segunda-feira, 31 de março de 2008

Mania de trailer

Pra falar a verdade, detesto ver trailers. É que, na ânsia de “vender” o filme, os editores acabam contando o filme inteiro em alguns segundos de imagens (é verdade que quando o filme é ruim já dá pra sacar naquele minuto). Ontem, porém, fui ao cinema e, ao invés de infinitas propagandas, foram exibidos vários trailers de filmes. O primeiro foi o “Operação Valquíria”, que tem estréia prevista para 3 de outubro. O bom que é, até então, eu não sabia sobre esta produção e fiquei morrendo de vontade de ver. Até procurei no site da Fox, mas me recusei de ver mais detalhes. Não quero estragar a surpresa. Espero até lá.

Em seguida, começou a vinheta da DC Comics. Gelei! Era o filme do Batman: “O Cavalheiro das Trevas”. A fita estréia dia 18 de julho e tem Heath Ledger no papel do destemido Coringa. Pra quem não se lembra, o ator é o mesmo que fez “O Segredo de Brokeback Mountain)” e faleceu no início do ano. Não vejo a hora!

Então, quando menos se esperava, apareceu o logotipo da Lucas Film. Ai meu Deus! E então começou uma poeira danada na tela e, de repente, um chapéu e uma música inconfundíveis. Lá estava ele: Indiana Jones dando socos enquanto andava, com seu chapéu personalizado e aquela música de aventura de John Williams. Resisti até enquanto pude não assistir ao trailer na internet. Mas confesso que ver na tela grande a produção novamente dirigida por Steven Spielberg foi muito mais emocionante! Agora vou contar os dias para chegar 22 de maio, quando o mundo inteiro poderá ver, simultaneamente, o lançamento do quarto filme da série.

Ah, e depois ainda teve a exibição do trailer de “Sex and The City”. Esse eu quero ver também, mas primeiro tenho outras prioridades!

sexta-feira, 28 de março de 2008

A Família Savage

Uma história sobre convivência em família, sobre decisões. Esses são os temas centrais do longa-metragem "A Família Savage" ("The Savages"), que estréia nos cinemas de São Paulo nesta sexta-feira, dia 28 de março, após receber uma indicação ao Oscar de Melhor Atriz. O filme, aliás, estreou na semana passada no Rio de Janeiro e teve sessões de pré-estréia por aqui.

Com estrutura conturbada, a família Savage, composta pelo professor universitário Jon (o sempre ótimo Philip Seymour Hoffman, que está atualmente em cartaz no longa "Jogos do Poder"), sua irmã e dramaturga Wendy (Laura Linney, indicada ao Oscar por este filme), mulher na faixa dos 40 anos que tem um namorado casado, e o pai dos dois, Lenny (Philip Bosco), que está sendo mandado embora de casa, já que vivia com a namorada e ela falece de repente.

Os dois irmãos, que têm vidas malucas de pesquisadores, ganham pouco dinheiro e moram um em Buffalo e outro em Nova York, não têm tempo para nada e precisam resolver o percalço inesperado. Como se tudo isso não fosse suficiente, o pai está com problemas de demência e terá de ser internado em uma casa de repouso.

Daí para frente, a trama desenrola-se de maneira triste, mas ao mesmo tempo engraçada, pois os irmãos terão de viver sob o mesmo teto, conviver com os seus defeitos e virtudes em prol do bem-estar do pai.

A diretora e roteirista Tamara Jenkins conta, no material de divulgação do filme, que vê semelhança entre os seus personagens e os do conto "João e Maria", principalmente após ler "A Psicanálise dos Contos de Fadas", de Bruno Bettelheim. Ela explica que "João e Maria" é uma "história de crianças confrontando-se pela primeira vez com a mortalidade, que são rejeitados pelos pais, largados no bosque e forçados a encontrar seu próprio caminho". "Comecei, então, a enxergar Wendy e Jon como uma versão moderna e de meia-idade de 'João e Maria', um irmão e uma irmã forçados a encarar uma jornada", destaca.

O filme começa de uma maneira e termina de outra totalmente diferente, de modo que os personagens vão se fortalecendo a cada conflito, se humanizando e mostrando ao espectador que são normais, e o que aconteceu com eles poderia acontecer em qualquer outra família.

Outro detalhe é que os irmãos terão de aturar, mesmo depois de velhos, as imposições do pai autoritário, que não perde a mania de mandar, mesmo estando em um asilo.

O personagem vivido por Philip Seymour Hoffman também mostra suas fragilidades, quando demonstra que está sentindo falta da namorada polonesa.

Um dos problemas da fita é o fato de ela tratar de velhice, doenças psicológicas e o drama familiar que os personagens vivem e que podem gerar um certo desconforto na comunicação com o público, se este não estiver preparado para o assunto. Outro detalhe, é que, de certa forma, há um momento em que o enredo se arrasta, mesmo que a projeção não tenha mais que duas horas de duração.

A direção intimista de Tamara Jenkins, em seu segundo longa-metragem, é impecável, apresenta de modo ímpar as reações de todos os personagens, situa o espectador e é capaz de mostrar as cenas com câmeras bem posicionadas, ou seja, essas coisas que só bons profissionais são capazes de fazer.

quarta-feira, 19 de março de 2008

As Crônicas de Spiderwick

Já virou moda, e não é de hoje. Adaptações para o cinema de livros que contam histórias repletas de imaginação e criaturas mágicas não param de surgir. Basta lembrar rapidamente dos recentes "O Senhor dos Anéis" e seus hobbits, elfos, orcs; "Harry Potter" e todas as criaturas bruxas; "As Crônicas de Nárnia", "Peter Pan" e por aí afora.

Quem ganha adaptação desta vez é o livro de Tony DiTerlizzi: "As Crônicas de Spiderwick" ("The Spiderwick Chronicles"). O longa-metragem estréia nesta quinta, dia 20, e promete agradar os fãs de fábulas que contam histórias de seres mágicos, ogros , duendes com muita imaginação e efeitos especiais.

O enredo conta a história da família Grace, que acaba de se mudar de casa. Na verdade, a mãe (Mary-Louise Parker) e seus três filhos saem de Nova York e vão morar no velho casarão de um tio-avô, Arthur Spiderwick (David Strathairn). Porém, o garoto Jared (Freddie Highmore, de "Em Busca da Terra do Nunca") começa a perceber que coisas estranhas acontecem ao seu redor até que ele encontra um livro que conta sobre as criaturas mágicas e bizarras que vivem por ali. Daí pra frente, terá de se armar para salvar a casa e sua família.

Um dos pontos altos, sem dúvida é o visual, que embora pareça comum no início, a partir dos 15 minutos já começa a ter animações e criaturas produzidas com efeitos de computador. A narrativa, embora simples e previsível, é envolvente e capaz de prender o espectador. Freddie Highmore faz o papel duplo de dois irmãos. Um deles, Simon, é mais careta, faz o tipo nerd que tem explicações para tudo, partindo de conceitos científicos; Jared, no entanto, é o oposto e responsável por descobrir todas as coisas esquisitas e de convencer os outros membros da família que estão correndo perigo.

Além da participação de Joan Plowright, como a tia-avó, está também Nick Nolte, que faz o papel do ancião que se transforma em quem ele quiser. Vale destaque também o comportamento do guardião do livro, um duende mágico que é apaixonado por mel e bebe a guloseima com bastante intensidade, tal como uma criança mamando.

Para confirmar a história previsível, o início é sombrio (lembra o visual de "A Família Adams") e os garotos são filhos de pai ausente e mãe doida, que grita por tudo. Para completar o visual, há poeira sobre os móveis, bichos peçonhentos e toda sorte de gosmas e babas. A música de suspense dá o tom tenso, além da câmera baixa e do olhar subjetivo, que faz o espectador olhar por intermédio dos olhos do personagem na tela. No entanto, no decorrer da fita, o visual denso dá espaço para uma fotografia mais leve, colorida e com riqueza de detalhes.

O diretor Mark Waters ("E Se Fosse Verdade") consegue fazer o seu trabalho de modo a garantir a diversão do público da platéia, sem apelar ou se estender demais para contar a história.

segunda-feira, 17 de março de 2008

Altos papos!


(Como a entrevista que foi publicada na edição de março teve de ser diminuída em função do espaço, aqui ela está na íntegra.)
--
Bastidores: A conversa durou pouco mais de um mês até que o jornalista Serginho Groisman pudesse receber METROPOLIS para entrevista. Ele estava em férias, em janeiro, então a matéria só pôde ser realizada após o Carnaval (na verdade, dia 26 de fevereiro).

Eu já deveria saber, mas constatei que Serginho é realmente um cara de atitude, simpático, atencioso e, sobretudo, competente. Ele conversou comigo durante quase uma hora e o resultado é possível conferir na entrevista. Durante a conversa, Serginho falou de futebol, televisão, família, cinema. Ele, aliás, além de jornalista, também já atuou como professor, quando lecionou aulas na Faap, onde estudou. Nos últimos anos, tem apresentado a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, criado por Leon Cakoff há 31 anos. 

Serginho se considera cinéfilo de carteirinha. Vai ao cinema, mas também assiste à filmes em DVD. Não se liga muito no Oscar, acha que é um programa da televisão americana, mas ainda assim confere a premiação para ver as retrospectivas e as edições. Outra paixão é o futebol. Embora não tenha ido muito ao estádio ultimamente, afirma que assiste a todos os jogos pela televisão. Seu time do coração? Corra pra ler a matéria que ele conta qual é!

Altos papos!
Ele não é mais, digamos, um garoto. Aos 57 anos, Serginho Groisman acumula, como jornalista, experiência em jornal impresso, rádio e televisão. Atualmente, ele comanda três atrações na TV Globo, emissora onde trabalha desde 1999.

Para esta entrevista exclusiva, Serginho recebeu a reportagem da METROPOLIS em sua sala na Rede Globo (onde há uma infinidade de DVDs além de um display com faixa de campeão do seu time do coração). Na ocasião, ele contou sobre sua trajetória pela televisão, uma vez que já passou por várias redes, além de ter participado de filmes no cinema e também feito uma peça no teatro. Para arrematar, o apresentador aproveitou para falar dos seus projetos, preferências, o Oscar e, claro, futebol. E, como ele mesmo diria: Fala, garoto!

Conte um pouco sobre sua carreira.
Eu estudei jornalismo, comecei a fazer frilas em jornal, cobri férias na Folha de S. Paulo e trabalhei em rádio. Trabalhei oito anos na Band, depois fui para a rádio Cultura, onde eu tinha um programa chamado “Matéria Prima”, tinha quatro horas por dia. Dei aula na Faap, fui dirigir a rádio Cultura AM, depois dirigi o curso de Rádio e TV durante por dois anos na Faap e fiz algumas coisas na TV Cultura, um programa chamado “Orientação”, de meia hora, mas comecei a fazer TV mesmo com mais freqüência na Gazeta, um programa chamado “TV Mix”.

O diretor Fernando Meirelles trabalhava neste programa?
Foi ele quem me chamou. Ele e o Marcelo Machado. Daí eu comecei a dirigir e a apresentar o programa. Fiquei dois anos lá e fui pra Cultura [no “Matéria Prima”], fiquei um ano e para o SBT, fiquei oito anos lá e já estou aqui desde 1999. Hoje em dia tenho o “Altas Horas”, o “Ação” e o programa no Canal Futura chamado “Tempos de Escola”.

Olhando para trás, como você avalia a sua carreira?
Sempre procurei trabalhar naquilo que me desse prazer, nunca foi por dinheiro ou status. E sempre as decisões de sair de onde eu estava, foram muito difíceis, pois sempre estive bem nesses lugares. Uma exigência principal foi a liberdade de trabalho e isso se mantém até hoje. Quando eu estava no SBT e apareceu o convite de vir pra cá, fiquei muito balançado, porque eu tinha medo. Mas também quando eu fui para o SBT eu tive medo dessa história de o Silvio Santos entrar nos programas e aqui também, mas nada disso aconteceu. Então, foi uma oportunidade muito grande de vir pra cá e trabalhar na quarta emissora maior do mundo. Não perdi, só acrescentei coisas com o tempo. Você vai adquirindo experiência, tendo melhores condições de trabalho, mas não perdi o conceito básico que é ligado à ética, um tipo de programa no qual o espectador fala, se posiciona.

Desde o “Matéria Prima”, na década de 1990, você fala com adolescentes. Você consegue ver a diferença do jovem de hoje e daquela época?
Existem diferenças e semelhanças. Acho que as semelhanças é que o jovem ainda lê pouco desde aquela época, avançou um pouco a politização, mas não é grande coisa. Agora, tem coisas novas. A internet veio revolucionar uma geração inteira, já vai para a segunda geração. É uma revolução real. As pessoas têm mais acesso à informação e à comunicação. As pessoas ainda não sabem usar bem essa ferramenta, porque a educação no Brasil ainda é falha, principalmente a comunicação hoje em dia, o celular e a internet. Acho que revolucionou o modo de comportamento. Hoje, o jovem é mais evoluído com a consciência ecológica, do que antes, fumam menos.

Ao invés de monopolizar o entrevistado, você dá voz a outras pessoas. Você já passou algum aperto?
Já, várias perguntas (risos). A [Luíza] Erundina era prefeita de São Paulo e ela é da Paraíba. Perguntaram se ela não podia criar uma lei impedindo a vinda do nordestino para cá. Para Roberta Close, perguntam como foi cortar o bilau!

E como você lida com isso, já que o programa não é ao vivo?
Depende. Não é, mas antes era. Hoje é mais fácil, a gente usa a edição, se acontece uma barbaridade, mas se é uma pergunta interessante a gente deixa. O programa é gravado praticamente como se fosse ao vivo. Tem muita pergunta repetida, a pessoa vê na televisão, vem pra cá e repete. Mas tem muita pergunta surpreendente, isso que é bom.

E no Púlpito, quadro no qual as pessoas fazem protestos, já teve alguma coisa bizarra que vocês tiveram que cortar?
Não, tem muitas coisas engraçadas e surpreendentes. As pessoas reclamam muito dos políticos, do aquecimento global, tem uma menina que diz que é contra a sexta-feira porque é o único dia que ela faz chapinha e chove. Tem gente que reclama do pai, do trabalho, do namorado, do time, uma coisa muito ampla. É curioso e engraçado. Sempre tem uma coisa diferente, nova. Nunca tivemos que cortar.

Por falar em time, você é corintiano desde criancinha?
Desde sempre.

Qual é a sua opinião sobre o seu time atualmente?
O Corinthians está mais feliz do que estava, porque estava péssimo, agora está melhor, dá pra encarar, assistir. Se bem que eu assisto sempre, a todos os jogos.

Você vai ao estádio?
Não vou como ia, principalmente em clássicos. As pessoas esquecem que gostam de futebol e é uma loucura. Mas assisto pela TV a todos os jogos. Neste ano fui uma vez só ao estádio quando o Corinthians inaugurou o novo time. Adoro futebol.

Qual é o seu envolvimento na programação do “Altas Horas”?
Eu co-dirijo o programa, eu e o Mauricio, então é tudo. Eu venho todo dia. Meu trabalho não é apresentar. Eu cuido de tudo, da pauta, quero saber as escolas que vêm, quais são as matérias, faço matérias, como fiz no Cirque du Soleil na semana passada, me colocaram uma fantasia.

O horário de exibição do “Altas Horas” te incomoda de alguma maneira por ser muito tarde?
Não, eu que optei. Quando vim para cá, eu não sabia nem do horário nem do programa. Eu tinha possibilidade à tarde, meia hora, mas achei que não era o perfil. Daí pensei na madrugada de sábado para domingo. Então a opção é minha mesmo, acho que é uma alternativa. É claro que você gosta de ser mais visto, um pouco mais cedo seria melhor, mas de qualquer jeito a gente tem uma audiência boa, que vai de 8 a 10 pontos de média, o que é muito grande.

Neste horário você não atinge só adolescentes...
Acho que sempre foi assim. Nos outros canais também. É um programa feito com adolescentes, mas a temática é ampla, a gente fala de tudo: política, comportamento, jornalismo, futebol. O programa tem uma ligação com o público jovem, mas ele não é feito para eles.

E com o Ibope, você sofre alguma pressão?
Não, não tem nenhuma. Principalmente porque esse é um horário tranqüilo, sempre dá para experimentar e temos uma audiência grande.

Faz pouco tempo que vi uma edição inteira do caderno Variedades do Jornal da Tarde que você editou, teve até matéria sobre o Corinthians... Como foi voltar para a redação do jornal?
Ah, foi muito legal. Uma experiência legal, ficar editor de um caderno. Teve a reunião de pauta, e o editor, o Júlio Maria, foi muito bacana. Ele me deu a liberdade de fazer a pauta, diagramação, fotos, fechamento, tudo. Acho que o resultado foi bom, eles gostaram da repercussão. Eu também adorei voltar. No tempo que eu fiz a Folha era muito diferente.

Você trabalhou em qual editoria?
Cobria esportes.

Faria de novo?
Faria, mas como uma experiência, porque toma muito tempo. Recebo às vezes convites para escrever, que é uma coisa que eu quero voltar a fazer, sinto falta de escrever. Neste ano, de algum jeito, vou fazer isso.

Com o “Altas Horas”, você foi para Portugal e depois para o Japão gravar. Como foi a experiência de trabalhar fora do país? Você pretende fazer outros programas fora?
O programa não foi para lá. Eu fui para lá. Aproveitei o Brazilian Day e gravei algumas coisas para o programa, não fiz um programa inteiro fora. Já viajei para vários lugares fora do Brasil. A gente tem um projeto de fazer um aniversário fora do Brasil. Por enquanto gravei em Portugal, no Japão, em Nova York, Buenos Aires. São matérias que eu faço para cá.

Há muitas pessoas que assistem fora por conta da Globo Internacional. Você tem retorno?
Tenho pelos e-mails. No Japão e nos Estados Unidos estão as comunidades mais fortes. Em Portugal foi bem legal, muita gente na rua conhece o programa. Em Nova York, na última vez que eu fui, tem gente que vê a Globo Internacional e não é brasileiro. Vai longe.

Como surgiu o “Ação”?
O “Ação” é mais velho que o “Altas Horas”. O programa vai completar nove anos e o “Altas Horas”, oito. Quando eu cheguei aqui, a primeira coisa que me deram foi o “Ação”, em 1999. Mas era para ele durar de dezembro a abril. Ia só até o Brasil 500 anos. E está até hoje. É um programa que eu adoro fazer. Hoje, por exemplo, estamos falando do Dia Internacional da Mulher, e tem uma ONG de Recife contra a violência com relação à mulher, vai ter uma delegada da Delegacia da Mulher. É um programa que mostra as coisas positivas do Brasil. Gente que trabalha em ONGs voltadas à geração de renda ou educação. A gente trabalha com esse tripé: geração de renda, educação e voluntariado. É um programa que eu adoro fazer, eu não dirijo, apresento e participo com idéias.

Você que criou?
Não, eu participei da criação com mais gente.

O programa fala bastante sobre responsabilidade social. Você acha que está na “moda” ultimamente? O “Ação” colaborou com isso?
Não sei, acho que é um pouco difícil achar que um programa de televisão é capaz de fazer tudo isso, acho que ele é um pouco reflexo. Talvez ele ajude em algumas coisas.

A divulgar? Muitas pessoas não tomam iniciativa por desconhecimento...
É, muita gente não sabe direito o que fazer. Acho que nisso o programa pode contribuir. Pelo nosso site a gente liga as coisas que mostramos no programa com as ONGs. Eu sei, por exemplo, que nas ONGs que a gente mostra há uma repercussão muito grande quando aparece no programa. Acho que ele tem esse papel. E também o papel maior de mostrar ao espectador que existe um Brasil paralelo ao Estado, sabe? Em que as pessoas podem se servir de iniciativas que o Estado não pode. Tem gente com idéias bem bacanas que o Estado poderia copiar e não copia.

Você se emociona com as histórias que conta no “Ação”?
Eu me emociono, mas eu não sou uma pessoa que demonstra. Eu me emociono com muita coisa, com o esforço que as pessoas fazem de uma maneira despretensiosa, os casos que acontecem. Eu acho uma pena, porque o Brasil poderia ser um país mais desenvolvido.

O que você acha que falta?
Falta uma vontade política, real, é muito difícil essas coisas da política, do poder. As pessoas se envolvem muito com o poder. Daí fazem concessões, se esquecem do que realmente deve ser feito, porque lutam muito para ficar no poder. Mas democracia é ainda o melhor modo que a gente tem de levar um país.

Este ano é político, você pretende discutir o tema no programa?
O ano político é mais difícil, porque existe uma legislação que proíbe uma série de coisas. O que dá pra fazer é discutir com a platéia, incentivar a votar, tirar título de eleitor quem pode. Isso sim, a gente vai fazer. Trazer candidatos não dá, porque isso o jornalismo também já faz e a gente tem uma série de restrições, porque para trazer candidatos é preciso trazer todo mundo, é meio complicado para um programa semanal.

E no Canal Futura, como é o programa?
Chama-se “Tempos de Escola”. É um programa que eu levo uma pessoa conhecida e ela fala de um determinado momento da escola dela. Um amigo dela de época fica repórter e mostra como está a escola hoje em dia. Adoro fazer esse programa.

Como você dá conta de todos esses programas?
Às terças eu gravo o “Ação”; às quintas, o “Altas Horas”. Queria fazer ao vivo, sábado, mas o horário não permite. E o “Tempos de Escola” é por temporada, faço a direção e a produção. Em um semestre a gente trabalha em cima disso fora daqui. Eu gravo duas pessoas por dia, sexta, sábado e domingo. Em três finais de semana terminamos uma série inteira. É pesado.

Mas é bom, né?
É bom.

Faz tempo que você participa das edições da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo? Qual é o seu envolvimento com o Leon Cakoff e com o cinema?
Cinema eu adoro, quase fiz Cinema. Quando eu fazia um programa na Band chamado “90 Minutos”, nos anos 1980, a primeira matéria que eu fiz que apareci na vida foi na fila da Mostra de Cinema, de um filme proibido. Eu conheci o Leon e a partir daí a gente se conheceu melhor, ficamos amigos. E eu apresento a abertura e o encerramento e coordeno os debates.

No ano passado você intermediou o do Gael Garcia Bernal, que aconteceu na Faap...
Então, foi bacana. Eu faço isso há muitos anos, nem sei quantos.

A relação é bem estreita, né?
É, eu estou pra fazer um documentário sobre eles. Como eles fazem a seleção dos filmes da Mostra, viajar com eles pelos festivais. Ia fazer este ano, mas não deu para levantar o equipamento, mobilidade. Então estou fazendo um projeto para o ano que vem. Neste ano já foi Berlim, não dá mais...

Por falar em Berlim, você disse no programa do dia 23 que você vai entrevistar o José Padilha, diretor do “Tropa de Elite”. Qual é a sua opinião sobre o filme?
Eu gosto do filme, mas acho que ele levanta muitas polêmicas. Acho que ele demonstra a realidade, mas eu nunca sei direito que impacto o filme tem. Essa é uma discussão difícil: qual é o impacto que um filme pode ter em uma pessoa. Acho que é muito mais uma identificação do que uma transformação. Acho que dificilmente uma pessoa sai de um filme e vai matar alguém por causa do filme. Mas acho que ela pode se identificar. E eu fico um pouco assim quando torturam no filme. Soube que tem gente que aplaude, e disso eu não gosto. Isso eu vou conversar com ele. Cena de tortura sendo aplaudida eu não gosto. Mas eu gosto do filme, ele é muito bem-feito.

Você vai ao cinema freqüentemente ou vê filmes em DVD?
Vou ao cinema sempre que dá.

Qual foi o último filme a que você assistiu?
(Suspiro) O último filme acho que foi “Juno”.

Gostou?
Gostei, mas não tanto. Vi outros filmes que também estavam concorrendo ao Oscar que eu achei melhor.

O que você achou da premiação?
O Oscar é um programa de televisão americano, para o cinema americano. Eles ainda dão uma colher de chá para o Melhor Estrangeiro. Eu gosto de ver o Oscar por causa das edições, das retrospectivas. Não fico torcendo. Mas no final, se você assiste aos filmes, sempre tem um preferido, acha que o Melhor Filme pode ter uma repercussão maior, e às vezes tem mesmo.

Você tem um preferido?
Olha, o que ganhou [“Onde os Fracos Não Têm Vez”] eu gostei muito, dos irmãos Coen. É um filme muito violento, mas todos os filmes deles eu acho muito bom. Gostei do filme que o George Clooney participa, o “Conduta de Risco”. Eu vi um monte.

E “Desejo e Reparação”?
Ah, adorei. Adorei o roteiro como ele é contado.

Em 2006, você fez sua estréia em teatro, sob a direção de Gerald Thomas, no espetáculo “Brasas no Congelador”. Como foi esta experiência?
Eu espero que se repita.

Você estudou teatro?
Antes, não. Fui jantar com o ele porque ele queria que eu aparecesse em vídeo em uma peça do Marco Nanini. Daí ele se empolgou comigo, disse que eu poderia ser ator, que sou engraçado. A gente se dá muito bem, a gente ri muito. Daí ele escreveu uma peça. E quando ele escreve, ele escreve para o ator. E misturava Globo, com o horário, campo de concentração, que tem a ver com a minha família, os meus pais. Os pais da minha mãe ficaram nos campos. Então, ele escreveu o texto, eu adorei, as pessoas gostaram e se fosse para fazer uma coisa, eu queria fazer teatro. Me convidaram para uma participação de um filme, mas como apresentador.

Qual filme?
Do Alain Fresnot, mas ainda não tem título e tem uma participação minha com o Caco Ciocler. Também como apresentador de um filme chamado “Fim da Linha”, que ainda não foi lançado, com o filho do Fagundes. Tenho uma possibilidade de fazer uma peça de teatro, o “Decameron”, do Bocage, e também outra com o Gerald, estou vendo o que vou fazer, talvez este ano.

Qual é a sua descendência?
Meus pais faleceram já. Minha mãe faz dois anos e meu pai foi em 2000. Ele era romeno, e ela polonesa. Judeus. Eles vieram na Segunda Guerra, se conheceram num baile, depois casaram. Daí que meu pai faleceu, minha mãe começou a vir pra cá, ficava com o pessoal da produção. O Dan Stubach tem uma mãe polonesa e ele começou a falar polonês com a minha mãe.

Você fala polonês?
Não, porque meu pai era romeno, minha mãe polonesa. Então eles não se comunicavam na língua. Então não sei nada de nenhuma das duas.

Como é a sua rotina?
Eu venho todo dia aqui, almoço aqui e vou vendo como está principalmente o “Altas Horas”. O “Ação” eu faço os off uns dois dias antes. Quando gravo, olho o espelho do programa e demoro cerca de 40 minutos para gravar o programa que tem 25 minutos.

Para você se informar, você lê jornal, internet?
Leio jornal todos os dias, internet estou sempre lendo as notícias. Ler é a coisa mais importante. Não consigo ver um apresentador de televisão desinformado. Fico louco com isso.

E os seus projetos para este ano?
Então, é o teatro, voltar a escrever e fazer melhoras no programa. O “Altas Horas” vai ter mudança de cenário, quadros novos. Estamos ainda no estudo, fazendo experimentos. Algumas coisas a gente já está fazendo, umas brincadeiras. A gente sempre tem duas bandas, então pegamos o vocalista de uma e colocamos na outra. Estréia na primeira semana de abril.

Você também se arrisca cantando...
Cantando? Brinco, né?

O que falta na sua carreira para você se considerar um profissional realizado?
Eu não penso assim, nunca pensei nisso.

Sempre tem algo para fazer?
Eu sempre quero fazer outras coisas. Eu não penso: “oh, quando será o dia que eu vou falar que estou realizado?” Eu não sei o que é que é realizado, não me passa pela minha cabeça.

E pessoalmente?
O que falta? Falta ter filho. E casar, que vai ser logo.

sexta-feira, 14 de março de 2008

Horton e o Mundo dos Quem!

Esqueça o tipo de longa-metragem de animação destinado aos adultos e crianças, como "Shrek", "Carros", "A Era do Gelo", caso você tenha mais que cinco anos de idade. "Horton e o Mundo dos Quem!" ("Horton Hears a Who!"), que estréia nesta sexta-feira, dia 14 de março, nos cinemas, é essencialmente destinado às crianças, embora a animação 3D seja extremamente bem cuidada. A história, baseada no livro do cartunista Dr. Seuss, publicado há 50 anos, tem produção do Blue Sky Studios, o mesmo responsável pela franquia "A Era do Gelo".

O filme conta a vida do elefante Horton (com voz de Jim Carrey, na versão original, mas no Brasil a maioria será de cópias dubladas), que é bastante brincalhão, vaidoso e vive ajeitando as suas orelhas em formas de chapéus e adereços.

O maior conflito, porém, acontece quando ele encontra uma partícula de poeira flutuando no ar, e descobre que lá dentro existe uma cidade chamada Quemlândia. A partir de então, ele carrega a partícula em cima de uma flor e começa a dialogar com o prefeito (voz de Steve Carell e Tom Cavalcante), que vive lá dentro.

Outra personagem interessante e engraçada é a canguru, que acha que Horton está doido e quer endoidar as crianças com suas especulações sobre a vida dentro da partícula. Ela, que carrega o filho dentro de sua bolsa, manda o filho voltar para o quarto sempre que ele coloca a cabeça para fora.

Daí para frente já dá para se ter uma noção do que o enredo mostrará, uma vez que não é preciso nem prestar muita atenção, pois o narrador faz questão de explicar o que está se passando na história. Cheio de lições de moral, a narrativa é sobre principalmente do fato de se precisar tratar bem as pessoas, mesmo que elas sejam bem menores que você – o típico tamanho não é documento.

Um dos pontos altos da fita é o visual, a animação com desenhos coloridos, os animais com sobrancelhas bem penteadas (!) e a cidade com uma infinidade de detalhes e texturas que só bons estúdios são capazes de (re)produzir e encantar.

O longa, que tem menos de 90 minutos de duração, tem direção de Jimmy Hayward e Steve Martino (que participaram da produção de "Robôs"). Inconfundível é também saber que John Powell (de filmes como "A Fuga das Galinhas", trilogia Bourne, "A Era do Gelo 2") é autor da trilha sonora, já que ele insere canções em praticamente todas as cenas.

Dois Dias em Paris

Depois de passar férias em Veneza, na Itália, e antes de voltar para casa, em Nova York, o casal de namorados, a francesa Marion (Julie Delpy) e o norte-americano Jack (Adam Goldberg), passa dois dias em Paris, onde vivem os pais da moça. Este é o enredo básico do longa-metragem "Dois Dias em Paris" ("Two Days in Paris"), que estréia dia 14.

A narrativa, que inclui diálogos engraçados, comenta as dificuldades de entendimento, já que Jack não fala francês e os pais de Marion não falam inglês, e de relacionamentos em geral.

Recentemente, passou pelos cinemas "Em Paris", de Christophe Honoré, no qual um estudante narra a história da separação de seu irmão. Aqui, porém, as seqüências externas se preocupam em mostrar a cidade, ao contrário da nova fita, que não se apega aos cartões-postais de um dos lugares mais lindos do mundo, mas sim no comportamento das pessoas que vivem lá, na família e nos ex-namorados da moça.

Este é o segundo longa dirigido por Julie Delpy, que além de atuar é responsável também pelo roteiro, pela co-produção e música original. Entre os pontos baixos, os clichês utilizados na maneira francesa de interagir com o mundo, assim como o excesso de liberdade em vários sentidos, por exemplo na educação - que é extremamente rígida naquele país. Em uma das passagens, a personagem francesa explica por que eles têm fama de não tomar banho. Do lado norte-americano, há também clichês, como o cara que não fala nenhuma palavra em francês e obriga os outros a falarem seu idioma, assim como os europeus "julgam sua ignorância pela capa".

No início, Julie faz narrações em off como forma de explicar o que o espectador verá. E, como sua personagem é fotógrafa, ela apresenta como seus olhos registram as imagens. Já o personagem vivido por Goldberg é engraçado e esquizofrênico, pois é obcecado por bactérias e alergias. No fim, ela retoma esse recurso (em off) e inclui a moral da história para reforçar a mensagem, caso de alguém na platéia não a tenha entendido.

quinta-feira, 13 de março de 2008

E o guarda-chuva vai para...

O mundo se divide em dois grupos: os que andam a pé e os que andam de carro, trem e caminhão. Entre os que andam a pé, há dois outros grupos: os que têm guarda-chuva e os que precisam correr embaixo de toldos no meio da tempestade.

Há duas semanas, quando chovia sempre no final da tarde (ou melhor, sempre no horário em que eu estava na rua), eu era pega desprevenida, tinha que correr pra escapar. Afinal, carregar guarda-chuva é a coisa mais chata do mundo. Primeiro porque se ele é pequeno, não dá conta da tempestade; se é grande, vira um elefante branco; onde você vai, acaba esquecendo na porta, pra não entrar pingando.

Mas um dia eu resolvi carregar o guarda-chuva na bolsa e, quando isso aconteceu, bingo, não choveu mais. Cheguei até a pensar que a chuva só viria se eu não estivesse com o guarda-chuva na bolsa, tamanha era a coincidência.

Acabo de me lembrar de outra história – abre parênteses:

Quando cheguei em Paris, no ano passado, no meu primeiro dia de passeio pela cidade, adivinha? Estava chovendo. Meu namorado me emprestou o guarda-chuva dele quando foi para o trabalho e ok. Até que não foi tão difícil equilibrar a bolsa, a máquina fotográfica (turista é fogo!), o guarda-chuva e a baguete no meio da rua. No início da semana seguinte, saí com uma amiga e, quando deixávamos Notre Dame, choveu de novo. Então, resolvi entrar em uma daquelas lojinhas e comprar um guarda-chuva. Adivinha? Não choveu mais enquanto estive na cidade. Não choveu nenhuma gota, de modo que nem estreei a peça nova (só vim usá-la outro dia aqui).

Ponto. Fecha parênteses.

Como ando muito a pé, cansei de me molhar e correr. Então, me habituei a carregar o trambolho pra cima e pra baixo. Ontem, eu voltava para o jornal caminhando despretensiosamente na rua, após o almoço, quando vi várias pessoas correndo para se proteger da chuva que veio sem avisar, imagine, no início da tarde! Era gente tentando se esconder embaixo de toldo, telhado, o que fosse. As moças com chapinha no cabelo (desculpe, não resisti) enrolavam a blusa, a toalha (juro!) na cabeça, um horror.

Eu, como não sou boba nem nada, estava ali, andando devagar, carregando o trambolho na mão, sequinha da silva. Algo como se fosse um troféu!

Aliás, acho que é isso: o guarda-chuva é para os pedestres o mesmo que o Oscar é para os atores, diretores, produtores... (Hmm, não deu, deixa pra lá!)

terça-feira, 11 de março de 2008

Congestionamento sem fim

Na semana passada, foi divulgado que o congestionamento em São Paulo bateu recorde. Bom, cá entre nós, não precisava nenhum engenheiro da CET perder tempo para falar isso, porque todo mundo que trafega para lá e para cá pela cidade é capaz de ver os longos trechos parados. Ontem, para se ter uma idéia, a fila da Marginal Tietê às 18 horas começava no km 19 da Castello Branco e ia até a Ponte da Vila Guilherme!

Boris Casoy disse, na rádio BandNews FM, na semana passada, que o trânsito de São Paulo não tem jeito e daqui a 10 anos teremos saudades do congestionamento de hoje. Espero que essa profecia não vingue, mas, em todo caso, vamos tentar amenizar os problemas.

Eu não preciso pegar o carro para ir ao trabalho; vou a pé (!). Mas duas vezes por semana tenho de percorrer 30 quilômetros em horário de pico e isso não tem sido tarefa fácil. Então, aqui vai o apelo de uma pessoa desesperada e que vê coisas erradas no caminho e que, se não existissem, poderiam minimizar os transtornos.

1 - Por favor, quem vai pegar o Rodoanel, a partir da Marginal Pedagiada da Castello Branco, sentido Capital, que fique nas duas últimas pistas da direita. O lance de ocupar todas as pistas e querer dar uma de espertinho perto da entrada, além de deselegante (pra não falar outra coisa), atrapalha, e muito, quem vai pegar o pedágio;

2 - Quando avistar um problema no meio do caminho, como acidente de moto, batida de carro, CET tentando arrumar a bagunça etc., por favor, não pare para xeretar. Ao diminuir a velocidade para prestar atenção no que aconteceu, o motorista faz com que todo o resto da fila seja obrigado a diminuir a sua velocidade também (e a contar que são mais de três acidentes envolvendo motos por dia na cidade, haja observação!);

3 - Caso não tenha jeito, aproveite os momentos de trânsito para ouvir a programação da rádio, se atualizar das notícias, ouvir boa música. E, quem ainda não se arrumou, preste atenção ao movimento: de repente o príncipe encantado está no carro ao lado!;

4 - Não lembro de nenhum filme que aborde esses problemas, mas um documentário até que ia bem, não? No mínimo, documento para as gerações futuras entenderem sobre o que estamos falando hoje (e sofrendo).

sexta-feira, 7 de março de 2008

10.000 A.C.

Depois de fazer alienígenas invadirem os Estados Unidos, no longa-metragem "Independence Day" (1996), e de acabar com a cidade de Nova York, em "O Dia Depois de Amanhã" (2004), o diretor alemão Roland Emmerich volta 12 mil anos no tempo e mostra civilizações pré-históricas perseguindo seus objetivos, no filme "10.000 A.C." ("10,000 B.C."), que estréia no cinema nesta sexta-feira, dia 7 de março.

Na trama, o caçador de mamutes D'Leh (Steven Strait) encontra o seu amor (Camilla Belle), mas não quer assistir, impassível, ao seu seqüestro por guerreiros de outra tribo. Então, ele decide viajar por outros locais do mundo para resgatá-la. Durante a jornada, ele terá de combater predadores e enfrentar adversidades. Entretanto, é durante o percurso que D'Leh vai descobrir um império de pirâmides altíssimas.

Este, aliás, talvez seja o único momento em que é possível identificar onde estão os personagens, já que as demais cenas mostram apenas grandes áreas verdes e montanhas cobertas por neve. No trajeto, o herói terá de lutar com mamutes, tigres dente-de-sabre, além de homens armados com lanças.

Em janeiro do ano passado, o cineasta Mel Gibson dirigiu, produziu e escreveu "Apocalypto", filme que se passa no México, nos últimos momentos da civilização Maia. Com câmera rápida, ele mostrou muito sangue e violência, e destacou a história de um homem que teve sua vida mudada por conta de governantes daquele império em declínio que acreditam que é preciso construir templos e oferecer sacrifícios humanos em nome do Deus deles.

Embora a fita tenha estreado nos Estados Unidos com grande bilheteria, no Brasil não fez muito sucesso. "10.000 A.C." estréia no Brasil e nos Estados Unidos simultaneamente, de modo que não dá para antecipar o interesse do público por esse tipo de filme. O que se vê, porém, é uma película com ritmo alucinado, que conta com música sempre alta, diálogos em inglês e em outro idioma inteligível e personagens caracterizados pré-historicamente (embora os dentes perfeitos e extremamente brancos demonstrem o contrário).

É preciso, no entanto, dar crédito à produção: os animais exibidos digitalmente são bem-feitos e capazes de fazer inveja a outras produções grandiosas. O tigre e o mamute, aliás, lembram os da animação "A Era do Gelo". É visível, porém, que a técnica utilizada e a qualidade da pelagem (um dos detalhes mais difíceis de se reproduzir) ganha do leão que apareceu em "Crônicas de Nárnia: O Leão, A Feiticeira e o Guarda-Roupa". Outro detalhe de grandiosidade são as pirâmides construídas no deserto, assim como as réplicas do palácio, das acomodações dos escravos e do Rio Nilo.

Enquanto "Apocalypto" tem, digamos, apelo histórico, o filme de Emmerich não tem e sua narrativa não acrescenta nada aos cinéfilos, uma vez que o roteiro é fraco, as interpretações são simplórias e algumas soluções chegam à beira do risível.

terça-feira, 4 de março de 2008

Revendo filmes

Eu não ligo de assistir ao mesmo filme mais de uma vez, principalmente se ele me interessa. Às vezes, claro, prefiro ver novidade, acrescentar filmes ao meu repertório e conhecer os lançamentos da semana que não tive tempo de ver em cabines (as sessões reservadas aos jornalistas). Ultimamente, porém, tenho assistido a muitos filmes duas vezes, seja no cinema ou em DVD.

Nesta semana revi, quase dez anos depois, o último filme que Stanley Kubrick fez antes de falecer: "De Olhos Bem Fechados". Confesso que quando vi no cinema me atentei muito ao casal Tom Cruise e Nicole Kidman -- e achei um horror ter de ver a Nicole nua logo na primeira cena. Hoje, quando vi, achei um filmaço, obra-prima do Kubrick.

No cinema, também revi alguns filmes recentes. Isso porque vi primeiro em cabine e depois acompanhei meu namorado no circuito comercial. O último a que assistimos juntos foi "Juno". Vi o filme no início de janeiro, se não me engano, e no último final de semana lá fomos nós pro cinema. Eu continuo gostando da Ellen Page como a adolescente que engravida do namorado; e a Diablo mereceu o Oscar de Roteiro Adaptado.

Antes desse, revi "Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet". Na primeira vez, gostei do papel do Johnny Depp; mas da segunda, eu gostei mais ainda, porque não fiquei aflita com aquele sangue todo. Achei mais estilizado -- e me conformei, porque meu namorado também se contorceu em algumas cenas e vi que não sou a única nojenta...

Mas a primeira vez que revi um filme por "culpa" dele foi "Meu Nome Não É Johnny". Eu já tinha visto o filme e entrevistado o elenco um mês antes da estréia oficial e logo ele disse que queria ver. Como não sou boba nem nada, fiz o "sacrifício" de ver a obra do Mauro Lima de novo. A experiência de rever me faz ver outras coisas que não tinha visto da primeira, que a emoção não me permitiu. Na segunda vez, por curtição, é mais fácil ver certos detalhes.

Quando estivemos em Paris, assistimos a dois filmes juntos: um em inglês, com legendas em francês ("The Brave One"), e outro em francês ("99 Francs"). Nem preciso dizer que para a segunda sessão eu fui pra ver figuras, né? Se bem que em alguns momentos ele fez a tradução simultânea...

Não pense você, porém, que sou a única que vê filme repetido. Ele também revê para me acompanhar. O último foi o "O Gângster". Neste dia, aliás, ele falou assim:

- Eu sei que você não gosta, mas hoje vou comer pipoca vendo o filme.

Acho que ele falou isso porque eu vivo reclamando de quem está comendo pipoca durante o filme e atrapalhando o som com o barulho do papel e da guloseima. Mas neste dia, como era sessão blockbuster no circuito, não hesitei:

- Calma, eu nunca disse que não gosto de pipoca. Eu gosto de pipoca. Não gosto de comer pipoca no cinema quando o filme é lento e silencioso. Mas esse deve ser tão barulhento, que ninguém perceberá o barulho da pipoca e do saquinho...

E lá fomos nós comer pipoca, tomar dois litros d'água e ver o filme barulhento do Ridley Scott.

Eu não conto o filme, quando estou revendo, mas às vezes chamo a atenção para ele prestar atenção em alguma cena, ou conto como ela foi filmada etc. Até que ele se comportou, só adiantou uma piadinha. Aquela do... ah, deixa pra lá!