quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Eu, Meu Irmão e Nossa Namorada

Assisti ao longa-metragem “Eu, Meu Irmão e Nossa Namorada” (“Dan in Real Life”), que estréia nesta sexta-feira, dia 31 de outubro, em maio, durante um vôo de São Paulo para Frankfurt, na Alemanha. Demorou, e finalmente a Europa Filmes conseguiu colocar a produção em cartaz nos cinemas brasileiros, ainda que tenha sido produzido em 2007.

A estrela do filme é o engraçadíssimo Steve Carell, que pôde ser visto, por exemplo, em “O Virgem de 40 Anos”, “Agente 86”, entre outros. Nesta fita, Carell é Dan, um cara comum, viúvo e escritor de uma coluna sobre conselhos familiares. No entanto, sua vidinha comum e “segura” chega ao fim quando se apaixona por Marie (Juliette Binoche), durante um final de semana totalmente familiar, mas que acaba se transformando em um verdadeiro caos.


Pai de três filhas rebeldes, ele tenta ajeitas as confusões, mesmo depois que se apaixona por Marie que é, como se pode ver em seguida, namorada de seu irmão Mitch (Dane Cook), embora não tenha conhecimento disso.


Sei que parece frustrante ter de contar como o filme vai se desenrolar, mas esse preâmbulo apenas traduz o título do longa que a distribuidora brasileira fez o favor de deixar o mais claro possível, ao invés de apenas traduzir o nome original ao pé da letra.


Dirigido por Peter Hedges, que também é co-autor do roteiro ao lado de Pierce Gardner, o longa foi inspirado na experiência de vida pessoal de Gardner com base em encontros familiares recheados de surpresas.


A participação de Carell já garante ao espectador boas risadas, principalmente por conta de seu timing cômico. A química com Juliette Binoche funciona, mas o enredo, por ser previsível, faz com que o público perca um pouco o interesse, pois ele já sabe o destino dos personagens (basta conferir como se desenvolve). Um dos destaques é a locação: casa no litoral, em Rhode Island.


Entre as cenas que valem destaque está a que se passa no banheiro e tem a presença de Carell, uma de suas filhas e Juliette Binoche.


Uma coisa é certa: o espectador vai se identificar com os personagens, já que eles foram inspirados em pessoas que realmente existem. Neste quesito, é possível se identificar com o jeito meigo de Marie, com as trapalhadas das filhas de Dan, o fato de seu irmão ficar enlouquecido quando descobre que estão namorando a mesma mulher. Com certeza, cenas da vida real.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Chile

Já do avião, no vôo de pouco mais de três horas que separa São Paulo de Santiago, capital do Chile, já é possível avistar a majestosa Cordilheira dos Andes. E em diversos ângulos da cidade também é possível vê-la, contemplá-la e, se você resolver esticar o passeio, pode subir as suas montanhas .

Por ser uma faixa estreita e comprida, na América do Sul (4.300 quilômetros de norte a sul e 175 quilômetros de largura máxima), o Chile possui de tudo um pouco: neve, praia e deserto.Santiago, que está a 520 metros de altura, mas, por ser um vale, é plana, permite ao visitante passeios a pé. Por conta dos longos congestionamentos que costumam se formar, andar a pé é a melhor opção, mas há alternativas, como os táxis, que custam razoavelmente pouco, e o metrô.


No Centro da cidade, é possível conhecer o Palacio La Moneda, sede da presidência do Chile, onde fica Michelle Bachelet, a primeira presidente mulher do país. Lá também foi cenário do golpe liderado por Pinochet em 1973, que depôs Salvador Allende.


As ruas são históricas e lembram o centro de São Paulo, já que as fachadas estão conservadas. Entre uma ruela e outra, é possível dar uma paradinha para tomar um café no Starbucks, por exemplo, ou até mesmo aproveitar para apreciar um alfajor do argentino Havana Café.


Ainda no Centro, está a Catedral de Santiago, que possui estátua de madeira de São Francisco Xavier esculpida no período colonial. A igreja foi construída em no século 16, mas, por conta do terremoto, a estrutura de adobe veio abaixo. A fachada atual foi erguida em 1789. O Museo Historico Nacional está bem ao lado e as 18 salas estão construídas ao redor do pátio central, ao ar livre. O prédio, de 1808, sediou a primeira reunião do Congresso Nacional.


Outro passeio interessante é o Cerro San Cristóbal, com 300 metros de altura. Para chegar até o alto, de onde é possível avistar boa parte da cidade, é preciso ir de teleférico. Ao todo, são três paradas onde o visitante pode descer e continuar a “escalada” entre a vegetação. Essa parte, aliás, já que o bondinho passa pelo meio da mata nativa, é um pouco incômoda.


No último estágio está mais um desafio: escadarias levam o visitante à imensa estátua da Virgem Maria. A escadaria, aliás, lembra a basílica Sacré-Coeur, em Montmartre, em Paris, mas na capital francesa o visitante pode escolher entre ir de funicular ou pagar os pecados já no trajeto. A basílica e gruta de Lourdes também valem a visita. Ainda no Cerro há a Casa de la Cultura, com espetáculos musicais gratuitos, o Observatório Astronômico da Universidade Católica e o Zoológico municipal com centenas de espécies animais. Do alto do Cerro Santa Lucía é possível avistar a Cordilheira dos Andes e também as mansões construídas por ali.Providencia é o bairro boêmio da cidade, assim como o agitado Bellavista. Aos finais de semana, à noite, por exemplo, os chilenos saem de casa e sentam-se em mesas de bares que ficam do lado de fora. Assim, eles aproveitam para apreciar um bom vinho sob a luz das estrelas. Boa bebida também é o pisco sauer, aguardente de uva.

Aconchegante, o Cinema Paradiso, em Providencia, é um restaurante italiano onde se pode apreciar uma deliciosa massa, bem servida, e beber um vinho saboroso. Rústica, a decoração contempla tijolos à vista, poltronas de veludo, garrafas de vinho espalhadas, luz de velas e um bar de onde saem drinques preparados pelos barmen da casa. O som (rock ou algo moderno) atrai público entre 30 e 40 anos.


No mesmo bairro, o Parque de las Esculturas possui 30 obras de artistas chilenos, e é onde os moradores da cidade costumam passear.No Bellavista, a Rua Alonso de Córdova possui lojas fantásticas para quem curte moda, como Burberry London, Emporio Armani, Longchamp, L’Occitane, Ermenegildo Zegna...

Se em Buenos Aires, na Argentina, comer bem significa ir a uma boa churrascaria, Santiago oferece o Mercado Central, centro de distribuição dos frutos do mar chilenos. O local possui bastante oferta de peixes e frutos do mar por sua qualidade e variedade de ofertas, já que o mar está próximo e a corrente de água gelada que banha o litoral chileno.


Em Santiago, os museus também estão espalhados por vários locais. Mais que por seu conteúdo, o de Bellas Artes vale por sua arquitetura, e por seu prédio ser histórico, já que foi inaugurado em 1910.


O shopping Parque Arauco, onde é vendido o passe para Valle Nevado (leia mais abaixo) já é um passeio. Além de ser o maior shopping do país, há um grande centro de entretenimento, como cinema, teatro, boliche e restaurantes ao ar livre. Souvenires ideais são as peças de lápis-lazúli, pedra que só existe no Chile e no Afeganistão.


Embora os brasileiros sejam bem-recebidos em Santiago, e eles estejam aos montes na cidade, principalmente porque o dólar estava baixo, pela facilidade do idioma e pela proximidade da cidade, ainda é preciso tomar alguns cuidados com a segurança. A policia local já percebeu e espalha propaganda avisando para os moradores e visitantes ficarem atentos aos seus aparelhos celulares. Mas uma dica é importantíssima, embora pareça tola: Corrente de ouro é melhor evitar mostrar. E bom passeio.


Passeios


Por ser um grande produtor de vinho por conta do clima ideal para o plantio da uva, muitas vinícolas, como a Concha y Toro, mantêm programas de visitas com direito a degustação e acompanhamento de guias especializados.


Conhecer o litoral do lado do Oceano Pacífico é possível indo para Viña del Mar e Valparaíso. Valle Nevado e Portillo são estações de esqui e snowboard de primeira linha. Para se chegar ao Valle Nevado, há excursões pré-marcadas pelas agências de turismo, que podem ser conhecidas na recepção do hotel, geralmente. No entanto, uma boa dica é optar pelo transfer realizado pela agência Turistik Santiago, localizada próxima do shopping Parque Arauco. A passagem é mais barata (cerca de US$ 28 dólares contra US$ 65, da agência) e o aluguel dos equipamentos também sai mais em conta.


Um dos pontos baixos da viagem ao Valle Nevado é o excesso de curva, no qual muitos costumam enjoar. O trajeto lembra a serra de Taubaté, no litoral norte de São Paulo. Para subir, o motorista demora uma hora e dez e ele deve realizar 60 curvas bem fechadas. Nesta época do ano, porém, não há neve no caminho, mas a montanha fica toda coberta de gelo.


Quem não vai esquiar, não tem muito que fazer no local, principalmente porque os passeios se resumem aos hotéis locais, onde existem poucas lojas e restaurantes extremamente caros. No entanto, o fato de encontrar a neve já vale a visita e o esforço de se passar meio dia por ali, já que as descidas são feitas apenas após às 15h.


História


Santiago de la Nueva Extremadura foi fundada em 1541 pelo espanhol Pedro de Valdivia e em seguida foi saqueada e queimada pelos índios. A falta de ouro no Chile fez com que o país ficasse para segundo plano durante três séculos, até que os líderes declarassem a sua separação da Espanha em 18 de setembro de 1810, data celebrada todos os anos com fervor, o Dia da Independência.


Melhor época

Santiago é ensolarada no verão, de dezembro a março, e a temperatura varia de 21 ºC a 30 ºC. No inverno, as estações de esqui ficam cheias, mas a melhor época para esquiar é de junho a setembro. De maio a agosto, costuma chover e a temperatura dificilmente passa dos 10 ºC. Em setembro, as manhãs e as noites costumam ser frias, sendo necessário o uso de casacos, mas durante a tarde o sol esquenta, inclusive em Valle Nevado.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Horas de Verão

Com o tema familiar, o francês "Horas de Verão" ("L'Heure d'Été") é outro destaque da Mostra, e pode ser conferido no sábado, 25, às 18h, no Unibanco Arteplex.

Dirigido por Olivier Assayas, também autor do roteiro ao lado de Clémentine Schaeffer, o longa-metragem conta a história de uma família, cuja matriarca (Edith Scob) pressente que está nos seus últimos dias de vida e dá ordens aos seus filhos para que se organizem quando o "Dia D" chegar.

Adrienne (Juliette Binoche) mora em Nova York; Frédéric (Charles Berling) é o único que vive em Paris, como a mãe; e Jérémie (Jérémie Renier) vive na China. Depois que a mãe morre, os três terão de dividir as tarefas, vender a casa onde viveram na infância e se desfazerem da coleção de um tio que foi pintor famoso.

Assayas, que começou no cinema escrevendo para os "Cahiers du Cinéma", além de ter realizado outros filmes, incluindo o coletivo "Paris, Te Amo", passa superficialmente pelos personagens, de modo que o espectador não se apegue a nenhum. No início, a personagem vivida por Edith Scob entrega o que acontecerá nos próximos 102 minutos. O espectador só precisa confirmar a percepção.

"Horas de Verão" é um filme delicado, mas não chega a emocionar por completo. Além de se passar dentro das casas onde vivem, as lentes de Assayas apontam para as ruas parisienses. Ao mesmo tempo, remete o espectador às ruas parisienses e ao Musée D'Orsay, dando um ar saudosista.

Gomorra

Vencedor do Grande Prêmio do Júri no Festival de Cannes neste ano, "Gomorra" ("Gomorrah"), do italiano Matteo Garrone, está participando da 32a Mostra Internacional de Cinema. O longa-metragem sobre a máfia italiana pode ser visto no sábado, 25, às 16h, e domingo, 26, às 15h40, no Espaço Unibanco Pompéia, no Bourbon Shopping.

A fita, indicada pela Itália para concorrer a uma vaga ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, discute poder e dinheiro com sangue entre os moradores da Província de Nápoles e Caserta. Eles quase nunca têm escolha e são obrigados a obedecer às regras do "sistema", ou seja, da Camorra.

Baseado em livro do jornalista napolitano Roberto Saviano, o filme conta histórias que se passam no cenário violento que já é mostrado na seqüência de abertura do filme. Na tela, enquanto alguns personagens estão aparentemente em uma clínica fazendo bronzeamento artificial, os atiradores entram e fazem o serviço com suas potentes armas.

Daí para frente, o espectador pode se preparar e se acomodar melhor na poltrona para encarar as mais de duas horas pelas quais o longa se estende.

Além das ruas, a fita se passa em um conjunto habitacional de classe baixa, onde há também muitos criminosos (como se poderá ver ao decorrer da projeção).

Uns matam por diversão, porque se encantam pelas armas, outros a mando dos maiores. Mas a máfia não se resume a drogas ou a dinheiro. Um exemplo é a fábrica de roupas onde os chineses propõem a um alfaiate que ensine seus funcionários (chineses) a costurar. Assim, copiam vestidos de renomados costureiros em grande escala. Ou seja, coisas que presenciamos, por exemplo, na Rua 25 de Março, onde há cópias piratas de produtos de grife.

As histórias caminham paralelamente e retratam uma realidade dura, sem maquiagem, ao contrário de como foi rotulado "Cidade de Deus", de Fernando Meirelles, à época de seu lançamento.

Assim como escreveu um crítico na revista francesa "Cahiers du Cinéma", um dos problemas do longa de Garrone é o tempo. Concordo. Isso, no entanto, não chega a ser um problema para o espectador que quer assistir a uma ótima exibição nas telas.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

32a Mostra Internacional de Cinema em São Paulo

A abertura da 32a edição da Mostra Internacional de Cinema em São Paulo acontece nesta sexta, 17. E até o dia 30 poderão ser vistos, em diversos cinemas de São Paulo, mais de 450 filmes que participam da competição e da perspectiva. O festival é um dos mais importantes do país e, desde 1977, tornou-se uma tradição entre os cinéfilos que tiram férias nesta época e trocam as ruas pelas salas de cinema.

Em entrevista coletiva realizada no sábado, 11, o idealizador do evento, Leon Cakoff, informou que o filme escolhido para a abertura, 16 (para convidados), seria "Terra Vermelha", co-produção Brasil-Itália, dirigida por Marco Bechis. "O filme participou do Festival de Veneza, neste ano, e é exemplo de boa globalização, principalmente por conta do olhar estrangeiro", pontua.

Na ocasião, ele aproveitou para apresentar o troféu desenvolvido pela artista plástica Tomie Ohtake. Esta é a terceira vez que ela assina o cartaz do evento. Entre os nomes que já assinaram o projeto estão: Federico Fellini, Akira Kurosawa, Michelangelo Antonioni, Manoel de Oliveira, Isabella Rossellini, Abbas Kiarostami, Hector Babenco, entre outros.

Cakoff avisa, também, que preparou uma surpresa, com curtas-metragens, como o escrito e dirigido por Isabella Rossellini. Entre os destaques da Mostra está a retrospectiva de filmes do cineasta sueco Ingmar Bergman, que faleceu no ano passado, com obras raras do início de sua carreira, como "Crise" (1946), "Prisão" (1949) e "Rumo à Alegria" (1950). Outro homenageado será o cineasta japonês Kihachi Okamoto (1924-2005), autor das obras "All About Marriage" (1958) e "Kill" (1968). Dos 39 filmes produzidos por ele, a Mostra apresentará 14.

A também diretora da Mostra, Renata de Almeida, destaca a "Carta Branca a Wim Wenders". O diretor alemão de "Paris, Texas" foi convidado a apresentar sua seleção de filmes. "Ele fez seleção de filmes novos, lançados este ano, e alguns estão na lista de Novos Diretores", completa.

Entre os 15 filmes escolhidos, "A Sereia do Mississipi", de François Truffaut, "O Pequeno Soldado", de Jean-Luc Godard, "Longe Dela", de Sarah Polley. Wenders, aliás, estará em São Paulo entre os dias 20 e 22 para comentar suas escolhas.

Especiais
Outro destaque desta edição é a exibição, em primeira mão, de "Garapa", novo longa do diretor José Padilha (de "Tropa de Elite"). O cineasta argentino Pablo Trapero, de "Família Rodante" e "Leonera" (que terá participação na Mostra), virá a São Paulo onde realiza workshop sobre direção. Outra convidada é a atriz, cineasta e cantora portuguesa Maria de Medeiros, que fará show de encerramento. O ator Benício Del Toro também virá ao país (nos dias 30 e 31) para acompanhar a exibição de "Che", de Steven Soderbergh.

Como é de costume, haverá dois filmes silenciosos que serão apresentados com acompanhamento musical. "O Homem que Ri" (1928), de Paul Leni, e "Poil de Carotte" (1925), de Julien Duvivier, serão acompanhados pelo grupo Octuor de France, que vem ao Brasil a convite do Consulado da França.

Totalmente restaurado, os cinéfilos poderão assistir, na tela grande, ao clássico "O Poderoso Chefão" (1972), de Francis Ford Coppola. O filme já pôde ser conferido no Festival do Rio, e é uma ótima oportunidade para os jovens conferirem um dos filmes mais bem-feitos da história do cinema, além de ter sido eleito recentemente pela revista inglesa "Empire" o melhor filme, entre 500, de todos os tempos.

Inéditos
Entre os filmes inéditos no Brasil, serão apresentados "Tulpan", de Sergey Dvortsevoy, vencedor da mostra "Um Certo Olhar", do Festival de Cannes 2008; "Mil Anos de Orações", de Wayne Wang; "Duska", de Jos Stelling; "Horas de Verão", de Olivier Assayas; "Príncipe da Broadway", de Sean Baker; "Oceano", de Mikhail Kosyrev -Lambert; "The Palermo Shooting", de Wim Wendes; "Revolução Revisitada", de Hugh Hudson; "Fronteira", de Rafael Conde; "Coyote", de Brian Petersen.

Ao todo, são 22 salas de cinema, distribuídas em 16 locais, como Unibanco Arteplex, Cine Bombril, Espaço Unibanco, Espaço Unibanco Pompéia, IG Cine, Faap, HSBC Belas Artes, Reserva Cultural, Cine Tam Morumbi, Cinemark Eldorado e Cidade Jardim, entre outros.

Os ingressos custam R$ 14 (de segunda a quinta) e R$ 18 (sexta a domingo). Estudantes e aposentados pagam meia-entrada, e assinantes da Folha de S. Paulo têm 15% de desconto. As permanentes e os pacotes têm preços de R$ 165 (20 ingressos) a R$ 390 (permanente integral.

O início
O crítico Leon Cakoff organizou a primeira Mostra para celebrar os 30 anos da fundação do Masp, que contou com 16 longas-metragens e 7 curtas (de 17 países), somando 40 sessões no Grande Auditório do Masp. O longa "Lúcio Flávio, Passageiro da Agonia", de Hector Babenco, venceu o Prêmio do Público.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

As Duas Faces da Lei

Mais que pelo conjunto, "As Duas Faces da Lei" ("Righteous Kill"), longa-metragem que estréia nesta sexta, 10, vale ser visto pelo elenco. Isso porque o filme traz Robert De Niro e Al Pacino nos papéis principais. Os dois, aliás, estão à vontade na tela, aparentam se divertir e podem ser considerados parceiros (já trabalharam juntos, por exemplo, em "O Poderoso Chefão II"), não apenas na trama que será vista, como também na vida, já que ambos passearam juntos como bons amigos pelas ruas de Paris, conforme pôde ser observado para a divulgação do longa no Velho Continente.

É possível dizer, inclusive, que os atores estão mais à vontade que o diretor, Jon Avnet (de "88 Minutos", estrelado, aliás, por Pacino), já que ele está mais acostumado a dirigir programas de televisão que cinema.

"As Duas Faces da Lei", pois, é um longa cheio de ação e mistura drama e mistério envolvendo dois policiais (De Niro e Pacino), que trabalham no Departamento de Polícia de Nova York. Ambos são chamados para investigar o assassinato de um cafetão, que parece ter ligação com um caso resolvido por eles anos atrás. O serial killer em questão é procurado porque, quando efetua um crime, deixa um poema cheio de rimas junto do corpo, justificando o assassinato.

Cercados por outros policiais, os investigadores precisam driblar outros problemas, já que há a suspeita de que o autor dos crimes seja um policial.

Repleto de piadas, principalmente vindas do personagem de Pacino, o longa é também cheio de tiroteio e drogas envolvidas. Embora demore a desenrolar, o filme, a certa altura, prende o espectador, que se vê interessado em desvendar, ao lado dos policiais, os crimes cometidos pelo assassino.

Este não é o melhor filme de ambos, mas o que se vê, aparentemente, é que eles não têm mais o que provar ao público, aos diretores ou a si mesmos. Portanto, a nova ordem agora é a diversão. Na tela e na platéia. No mínimo, um bom programa para admirar os dois bons amigos, ou melhor, dois atores.

A Guerra dos Rocha

Não é para se esperar muito do filme "A Guerra dos Rocha", longa-metragem que estréia nesta sexta-feira, dia 10 de outubro, nos cinemas, que não seja diversão. O filme tem a direção de Jorge Fernando, responsável por "Sexo, Amor e Traição", por exemplo, além de diversas novelas exibidas pela TV Globo, como "Chocolate com Pimenta" e "Rainha da Sucata".

A trama gira em torno da matriarca da família Rocha, Dina (vivido por Ary Fontoura). Viúva e mãe de três filhos adultos, ela precisa de uma casa para morar, já que foi expulsa da última onde viveu.

Seus filhos são todos casados e, digamos, não com o que seriam exemplos de nora. Marcos Vinicius (Diogo Vilela) é daqueles políticos envolvidos com a CPI e casado com a aproveitadora Paola (Ludmila Dayer). César (Marcello Antony) é advogado, vive na casa enorme que era de sua mãe, e é casado com Júlia (Giulia Gam). Ambos têm uma filha, Bebel (Cecília Dassi), que está prestes a fazer 15 anos e não quer nem saber de festa de debutante. O terceiro filho é Marcelo (Lúcio Mauro Filho), o caçula e músico que está cheio de problemas financeiros, embora sua canção seja tema de uma novela da televisão. Casado com Carol (Taís Araújo), os dois são os últimos que expulsam dona Dina de casa e, a partir de então, há todo o desenrolar da história, que inclui ainda outros personagens, como a vivida por Nicete Bruno.

Entre as trapalhadas que acontecem, os três filhos recebem a notícia de que a mãe morreu e, por isso, vão reconhecer o corpo dela no IML.

Só o fato de Ary Fontoura interpretar uma senhora já é caricato e cômico e, é preciso dizer, sua interpretação é impecável e capaz de tirar risos da platéia. Ao final do longa, o diretor Jorge Fernando dá uma de Hitchcock, o mestre do suspense, e aparece em seu próprio filme, em uma cena bizarra, mas ao mesmo tempo emotiva. Tal como ele mesmo disse durante o lançamento em São Paulo, no dia 29 de setembro, antes de a sessão começar, não se trata de um "filme cabeça". Portanto, era apenas necessário se soltar e se divertir.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Noites de Tormenta

O pôster do filme traz a foto de Richard Gere e Diane Lane juntos. Só por isso já não se pode esperar muito do longa-metragem "Noites de Tormenta" ("Nights in Rodanhthe"), que estréia nos cinemas nesta sexta, 3 outubro. O fato de não se poder esperar muito nada tem a ver com os atores que, aliás, estão bem na trama, mas sim porque a imagem do casal já antecipa o que vai acontecer após os 15 minutos iniciais da projeção.

O filme, dirigido por George C. Wolfe, dramaturgo de teatro que faz sua estréia no cinema, conta a história de Adrienne (Diane), mãe de dois filhos que, abalada pela traição do marido e após a separação, aproveita a oportunidade para não ficar pensando no passado. Então, uma amiga (Jean, vivida por Viola Davis) lhe pede ajuda para cuidar de sua pousada, em Rodanthe (daí o nome do filme), enquanto tem outros assuntos para resolver. Longe de todos os problemas e em um lugar pacato (Outer Banks, na Carolina do Norte), Adrienne está lá para atender o único hóspede, já que estão em baixa estação: Paul (Gere). Ele, aliás, é um médico que precisa resolver uma pendência de uma de suas clientes. Antes de viajar, a amiga de Adrienne a avisa sobre os perigos de um furacão, que o serviço meteorológico sempre indica, mas nunca vem.

Eis que aí já se tem toda a trama do longa baseado no romance homônimo escrito por Nicholas Sparks. Como se trata de um romance, ora, já temos parte da história resolvida, ou seja, os personagens principais estão em contato, os avisos do que virá foram dados, só resta ao espectador esperar para conferir como Wolfe dará conta desses elementos para encenar a sua história.

Com fotografia do brasileiro Affonso Beato (de "A Rainha", "Tudo Sobre Minha Mãe"), o longa tem uma linda locação, pois a pousada está localizada na praia. Suas lentes apontam para essa paisagem ímpar, faz travellings ao ar livre, apresenta o ambiente e os personagens ao público. A pousada, então, se torna mais um personagem, já que é lá que Diane e Richard passarão boa parte do tempo. Os dois atores atuaram juntos em outros filmes, como "Infidelidade", em 2001, em cuja história ela faz o papel de esposa traidora. Talvez por conta de trabalhos anteriores os dois tenham uma química que funciona, e ambos parecem à vontade. Richard Gere, com seu ar de galã e eterno conquistador, usa o seu charme para "dar o bote" em mais uma moça desprevenida. Diane Lane utiliza a sua experiência para viver a mãe de dois adolescentes, incluindo a filha que a detesta, mas também não abre mão de ser feliz e, por que não?, encontrar e viver um novo amor.

Depois de uma hora e dez minutos de projeção, o espectador pode se perguntar o que mais Wolfe trará para a tela, já que tudo parece resolvido e a história "mamão com açúcar" se revela. Com uma guinada, ele coloca mais pimenta na narrativa, o que, para uns, pode tornar a história caricata e piegas; para outros, pode torná-la romântica, trágica, emocionante.

"Noites de Tormenta" é daqueles filmes que começam bem, pecam no meio, e forçam a barra no final, principalmente por utilizar suas artimanhas para envolver o espectador de tal modo que o induz a rir e a chorar em determinado momento pré-concebido. Jogo sujo, mas compreensível.

O Incrível Hulk

O cientista Bruce Banner (Edward Norton) procura a cura para a radiação gama que envenenou suas células e que o transforma, em momentos de nervosismo, em um monstro incontrolável. Vivendo nas sombras, podado da vida que tinha e sem a mulher que ama, Betty Ross (Liv Tyler), Banner luta para evitar a perseguição de seu inimigo, General Thadeus Ross (William Hurt), sem imaginar que outro experimento com as radiações está para criar um de seus inimigos, o Abominável. Há, no filme, cenas que se passam também nas favelas do Rio de Janeiro, onde o personagem vem se esconder. Nessas cenas, os atores não falam português, mas espanhol e, quando exibidas no cinema, foram dubladas. "O Incrível Hulk" não é cheio de ação como os demais filmes de super-heróis, mas, dirigido pelo francês Louis Leterrier, Norton conseguiu fazer um Hulk cheio de personalidade.