Roteirista e diretor do aplaudido "Cinema Paradiso", lançado em 1988, Giuseppe Tornatore é o responsável pelo longa-metragem "A Desconhecida" ("La Sconosciuta"), que chega às telas brasileiras nesta sexta, dia 21 de dezembro. O cineasta italiano utiliza delicadeza em seu modo de contar a história e consegue deixar o espectador interessado em conhecer o destino da personagem a quem o título se refere.Tudo sobre cinema, com críticas de filmes, lançamentos nos cinemas e em home vídeo, trailers. O marcador Coisas da Vida são crônicas do que acontece, podendo ser real ou imaginário!
sábado, 22 de dezembro de 2007
A Desconhecida
Roteirista e diretor do aplaudido "Cinema Paradiso", lançado em 1988, Giuseppe Tornatore é o responsável pelo longa-metragem "A Desconhecida" ("La Sconosciuta"), que chega às telas brasileiras nesta sexta, dia 21 de dezembro. O cineasta italiano utiliza delicadeza em seu modo de contar a história e consegue deixar o espectador interessado em conhecer o destino da personagem a quem o título se refere.Em Paris
Sob o ponto de vista do estudante e arrasa-corações Jonathan (Louis Garrel), "Em Paris" ("Dans Paris"), longa-metragem que estréia somente no dia 28 de dezembro nos cinemas, conta a história da separação de Paul (Romain Duris), seu irmão mais velho. Isso porque o rapaz retorna à casa do pai e, portanto, a Paris. Deprimido e desolado pelo amor perdido e sem se conformar com a morte da irmã na infância, Paul passa a maior parte do tempo trancado no quarto. Então, Jonathan tem a missão de fazê-lo enxergar belezas na vida.Com roteiro e direção de autoria de Christophe Honoré, o longa é uma produção francesa lançada em 2006, que recebeu indicação ao César, o Oscar daquele país, no início deste ano. No Brasil, o filme já passou pelas telas, quando participou da 31ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo em outubro.
O pai dos rapazes, vivido pelo ator francês Guy Marchand, cuida dos filhos e fala mal da mãe, que os abandonou para se casar novamente. Como demonstração de carinho, cozinha o jantar da família.
Os diálogos bem-construídos propõem narrações em off por parte de Louis Garrel, ao mesmo tempo em que ele olha diretamente para a câmera e diz ao espectador o que pensa, envolvendo o público na trama.
As seqüências externas, que mostram a cidade, dão conta de apresentar um pouco da capital francesa e fazer com que os saudosistas sintam faltam da cidade. Bem à moda francesa, o longa é intimista, cheio de detalhes e aproxima o espectador da narrativa. A história, que versa sobre a separação, traz cenas tocantes, capazes de emocionar.
quinta-feira, 20 de dezembro de 2007
Humor e drama juntos

Por conta do lançamento do longa-metragem "Meu Nome não é Johnny", foi realizada coletiva de imprensa com o elenco do filme na tarde segunda-feira, dia 10 de dezembro,
Embora seja uma história real, Selton conta que não teve contato com João para a construção de seu personagem. No entanto, ele encontrou muita gente que conhecia João. "Então, construí o meu João", informa o ator. Selton lembra que não queria "ficar sugando o João e ele entendeu que era um personagem".
Também presente à coletiva, o verdadeiro João Estrella, hoje músico e compositor, conta que o roteiro do filme, escrito pelo também diretor Mauro Lima, é um pedaço do livro. "Me identifico muito com o filme. O humor que Selton tem é real, me vejo muito no personagem que ele criou", atesta. Ele conta que Mariza Leão, a produtora do longa, e Mauro Lima respeitaram muito as partes que tratam particularmente da sua família.
Embora não tenha participado do filme como um todo, João destaca a cena do tribunal em que participou da ambientação. Selton Mello, aliás, conta sobre como foi a filmagem desta cena especificamente. "Eu não estudei essa cena e me encontrei com o João antes de filmar. Ele me contou com as suas palavras como aconteceu. A cena tem um frescor que eu acho lindo, porque eu fui vivendo aquele momento e contei com as minhas palavras o que eu tinha ouvido na sala ao lado", diz.
Na mesma cena, Júlia Lemmertz, que viveu a mãe de João na tela, diz que deixou se levar pela situação. "Sou mãe também, mas tive um breve contato com a mãe de João. Para mim, aquele momento foi único e revelador."
Para construir a juíza que dá a sentença a João, Cássia Kiss conta que assistiu a uns 15 julgamentos ao lado de uma juíza. "Vi como ela agia com imparcialidade. No entanto, a minha juíza, em certo momento, foi parcial."
João Estrella também participou do filme com a composição de uma das canções que faz parte da trilha sonora. A canção "Para onde se vai" é a que será trabalhada no lançamento de seu CD.
O longa-metragem, que demorou dois anos e meio para ficar pronto, teve cerca de oito tratamentos para o roteiro. "Quem me indicou o nome do Mauro Lima foi o Marcelo Rubens Paiva, que disse que ele escrevia muito bem. Quando ele aceitou, começamos de novo", comenta a produtora. Sobre a escolha de Selton Mello para o papel, Mariza diz que a combinação de drama e humor tem tudo a ver com ele.
Além de ter sido feito no Rio de Janeiro, o longa também foi filmado em Barcelona, na Espanha, e em Veneza, na Itália. "Filmar na Europa foi simples, tínhamos uma equipe enxuta lá e deu certo", conta Mariza, acrescentando que o filme tem 62 locações.
Com lançamento apontado para o dia 4 de janeiro, "Meu Nome não é Johnny" terá, por enquanto, 100 cópias (o que é considerado razoável para uma produção nacional). Segundo pesquisa realizada pela equipe em sessões em universidades e escolas, o filme não tem rejeição. A censura 14 anos mostra que é indicado aos adolescentes e também para os adultos.
No vácuo de "Tropa de Elite", longa de João Padilha que discute sobre o tráfico no morro carioca e a ação da polícia contra esses traficantes, "Meu Nome não é Johnny" não foca a violência. Ao contrário. É um longa que fala de recuperação, de um jovem que "se perdeu na vida" e depois encontrou o caminho da "cura".
Embora as pessoas possam achar que o longa seja uma fantasia, João faz questão de enfatizar que tudo o que está na tela aconteceu de verdade, inclusive a personagem vivida por Eva Todor. "Quando eu conheci a dona Marly, ela era uma avó que tinha alugado um apartamento em Copacabana com vista para o mar. Ela faleceu ali, mas me chamava para tomar chazinho e eu chegava lá pilhado, só queria pegar a droga e levar para os meus clientes, e ela ficava lá me dando conselho", recorda-se.
Mauro Lima conta que mudou um pouco a personagem, quando mostra a tal velhinha vendendo ambrosia. "Tinha nos anos 1990 uma velhinha que ficou famosa por vender droga e quindim no Rio de Janeiro e eu aproveitei a história", diverte-se, acrescentando que não eram os jovens que vendiam drogas, mas senhoras da classe média.
A produção de "Meu Nome não é Johnny" consumiu R$ 5,5 milhões e oito semanas e meia de filmagem, incluindo as cenas da Europa. Segundo Mauro, o clima no set era prazeroso. "Eu não consigo entender a imagem de um diretor que berra e se descabela. Quando se tem uma equipe boa, se tem um problema, fica fácil resolver." E Selton arremata: "O clima era bom porque tínhamos um livro bom, estava tudo certo e era só fazer um filme. Todo o grupo reunido era muito bom".
sexta-feira, 14 de dezembro de 2007
Hitman - Assassino 47
Para viver o assassino de elite em "Hitman - Assassino 47" ("Hitman"), longa-metragem que estréia nesta sexta-feira, dia 14 de dezembro, foi escolhido o mesmo ator que interpretou o vilão que enfrentou Bruce Willis, em "Duro de Matar 4.0". Timothy Olyphant é o Agente 47, criado com engenharia genética, que tem como marca registrada a precisão e o orgulho, além de ser extremamente solitário.Alto, forte, vestindo terno preto, camisa branca e gravata vermelha, 47 é careca, possui código de barras tatuado na cabeça e é obcecado em livrar o mundo do mal. Para tanto, ele segue matando friamente e perseguindo os culpados em cidades como Londres, Istambul e São Petersburgo. Por outro lado, ele também está sendo perseguido por agentes da Interpol, o que dificulta mais a sua missão.
Em uma das andanças para executar o que lhe é encomendado, 47 conhece a prostituta russa Nika (Olga Kurylenko, a vampira que trabalhou com Elijah Wood, em "Paris, Te Amo"), a quem passa a proteger, pois a partir da convivência com a moça, ele se dá conta sobre o que anda fazendo em seu trabalho, uma vez que ele não mata por prazer, mata para concluir o seu trabalho. E este é o fator que o torna enigmático, pois faz com que o espectador esteja sempre se perguntando sobre o motivo que o faz correr atrás de certas pessoas.
Dirigida por Xavier Gens, que só havia feito "Frontier(s)" até então, a fita, baseada em franquia de videogame, tem visual que remete à graphic novel, com imagens escuras e sangue para todo lado, além de abusar das cenas de ação e do tiroteio sem fim. O roteiro, escrito por Skip Woods ("A Senha: Swordfish"), conta uma história não-linear, com idas e vindas no tempo, privilegiando as cenas de ação, incluindo lutas de 47 com todos os outros. A música é outro detalhe: não pára um minuto, tornando o filme um tanto barulhento.
"Hitman - Assassino 47" estreou nos Estados Unidos dia 23 de novembro, mas não animou muito o público, pois arrecadou US$ 13 milhões na semana de abertura e no segundo final de semana teve queda de 56%. Por conta das cenas de ação, por ser baseado em videogame e também pelo apelo à mocinha que faz o tipo gostosa (e aparece nua em algumas cenas), é possível admitir que "Hitman" é um prato cheio para os rapazes que freqüentam sessões de cinema onde basta um grande saco de pipoca para completar o programão.
O Ultimato Bourne
Para contar a história de Jason Bourne (Matt Damon), no terceiro filme da série, foi escalado novamente o diretor Paul Greengrass ("Vôo 93"). Desta vez, Greengrass posiciona muito bem as suas câmeras e fala como Jason, após ter mudado sua identidade e visto sua namorada morrer na Índia, respectivamente em "A Identidade Bourne" (2002) e "A Supremacia Bourne" (2004), vai ter de se safar das buscas da CIA, por diversas cidades do mundo. Em flash-back, algumas cenas dos longas anteriores são passadas para o espectador se recordar e justamente provar a ligação. Quando se pensa que a narrativa de Tony Gilroy e Scott Z. Burns vai perder a mão, eis que a idéia ressurge do fundo do oceano, com excelente estilo! Entre os três filmes da série, "O Ultimato Bourne" é o que mais explica e o que melhor convence.
Primo Basílio
Clássica trama de adultério baseada no romance de Eça de Queiroz, o longa tem ambientação Alpha Dog
Agora disponível para o varejo, o filme fala sobre Johnny Truelove (Emile Hirsch), um traficante de renome que alimenta o vício de um bando de marmanjos tatuados. A narrativa conta a partir de novembro de 1999, quando o tatuado Jake Mazursky deve uma quantia razoável para o traficante e os dois começam a brigar. Para forçar a barra, Truelove seqüestra o irmão caçula de Jack, Zack (Anton Yelchin), de modo a conseguir o dinheiro de volta. Antes que eles levem a história adiante, o pai de Truelove, Sonny (Bruce Willis), tenta convencê-lo a se entregar, antes que pegue prisão perpétua. A mãe do garoto, Olivia (Sharon Stone), enlouquecida com o desaparecimento do filho, mobiliza a cidade, aciona a polícia e chora. O longa mostra a violência desenfreada e a conivência de alguns pais perante o comportamento estranho dos filhos. Dirigido por Nick Cassavetes, embora não apareça, o longa é baseado na vida de Jesse James Hollywood que, na vida real, foi preso no Brasil.
The Rolling Stones, Sympathy for the Devil

Depois da proibição de Jean-Luc Godard, que não reconheceu os cortes feitos pelo produtor no filme, o documentário chega agora em DVD e mostra a contracultura vivida nos anos 1960, por intermédio do olhar do cineasta francês, que encabeçou a nouvelle vague. Na fita, o que se pode conferir na fita é como a banda de rock mais antiga do mundo se comportava para compor, além de histórias paralelas. A canção que dá nome ao disco, aliás, foi composta em 1968 e é repetida incansavelmente durante todo o filme. Com planos-seqüência que são a marca registrada do cineasta, o longa cativa os seus fãs, mas a repetição da música pode enjoar um pouco.
quinta-feira, 13 de dezembro de 2007
Paris: é sempre uma festa!
Melhor que ir a Paris, é voltar a Paris. Explico: na primeira vez que se vai à capital francesa tem-se a obrigação de fazer alguns passeios, conhecer o trivial, a urgência de ver tudo. Mas tudo é impossível, até porque a cidade oferece diversas opções de cultura e entretenimento que quatro dias, uma semana, não são suficientes. Portanto, voltar a Paris é ter novamente a oportunidade de continuar de onde se parou, de rever os melhores momentos e de explorar tantos outros.Embora subir a Torre Eiffel seja o passeio obrigatório, nunca é demais. Aliás, não é necessário subir os seus 276 metros, mas só o fato de ir até a estação Trocadéro do metrô, você já se sente recompensado. É de lá que a melhor vista do monumento inaugurado para a Exposição Universal de 1889 e você tem absoluta certeza de que está em Paris.
Outro passeio bacana é subir o Arco do Triunfo. Vá lá que o trabalho de escalar os seus 284 degraus não é tarefa fácil, mas a vista do alto compensa. De lá é possível observar as 12 avenidas que partem do local, mas é superorganizado para os pedestres, pois para se chegar ao Arco existe uma passagem subterrânea.
Em Paris há muitos parques, praças e locais para descansar, contemplar, ver a vida passar, se exercitar, como acontece no Bois de Vincennes, que serviu de espaço para treino militar no século 19. A Place des Vosges, localizada próxima ao metrô Bastille, é destino certo dos parisienses que querem curtir a paz, deixar as crianças brincarem nos tanques de areia, observar os estudantes desenhando a arquitetura. No local há 36 casas cujas construções estão intactas há 400 anos. É lá a casa do poeta Victor Hugo, autor de “Os Miseráveis”, onde hoje funciona um museu.
Outro local bastante movimentado é a Place de La Concorde, próxima ao Museu do Louvre, que conta com uma roda-gigante inaugurada em 2000. A praça é a mais importante da história francesa, onde o rei Luis XV foi guilhotinado durante a revolução. Ali do lado está o Jardin des Tuileries, onde é bastante comum observar as pessoas sentadas em frente aos lagos comendo uma baguete na hora do almoço, se expondo ao sol nos dias quentes de verão, contemplando a natureza, dando pão aos pássaros que vêm visitar. O mesmo também acontece no Jardin du Luxembourg, próximo ao Boulevard Saint-Michel, rodeado por esculturas e flores.
Se as catedrais que você conheceu em Paris se resumem à Sacré Coeur e à Notre- Dame, não deixe de conhecer a Capela da Medalha Milagrosa. O altar é lindo, delicado, há missas em inglês, além de se poder adquirir medalhas com explicações em português.
Museu para todo lado
Evite chegar desavisado à cidade que inventou o impressionismo, a alta-costura e (ninguém é perfeito) o mau humor. É verdade que muitos na cidade não falam inglês, mas nos lugares turísticos é muito fácil conseguir informação, caso o francês não seja o seu forte. Nos museus existe uma grande resistência de se colocar os dados da obra em inglês, o que é lamentável. No entanto, aqui vão algumas dicas: sempre que for abordar uma pessoa na rua, no caixa da loja, na bilheteria do metrô, diga “bonjour” (ou “bonsoir” se for de noite). E emende outras palavras mágicas: “s’il vous plaît”, “merci” e “au revoir”. Sendo bem-educado, ninguém vai negar em dar uma mãozinha.
Outro defeito de Paris é a sinalização, que deixa a desejar em muitos locais. No entanto, as 16 linhas do metrô mais outras tantas de trem dão conta de cobrir a cidade, de modo que se pode chegar a qualquer lugar. Os vagões da linha 14, a mais moderna (inaugurada em 1998), são automáticos, por isso não precisam de operador (sorte de quem precisou dele durante as greves ocorridas em outubro e novembro).
Embora visitar o Louvre seja passeio obrigatório, se você esteve em Paris e já passou por ali, não perca a chance de entrar, se sentar em um dos cafés debruçados no hall de entrada e experimentar um crepe doce ou salgado. Aproveite ainda para conhecer o Carrossel do Louvre, apreciar o Palais Royal, passear pelo Marais e fazer compras na Rue de Rivoli.
Do outro lado do rio Sena está o Museu d’Orsay, instalado em uma antiga estação de trem. Só por sua arquitetura já vale a visita. De quebra, a principal coleção de arte impressionista de Paris. Monet, Van Gogh, Degas, Renoir, Rodin, Manet, estão todos lá.
Outro museu que fica bem perto é o L’Orangerie, reaberto em 2006 após reforma. Um dos pontos altos são as “Ninféias”, de Monet, pintadas de parede a parede. Bem em frente ao painel há bancos para contemplar a obra do artista.
Imperdível também é o Museu Picasso, que além de telas há um espaço dedicado às esculturas. Outro que também tem jardim para as esculturas é o Museu Rodin, famoso por sua obra “O Pensador”. A obra, aliás, está lá exposta e pode ser fotografada.
Dedicada à arte moderna, o Centre Pompidou foi construído nos anos 1970 e batizado em homenagem ao presidente francês anterior Georges Pompidou (1911-1974). As escadarias do lado de fora mostram que do lado de dentro há muito o que se ver. A sua arquitetura destoa do restante da cidade, que é praticamente uniforme, e traz visitantes durante o ano todo, do mundo inteiro. Nas tardes aos finais de semana, artistas se apresentam na entrada, onde centenas de pessoas se sentam no chão para contemplar os músicos e os números circenses que são apresentados. No alto do prédio é possível sair na varanda e observar a cidade inteira, de tal maneira que se pode avistar o Sacré Coeur bem ao longe.
Para a arte contemporânea está o Palais de Tokyo, com obras que lembram aquelas que vemos nas Bienais por aqui e onde sempre fazemos a famosa pergunta: isso é arte? No mínimo, vale conhecer.
Embora eu não tenha conseguido ir (por duas vezes o museu estava fechado), o Marmotan tem uma grande coleção de Monet doada por seu filho, além de obras de Renoir e Pissarro. O museu fica em um lugar afastado da cidade e o passeio também vale a pena.
Fora de Paris
Versalhes é um programa para um dia inteiro. Primeiro é preciso pegar o trem (viagem de meia hora) para se chegar ao local. E preparar as pernas, porque a certeza que se tem é que é preciso andar muito para dar conta de conhecer todas as belezas do castelo, assim como os seus jardins. Ao todo são dois, pois existe a propriedade que foi de Maria Antonieta, localizada no final da área. Aproveite para conhecer o Petit e o Grand Trianon.
O jardim, aliás, inspirou o do Museu do Ipiranga, que foi recentemente reformulado. Além de árvores por todos os lados, o jardim conta ainda com lagos, com fontes, rodeados por labirintos, projetos geométricos. Dentro do castelo é possível conhecer como viviam os reis, imaginar Maria Antonieta, Luis XVI. No Salão dos Espelhos foi onde aconteceu a assinatura do Tratado de Versalhes, ao final da Primeira Guerra Mundial, em (1914-1918): história pura.
Outro passeio imperdível, e talvez não muito comum, é a Fundação Claude Monet, que fica em Giverny, a uma hora de Paris. Para chegar lá, compre um bilhete na estação Saint Lazare com destino a Vernon. De lá, pegue um ônibus até Giverny.
Foi ali que o pintor impressionista viveu seus últimos dias de vida e pintou os seus mais belos quadros. Além da casa, é possível passear por seu jardim rodeado de flores, contemplar as ninféas e as vitórias-régias que tanto o inspiraram, conhecer a Ponte Japonesa, tema de outros quadros. Enquanto viveu na cidade a beira do rio Sena, Monet aproveitou para pintar o que via de diversas maneiras, de acordo com a estação do ano e a luz que incidia no local: inspiração, como é possível ver, não lhe faltou.
Se tiver com criança, ou quiser voltar a ser uma, vale uma visita à Disneyland. O parque completou 15 anos em 2007 e está uma festa. Além de poder brincar (apele para o Fast Pass para não morrer na fila) e visitar o Castelo da Bela Adormecida, é possível esbarrar nos personagens da Disney: Mickey, Minnie, Pato Donald, Margarida, Pateta, Buzz Lightyear, Timão e Pumba...
Cinema para quem precisa
Não faltam cinemas em Paris. Foi ali, aliás, que aconteceu a primeira projeção cinematográfica em 28 de dezembro de 1895, pelos irmãos Lumière. A exibição foi feita no Le Grand Café, que existe até hoje no boulevard des Capucines. Uma experiência interessante é o I-MAX no Geóde, localizado na Cité des Sciences. Todos os dias há sessões alternadas de filmes que podem ser simplesmente em I-MAX ou ainda em 3D. Além de cinema, o local possui cinco andares com exposições interativas, como se fosse uma cidade da ciência.
A Cinémathèque Française, em Bercy, é outro lugar para se respirar cinema. Além de mostras (com 40 mil filmes) há uma livraria com um sem-número de livros sobre a arte cinematográfica. Bem em frente à Cinémathèque, aliás, há uma escultura do brasileiro Oscar Niemeyer.
Para os que preferem os tradicionais, o moderno UGC Cine Cité Bercy exibe programação do cinema americano e, claro, em francês. O cinema fica em um lugar pouco visitado pelos turistas e é onde os parisienses se encontram para tomar um café e assistir a um bom filme. Outra rede que também atrai os moradores da cidade por conta de sua programação é o MK2 Bibliothèque. Só uns parênteses: ao final da exibição, as portas do cinema “jogam” as pessoas para a rua, de modo que não há volta para aquele xixi depois de duas horas sentado.
E não se dê por satisfeito. Em Paris sempre é tempo de bater perna de um lado para o outro, conhecer novas coisas, novas lojas, novos bistrôs, cafés e assim por diante. O Quartier Latin é destino para quem quer jantar em restaurantes alternativos (há muitos gregos por ali com os seus churrasquinhos) ou dançar em um bar.
Não se limite aos cafés mais conhecidos (passe longe do Starbucks Coffee, esse tem aqui!), pare, entre, conheça as novidades, ex-perimente as baguetes durante um almoço rápido, coma um macaron de framboesa ou de chocolate como sobremesa, abuse do vinho nacional. Aproveite o que Paris tem de melhor, os monumentos iluminados, o perfume, os croissants e não se esqueça de usar as palavras mágicas. Você não vai se arrepender, afinal sempre será tempo de voltar!
*Matéria publicada na edição 31 (dezembro de 2007) da revista METROPOLIS.
sexta-feira, 7 de dezembro de 2007
Bee Movie - A História de uma Abelha
Depois de as crianças fazerem amizade com ogros e ratos, nos casos de longas-metragens de animação como “Shrek” e “Ratatouille”, desta vez elas vão se entreter com uma abelha, em “Bee Movie – A História de uma Abelha” (“Bee Movie”), que tem estréia marcada para esta sexta-feira, dia 7 de dezembro.
A iniciativa partiu do comediante Jerry Seinfeld, que assina o roteiro e também é um dos produtores da fita, durante conversa com Steven Spielberg, um dos sócios da produtora DreamWorks, a mesma responsável pela franquia “Shrek”.
A história é acerca de uma abelha, Barry B. Benson (com voz de Seinfeld, na versão original), que acaba de se formar na faculdade, mas não quer seguir o que todas as outras abelhas da colméia fazem: trabalham como produtores de mel. Com ajuda das Asas do Pólen, Barry consegue sair da colméia e passa a freqüentar o mundo dos humanos e conhece a florista de Manhattan Vanessa (Renée Zellweger).
O longa já começa fazendo piada assim que iniciam os créditos da DreamWorks. Logo de cara já se tem a previsão de que será possível rir a valer durante a projeção. E é de fato verdade. O desenho é colorido, com ênfase nas cores fortes das flores, e a animação é bem-feita, de modo que dá força à imaginação, uma vez que o filme retrata um ambiente que provavelmente não existe, ou ao menos não é conhecido das pessoas. O desenho também propõe técnicas usadas em filmagens convencionais com travellings que dão um sabor especial ao filme.
Dirigido por Simon J. Smith, que trabalhou como diretor de efeitos visuais de “Shrek” e “Formiguinhaz”, e Steve Hickner (“O Príncipe do Egito”), o filme começa bem, atrai o público, mas a certa altura se perde na narrativa, quando insiste em situações inverossímeis e toma um rumo um pouco perigoso, pois pode decepcionar. Um exemplo é a situação criada no tribunal, quando as abelhas descobrem que os humanos consomem o mel que elas produzem.
Embora seja um filme indicado para o público infantil, “Bee Movie – A História de uma Abelha” vai contar piadas muito mais aos adultos do que exatamente para as crianças, quando brinca com figuras conhecidas, como o cantor Sting, o apresentador Larry King e outras referências. Com música sob a batuta do produtor Hans Zimmer, foi dado o toque final, que aproveitou para utilizar músicas pop, como o clássico “Here Comes the Sun”, dos Beatles.
Conduta de Risco
Uma das delícias de ver um filme bem-feito é quando concluímos que o ator contribui para o seu personagem, dando a grandeza que ele deve ter. George Clooney, por exemplo, é um desses atores, que, engajado em fazer o melhor, consegue dar a dimensão correta a seus personagens, de maneira que, se não fosse ele interpretando determinados papéis, a história poderia ser jogada fora.
Clooney, no ano passado, levou o Oscar por sua atuação em “Syriana”, embora tivesse sido indicado também como diretor de seu filme “Boa Noite e Boa Sorte”. Na trilogia que terminou, ao menos por enquanto, com o longa “13 Homens e um Novo Segredo”, ele atuou, ao lado de outros astros, de forma ímpar, que transformou o seu personagem em uma das principais atrações da fita, pois ele dosa o lado canastrão com o seu lado inteligente muito bem.
Em “Conduta de Risco” (“Michael Clayton”), que estréia nesta sexta-feira, dia 7, ele faz o personagem central (e o personagem-título, se levarmos em conta o nome original do filme), e pode-se dizer que, mais uma vez, o filme é ele.
Clayton trabalha como uma espécie de “faxineiro”, como ele mesmo define, em uma firma de Nova York, e sua função é limpar o nome e os erros de clientes poderosos. Seu chefe, Marty Bach (o produtor Sydney Pollack), o apóia, mas nunca lhe ofereceu a condição de sócio da empresa, embora ele trabalhe lá há quase 20 anos. Mas quando o advogado de litígio Arthur Edens (Tom Wilkinson) aparentemente sofre um colapso, Clayton é enviado para solucionar o problema. No meio da confusão, ele se depara com a conselheira de uma empresa agriquímica, Karen Crowder (Tilda Swinton).
Escrito e dirigido pelo estreante Tony Gilroy, roteirista de “O Ultimato Bourne”, o longa tem a capacidade de entreter o espectador quando mostra o personagem de Clooney, que começa a se conhecer e perceber, ao longo da fita, que ele se afogou em dívidas, é obcecado por jogo e só vê o filho de vez