quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Cidade dos Homens

E lá se vai mais uma produção da televisão ganhar vida na tela do cinema. Da TV Globo, por exemplo, mais de um seriado passou da telinha para a telona, depois de grande sucesso e empatia com o público. “Os Normais” e “A Grande Família” são exemplos de sucesso, cujos personagens foram adaptados especialmente para ganhar a tela grande. No âmbito internacional, “Os Simpsons” ganharam versão gigante em agosto e “Sex and the City” se prepara para ser lançado em 2008.

Nesta sexta-feira, dia 31 de agosto, chega aos cinemas “Cidade dos Homens”, longa-metragem dirigido por Paulo Morelli, um dos criadores da O2 Filmes, mesma equipe que produziu “Cidade de Deus”, sucesso de crítica e público no Brasil e no exterior. “Deu vontade de levar para o cinema e, pela natureza dele, temos mais tempo para contar e podemos terminar a história de Acerola e Laranjinha”, justifica Morelli. “O filme é a conclusão da série de TV. A terceira temporada foi filmada para ser usada no filme e os flash-backs foram feitos de propósito para serem inseridos.” Sobre o fato de levar um produto da TV para o cinema, Morelli conta que “pode ser saudável quando bem-feito”. “Acho que é mais um cinema que passou na TV”, completa.

O filme foca principalmente nos dois personagens que ganharam destaque na série de televisão, Acerola (Douglas Silva) e Laranjinha (Darlan Cunha), que começaram pequenos e hoje aparecem com 18 anos. E é sobre esta maturidade e a busca da paternidade que trata a narrativa. Acerola precisa cuidar de seu filho Clayton, agora com dois anos, já que a mãe da criança se manda para São Paulo em busca de um bom emprego. E Laranjinha segue em busca de conhecer o seu pai, uma vez que em sua carteira de identidade está escrito “pai desconhecido”.

Enquanto isso, os dois driblam os problemas do morro, já que uma guerra acontece e o dono do pedaço, Madrugadão (Jonathan Haagensen), primo de Laranjinha, perde o posto para Nefasto (Eduardo BR).

Um dos momentos engraçados, mas ao mesmo tempo dramáticos da fita, é quando, logo no início, Acerola precisa cuidar do filho e vai à praia com Laranjinha e a criança. No entanto, os dois acabam esquecendo o pequeno na areia. A cena mostra a responsabilidade que esses jovens precisam ter muito cedo, mas ao mesmo tempo a exploração da cena dramática que envolve a criança e comove o público, no mais explícito vestígio da televisão: cultivar emoções rápidas.
Paulo Morelli não tem medo da comparação em relação ao “Cidade de Deus”. “A idéia era que este filme fosse o mais diferente possível. O ‘Cidade de Deus’ é sobre a formação do tráfico e este é baseado em dois personagens e moradores da comunidade”, explica. Para compor os personagens, aliás, Morelli se instalou em favela do Rio de Janeiro e conversou com ex-traficantes. Aliás, há alguns que compõem o elenco, justamente para dar a realidade que o filme pede. “Encaramos como documentário”, completa ele.

O longa-metragem foi rodado exclusivamente em locações de sete favelas do Rio de Janeiro e, como são pequenas e apertadas e também para dar mais agilidade, a câmera é usada sempre na mão. O fato dá movimentação ao filme, principalmente nas cenas de fuga. A fotografia também é privilegiada, embora seja bem diferente à do irmão mais velho.

“Cidade dos Homens” não acrescenta grandes inovações à cinematografia, mas cumpre o papel a que se propôs: encerrar a história de dois moradores de comunidades da favela carioca, dramatizando com os problemas do tráfico e da responsabilidade que os jovens têm ao crescer à margem da sociedade e sem ter a figura paterna como referência.

Licença para Casar

Robin Williams não está muito bem em sua carreira ultimamente. Digamos que da sua boa fase de atuação, como a que lhe garantiu o Oscar por "Gênio Indomável", e a do ótimo "Sociedade dos Poetas Mortos", só lhe restaram comédias tolas, como "Férias no Trailer", "Uma Babá Quase Perfeita". Desta vez ele volta às telas em "Licença para Casar" ("License to Wed"), longa-metragem dirigido pelo quase estreante no cinema, Ken Kwapis, que se aperfeiçoou enquanto dirigiu a série para a televisão "The Office".

Na trama, Williams faz Frank, o reverendo que obrigará o casal de noivos formado por Sadie Jones (Mandy Moore) e Ben Murphy (John Krasinski) a participar de um curso nada convencional, antes que possam dizer finalmente "sim", no altar. Trata-se praticamente de um equivalente à carteira de motorista para o casal viver feliz para sempre.

A fita começa quando ele narra e explica as fases de um relacionamento: as pessoas se conhecem, começam a namorar, vão morar juntas, até que resolvem se casar. E é exatamente assim que aconteceu com o casal. Depois de morarem juntos, Ben resolve pedir Sadie em casamento, durante as bodas de 30 anos de casamento dos pais dela.

Embora ele queira que a cerimônia seja no Caribe, ela diz que seu sonho é casar na paróquia que costumava freqüentar quando era criança. A partir de então, entra definitivamente na vida dos dois a figura do pastor, que diz que a cerimônia poderá ser realizada em três semanas, desde que ambos sejam aprovados no teste.

Durante este período, vale tudo para os dois se enfezarem: deixar de fazer sexo até o dia do casamento, bebês-robôs para os dois tomarem conta, votos de casamento em um caderno para ser lido no grande dia, convivência assídua com os sogros.

Embora bastante inverossímil e com passagens caricatas, o enredo privilegia poucas boas piadas, que animam a platéia, principalmente as protagonizadas por Williams, que não perde o timming divertido.

A atriz Mandy Moore atuou recentemente em "Minha Mãe Quer Que Eu Case", ao lado de Diane Keaton (está se especializando no assunto). Seu timming para a comédia funciona bem, assim como a química ao lado do ator John Krasinski."Licença para Casar" não tem grandes pretensões como cinematografia, nem chega a ser ousado. Quem for assistir ao longa pode esperar algumas risadas e a reflexão sobre o verdadeiro espírito do casamento.

Encontro ao Acaso


Não dá para dizer que o primeiro trabalho de Joey Lauren Adams como diretora é uma obra-prima. No entanto, há de se falar que ela não faz feio. Sua estréia do outro lado da câmera (um de seus últimos trabalhos como atriz foi em "Separados Pelo Casamento") acontece em "Encontros ao Acaso" ("Come Early Morning"), longa-metragem que chega a poucas salas de cinema nesta sexta-feira, dia 31 de agosto.
O enredo conta a história de Lucille Fowle (Ashley Judd), uma moça que vive no interior dos Estados Unidos e, por ter presenciado tantos maus exemplos na vida, está longe de ter o comportamento ideal de uma garota de sua idade. Lucy tem um forte sotaque sulista, dirige uma caminhonete, trabalha com construção, mas não perde a chance de ir ao bar da cidade encontrar os rapazes e jogar bilhar. Mas é quando se embriaga que começa a se autodestruir, ir a encontros únicos e não se imaginar tendo um relacionamento sério.
Isso porque tudo o que teve na vida foram péssimos exemplos vindos de seu pai (Scott Wilson), que não dá a mínima para ela, foi músico em sua juventude e atualmente freqüenta uma nova igreja aos domingos. Seus avós também oferecem péssimos exemplos quando o assunto é relacionamento, uma vez que a esposa só reclama do marido. Este é um dos motivos pelos quais Lucy não enxerga nenhum motivo aparentemente positivo para se casar.
Quando arruma encrenca no bar que freqüenta ao tentar defender o pai, Lucy conhece Cal Percell (Jeffrey Donovan), um novo morador da cidade, que se entrega de bandeja e começa a ver em Lucy a menina encantadora que existe por trás da máscara rude em que ela se esconde.Com roteiro escrito pela própria Joey Lauren Adams, o filme volta no tempo com imagens de locais nada modernos, mas ao mesmo tempo conta uma história contemporânea. As moças vestem roupa do campo, ou seja, a boa e velha calças jeans, e a música que sai da vitrola e do jukebox é a country.
Ashley Judd consegue mostrar, com sua interpretação, a personagem que o filme precisa. No entanto, a fita perde um pouco quando não conta muito sobre os outros personagens e repete a história, fazendo com que o enredo fique um tanto cansativo da metade para o final. "Encontros ao Acaso" é um longa que vai fazer as moças, principalmente, pensarem sobre o caminho que escolheram e escolhem a cada dia: esperar o príncipe encantado ou sabotar o encontro?, trabalhar e pensar na carreira ou ser a dona de casa exemplar?, compartilhar momentos bons com a família ou se entediar com as brigas? Lições para a vida inteira.

Quando Nietzsche Chorou

Na Viena do século 19, o médico Josef Breuer (Ben Cross) conhece o filósofo alemão Friedrich Nietzsche (Armand Assante), pois o intelectual está passando por grave crise de enxaqueca e tem tendência suicida. Como não quer ser ajudado porque seus livros não são reconhecidos e, portanto, não tem dinheiro para pagar o tratamento, os dois fazem um trato. Com ajuda de seu estagiário, o psicanalista Sigmund Freud (Jamie Elman), Josef tenta ajudar e ser ajudado por Nietzsche e utiliza a "terapia através da fala". O filme apresenta uma história dramática, que fará o espectador conhecer mais da psicanálise e, quem sabe, se emocionar pelo mesmo motivo que fez Nietzsche chorar.

terça-feira, 28 de agosto de 2007

O cinema e a criança

Raras vezes revejo um filme no cinema. Como assisto a algumas produções antes que elas entrem em cartaz, vez ou outra acabo indo novamente para acompanhar alguém durante um filme ou porque gostei muito e quero revê-lo antes mesmo que saia em DVD.

Ultimamente não tenho feito isso. Aproveito para ir ao circuito ver alguma coisa que eu tenha perdido. No entanto, quando entram em cartaz as animações, sou “intimada” a levar minha priminha de seis para ver o filme. Até que gosto, porque acabo vendo dublado, o filme que vi pela primeira vez na versão original. E, acredite, ir ao cinema com criança ver um filme infantil é sempre uma nova experiência. No mês passado fomos ver “Shrek Terceiro”. Eu já tinha visto, mas acredite, ela também.

- Eu já vi na escola, mas quero ver de novo com você – ela alegou.

Fiquei intrigada.

- Como você viu na escola? Você foi ao cinema com os amiguinhos da escola?
- Não. A tia levou o filme.
- Mas era o filme novo?
- Era, aquele que o Shrek tem trigêmeos.

Oh céus. Era a mais pura manifestação de pirataria. Minha priminha estava me contando que foi para a escola, como ela faz todos os dias, e foi “convidada” por sua professora a assistir a um filme pirata. Um filme que ainda estava em cartaz no cinema, mas ela adquiriu o DVD provavelmente em algum camelô.

Oh céus! Já estão ensinando isso na escola.

Ok, como ela queria rever o filme comigo, lá fomos nós ao Cinemark ver “Shrek Terceiro” dublado. Sessão durante a tarde, em pleno sábado, nas férias de julho. Já imaginou? A experiência é divertida: chega ao shopping, procura lugar para estacionar o carro, enfrenta a fila da bilheteria.

- Tomara que ainda tenha lugar, né Tati?

Essa foi porque quando fomos ver “Dogão”, demos de cara com a porta.

Continua a maratona: escolhe o tamanho da pipoca com o refrigerante (“Prepare o bolso!” – advertiu minha tia previamente), corre pra fila, entra na sala, escolhe o lugar. Ufa!

Começam as primeiras cenas e ela gargalha em cada uma. Realmente ela já havia visto o filme, e se divertiu novamente.

No último final de semana, fomos novamente ao cinema. Desta vez o filme escolhido foi “Ratatouille”, que eu tinha visto fazia exatamente dois meses. Como ela já tinha me pedido há muito tempo, resolvi finalmente cumprir a minha promessa. A maratona continuou a mesma (estacionamento-fila-pipoca-assento), mas este ela ainda não havia assistido.

No elevador, saindo do estacionamento, ela viu a propaganda de “Os Simpsons – O Filme” e mandou:

- Queria ver o filme dos Simpsons.
- Ah, mas só quando você tiver 12 anos.
- Por quê?
- Bom, porque menor de 12 anos não entra na sessão. Deixo você tirar uma foto com a família, tá?

Ela não respondeu.

Com a sessão iniciada, hora de rever as aventuras de Remy em Paris.

- O ratinho é cozinheiro, né? Eu gosto deste ratinho.

Revi o filme, desta vez dublado, com outros olhos. Me diverti em cada cena, me emocionei em alguns momentos e fiquei feliz por estar ali, compartilhando com as descobertas dela.

- Da outra vez que a gente for no cinema, quero ver “A Volta do Todo Poderoso”. É comédia!

Sim, é comédia. E não posso reclamar: a sessão é livre. Hoje tem ela, logo mais vêm os sobrinhos. E vou ser a titia que leva a criançada pro cinema.

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

O Ultimato Bourne

Filmes de ação geralmente são perigosos porque podem ficar ou ruins ou serem bem-feitos. Não existe meio termo. Para contar a história de Jason Bourne (Matt Damon), no terceiro filme da série, "O Ultimato Bourne" ("The Bourne Ultimatum"), longa-metragem que chega ao país nesta sexta-feira, dia 24 de agosto, foi escalado novamente o diretor Paul Greengrass, o mesmo do ótimo "Vôo 93", sobre a tragédia de 11 de setembro.

Desta vez, Greengrass posiciona muito bem as suas câmeras e fala como Jason, após ter mudado sua identidade e visto sua namorada morrer na Índia, respectivamente em "A Identidade Bourne" (2002) e "A Supremacia Bourne" (2004), vai ter de se safar das buscas da CIA, a central de inteligência americana, por diversas cidades do mundo. Em flash-back, algumas cenas dos longas anteriores são passadas para o espectador se recordar e justamente provar a ligação.

Com a câmera na mão, Greengrass mostra a correria das perseguições, os tiros que saem dos aparelhados agentes da CIA, comandados principalmente pelo chefe Noah Vosen (David Strathairn). A música composta por John Powell ("I am Sam") não pára, mas dá uma brecha ao som vindo dos socos e das pancadas durante as lutas. No final, a banda Moby dá uma canja.

Uma das buscas de Bourne é novamente a lembrança de sua verdadeira identidade e a descoberta sobre quem o ensinou a matar. No entanto, ele descobre que está sendo alvo das buscas quando lê um artigo no jornal e diz ao repórter que escreveu a nota que "isso não é uma história no jornal, é real", quando os dois precisam correr. Então, ele passa por Moscou, Paris, Madri, Londres e Tangier, no Marrocos, até retornar a Nova York, definitivamente. Durante as viagens, os personagens passam por cartões-postais, se perdem na estação londrina de Waterloo quando fazem o trajeto de Eurostar entre Paris e Londres, homenageiam Nova York quando a câmera foca o local onde estavam as Torres Gêmeas.

Em diversos momentos ele conta novamente com a ajuda da agente Nicky Parsons (Julia Stiles), que se arrisca para salvar o rapaz.Baseado no romance de Robert Lundlum, o desafio da continuação do thriller de espionagem foi cumprido com sucesso, principalmente no ritmo, que é regular e extremamente rápido. O filme não deixa o espectador pensar, mas faz com que o personagem pense o mais rápido possível por todos e tenha soluções inusitadas e acertadas durante toda a fuga.

Quando se pensa que a narrativa de Tony Gilroy e Scott Z. Burns vai perder a mão, eis que a idéia ressurge do fundo do oceano, com excelente estilo!Entre os três filmes da série, "O Ultimato Bourne" é o que mais explica e o que melhor convence. Sorte do público!

O Grande Chefe

O diretor dinamarquês Lars von Trier não pode ser considerado convencional. Um dos criadores do Manifesto "Dogma 95", ou voto de castidade, como ficou conhecido, ao lado de Thomas Vinterberg, que prevê regras muito claras às produções (estipulação dos locais das filmagens, iluminação, proibição de truques, entre outras restrições), não pode ser tradicional. É preciso ser ousado e, sobretudo, criativo.

Em sua nova produção, "O Grande Chefe" ("The Boss of It All"), ele novamente faz movimentações de câmera ousadas. O longa-metragem chega às telas nesta sexta-feira, dia 24, em pequeno circuito, após participar da abertura do Festival de Copenhague em setembro do ano passado. A fita inicia-se quando o diretor apresenta a história a partir de seu reflexo no vidro do prédio onde se passa a trama.

O mesmo diretor de "Dogville" inova mais uma vez, quando escolhe filmar com Automavision, um princípio de filmagem (e gravação de som) desenvolvido com a intenção de limitar a influência humana. Neste caso, o computador é programado com uma fórmula que fornecerá uma lista de possibilidades a serem aplicadas para os movimentos de câmera, não permitindo nenhum processamento adicional, nem mudança como correção de cor, manipulação da imagem ou edição de som, já que o material será diretamente transferido para a cópia final.

Assim, o longa apresenta inúmeras cenas feitas com planos e contraplanos, resultando em uma obra esteticamente cansativa. A comédia, filmada em cinco semanas, se passa dentro de um escritório, quando o dono de uma empresa de TI, Ravn (Peter Gantzler), pretende vendê-la. Porém, para não mostrar aos seus funcionários seu verdadeiro caráter, ele precisa de um chefe fictício. Então, ele contrata um ator, Kristoffer (Jens lbinus), para desempenhar o papel do big boss, quando resolve vender a companhia aos islandeses (esse povo que atualmente está comprando metade de Copenhague, a capital dinamarquesa onde se passa a história).

Como o dono da empresa não tem intenção de ficar com os funcionários antigos, nem pagar seus direitos trabalhistas, ele trata de jogar a culpa em cima do grande chefe. Entre os empregados, um enlouquecido que quer resolver tudo a tapa, a loira do RH que se insinua ao big boss (Iben Hjejle, a Laura de "Alta Fidelidade"), a mocinha que quer se casar, entre outros.

A fita joga luzes ao mundo corporativo, à concorrência entre os funcionários, sempre com bom humor refinado e crítica. "O Grande Chefe" é um filme, apesar de cansativo, essencialmente ousado e bem-feito. Uma verdadeira obra de Lars von Trier que, como de costume, também assina o roteiro.

O Segredo de Berlim

Talvez por Steven Soderbergh ter optado por filmar a história sobre Berlim no pós-guerra, em 1945, em preto-e-branco, tenha sido um dos motivos de o longa-metragem chegar em DVD ao Brasil, sem passar pelos cinemas. No entanto, sua ousadia cinematográfica rendeu uma belíssima fotografia, cheia de luz e sombra e, de quebra, uma homenagem ao cinema noir dos anos 1940. A fita conta a história do jornalista americano que vai à Alemanha cobrir o acordo de paz, mas reencontra um ex-amor. Sua missão agora é ajudar a moça a sair de Berlim. Talvez a ênfase na história dos dois tenha sido o erro, pois o diretor deixou de fora o lado histórico, que teria muito que contar. Com George Clooney, Cate Blanchett e Tobey Maguire.

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Paris e o cinema

Eu não tenho muita paciência com Internet. Assim: bato papo no MSN, navego pelos sites por conta do trabalho e também para lazer, envio e recebo e-mails. Ah, me inscrevi no Skype outro dia. Mas não tenho muito saco para jogos on-line, tampouco Second Life (até me cadastrei, mas não dá, vai além do meu limite). No Orkut eu tenho um perfil lá muito mais para encontrar os amigos e manter contato, que para participar de comunidades, discutir, fazer novos amigos, essas coisas. No meu grupo de amigos só mesmo aqueles que conheço. Talvez tenha um ou outro que esteja lá por acaso, mas é só.

Outro dia estava eu passeando pela comunidade de Cinema Europeu, da qual faço parte, e lendo o que as pessoas escrevem, joguei uma questão. É que de repente me dei conta que o cinema francês estava invadindo as telas brasileiras de modo como eu nunca havia percebido.

É óbvio que a França continua produzindo muitos filmes, como sempre produziu (eles que inventaram o espetáculo cinematográfico, lembra?), mas comecei a pensar em tantas produções francesas e não só isso: há muitos filmes que têm Paris como pano de fundo e cenário (a cidade mais bonita do mundo precisava de destaque).

Acho que foi logo depois que assisti ao longa-metragem “Paris, Te Amo”, um conjunto de curtas-metragens produzidos por cineastas de vários cantos do planeta, sempre tendo a cidade como foco, que comecei a pensar no assunto. E a sentir falta de Paris.

Depois vi “Um Lugar na Platéia”, sobre a garçonete e a comediante que vivem em Paris. “Medos Privados em Lugares Públicos”, do ótimo Alain Resnais, mostra outros detalhes da cidade. Embora não seja produção francesa, a animação “Ratatouille” é uma excelente homenagem a Paris, com imagens desenhadas especialmente para compor a cidade na tela.

O DVD, no aconchego do lar, também não dá trégua. “Pintar ou Fazer Amor” se passa no interior da França, mas dá um gostinho de quero mais. “Acossado”, de Jean-Luc Godard, tem a capital francesa como foco e é um excelente começo para os amantes da nouvelle vague. Palmas também para “Os Incompreendidos”, de François Truffaut, sobre os garotos que aprontam pelas ruas da cidade. Ufa!

Ah, sim, para completar a maratona francesa, estou lendo atualmente “Mulher de 30 anos”, de Honoré de Balzac. Sobre a saudade de Paris, bem, deixa pra lá. Quem sabe daqui a um mês eu volte a tocar no assunto. ;-)

terça-feira, 21 de agosto de 2007

Mário Quintana e eu

Hoje vou usar Mário Quintana, este poeta que faria 101 anos se ainda estivesse vivo, para me ajudar. Se ele tivesse escrito com a ajuda de um PC, certamente teria mudado um pouco este poema, mas eu também não vou adaptá-lo.

"O papel está hoje com uma abominável falta de imaginação. Continua, apenas, olhando-me: vazio, mais quadrado do que nunca"

É isso. (agora pedi ajuda do Pasquale)

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Os Simpsons - O Filme

Demorou quase 20 anos para os produtores de "Os Simpsons" se tocarem e fazerem um filme com os personagens de uma das séries mais famosas e assistidas da televisão brasileira. "Os Simpsons - O Filme" ("The Simpsons Movie"), longa-metragem que chega aos cinemas brasileiros nesta sexta-feira, dia 17, após quatro semanas de sua estréia nos Estados Unidos (onde arrecadou US$ 71,850 milhões no primeiro final de semana de exibição), é um episódio estendido para o triplo do tamanho ao que os fãs estão acostumados a ver no aconchego do lar.

No entanto, quando parte para a tela grande, o tal episódio passa a ser uma experiência ímpar em que cada pessoa pode compartilhar as cenas engraçadas do seriado com uma sala de cinema lotada. Sem falar, é claro, da tecnologia superior usada para a produção em grande dimensão e das movimentações de câmera, que proporcionam ao programa a cara de cinema.

Na fita, pode ser que as pessoas que costumam assistir ao seriado sintam falta do dublador oficial do Homer (no Brasil, das mais de 450 cópias, menos de 20 serão legendadas), mas terão a oportunidade de ver novos personagens e gargalhar com eles, como as paródias com o presidente Schwarzenegger (na voz de Harry Shearer), a luta contra o aquecimento global (e a sátira do filme baseado no livro de Al Gore, aqui chamado de "Uma Verdade Irritante"), de personagens famosos, como Homem-Aranha e Harry Potter, a banda Green Day (que faz participação especial logo no início) além de a própria Fox, distribuidora da obra, rir de si mesma, quando fala de chamadas de próximas séries no meio do filme.

A Fox, aliás, não apenas ri de si mesma, como também faz o espectador rir de si próprio. Isso porque, logo no início, os personagens aparecem na sala de exibição assistindo a um filme, e Homer manda logo uma: "Eu não acredito que nós pagamos para assistir a algo que podemos ver na televisão de graça! Todos aqui neste cinema são uns otários, especialmente você", quando, sem pudor, aponta para o espectador. Perfeito. Escrachado, como Homer deve ser.

A narrativa começa quando o velho Simpson tem uma visão na igreja e faz previsões assustadoras. Depois, uma catástrofe criada por Homer acontece e ele precisa salvar os moradores de Springfield (a história toda gira em torno dele). Por isso, os cidadãos da cidade querem a sua cabeça e até a sua família, liderada pela esposa Marge, não lhe dá a mínima. A cidade inteira ficará adornada por uma grande cúpula, da qual não conseguirá sair mais.No meio do caminho, a família Simpson vai para o Alasca e situações engraçadíssimas tomarão conta do enredo, como a adoção de um porco como animal de estimação, o passeio que Bart faz pela cidade inteiramente nu, as sacadas do bebê (que nunca cresce) e acaba salvando a família de uma grande roubada, além do engajamento de Lisa na causa ambiental e seu novo namorado que não é imaginário e adora o meio ambiente, assim como ela.

Produzido por James L. Brooks, Matt Groening, Al Jean, Mike Scully e Richard Sakai, o roteiro é assinado por James L. Brooks, Matt Groening, entre outros veteranos da série. A direção está sob a batuta de David Silverman, que coordenou a criação de mais de 100 personagens inéditos.

"Os Simpsons - O Filme" discute de maneira hilária temas atuais, diverte o público adulto e prova que pode fazer cinema com a sua história e os seus personagens politicamente incorretos, sem ficar cansativo ou repetitivo.

Ah, sim, ao final, não saia da sala de cinema antes de os créditos finalizarem. Tenho certeza que você fará o mesmo pedido que Maggie fez.

Miss Potter

A escritora inglesa Beatrix Potter foi uma mulher à frente do seu tempo, que não se preocupava apenas em aprender as tarefas de casa, mas em produzir coisas expressivas, além de não ter interesse em se casar. Esta é a história que conta o longa-metragem que tem Renée Zellweger como protagonista. Observando coelhos ao vivo, por exemplo, ela captava os seus movimentos, desenhava suas impressões e fabricava uma personalidade para cada um de seus personagens. Para a publicação de seu livro, ela conta com a dedicação de Norman Warne (Ewan McGregor), cuja família é dona de uma editora. O diretor australiano Chris Noonan cumpre o seu papel de contar uma história real, e intercala cenas em flash-back para mostrar a infância da personagem. A história, embora previsível, é capaz de emocionar.

Pintar ou Fazer Amor

Indicado à Palma de Ouro no Festival de Cannes em 2005, o longa francês conta a história de William (Daniel Auteuil) e Madeleine (Sabine Azéma) que vivem no interior do país e levam sua vida pacata. Quando sai para pintar, Madeleine conhece Adam (Sergi López), um cego casado com Eva (Amira Casar). Os quatro vivem momentos de amizade, principalmente quando a casa de Eva e Adam pega fogo. Não é à toa que os personagens levam o nome do primeiro casal do mundo cristão e eles vão descobrir novas maneiras de amar. Embora as histórias de amor sejam um tanto bizarras (principalmente para as mentes menos flexíveis), o longa-metragem conta com uma fotografia muito bonita, carregada de sutileza do começo ao fim.

Passando dos Limites

David Owen (Tim Robbins) vai morar em Nova York e, embora ame a cidade, não consegue conviver com o barulho que ela produz. Quando chega ao seu limite, David se transforma e começa a vandalizar carros que disparam seus alarmes no meio da noite. Porém, quando sua esposa Helen (Bridget Moynahan) o flagra, logo o abandona, já que ele acaba sendo preso. A história é toda contada em flash-back e mostra muito barulho. Com certeza vai fazer os moradores da cidade grande se encherem de ouvir disparos de alarmes de carros, lojas e buzinas.

300

Baseado na graphic novel "Os 300 de Esparta", de Frank Miller, o filme chega em DVD Duplo recheado de extras, como prometeu o diretor Zack Snyder, durante sua passagem pelo Brasil, na ocasião de divulgação do filme. A obra fala da Batalha das Termópilas, no ano de 480 a.C., na qual o rei Leônidas (Gerard Butler) e 300 espartanos lutaram contra Xerxes (o brasileiro Rodrigo Santoro) e seu imenso exército persa. Na lista de extras: Quem eram os Espartanos?, As Fitas de Frank Miller, Making of, Cenas Eliminadas, Websódios, Comentários do diretor.

terça-feira, 14 de agosto de 2007

Cinema, e-mail e comentários acalorados

Outro dia recebi um e-mail acalorado sobre a coluna que escrevi e falei que os cinéfilos estavam com dificuldade de ver filmes, uma vez que apenas havia em cartaz os blockbusters. Um dos motivos que a pessoa escreveu foi para me dizer o significado de cinéfilo, já que Aurélio Buarque de Hollanda afirma que cinéfilo é aquele que gosta de filme e eu dei a entender que cinéfilo é aquele que gosta de filme de arte. Pode ser que ele tenha razão, mas fico em dúvida quando uma pessoa diz que gosta de cinema e passa longe dos filmes de arte. Acho que quem vai ao cinema só para ver blockbuster gosta mais é de pipoca com refrigerante que de filme.

Discussões à parte, eu apenas quero dizer que não sou contra blockbuster, grandes produções etc. Eu até gosto, vou ao cinema, assisto a todos eles, até compro o ingresso. Mas não abro mão de ir ao Reserva Cultural assistir às pequenas produções acompanhada de croissants.

Aliás, neste final de semana fui conferir um filme nacional que a crítica toda deu nota contra. Resisti até domingo, mas não agüentei. Preciso ver “Primo Basílio” e dar o meu parecer se é bom ou ruim.

Segui para o Reserva Cultural e, enquanto esperava a sessão começar, fiquei sentada no café escolhendo qual croissant ia comer. Fiquei com o Pain au Chocolat. Enquanto isso, um rapaz descia a rampa e, ao olhar para dentro do café, reclamava para o cara que o acompanhava, que deveria ser o seu pai:

- Não tem pipoca aqui. Nem balde de refrigerante. Já não gostei do lugar.

Bom, cada um com suas preferências. Fui ao caixa comprar o meu Pain au Chocolat e minha garrafinha de água e, quando voltei à mesa, vejo o mesmo garoto descendo a rampa novamente. Mas desta vez ele estava com um saco de pipoca, que ele adquiriu do lado de fora do cinema. Não sei qual foi o filme que ele assistiu, mas pelo menos não estava sentado, com sua pipoca barulhenta, ao meu lado.

Sobre “Primo Basílio”: não é tão ruim quanto eu achava que fosse, mas a gente sabe, após assistir “O Cheiro do Ralo”, “O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias”, “Cinema, Aspirinas e Urubus”, “Cidade de Deus”, que cineasta brasileiro sabe fazer coisa boa e melhor que esta produção. E como Daniel Filho deu um nó na minha cabeça com a adaptação da história, vou reler o livro de Eça de Queiros para só depois fazer as considerações.

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

TV só em DVD

Eu não tenho muita paciência para assistir à televisão. Gosto de ver filmes, mas não gosto de esperar eles passarem na programação. A mesma coisa acontece com as séries. Adoro rever “Friends” e por isso tratei logo de comprar vários box. Assisti às duas primeiras temporadas de “Lost”, mas só em DVD. Da terceira ainda não cheguei perto. Não tenho saco de ficar esperando o dia e o horário estipulados pelo canal para matar a ansiedade.

Ultimamente estou viciada em “Sex and the City”, a história sobre as amigas solteiras que vivem em Nova York e são loucas por um Cosmopolitan. A última temporada já acabou faz tempo, mas estou vendo tudo desde a primeira. E a sessão começa quando eu quero que ela inicie, manja? Geralmente entre um filme e outro.

Não quero colocar o dedo na seara alheia e falar de séries de televisão, mas a turma liderada por Carrie Bradshaw, personagem de Sarah Jessica Parker, é bem animada. E elas têm me animado ainda mais quando decidiram levar o seriado para o cinema. Já era para ter saído há muito tempo, mas parece que a atriz Kim Cattrall, que faz o papel da sem-vergonha Samantha Jones não estava concordando com o cachê. Brigas à parte, elas decidiram filmar e o longa está previsto para estrear em 2008.

A fita será dirigida por Michael Patrick King, o mesmo que comandou os episódios. Como ainda está em fase de pré-produção, não se sabe ao certo o que vem por aí. O que se sabe, aliás, é que a participação de Chris Noth, que faz o personagem Big, o grande amor de Carrie, está garantida.

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Sem Reservas

Antes de falar sobre um filme, é preciso identificar qual é o público-alvo que ele quer atingir. Comédias românticas costumam passar longe das opções dos cinéfilos, mas elas têm o seu público e, quando bem-feita, podem fazer rir e instigar o espectador. “Sem Reservas” (“No Reservations”), longa-metragem que estréia nesta sexta, dia 10 de agosto, reúne elenco com química que funciona, tem ingredientes que misturam drama, comédia, romance e astros do cinema norte-americano.

Baseado no filme europeu “Simplesmente Martha”, a fita conta a história da chef de cozinha Kate Armstrong (a bela Catherine Zeta-Jones), que é perfeccionista, workaholic e exigente em seu trabalho. Ela trabalha em um dos mais requisitados restaurantes de Nova York e acredita que é com um bom prato de comida que ela oferece o seu amor. Paula (Patricia Clarkson), a proprietária do estabelecimento, exige que ela faça terapia e não a demite por conta de suas loucuras e mal-criações com os clientes, pois é a melhor chef da região.

No entanto, um contratempo em sua vida familiar acontece e ela precisa assumir a sobrinha Zoe (Abigail Breslin, a mesma carismática de “Pequena Miss Sunshine”). Além de dirigir a cozinha do restaurante, Kate divide o seu tempo para cuidar da menina. Além de não ser nem um pouco maternal, em sua vida e em seu aconchegante apartamento não há espaço para uma criança de 10 anos. Mesmo preparando pratos saborosos, não há meio de a menina comer sua comida, o que para ela significa repúdio ao seu amor.

Aos se afastar do trabalho para resolver o problema da sobrinha, Kate vê um novo chef trabalhando em seu lugar. Nick Palmer (Aaron Eckhart) havia trabalhado em restaurantes de cozinha italiana e acha ótima a oportunidade de ser assistente da respeitada Kate.

Daí pra frente, dá para adivinhar o que vai acontecer, pois o longa é bastante previsível e a todo momento reúne elementos que confirmam a teoria. No entanto, o modo como a história é contada pelo diretor Scott Hicks é um dos trunfos da fita, que consegue extrair dos personagens boas interpretações, a começar pela menina Abigail, que conquistou os espectadores em seu último trabalho.

O subchef vivido por Eckhart é totalmente o oposto da competente, mas arrogante chef. Ele faz os seus pratos ouvindo ópera em alto volume (o que parece ser um pouco inverossímil, já que na cozinha é preciso comunicação), gargalha com os cozinheiros, é carinhoso e convence a pequena a comer seu prato de macarrão (uma das cenas mais tocantes). Os dois cozinhando faz a arte da cozinha parecer tão simples, que não será raro (nem admirável) se o espectador se levantar da poltrona do cinema e seguir em direção ao fogão mais próximo para colocar a mão na massa.

Outro destaque fica para o terapeuta, vivido por Bob Balaban, que encena seqüências bem engraçadas, principalmente quando sugere à chef que ela faça comida menos incrementada à menina, e ela diz que “paga para ouvir este tipo de conselho”.

“Sem Reservas” é um filme bem-feito e cumpre exatamente aquilo que propõe: entreter, divertir e emocionar o público.

Mimzy - A Chave do Universo

É uma viagem. Um filme de ficção científica (que mistura física quântica) cheio de perguntas, cujas respostas vão aparecendo no decorrer da fita. “Mimzy – A Chave do Universo” (“The Last Mimzy”), longa-metragem que chega nesta sexta, 10, aos cinemas, é baseado no conto escrito em 1943, chamado “Mimzy Were the Borogoves”, de Lewis Padgett.

Na trama, o pequeno Noah (o estreante Chris O’Neil) acha a vida chata, não gosta das aulas de ciência da escola e vive tirando notas baixas. Sua irmã caçula, Emma (Rhiannon Leigh Wryn), é tratada como a gênio da família e para tudo ela tem uma boa resposta. Nas férias de páscoa, os dois vão para a praia e encontram uma caixa. Aos poucos, descobrem o conteúdo da tal caixa misteriosa e colocam os pais de cabelo em pé.

Além de pedras que rodopiam e um cristal, há também um coelho surrado que sussurra o som “Mimzy” no ouvido de Emma (além de se comunicar telepaticamente com a menina). Deste coelho, aliás, Emma simplesmente não larga. Outra descoberta de ambos é um portal, a chave para outro universo.

Para surpresa do professor de ciências, Larry White (Rainn Wilson), Noah consegue preparar um excelente trabalho para apresentar na feira de ciências, o que também despertará o interesse da namorada do mestre, Naomi (Kathryn Hahn), que adora estudar sobre o Tibet, e vê na descoberta das crianças menções de mandala.

Daí pra frente tudo pode acontecer, como o apagão que atinge quase metade dos Estados Unidos, o que obriga o FBI (a cena é um exagero) a invadir a casa da família em busca do objeto que pode ter causado o apagão.

O roteiro é bem escrito, mas um tanto previsível, quando mostra a descoberta das crianças, a falta de crédito de seus pais (vivido por Joely Richardson e Timothy Hutton) e depois a consagração dos gênios mirins, que para tudo têm resposta.

Dirigido por Bob Shaye, da New Line (que já conhecia a história), o filme conta com um punhado de efeitos especiais para narrar a história que revive algo como o filme “ET – O Extraterrestre”, clássico dirigido por Steven Spielberg.

Com merchandising declarado, o filme tenta convencer o espectador sobre a questão de seres de outro planeta que querem salvar o nosso, mesmo que seja por intermédio de um carismático coelho de pelúcia. Trata-se de uma fábula para contar às crianças, mas pode ser osso duro de roer quando tenta, a todo custo, convencer de coisas impensáveis.

Um dos pontos altos para os pais que levarem os seus filhos para ver o filme sem dúvida é a participação do cantor Roger Waters, do Pink Floyd, que gravou a canção “Hello (I Love You)”, especialmente para o filme.

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Duro de Matar 4.0

Após hiato de 12 anos, quando estreou "Duro de Matar 3", Bruce Willis volta às telas como o detetive John McClane no filme "Duro de Matar 4.0" ("Live Free or Die Hard"). A primeira parte da franquia, de 1988, foi dirigida por John McTiernan, também responsável pela terceira. Já a segunda ficou a cargo de Renny Harlin, em 1990. Desta vez, a responsabilidade fica sob a batuta do quase estreante Len Wiseman, que praticamente começou no cinema respondendo pelo departamento de arte de filmes como "Indepenence Day", "MIB - Homens de Preto".

Nesta seqüência, que estréia dia 3, seu trabalho é executado com competência, na medida que se trata de um filme de ação, com muito barulho e movimento. É o tipo de longa-metragem cuja ação não pára e ao mesmo tempo dá um chacoalhão no espectador, dizendo: "Isso não é real, trata-se apenas de um filme". Carros voando, gente despencando de enormes alturas e resistindo, avião planando como se fosse helicóptero, explosões. Todas as cenas estão lá, como diz o padrão.

Wiseman aponta suas lentes para uma história contemporânea, pois fala sobre o ataque aos computadores dos Estados Unidos. No feriado de Independência daquele país, McClane está em Nova York "dando uma de pai", quando vê sua filha Lucy (Mary Elizabeth Winstead), já universitária, se agarrando com um rapaz dentro do carro. No entanto, ele recebe um chamado dizendo que precisa ir a Camden buscar um jovem hacker, Matt Farrell (Justin Long), e levá-lo até o FBI.Como era de se esperar, os dois estão no lugar errado, na hora errada, pois Farrell está sendo perseguindo por um concorrente, o terrível Thomas Gabriel (Tymothy Olyphant), que conta com a ajuda de uma grande equipe, incluindo a sedutora Mai (Maggie Q), para transferir dinheiro do governo para a sua conta corrente.

Embora o roteiro seja confuso, já que fala de tecnologia, vírus e antraz, os personagens vão resolvendo os problemas com os diálogos, mesmo que as conversas terminem em: "Não sei como aprendi a usar este aparelho".Bruce Willis volta ao papel à vontade e em boa forma. Um dos pontos altos, além das cenas de ação bem-feitas (apesar da inverossimilhança), é o bom humor do roteiro, principalmente as piadas e as ironias vindas de McClane. Se a intenção do filme é privilegiar a movimentação, as explosões sem-fim, e no final mostrar o mocinho todo estrupiado, sangrando, com apenas um Band-Aid no nariz, sim, a missão foi cumprida. Este realmente é duro de matar. E de morrer.

A Volta do Todo Poderoso

Sabe aquela comédia típica que passa na sessão da tarde, que pede que seja vista acompanhada por um balde de pipoca, bom humor e sem precisar se esforçar para prestar atenção? Assim é o longa-metragem "A Volta do Todo Poderoso" ("Evan Almighty"), que estréia nesta sexta-feira, dia 3 de agosto, nos cinemas.

A fita é continuação de "Todo Poderoso", lançado em 2003 e estrelado por Jim Carrey. Neste filme, é a vez de Evan Baxter (Steve Carell), o rival de Carrey no outro longa, receber a aparição divina, vivida novamente (e brilhantemente) por Morgan Freeman, e saber que tudo o que precisa é deixar de ir ao congresso, onde foi eleito, e construir uma enorme arca (sim, o mesmo princípio de Noé).

Ao assumir o novo cargo, o ex-apresentador de televisão vive o sonho americano, quando muda com sua família para uma enorme casa (e só precisa decidir qual a madeira de seus armários da cozinha), dirige um carro moderno e pode oferecer mais conforto à sua família, mesmo que isso signifique menos tempo com ela. Porém, quando Deus o visita, tudo pode mudar.Até que ele seja convencido da missão, animais o visitarão, sempre aos pares, e o convencerão de que é necessário realmente colocar a mão na massa. Além de receber de Deus o livro "Ark Building for Dummies" (algo do tipo "Como Construir uma Arca"), Baxter vai contar também com a ajuda dos animais, de seus três filhos (o caçula é o que mais sabe sobre a vida animal, pois aprende tudo assistindo ao canal "Animal Planet") e também da sua esposa (Lauren Graham).

À contragosto do congresso, fortemente representado por Long (John Goodman) e também por seus assistentes, Rita (Wanda Sykes) e Eugene (Jonah Hill), ele vai continuar no trabalho e provar sua sanidade.Novamente dirigido por Tom Shadyac, o longa tem Tom Hanks entre os produtores executivos. O bom humor do roteiro e as piadas, principalmente as protagonizadas por Carell, já valem o ingresso. A superprodução, que conta com efeitos especiais bem-feitos, contribui principalmente para o aumento do tamanho da arca, efeito conseguido digitalmente, e da onda responsável pelo dilúvio. O treinamento dado aos animais também merece respeito."A Volta do Todo Poderoso" tem a pretensão apenas de fazer o público se divertir quando vai ao cinema. E isso é realmente possível.

O Dono do Mar

Filme nacional é sempre uma surpresa para o público. Nunca se sabe o que vem pela frente. A maioria deles, salvo algumas exceções, tem a recompensa na bilheteria por conta do elenco, quase sempre vindo da televisão. Quem não tem o chamado “star system”, conta apenas com a boa história, produção e direção.
Inspirado em romance homônimo escrito pelo ex-presidente José Sarney (membro da Academia Brasileira de Letras), "O Dono do Mar" chega aos cinemas com roteiro escrito por Frank Dawe e Fábio Gomes, e direção de Odorico Mendes, que se especializou em propagandas.

A fita conta a história de Antão Cristório (Jackyson Costa em excelente forma física), pescador criado no Maranhão, que, quando perde o filho Jerumenho (Sérgio Marone), assassinado pela faca de um marido traído, muda os seus hábitos e começa a procurar o autor do crime.

A partir de então, o longa volta no tempo e conta desde a infância do pescador, desde quando se apaixonou por Quertide (Samara Felippo), se casou com Camborina (Daniela Escobar), se deitou com a cunhada Germana (Regiane Alves), passando pelas noites de amor com a prostituta conhecida como Maria das Águas (Isadora Ribeiro). Sem contar a rezadeira dona Geminiana (Pepita Rodrigues), que ajuda o rapaz a conquistar a noiva.

Com abuso de travellings, Odorico aponta suas lentes para o que o litoral maranhense tem de mais espetacular, mas peca quando conta histórias do Além, quando abusa de recursos que não domina e constrange o espectador com a história risível. O elenco feminino, na sua maioria composto por belas moças, serve de muleta para conquistar. “O Dono do Mar” esperou cerca de 10 anos, conforme disse o diretor, para sair do papel. Poderia ter esperado mais tempo.

Candy

"A vida dos drogados é meio confusa." Com esta frase, o filme explica boa parte da história. E é para o meio desta confusão, com tudo girando, que o espectador é convidado a participar.

Candy é uma jovem pintora (Abbie Cornish) que busca oportunidades e se perde na vida ao lado do poeta Dan (Heath Ledger). Os dois são viciados em heroína, e vão morar juntos. Esses dois personagens baseados no livro australiano de Luke Davies que, ao lado do diretor Neil Armfield, também assina o roteiro, são muito diferentes dos padrões. Eles vivem atrás das drogas e, para consegui-las, vale tudo: roubo, prostituição.

Aliás, a história é contada em três atos: paraíso, terra e inferno. Com a premissa de querer ficar junto na alegria e na tristeza, o longa se desenvolve bem, é maduro, com roteiro consistente. O filme tem uma história bonita, na medida em que fala de amor e companheirismo, mas para um público com a mente mais aberta.

Vênus

Um dos focos do longa-metragem é o choque da diferença de idade entre os dois personagens centrais do drama inglês. Ambientado em Londres, o filme mostra imagens da cidade como pano de fundo para contar a história da jovem Jessie (Jodie Whittaker), que chegou do interior para tentar carreira de modelo. Durante sua estada na cidade, ela vai morar com o tio-avô Ian (Leslie Phillips). Seu amigo Maurice (Peter O'Toole), outro ator veterano que faz pontas em programas da televisão, tem mais paciência com a moça e a leva para conhecer a cidade e tenta conseguir para ela um emprego como modelo.

Com cenas cuidadosamente dirigidas por Roger Michell, o longa apresenta cenas sensuais, provocativas, mas sem apelações. A trilha sonora, que intercala canções pop e clássica, também é uma forte contribuição para a separação e a marcação dos personagens e seus estilos de vida. "Vênus" é um filme provocante, malicioso, mas ao mesmo tempo delicado, que trata principalmente sobre a passagem do tempo, a sabedoria, a amizade e o amor.

Um Beijo a Mais

Inspirado na fita italiana “L’Ultimo Bacio”, escrito por Gabriele Muccino, o filme tem foco na vida de Michael (Zach Braff), que namora Jenna (Jacinda Barrett). Mesmo antes de casar, ela engravida e os dois vão morar juntos.

Aos 29 anos, ele se sente acuado quando vê que a sua vida está tomando rumos mais adultos, de maneira que toda a rotina deverá ser mudada. Então, ele conhece Kim (Rachel Bilson), uma moça linda, jovem, cheia de amor. Neste momento, o rapaz percebe o destino e pensa duas vezes sobre as atitudes que deve tomar.

Com roteiro assinado por Paul Haggis, a direção está sob a batuta de Tony Goldwyn. Além de atitudes da vida adulta e a crise dos 30 anos, o longa fala também de amor, fidelidade e, acredite, perdão. Os atores que interpretam no longa têm também cerca de 30 anos, conferindo à ficção um pouco de realidade. Na fita, então, é possível se identificar, principalmente quando se fala na crise, na transição, na responsabilidade que chega nesta idade. Sem dúvida, uma lição de casa para se refletir sobre a vida adulta.

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Elvis não morreu!

Por ocasião do lançamento de um novo DVD do Elvis Presley, em comemoração aos 30 anos de sua morte, fui assistir à exibição na semana passada. Mal eu cheguei ao local, já dei de cara com clones de Elvis. Eram tantas costeletas juntas que eu não tive a menor dúvida que estava no local certo (ou errado, como vim a descobrir mais tarde).

Fãs espalhados pela sala de projeção comentavam sobre suas expectativas em relação à nova obra, que reúne seis shows, incluindo imagens inéditas, apresentados pelo Rei do Rock em 1970, portanto sete anos antes de sua morte precoce.

Eu estava preparada para assistir à apresentação. Lembro-me que quando era criança meu pai não se cansava de rodar na vitrola os seus LPs do astro, a cantar e a dançar como seu ídolo. Sim, meu pai era seguidor do Elvis. Chegava a deixar as costeletas como as dele para mostrar que tinha bom gosto musical.

Mas Elvis morreu em 16 de agosto de 1977, meses antes de eu nascer. Não vi, claro, mas minha mãe conta que meu pai chorou no dia, ficou de luto por uma semana, porém nunca perdeu a alegria de cantar e dançar ao som de Elvis.

Bom, mas voltando ao lançamento do DVD. Quando o filme começou, todos ficaram quietos, sentadinhos, esperando ser envolvido pelas imagens, pelo carisma e pelo jeito irreverente com que Elvis conduzia a banda e gargalhava e brincava com a música e com a voz. No entanto, de uma hora para outra, percebi, sentada ao lado de um outro jornalista, que havia um coro que imitava as músicas.

- Oh, céus.

Eu queria ouvir as canções. Queria ouvir Elvis Presley cantando na minha frente, não o cover dele. Mas relaxei e continuei gargalhando com as brincadeiras, ouvindo as suas músicas mais bacanas. Vendo Elvis e aquela sua mania de balançar as pernas, comentei com o meu colega:

- Lembra da cena em "Forrest Gump", quando o pequeno Forrest ensina Elvis a dançar?

Pronto, ele se matou de rir ao se lembrar da cena. Quando eu percebo, lá estão aquelas costeletas falando de novo, cantando e, imagine, balançando a perna.

- Oh, céus.

As luzes do palco se apagam. Elvis, de costas, com a câmera com foco na sua enorme gola, se vira lentamente e canta:

- You never close your eyes anymore when I kiss your lips

Agora me lembrei de um outro filme.

- "Top Gun", disse ao colega.

Novas gargalhadas, pois deve ter se lembrado da clássica cena quando Tom Cruise chega ao bar e começa a cantar esta música para sua instrutora.

E assim foi. Durante toda a apresentação tinha uma música que me remetia a uma cena, seja ela de um filme ou da minha vida, como quando Elvis começou a cantar "Love me Tender" (e não terminou, pois estava mais preocupado em beijar as moças da platéia) que meus olhos se encheram de lágrimas. Outras canções também me emocionaram e me empolgaram, como "Suspicious Minds" (trilha sonora deste post), "Patch it Up", "Blue Suede Shoes" – rock and roll puro.

Quando nada poderia ficar pior, imagine que aquele punhado de fãs começou a, além de cantar e bater os pés, bater palmas. Ao final de cada canção e para acompanhar a bateria, eles batiam palmas e assobiavam.

- Oh, céus.

Tudo bem que muitos dizem que "Elvis não morreu", mas peraí: cinema ainda não é interativo. Trata-se apenas de uma imagem projetada em uma tela. Não existe a menor possibilidade de quem se apresenta ali receber os aplausos. Agora, caso Elvis tenha realmente morrido, ele pode, do Além, receber os aplausos, os gritos e os assobios, mesmo que tudo isso seja feito em pensamento. Sacou? Não, aquela galera não tinha sacado.

Mesmo não tendo ouvido direito as canções, consegui me emocionar mais de uma vez com Elvis na tela. E a lembrar de coisas que eu não conseguia por um bloqueio que existe na minha memória. Eu sei que Elvis não é o único que não morreu. Não pra mim.