Ok, eu sei, não precisa me lembrar. Quando criei este blog era para única e exclusivamente falar de uma paixão: o cinema. Daí já inventei de incluir umas crônicas, desde que tenham o cinema como tema, claro. Agora, já vão pensar que eu vou esculhambar. Pode ficar tranqüilo, não vou não. Apenas vou fazer um breve intervalo para falar de outra paixão incontrolável que eu tenho: viajar.
Finalmente consegui umas merecidas férias e vou aproveitar o espaço para escrever as impressões, mandar notícias, manter contato, matar as saudades, essas coisas. Por isso, não chore: logo mais volto a falar dos lançamentos da tela grande. Por duas semanas mandarei notícias do Velho Mundo.
Nas férias vou aproveitar para visitar a Mona Lisa, contar as novidades depois de cinco anos sem vê-la. Vou aproveitar também e seguir os passos dos Lumière (pronto, arrumei um jeito de falar de cinema!) e olhar a Cidade Luz do alto da Torre.
Bom, por enquanto é só. Vou até ali e já volto com muitas novidades =)
Tudo sobre cinema, com críticas de filmes, lançamentos nos cinemas e em home vídeo, trailers. O marcador Coisas da Vida são crônicas do que acontece, podendo ser real ou imaginário!
terça-feira, 25 de setembro de 2007
sexta-feira, 21 de setembro de 2007
Rogue - O Assassino
Praticante de artes marciais desde os oito anos de idade, o ator chinês Jet Li, do violento "Cão de Briga", deixou as competições para ingressar no cinema. Ou melhor: resolveu empregar a luta em personagens que vive no cinema. E se deu bem. Tão bem que roteiros são escritos para sua interpretação.Desta vez foram os roteiristas Lee Anthony Smith e Gregory J. Bradley quem criaram "Rogue - O Assassino" ("Rogue Assassin") e construíram o papel-título especialmente para Li. Seu personagem, como ele mesmo diz, é inédito: ele nunca havia interpretado um parecido, que vai contra os seus princípios budistas. Isso porque ele faz um assassino frio e calculista.
Nos primeiros dez minutos do filme já se tem uma boa noção do que vem pela frente. É neste tempo que acontecem cenas essenciais para o desenrolar da história. O longa-metragem, que estréia nesta sexta-feira, dia 21 de setembro, começa com dois agentes do FBI: Jack Crawford (Jason Statham) e seu parceiro Tom Lone (Terry Chen) falando sobre o fato de Crawford não conseguir parar de fumar. Eles se recordam de eventos passados e decidem investigar um caso. No entanto, quando está em casa com a família, Lone é morto por Rogue (Li), que usa uma máscara estilo Fantasma da Ópera. A partir de então, o agente do FBI promete que vai vingar a morte do parceiro.
Escondido durante três anos, Rogue reaparece e decide travar batalha entre Chang (John Lone), líder da máfia chinesa, e Shiro (Ryo Ishibashi), chefe da Yakuza. Ao saber do envolvimento de Rogue no caso, Crawford não resiste e faz sua busca pessoal, quando reativa a vingança (ele mesmo acaba se tornando uma espécie de Rogue quando efetua assassinatos em série).
O diretor Philip G. Atwell constrói cenas de lutas permeadas de sangue, sempre com personagens cínicos e frios. Ele, que até então só tinha filmado um curta-metragem, documentário e videoclipes para a televisão, mostra com suas câmeras cenas de ação e lutas coreografadas, incluindo as com armas de fogo e com espadas que lembram muito os clipes, principalmente por conta dos avanços rápidos das cenas em alguns trechos.
O enredo bastante sangrento consegue, a certa altura, prender o espectador, que quer saber até quando vai a batalha entre a polícia de São Francisco e a máfia chinesa.No início, naqueles 10 primeiros minutos, Crawford diz a Tom Lane que, "neste ramo (da briga entre policiais e bandidos), nunca se sabe quem está trabalhando para quem". Embora seja essencial para o desenrolar da trama, a frase passa despercebida, mas ao mesmo tempo é uma boa cutucada na vida real, quando cada um tem os seus próprios interesses, custe o que custar.
É de se esperar, no entanto, que os atores deixem um pouco a desejar na questão de interpretação, não mostram verdade em seus diálogos e o que mais se tem por ali é uma correria desenfreada de policiais e bandidos, música alta que não pára, perseguições, explosões (incluindo uma de extremo mau-gosto que envolve um cachorro). Porém, quem vai ao cinema para ver um "show de luta", não liga para a falta de boas interpretações.
Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado
Os super-heróis terão de enfrentar o Surfista Prateado, que chega à Terra a mando de Galactus, o destruidor de mundos, com o intuito de preparar o planeta para a destruição e, portanto, começa a causar o caos. Os personagens, como nos quadrinhos, são mais voltados para a família, e o longa retrata exatamente isso. Os efeitos especiais aplicados são o melhor da história, que contribui para o trabalho do diretor Tim Story.
quinta-feira, 20 de setembro de 2007
Zodíaco
No final da década de 1960, um serial killer assombra São Francisco ao matar pessoas, geralmente casais, e depois enviar cartas aos jornais da cidade. Dirigido por David Fincher, o thriller conta a história verídica baseada no livro de Robert Graysmith, escrito com base em boletins de ocorrência da polícia local. Além de investigação, o filme propõe um toque de bom humor, roteiro conciso e diálogos pertinentes.
terça-feira, 18 de setembro de 2007
Várias lágrimas para Piaf
Fazia tempo que eu não me emocionava no cinema. Quem me conhece pode até rir desta frase, porque sabe que eu sou “presa fácil” para a emoção: choro e rio com muita facilidade. Não sei se eu não via algo tão bom fazia tempo, mas, desde que eu me lembre, não choro no cinema desde o italiano “Vermelho como o Céu”, que vi em maio. Lembro-me também que me acabei quando assisti à “Ponte para Terabítia”, em março. E foi só. Nem em “Homem-Aranha 3” eu chorei (para desapontamento geral, já que em “Homem-Aranha 2” eu chorei pra caramba).
Tudo isso para contar que fui assistir “Piaf – Um Hino ao Amor” na última sexta-feira e, mesmo sendo avisada de que seriam necessários os lenços, não botei fé de que iria precisar deles.
Bom, para chegar a esta sessão, enfrentei um trânsito do inferno (quase uma hora e meia) e cheguei em cima da hora. A sorte é que o início da exibição também atrasou e consegui tomar um suco de uva, conversar com uns amigos antes de me acomodar na poltrona do centro do cinema. Detalhe: dificilmente eu me sento no centro. Prefiro aquelas do canto, que são menos concorridas e, portanto, mais espaçosas. No canto não tem ninguém chutando, nenhuma cabeça atrapalhando, essas coisas.
Começaram as primeiras cenas e, mesmo tendo a recomendação, fui resistente. Pensei que eu estava meio anestesiada, que não me emocionaria com um filme francês, biografia de uma cantora que fez sucesso nos anos 1940, 1950. Claro que não desmereço o cinema francês, ao contrário. A delicadeza das cenas geralmente não aponta o momento da emoção, como é na novela. Ela vem naturalmente.
Conforme a história ia passando na tela, que aquele desfile de boa interpretação acompanhada de direção delicada e intimista, além de excelentes canções que compunham as cenas, não resisti. Sabe cumé, vem aquela história emocionante, acompanhada de uma trajetória de sucesso... Buááááá!
Não chorei apenas porque se trata de uma história triste, mas também porque a cantora batalhou muito pra chegar lá. Coisa de gente talentosa. E sim, para a minha sorte, os lenços estavam a postos, prontos para me salvar assim que comecei a me encharcar!
O assessor de imprensa do distribuidor estava coberto de razão: sim, é preciso preparar os lenços. Na saída, olhei pra ele com aquela cara de choro e, antes que ele me falasse qualquer coisa, disparei:
- Ok, você avisou!
Tudo isso para contar que fui assistir “Piaf – Um Hino ao Amor” na última sexta-feira e, mesmo sendo avisada de que seriam necessários os lenços, não botei fé de que iria precisar deles.
Bom, para chegar a esta sessão, enfrentei um trânsito do inferno (quase uma hora e meia) e cheguei em cima da hora. A sorte é que o início da exibição também atrasou e consegui tomar um suco de uva, conversar com uns amigos antes de me acomodar na poltrona do centro do cinema. Detalhe: dificilmente eu me sento no centro. Prefiro aquelas do canto, que são menos concorridas e, portanto, mais espaçosas. No canto não tem ninguém chutando, nenhuma cabeça atrapalhando, essas coisas.
Começaram as primeiras cenas e, mesmo tendo a recomendação, fui resistente. Pensei que eu estava meio anestesiada, que não me emocionaria com um filme francês, biografia de uma cantora que fez sucesso nos anos 1940, 1950. Claro que não desmereço o cinema francês, ao contrário. A delicadeza das cenas geralmente não aponta o momento da emoção, como é na novela. Ela vem naturalmente.
Conforme a história ia passando na tela, que aquele desfile de boa interpretação acompanhada de direção delicada e intimista, além de excelentes canções que compunham as cenas, não resisti. Sabe cumé, vem aquela história emocionante, acompanhada de uma trajetória de sucesso... Buááááá!
Não chorei apenas porque se trata de uma história triste, mas também porque a cantora batalhou muito pra chegar lá. Coisa de gente talentosa. E sim, para a minha sorte, os lenços estavam a postos, prontos para me salvar assim que comecei a me encharcar!
O assessor de imprensa do distribuidor estava coberto de razão: sim, é preciso preparar os lenços. Na saída, olhei pra ele com aquela cara de choro e, antes que ele me falasse qualquer coisa, disparei:
- Ok, você avisou!
segunda-feira, 17 de setembro de 2007
O Vigarista do Ano
Esqueça o conquistador e executivo milionário Edward Lewis, personagem de Richard Gere no longa-metragem “Uma Linda Mulher”, lançado em 1990, em que conquistou a prostituta vivida por Julia Roberts. Mesmo que o conto-de-fadas moderno tenha conquistado muitos fãs, é sobre uma das melhores interpretações do ator que vamos falar.Depois de “Palavras de Amor”, lançado em 2005, Gere volta ao cinema para interpretar um escritor que praticamente ganha a vida contando mentiras. O longa-metragem “O Vigarista do Ano” (“The Hoax”), que estréia na sexta-feira dia 14 de setembro, foi lançado no ano passado no Festival de Roma, chegou aos Estados Unidos em abril deste ano (onde obteve críticas positivas), mas só agora chega às telas brasileiras.
A fita é baseada em fatos reais que aconteceram nos anos 1970 e conta a história de Clifford Irving que, após ter o seu livro rejeitado pela editora, tenta encontrar, ao lado de seu advogado Dick Suskind (Alfred Molina), uma solução para a sua falta de dinheiro. Eis que eles arrumam um jeito de escrever a história do bilionário no ramo da aviação, Howard Hughes, e afirmam que a história é autorizada por ele, mas faz questão que aquela editora publique a tal autobiografia.
Quem não lembra, Howard Hughes teve a sua vida recentemente retratada no cinema no filme “O Aviador”, longa dirigido por Martin Scorsese, protagonizado por Leonardo DiCaprio e que recebeu indicação ao Oscar. Hughes era um excêntrico executivo, cheio de problemas emocionais (sofria de Transtorno Obsessivo Compulsivo) e vivia recluso.
A película começa pelo final da história, mas o espectador só se dará conta disso perto do término da projeção, quando a mesma cena é repetida. Vez ou outra o filme se alterna para contar episódios em flash-back e então a fotografia também se reveza e mostra histórias paralelas, sempre com um toque sutil de humor inteligente.
Embora tenha a maior cara de pau para convencer os editores que seu livro é verdadeiro (e ele se esforça para isso, utilizando gravações, imitando o sotaque do autobiografado), o personagem vivido por Gere está sempre nervoso, principalmente porque ele demorou cerca de um ano para reconquistar a sua esposa, Edith (Marcia Gay Harden), justamente por não ser um homem, digamos assim, confiável.
Dirigido por Lasse Hallström (“Chocolate”), “O Vigarista do Ano” é uma narrativa inteligente, cheia de revelações, inclusive políticas, da história norte-americana daqueles anos, que talvez muitos estrangeiros desconheçam. O filme, porém, revela que o livro chegou a ser publicado, mesmo com tanta mentira, tornando-se um escândalo no mercado editorial da época.
A narrativa do filme é baseada no livro “The Hoax”, algo como “A Farsa”, escrito por Clifford Irving e lançado depois que ele cumpriu pena na prisão. Convincente do início ao fim do filme, não será estranho se Richard Gere for indicado ao prêmio de Melhor Ator no próximo Oscar por sua atuação nesta obra-prima.
Instinto Secreto
À primeira vista, nada de anormal se vê na vida de Earl Brooks, personagem brilhantemente vivido por Kevin Costner em “Instinto Secreto” (“Mr. Brooks”), longa-metragem que teve a sua estréia antecipada para o dia 14 de setembro. Isso porque a fita tem início justamente quando o executivo de sucesso e exemplar está recebendo uma homenagem, ao lado de sua esposa Emma (Marg Helgenberger), para quem pára o discurso e manda um doce beijo.No entanto, no decorrer da narrativa, é possível entender que Mr. Brooks na verdade não é uma pessoa tão amável assim: ele esconde dos outros seu instinto insaciável de assassinar casais apaixonados (e não há qualquer explicação para tanto). Embora ele tenha ficado afastado do mundo do crime durante os dois últimos anos, quando freqüentou reuniões dos Alcoólicos Anônimos, não consegue conter a vontade de matar na saída do jantar de gala.
As ações do assassino são sempre acompanhadas por seu alter ego Marshall (William Hurt), que vai soprando as ações a Brooks, dando-lhe justificativas para apertar o gatilho e vai antecipando a ele e ao espectador as cenas correntes, de modo que todo o mistério vai sendo resolvido aos poucos, deixando quase nenhuma surpresa para o final.
Um detalhe em que ele desliza, porém, coloca em seu caminho o fotógrafo Smith (Dane Cook), que o flagrou no último assassinato e, embora não tenta extorqui-lo, faz uma exigência um tanto estranha. Mas é a detetive Tracy Atwood (Demi Moore) quem mais lhe tirará o sono. Paralelamente à fuga de Brooks, sua filha Jane (Danielle Panabaker), que atualmente cursa a universidade longe dali, lhe trará problemas.
Kevin Costner constrói seu personagem de modo convincente, mostrando-se carinhoso, sedutor, bom pai e bom marido, mas ao mesmo tempo mostrar-se um assassino frio e calculista, muitas vezes bem-humorado em suas conversas com seu amigo imaginário. Outro detalhe é a oração que reza sempre quando está em dúvida e o tique que ele tem ao tirar e colocar os óculos o tempo todo, principalmente quando precisa tomar uma grande decisão: matar ou não matar?
A fotografia sempre escura e sombria (homenagem ao filme noir) mostra a crueldade do assassino, os momentos de suspense e tiros para todo lado. Nem a detetive escapa de histórias paralelas, já que ela vive um drama da separação de seu casamento, quando seu ex-marido exige um alto valor como indenização no divórcio.
Dirigido e co-roteirizado por Bruce A. Evans (“Kuffs: Um Tira por Acaso”), o thriller é envolvente e instiga o espectador a saber o que acontecerá ao final. E acredite: vale a pena acompanhar os 120 minutos da fita para descobrir.
quinta-feira, 13 de setembro de 2007
Feriadão: o horror do estresse
Quem viu “Não por Acaso”, longa-metragem de Philippe Barcinski que tem Rodrigo Santoro no elenco, sabe como funcionam os semáforos da cidade de São Paulo. Na sala de cinema durante a projeção é possível se irritar com a manipulação que o personagem é capaz de fazer em benefício próprio, trocando a ordem, fechando ou abrindo passagem da avenida que quer percorrer.
Em “Os 12 Trabalhos”, de Ricardo Elias, são contadas as aventuras dos motoboys pela capital paulistana, quando precisam realizar as entregas dentro do prazo estabelecido pelo cliente. Então é aquela correria, gente morrendo nas ruas, falta de respeito dos motoristas de carros, ônibus e, claro, das motos.
Não quero discutir aqui a qualidade cinematográfica dessas fitas, mas sim o conteúdo que elas se propõem discutir, que é o trânsito em São Paulo.
Deve haver outros, claro, mas não me lembro agora, até porque estou me atentando às recentes obras. Nenhum dos dois filmes, porém, falam sobre o êxodo dos paulistanos da cidade para a praia nos feriados prolongados. Talvez porque o horror toma conta das estradas, quando, desesperados, os moradores da cidade grande e também do interior não vêem a hora de descer a serra, assim que um par de dias de folga se aproxima: sai mais cedo do trabalho, coloca a bagagem no carro, põe a família junto, assim como cachorro, gato, papagaio, e todos seguem prontos para enfrentar a jornada que pode durar seis horas – num dia comum seriam necessárias apenas duas.
Família animada, ouvindo boa música, começa a murchar quando, logo no início da rodovia, o trânsito pára. Não há qualquer semáforo de modo a justificar o engarrafamento ou para copiar o que o personagem vivido por Leonardo Medeiros faz para alcançar o seu objetivo. Existe, na verdade, um excesso de veículos com o mesmo destino.
Talvez nunca ninguém tenha feito um filme sobre isso (ao menos do meu conhecimento), porque com certeza deveria pertencer, no mínimo, ao Cinema Marginal, aquele bem mal-feito, com a câmera trêmula, sem preocupação com estética, continuidade ou mesmo narrativa, ou ser classificado como o gênero horror. Porque quem pensa que vai pra praia no feriado prolongado pra descansar, está redondamente enganado.
*Afe, acho que passei tempo demais parada no engarrafamento!
Em “Os 12 Trabalhos”, de Ricardo Elias, são contadas as aventuras dos motoboys pela capital paulistana, quando precisam realizar as entregas dentro do prazo estabelecido pelo cliente. Então é aquela correria, gente morrendo nas ruas, falta de respeito dos motoristas de carros, ônibus e, claro, das motos.
Não quero discutir aqui a qualidade cinematográfica dessas fitas, mas sim o conteúdo que elas se propõem discutir, que é o trânsito em São Paulo.
Deve haver outros, claro, mas não me lembro agora, até porque estou me atentando às recentes obras. Nenhum dos dois filmes, porém, falam sobre o êxodo dos paulistanos da cidade para a praia nos feriados prolongados. Talvez porque o horror toma conta das estradas, quando, desesperados, os moradores da cidade grande e também do interior não vêem a hora de descer a serra, assim que um par de dias de folga se aproxima: sai mais cedo do trabalho, coloca a bagagem no carro, põe a família junto, assim como cachorro, gato, papagaio, e todos seguem prontos para enfrentar a jornada que pode durar seis horas – num dia comum seriam necessárias apenas duas.
Família animada, ouvindo boa música, começa a murchar quando, logo no início da rodovia, o trânsito pára. Não há qualquer semáforo de modo a justificar o engarrafamento ou para copiar o que o personagem vivido por Leonardo Medeiros faz para alcançar o seu objetivo. Existe, na verdade, um excesso de veículos com o mesmo destino.
Talvez nunca ninguém tenha feito um filme sobre isso (ao menos do meu conhecimento), porque com certeza deveria pertencer, no mínimo, ao Cinema Marginal, aquele bem mal-feito, com a câmera trêmula, sem preocupação com estética, continuidade ou mesmo narrativa, ou ser classificado como o gênero horror. Porque quem pensa que vai pra praia no feriado prolongado pra descansar, está redondamente enganado.
*Afe, acho que passei tempo demais parada no engarrafamento!
quinta-feira, 6 de setembro de 2007
A Hora do Rush 3
Enquanto controla o trânsito de Los Angeles, o detetive James Carter canta e dança, fazendo com que os motoristas prestem atenção à sua performance, mas ao mesmo tempo perca o foco e acabe causando a maior confusão no cruzamento. Assim começa o longa-metragem "A Hora do Rush 3" ("Rush Hour 3"), que estréia sexta-feira, 7 de setembro.A fita é uma franquia de outros dois filmes: "A Hora do Rush", lançado em 1998, e "A Hora do Rush 2", de 2001. No elenco, a mesma dupla formada por Chris Tucker e Jackie Chan dão vida a Carter e Lee. A direção continua sob a batuta de Brett Ratner, cujo último filme sob seu comando foi "X-Men - O Confronto Final", em 2006. Com o mesmo diretor, o longa permanece com a graça dos anteriores. Por todos estarem à vontade, aliás, pode-se dizer que é uma questão positiva, pois nos bastidores todos se divertiam e riam de si mesmos.
No enredo, ao autuar umas moças, o detetive Carter percebe que seu parceiro Lee está em perigo e sai correndo para lhe dar cobertura. Isso porque o Embaixador Han (Tzi Ma), que está na cidade para revelar um segredo sobre a Tríade - um conhecido sindicado do crime -, é baleado. Começa, então, a corrida frenética, cheia de ação, movimento e piada, em busca do assassino do embaixador.
Justamente para encontrar o autor do crime, a dupla viaja a Paris e tenta deter uma conspiração criminal, já que prometeram à filha do embaixador, Soo Yung (a chinesa Jingchu Zhang), que iria vingar a bala dada no pai. A piada com o nome da moça é boa, principalmente para quem não se atenta apenas às legendas.
Daí para frente já dá para imaginar o que Jackie Chan e Chris Tucker são capazes de fazer para entreter o espectador, principalmente para mostrar a amizade existente entre os parceiros, um dos focos da narrativa. Os dois contam com ótima forma física (Jackie Chan e suas acrobacias) e timming de comédia de perder o fôlego.
Com a capital francesa como pano de fundo, ambos vão aprontar peripécias em volta da Torre Eiffel, em um cabaré e nas ruas parisienses, sempre guiados por um motorista de táxi muito louco, que pensa que é espião, em busca de Genevieve (Noémie Lenoir). A aventura começa logo no aeroporto, quando os dois são colocados contra a parede pela polícia francesa, já que eles não têm autorização para investigar nada na cidade européia. Outro problema que eles vão enfrentar é com relação ao idioma, pois eles não sabem nada de francês.
Com cara de filme para menino, que conta com mulheres lindas, carros, tiros, "A Hora do Rush 3" oferece diversão garantida ao público, que procura no cinema apenas entretenimento. Já que a equipe se deslocou para a Europa, a narrativa aproveita para dar cutucadas no governo norte-americano, principalmente quando se refere, nas entrelinhas, ao presidente George W. Bush e sua insistência com a guerra no Iraque.
Tendo Paris como locação, e cartões-postais em foco principalmente durante a noite, quando o local se transforma literalmente na Cidade Luz, a fita ganha um ponto a mais pela produção! Ah, sim, e não saia da sala de projeção antes dos créditos finais para ver os erros de gravação e a amizade entre os dois protagonistas.
C.R.A.Z.Y. - Loucos de Amor
Apenas no final é possível entender o significado do nome que batiza o longa-metragem, que conta uma história linear, em francês, sobre a vida de Zac (Marc-André Grondin), o quarto filho da família, num total de cinco homens. Cada um apresenta características peculiares, mas é sobre o garoto que nasceu no Natal de 1960 que se trata a narrativa. Zac tem um dom de curar pessoas. Excluindo a religiosidade que permeia a fita, principalmente vinda da personagem de Danielle Proulx, a mãe dos cinco garotos, é sobre a música que existe uma outra história. O longa apresenta situações bizarras, mas prende o espectador, que acompanha a história dos cinco rapazes canadenses e a luta de seus pais para torná-los dignos. A trilha sonora faz a fita ser interessante, pois mistura canções em inglês e em francês. Ambientado nos anos 1960, 1970 e 1980, o figurino remete a essas épocas, assim como as canções de Pink Floyd, Rolling Stones. Um longa-metragem para assistir, gostar e, claro, ouvir com o coração.
Lady Vingança
Terceiro filme da Trilogia da Vingança, do sul-coreano Park Chan Wook, que começou com "Mr. Vingança", lançado em 2002 (e que chega em DVD no Brasil no mês que vem) e seguido pelo bem-recebido "Oldboy" (2003). No longa, é a vez de o espectador conferir uma mulher heroína. Geum-ja (Lee Young-ae) foi presa por ter seqüestrado e assassinado um menino de seis anos. Durante 13 anos na cadeia por um crime que não cometeu, Geum-ja maquinou como se vingaria do ex-professor de inglês, Baek (Choi Min-sik), responsável pelo seu erro. A câmera de Park Chan Wook se alterna entre momentos de nervosismo e tensão e planos amplos, estáticos, mas sem o cuidado de ser sutil. Sutileza, aliás, não existe nos longas deste festejado sul-coreano. Ele vai direto ao assunto, sem rodeios. Apresenta os personagens, vai contando a história aos poucos, mostra cenas em flash-back para complementar, mas sem ser cansativo.
Totalmente Apaixonados
A comédia romântica, mas com elementos trágicos, é dirigida por Bart Freundlich e mostra as angústias de casais e as diferentes reações do homem e da mulher em uma mesma situação. Em Nova York vivem Rebecca (Julianne Moore), seu marido Tom (David Duchovny), o irmão mais novo dela, Tobey (Billy Crudup), namorado de Elaine (Maggie Gyllenhaal). Freundlich acompanha com sua câmera os personagens pelas ruas da cidade, dentro de suas casas, e leva o espectador a conhecer a intimidade de todos, como a ansiedade de Elaine em casar, o vício de Tom em sexo. O filme não é pretensioso, e talvez esta seja uma das suas maiores virtudes. Ele mostra o que quer: contar uma história cômica, com personagens bem construídos, que faz muita gente se identificar.Premonições
Linda Hanson, personagem vivida por Sandra Bullock, é uma jovem dona de casa com uma vida perfeita. Perfeita até demais, mas um belo dia ela recebe a notícia de que seu marido morreu em um acidente de carro. Porém, ao acordar no dia seguinte, ela descobre que ele está são e salvo. Então, ela pensa ter tido um pesadelo, mas, no outro dia, seu marido está morto novamente. As imagens fora de ordem são um pouco confusas, mas significa que, na verdade, Linda está tendo premonições sobre a vida de seu marido e, quando se dá conta de que recebeu avisos, tenta impedir que o pior aconteça. A angústia toma conta do espectador, principalmente quando percebe o que está acontecendo. A câmera do diretor Mennan Yapo não convence, principalmente pela irregularidade da trama.
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