sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Jogos do Poder

Em novembro do ano passado, Robert Redford atuou e dirigiu o longa-metragem "Leões e Cordeiros", que trata de guerra, educação e influência da mídia na política, principalmente. A fita ufanista pretendia instalar discussão, entre outras, sobre as questões da vida atual nos Estados Unidos por intermédio de personagens que queriam, a todo custo, defender a sua nação no Afeganistão.

Desta vez, quem chega para contar uma história política sobre os Estados Unidos é o diretor Mike Nichols, o mesmo do ótimo "Closer - Perto Demais". "Jogos do Poder" ("Charlie Wilson's War"), que estréia sexta-feira, dia 29 de fevereiro, tem roteiro de Aaron Sorkin baseado no livro de George Crile, que virou best-seller e trata-se de uma história real.

A trama se passa no início dos anos 1980, quando houve um grande avanço na invasão russa no Afeganistão. Por conta desse episódio, o congressista do Texas, Charlie Wilson (vivido brilhantemente por Tom Hanks), incentivado pela milionária, poderosa e sedutora Joanne Herring (Julia Roberts), se comove com o que vem acontecendo do outro lado do mundo.

Então, os dois resolvem apoiar os guerreiros, ajudando o povo afegão com fundos e armas para expulsar os soviéticos daquele país. Para isso, Charlie e Joanne contam com o apoio do agente da CIA, Gust Avrakotos (o sempre ótimo Philip Seymour Hoffman). Além de se passar nos Estados Unidos, o longa-metragem tem cenas que acontecem no Afeganistão, Paquistão, União Soviética, Israel, entre outros locais.

As lentes de Mike Nichols mostram, no início, o congressista em sauna mista e envolvido com strippers, bebida e drogas. Tom Hanks, com seu jeito natural de interpretar, vai envolvendo o espectador desde o começo. Julia Roberts, com cabelos loiros muito claros, faz sotaque texano, veste roupas lindas e fala obsessivamente em política e pede a libertação do Afeganistão.

A invasão russa neste país, aliás, é também contada em outro recente filme: "O Caçador de Pipas". Aqui, porém, os acontecimentos têm o ponto de vista ingênuo do personagem principal, um menino que tem menos de 10 anos de idade e vê as mudanças do seu país. Ainda pequeno, foge com o pai para os Estados Unidos, afim de não sofrer com as imposições do Talibã.

Um dos pontos altos (e mais envolventes) é uma das seqüências protagonizadas por Philip Seymour Hoffman, ator que venceu o Oscar 2006 por sua atuação como o personagem-título no longa "Capote". Philip, aliás, recebeu indicação por este filme como Ator Coadjuvante, mas perdeu para o espanhol Javier Barden, que fez "Onde os Fracos Não Têm Vez".

"Jogos do Poder" critica (ao contrário de "Leões e Cordeiros"), de maneira muito direta mas sem ofender, o governo norte-americano e sua atuação no Afeganistão, que até a iniciativa do congressista texano não apoiava a retirada russa. Com seu suporte, a ajuda para operações secretas contra os soviéticos subiu de US$ 5 milhões para US$ 1 bilhão anualmente. Lamentável, porém, é o fato real de que guerra foi (e continua sendo) combatida com guerra.

Tropa de Elite

O capitão Nascimento (Wagner Moura), do Bope, quer deixar o posto e busca um substituto. Paralelamente, dois amigos de infância, Neto (Caio Junqueira) e Matias (André Ramiro), se tornam policiais e se destacam pela honestidade ao realizar suas funções. O longa, dirigido por José Padilha e vencedor do Urso de Ouro, no Festival de Berlim 2008, mostra o dia-a-dia do grupo de policiais. O filme gerou muitas discussões fora da tela. O DVD traz extras que incluem entrevistas inéditas, galeria de fotos e trailers oficiais.

Baixio das Bestas

Em uma cidade rural do interior nordestino, Auxiliadora (Mariah Teixeira), de 16 anos, é explorada e mantida dentro de casa pelo avô, seu Heitor (Fernando Teixeira). Em algumas noites, ele a leva ao posto de gasolina para expô-la nua e cobrar dinheiro daqueles que querem vê-la. Na cidade, Everardo (Matheus Nachtergaele) junta-se a Cícero (Caio Blat) e os dois, com sua turma, promovem orgias regadas a violência no bordel local, onde trabalham as prostitutas Dora (Dira Paes) e Bela (Hermila Guedes). Dirigido por Cláudio Assis, o longa é o tipo de filme que choca o tempo todo e não encontra espaço para assoprar a ferida do espectador.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

E o Oscar foi para...

De novo, não assisti à premiação do Oscar até o final. Antes de cair no sono, lembro-me que seria divulgado o vencedor de Melhor Fotografia. E, a contar das minhas apostas, acho que fiquei contente com muitos dos premiados, embora o prêmio não reflita necessariamente os melhores do ano (não, na minha opinião).

Estava escrito que o longa-metragem de Joel e Ethan Coen levaria os prêmios principais. Como de fato levou. “Onde os Fracos Não Têm Vez” ficou com Ator Coadjuvante para Javier Barden, Diretor, Filme e Roteiro Adaptado. Eu preferiria que Johnny Depp, por sua atuação em “Sweeney Todd – O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet”, tivesse levado a estatueta, mas depois de ver Daniel Day-Lewis em “Sangue Negro”, dá pra sacar por que não teve pra ninguém!

Embora eu não tenha apostado em Marion Cotillard como Melhor Atriz, no longa “Piaf – Um Hino ao Amor” (confesso que achei que a Academia não premiaria uma atriz que não fosse norte-americana), fiquei muito feliz, seria a minha opção do coração, se eu não tivesse tentado pensar com a cabeça dos membros da Academia, que certamente teria dado o prêmio a Julie Christie, por “Longe Dela”. Marion me emocionou no filme, saí aos prantos da sala de projeção e quero assistir ao filme novamente (acho que ainda está em cartaz no HSBC Belas Artes).

Outro que eu tinha certeza que venceria é a Animação “Ratatouille”. Vi “Persépolis” neste final de semana e gostei, mas não é cinemão como o filme da Pixar, muito mais a ver com o Oscar e com as massas. Nada contra. Aliás, “Ratatouille” é lindo mesmo, mereceu.

Gosto de Tilda Swinton, em “Conduta de Risco”, mas apostei em Cate Blanchett, que disputou o Oscar como Melhor Atriz e Melhor Atriz Coadjuvante. E não levou nenhum dos dois.

Na questão de Roteiro Adaptado, queria que “Desejo e Reparação” tivesse ganhado, mas ficou para o filme dos Coen. Já o Roteiro Original não poderia ser para mais ninguém, senão para Diablo Cody, por “Juno”, este filme que surpreendeu os críticos e também o público.

Fotografia seria ou “O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford” ou para “Sangue Negro”, venceu o segundo.


“O Ultimato Bourne”, que encerra a trilogia, depois de “A Identidade Bourne” e “A Supremacia Bourne”, ficou com prêmio técnicos, como Montagem, Edição de Som e Efeitos Sonoros. Muito justo.


“Sweeney Todd – O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet” levou o prêmio de Direção de Arte (perfeito!), “Elizabeth: A Era de Ouro” ficou com Figurino e “Piaf - Um Hino ao Amor”, com Maquiagem. Não concordo, prefiro “Transformers”, mas o prêmio de Efeitos Visuais foi para “A Bússola de Ouro”. O belíssimo “Desejo e Reparação”, que concorria a sete estatuetas, só levou o de Trilha Sonora. E, embora “Encantada” concorresse à Canção Original com três músicas, o prêmio ficou para “Once”, filme, aliás, que estou ansiosa para ver, mas ainda não tem data de estréia prevista no Brasil.

Confira a lista completa:

Melhor Filme
“Onde os Fracos Não Têm Vez”

Melhor Diretor
Ethan e Joel Coen (“Onde os Fracos Não Têm Vez”)

Melhor Ator
Daniel Day-Lewis (“Sangue Negro”)

Melhor Atriz
Marion Cotillard (“Piaf - Um Hino ao Amor”)

Melhor Ator Coadjuvante

Javier Bardem (“Onde os Fracos Não Têm Vez”)

Melhor Atriz Coadjuvante

Tilda Swinton (“Conduta de Risco”)

Melhor Roteiro Original

Diablo Cody (“Juno”)

Melhor Roteiro Adaptado

Joel e Ethan Coen (“Onde os Fracos Não Têm Vez”)

Melhor Animação
”Ratatouille”

Melhor Fotografia
“Sangue Negro”

Melhor Direção de Arte
“Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet”

Melhor Figurino
“Elizabeth: A Era de Ouro”

Melhor Som

“O Ultimato Bourne”

Melhor Efeitos Sonoros
“O Ultimato Bourne”

Melhor Montagem
“O Ultimato Bourne”


Melhor Efeitos Visuais

“A Bússola de Ouro”

Melhor Maquiagem
“Piaf - Um Hino ao Amor”

Melhor Filme Estrangeiro

“The Counterfeiters” (Áustria)

Melhor Trilha Sonora
“Desejo e Reparação”

Melhor Canção
Falling Slowly (“Once”), de Glen Hansard e Marketa Irglova

Melhor Curta-Metragem (animação)
“Peter & the Wolf”

Melhor Curta-Metragem
“Le Mozart des Pickpockets” (“The Mozart of Pickpockets”)

Melhor Curta-Metragem (documentário)
“Freeheld”

Melhor Documentário
“Taxi to the Dark Side”

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Juno

Especialistas em cinema estão chamando a comédia dramática “Juno”, que estréia dia 22 de fevereiro (apesar de ter estado em pré-estréia desde o dia 25 de janeiro nos cinemas), de “o novo ‘Pequena Miss Sunshine’”, longa-metragem que obteve, no ano passado, quatro indicações ao Oscar. O filme, porém, levou duas estatuetas: Melhor Ator Coadjuvante, para Alan Arkin, e Melhor Roteiro Original, para Michael Arndt. Mas a semelhança que os especialistas se referem é principalmente por conta do baixo orçamento. “Pequena Miss Sunshine”, dirigido por Jonathan Dayton e Valerie Faris, custou US$ 8 milhões. E “Juno”, saiu por cerca de US$ 7,5 milhões. Ora, a contar que as produções norte-americanas começam o orçamento a partir de US$ 50 milhões, já dá pra entender a diferença. O valor empregado, porém, não quer dizer que trata-se de uma produção de menor valor criativo. Ao contrário, como é possível conferir nas telas ambas produções.

A história de “Juno”, escrita pela estreante Diablo Cody (pseudônimo de Brooke Busey), é sobre Juno MacGuff (Ellen Page, de “Menina Má.com”): uma garota de 16 anos que engravida do namorado, Bleeker (Michael Cera), um boboca e sem expressão que só pensa em correr na maratona. Seu grande problema, como seria de qualquer outra adolescente, é: já que sabe que está grávida do rapaz - que está mais preocupado em participar de corridas que namorar -, como irá contar para o seu pai e sua madrasta? Neste quesito, quem a ajuda é sua amiga Leah (Olivia Thirlby).

No decorrer da fita, o espectador vai acompanhar a vida desta adolescente, que precisa se mostrar madura ao dizer que não tem condições de criar um filho a esta altura da sua vida e a solução que ela dará para este “problema”.

Uma das boas surpresas é a atuação de Ellen Page, que é esperta, não titubeia e vai direto ao assunto. Os diálogos são bem-construídos e mostram o universo adolescente dos norte-americanos e os problemas que os afligem. A fita trata de problemas desta faixa etária, mas sem ser piegas, chato ou moralista. O assunto delicado que o enredo aborda não levanta bandeira nenhuma, nem faz apologias. Simplesmente diz o que precisa ser dito.

O diretor Jason Reitman (de “Obrigado Por Fumar”) apresenta um filme que não tem muitas pretensões, e esta talvez seja a sua grande virtude. Como retribuição a um ótimo trabalho (não apenas dele), eis a recompensa: o longa foi indicado a quatro categorias ao Oscar 2008. Além de Melhor Filme, “Juno” concorre aos prêmios de Diretor, Atriz e Roteiro Original. Para completar, a trilha sonora é outro destaque do filme delicado, divertido e emocionante.

Senhores do Crime

Depois de o diretor David Cronenberg e o ator Viggo Mortensen trabalharem juntos em "Marcas da Violência", filme lançado em 2005, os dois retornam à parceria no thriller "Senhores do Crime" ("Eastern Promises"), que estréia nesta sexta-feira, dia 22 de fevereiro.

Na fita, Mortensen é o misterioso russo Nikolai Luzhin, que faz o papel de um motorista de uma família do Leste Europeu que atua no crime organizado em Londres. Então, sem motivo aparente, ele começa a conversar com a parteira Anna Khitrova (Naomi Watts, ótima). A moça, na verdade, havia participado do parto de uma garota que morreu logo depois de dar à luz seu filho. Sua meta, portanto, é descobrir parentes da vítima e devolver o bebê para os braços da família.

Na primeira seqüência do longa-metragem, o espectador já poderá perceber que Cronenberg e o roteirista Steve Knight não estão de brincadeira. Isso porque já há sangue, violência e morte logo de cara. E durante toda a projeção é necessário um pouco de paciência para visualizar todas as cenas fortes. Depois, a narrativa segue apresentando os outros personagens, mesmo que não tenham ligação entre si. Daí para a frente, são envolvidas outras pessoas, principalmente por conta do diário escrito em russo que a moça carregava quando foi parar no hospital.

Não há dúvida que se trata de um filme violento, sangrento, mas que não dispara nenhum tiro durante toda a projeção. A fotografia escura contribui para o ar misterioso que o longa propõe, que utiliza não apenas o set de filmagem, mas também locações pelas ruas de Londres, como a Tower Bridge, um dos cartões-postais da cidade. Mortensen, que recebeu indicação ao Oscar por sua atuação, é convincente, está sempre calculando os seus movimentos para liquidar seus "inimigos", mas ao mesmo tempo seu personagem carrega medalhas e santinhos mostrando a sua religiosidade.

Naomi Watts, atriz que trabalhou com Alejandro González Iñárritu, no festejado "21 Gramas", além de "King Kong", de Peter Jackson, interpreta uma moça dividida entre a razão e a emoção, quando começa a descobrir coisas a respeito da origem da mulher que amparou durante o parto. Seu olhar demonstra verdade e é convincente durante todo o filme.

Apesar da ótima direção de Cronenberg, que está sempre com sua câmera no lugar certo, mostrando os melhores ângulos da trama, é a narrativa que deve interessar o espectador, pois o quebra-cabeça proposto é interessante e fará o público querer esperar para ver o final, pois, acredite, é surpreendente.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Prepare a pipoca, os filmes do Oscar estão em cartaz!

Pronto, agora a lista está completa. As cinco produções que concorrem ao Oscar de Melhor Filme estão em cartaz em São Paulo: “Desejo e Reparação”, “Onde os Fracos Não Têm Vez”, “Conduta de Risco”, “Juno” (está em pré-estréia desde o dia 25 de janeiro) e “Sangue Negro” (“There Will Be Blood”).

Q
uem ainda não viu, tem até o dia 24 de fevereiro, quando serão entregues as estatuetas pela Academia de Ciências e Artes Cinematográficas de Hollywood, para assistir a todos eles e escolher o seu favorito.

Para ajudar, um breve comentário sobre cada um:

“Desejo e Reparação”
O drama inglês, que recebeu sete indicações ao Oscar, é baseado no livro escrito por Ian McEwan e conta a história que se passa em 1935. A menina Briony Talles (Romola Garai) escreve textos para serem encenados para a sua família. Entre os textos, ela usa a sua imaginação para Robbie Turner (James McAvoy), o filho do caseiro e amante da sua irmã mais velha Cecília (Keira Knightley, ótima!), de um crime que ele não cometeu. Trata-se de uma linda história, que o competente diretor Joe Wright conta por intermédio de suas lentes e emociona a platéia.

“Conduta de Risco”
– Traz o ator George Clooney no elenco e fala sobre os poderosos que trapaceiam e tentam passar a perna nas pessoas. O personagem de Clooney é o responsável por limpar a sujeira que esses poderosos deixam e ele precisa livrar a cara de todos eles.

“Juno”
– O longa-metragem, que está sendo chamado pela mídia especializada de “Pequena Miss Sunshine”, filme de baixo orçamento que foi indicado ao Oscar no ano passado. A fita, dirigida por Jason Reitman (o mesmo de “Obrigado por Fumar”), custou cerca de US$ 7,5 milhões e narra a história sobre a menina Juno (Ellen Page, de “Menina Má.com”), que tem 16 anos e engravida do namorado. Como ela sabe que não é madura o suficiente para criar o filho, ela tenta arrumar uma maneira de organizar esta situação. A fita não tem muitas pretensões e esta talvez seja a sua grande virtude, além de ser um filme delicado, divertido e emocionante.

“Onde os Fracos Não Têm Vez”
– Com oito indicações ao Oscar, o longa-metragem dirigido pelos irmãos Coen venceu o Globo de Ouro nas categorias Roteiro Original e Ator Coadjuvante, além do SAG, fazendo com que o filme se torne um dos grandes favoritos. O enredo é sobre o texano Llewelyn Moss (Josh Brolin), que encontra uma mala cheia de dinheiro e começa a ser perseguido por Anton Chigurh (Javier Bardem, ótimo), um psicopata, assassino frio e calculista. Um dos destaques é a edição e a fotografia do filme, além da interpretação convincente de Javier Bardem.

“Sangue Negro”
– Também com oito indicações, o filme dirigido e roteirizado por Paul Thomas Anderson (de “Magnólia”) fala principalmente sobre a descoberta do petróleo na região da Califórnia e do empreendedor Daniel Plainview (Daniel Day-Lewis), que se transforma, com seu próprio esforço, em um magnata do petróleo. No entanto, a reviravolta acontece quando alguém lhe conta que existe petróleo sob o solo em uma outra cidade no Oeste. Então, é para lá que ele segue com o seu filho H.W. (Dillon Freasier). Na ocasião, ele vai conhecer Eli (Paul Dano), que faz a pregação da “palavra de Deus”, fazendo com que a narrativa se transforme em uma grande discussão entre petróleo e, claro, dinheiro, além da família e a fé!

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Sangue Negro

Pronto, agora a lista está completa. As cinco produções que concorrem ao Oscar de Melhor Filme estão em cartaz: “Desejo e Reparação”, “Onde os Fracos Não Têm Vez”, “Conduta de Risco”, “Juno” (está em pré-estréia desde o dia 25 de janeiro) e “Sangue Negro” (“There Will Be Blood”), um dos favoritos, que chega às telas nesta sexta-feira, dia 15 de fevereiro.

O roteiro é assinado pelo também diretor Paul Thomas Anderson, o mesmo de “Magnólia”, que se baseou em uma parte do livro “Oil!”, escrito por
Upton Sinclair em 1920. A história fala principalmente sobre a descoberta do petróleo na região da Califórnia e do empreendedor Daniel Plainview, interpretado brilhantemente por Daniel Day-Lewis (que também fez “Gangues de Nova York”), que se transforma, com seu próprio esforço, em um magnata do petróleo. No entanto, a reviravolta acontece quando alguém lhe conta que existe petróleo sob o solo em uma outra cidade no Oeste. Então, é para lá que ele segue com o seu filho H.W. (Dillon Freasier).

Daí pra frente, além de explorar o petróleo, ele terá de contornar outras situações, como no que diz respeito à fé, quando o pastor Eli Sunday (Paul Dano, de “Pequena Miss Sunshine”) tenta o convencer de entrar para a igreja da comunidade.

O primeiro diálogo do filme só acontece após 15 minutos de iniciada a fita (o mesmo tempo da primeira parte do longa-metragem “2001 – Uma Odisséia no Espaço”, de Stanley Kubrick). Até então, as cenas que se passam entre o final do século 19 e início do 20, mostram o personagem batalhando pela procura do petróleo. Então, só depois quando ele já se torna conhecido na região por sua descoberta é que ele fala.

Além de ler o livro de Sinclair, Anderson pesquisou em museus de petróleo e outros livros especializados no assunto, de maneira que ele consegue abordar o tema sob o ponto de vista não apenas da exploração do petróleo, incluindo a ganância de ter sempre mais, mas também aproveita para discutir a pregação da fé, as mentiras que alguns pastores contam para obter dinheiro dos fiéis, a construção da família e o valor que ela tem.

Indicado ao Oscar de Melhor Ator (e um dos favoritos) Daniel Day-Lewis interpreta um homem calado, individualista e que é capaz de enviar o filho para o orfanato quando ele fica surdo durante um acidente nas minas. E sua transformação durante todas as reviravoltas são extremamente bem-feitas, com mudanças drásticas de interpretação que só bons atores são capazes de fazer.

Já o ator com quem Day-Lewis contracena, Paul Dano, também é outro ótimo ator, que faz a pregação da “palavra de Deus” de maneira singular e convincente. Os dois, aliás, compartilham de uma excelente química, beneficiando os seus personagens. Quem ganha, ao final de mais de duas horas e meia de projeção, é o espectador, que pode conferir uma belíssima história, interpretada por bons atores e com direção perfeita!

Além de Melhor Filme, Diretor e Ator, o longa concorre a outras cinco estatuetas: Roteiro Adaptado, Fotografia, Direção de Arte, Som, Montagem.

Elizabeth - A Era de Ouro

No ano passado, Helen Mirren interpretou a Rainha Elizabeth II no cinema, quando contou a história, em "A Rainha", dos bastidores do palácio de Buckingham, após a morte da princesa Diana. O papel valeu a ela, merecidamente, o Oscar de Melhor Atriz.

Neste ano, é a vez de a atriz australiana Cate Blanchett interpretar outra rainha britânica: Elizabeth I, no longa-metragem "Elizabeth - A Era de Ouro" ("Elizabeth - The Golden Age"), que estréia dia 15 de fevereiro. O papel também lhe valeu (mais) uma indicação ao Oscar. Mas não será fácil, embora ela seja competente, pois na disputa pela mesma estatueta também estão Laura Linney, de “A Família Savage”, Ellen Page, de “Juno”, Marion Cotillard, de “Piaf - Um Hino ao Amor” (que levou o Globo de Ouro na categoria Melhor Atriz de Comédia ou Musical), e Julie Christie, de “Longe Dela” (que venceu o SAG e o Globo de Ouro na categoria Melhor Filme Drama).

Cate, aliás, concorre também ao Oscar 2008 na categoria Melhor Atriz Coadjuvante por sua atuação em “Não Estou Lá”, biografia heterodoxa do músico Bob Dylan, que tem estréia apontada para o dia 7 de março. O resultado, no entanto, só será conhecido na noite do dia 24 de fevereiro.

Esta não é a primeira vez que Cate faz a rainha, pois ela já o fez em "Elizabeth", filme lançado em 1998, pelos mesmos produtores. Na época, eles já tinham a idéia de fazer outros filmes relacionados à rainha e contar a história dela desde quando era uma jovem menina até se tornar a aristocrata que reinou por quase 45 anos. No primeiro filme, a história focou os primeiros anos do seu reinado, em que ela luta para manter o trono.

No novo longa, o enredo se passa na Inglaterra de 1585 e fala sobre a luta de uma mulher em controlar o amor, derrubar os inimigos e assegurar sua posição como ícone do Ocidente. Um dos principais problemas que ela terá de resolver é o catolicismo fervoroso (ela é protestante) que paira na Europa daquele tempo, principalmente na Espanha, governada pelo rei Filipe II. Outro empecilho que ela terá de superar é o amor proibido pelo aventureiro Raleigh (Clive Owen), que está disposto a lutar por seu país, mas acaba se envolvendo com a dama de companhia da rainha, Bess (Abbie Cornish). Elizabeth, que é conhecida como a "rainha virgem", continua lutando por sua aparência.

A fita é dirigida novamente por Shekhar Kapur e o roteiro, escrito a quatro mãos, é de autoria de William Nicholson e Michael Hirst. Um dos pontos altos do filme é o figurino de época, que remete a obra ao século 16, além da direção de arte. A fotografia, que se vale de uma beleza ímpar, é assinada por Remi Adefarasin, o mesmo responsável por filmes de Woody Allen, como "Ponto Final - Match Point" e “Scoop – O Grande Furo”. Mas o que vale mesmo o ingresso é a interpretação de Cate Blanchett, que sabe ser enérgica e doce ao mesmo tempo, tem verdade no olhar e convence o espectador o tempo todo em que está em cena. No mínimo, “Elizabeth – A Era de Ouro” é uma ótima aula de história, embora não tenha muita fidelidade com o real, já que tudo aconteceu há muitos anos e são interpretações poéticas.

*Post também pode ser lido no CineNET


terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Oh fila, oh céus, oh azar

No sábado, dia 9, fui ao Cinemark do Shopping Tamboré assistir “Cloverfield – Monstro”.

Fila, que eu saiba, é para organizar, certo? Mas não é todo mundo que entende o óbvio, porque para a sessão das 22 horas, a fila era a coisa mais desorganizada que eu já vi na vida. Ninguém entendia nada, não havia funcionário em frente à entrada da fila para especificar o que aquelas pessoas uma atrás da outra iam assistir etc.

Bom, depois de esperar, esperar e esperar, a sala foi liberada. Como se não bastassem os 15 minutos de comerciais e trailers antes do início do filme, os atrasadinhos entraram depois de o filme ter iniciado e ainda fizeram questão de ficar papeando e comentando a cada cena. Haja, hein?

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Sweeney Todd: o Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet

A contar pelo trailer, não dá para imaginar que o longa-metragem "Sweeney Todd: o Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet" ("Sweeney Todd: The Demon Barber of Fleet Street"), que estréia sexta, dia 8, é um musical de terror. Mas acredite: há muito sangue, morte e os diálogos são cantados. Talvez por esses motivos, aliás, pode-se dizer que trata-se de uma produção difícil, principalmente no sentido de agradar a todos.

O filme é baseado em peça que estreou na Broadway em 1979, pelas mãos de Stephen Sondhein, autor das letras, e Hugh Wheeler. A fita, porém, é dirigida por Tim Burton, e no início traz Johnny Depp chegando de barco a Londres, navegando pelo rio Tâmisa, após ter ficado por muitos anos preso injustamente por determinação do juiz Turpin (Alan Rickman). Na ocasião, ele era Benjamin Barker, mas quando conhece Nellie Lovett (Helena Bonham Carter, que interpretou Bellatrix Lestrange em "Harry Potter e a Ordem da Fênix"), dona de uma loja de tortas, ele passa a se chamar Sweeney Todd e volta a ser barbeiro. No entanto, ele promete vingança contra o juiz que o condenou.

No meio do caminho, Todd se depara com o barbeiro concorrente, o engraçadíssimo italiano Pirelli, interpretado por Sacha Baron Cohen, ator que saiu do anonimato após protagonizar o filme "Borat - O Segundo Melhor Repórter do Glorioso País Cazaquistão". Seu sotaque italiano e o enorme bigode dão o toque.

Este é o quinto filme em que trabalham juntos Depp e Burton. A primeira parceria foi em "Edward, Mãos de Tesoura", em 1990, seguido por "Ed Wood" (1994), "A Fantástica Fábrica de Chocolate" (2005) e "A Noiva-Cadáver", no mesmo ano. Após tantos trabalhos juntos, é possível perceber a sintonia que ambos têm e como o barbeiro caiu "feito uma luva" para Depp, pois ele quase sempre interpreta personagens caricatos, haja vista ele ter feito a trilogia "Piratas do Caribe".

Na cena em que ele aparece de "cara lavada", aliás, é quase irreconhecível, mas quando encarna Sweeney Todd, Depp demonstra estar à vontade. Como teve uma banda na adolescência, cantar 12, das 20 músicas do enredo - como uma versão de "Pretty Women" -, não foi tão difícil quanto pareceu.

Embora muitos torçam o nariz para musicais, já que não se trata de nenhum "Cantando na Chuva", este não chega a ser cansativo. Ao contrário, pois as rimas das músicas são bem-feitas e a interpretação de bons atores completa a beleza.

Helena Bonham Carter também é afinada, assim como Alan Rickman, que fez o professor Severo Snape em todos os filmes da franquia "Harry Potter", ataca de cantor e se sai bem.

O cenário é a reconstrução de Londres do século 19, mas sem se apegar aos detalhes históricos. Então, o desenhista Dante Ferretti deu à fábula um visual estilizado. A fotografia do filme é sombria e remete a filmes noir, com toque azulado, sem adicionar nada de cor. Colorido mesmo é o sangue que escorre o tempo todo, já nos créditos iniciais do filme.

Burton abusa dos travellings no início da fita, além de planos-seqüências (sem cortes). O filme tem ritmo e o roteiro de John Logan ("O Aviador") é bem-escrito.

Mais uma vez, Johnny Depp toma conta como o barbeiro excêntrico, mas que pode fazer muita gente na platéia pensar duas vezes antes de se entregar a um profissional desses depois que assistir à produção.

"Sweeney Todd: o Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet" não é um filme fácil, mas vale ser visto. Neste mês, o longa concorre a três Oscars: Ator (Johnny Depp), Direção de Arte e Figurino. Só resta torcer a favor!

*Post também pode ser lido no Fale Com Elas

Sem Reservas

A fita conta a história da chef de cozinha de um conceituado restaurante de Nova York, Kate (Catherine Zeta-Jones). No entanto, por conta de um contratempo de sua vida familiar, ela precisa assumir a sobrinha Zoe (Abigail Breslin). Como precisa dividir o seu tempo para cuidar da menina, ela passa a dividir também o seu posto na cozinha com o subchef Nick (Aaron Eckhart). Daí pra frente, dá para adivinhar o que vai acontecer, mas o modo como a história é contada pelo diretor Scott Hicks é um dos trunfos da fita, que consegue extrair dos personagens boas interpretações, a começar pela menina Abigail, que conquistou os espectadores no longa "Pequena Miss Sunshine". Trata-se de um filme bem-feito e cumpre o que propõe: entreter, divertir e emocionar o público.

O Homem que Desafiou o Diabo

Inspirada no livro "As Pelejas de Ojuara", escrito por Nei Leandro de Castro, a narrativa fala do viajante Zé Araújo (Marcos Palmeira), que aporta em uma pacata cidade do sertão nordestino para vender tecidos ao turco (Renato Consorte) comerciante. No baile de arrasta-pé, ele conhece Dualiba (Lívia Falcão), por quem sente forte atração e acaba se casando. Depois de ver que não dá certo, ele sai da cidade e encara Cão Miúdo (o estreante Helder Vasconcelos), um dos disfarces do "coisa ruim". A fita dirigida por Moacyr Góes é cheia de metáforas, principalmente as relacionadas a sexo. O roteiro, escrito a quatro mãos por Moacyr Góes e Bráulio Tavares ("Sai de Baixo"), prevê diálogos engraçados, cheio de piadas e malícias, e também em versos, que vai fazer o público se divertir.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Onde os Fracos Não Têm Vez

Depois de vencer o Globo de Ouro (Roteiro Original e Ator Coadjuvante) e o Directors Guild of America (sindicato dos diretores, Diretor, Elenco e Ator Coadjuvante), o longa-metragem "Onde os Fracos Não Têm Vez" ("No Country for Old Men"), que estréia dia 1º de fevereiro, também está na disputa do Oscar, com oito indicações no total, incluindo Filme, Diretor e Ator Coadjuvante.

Dirigido por Joel e Ethan Coen, o longa mostra, na segunda cena do filme, um estrangulamento, uma morte e muito sangue escorrendo. Mas é apenas depois que o texano Llewelyn Moss (Josh Brolin) encontra carros parados e vários mortos ao redor, além de droga e dólares, que começa uma verdadeira perseguição pela mala. Enquanto Moss foge e deixa a esposa (Kelly Macdonald) em casa, o tal estrangulador sai da prisão e segue em busca do dinheiro. A certa altura, é envolvido o xerife da cidade, o experiente Bell (Tommy Lee Jones), que não anda armado, mas calcula antes de tomar uma atitude. Ele pensa fazendo a reconstrução do crime.

Quem procura pelo dinheiro é Anton Chigurh (Javier Bardem, ótimo), um psicopata, assassino frio e calculista, que não mede a violência. Ele mata antes de falar qualquer coisa, joga cara ou coroa com as vidas das pessoas, mete medo nos inocentes. As cenas vão se alternando entre aquele que pegou o dinheiro e aquele que está atrás da mala.

Os irmãos Coen, também autores do roteiro baseado no livro escrito por Cormac Mccarthy, se aproveitam da ótima fotografia de Roger Deakins (o mesmo de "O Assassinato de Jesse James Pelo Covarde Robert Ford") para contar uma história cheia de luz e sombra, com reflexos das imagens no espelho, na parede e no televisor. Na cores, se sobressaem os tons de amarelo, marrom e sépia, enfatizando ainda mais o deserto (o longa foi filmado na divisa do Texas com o México). As roupas dos personagens também ganham essas cores, de modo a contribuir com o tom antigo e com o local inóspito onde se passa o enredo. Outro detalhe que vale o destaque é a edição do filme, com fusões bem-feitas, cujas imagens de objetos dão origem a outra cena.

Durante a narrativa, temos um filme sombrio e violento (o mais sangrento dos diretores), e mostra a sociedade que se curva a esse tipo de violência. Os diretores, cujo último filme foi o curta "Touleries", que fez parte do longa "Paris, Te Amo", além de "O Grande Lebowski", fazem um bom trabalho, principalmente no que se refere ao roteiro conciso e também com relação à interpretação dos atores. Só pelo olhar blasé de Javier Bardem já dá pra entender esse conceito e por que trata-se de uma bem-sucedida obra.

Sexo com Amor?

Na onda de fazer filmes com atores de novela, desta vez foi um diretor de novela que resolveu fazer filmes. “Sexo com Amor?”, que chega aos cinemas nesta sexta-feira, dia 1º de fevereiro, marca a estréia de Wolf Maya, o mesmo da novela “Duas Caras”, do lado de lá das câmeras.

Para fazer o filme, que tem produção de Walkiria Barbosa (a mesma de “Sexo, Amor e Traição” e “Se Eu Fosse Você”), foram escalados atores de destaque na televisão, como José Wilker, Reynaldo Gianecchini, Malu Mader, Maria Clara Gueiros, Carolina Dieckmann. Segundo o diretor, são seus amigos.

O filme conta a história de três casais. Rafael (Reynaldo Gianecchini), casado com Paula (Malu Mader), que está grávida, sempre chega tarde em casa, pois aproveita para dar uma “saidinha” com uma aeromoça (Danielle Winits) e com a secretária (Nanda Costa). O outro casal é formado por Jorge (José Wilker) e Mônica (Marilia Gabriela). Ele, no entanto, tem relacionamento paralelo com a professora do seu filho (Carolina Dieckmann), que também tem namorado (Alexandre Piccini). O terceiro é Maria Clara Gueiros, uma dona-de-casa casada com Pedro (Eri Johnson), que recebe a sobrinha (Natasha Haydt) em férias dentro de casa.

Daí pra frente, já dá para se ter uma noção do que se verá na tela. Maria Clara e Eri é o único casal que funciona, pois os dois possuem um timing muito bom para a comédia e a química ajuda. Já Gianecchini força a sua interpretação, de modo que o espectador percebe que ele está atuando e não apresenta uma verdade. Embora José Wilker pareça à vontade no papel, a frieza de Marilia Gabriela não ajuda, assim como o jeito lolita de Carolina, que faz o papel de uma professora hippie. Danielle Winits, que faz uma aeromoça americana, força o sotaque e se torna uma personagem risível.

Embora o título do filme seja uma pergunta, “Sexo com Amor?” não aborda a questão, apenas oferece gags com situações supostamente cotidianas que mostra a traição de casais, geralmente por parte dos homens. Wolf Maya deixa os atores à vontade e tem o seu “momento Hitchcock” quando aparece na produção como o diretor do programa de TV apresentado pelo personagem de Wilker. Tão à vontade, que há passagens constrangedoras, de fazer o espectador corar. Por exemplo, a cena em que Maria Clara vai ao ginecologista. Desprezível.

Do meio para o final, a comédia vira drama. É quando as traições começam a aparecer. O filme peca por ser “over”, por ter interpretações forçadas e uma narrativa que não se sustenta. Além da estética de televisão, com direito a música-tema, a construção dos personagens é rasa, de modo que o espectador não consegue se apegar a nenhum.

Embora o cinema brasileiro precise de um empurrão para emplacar e tenha feito bonito com produções como “Meu Nome Não é Johnny”, “Tropa de Elite”, “O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias”, “Cidade de Deus”, e por aí afora, “Sexo com Amor?” é um filme nacional que não fazia falta em nossa cinematografia. E continua não fazendo.