terça-feira, 31 de julho de 2007

Que frio é esse? (Que país é esse?)

Não estou mais agüentando este frio que faz em São Paulo. Ontem, enquanto eu andava pela avenida Paulista e os termômetros marcavam 10ºC (e a sensação térmica devia ser menos que 5ºC), eu parecia uma muçulmana tentando me esconder embaixo do meu cachecol. Brrrrrr

Ontem a noite eu andava na avenida Paulista porque fui conferir a pré-estréia do longa-metragem “O Dono do Mar”, baseado no romance homônimo de José Sarney (sim, o ex-presidente brasileiro escreveu um livro...). Embora a exibição tenha sido no HSBC Belas Artes, que fica na Consolação, tive que parar o meu carro na alameda Santos, esquina com a Haddock Lobo, porque simplesmente não havia estacionamento por perto do cinema que não estivesse lotado. Então, lá vou eu caminhar na maior corrente de vento que existe em São Paulo. Brrrrrr

Bom, sobre o filme, prefiro nem fazer comentários para não ofender. Sério. Saí tão constrangida da sessão que cheguei a ficar com pena do diretor Odorico Mendes, principalmente quando me lembrei que ele disse para espalharmos aos amigos, caso gostássemos do filme. Se não gostássemos, para não dizermos a ninguém.

- Falo não – pensei. Escrevo.

Mas não vou nem fazer isso. Só vou dizer que o filme é realmente constrangedor, tamanha a bobagem a que fomos submetidos a assistir. Se você, leitor, não quer perder o seu tempo e gastar o seu rico dinheirinho em um filme que valha a pena, veja qualquer outro, mas poupe seus reais.

Pronto, falei. Ops, escrevi.

Mas vamos ao que interessa.

O último final de semana foi atípico. Isso porque eu não costumo sair às sextas-feiras, costumo sair aos sábados e fico esperando a música do Fantástico anunciar que a segunda-feira está chegando, no domingo. Como este final de semana foi atípico, saí do trabalho na sexta e corri pra casa e depois, bora pra balada com as meninas de Buenos Aires.

Fomos ao pub que virou mania agora entre a gente. Isso porque é um lugar legal, tem uma banda de rock que toca um som bacana e ainda o bar serve Guinness. Pensa: Guinness!!! Aquele líquido preto, servido em uma temperatura agradável, que desce redondo... Ok, a redonda é da outra marca, mas a Guinness realmente desce re... perfeito!

O pub é legal porque tem pessoas legais. Moços e moças bonitas, se é que você me entende. Mas também rolam aquelas bizarrices comuns da noite paulista. Mas nessa sexta essas bizarrices se superaram que eu vou começar a rir sem parar agora só de lembrar. Por isso, prefiro deixar pra lá o episódio do cidadão dançando parecendo uma lombriga ao lado da banda. Ah, detalhe, a banda GT é tudo. Não dei nada quando vi aqueles rapazes no palco, mas quando o vocalista começou a cantar, arrebentou! As performances de canções do U2 foram perfeitas. Eu podia jurar que o Bono Vox estava ali. Ok, desculpa, me empolguei. Sem exageros.

Outra coisa engraçada é a paquera. Já parou para ver como uns se aproximam dos outros? Um dia um amigo me falou:

- O cara, quando está a fim, chega na menina. Se ela está a fim, ela não vai, manda a amiga!

Eu nunca mandei amiga nenhuma fazer o serviço por mim. Acho que também nunca tive cara de cantar um cara na balada. Tampouco se ele estivesse em uma roda de amigos. É fora na certa. Aliás, o que este amigo falou, aconteceu justamente ao contrário. Um outro cara, que parecia uma minhoca dançando (desculpa, não resisti), falou pra amiga da mina que ele estava a fim que ela era linda. Conclusão? As duas se mandaram dali. O outro, decidido, chegou na morena que estava encostada perto da banda e mandou logo:

- Tá com sede?
- Não
Putz, que fora. Mas ele não desistiu:
- Vamos ao bar comigo tomar água?
E ela foi. Ganhou pela insistência. Ou pelo sorriso.

Sábado, com o frio da louca do lado de fora, resolvi não sair de casa. Preferi dividir o meu sábado com os DVDs, com trabalho da pós-graduação, com livros, com papo por telefone, com a final do vôlei masculino... Jogão, né? (se eu não fosse patriota torceria fácil pelos americanos...)

Pra compensar, no domingo eu acordei com a louca. Já tinha, de cara, dois programas. Fazia muito tempo que eu não via umas amigas de colegial. Ensino médio, perdão. Mas ok, na minha época era colegial e pronto. Enfim, fazia muitos anos que a gente não se encontrava e no domingo era aniversário de duas delas. Uma ia comemorar no almoço e a outra, no happy hour.

Encaminhei o e-mail do convite para outras duas e disse:
- Vamos juntas. Temos programa para domingão.

Fomos então para o almoço, fizemos um break no cinema (“O Ex-Namorado da Minha Mulher” – programa para rir das piadas politicamente incorretas) e depois uma cerveja pra encerrar a noite. Sério, nunca vi tanta moça enlouquecida junta. Pensa: quatro mulheres, por volta dos 30 (sim, por volta, porque eu ainda não sou balzaquiana), que se encontraram anos depois e ainda assim continuam com as mesmas carinhas e rindo como se ainda se encontrassem todos os dias no colégio.

Quando cheguei em casa, imagine, nem precisei esperar a música de abertura do Fantástico me dar aquela dor de barriga e me mandar pra cama!

sexta-feira, 27 de julho de 2007

Segredo revelado

Faz uns dois meses que uma amiga, durante uma conversa, me recomendou que eu assistisse a um filme.

Não, calma. Corta. Vamos do começo.

Estava eu e uma amiga sentada em uma mesa de bar, jogando conversa fora e, depois de um chope e mais outro, começaram aquelas lamentações que têm sido muito comuns ultimamente: “Nada dá certo na minha vida, e isso e aquilo”. Num surto de sanidade, ela se virou pra mim e disse:

- Cara, você precisa assistir a um filme revelador.
- Como assim “um filme revelador?” “Alta Fidelidade” é um filme revelador na minha vida. “ET – O Extraterrestre” me faz chorar até hoje. “Tempos Modernos” me faz rir mesmo que ele tenha sido feito em 1936. O que mais é preciso revelar sobre a minha personalidade além de saber que conheço os homens (ou algo deles), sou sensível e bem-humorada?
- Preste atenção: este vai mostrar que você é capaz de ter tudo o que quer na vida.

Ok, pensei: “O que eu quero da vida? Tenho muitos amigos que adoro, uma família que me apóia, um trabalho que eu curto”. Ok, ainda há muitas outras coisas que eu quero na vida.

- Que filme é este?

Então, ela me falou sobre “The Secret” e sua tal Lei da Atração. Algo assim: se você quer muito algo, pense positivamente e você conseguirá. Com tanta coisa esquisita acontecendo nos últimos meses, resolvi me encher de coragem e arrumar uma cópia que está rodando algumas mãos.

Certa noite, nesta semana, cheguei em casa do trabalho e disse: “É hoje”. Coloquei o DVD no aparelho, me acomodei debaixo dos cobertores (olha o frio lá fora!) e comecei a assistir. No dia seguinte, a sensação: “Meu Deus, dormi no começo do filme”. No outro dia, me dei uma segunda chance e consegui assisti-lo do começo ao fim.

Se você, caro leitor, ainda não assistiu ao “The Secret”, eu posso contar um pouco sobre o tal conceito. A Lei da Atração diz que você pode atrair tudo o que quer: seja um carro novo, uma bela casa para morar ou, quem sabe?, conquistar aquele moreno-alto-bonito-e-sensual (alô rapazes, escolham o modelo preferido de vocês, que eu fico na categoria de apoio à moças, ok?).

Para tanto, é preciso pedir com força e várias vezes ao dia o que deseja. Agradecer sempre as coisas que conquistou e esperar que o Universo se encarregue de retribuir.

Simples assim? Bom, como o filme é um documentário, várias pessoas contam as suas histórias e como conquistaram aquilo que queriam apenas praticando a Lei da Atração. De agora em diante, meu mantra diário é pedir e agradecer. Só resta dar tempo ao tempo e ver se dá certo. Estou indo ao pub logo mais e vou fazer o teste. Quem sabe aquele moreno de 1m85, olhos verdes e abdômen quase definido olha pra mim!

quinta-feira, 26 de julho de 2007

Bobby

Depois de recontarem muito bem a história do jazzista Ray Charles, no filme "Ray", com Jamie Foxx no papel-título, por exemplo, agora é a vez de o ex-senador dos Estados Unidos, e candidato à presidência daquele país, Robert F. Kennedy, ter parte de sua vida exposta na tela grande. Em junho de 1968, no meio da Guerra do Vietnã, seu mote de governo era acabar com o combate em prol da paz. O longa-metragem "Bobby", que estréia sexta-feira, dia 27 de julho, conta justamente suas propostas de governo, desde a campanha até as eleições, passando pela noite em que ele foi baleado.

Com roteiro e direção sob a batuta de Emilio Estevez ("Lembranças Vivas"), a fita utiliza-se de uma experiência bastante interessante, quando se propõe a contar a história de uma personalidade no cinema por intermédio da vida de outras pessoas que fizeram parte dela, sejam esses personagens fictícios ou não. O elenco de primeira linha contribui justamente para este sucesso. Assim, as imagens vão mostrar a rotina do Hotel Ambassador e contar a história de 22 personagens que, de alguma maneira, contribuíram para a campanha de Bobby.

Entre os personagens, o porteiro aposentado do hotel (Anthony Hopkins), que joga xadrez como ninguém e conta sobre quais personalidades ele pôde servir e que se hospedaram no Ambassador. Também o atual gerente, Paul Ebbers (William H. Macy), casado com a cabeleireira Miriam (Sharon Stone), que mantém um caso extraconjugal.

O núcleo mais descontraído do hotel talvez seja o formado pelo chefe dos cozinheiros, o arrogante Timmons (Christian Slater), e o experiente chef de cozinha Edward Robinson (Laurence Fishburne), que utiliza de sua sabedoria para agradar quem trabalha com ele, como o mexicano Jose (Freddy Rodriguez), que estava louco para ir ver o jogo dos Dodgers, mas teve de fazer turno dobrado, e Miguel (Jacob Vargas).

Além dos funcionários do hotel, também participam da história alguns hóspedes, como a cantora Virginia Fallon (Demi Moore, ótima como uma alcoólatra), a jovem noiva (Lindsay Lohan), que irá se casar com um rapaz (Elijah Wood) para evitar que ele vá para o Vietnã, e um socialite deprimido (Martin Sheen) e sua esposa (Helen Hunt), que não pára de falar em sapatos. Para dar boas risadas, as trapalhadas dos jovens voluntários Jimmy e Cooper (Brian Geraghty e Shia Lebeouf), que vêem suas vidas mudarem com o uso do LSD.

Estevez, que também tem um papel na fita, intercalou sabiamente as imagens fictícias com originais da época, principalmente com cenas do ex-senador na ativa. Seus pronunciamentos também foram utilizados em forma de narrações em off, um recurso bastante utilizado no cinema, embora seja excessivamente cansativo. Nesta produção, porém, o uso se justifica, principalmente por fazer sentido no caso de agregar informações da época quase 40 anos depois. Destaque também para a reconstrução do ambiente, como figurino e mobiliário do período.

Todos os personagens, embora sejam muitos, são bem-construídos e de certo modo envolvem o espectador do início ao fim, que torce para que cada um tenha destinos positivos.Talvez a grande lição do filme seja conhecer as propostas que Robert Keneddy não tenha tido tempo de colocar em prática. Um exemplo, mesmo que utópico, para os governantes (para não se falar apenas de um) que só pensam em ganância e guerra.

Scoop - O Grande Furo

A parceria de Woody Allen com a atriz Scarlett Johansson e também com a Inglaterra como cenário teve início com o “Ponto Final - Match Point”. Desta vez, além de ele ter um papel no longa, trabalha também Hugh Jackman. Nesta trama, Allen, autor do roteiro, conta a história de um jornalista falecido, Joe Strombel (Ian McShane), que mesmo morto continua procurando pistas para encontrar o serial killer que está solto. Para isso, ele conta com a ajuda da estudante de jornalismo Sondra Pransky (Scarlett), que vai participar de um número de mágica apresentado por Sid Waterman (Woody Allen) e recebe mensagens do além. O longa diverte o público, uma das características de Allen em suas produções. Nesta, ele consegue inserir piadas inteligentes e exorcizar algumas de suas neuroses. Porém, há um momento em que o filme não flui e se torna previsível. Embora as atuação de Allen e Scarlett tenham uma ótima química, Hugh Jackman, que faz o papel do charmoso e aristocrata Peter Lyman, está pouco à vontade. Ainda assim, um Woody Allen mediano é ainda melhor do que muitas produções.

Letra e Música

Atualmente decadente, Alex Fletcher (Hugh Grant) foi um grande astro da música há 20 anos e hoje tem oportunidade de voltar a fazer sucesso ao compor uma canção para Cora Corman (Haley Bennett), a atual diva. Como não compõe há anos, ele não sabe se conseguirá entregar o hit. Porém, sua sorte começa a mudar quando conhece Sophie Fisher (Drew Barrymore). Grant está à vontade no papel e tem um ótimo timming para a comédia romântica. A química ao lado de Drew funciona, o que favorece a interpretação dos personagens. Dirigido por Marc Lawrence, o longa não apresenta nenhum tipo de inovação cinematográfica e é bastante previsível. No entanto, é capaz que arranque boas risadas, fazendo do filme um programa descontraído e, por que não?, divertido.

terça-feira, 24 de julho de 2007

Pirata do cinema (pra não dizer outra coisa)

Poucas coisas me irritam na vida. Ok, mentira. Muitas coisas me irritam na vida. Mas não é sobre essas muitas coisas que eu quero falar. O que eu quero dizer é sobre as poucas coisas que me irritam quando vou ao cinema.

Na hora que vou assistir a um filme, não se trata apenas de lazer. Acredite, é trabalho. E quando escolho um filme, geralmente não sei sobre o que ele fala. Prefiro deixar as imagens me surpreender e me envolver lentamente (ou rapidamente, se for um de ação). Mesmo que a escolha falhe, ou seja, mesmo que o filme seja uma porcaria, isso não me irrita. São coisas que acontecem, afinal não é sempre que se tem coisa boa na tela. Até porque nem sempre dá pra se ter coisa boa na tela.

O que me irrita quando eu vou ao cinema são coisas que vêm de pessoas que estão na sala: 1) quando falam durante o filme (cochichar bem baixinho, sem atrapalhar, sobre uma cena, não conta); 2) barulho da pipoca e, muito mais, barulho do saquinho da pipoca; 3) quando um cidadão se acomoda estrategicamente atrás da sua (minha) poltrona e fica chutando-a sem parar; 4) celular, mesmo no vibracall, incomoda. Ficar abrindo o flip para ver as horas, respondendo ou recebendo mensagem e deixando a luz do aparelho acender e iluminar a sala escura incomoda muito mais.

Para resolver esses percalços, é um pouco simples. No caso de falatório, olho com cara feia. Caso não resolva, solto logo um “xiiiiiu”. A pipoca não tem solução. Ou melhor, tem: nas cabines não há pipoca, nem nas sessões no Reserva Cultural. Bingo! Chute na poltrona me faz também olhar com cara feia. Quando não dá certo, ou porque a sala está muito escura ou porque a pessoa está interessada em fazer outra coisa no cinema (se é que você, leitor, me entende), trato logo de mudar de lugar. Agora celular, fala sério. Não dá.

Na verdade, olha o que acontece quando se tem celular ligado na sessão. Na semana passada aconteceu um episódio que foi de arrepiar os cabelos dos críticos. Não queria ficar dando muito ibope a esse assunto, porque no final das contas depõe contra a classe, mas como o Guia estampou em suas páginas, vejo-me no direito de falar também. Se o cri-crítico, que não gosta de nada, pode falar, eu também posso.

Na quarta-feira a imprensa especializada foi convidada para assistir a uma sessão do filme “Bobby”, que estréia nesta sexta-feira, dia 27 de julho. Ok, isso é muito comum, nenhuma novidade. Porém, enquanto eu estava sentada na poltrona e deixei o filme de Emilio Estevez me seduzir, uma colega que estava ao meu lado cochichou (bem baixinho, sem atrapalhar, é claro) sobre um cidadão (que a gente não conhecia) que estava fotografando imagens que eram exibidas na tela. Quando olhei direito, disse:

- Não, ele não está fotografando. Ele está gravando as imagens.

E era verdade. Eu estava assistindo ao filme por intermédio da tela do celular do cara (viu como não pode deixar o celular ligado durante a sessão?). Ao final da exibição, a menina ao meu lado saiu correndo e eu fiquei. A vontade que eu tinha era de chegar para aquele senhor distinto e falar:

- Não tem vergonha na cara?

Me contive. Só não contive o impulso de perguntar a outros dois colegas se eles conheciam o pirata. Não, nunca tinham visto a face daquele um.

- Vamos falar com o assessor.

Este foi o outro impulso. Lá fomos nós três comentar com o representante do distribuidor do filme sobre um pirata infiltrado entre os jornalistas. Final da história: fizemos o que tinha que ser feito. O que é certo, é certo. Pirata não tem vez, até porque a ação de um deles durante a cabine só faz com que os distribuidores tenham razão ao pedir para que os jornalistas, que estão ali para trabalhar, deixem seus aparelhos celulares, gravadores etc., na porta de entrada do cinema.

Um episódio muito triste, mas que ficará gravado, porque não é possível que alguém seja capaz de ser tão irresponsável e desagradável ao ponto de tentar fraudar uma obra. Isso também me irrita.

segunda-feira, 23 de julho de 2007

A companhia vale mais que o filme!

Por conta do trabalho, assisto a muitos filmes em sessões exclusivas a jornalistas, as chamadas cabines. Essas sessões são realizadas dias antes do lançamento no cinema, justamente para que os profissionais possam escrever sobre a obra.

É claro que não dá para assistir a tudo, uma vez que há, inclusive, sessões diferentes no mesmo horário acontecendo. Outra opção também para ver antes é na pré-estréia, que geralmente acontece à meia-noite do sábado anterior ao lançamento. Então, quando não vejo um filme e ele me interessa (pessoalmente e não para o trabalho) trato de assisti-lo no circuito.

Quando vou às sessões noturnas, costumo ir acompanhada de uma amiga, que, embora não trabalhe no ramo, é apaixonada pela sétima arte. Ao final, saímos da sala e comentamos sobre qual parte gostamos e nos identificamos, o que desprezamos e assim surgem várias discussões saudáveis entre ela e eu. O mais legal é que ela não observa alguns pontos a que me atenho, mas valorizo bastante a visão dela como público comum.

Outro dia saímos para ver duas sessões seguidas no Reserva Cultural. Uma era 21h30 e a outra, 23h55 (pré-estréia). Acostumadas a chegar ao cinema e não enfrentar fila, neste sábado foi diferente. Chegamos com meia hora de antecedência para ver “Medos Privados em Lugares Públicos”, de Alain Resnais. Já estava em cartaz desde o dia anterior e, como não fui à cabine, estava ansiosa para ver a obra do francês. Pois bem, para a nossa surpresa, a fila da bilheteria extrapolava o limite da cerca. E, pasme, os ingressos para aquela sessão havia se esgotado. A solução foi olhar onde haveria uma sessão mais próxima daquele filme. Nada. Então resolvemos comprar para a exibição seguinte, ou seja: meia-noite. Deste modo, tivemos que optar por não ver a pré-estréia e apenas assistir àquele que estava chegando às telas naquela semana.

Eu costumo ficar frustrada quando essas coisas acontecem, quando meus planos vão por água abaixo. Até porque eu olhava no Guia os filmes em cartaz e nada me animava, pois eu já havia assistido à praticamente todos os filmes. Mas ok, resisti à tentação de ficar irritada e seguimos para um dos bares que ficam ali perto. Não tomei chope, porque o álcool poderia me deixar com sono (ou bêbada), de modo que me faria perder detalhes do filme. Me saciei com água e sorvete. Pouco antes do início da sessão nos dirigimos ao cinema e esperamos a liberação da sala. Fim da projeção, entramos no carro e dá-lhe falar da nova produção francesa.

Uma semana depois, um amigo me ligou para que eu o acompanhasse ao cinema. Não resisti e soltei uma risadinha. Mesmo assim, perguntei qual era o filme que ele queria ver.

- “Ratatouille” ou “Transformers”.
- Hmmm, já vi os dois. Mas até veria “Ratatouille” novamente.

Não fomos. Ele desistiu de ver depois de achar que era esnobismo meu.

- Imagina, as salas que exibem apenas filmes repetidos.

Duas semanas antes, na ocasião do lançamento de “Harry Potter e a Ordem da Fênix”, um colega jornalista perdeu a cabine para a imprensa e decidiu me acompanhar durante uma reportagem sobre os fãs do bruxinho. Não resisti e assisti ao filme novamente. Nós dois, aliás, costumamos ver juntos nas cabines, e na saída sempre comentamos sobre nossas impressões. Desta vez fiquei esperando a reação dele, pois eu já tinha as minhas idéias sobre a produção.

Embora eu não goste muito de rever filmes, principalmente porque não resisto à tentação de comentar durante as cenas, me comportei direitinho e aprendi a lição. Muitas vezes a companhia é mais importante que o filme que está sendo exibido na tela.

sexta-feira, 20 de julho de 2007

Transformers

Ataques, invasões e aparições alienígenas no cinema, pasme!, acontecem sempre nos Estados Unidos. Lembre-se de "Independence Day", "Guerra dos Mundos", "ET - O Extraterrestre", "MIB: Homens de Preto", entre outros. A partir de sexta, dia 20, é a vez de os robôs que se transformam em carros ou qualquer outro aparelho eletrônico, como microsystem e até telefone celular, invadirem a Califórnia e deixarem o Pentágono de cabeça para baixo. Isso porque os primeiros ataques ocorrem no Qatar, no Oriente Médio, e os soldados que servem o país mandam notícias ao chefe de Defesa Nacional (Jon Voight), pois eles estão se dirigindo para a América.

"Transformers", longa-metragem baseado no desenho animado que fez muito sucesso entre os garotos nos anos 1980, conta a história das duas raças alienígenas robóticas (os Autobots e os Decepticons), que brigavam entre si e colocaram o destino do Universo em risco. Para controlar os ataques, porém, a única pista deixada está guardada com Sam Witwicky (Shia Labeouf), um adolescente que só pensa em ganhar um carro do pai e leiloar objetos de seu tataravô no e-Bay. O primeiro carro está garantido, quando o seu pai resolve comprar um Camaro bem velho, mas que vai surpreender o garoto, principalmente quando ele se transforma em Bumblebee.

Sam e sua amiga Mikaela Banes (Megan Fox), que ele andou paquerando por sinal, vão convencer os policiais que precisam ajudar o planeta conversando com o tal robô, que apenas precisa de um dos objetos deixados pelo tataravô de Sam.

O diretor Michael Bay ("Pearl Harbor", "A Ilha") abusa de tomadas com a câmera em movimento, de modo a oferecer maior ação ao espectador e imagens muito rápidas, com cortes bruscos entre uma cena e outra. A música de Steve Jablonsky e os efeitos sonoros são os principais problemas da fita, pois não há silêncio durante os 144 minutos do filme (o que pode deixar algumas pessoas com um pouco de dor de cabeça ao sair do cinema). Um dos pontos altos do filme, que tem produção executiva assinada por Steven Spielberg, é o bom humor do roteiro (embora em alguns momentos seja extremamente infantil e risível), que vira e mexe faz a platéia gargalhar, como o fato de o carro se comunicar por rádio e fazer com que a música seja a forma com a qual ele se expressa.

Outros fatores que contribuem positivamente são os efeitos visuais supervisionados por Scott Farrar e John Frazier, que mostram a real experiência de transformação do carro para um robô aos olhos do espectador, como se não existisse nenhum tipo de truque.

Quem decidir ver "Transformers" tem diversão garantida. Só não vale ir ao cinema esperando cultuar a sétima arte, no sentido mais literal da palavra.

* Leia também: http://www.assuntoprincipal.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=1546&Itemid=87

Saneamento Básico, O Filme

- Pai, o que é filme de ficção?
- É filme de monstro.

A partir desta frase a confusão está armada no longa-metragem "Saneamento Básico, O Filme", que estréia dia 20 de julho. Escrito e dirigido por Jorge Furtado, o mesmo do ótimo "O Homem que Copiava", o longa conta a história de uma comunidade de descendentes italianos que vivem no sul do País e se reúne para cobrar da subprefeitura as obras do esgoto.

Liderada por Marina (Fernanda Torres), uma moça que trabalha na marcenaria do pai, seu Otaviano (Paulo José), e é casada com Joaquim (Wagner Moura), a comunidade recebe a notícia da secretária Marcela (Janaína Kremer) de que a verba para a construção do esgoto não será liberada, mas eles poderiam gravar um vídeo e receber o prêmio de R$ 10 mil concedido pelo governo federal.

Um dos problemas é que eles não sabem nem o que é um filme de ficção e arranjam uma câmera emprestada de Fabrício (Bruno Garcia), marido de Silene (Camila Pitanga), irmã de Marina. Então, a turma vai criar uma narrativa que renda 10 minutos a partir de uma história imaginada por Joaquim e escrita por Marina. E como eles acham que ficção é filme de monstro, a história vai se chamar "O Monstro do Fosso".

As passagens mais hilárias da fita são as que justamente citam o cinema, pois os personagens não têm a mínima noção do que estão fazendo. Como nunca ouviram falar de montagem, eles vão até Bento Gonçalves, uma cidade próxima à comunidade onde vivem, e conhecem Zico (Lázaro Ramos), especialista em gravar e editar fitas de casamento.

O personagem de Paulo José faz no vídeo o papel de um cientista maluco (lembra um pouco a figura de Albert Einstein) que explica o surgimento do monstro do fosso, personagem de Wagner Moura, que vai assustar a mocinha (Camila Pitanga).

O timming das piadas produzidas no longa poderia ser um pouco melhor, porque insiste em uma conversa que já passou, o público já riu, mas os atores na tela ainda persistem (por exemplo, a cena da pinguela). Os diálogos, no entanto, principalmente entre Fernanda Torres e Wagner Moura, são excelentes, de um timming ótimo e de morrer de rir. Paulo José (muito bom também) contracena com Tonico Pereira, que faz o empreiteiro da obra. Os dois discutem o tempo todo e brigam tal como um bolonhês e um veneziano de verdade. Mas quando a saudade da Itália bate, eles se emocionam e se abraçam ao escutar a música da terra. A trilha sonora, aliás, contribui para o clima italiano, pois entre as canções estão "Dentro al cinema" (de Gianmaria Testa) e "Io che amo solo te" (de Sergio Endrigo).

O uso de metáforas é outro recurso usado e bem explorado, principalmente por intermédio de imagens da natureza e da mulher."Saneamento Básico, O Filme", mesmo com seus poucos problemas, faz o público se divertir e é uma das boas surpresas que o cinema nacional produziu e lança neste ano.

quinta-feira, 12 de julho de 2007

Harry Potter e a Ordem da Fênix

Se em toda adaptação de livro para o cinema ficarmos comparando as histórias, raramente o filme ganha. Isso porque na literatura se tem uma liberdade de criação maior (a imaginação de cada leitor a ele pertence), enquanto o cinema explica exatamente o que quer que cada espectador veja. Outro problema é a concisão da história. Ou seja, um livro de 702 páginas, se seguido exatamente como foi concebido, certamente ultrapassará os 120 minutos na fita. Bom, é por isso que não vou me esforçar para confrontar o que J. K. Rowling escreveu no quinto episódio da série Harry Potter, com o que o roteirista Michael Goldenberg propôs ao diretor David Yates.

É claro que algumas coisas incomodam um pouco, mas não chegam a ofender nem tirar a beleza do longa-metragem. “Harry Potter e a Ordem da Fênix” (“Harry Potter and the Order of the Phoenix”), que estreou mundialmente dia 11 de julho nos cinemas, é uma belíssima superprodução que deve ser vista por todos os fãs do bruxinho, principalmente se o leitor acompanha a história desde o seu início.

Nesta seqüência, e na constante mania de colocar as eternas lutas entre o bem e o mal, o longa inicia-se com Harry Potter (Daniel Radcliffe, com quase 18 anos) junto com seu primo Duda Dursley (Harry Melling). No entanto, depois que os dois se desentenderam, os dementadores os atacam. Para salvar a pele de ambos, Potter usa seus conhecimentos de magia para executar o feitiço do Patrono. No entanto, como usou magia em frente a um trouxa, Harry Potter recebe uma carta da Escola de Magia de Hogwarts dizendo que poderá ser expulso e não cursar mais o quinto ano.

A partir daí, a história se desenrola. Alastor Olho-Tonto Moody (Brendan Gleeson) aparece com outros aurores para resgatar Harry e fazer com que ele consiga voltar à escola. As imagens deles voando com as vassouras sobre o Rio Tâmisa, em Londres, são excelentes, assim como todas as citações da capital inglesa, como a sala do ministério e o acesso por intermédio de uma cabine telefônica.

Para combater o mal, já que o ministro da magia Cornélio Fudge (Robert Hardy) não acredita na volta do temível Lorde Voldemort (Ralph Fiennes), muitos se reúnem e formam uma sociedade secreta, chamada Ordem da Fênix, para se preparar. Outro problema que Harry, Rony Weasley (Rupert Grint) e Hermione Granger (Emma Watson) vão enfrentar é a professora Dolores Umbridge (Imelda Staunton). Sempre vestindo roupas cor-de-rosa e dando risadas irritantes (e convincentes), ela assumiu as aulas de Defesa Contra as Artes das Trevas e está colocando Hogwards de cabeça para baixo. Umbridge e o Ministério da Magia acreditam que os alunos da quinta série não precisam aprender a executar magias, então Harry e seus amigos fundam a Armada Dumbledore, onde vai reunir seus amigos para ensinar alguns feitiços de modo a se defender caso “você-sabe-quem” apareça.

Harry, que tem sonhado muito com a morte Cedrico Digory, que aconteceu no ano anterior, vê o retorno de Voldemort como uma possibilidade real e assustadora, porque agora ele sonha demais com o passado. As imagens em flash-back demonstram muito isso, e comparar Harry no primeiro longa (com 12 anos) com o atual é imprescindível.

Ao acompanhar os cinco filmes da série, é possível ver também o crescimento de Daniel como pessoa e obviamente como ator, que até beija uma das personagens (embora falte química entre os atores). Após a cena, Hermione se mostra madura e comenta sobre a “amplitude emocional de uma colher de chá” de Rony. Ela, que sempre foi tão estudiosa e disciplinada, começa a quebrar regras.

No último filme, “Harry Potter e o Cálice de Fogo”, lançado em 2005, muito se falou em maturidade do personagem e do ator. Neste também é visível a mudança, acrescentando-se também que trata-se um filme sombrio (tal como os anteriores), mas David Yates faz seu trabalho de direção com competência, posicionando suas câmeras adequadamente e executando muitos travellings, de modo a dar maior dimensão à grandiosidade da produção. A trilha sonora, que ficou a cargo de Nicholas Hooper, é belíssima, na medida em que seu sincronismo cumpre o papel muito bem. Outro detalhe imprescindível na fita é sobre os efeitos especiais supervisionados por Tim Burke. Criaturas novas aparecem na fita, os feitiços que os personagens executam são feitos com luzes e imaginação: muito bom.

Não dá para contar o que acontece ao final, mas é bom frisar que há um detalhe que não é igual ao descrito no livro. E quem vai ao cinema pensando em ver mais uma partida de Quadribol, desista. Não há nenhum jogo durante os 138 minutos. Os gêmeos Weasley e a reviravolta que eles causam na escola são ótimos, e os dois protagonizam as cenas mais hilárias da película.
O momento mais esperado pelos fãs talvez seja a batalha final entre professor Alvo Dumbledore (Michel Gambon) e Voldermort, que brigam pela profecia sobre Harry e o lorde das trevas (justamente o clímax do filme). E neste quesito não há no que se decepcionar.

quinta-feira, 5 de julho de 2007

Ratatouille

Remy é um ratinho que vive no esgoto, mas não tem a mínima idéia que acima de sua cabeça está uma cidade deslumbrante como Paris. Por conta de um desencontro com seus familiares durante uma fuga, ele se vê sozinho, com um livro de culinária, e começa a conversar com o fantasma de Auguste Gusteau, um cultuado chef de cozinha da França. E é a partir desta conversa que Remy sobe para a rua e descobre que o tempo todo ele vagava por baixo de uma das cidades mais bonitas da Europa.

A sensação que Remy tem ao encarar a Torre Eiffel talvez seja a mesma de um visitante que pela primeira vez vê o símbolo da cidade bem de perto: de perder o fôlego. Remy, com voz de Patton Oswalt na versão original, é o personagem central do longa-metragem de animação "Ratatouille", a nova aposta da Pixar Animation Studios e da Disney. Dirigido por Brad Bird (o mesmo de "Os Incríveis"), o filme conta a história do talentoso Remy, que sonha em ser um cozinheiro de um restaurante cinco estrelas.

Mas é ajudando o faxineiro Linguini (Lou Romano), que eles vão desenvolver uma amizade improvável, o espírito de união e também descobrir o talento do pequeno chef.Para tanto, porém, os dois farão manobras incríveis e engraçadas para disfarçar que quem está dando a receita ao aprendiz é o roedor. Outra coisa: os dois terão de passar por cima do atual chef e também do crítico gastronômico Ego (Peter O'Toole).

Um dos pontos altos da fita é o bom humor do roteiro, que é bastante delicado, convincente e bem escrito, além do desenho, pois a Paris retratada na animação consegue mostrar os encantos da Cidade Luz e pontos turísticos, como o Rio Sena, a Catedral de Notre Dame, bistrôs.

A Pixar, que está acostumada a surpreender os espectadores com seus personagens originais, como os brinquedos que ganham vida ("Toy Story"), os monstros apavorados ("Monstros S.A."), o peixe que se perde da família ("Procurando Nemo"), além dos super-heróis ("Os Incríveis") e dos automóveis falantes ("Carros"), traz novamente personagens cativantes, em uma história singular que vai agradar a família inteira. Um senão: bem que a versão original poderia ser falada em francês e não em inglês, para ambientar mais o personagem no local onde ele está. Mas aí seria correr um risco grande demais, que os executivos dos estúdios não estariam preparados.

Paris, Te Amo

Já fizeram isso com Nova York, quando, em 1989, os diretores Woody Allen, Francis Ford Coppola e Martin Scorsese se reuniram para contar três histórias distintas, de cerca de 30 minutos cada uma, com a cidade como pano de fundo. Desta vez, a homenageada é Paris. O longa-metragem “Paris, Te Amo” (“Paris, Je T’aime”) reúne 21 diretores que vão contar 18 histórias com cerca de cinco minutos cada com a cidade como personagem. Nada mais apropriado, já que Paris é considerada uma das cidades mais românticas do mundo.

Pois bem, para encarar a façanha, foram convidados os brasileiros Walter Salles e Daniela Thomaz, os Irmãos Coen, Gus Van Sant, Isabelle Coixet, Alfonso Cuaron, entre outros para contar as suas histórias.

Um dos destaques é o curta-metragem “Montmartre”, de Bruno Podalydès, que conta a história de um motorista enfezado que não consegue estacionar o seu carro no tradicional bairro da cidade. Enquanto isso, ele conhece uma moça, que está caída no chão.

Outro curta delicado é o “Quais de Seine”, de Gurinder Chadha, que apresenta os jovens rapazes à beira do rio Sena paquerando as moças que passam, como a muçulmana por quem se sente atraído.

Os irmãos Joel e Ethan Coen ficaram responsáveis por “Tuileries”, o filme que conta sobre o turista no metrô que não entende nada de francês e se envolve em uma briga com o casal de namorados por puro ciúme.

Na seqüência, é a vez de os brasileiros Walter Salles e Daniela Thomas contarem a história “Loin du 16e”, sobre uma babá que deixa a sua filha em casa e sai da periferia para cuidar de uma outra criança em um lugar chique da cidade.

Christopher Doyle, autor de “Porte de Choisy”, faz uma homenagem a uma célebre personagem francesa: Amelie Poulain, personagem de Audrey Tautou no filme “O Fabuloso Destino de Amelie Poulain”, de Jean-Pierre Jeunet. Um dos mais dramáticos é o “Bastille”, de Isabel Coixet, sobre o marido que vai contar à esposa que quer o divórcio porque já tem uma amante, mas descobre que ela tem uma doença grave.

O casal de mímicos em “Torre Eiffel”, de Sylvain Chomet, é para morrer de rir, e “Parc Monceau”, de Alfonso Cuaron, com Nick Nolte no elenco, para admirar um trabalho de direção impecável, com o filme feito em poucas tomadas. Maggie Gyllenhaal estrela o curta “Quartier des Enfants Rouges”, de Olivier Assayas, e Elijah Wood é mordido por uma vampira no “Quartier de la Madeleine”, de Vincenzo Natali. Outro destaque fica para o “Faubourg Saint-Denis”, quando a aspirante a atriz, vivida por Natalie Portman se apaixona por um rapaz cego (Melchior Beslon).

Gérard Depardieu dirige o seu filme mas também faz questão de aparecer nele: “Quartier Latin”. O curta fala sobre um casal que resolve acertar o divórcio em um encontro no restaurante, mas os dois começam a se alfinetar sem parar, dando aos espectadores lições de vida, humor negro e muita gargalhada.

“Paris, Te Amo” é uma verdadeira declaração de amor feita por cineastas franceses e estrangeiros, que apontam as suas lentes para mostrar o romantismo da cidade, mesmo que ela seja mostrada dentro de uma gráfica, de um cemitério ou de um apartamento. A parte lamentável é que pode ser um curta, não dá tempo de se envolver com o personagem, porque quando se percebe, já se está contando uma outra história na tela. Mas no geral trata-se de um bom filme, no mínimo uma bonita homenagem à Cidade Luz, que mostra não apenas os seus cartões-postais, mas também os locais onde as pessoas vivem, que pode ser tão comum, como a cidade de São Paulo.