2003 e no Twitter (miniblog) há um ano. Como você se relaciona com a internet, o que ela te devolve?
Hoje ela me devolve o principal do meu trabalho, é onde eu recebo a resposta da audiência com qualidade. As pessoas na internet me criticam de uma maneira muito aberta. Eu sempre recebi qualquer tipo de crítica, até as mais agressivas, porque acho que é uma maneira legal de você permanecer sempre inovando. Se você deixa as suas conquistas ficarem cristalizadas em um quadrinho na parede e submete elas a uma saraivada de críticas, pauladas e pedradas, isso te rejuvenesce. Se você souber ouvir, acho que você consegue um constante aperfeiçoamento naquilo que você faz.


No Twitter você pediu dicas dos tuiteiros já que você passaria um dia livre em Buenos Aires. Você recebeu alguma resposta?
Eu recebo por e-mail às vezes. As pessoas ficam tímidas de colocar no Twitter. O Twitter funciona como uma espécie de radar. A pessoa sabe onde você está. O Twitter não é uma coisa de público em geral, é mais de trabalho. Uso o Twitter para acompanhar o que alguns colegas estão fazendo. E acredito que eles fazem o mesmo comigo. O fato de eu ter ido a Buenos Aires desperta a curiosidade de entender qual é o projeto que estou indo fazer lá, e de repente o que eles podem fazer comigo lá. Eu acho muito legal o Twitter.


O que mais você usa na internet?
Uso o MSN Messenger para trabalhar, mas muito pouco.





Você não é um viciado, então?
Acho que a gente vive hoje dentro da internet e procuro usar isso de uma maneira não apenas séria, de trabalho. Acho que a gente não pode ficar afogado no meio dessa confusão, ou deixar que a internet te deixe pastoso, ou bêbado, ou igual quando você fica na televisão zapeando, navegando sem rumo. A internet exige uma disciplina para você não jogar tempo no lixo.

A irreverência sempre foi utilizada em seus trabalhos. Essa característica sempre fez parte de sua personalidade ou você cultivou para o trabalho?
Eu acho que fui aprendendo a conviver com isso, mas acho que existe desde criança. Também nunca fui o palhaço da classe, mas sempre andei com eles e sempre tive uma função muito importante dentro daquele grupo que estava sempre aprontando alguma coisa.


E qual era essa função?
Eu era mais o estrategista (risos). Teve uma vez no quarto ano primário, que a gente estava naquela época de ensinar, e tinha uma farmácia dentro da nossa classe. As pessoas podiam usar aquilo com consciência, para entender para que serviam os remédios. Em um belo dia, nós tivemos um plano e eu peguei os remédios e distribuí para esse grupo e nós tomamos esses remédios da farmácia. Uma coisa muito perigosa. Foi todo mundo para a diretoria e eu fui uma espécie de pastor que distribuía esses remédios. E minha condição foi fiscalizar todo mundo vomitando, porque tinha que sair o remédio de dentro de todo mundo.


Você já trabalhou em diversas emissoras, como Globo, Cultura, Record, SBT, Play TV, MTV, agora está na Band. Você poderia fazer uma rápida avaliação da televisão brasileira?
A TV brasileira é muito criativa e o público brasileiro é exigente. A avaliação que eu faço é que hoje a TV não oferece tudo o que esse telespectador exigente quer. Acho que ele gostaria de mais ousadia, mais irreverência, mais surpresas. Acredito que o público está cansado de ver coisas muito parecidas.


Fica uma disputa de audiência e está todo mundo fazendo a mesma coisa.
Exatamente. Todo mundo se copiando. As novelas, por exemplos, eu não consigo diferenciar um cenário de uma novela para outra. Parece que foram feitos na mesma fábrica. É incrível, eu acho isso muito pobre, apesar de ter melhorado a qualidade, da luz, da maquiagem, do figurino, do cenário. Mas ta tudo muito parecido, eu acredito que o público gostaria de mais.


Você acredita que exista exploração da notícia? Caso Isabella, por exemplo.
Os programas apelativos não são privilégio da televisão do Brasil, infelizmente. É uma coisa disseminada pelo mundo. Mas tenho certeza que isso não garante futuro a nenhuma emissora de televisão. Se garantisse, o Silvio Santos não estaria nessa crise, por exemplo. Ele já usou todo o repertório de apelação, como Sergio Malandro, colocou o povo na TV. “Aqui Agora”, Ratinho. Voltou para o “Aqui Agora”, o Ratinho está lá meio desempregado. Isso não resolve nada. Causa um impacto momentâneo, pode dar um pico de audiência, mas a longo prazo você não conquista o telespectador. Para conquistá-lo, você precisa tocá-lo de uma maneira mais ampla e profunda, com humor, drama, emoção, e essa emoção do impacto sensacionalista é muito volátil. Uma menina ser atirada de um prédio, claro, é uma coisa muito grave e vai atrair a atenção de todo mundo, porque é uma coisa muito chocante. Mas a exploração contínua disso vai diluindo e chega uma hora que aquilo não tem mais importância, que você banalizou a importância daquilo. Há outras maneiras de você criar o drama. Shakespeare sabe muito bem como fazer isso e está há 500 anos dando Ibope, tem filmes, novelas que são dramas shakesperianos. Eu prefiro seguir Shakespeare que seguir o mundo cão, porque ele durou mais. Ele vai fundo no drama e na comédia humana.


Como você se mantém informado? O que lê, o que assiste?
Eu leio bastante, leio de tudo. Revistas, jornais, muitos blogs na internet, procuro ter sobre o negócio da comunicação, então leio revistas sobre o mercado publicitário, de tecnologia que é outra coisa que eu acompanho e gosto de entender para onde estamos indo nessa confusão. E leio livros também, porque acho que é o que nos dá um conhecimento a longo prazo mais sólido.


Você está lendo um agora?
Eu terminei de ler “A Árvore do Conhecimento”, um neurocientista e um biólogo. Chilenos, Humberto Maturana e Francisco Varela, parente do Ernesto Varela. Eles fazem uma metáfora do nosso cérebro com essas transformações digitais. E li o livro de um repórter que trabalhava na Vanity Fair, a revista americana. Um cara muito irreverente, inglês, Toby Ian, que foi demitido da revista. O livro é algo assim: “Como Estragar a sua Carreira”. E é um jovem repórter inglês que se meteu no mundo editorial de Nova York e saiu detonando tudo e foi demitido depois de um ano e conta os bastidores da mídia. É muito engraçado.

Você trabalha todo dia?
Todo dia, eu trabalho todo dia (risos). Acho que no mundo hoje, todos nós trabalhamos todo dia. Para mim isso não é um peso, primeiro porque eu me divirto trabalhando e depois não é uma atenção contínua. O Diego, o diretor do programa, tem um telefone como o meu e nós nos comunicamos por um comunicador interno do telefone. No fim de semana, não tem horário para a gente conversar e isso não me invade também. Às vezes ele me faz uma pergunta que eu demoro para responder porque estou em reunião, fazendo outra coisa. Mas de uma certa maneira eu estou ligado ao programa o tempo inteiro.


Quais são os seus hobbies?
Eu gosto muito de cozinhar e eu gosto muito de jardinagem.


O que você cozinha e o que você planta?
Eu não sei muita pouca coisa, mas eu sou da área das pastas e dos cogumelos. E agora estou me aventurando por uma coisa muito perigosa que é o ouriço-do-mar, com pasta, que é uma coisa absurda de gostosa. Jardinagem eu gosto muito mesmo e é uma coisa recente, dos últimos cinco anos. Estou morando casa há seis meses e tem muito a ver com isso. Comprei uma casa fora de São Paulo, em São Bento de Sapucaí, há oito anos e lá comecei a plantar. Estou fazendo uma viagem para a minha infância, porque eu nasci no campo, em Ituverava. Minha infância foi inteirinha no meio de bicho, de plantação. Depois tive um mergulho na urbanidade, morei em grandes centros o tempo inteiro e agora estou voltando e tenho gostado muito disso. Saber como plantar ervilha, mandioquinha que demora oito meses para colher. Eu adoro isso e tenho uma rede de amigos caipiras que a gente conversa sobre mandioquinha, cebola, ameixa, morango, e lá é muito alto e frio. Difícil de nascer, você precisa ser muito bom e persistente.


O que ainda você não fez, que gostaria muito de fazer para se realizar profissionalmente?
Falta eu ir até a estação espacial. Acho que é meu sonho de consumo. (risos)


E pessoalmente?
Eu tenho uma coisa muito sólida com o viver o agora. Tenho já muitas coisas acontecendo: tenho três filhos, de 19, 7 e 3 anos, tenho uma mulher, a Bel, tenho duas gatas, uma cachorra, tenho essa casa, o programa, o UOL que comecei a fazer uma série de vídeos, tenho o Blog, uma comunidade de gente que me segue onde quer que eu vá, no Orkut, no Twitter. Tenho uma vida muito intensa. Estou reformando meu site que não é reformado desde 2003, tenho muita coisa acontecendo agora que não tenho tempo de pensar no futuro.
 


Mas é bom, não é?
É bom. Acho que o único lugar onde a gente vive é no presente. Então, é legal a gente poder ficar atento mesmo ao presente. É difícil hoje em dia. Mas eu procuro ficar.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Sex and the City - O Filme

Prepare a bolsa Louis Vuitton, os sapatos Prada, Gucci, Manolo Blahnik, os vestidos Vivianne Westwood: as quatro moças que colocam Manhattan de cabeça para baixo estão de volta. Estréia, nesta sexta, dia 6, "Sex and the City - O Filme".

A coluna de jornal que virou livro e série de TV chega à telona trazendo Sarah Jessica Parker contando a história de sua personagem, Carrie Bradshaw, e de suas três amigas: Samantha (Kim Cattrall), Charlotte (Kristin Davis) e Miranda (Cynthia Nixon), que buscam extrair de Nova York tudo o que ela tem de melhor, incluindo as famosas grifes de roupas e acessórios e, claro, amor.

As lentes de Michael Patrick King, que atua como diretor, roteirista e produtor do filme (assim como na série), apontam para os dias atuais, ainda que a série na TV tenha terminado há quatro anos, após concluir seis temporadas de sucesso.

Sucesso, aliás, confirmado na bilheteria. Nos Estados Unidos, onde o longa estreou na última semana, a renda arrecadada foi de mais de US$ 55 milhões. Assim, o filme ocupou a primeira colocação, empurrando "Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal" (que faturou US$ 46 milhões) para o segundo lugar.

No início, Sarah Jessica Parker apresenta sua personagem dizendo que é escritora, vive em Nova York há 20 anos etc., e também as outras mulheres que a acompanharam na TV, de modo a atualizar o espectador e fazer com que quem nunca assistiu à série possa entender o longa-metragem sem traumas.

Com começo, meio e fim, a fita tem toques de humor que cativam o público, fazem-no relembrar do seriado e mais: insere o espectador naquele ambiente mostrando que amadureceram. À beira dos 40 anos, Carrie Bradshaw mostra que já tem Nova York como a sua casa e, durante 20 anos, teve tempo de aprender muitas lições. Entre elas, a procura do homem ideal e o compartilhamento das emoções com as amigas (que nunca saem de moda).

O filme também confirma a personalidade da romântica Charlotte que, enfim, tem tudo o que quer; da durona Miranda; da fogosa Samantha e de Carrie, que está sempre em busca de histórias para sua coluna, que não abre mão de seu romance com Mr. Big (Chris Noth), e acredita no amor e nas histórias dos contos de fada.

Um capítulo estendido? Pode ser, e é natural que seja, afinal tem-se a referência de uma série de TV, e muitas imagens mostram isso. Mas a questão: vale um filme? Ora, claro que vale, principalmente por ser uma ótima desculpa para reviver os momentos engraçados e irônicos que falam às mulheres, principalmente àquelas que vivem o drama da busca do príncipe encantado.
Sobre a narrativa, "Sex and the City - O Filme" faz uma continuação do final da série com desfile de moda, todas aquelas grifes esbanjando seus logotipos e fazendo parecer que aquilo é o que tem valor na vida. Aliás, para Carrie, mais vale um bom (e grande) guarda-roupas que um anel de diamante.

Destaque também para a cena na qual Carrie rejeita o iPhone que lhe dão para ligar. Discussões sobre o merchandising à parte, ela o rejeita porque está nervosa. Quando encara os botões do aparelho, diz que não sabe usá-lo (o que é aceitável, já que ela não gosta de celular e tem 40 anos - embora a dona do telefone seja a descolada Samantha, que completa 50). Não é nenhum demérito para a marca. Carrie, aliás, continua usando o iBook, laptop fabricado pela mesma Apple, para escrever seus livros, ler e responder e-mails.

A película joga luzes a um possível futuro no qual Miranda, a advogada, está casada, tem um filho e mora no Brooklin; Charlotte também está casada, e os dois adotaram uma menina na China; Samantha Jones, a relações públicas, sai de Nova York e vai morar em Los Angeles com um garotão; e Carrie, que ainda namora Big, dá, ao lado do moço, um largo passo. É esse, aliás, o principal motivo do longa, haja vista que Sarah Jessica Parker é a personagem principal e que move a fita por duas horas e meia de projeção (cada capítulo da série tem mais de 20 minutos).

O filme é daqueles para se divertir. Às moças que pretendem ir ao cinema, um aviso: vá com as amigas, porque os rapazes podem achar a fita piegas, chata e sem sentido. Assim, as garotas ficam à vontade para chorar e gargalhar na mesma proporção. Neste encontro de mulheres, então, dá para colocar o papo em dia e, por que não?, terminar com um brinde de Comospolitan para comemorar!

Leia também aqui.

Desejo e Reparação

Em 1935, Briony Talles (Romola Garai) e sua família se reúnem na mansão. O momento político é de tensão, por conta da Segunda Guerra Mundial. Cinco anos antes, Briony, então aos 13 anos, usa sua imaginação de escritora para acusar Robbie Turner (James McAvoy), filho do caseiro e amante da sua irmã (Keira Knightley), de um crime que não cometeu. A acusação na época destruiu o amor da irmã e alterou várias vidas. Keira, aliás, faz uma interpretação singular da personagem e é um dos grandes destaques do longa. O romance, aliás, é um dos mais bem-contados do cinema dos últimos tempos.

As Pontes de Madison

O clássico dirigido por Clint Eastwood chega em edição especial para contar a história vivida pelo diretor ao lado da atriz Meryl Streep, no papel de Francesca Johnson. Ele, na verdade, é um fotógrafo da National Geographic contratado para fotografar as pontes da região, mas ele acaba conhecendo a moça que vai mudar a sua vida. Uma linda história que faz sorrir e chorar ao mesmo tempo e que vale a pena ser revista.

Elizabeth - A Era de Ouro

Com a Inglaterra de 1585 como cenário, o filme fala sobre a luta de uma mulher em controlar o amor, derrubar os inimigos e assegurar sua posição como ícone do Ocidente. Um dos problemas que ela terá de resolver é o catolicismo fervoroso (ela é protestante) que paira na Europa. Outro empecilho é o amor proibido pelo aventureiro Raleigh (Clive Owen). Elizabeth, que é conhecida como a "rainha virgem", continua lutando por sua aparência. A fita é dirigida por Shekhar Kapur e o roteiro, escrito a quatro mãos, é de William Nicholson e Michael Hirst. Um dos pontos altos do filme é o figurino de época, que remete a obra ao século 16, além da direção de arte. O destaque do filme fica por conta da interpretação de Cate Blanchett, que sabe ser enérgica e doce ao mesmo tempo, tem verdade no olhar e convence o espectador.

Elizabeth - A Era de Ouro

Com a Inglaterra de 1585 como cenário, o filme fala sobre a luta de uma mulher em controlar o amor, derrubar os inimigos e assegurar sua posição como ícone do Ocidente. Um dos problemas que ela terá de resolver é o catolicismo fervoroso (ela é protestante) que paira na Europa. Outro empecilho é o amor proibido pelo aventureiro Raleigh (Clive Owen). Elizabeth, que é conhecida como a "rainha virgem", continua lutando por sua aparência. A fita é dirigida por Shekhar Kapur e o roteiro, escrito a quatro mãos, é de William Nicholson e Michael Hirst. Um dos pontos altos do filme é o figurino de época, que remete a obra ao século 16, além da direção de arte. O destaque do filme fica por conta da interpretação de Cate Blanchett, que sabe ser enérgica e doce ao mesmo tempo, tem verdade no olhar e convence o espectador.

Quarta Temporada de Lost

Depois de responder a algumas perguntas, eis que agora chegam o terceiro e o quarto DVDs do seriado mais assistido no mundo. Entre as questões abordadas, o fato de Jack e Kate escaparem da ilha, Michael que voltou... Enquanto nas temporadas anteriores o mote era a retrospectiva das personagens, nesta é possível acompanhar o futuro dos sobreviventes. Emocionante do início ao fim, a quarta temporada só não termina da mesma maneira que começou. Uma pena. Afinal, é preciso encontrar mais assunto para esticar ainda mais a série.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

A Família Savage

Com estrutura conturbada, a família Savage, composta pelo professor universitário Jon (o sempre ótimo Philip Seymour Hoffman), sua irmã e dramaturga Wendy (Laura Linney, indicada ao Oscar por este filme), mulher na faixa dos 40 anos que tem um namorado casado, e o pai dos dois, Lenny (Philip Bosco), que está sendo mandado embora de casa, já que vivia com a namorada e ela falece de repente. Os dois irmãos, que têm vidas malucas, precisam resolver o percalço inesperado. O filme começa de uma maneira e termina de outra totalmente diferente, de modo que os personagens vão se fortalecendo a cada conflito, se humanizando e mostrando ao espectador que são normais, e o que aconteceu com eles poderia acontecer em qualquer outra família.

Vestida para Casar

Jane (Katherine Heilg) é uma mulher romântica e já participou como dama-de-honra de 27 casamentos. Mas o seu ainda não chegou. Até que Tess (Malin Akerman), sua irmã caçula, ganha o coração do chefe de Jane (Edward Burns) por quem ela é apaixonada. Daí pra frente, acontecem as mais engraçadas cenas. Trata-se de uma comédia romântica simples, mas muito bem interpretada pela atriz. No mínimo, uma boa sessão da tarde.

O Gângster

Ambientado na Nova York da década de 1970, o longa mostra a trajetória de Frank Lucas (Denzel Washington), o maior gângster da cidade. À frente
dos negócios de seu ex-chefe, conhecido como "Bumpy" Johnson (Clarence Williams III), Lucas vai até o Vietnã, em plena guerra contra os Estados Unidos, atrás de matéria-prima para vender a heróina mais pura e barata, concorrendo com a máfia italiana. Paralelamente, o policial bonzinho (Russell Crowe) sofre perseguições. O filme possui todos os ingredientes do cinemão hollywoodiano e tem Ridley Scott na direção.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Estreou nos cinemas o segundo filme que compõe a série “As Crônicas de Nárnia”, livro escrito por C.S. Lewis, que resgata os contos de fada e as eternas lutas entre o bem e o mal. Depois de “O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa”, que ganhou as telas em dezembro de 2005, chegou “Príncipe Caspian”, história na qual os irmãos Pevensie são transportados outra vez da Inglaterra ao mundo de Nárnia, onde uma aventura e um teste coragem e do destino os aguarda. A ida, aliás, acontece em meio a uma confusão da estação do metrô londrino. De repente, os irmãos são levados para uma praia paradisíaca.

Embora tenha passado apenas um ano para os meninos, em Nárnia já se passaram 1300. Neste meio tempo, a Era de Ouro de Nárnia foi extinta, e ela foi conquistada pelos Telmarines, que agora está sob o domínio do rei Miraz (Sergio Castellitto). As quatro crianças, Lúcia (Georgie Henley), Edmundo (Skandar Keynes), Pedro (William Moseley) e Susana (Anna Popplewell), logo encontram um novo personagem: o herdeiro legítimo do trono de Nárnia, o jovem Príncipe Caspian (Ben Barnes), que foi forçado a ficar escondido enquanto seu tio Miraz planeja matá-lo para dar o trono a seu filho recém-nascido.

Com a ajuda de um duende, do rato Reepicheep, do texugo Trufflehunter e do Duende Negro, Nikabrik, os narnianos, liderados pelos cavaleiros Peter e Caspian, embarcam em uma jornada para encontrar Aslam (o mesmo Leão do filme anterior), retirar Nárnia do domínio de Miraz e restaurar a magia e a glória da terra.

Dirigida novamente pelo neo-zeolandês Andrew Adamson (que assina a direção dois primeiros "Shrek"), a fita épica é repleta de efeitos especiais, mas possui menos seres mitológicos que o primeiro. É nítido o crescimento dos atores e também o será dos espectadores, até porque as cenas são repletas de lutas, de modo que a diversão não é para os pequenos.

Os efeitos especiais estão ali para complementar a trama, de modo a dar vida (e voz, principalmente) aos animas inseridos digitalmente, e não simplesmente à toa, como algumas produções costumam fazer para se exibir. Há cenas, é verdade, que chegam a ser forçadas demais (como uma das finais no rio), mas é uma aventura divertida, que tem a duração de quase duas horas e meia.

Outro ponto positivo do filme é o bom-humor dos diálogos, que são capazes de fazer rir o espectador, principalmente com algumas sacadas irônicas.

Editada no Brasil pela Martins Fontes, a série completa de livros ainda inclui: "A Viagem do Peregrino da Alvorada", "A Cadeira de Prata", "O Cavalo e seu Menino", "O Sobrinho do Mago" e "A Última Batalha". “A Cadeira de Prata” é a próxima história que deve virar filme, com estréia prevista para 2011. Ao todo, foram vendidos mais de 85 milhões de livros em 29 idiomas diferentes, ficando atrás apenas de Harry Potter, da inglesa J.K. Rowling, como a série de livros mais famosa de todos os tempos.