sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

4 meses, 3 semanas e 2 Dias

Embora tenha vencido o Festival de Cannes no ano passado, não deu para o longa-metragem “4 meses, 3 semanas e 2 Dias” (“4 Luni, 3 Saptamani si 2 Zile”), do romeno Cristian Mungiu. O longa definitivamente ficou fora da disputa ao Oscar 2008. O fato, porém, não quer dizer muita coisa, uma vez que belíssimas produções já foram ignoradas pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, como o brasileiro “O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias”, de Cao Hamburguer. O diretor nova-iorquino Woody Allen, aliás, endossa a questão quando, em 1978, não foi receber o prêmio por seu filme “Noivo Neurótico, Noiva Nervosa”. Ele simplesmente disse que o Oscar não lhe diz muita coisa.

Mas “4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias”, que estréia nos cinemas nesta sexta-feira, dia 25 de janeiro, conquistou outros prêmios, além da Palma de Ouro, e mostra, portanto, que não é unanimidade nem positiva, nem negativamente. Isso porque a fita, que se passa no final dos anos 1980, na Romênia, nos últimos dias do comunismo de Nicolai Ceaucescu, conta a história sobre as colegas de quarto da universidade, Otilia (Anamaria Marinca) e Gabita (Laura Vasiliu), que têm os problemas comuns de seu tempo. No país em que elas vivem é possível descobrir, por intermédio do enredo, que muitas coisas são proibidas e censuradas, como certas marcas de cigarro e o aborto.

Leva um certo tempo para o espectador descobrir sobre o motivo pelo qual Otilia mente para o namorado, pede dinheiro a ele e também porque ela procura auxílio do misterioso senhor Bebe (Vlad Ivanov). O que mostra, no entanto, é a sua procura por um quarto de hotel barato na cidade onde vive. O filme, então, apresenta aos poucos um dos grandes problemas que afligiam as mulheres daquele tempo.

O longa trata de um assunto sério e muitas vezes apresenta cenas chocantes, ao mesmo tempo em que é delicado, deixa muita coisa subentendida e conta com fotografia sóbria. No quesito direção, a fita abandona qualquer tipo de ensaio ou marcação que possa parecer teatral, uma vez que a idéia do diretor, como ele mesmo afirma, é deixar os atores à vontade, mesmo que isso se traduza em cenas nas quais eles apareçam de costas.

“4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias” passou pela 31ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e foi bastante concorrido entre os cinéfilos. Trata-se de um filme que não tem pretensão de agradar ninguém, apenas de contar uma boa história, com assunto tocante, pertinente e atual. O longa tem interpretação de bons atores, que conseguem transmitir o sofrimento e a dor pela qual a moça passa. Como trata-se de um assunto ilegal, pode ser que gere algum tipo de polêmica, o que é outra discussão para a saída do cinema.

A pergunta da vez

Parte do elenco e o diretor do longa-metragem "Sexo com Amor?", que estréia dia 1º de fevereiro, se reuniu com a imprensa nesta semana. Na ocasião, a produtora Walkiria Barbosa, a mesma de "Sexo, Amor e Traição" e "Se Eu Fosse Você", contou que foi realizado teste com platéia antes do lançamento e obteve nota alta. "Estou muito otimista", revelou.

Não é de se estranhar, pois, que a produtora esteja entusiasmada. "Se Eu fosse Você" ficou entre os cinco filmes nacionais mais vistos pelos brasileiros desde a Retomada, período que começou a ser contado em 1995. É verdade, porém, que o longa ao qual ela se refere tem bastante apelo comercial, uma vez que no elenco estão Glória Pires e Tony Ramos.

"Sexo com Amor?" também conta com elenco de peso: José Wilker, Reynaldo Gianecchini, Malu Mader, Maria Clara Gueiros. A narrativa, no entanto, é totalmente diferente, como é possível imaginar. Só pelo título já se sabe que o novo filme fala, principalmente, sobre sexo, enquanto o filme anterior é sobre o comportamento da família e um homem que vira mulher e a mulher que vira homem por alguns dias.

O longa tem como marco a estréia de Wolf Maya na direção. Ele, que já fez muitas novelas, além de teatro, passa agora a comandar os seus mesmos atores na tela grande. É previsível, também, que o filme tenha uma estrutura televisiva, que pode ser desmembrada para minissérie, por exemplo. "Não tivemos a idéia de dar continuidade. A idéia foi chamar um grupo de atores para contar esta história. Mas se quisermos no futuro, temos base para isso e tenho muita vontade de fazer", diz Wolf. Sobre o elenco, ele diz que são seus amigos íntimos. "Nosso encontro é relaxado, uma história sem pretensões, calcada na amizade."

Na trama, são formados três núcleos (casais) que, insatisfeitos com as suas relações, passam a ter relacionamentos com outras pessoas. Ou seja: traição. Em resumo, Rafael (Reynaldo Gianecchini) é casado com Paula (Malu Mader), que está grávida. Ele sempre chega tarde em casa, pois aproveita para dar uma "saidinha" com uma aeromoça (Danielle Winits) e com a secretária (Nanda Costa). Já Jorge (José Wilker), é casado com Mônica (Marilia Gabriela), mas tem relacionamento paralelo com a professora do seu filho (Carolina Dieckmann), que também tem namorado (Alexandre Piccini). O terceiro núcleo é formado por Maria Clara Gueiros, uma dona-de-casa casada com Pedro (Eri Johnson), que recebe a sobrinha (Natasha Haydt) em férias dentro de casa.

Maria clara e Eri, aliás, têm um timing muito bom para a comédia e os dois confirmam que tinham espaço para interpretar a consenso do diretor. "É muito legal quando você trabalha com amigos e você tem espaço para criar. Maria Clara é uma comediante", diz Eri.

Já Gianecchini conta que atuar ao lado da Malu Mader foi bastante divertido e confessa: "Malu foi a musa da minha geração". A declaração, aliás, deixou a atriz corada de vergonha, mostrando que, apesar de bela e de ser boa profissional, é bastante tímida.

Ao todo, foram cinco semanas de filmagem e Malu diz que gostaria de ter feito mais cinema do que fez durante a sua carreira. "Antes dos anos 1990 eu estava começando e depois veio o (ex-presidente Fernando) Collor e mudou tudo. Depois, eu estava tendo os meus filhos", ressente-se Malu.

José Wilker, que chegou à coletiva dizendo aos fotógrafos e jornalistas que odiava todos, contou que fez 65 filmes, ao mesmo tempo em que, ironicamente, diz que "nosso tempo é inspirado no ódio e na covardia, ao invés do afeto e do amor". "Cinema é longe, cedo e demorado. Mas é uma das coisas que mais me dá prazer."

Gianecchini, que atua também como produtor associado, diz que sempre quis se envolver com o projeto como um todo e Malu comenta que irá lançar documentário que dirigiu ao lado de Mini Kerti, sobre o Villa-Lobinhos. "É um projeto de responsabilidade social que eu já estava envolvida e há muito tempo eu tinha vontade de dirigir. Juntou uma coisa com a outra e os caminhos se cruzaram." Sua idéia é lançar o filme em um festival, mas se não der, ela deve exibir ainda neste ano.

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Sai a lista do Oscar. Brasil está fora... de novo

Finalmente a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas divulgou a lista com os filmes indicados ao Oscar. Não teve muitas surpresas, é verdade, uma vez que "Desejo e Reparação", vencedor do Globo de Ouro, recebeu sete indicações. Mas foi "Onde os Fracos Não Têm Vêz" e "Sangue Negro" que obtiveram mais indicações: oito cada um. "Conduta de Risco" obteve sete também.

A decepção, porém, foi saber que
o brasileiro "O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias", de Cao Hamburguer, não foi indicado na categoria Melhor Filme Estrangeiro.

Mas fiquei bem contente ao saber que a animação "Ratatouille", da Pixar, vencedora do Globo de Ouro como Melhor Animação, irá disputar nas categorias: Melhor Roteiro Original, Melhor Animação, Melhor Som, Melhor Efeitos Sonoros e Melhor Trilha Sonora.

A premiação, com direito a cerimônia (ao contrário do Globo de Ouro), acontece no dia 24 de fevereiro, direto de Los Angeles.

Confira os indicados e faça as suas apostas

Melhor Filme
Desejo e Reparação
Onde os Fracos Não Têm Vez
Sangue Negro
Juno
Conduta de Risco

Melhor Diretor
Ethan e Joel Cohen (Onde os Fracos Não Têm Vez)
Julian Schnabel (O Escafandro e a Borboleta)
Paul Thomas Anderson (Sangue Negro)
Jason Reitman (Juno)
Tony Gilroy (Conduta de Risco)

Melhor Ator
George Clooney (Conduta de Risco)
Johnny Depp (Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet)
Tommy Lee Jones (No Vale das Sombras)
Viggo Mortensen (Senhores do Crime)
Daniel Day-Lewis (Sangue Negro)

Melhor Atriz
Laura Linney (A Família Savage)
Cate Blanchett (Elizabeth - A Era de Ouro)
Ellen Page (Juno)
Marion Cotillard (Piaf - Um Hino ao Amor)
Julie Christie (Longe Dela)

Melhor Ator Coadjuvante
Javier Bardem (Onde os Fracos Não Têm Vez)
Casey Affleck (O Assassinato De Jesse James Pelo Covarde Robert Ford)
Philip Seymour Hoffman (Jogos do Poder)
Tom Wilkinson (Conduta de Risco)
Hal Holbrook (Na Natureza Selvagem)

Melhor Atriz Coadjuvante
Ruby Dee (O Gângster)
Saoirse Ronan (Desejo e Reparação)
Cate Blanchett (Não Estou Lá)
Amy Ryan (Medo da Verdade)
Tilda Swinton (Conduta de Risco)

Melhor Roteiro Original
Tamara Jenkins (A Família Savage)
Brad Bird e Jim Capobianco (Ratatouille)
Diablo Cody (Juno)
Tony Gilroy (Conduta de Risco)
Nancy Oliver (Lars and the Real Girl)

Melhor Roteiro Adaptado
Christopher Hampton (Desejo e Reparação)
Sarah Polley (Longe Dela)
Ronald Harwood (O Escafandro e a Borboleta)
Joel Coen e Ethan Coen (Onde os Fracos Não Têm Vez)
Paul Thomas Anderson (Sangue Negro)

Melhor Animação
Persépolis
Ratatouille
Tá Dando Onda

Melhor Fotografia
O Assassinato de Jesse James Pelo Covarde Robert Redford
O Escafandro e a Borboleta
Desejo e Reparação
Onde os Fracos Não Têm Vez
Sangue Negro

Melhor Direção de Arte
O Gângster
Desejo e Reparação
A Bússola de Ouro
Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet
Sangue Negro

Melhor Figurino
Across The Universe
Desejo e Reparação
Elizabeth: A Era de Ouro
Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet
Piaf - Um Hino ao Amor

Melhor Som
O Ultimato Bourne
Ratatouille
Onde os Fracos Não Têm Vez
Sangue Negro
Transformers

Melhor Efeitos Sonoros
O Ultimato Bourne
Ratatouille
Onde os Fracos Não Têm Vez
Os Indomáveis
Transformers

Melhor Montagem
O Ultimato Bourne
O Escafandro e a Borboleta
Na Natureza Selvagem
Onde os Fracos Não Têm Vez
Sangue Negro

Melhor Efeitos Visuais
Piratas do Caribe - No Fim do Mundo
A Bússola de Ouro
Transformers

Melhor Maquiagem
Piaf - Um Hino ao Amor
Norbit
Piratas do Caribe - No Fim do Mundo

Melhor Filme Estrangeiro
Mongol (Cazaquistão)
12 (Rússia)
Beaufort (Israel)
The Counterfeiters (Áustria)
Katyn (Polônia)

Melhor Trilha Sonora
Desejo e Reparação
O Caçador de Pipas
Conduta de Risco
Ratatouille
Os Indomáveis

Melhor Canção
Falling Slowly (Once), de Glen Hansard e Marketa Irglova
Happy Working Song (Encantada), de Alan Menken e Stephen Schwartz
Raise It Up (O Som do Coração)
So Close (Encantada). de Alan Menken e Stephen Schwartz
That's How You Know (Encantada), de Alan Menken e Stephen Schwartz

Melhor Curta-Metragem (animação)
I Met the Walrus
Madame Tutli-Putli
My Love (Moya Lyubov)
Peter & the Wolf
Même Les Pigeons Vont au Paradis (Even Pigeons Go to Heaven)

Melhor Curta-Metragem
At Night
Il Supplente (The Substitute)
Le Mozart des Pickpockets (The Mozart of Pickpockets)
Tanghi Argentini
The Tonto Woman

Melhor Curta-Metragem (documentário)
Freeheld
La Corona (The Crown)
Salim Baba
Sari's Mother

Melhor Documentário
No End in Sight
Operation Homecoming: Writing the Wartime Experience
SOS Saúde
Taxi to the Dark Side
War/ Dance

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

O Caçador de Pipas


Nunca é tarefa fácil transformar em filme, um best-seller que durante muito tempo (e até hoje) figura entre os mais vendidos. "O Código da Vinci", de Dan Brown, por exemplo, ganhou as telas em 2005 nas mãos de Ron Howard e foi um tiro no pé, pois não teve bilheteria a contento e a crítica saiu falando mal. Com razão, é verdade.

Desta vez, a empreitada é com o romance de Khaled Hosseini: "O Caçador de Pipas" ("The Kite Runner"), que estréia sexta-feira, dia 18. Pode ser que a opinião seja bastante dividida, pois não é todo amante da literatura que assiste, impassível, aos cortes previstos em roteiros. E eles são inevitáveis, uma vez que não é tarefa fácil condensar uma história de mais de 400 páginas em duas horas de projeção.


A verdade é que o longa é fiel ao livro no qual é baseado. Com roteiro escrito por David Benioff, o filme consegue mostrar na tela as belezas descritas por Hosseini, nas linhas. E as imagens, sob a batuta de Marc Forster, ganharam contrastes que mostram a Cabul dos anos 1970 e dos anos 2000, depois da tomada pelo Talibã. Forster, dos ótimos "Em Busca da Terra do Nunca" e "Mais Estranho que a Ficção", conseguiu coordenar a equipe e o elenco, que tem atores afegãos.


A narrativa versa sobre Amir (Zekiria Ebrahimi quando jovem, e Khalid Abdalla quando adulto) e Hassan (Ahmad Khan Mahmoodzada), que moram juntos e são amigos inseparáveis. Amir, porém, é filho do dono da casa, Baba (Homayoun Ershadi), enquanto Hassan é filho de Ali (Nabi Tanha), o seu empregado. O que une os dois garotos é a paixão pela pipa: um empina e o outro sai atrás para pegar as que foram cortadas. Hassan também admira as histórias que Amir lhe conta, já que não sabe ler. No entanto, com os rumos do destino, os dois são separados para sempre.


No entanto, é a partir de um telefonema de Rahim Khan (Shaun Toub) no início do filme, que Amir, com mais de 30 anos e morando em São Francisco, nos Estados Unidos, se vê "obrigado" a voltar a Cabul, no Afeganistão pois, como disse seu amigo, "há um meio de ser bom de novo".


As imagens do filme mostram Cabul, em 1978, quando os amigos são inseparáveis, passeiam pela cidade, sentam-se embaixo do pé de romã no alto da colina para ler.


O elenco, composto por atores afegãos, foi encontrado a partir de pesquisa realizada naquele país pela recrutadora Kate Dowd, que teve dificuldade com as crianças que não possuíam certidão de nascimento, tampouco passaporte, uma vez que as filmagens foram realizadas na China. O longa traz também ao elenco Atossa Leoni, como Soraya, Abdul Qadir Farookh, no papel do General Taheri e Abdul Salam Yusoufzai como Assef.


O menino Ahmad Khan Mahmoodzada tem doçura no olhar e encabeça as interpretações mais pulsantes da trama. Já Khalid Abdalla, que faz Amir adulto e fez também "Vôo United 93", teve de aprender a falar dari, idioma escolhido para os diálogos (além do inglês, em cenas que se passam em São Francisco), e consegue dar ao personagem a noção de que tudo o que aconteceu em sua vida é movido a culpa, amizade, perdão, perda, reparação.


Emocionante do início ao fim, o longa de Foster não faz feio. Ao contrário: faz um filme delicado como o livro e consegue condensar a história não-linear na tela. No entanto, como tem um ritmo que não pára e a música árabe acompanha, alguns podem achar, pejorativamente, que trata-se de um "cinemão americano".


É capaz também que os amantes da literatura sintam falta de algumas cenas, mas o que está lá é fiel (com exceção de um detalhe ou outro, cuja alteração não ofende). Outro detalhe negativo é que, no livro, a trama é contada por Amir em primeira pessoa, de modo que o leitor se aproxima do personagem. Já no filme, como o recurso da narração em off não é utilizado, o espectador pode ficar dividido sobre a quem se apegar: se a Amir, a Hassan ou ao Afeganistão de um modo geral.


A passagem do tempo e a mudança de local podem confundir quem não leu o livro (os letreiros tentam ajudar). No geral, "O Caçador de Pipas" agrada e é uma ótima chance de conferir como o povo afegão vivia bem (atente para o brilho nos olhos das crianças) antes da chegada do Talibã. Se chorar no decorrer da trama, caro leitor, não se preocupe: acontece mesmo.


Ventos da Liberdade

Na Irlanda de 1920, trabalha-dores do campo e da cidade se unem numa guerrilha armada contra os cruéis "Black and Tan", um esquadrão enviado da Inglaterra para impedir os movimentos de independência dos irlandeses. Guiado pelo senso de dever e amor pelo seu país, Damien abandona sua carreira como médico e junta-se ao seu irmão, Teddy, numa perigosa e violenta luta pela liberdade. O filme passou pela Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, em 2006, e conta com belíssimas fotografia e locação e tem direção de Ken Loach.

Maria Antonieta

A rainha da França é vivida por Kirsten Dunst, em longa dirigido e escrito por Sofia Coppola. A atriz retrata a monarca como uma jovem destinada a sofrer, que se casou com o Rei Louis XVI. Sentindo-se isolada numa corte real recheada de escândalos e intrigas, Maria Antonieta desafia a realeza e os plebeus ao viver uma estrela do rock, o que serviu apenas para selar seu destino. Esta história do rock and roll, presente principalmente na trilha sonora, foge um pouco (ou melhor), muito, da época em que se passa a história. No entanto, é possível observar que se trata, definitivamente, de uma obra autoral de Sofia Coppola.

Encontros ao Acaso

O primeiro trabalho de Joey Lauren Adams como diretora não é uma obra-prima, mas também não faz feio. O enredo conta a história de Lucille Fowle (Ashley Judd), uma moça que vive no interior dos Estados Unidos e, por ter presenciado tantos maus exemplos na vida, está longe de ter o comportamento ideal de uma garota de sua idade. Lucy dirige uma caminhonete, trabalha com construção, mas não perde a chance de ir ao bar da cidade encontrar os rapazes e jogar bilhar. Mas é quando se embriaga que começa a se autodestruir, ir a encontros únicos e não se imaginar tendo um relacionamento sério. Quando conhece Cal, um homem que acaba de se mudar para sua cidade, Lucy é obrigada a confrontar sua própria necessidade de ter um relacionamento mais profundo. O longa vai fazer as moças, principalmente, pensarem sobre o caminho que escolheram e escolhem a cada dia: esperar o príncipe encantado ou sabotar o encontro?, trabalhar e pensar na carreira ou ser a dona de casa exemplar?, compartilhar momentos bons com a família ou se entediar com as brigas? Lições para a vida inteira.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

O Diário de uma Babá

Scarlett Johansson, a atual musa de Woody Allen, revelou-se excelente atriz, principalmente após sua atuação no cínico "Ponto Final - Match Point", lançado em 2005. No ano seguinte, ela apareceu em mais uma produção inglesa do cineasta nova-iorquino: "Scoop - O Grande Furo" que, embora não tenha sido aplaudido tanto quanto o longa-metragem anterior, tem os seus méritos. Desta vez, ela estrela "O Diário de Uma Babá" ("The Nanny's Diaries"), longa que estréia nesta sexta, dia 11 de janeiro, nos cinemas brasileiros.


A fita, dirigida e escrita por Shari Springer Berman e Robert Pulcini, cuja parceria é de longa data, conta a história da recém-formada Annie Braddock (Scarlett), que por não saber o que realmente queria da vida, acabou como babá de uma família rica de Manhattan. O choque social é um dos principais pontos abordados pelo longa, uma vez que Annie foi criada nos subúrbios de Nova Jersey e se vê em um apartamento chique, espaçoso, muito bem-decorado e cercada de gente fútil e milionária. Como é formada em antropologia, ela descreve o seu atual trabalho em narrações em off, comparando-o a estudos antropológicos, principalmente quando são apresentadas imagens do Museu de História Natural.


Sua contratação para o trabalho é feita pela mãe (Laura Linney) de Grayer, o pequeno Nicholas Reese Art. Com postura elegante, mas sem paciência com o filho e em crise no casamento, ela, chamada de Senhora X pela personagem de Scarlett, faz o tipo fútil, arrogante e de nariz em pé. O pai, vivido pelo brilhante Paul Giamatti, não mostra a sua face nas primeiras cenas e ela é sempre escondida por alguém ou por algum objeto. Também estão no elenco o bonitão Chris Evans, o Tocha Humana de "Quarteto Fantástico", e Alicia Keys, como a amiga briguenta de Annie.


O filme é baseado no romance homônimo escrito por Emma McLaughlin e Nicola Kraus e consegue retratar as encrencas pelas quais as babás passam, quando se envolvem com as famílias. Uma das primeiras cenas da fita, no entanto, apresenta um gritante merchandising de uma instituição financeira não apenas na imagem, mas também no diálogo de um personagem. O símbolo da propaganda, em seguida, é incorporado ao filme, fazendo com que Annie tenha um dia de Mary Poppins, personagem-título do filme vivido por Julie Andrews no cinema nos anos 1960.


"O Diário de uma Babá" peca por erros claros de continuidade, quando a personagem central aparece com cores de cabelos diferentes entre uma seqüência e outra (ou seria a diferença de luz?). No entanto, entre uma cena engraçada e outra emocionante, no geral, o longa pode agradar aqueles que não se pegam por detalhes e ficam satisfeitos com uma história rasa, com personagens sem profundidade, mesmo que conte com bons atores.

Saneamento Básico - O Filme

Não fosse por "Tropa de Elite", seria possível dizer que este é o melhor filme brasileiro de 2007. Mas pode-se dizer, sem titubear, que "Saneamento Básico - O Filme" é a melhor comédia do ano, quiçá da Retomada. O longa-metragem, escrito e dirigido por Jorge Furtado, conta a história de uma comunidade de descendentes italianos que vivem no sul do País e se reúnem para cobrar da subprefeitura as obras do esgoto. Liderada por Marina (Fernanda Torres), uma moça que trabalha na marcenaria do pai, seu Otaviano (Paulo José), e é casada com Joaquim (Wagner Moura), a comunidade recebe a notícia da secretária Marcela (Janaína Kremer) de que a verba para a construção do esgoto não será liberada, mas eles poderiam gravar um vídeo e receber o prêmio de R$ 10 mil concedido pelo governo federal. Para arranjar o dinheiro, eles resolvem fazer um filme. O uso de metáforas é um recurso usado e bem explorado, principalmente por intermédio de imagens da natureza e da mulher. O timing de Fernanda Torres e Wagner Moura funciona, proporcionando diversão ao público.

Instinto Secreto

À primeira vista, nada de anormal se vê na vida de Earl Brooks, personagem brilhantemente vivido por Kevin Costner. Isso porque a fita tem início quando o executivo de sucesso e exemplar está recebendo uma homenagem, ao lado de sua esposa Emma (Marg Helgenberger), para quem pára o discurso e manda um doce beijo. No entanto, no decorrer da narrativa, é possível entender que Mr. Brooks na verdade não é uma pessoa tão amável assim: ele esconde dos outros seu instinto insaciável de assassinar casais apaixonados. Um detalhe em que ele desliza, porém, coloca em seu caminho o fotógrafo Smith (Dane Cook), que o flagrou no último assassinato e, embora não tenta extorqui-lo, faz uma exigência um tanto estranha. Mas é a detetive Tracy Atwood (Demi Moore) quem mais lhe tirará o sono. Paralelamente à fuga de Brooks, sua filha Jane (Danielle Panabaker), que atualmente cursa a universidade longe dali, lhe trará problemas. Dirigido e co-roteirizado por Bruce A. Evans, o thriller é envolvente e instiga o espectador a saber o que acontecerá ao final. E acredite: vale a pena acompanhar os 120 minutos da fita para descobrir.

A Estranha Perfeita

O filme, dirigido por James Foley, conta a história da repórter investigativa Rowena Price (Halle Berry, atualmente em cartaz no filme "Coisas que Perdemos Pelo Caminho") que acaba de perder o emprego em um importante jornal nova-iorquino por ter tido uma matéria censurada (denúncia de um dos senadores americanos). Ela descobre que o assassinato de sua amiga pode estar relacionado com o publicitário renomado Harrison Hill (Bruce Willis). Para desvendar o mistério, a repórter conta com a ajuda de Miles Hailey (Giovanni Ribisi), um colega do jornal que sabe tudo de informática. O thriller psicológico não prende a total atenção do espectador, pois o roteiro é frouxo. Bruce Willis não tem carisma como conquistador, e o seu personagem exige isso.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Meu Nome Não é Johnny

Apenas ao final da projeção é possível compreender por que "Meu Nome Não é Johnny" é o título do longa-metragem protagonizado por Selton Mello. Baseado em livro homônimo de Guilherme Fiúza, lançado em 2004, o longa, que estréia nesta sexta-feira, dia 4 de janeiro, conta a história real de João Guilherme Estrella, um traficante de cocaína que vivia na zona sul do Rio de Janeiro.


O roteiro e a direção ficaram a cargo de Mauro Lima, que até então só tinha dirigido videoclipes e o infantil "Tainá 2". Ele, no entanto, escreve de forma a dar vida e voz ao personagem de maneira singular e conta uma história ímpar com toques de bom humor e malandragem que, segundo o verdadeiro João, se parece muito com ele.


No começo do filme já se sabe o final: João Guilherme é preso. Sua mãe (Julia Lemmertz) e sua namorada Sofia (Cleo Pires) são convocadas a depor a respeito de sua prisão, mas é no decorrer da película que o espectador vai se envolvendo cada vez mais com o personagem principal e aprendendo um pouco sobre sua trajetória, já que o longa conta a sua vida desde a infância, quando começou a fumar baseado nas praias cariocas ao lado dos amigos, até se transformar em traficante de cocaína de nível internacional, indo a Veneza (Itália), e a Barcelona (Espanha) levar a droga. João, que sofreu com a separação dos pais e passou a viver com o pai, que faleceu em decorrência de enfisema pulmonar, vendia a cocaína aos seus amigos em festinhas que ele mesmo patrocinava em seu apartamento e também para consumo próprio. O negócio dele, aliás, não era enriquecer com o tráfico, mas torrar tudo o que conseguia ganhar.


O elenco conta também com a participação de Eva Todor, que interpreta o papel de uma vovó caricata de Copacabana e vendedora de ambrosia. Um dos momentos mais bizarros da fita é quando se sabe exatamente o que ela faz para ganhar dinheiro e morar em um apartamento com vista para o mar.


Durante o tempo todo, embora a história seja um drama, Selton Mello desenvolve o seu personagem com bom-humor, faz a platéia rir e prestar atenção a cada virada de mesa. Seu jogo de cintura é utilizado de forma positiva nas mudanças de humor, em diálogos rápidos que são, aliás, características do ator em outras produções, em química que funciona com Cleo Pires e com os outros personagens com os quais Selton contracena. A interpretação da música de Roberto Carlos mostra que o ator tem talento.


"Meu Nome não é Johnny" é capaz de prender o espectador do início ao fim, pois conta a história de um traficante humanizado, onde não existe violência, nem tiros e sangue. Embora o longa esteja indo no vácuo do polêmico "Tropa de Elite", um filme não tem nada a ver com o outro (o ponto em comum é que os dois tratam sobre drogas). Enquanto o filme de José Padilha fala a respeito de policiais que invadem o morro em busca de traficantes, há tiros para todo lado, além de tortura, "Meu Nome não é Johnny" trata de um traficante, especificamente, que pertence à classe média carioca, fala inglês e, em vez de ser violentado pela polícia, segue para o manicômio em busca de cura. Também não pode ser comparado com o ótimo "Cidade de Deus", de Fernando Meirelles, que trata sobre o tráfico na favela sob o ponto de vista dos traficantes. Pano pra manga? Pode ser, mas sem dúvida uma lição e belíssimas imagens na tela grande.

Coisas que Perdemos Pelo Caminho


É inevitável não fazer uma lista quando se vê um filme como "Coisas que Perdemos Pelo Caminho" ("Things We Lost in the Fire"). Isso porque o longa-metragem, que estréia dia 4, é capaz de mexer com o espectador, principalmente quando atinge o lado emocional de cada um. E isso é muito simples. Simples e não piegas, é preciso dizer, uma vez que a fita conta com interpretações ímpares de atores que mergulham em seus personagens de cabeça e tem uma direção intimista da dinamarquesa Susanne Bier, a mesma do ótimo "Depois do Casamento", em sua estréia no cinema norte-americano.


O longa inicia-se com o funeral de Brian (David Duchovny) e sua família se preparando para prestar as últimas homenagens a ele. A causa da morte, porém, só é mostrada mais adiante. Sua esposa, Audrey (Halle Berry, de "X-Men"), tenta consolar os filhos de seis e 10 anos. Antes de terminar, a moça lembra-se de avisar o melhor amigo do marido, Jerry (Benicio Del Toro, de "21 Gramas").


Com roteiro original escrito pelo estreante no cinema Allan Loeb, a fita começa a mostrar a história de Brian, os dias em que passou com Jerry e ao lado dos filhos e da esposa. Deste modo, o espectador começa a se apegar e a se envolver com o drama. A direção de fotografia ficou a cargo de Tom Stern, que se aproveita da luz e da sombra para apontar suas lentes a uma história comovente e singela. A câmera, por sua vez, faz um trabalho de alternância, pois ora está na mão, ora no tripé, conferindo ritmo e dinâmica ao filme. Outro destaque fica para a montagem, principalmente no início, quando há idas e vindas no tempo de maneira sutil.


O personagem de Del Toro é viciado em drogas e cheio de problemas decorrentes do vício, e ele consegue mostrar, por intermédio de sua interpretação, as oscilações pelas quais ele passa durante todo o filme. Para viver Jerry, o ator pesquisou o comportamento de viciados, freqüentou reuniões de Narcóticos Anônimos, para dar realidade ao personagem.


Outro ganho, desta vez vindo de Halle Berry, é a transformação que ela sofre quando perde o amor de sua vida. E embora no começo ela tente mostrar a mãe forte que só pensa em proteger os filhos, no decorrer da fita essa armadura vai caindo, de modo que parece real, pois mostra que é humana, tem sentimentos e sofre. Em uma determinada passagem, aliás, Halle deixa de lado a mãe equilibrada para mostrar suas verdadeiras emoções.

"Coisas que Perdemos pelo Caminho" discute, poeticamente, a morte e como se reestruturar após ser "atropelado" por ela. Fala também de recuperação e amizade, perda e renascimento. Tudo junto, de maneira singular e arrebatadoramente emocionante.

P.S. Eu Te Amo


P.S. Eu Te Amo" ("P.S. I Love You"), longa-metragem que chega aos cinemas nesta sexta-feira, dia 4, não se trata, como se poderia imaginar, de um filme piegas, um romance bobo ou qualquer coisa do gênero. A fita, dirigida por e escrita por Richard LaGravenes, o mesmo que dirigiu o curta-metragem "Pigalle", que faz parte de "Paris, Te Amo", lançado no ano passado, conta a história de Holly Kennedy (Hilary Swank, de "Menina de Ouro"), uma moça linda, inteligente e casada com o irlandês Gerry (na verdade o escocês Gerard Butler, que viveu o protagonista em "300"), que tem um senso de humor peculiar e morre, no início do filme, em decorrência de uma doença sem cura.


O filme é baseado no romance homônimo de Cecelia Ahern e mostra, em cada cena, o envolvimento dos dois, a química que funciona entre os personagens e a lamentável perda que existiu no casal jovem. Como sabia que iria morrer, no entanto, Gerry tratou de deixar várias coisas organizadas, de modo a fazer com que a esposa seguisse a sua vida normal, sem deixar a dor atrapalhá-la, mesmo que fosse inevitável.


"P.S. Eu Te Amo" fala de perda, mostra ao espectador o quanto é importante viver intensamente cada minuto, uma vez que uma hora ele pode ser realmente o último. Mostra também o quão importante é o envolvimento da família e dos amigos, no filme vivido por Kathy Bates, a mãe de Holly, e as inseparáveis Denise (Lisa Kudrow) e Sharon (Gina Gershon). Um romance para rir e se emocionar ao mesmo tempo.