sexta-feira, 25 de abril de 2008

Homem de Ferro

Assim que o filme inicia na tela, já aparece a famosa vinheta da Marvel, principal editora de HQs que publica histórias de super-heróis como Homem-Aranha, Hulk, X-Men, Quarteto Fantástico e por aí afora. Todos já viraram filmes (Hulk tem novo longa-metragem com estréia prevista para 13 de junho). Desta vez, porém, quem chega à telona na quarta-feira, dia 30 de abril, é “Homem de Ferro” (“Iron Man”). A estréia, aliás, é mundial – embora nos Estados Unidos o filme só chegue dia 2 de maio e já tenha havido pré-estréia na Austrália.

O personagem, inspirado em parte pela personalidade do ícone americano Howard Hughes, foi criado por Stan Lee (um dos produtores executivos do filme), Larry Lieber, Don Heck e Jack Kirby e teve suas primeiras aparições em abril de 1963.

A fita conta a história do inventor e maior fornecedor de armas do governo americano, Tony Stark (Robert Downey Jr.). Isso porque ele leva uma vida de playboy, dirige o carro da moda (ou será carros?), tem a mulher que quer em sua cama, viaja com seu avião particular (e se esbalda com mulheres e bebida durante o trajeto de negócios até o Afeganistão) e, uau!, vive em uma bela casa em frente ao mar de Malibu, na Califórnia, nos Estados Unidos. Apesar disso, é de sua bela assistente, Pepper Potts (Gwyneth Paltrow), que depende, já que não sabe seu número de RG.

No entanto, depois que é preso como refém no país asiático e é obrigado a construir mísseis para destruição em massa, ele precisa arrumar um jeito de mudar o seu destino. É aí que acontecem todas as cenas previsíveis (e divertidas) das histórias que envolvem super-heróis.

Já dá para se ter uma noção logo no início do filme do que se verá pela frente, pois o longa traz música alta na abertura, tiros e, em meio a tudo isso, mostra os soldados que ajudam o executivo famoso a sair do bombardeio tirando fotos com ele para publicá-las na internet. Isso é apenas um aperitivo, porque tudo ainda será em larga escala, exatamente como pede um filme que terá, com certeza, a sala cheia de jovens comendo pipoca.

Além dos tiros, as mulheres em momentos sensuais também estão presentes, como um perfeito apelo ao público masculino, pois são os rapazes quem mais vão se interessar pelas histórias de super-heróis no cinema. Para a concretização do Homem de Ferro, no entanto, é preciso esperar a metade do filme, porque é depois de uma hora de projeção que Tony Stark vira finalmente o personagem-título. A espera não é lá muito demorada, enquanto isso é possível entender como Stark chegou lá e acompanhar a confecção de sua armadura. Depois, ele precisará esconder sua nova personalidade de Obadiah Stane (Jeff Bridges). Do coronel Rhodey (Terrence Howard), porém, Stark terá total apoio.

Para a direção do longa foi escolhido Jon Favreau, muito mais conhecido por seus trabalhos como ator, por exemplo como o milionário Pete Becker de “Friends”, que como diretor. Seu último trabalho do lado de lá das câmeras foi em “Zathura: Uma Aventura no Espaço”. Favreau posiciona bem as suas lentes de modo a oferecer a melhor visão da aventura ao espectador e Robert Downey Jr. rouba a cena a maior parte do tempo, tem timing incrível e os diálogos possuem toque de humor que faz do longa ainda mais interessante. Os detalhes, porém, são complementados pelos efeitos especiais, pois eles dão forma ao filme, fazem o Homem de Ferro voar, parar carros em alta velocidade... Ou seja, estão lá para complementar a história que está sendo contada na tela. Não dá pra esperar muita coisa que não seja diversão em um filme como “Homem de Ferro”. Neste quesito, aliás, está garantido para a família toda.

Em tempo: não é oficial, mas tudo indica, principalmente o final do filme, que ainda haverá seqüências desta história (pelo menos mais dois filmes). Haja pipoca!

Três Vezes Amor

Sabe aquela máxima que diz: muitas histórias já foram contadas, mas ainda falta a sua? Pois bem, o diretor e roteirista Adam Brooks, o mesmo de “Bridget Jones – No Limite da Razão”, achava que ainda tinha uma história para contar e resolveu escrevê-la. O resultado pode ser visto nos cinemas a partir de sexta-feira, dia 25 de abril, no longa-metragem “Três Vezes Amor” (“Definitely, Maybe”). À primeira vista, principalmente por conta do título, imagina-se que é mais uma comédia romântica a estrear na telona.

E é. Porém, Brooks consegue inserir a sua história em um contexto diferente dos tradicionais e ainda brinca com a linearidade e faz um vaivém no tempo que instiga o espectador, pois ele acredita no personagem e quer conhecer o final do romance.

O filme inicia quando Will (Ryan Reynolds) está caminhando pela rua, ouvindo música utilizando o seu fone de ouvidos, enquanto faz narrações em off. Na verdade, Will está indo buscar a sua filha Maya (Abigail Breslin), mas quando chega na escola encontra uma confusão armada por pais e mães, pois seus filhos pequenos tiveram aula de educação sexual.

Logo de cara, Maya diz que quer ter uma conversinha com o pai e dispara perguntas relacionadas com o tema da aula, como: “Os dois não queriam um bebê, mas fizeram sexo?”. Isso porque Will e a mãe de Maya estão se separando. Suas perguntas, sempre “na lata”, fazem o pai se constranger, mas ela o convence a contar a história sobre como ela veio ao mundo, como seus pais se conheceram etc. É neste momento que o filme deslancha e inicia um leve suspense.

A menina Abigail Breslin é doce, mas está sempre questionando as atitudes do pai e de outras pessoas que conhece, tem atitudes adultas, convence o espectador. A atriz, que fez muito sucesso e concorreu ao Oscar no longa independente “Pequena Miss Sunshine”, atrai a atenção do espectador e cumpre o seu papel. No entanto, ela aparece pouco, pois, a seu pedido, o pai começa a contar a história sobre como conheceu a sua mãe. Então, as lentes de Brooks voltam no tempo e a direção de arte reconstrói a Nova York de 1992, antes dos ataques de 11 de Setembro, claro, e mostra as ruas da cidade, as Torres Gêmeas, a campanha eleitoral de Bill Clinton. A trilha sonora também acompanha esse retrocesso e há destaque para “Come As You Are”, do Nirvana, que inclusive é cantada pelos personagens.

A partir daí, entram na trama três mulheres (três amores?), como a namorada de faculdade Emily (Elizabeth Banks), a amiga e confidente April (Isla Fisher) e a jornalista Summer (Rachel Weisz).

Assim como Maya, o espectador é convidado a acompanhá-la na atitude de conhecer a vida de Will, seus romances, trabalhos que conseguiu em Nova York. Neste quesito, aliás, Brooks faz muito bem, pois ele aprofunda os personagens de maneira que a platéia se envolve com cada um deles. Esse sentimento é compartilhado pela garota, que torce por alguma mulher que ela goste ser a sua mãe de verdade.

A atriz Rachel Weisz, que trabalhou com o diretor brasileiro Fernando Meirelles na produção “O Jardineiro Fiel” e ganhou o Oscar, faz novamente o papel de uma jornalista, desta vez ambiciosa e que está sempre atrás de uma boa história para sua revista, doa a quem doer. Na mesma linha, Elizabeth Banks faz uma moça simples que chora quando seu namorado deixa a cidade onde moram para buscar emprego em Nova York. Porém, do outro lado, a australiana Isla Fisher traz o equilíbrio, faz uma moça independente, que não liga para política, faz pouco caso de romances e talvez nem acredite no verdadeiro amor.

“Três Vezes Amor” pode parecer piegas, mas não é. É daquelas histórias que cativam o espectador e emociona quem compartilha do mesmo sentimento que os atores estão interpretando na tela.

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Sai a lista de Cannes. Meirelles está fora

Muita gente havia dito (e noticiado) que o longa-metragem “Blindness”, de Fernando Meirelles (“Cidade de Deus”), integraria a disputa para a Palma de Ouro este ano em Cannes. No entanto, acaba de sair a lista oficial e o filme do brasileiro não está lá. Em compensação, “Linha de Passe”, de Walter Salles e Daniela Thomas, está lá na competição.

Da América Latina, ainda estão os argentinos Pablo Trapero, com “Leonera”, e Lucrecia Martel, com “La Mujer sin Cabeza”.

Steven Soderbergh concorre pelos Estados Unidos com “The Argentine”, que traz Benicio Del Toro; do mesmo país, “The Changeling”, de Clint Eastwood. E também estão na lista da competição: “Adoration” (Atom Egoyan), “Waltz With Bashir” (Ari Folman, “La Frontière De L'aube” (Philippe Garrel), “Gomorra” (Matteo Garrone), “City” (Jia Zhangke), “Synecdoche, New York” (Charlie Kaufman), “My Magic” (Eric Khoo), “Serbis” (Brillante Mendoza), “Delta” (Kornel Mundruczo), “Il Divo” (Paolo Sorrentino), “The Palermo Shooting” (Wim Wenders); “Ceylan Üç Maymun” (Nuri Bilge), “Dardenne Le Silence De Lorna” (Jean-Pierre et Luc Dardenne) e “Desplechin Un Conte De Noël” (Arnaud Desplechin).

Fora da competição, Woody Allen leva seu mais novo filme, “Vicky Cristina Barcelona”. No ano passado ele apresentou "Um Sonho de Cassandra", que estréia dia 1º de maio aqui. Também estará fora da competição “Indiana Jones - A Caveira de Cristal” e a animação da DreamWorks, "Kung Fu Panda". Se não estou louca, no ano passado exibiram "Bee Movie".

“A Festa da Menina Morta”, longa de estréia do brasileiro Matheus Nachtergaele, vai para a Un Certain Regard, concorrendo à Caméra d'Or, e “Maré”, depois de Berlim, terá outra exibição em Cannes.

Ah se eu pudesse...

terça-feira, 22 de abril de 2008

Balanço do feriado

Aproveitei o final de semana prolongado pra assistir a muitos filmes. Comecei vendo "O Desprezo" ("Le Mépreis"), de Jean-Luc Godard. O filme é de 1963 e traz Brigitte Bardot no elenco. É o típico francês, com final estranho, mas um bom exemplo do que Godard fez em sua carreira.

O que eu não acredito, porém, é que contribuí para a bilheteria de "Super-Herói: O Filme" ("Superhero Movie"). Esta bobagem sem tamanho ultrapassou a marca de 350 mil espectadores em seus primeiros quatro dias de exibição no país. A sessão de cinema até que estava cheia para o domingo a noite. As piadas, que fazem paródia com todos os outros filmes de super-heróis, como "Homem-Aranha", "X-Men", "Quarteto Fantástico" e "Batman", são poucas (a maioria está no trailer). Mas o pior de tudo foi o moleque me chutando o tempo todo e me fez ir sentar no chão (depois eu mudei de lugar de novo).

Entre os melhores foi "Sicko - SOS Saúde", documentário de Michael Moore, o mesmo de "Fahrenheit 9/11", sobre o sistema de saúde pública nos Estados Unidos. Novamente, o cineasta aponta as suas lentes com posição anti-americana e mostra o que os cidadãos daquele país passam para terem uma consulta no médico, cirurgia etc. Mas ele também faz questão de mostrar com outros países tratam os seus contribuintes, como Canadá, Inglaterra, Cuba e, o melhor de todos: França. Isso porque ele coloca americanos para falar da saúde do país onde vivem atualmente e que está posicionado em primeiro lugar no ranking. Aliás, é o país onde eu quero morar: já pensou que, ao ser mãe, a mulher tem uma pessoa - paga pelo governo - até para lavar a roupa? =)

E, para finalizar a noite, o melhor de todos: "Um Beijo Roubado". Se bem que eu prefiro a versão original: "My Blueberry Nights". O filme é escrito e dirigido pelo chinês Wong Kar Wai, o mesmo de "2046" (que eu não vi e o Google me disse que em DVD só tem na Amazon). O longa-metragem conta a história de Jeremy (Jude Law), um rapaz descolado que é dono de um café em Nova York. Ele conhece todos os seus clientes a partir dos seus pedidos por telefone e coleciona chaves que são esquecidas no balcão. Certa noite, ele conhece Elizabeth (a cantora Norah Jones em sua estréia no cinema), uma moça que está desolada pela perda do namorado. Então, sem rumo, ela parte em uma viagem e começa a escrever ao dono do café cartões-postais por onde quer que passe. Também estão no elenco Rachel Weisz (ótima no papel da ex-mulher de um policial alcoólatra) e Natalie Portman (como jogadora de pôquer em cassino).

Blueberry, ou melhor a torta de blueberry, entra quando a moça vai ao café e Jeremy oferece a ela a torta que havia sobrado, aquela que ninguém gosta e é desprezada pelos clientes todos os dias. Não conheço a fruta, nem sei que gosto tem, mas no Pão de Açúcar é vendida como Mirtilo. Uma caixinha de 450g custa R$ 11,85.

Já o nome "Um Beijo Roubado", bem, seria melhor não revelar para não perder a graça, se bem que é justamente o beijo do cartaz de divulgação do filme.

A direção intimista de Wong Kar Wai envolve o espectador e sua primeira produção norte-americana já entra para a lista dos melhores filmes. O chinês concorreu à Palma de Ouro em Cannes, mas perdeu para o romeno de "4 meses, 3 semanas e 2 dias", que também é um filmaço. Difícil escolha...

Em tempo: concordo com o Merten, quando ele escreveu em seu blog durante o Festival de Cannes do ano passado, dizendo que aquele beijo vai entrar para a história do cinema.

Ah, sim, quem quiser experimentar aí vai a receita fornecida pelo distribuidor do filme no Brasil. Não provei, não sei se é boa, mas também não garante que vem com o beijo do Jude Law!

Torta de Blueberry

Ingredientes
Torta
2 ½ xícaras de chá de farinha para bolo
½ xícara de chá de açúcar
½ xícara de chá de manteiga-amolecida
3 gemas
1 colher de chá de raspas de limão
¼ colher de chá de sal

Preparo:
Coloque a farinha numa tigela. Usando um misturador de massa, misture o açúcar e a manteiga, junte as gemas, o limão e o sal. Trabalhe a massa para que tudo esteja bem misturado, mas não trabalhe a massa demais. Descanse a massa por 30 minutos, abra bem fina, com 3mm de espessura. Coloque uma forma untada de 25 cm. Asse no forno a 180ºC por 15 minutos.

Ingredientes
Recheio:
1 ¾ xícara de chá açúcar
¼ xícara de chá de maizena
2 ovos
1 colher de sopa de manteiga
1 ½ xícara de chá de leite
1 colher de chá de essência de baunilha
3 xícaras de chá de blueberries
¼ xícara de chá de geléia de maçã

Preparo:
Misture uma xícara de açúcar, a maisena e os ovos em banho-maria, junte a manteiga, o leite e a baunilha, cozinhe até ficar um molho grosso. Coloque em uma fôrma. Combine o açúcar restante com as blueberries. Espalhe sobre o recheio de creme, volte ao forno e continue a assar por 25 minutos. Retire do forno, esfrie. Aqueça a geléia de maçã, pincele as blueberries e coloque na geladeira.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Apenas uma Vez

Produzido em 2006 e exibido no ano passado nos Estados Unidos e na Europa, o longa-metragem "Apenas uma Vez" ("Once") finalmente chega aos cinemas brasileiros no dia 18, depois de ter passado por duas semanas de pré-estréia em São Paulo.

A idéia do filme, escrito e dirigido por John Carney ("À Beira da Loucura"), era ser um musical. Mas, conforme ele escreve no material divulgado para a imprensa, que não tivesse os mesmos moldes dos clássicos musicais dos anos 1940, cheio de música e dança, ainda que utilizasse as canções para contar uma história.

Como Carney, antes de se tornar cineasta, era baixista na banda The Frames, de Dublin, na Irlanda, sua terra Natal, ele encomendou ao vocalista e líder Glen Hansard que compusesse algumas canções porque ele tinha a intenção de fazer um filme. Então, papo vai, papo vem, os dois conseguiram dez músicas e um roteiro. A partir daí era só dar um pontapé para ter a produção concluída.

Embora não fosse a intenção inicial de Carney, Hansard acabou virando o ator principal de seu filme. Seu personagem ganha a vida tocando violão nas ruas de Dublin, mas também ajuda seu pai em uma loja de aspiradores de pó. Num certo dia, uma garota tcheca (Markéta Irglová) o aborda enquanto vende rosas nas ruas e diz para o rapaz que seu hobby é tocar piano.

Eles vão desenvolver uma amizade totalmente previsível, mas a forma como tudo acontece é que vai instigar, surpreender e emocionar o espectador. Embora não seja ator, Glen Hansard consegue extrair do seu personagem a profundidade que ele precisa. Ao mesmo tempo, a pianista Markéta Irglová, musicista completa na vida real e com apenas 19 anos, dá o toque que sua personagem tímida pede.

Em certas passagens, o filme dá sinais de tristeza, mas muito menos do que aparentava no trailer. Sem dúvida, o ponto alto da fita é a sua trilha sonora. A Academia de Hollywood, aliás, reconheceu esse fator e premiou o longa com o Oscar 2008 de Melhor Canção Original, pela música "Falling Slowly".

Como também é possível perceber, os personagens principais não têm nomes, são poucos os secundários e o orçamento foi baixo. John Carney, então, utilizou o seu talento para explorar os cenários da capital irlandesa, onde filmou dentro de ônibus e nas ruas da cidade, revelando o segredo dos becos.

Os personagens, com química que funciona, cantam e tocam como se estivessem fazendo uma serenata para a platéia. Nada de ser piegas. Eles mostram que um musical ainda pode contar boas histórias.

Quebrando a Banca

Quem não sabe jogar cartas, blackjack principalmente, não adianta tentar entender os truques realizados no longa-metragem "Quebrando a Banca" ("21"), que estréia nesta sexta-feira, dia 18 de abril. No entanto, isso não será um empecilho para nenhum espectador - do mais leigo ao mais sábio - já que o tempo todo são dadas dicas sobre o que está acontecendo.

Outros filmes já fizeram esse tipo de "lógica" no cinema, e deram certo. Por exemplo: em "Gênio Indomável", de Gus Van Sant, Matt Damon é o protagonista que possui inteligência espetacular para resolver equações e problemas matemáticos complexos. As contas que ele realiza na lousa também não são fáceis de serem acompanhadas por quem assiste ao filme. E nem é esta a proposta. É que esse tipo de confusão, principalmente quando as cenas são rápidas, acontece o tempo todo, e tentar entender é loucura.

"Quebrando a Banca", baseado no livro "Bringing Down the House", de Ben Mezrich, inicia quando Ben Campbell (Jim Sturgess), aluno do colégio de Boston, está tentando uma bolsa de estudos na faculdade de medicina de Harvard. Qualificação ele tem, mas lhe falta o dinheiro.

No entanto, por conta da sua qualificação, Ben chama atenção do professor de matemática Micky Rosa (Kevin Spacey), que o convida para fazer parte de um grupo que segue para jogar em Las Vegas. A proposta, na verdade, é que eles irão executar uma técnica ensaiada que é proibida nos cassinos, mas que existiu e era realizada por estudiosos da mesma escola de Boston.

Como a fita se passa na maioria do tempo dentro da escola ou do cassino, muitas cenas remetem à trilogia que iniciou com "Onze Homens e um Segredo", de Steven Soderbergh, protagonizada por George Clooney, Brad Pitt e Matt Damon. No entanto, o filme de Robert Luketic ("A Sogra") é mais juvenil e não se apega ao roubo, claro. Os estudantes realizam um golpe, é verdade, mas não da magnitude dos "colarinhos brancos" liderados por Clooney.

Outro detalhe é que, como se trata de um filme vivido por adolescentes, com exceção de Kevin Spacey, há ainda paixões, brigas de amigos e toda sorte de elemento que possa atrair a turma para a sala de cinema.

O longa estreou nos Estados Unidos em março e faturou US$ 23,7 milhões na abertura (o que é razoável), ficando em primeiro lugar no ranking de bilheteria. Trata-se, no geral, de um filme envolvente, mas repetitivo em alguns momentos. Spacey, o melhor de todos, convence e, em certas ocasiões, lembra seu personagem em "Beleza Americana", dando ao espectador aquela famosa sensação de "déjà vu".

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Washington Olivetto

No dia 26 de março, entrevistei Washington Olivetto que é a matéria principal/capa da revista de abril. Com tantos cortes por conta do espaço, aqui está a entrevista na íntegra.

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Um dos publicitários mais renomados do país e que acumula prêmios nacionais e internacionais. Para se ter uma idéia, Washington Olivetto, da W/ Brasil, conquistou o primeiro Leão de Bronze, no Festival de Cannes, aos 19 anos. É dele o primeiro e o segundo Leão de Ouro que o Brasil ganhou na história da propaganda - ao todo, ele já ganhou mais de 50. Foi eleito, também, como o Publicitário do Século.

Entre várias criações, é autor de propagandas marcantes que resistiram ao tempo e caíram na cultura popular. Quer um exemplo? “O primeiro a gente nunca esquece.” A frase, que faz parte do anúncio da Valisère sobre o primeiro sutiã, completou, no ano passado, 20 anos. Quer outros exemplos? O garoto da Bombril, os gordinhos do DDD, o casal Unibanco, o ratinho da Folha de S. Paulo...

Hoje, aos 55 anos, Washington continua acordando cedo, chegando às 8 horas na agência (e sem hora pra ir embora). Pai de três filhos (Homero, do seu primeiro casamento, e dos gêmeos Theo e Antônia, de três anos, fruto do casamento com Patrícia, há 20 anos), é autor dos livros “Corinthians - É Preto no Branco”, junto com Nirlando Beirão, e “Os Piores Textos de Washington Olivetto”. Neste ano, ele promete mais um para o segundo semestre. E é a partir deste lançamento que você acompanha a entrevista realizada em sua agência, em São Paulo, que aconteceu durante um bate-papo muito bem-humorado e cheio de boas histórias.

Como surgiu a idéia de escrever o livro "O Primeiro a Gente Nunca Esquece"?

Li uma matéria que contava que a invenção do sutiã estava fazendo 100 anos. Aí lembrei que o filme “Valisère - Meu Primeiro Sutiã” estava fazendo 20 anos. E lembrei também dos comentários do Fernando Morais, quando ele estava escrevendo o livro “Na Toca dos Leões”, que é uma biografia da W/Brasil, e falou: “O número de citações da frase ‘O primeiro a gente nunca esquece’ que eu encontrei nas minhas pesquisas feitas depois de 1987 é gigantesco”. São todas filhas do filme, que caiu na cultura popular. Entrei no Google e há mais de um milhão de citações.

Como será o livro?

Primeiro, ele conta como o filme foi criado, aprovado e como foi a escolha da Patrícia Luchesi. Tem até curiosidades, porque na época ela tinha 11 anos e ainda não tinha o seu primeiro sutiã. (risos) E depois tem reproduções de textos que saíram em diversos lugares, nos quais o raciocínio “o primeiro a gente nunca esquece” está no texto. Há textos de grandes escritores, como Zuenir Ventura, que escreveu “a primeira rave a gente nunca esquece”, tem Arnaldo Jabor, João Ubaldo Ribeiro. O Pelé falou “o primeiro mundial a gente nunca esquece”. Então, é um livro que vai atingir todo tipo de público e é um trabalho enorme. Para você ter uma idéia, na seleção final de textos interessantes tem 12.800 páginas. A gente acha (ele e o editor da Planeta) que, deixando um monte de coisa de fora, vai ser um livro de 400, 500 páginas. Está dando muito trabalho...

Qual será a previsão de lançamento?

A gente não terminou o trabalho de pesquisa, de seleção e depois o trabalho de direção de arte é muito grande. Mas certamente será no início do segundo semestre, lá pra agosto.

Você sempre teve a necessidade de escrever?

Eu gosto de fazer coisas que não seja só o trabalho da agência, que me absorve muito, porque me realimentam. Seja escrever artigos ou um livro, seja de vez em quando mexer com a produção de música, ou o convívio que eu tenho com as artes plásticas. Na verdade, é um grande realimento para mim e para a minha atividade de publicitário. O “Corinthians – É Preto no Branco” foi muito prazeroso de escrever, porque foi uma parceria com Nirlando Beirão, e a gente se divertiu muito fazendo. Misturar ficção e realidade, o que aconteceu com o que a gente gostaria que tivesse acontecido, rendeu muito. “Os Piores Textos” eu fiz porque a editora queria publicar uma coletânea de textos meus já publicados na imprensa e percebi que a maior parte deles estava envelhecido. Daí, tive a idéia de reler e eu mesmo fazer uma crítica em cima deles. Ficou divertido.

Você é corintiano roxo?

Corintiano roxo, tal e até porque a gente achou um caminho interessante. Aquela história de misturar ficção e realidade, o que aconteceu com o que a gente gostaria que tivesse acontecido, rendeu muito, o livro foi um grande sucesso, ficou meses entre os mais vendidos. “Os Piores Textos”, na verdade, eu só fiz porque a editora queria publicar uma coletânea de textos meus já publicados na imprensa e eu percebi que a maior parte deles estava datado e já envelhecido. Daí quando eu tive a idéia de eu reler os textos e eu mesmo fazer uma crítica em cima deles, ficou divertido e aí por isso que eu fiz.

Quanto você ainda se envolve com a criação?

É a área que eu mais me envolvo. O meu dia-a-dia é muito ligado à criação, produção e relação com os clientes.

O que você gosta mais de fazer: propaganda de TV ou impressa?

Eu gosto de tudo, gosto quando sai bom (risos). Gosto quando sai verdadeiramente original. Não dá pra dizer que eu tenho uma preferência. Durante muitos anos, as pessoas achavam que eu gostava mais de fazer comerciais de televisão, por um dado muito curioso: eu tive a oportunidade de fazer comerciais que ficaram muito visíveis e aí, por analogia, as pessoas imaginavam isso. Mas eu gosto de fazer tudo.

Você já ganhou prêmios, é um publicitário renomado, escreveu livros, tem três filhos. Já plantou uma árvore?

Pra falar a verdade, já plantei árvore até na China, quando fui fazer uma palestra em Xangai. Aqui eu já tinha plantado (risos).

O que falta na sua carreira para você dizer que está realizado?

Sou uma pessoa muito inquieta e tenho uma característica que, apesar de toda vez que faço coisas direito e me orgulhar delas, procuro não olhar para o que já foi feito. Só de manter esse pique de trabalho já é um desafio forte e prazeroso. Obviamente, como tenho um casal de gêmeos que são crianças, criá-los bem é um desafio bacana. Todos os dias quando você acorda, volta a escrever a sua biografia. Então, acho que sempre falta muita coisa, acho que ninguém pode se sentir realizado.

Além dos comerciais da Valisère e da Bombril, de quais outros você se orgulha ter criado?

Minha tendência é gostar das coisas recentes, mas é claro que eu não vou me esquecer que o cachorro da Cofap sempre foi muito prazeroso para nós, os casais do Unibanco, os gordinhos do DDD, o ratinho da Folha. Mas neste momento, as coisas que mais estou gostando são o da Garoto, a campanha de Sollys, da Nestlé, o comercial Ipanema Gisele Bündchen, com a água, porque são coisas recentes.

Qual é a história da música “W/Brasil”, de Jorge Ben Jor?

Desde o primeiro ano da W/, em 1986, na festa de final de ano, eu convido um grande nome da MPB para cantar. Na festa de 1989 para 1990, convidei o Jorge, que é muito amigo meu. Ele fez um show maravilhoso, se empolgou com a turma da agência e, entre uma música e outra, inventou o refrão “Alô, Alô W/Brasil”. Como era recente a eleição do Collor, depois do show a gente estava jantando e começou a falar do Brasil, que estava tão maluco que se fosse um prédio e tivesse um síndico, seria o Tim Maia. E o Jorge ficou com aquilo na cabeça e tempos depois fez a canção, o que foi maravilhoso.

Você se considera workaholic?

Não, porque trabalho muito, mas me divirto muito também. Me treinei pra ser uma pessoa que nunca está trabalhando e nunca está se divertindo, porque misturo as duas coisas. Se você me dissesse workaholic sobre o número de horas que eu estou exposto ao trabalho, é verdade. Por exemplo: há pessoas que escolhem um tipo de hotel quando vão trabalhar e outro tipo quando vão fazer turismo. Eu não: vou trabalhar, mas escolho um hotel como se eu fosse fazer turismo. Essa mistura faz com que eu não me considere um workaholic, nem me sinta cansado como um workaholic.

Quais são os seus hobbies?

Tudo muito ligado à cultura de massa. Sou uma pessoa que lê loucamente, que escuta música full time, que gosta muito de artes plásticas, cinema e esporte.

Você vai ao estádio, ao cinema?

Eu já fui mais a estádio, hoje eu vou pouco porque não está agradável ir aos estádios. Na parte cultural, propositalmente, eu vou a todas as exposições, mas raramente vou ao vernissage; vou a todos os shows, mas raramente vou a uma estréia; tento ler todos os livros, mas não necessariamente vou às noites de autógrafos. Isso muito até para poupar a minha exposição pública.

Você se preocupa com isso?

Eu acho que a exposição é útil para a agência, para o trabalho, mas eu busco que ela seja sempre profissional. A vida pessoal eu acho legal preservar.

O seqüestro que você sofreu, em 2001, te deixou abalado, com medo, paranóico?

Não, eu tomei uma decisão naquele momento que eu tinha 30 segundos para tentar manter a minha vida normal, senão eu poderia ficar muito maluco. Então, coloquei um ponto final no episódio.

Você não concluiu o curso de propaganda, né?

Não, nenhuma das duas faculdades que eu estava matriculado eu terminei: propaganda e psicologia. Não acho mérito não ter terminado a faculdade, mas entrei em duas faculdades com 18 anos e comecei a trabalhar. Me encantei pelo trabalho e não tive tempo.

Esses cursos te fizeram falta em algum momento da sua vida?

Não, sendo sincero não, mas nunca deixei de estudar. Sempre gostei de estudar sob a ótica de aprender e não de ter o diploma. Tanto que eu sempre fui mais aluno de aulas e não de cursos. (risos)

Em quais momentos você prefere escrever?

Desde garoto, sempre estudei de manhã, então acordo cedo. Na agência, o período melhor para escrever é entre 9 da manhã e uma da tarde, porque toca menos telefone. As coisas que não são da agência, eu faço em casa à noite ou no final de semana.

A que você atribui o segredo do seu sucesso?

A algum talento, a alguma sorte e a muito trabalho.

É verdade que você conseguiu um estágio porque o pneu do seu carro furou em frente à agência?

É, eu estava voltando de um estágio e aproveitei que estava com preguiça de trocar o pneu e fui pedir um estágio.

E eles te deram?

Me deram. O cara gostou do jeito que eu falei a frase. Eu disse: “Queria que você me desse uma oportunidade, porque o pneu furou aqui e um pneu não fura duas vezes na mesma rua. Essa é uma oportunidade única”. Acho que ele gostou disso. (risos)

Quando foi isso?

No início dos anos 1970.

O que é necessário para um publicitário ser bom?

Ter muita informação sobre a vida e não só sobre a publicidade. Para isso, não pode se realimentar só com seu núcleo social, pessoal e com colegas de profissão, mas não pode ter preconceito com informação, ter uma enorme curiosidade. Obviamente que tem que ter algum talento, não muito, e treinar esse talento. Talento é uma coisa que você adestra. E trabalhar muito, como em qualquer atividade.

Ser eleito o publicitário do século mexe com a sua vaidade?

Não. Sendo sincero, sou um cara vaidoso profissionalmente, mas tive a sorte de ter sucesso muito jovem. Na época que essas coisas mexiam com a minha vaidade eu era muito jovem e é menos ridículo quando se fica deslumbrado com essa idade. Mas também é um período que depois você aprende que é uma circunstância da sua vida profissional. Como eu tenho muito senso crítico em relação a mim e como eu adoro e exijo que me levem a sério, mas eu não me levo a sério, pois me critico muito, não mexe não.

Mas te garante mais dinheiro?

Não necessariamente. Essas premiações, em um período da sua vida, te garantem empregos e salários melhores. Depois de um tempo elas apenas complementam isso. Mas é bom pra agência.

Com o seu primeiro prêmio em Cannes, aos 19 anos, você ficou deslumbrado?

A primeira vez que eu ganhei, sim, porque eu não tinha ido ao Festival, foi o filme só. Era o primeiro filme que eu tinha feito, então fiquei na dúvida sobre quem tinha errado, se eu ou o júri. (risos)

Qual filme?

Das torneiras Deca. Foi o primeiro Leão de bronze. Quando ganhei o primeiro Leão de Ouro fiquei muito feliz, porque o Brasil nunca tinha ganhado um Leão de Ouro; o segundo também. Mas depois você percebe que é bacana ganhar, mas não necessariamente o seu melhor trabalho ganhou, mas aquele que mais pôde ser traduzido por um júri, então a sua empolgação diminui um pouquinho.

A W/Brasil firmou uma joint venture com a agência interativa Sinc. Fazia falta uma agência de internet aqui dentro?

Nós tivemos uma experiência com PopCom. A W/ foi a primeira agência a ser inteiramente informatizada no Brasil. Agora houve uma identificação, eu diria, de ambições da W/ com o pessoal da Sinc. Isso está sendo desenvolvido agora e está sendo capitaniado pelo Rui Branquinho.

Como se deu a união?

A gente a teve uma boa identificação com o trabalho deles e eles admiram a W/, então, sem mexer nas individualidades, as duas empresas podem trabalhar juntas.

Quais são as suas expectativas?

Isso é muito bom, porque toda campanha que a gente cria é pensando em todas as possibilidades de veículos: da televisão, internet, até em um folheto para distribuir nos pedágios. Com eles, a gente ganha velocidade para as apresentações, porque normalmente a gente tinha que eleger um fornecedor externo.

Como você lida com o mercado da internet? Como você usa essa ferramenta?

Eu brinco, porque eu já era um personagem que vivia com o espírito da internet, antes de ela existir. Um dos grandes hábitos da minha vida desde adolescente era ir à sede dos jornais comprar o jornal de madrugada, antes de ele ir pra banca. Eu gostava de ler o jornal do dia seguinte antes de dormir. Isso é uma coisa que hoje eu posso fazer em casa pela internet. (risos) Então eu convivo muito com a internet, tenho um blog no Bloglog.

Qual o balanço que você faz das agências de quando você começou e atualmente em relação à qualidade e à quantidade?

No mundo inteiro a publicidade vive nos últimos anos uma crise negocial e criativa. Está tudo pasteurizado. Ciclicamente isso acontece. Você vê coisas que são muito bem produzidas, mas as idéias não são exuberantes. No caso da propaganda brasileira, além de tudo, há uma crise de auto-estima por causa disso. Falam que não somos tão bons quanto já fomos. Eu concordo, mas podemos ser. Eu estaria mentindo se eu dissesse que a publicidade brasileira está vivendo o seu melhor momento. Não, já teve momentos melhores, tanto como negócio como produto final. Mas eu tenho a consciência que isso é um ciclo e daqui a pouco aparece um novo momento de efervescência criativa. Faz parte.

Você acha que uma boa propaganda pode salvar um produto ruim, e uma propaganda ruim pode derrubar um produto bom?

A pior coisa que pode acontecer com um produto ruim é ter boa propaganda, porque todo mundo vai se interessar por ele e vai descobrir rapidamente que é ruim e daí ele desaparece. (risos) Agora, acho que uma má propaganda pode atrapalhar um produto bom.

Qual é a equação de uma propaganda de sucesso?

É aquela que consegue cumprir as suas funções básicas, que são vender o produto e ajudar a construir a imagem da empresa. Agora, se ela for bacana mesmo, além de cumprir essas duas funções, ela consegue atingir a função nobre que é entrar para a cultura popular do país, que é o que eu busco o tempo inteiro e nem sempre eu consigo. Por exemplo: quando falamos do primeiro sutiã, ele rejuvenesceu a marca Valisère, ele vendeu muito sutiã, criou uma geração de consumidoras e virou um objeto da cultura popular brasileira. Quando você consegue isso, é uma vitória.

Você já se frustrou com alguma propaganda?

Ah, isso faz parte da vida de todos os publicitários do mundo. A recusa faz parte do nosso negócio. Desde a gente fazer uma coisa que ache sensacional e não era tão sensacional, até a coisa que ache média e faz sucesso. A recusa faz parte do trabalho e nenhum publicitário deve se empolgar exageradamente com o sucesso, nem se frustrar exageradamente com a recusa.

Qual é a sua opinião sobre a Lei Cidade Limpa?

Ela era necessária para depois promover o processo de disciplina da comunicação visual exterior, que faz parte dos grandes centros urbanos. Ela existe na Times Square, em Nova York. Londres tem os melhores outdoors do mundo, mas existe uma disciplina estética. O primeiro passo eu acho correto, que é limpar a cidade. Depois acho bacana ter disciplina, regras, já que a comunicação exterior faz parte da cultura dos grandes centros urbanos, da cultura pop.

Você tem alguma sugestão para o prefeito Gilberto Kassab?

Eu procuraria disciplinar as regras de comunicação exterior, parecida com as regras de comunicação exterior que existe em Londres. Existem lugares e proporções permitidos, posições do outdoor, como deve ser a manutenção.

Você consegue traçar perspectivas para a propaganda no Brasil no futuro?

O surgimento das novas mídias sempre é fascinante, mas não vamos pensar que elas eliminam as existentes, pelo contrário.

O jornal não vai acabar...

Não, o cinema não acabou com o teatro, a televisão não acabou com o cinema e assim por diante. São coisas complementares. Seja quais forem as mídias ou as possibilidades de comunicação, a única coisa que não tenho dúvida que vai continuar fazendo a diferença é a presença da grande idéia. Em qualquer veículo, em qualquer peça que você faça, da mais simples a mais elaborada, da mecânica à eletrônica, seja analógica ou digital, se não tiver a grande idéia não vai dar certo.

E essa grande idéia surge...

Através na somatória da informação sobre o produto, o público e a vida. Depois algum talento intuitivo e você chega na grande idéia. A grande idéia na publicidade é aquela tão certa para o produto, que nem parece que alguém fez. Costumo dizer que a melhor publicidade é aquela que sofre um fenômeno que eu chamo de “síndrome da perda da autoria”. Quando você consegue chegar nisso, todo mundo quer saber quem fez. (risos)

Quais são seus projetos?

Continuar fazendo o meu trabalho, cuidando dos meus filhos, viajando muito, lendo, escrevendo. É manter o meu ritmo de vida parecido com o que eu tenho hoje. Isso nos próximos nove anos. Quando eu tiver 64 anos de idade, eu penso em estar, não afastado, mas menos no dia-a-dia da agência.

Pensando nos seus filhos pequenos, o que você gostaria de deixar pra eles?

Em relação ao meu trabalho, eu até preciso documentar melhor a minha vida, porque como eles são muito pequenininhos, depois eles vão achar que eu sou um velhinho mentiroso, daqui a 20 anos. (risos) Eu acho o seguinte: tive a experiência de ser pai muito jovem, e sou muito orgulhoso que o meu filho adulto é um cara bem-educado, de bom sendo, bacana.

Ele está com quantos anos?

Quase com a minha idade, trinta e poucos. (risos) Eu espero basicamente que os meus dois filhos pequenos sejam felizes e tenham a oportunidade, rara na vida das pessoas e que eu tive. Todo mundo nasce pra fazer alguma coisa, são poucas as pessoas que têm a sorte de descobrir qual é essa coisa. Por isso são poucos os bem-sucedidos e felizes nos seus trabalhos. Eu tive a sorte de descobrir para que eu servia, e muito jovem, eu acho isso uma sorte mesmo. Espero que os meus filhos tenham uma boa formação e a sorte e oportunidade de descobrir o que eles querem fazer, o que fariam bem-feito. Quando você descobre isso e jovem, já corta muito caminho. Deve ser muito difícil você estar em uma atividade que você não gosta. Mesmo que ela seja rentável e te dê dinheiro, mas você fazer algo que não é o que você gostaria de ser, já começa perdendo.

Como é a sua rotina?

Acordo cedo, sete horas, leio em casa dois jornais de São Paulo e do Rio, venho para a agência e normalmente trabalho na criação no período da manhã, de vez em quando eu tenho almoço com cliente. As apresentações de campanha normalmente são à tarde. Às vezes a gente faz reunião no final da tarde para planejar coisas da semana. Eu gosto muito de receber meus amigos em casa, mas saio muito para jantar. De vez em quando vou passar finais de semana no Rio de Janeiro, e então eu armo as minhas reuniões na agência de lá ou de sexta ou de segunda, que é uma maneira de aproveitar aquele tempo. E eu leio muito. Como eu durmo pouco, cinco horas por noite, isso facilita. Leio dois, três livros ao mesmo tempo.

E você ainda tem tempo para as crianças?

Ah, sim. Desde que eles nasceram, e isso é a absoluta verdade, e olha, a gente já foi pra Nova York, Europa, fomos ser padrinhos de casamento na Bahia, vai pro Rio de Janeiro... Desde que a Antônia e o Theo nasceram, eu e a Patrícia, minha mulher, dormimos fora de casa uma noite sem eles. Em todas as outras viagens eles foram com a gente.

Você está casado com a Patrícia há quanto tempo?

Desde 1988, há 20 anos.



quinta-feira, 10 de abril de 2008

Um Plano Brilhante

Logo no início, já se sabe como termina o longa-metragem "Um Plano Brilhante" ("Flawless"), dirigido pelo indiano Michael Radford. Isso porque a história, que se passa em Londres, começa com uma Demi Moore muito mais velha (e maquiagem falsa), contando a uma jornalista sobre sua atuação no mercado de trabalho, já que em sua época as mulheres sofriam discriminação sexual. Então, a narrativa volta para os anos 1960 e começa a mostrar como tudo aconteceu.

Ao lado de Demi Moore, que faz o papel de uma executiva bem-sucedida prestes a ser despedida, está Michael Caine (sempre ótimo!), que interpreta um faxineiro da empresa de diamantes onde ambos trabalham.

Um dos pontos sobre os quais o filme se preocupa é com relação ao feminismo e à bem-sucedida carreira da executiva. É fato que naquele tempo não era comum uma mulher ter um cargo de alto escalão em uma empresa do porte como é a retratada no filme. Outra questão é a segurança e também a relação dos funcionários com os patrões.

O longa não cria muitos suspenses quando vai contar a história do roubo na fábrica, mas consegue atrair a atenção do espectador, que quer saber como e por que tudo aconteceu. A fita dá conta de remontar a Londres daquela época, assim como o figurino e a direção de arte, com detalhes que fazem a diferença.

Entre os atores, que possuem excelente química, está uma Demi Moore madura, articulada e sensual quando necessário, principalmente para conseguir o que quer. Ao mesmo tempo, o frio e calculista Caine é capaz de mostrar habilidade de convencimento, não apenas da personagem com quem contracena, mas também do espectador que está ali para assisti-lo.

A certa altura da película, o público já poderá ter noção do que vem pela frente, já que trata-se de uma história um tanto convencional, embora tenha um final imprevisível, principalmente relacionado aos propósitos e não exatamente ao ato.

"Um Plano Brilhante" é daquelas produções que você pode assistir com a missão de que vem um quebra-cabeça pela frente. Tentar adivinhar o final é conseqüência para os ansiosos; os que têm paciência, podem apenas aproveitar as imagens que serão exibidas na tela grande.

O Passado

Embora a primeira impressão do longa, dirigido por Hector Babenco, seja a de que todas as mulheres são loucas e os homens, bobos, trata-se de um bom filme. É claro que este é apenas um viés da história do romance escrito pelo argentino Alan Pauls. Gael Garcia Bernal faz o papel de um rapaz casado e, após 12 anos de matrimônio, resolve se separar. Ele engata namoro com uma moça jovem, sedutora e ciumenta. Muita coisa vai acontecer e irritar o espectador, principalmente por causa de suas atitudes. Destaque para a ponta feita por Paulo Autran.

A Lenda de Beowulf

A melhor forma de assistir a este filme é no cinema e em 3D. Porém, agora ele chega em DVD e conta a história do guerreiro escandinavo Beowulf, que precisa derrotar o monstro Grendel, o qual está aterrorizando a população. A história é baseada em um poema lendário de autor anônimo. O longa é dirigido por Robert Zemeckis (o mesmo de "O Expresso Polar") e tem atores reais (como Angelina Jolie) transformados em animações digitais.

terça-feira, 8 de abril de 2008

só pra chorar...

... e matar a saudade (e deixar aquele gosto de quero mais).

Noite Branca, do dia 6 de outubro de 2007. Adivinha onde! =)


Valente

Vi este filme em Paris, em setembro do ano passado. Era um dos filmes que eu podia escolher pra ver, já que não era em francês, mas em inglês com legendas em francês. No Brasil, no entanto, o longa estrelado por Jodie Foster não passou pelos cinemas e foi direto para DVD. "Valente" ("The Brave One", no original) conta a história de uma radialista que percorre a cidade captando sons de atividades cotidianas, que traduz em crônicas sobre Nova York. Mas é a tragédia com seu namorado que põe um ponto final na vida feliz. É a partir de então que seu ódio vira desejo de vingança. O espectador poderá conferir uma atriz completa, que convence o tempo todo e é capaz de deixar o lado mocinha e virar uma batalhadora em busca do seu ideal. Há cenas fortes, chocantes, é verdade, mas que a direção de Neil Jordan consegue dar justificativas para aquelas imagens e convencer o espectador.

2001 - Uma Odisséia no Espaço

O clássico filme de Stanley Kubrick foi lançado em edição especial, com dois discos incluindo o making of da produção feita em 1968. O longa, parceria de Kubrick com o escritor Arthur C. Clarke, que morreu no mês passado, começa com a pré-história, tem o maior elipse já mostrado no cinema, e segue para o futuro, com uma nave espacial que ganha forma em uma fusão feita a partir de um osso lançado pelo macaco. "2001" tem apenas um terço de sua duração total composta por falas, já que a maior parte é expressada por intermédio de imagens, além de canções eternizadas pela fita, seqüências bem-construídas e personagens neutros e desconhecidos. Durante quase três horas de projeção, Stanley Kubrick não poupou imagens e ofereceu tempo para seu espectador pensar sobre a vida. E sobre a arte, claro.

A Noiva Perfeita

Luis Costa é um quarentão solteiro e bem-sucedido profissionalmente (trabalha em uma empresa de essências). Porém, sua mãe viúva e suas cinco irmãs querem que ele arranje uma moça para se casar. Cansado da pressão, ele contrata uma garota para representar sua noiva. A partir de então, a confusão está armada e a comédia francesa, dirigida por Eric Lartigau, previsível - o que não deixa de ser um ótimo programa para a diversão da família.

O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford

Já se sabe, pelo título, que na trama, escrita e dirigida por Andrew Dominik, Robert Ford (Casey Affleck), de apenas 19 anos, mata o terrível bandido Jesse James (Brad Pitt). Mas a pergunta sobre como isso acontece é que será respondida pela fita. Embora este não seja um filme sobre o Velho Oeste, há muitas referências aos westerns de John Ford ("No Tempo das Diligências"), até porque o longa fala dessas diligências que eram muito comuns naquele tempo. Outro detalhe são os planos contra-luz, closes e iluminação supostamente feita com vela e lampião, dando à fotografia uma bela textura e cor.

domingo, 6 de abril de 2008

Filmes subestimados

Na quinta, 3, meu amigo Rob Gordon lançou um desafio. Parece que o meme começou com o Barreto , do SOS Hollywood: é preciso cinco filmes subestimados. Eu demorei pra selecionar, é verdade, então resolvi chutar o pau e aqui vão os meus cinco filmes subestimados.


Agora tenho que indicar cinco blogs: alguém aí me ajuda?

Bom, se prepare. E lá vão eles.

2001 -
Uma Odisséia no Espaço

Hal (computador): Isso só pode ser atribuído a erro humano.

Subestimado por: toda crítica à época do lançamento, em 1968, principalmente a terrível Pauline Kael.

Está aqui porque... É um clássico da ficção científica e também de Stanley Kubrick (o que mais?).

Como Perder um Homem em 10 Dias

Andie (Kate Hudson): Verdadeiro ou falso: Vale tudo no amor e na guerra.
Ben (Matthew McConaughey): Verdadeiro.
Andie: Ótima resposta.
Ben: Ótima pergunta!

Subestimado por: Todo mundo (principalmente os rapazes)

Está aqui porque... É muito divertido e você pode desligar o cérebro pra assistir. É o que todo mundo gostaria de fazer, mas acaba se perdendo (e se apaixonando).

O Diário de Bridget Jones

Bridget (Renée Zellweger): Um minuto... rapazes bonzinhos não beijam como você.
Mark Darcy (Colin Firth): Ah, sim, eles beijam.

Subestimado por: Todo mundo (e mais ainda depois que o segundo foi um fracasso -- e é mesmo)

Está aqui porque... ora, ora, toda mulher quer ser como Bridget: não ficar com a consciência pesada por conta da balança, mas ainda assim prometer que vai perder 20 quilos todo ano. E também por Renée Zellwegger ar linda no filme!

Cachê

Subestimado por: mim

Está aqui porque... Eu dormi na primeira vez que o filme (é lento e não tem trilha sonora). Mas dei outra chance e acabei revendo-o. É um filme bom, não excelente quanto a crítica pintou, enfim, um filme francês e, como tal, sem final.

Um Lugar Chamado Notting Hill

Anna Scott (Julia Roberts): E além do mais, eu sou apenas uma garota, parada em frente a um garoto, pedindo a ele para amá-la.

Subestimado por: Todo mundo, principalmente pela crítica (comédia romântica nunca é bem-vista)

Está aqui porque... É um dos filmes mais piegas que eu já assisti na vida, e posso ver outras tantas vezes quanto passarem na sessão da tarde. =)

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Awake – A Vida por um Fio

No início do longa-metragem “Awake – A Vida por um Fio” (“Awake”), que estréia nesta sexta-feira, 4 de abril, nos cinemas, o ator Terrence Howard (de “Crash – No Limite”) aparece como narrador e sua voz em off começa a contar uma história. Ele explica que, como cirurgião, já perdeu muitos pacientes em sua mesa operatória, mas nunca um amigo. Então, começam a aparecer os outros personagens e o amigo do médico.

Trata-se de Clayton Beresford Jr. (Hayden Christensen, que interpretou Anakin Skywalker no filme “Star Wars: Episódio III – A Vingança dos Sith”), um garoto de vinte e poucos anos que assume o lugar do pai nas empresas da família. Muito jovem, tem responsabilidade de gente grande, leva uma vida confortável e namora a bela Samantha Lockwood (Jessica Alba).

Com o decorrer da fita, o espectador vai descobrindo sobre o seu dia-a-dia, o domínio exercido pela mãe autoritária (Lena Olin) e seu problema no coração, que necessita de um transplante urgente, mas como pertence ao raríssimo grupo sanguíneo O negativo, precisa ficar na fila de espera, mesmo tendo muito dinheiro disponível.

Daí pra frente, o thriller escrito e dirigido pelo estreante Joby Harold se desenrola de modo instigante, mesmo que se torne previsível antes da primeira metade. O roteiro é calcado em erros médicos, já que pode acontecer com qualquer profissional, seja ele suficientemente qualificado ou não. As cenas da cirurgia no coração provocam ansiedade no espectador e um aviso: aqueles que estão prestes a receber anestesia para serem submetidos a procedimentos cirúrgicos devem passar longe deste filme.

A fita se passa em Nova York, mas pouco se vê da cidade, já que a maior parte das cenas foi filmada em estúdio, com um centro cirúrgico como pano de fundo. Jessica Alba é convincente até certo ponto. Quando sua personalidade muda, o espectador já não sente tanta firmeza com relação ao seu trabalho. A interpretação de Christensen não tem muito segredo, assim como a do médico vivido por Terrence Howard, que durante o tempo todo de projeção é capaz de enganar o espectador sobre as suas intenções. O que não engana em “Awake – A Vida por um Fio”, porém, é o roteiro.

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Maratona Lost

Eu já escrevi aqui que não tenho muita paciência para assistir à televisão, principalmente seriados. A escravidão por conta de “Friends” ficou lá atrás, junto com a décima temporada. Hoje em dia eu ainda assisto a algum episódio quando estou zapeando ou em DVD.

Mas agora, pra mim, a febre é “Lost”. Vi a primeira temporada porque todo mundo me enchia o saco dizendo que eu “tinha” que ver a segunda. Mas não foi nenhum sacrifício, já que foi tudo em DVD, então era só eu escolher a hora e, voilà: Jack e sua turma estavam na TV.

No início do ano passado, quando entrevistei Rodrigo Santoro por conta do lançamento de “300, ele comentou com outros jornalistas que estavam na mesma round table que eu sobre seu personagem na terceira temporada do seriado norte-americano. Embora eu soubesse que ele fazia parte do elenco, não tinha a mínima idéia sobre o que ele estava fazendo lá, juntamente com os sobreviventes do vôo 815 do Oceanic.

Confesso que tentei não dar importância a nenhum capítulo durante todo o tempo em que a terceira temporada esteve no ar na TV a cabo no Brasil. Tentei, mas não por muito tempo.

Isso porque fui “obrigada” a ver toda a terceira temporada (em DVD, é verdade) correndo, para saber (e entender) sobre as malditas descobertas que meu namorado estava fazendo enquanto assistia à quarta temporada. Ô inferno.

Um dia, ele chegou pra mim e falou assim:

- Tenho que fazer uma revelação.

Gelei. Não sabia o que vinha pela frente. Só olhei com aquela cara de “pode falar, estou te ouvindo e prometo ser compreensiva”.

- Tem um personagem...

Opa, pára tudo. É que de uma hora pra outra ele soltou esta frase e eu achei que ele estava falando de mim, da gente, de algum conhecido, sei lá. Mas na verdade, ele devia estar pensando sobre o capítulo que havia visto e misturou ficção com vida real e trouxe, para a nossa conversa, o que estava acontecendo na ilha do Pacífico. Socorro!

Então, curiosa do jeito que eu sou, tive de correr contra o tempo, muitas vezes assistir a dois episódios por dia, para alcançá-lo. E adivinha o que aconteceu? Paramos no oitavo capítulo porque os demais ainda não foram finalizados por conta da greve dos roteiristas. Oh céus. E agora?

terça-feira, 1 de abril de 2008

Chega de Saudade

Ontem fui assistir, em uma sessão só para convidados e com a presença da diretora Laís Bodanzky e do roteirista Luiz Bolognesi, ao longa-metragem “Chega de Saudade”, que estreou dia 21 de março nos cinemas. Na ocasião, ela disse que demorou quatro anos para mostrar aquela obra na tela: desde a sua concepção até aquela data.

O filme todo, que tem 95 minutos, se passa dentro de um salão de baile para a terceira idade, em São Paulo. A trama começa quando ainda estão começando os preparativos para o início da festa, quando DJ ainda está chegando ao local, depois mostra os primeiros a chegarem, todos dançando aos pares, até que ele fecha e todos vão embora.

A fita mostra a história de alguns personagens, mas de maneira superficial, sem se aprofundar demais. Revela os desejos dessas pessoas, o amor, a traição, a ansiedade, as dores da terceira idade, sempre regado à dança e claro, música, principalmente com Elza Soares nos vocais.

A diretora Laís Bodanzky, a mesma de “O Bicho de Sete Cabeças”, aponta as suas lentes para essas pessoas e revela, com total intimidade, os seus anseios e preocupações. Mostra também, sem censura, as marcas que o tempo deixou naqueles rostos, naquelas mãos. Sinal de maturidade e que o tempo foi bom pra eles.

Do samba ao bolero, passando pelo tango e pelo rock. Os ritmos musicais envolvem os atores que desfilam pelo salão de baile de um lado para o outro. As mulheres (como Betty Farias) cochicham com as amigas que esperam ser tiradas para dançar. Entre os atores conhecidos, Cássia Kiss, Tônia Carrero, Stepan Nercessian, Maria Flor, Paulo Vilhena, Marly Marley.

Como se passa o tempo todo dentro de um único ambiente, Laís, digamos, tirou leite de pedra. Extraiu o máximo de imagens que podia e depois utilizou, muito bem por sinal, tudo na montagem. Ela intercalou as cenas, misturou os casais, criou intrigas. Mas faltou se aprofundar, faltou fazer o espectador se envolver com as personagens de maneira que ele pudesse torcer por um, ou dois ou três.

Mas, pra falar a verdade, quando Elza Soares começou a cantar “Eu sei que eu sou, bonita e gostosa, eu sei você me olha e me quer”, eu já estava balançando as pernas, seguindo o ritmo. Difícil mesmo é assistir ao filme sem ficar mentalizando “dois pra lá, dois pra cá”.


PS: “Chega de Saudade”, aliás, é a música de Tom e Vinícius, mas a letra não consta da trilha:

Vai minha tristeza e diz a ela que sem ela
Não pode ser, diz-lhe numa prece
Que ela regresse, porque eu não posso Mais sofrer.

Chega de saudade a realidade
É que sem ela não há paz, não há beleza
É só tristeza e a melancolia
Que não sai de mim, não sai de mim, não sai

Mas se ela voltar, se ela voltar,
Que coisa linda, que coisa louca
Pois há menos peixinhos a nadar no mar
Do que os beijinhos que eu darei
Na sua boca, dentro dos meus braços
Os abraços hão de ser, milhões de abraços
Apertado assim, colado assim, calado assim
Abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim
Que é pra acabar com esse negócio de você viver sem mim.
Não quero mais esse negócio de você longe de mim...